Pergunta: Como um Iniciado pode criar um novo Corpo adulto, pronto para ser usado, antes de abandonar o antigo?
Resposta: O consulente compreenderá que não é pelo fato de alguém ter-se tornado ciente dos Mundos invisíveis e talvez ter aprendido a atuar no Corpo-Alma, que isso o torne capaz de realizar esse feito. Isso requer um desenvolvimento espiritual vastíssimo, e somente aqueles que estão muito evoluídos atualmente conseguem realizar essa proeza. No entanto, diz-se que o método é o seguinte:
Quando o alimento é ingerido por uma pessoa, seja ele Adepto ou ignorante, a lei de assimilação o levará primeiro a absorver cada partícula e integrá-la ao seu próprio ser. Deve subjugar e conquistar a vida celular individual antes que ela se torne parte do seu Corpo.
Quando isso é feito, a célula permanece com ele por um tempo mais longo ou mais curto, de acordo com a constituição e o lugar na evolução da vida que habita nele. A célula composta de tecido e que foi antes incorporada num Corpo animal, além de ter sido interpenetrada por um Corpo de Desejos, tem a vida mais evoluída. Em consequência, ela reafirma-se rapidamente, e abandona o Corpo que a tinha assimilado.
Disso resulta que uma pessoa que segue uma alimentação carnívora precisa reabastecer-se com alimentos mais frequentemente. Tal matéria não seria adequada ao propósito de construir um Corpo que terá de esperar um certo tempo antes que o Adepto o ocupe. Uma alimentação constituída de legumes, frutas e nozes, principalmente quando estão maduras e frescas, é interpenetrada por uma grande quantidade do Éter que compõe o Corpo Vital da planta. São muito mais fáceis de ser absorvidas e incorporadas à constituição do Corpo. Além disso, permanecem aí muito mais tempo antes que a vida celular individual se autoafirme. Por conseguinte, o Adepto que desejar construir um Corpo pronto para ser usado antes de deixar o antigo, naturalmente o formará por meio de vegetais frescos, frutas e nozes que serão ingeridas pelo Corpo que usa diariamente e onde ficarão sujeitas à sua vontade — uma parte de seu ser.
O Corpo-Alma de tal homem ou mulher é naturalmente muito volumoso e muito poderoso. Ele retira uma parte dele, e faz um molde ou matriz no qual acrescenta diariamente partículas supérfluas para a nutrição do Corpo que está usando. Assim, aos poucos, tendo assimilado um considerável excedente de material novo, ele também pode retirar material do veículo que está usando e incorporá-lo ao novo Corpo. Gradualmente, com o passar do tempo, ele transmuta um Corpo em outro. Ao chegar ao ponto em que o velho Corpo está tão debilitado que é notado pelo Mundo externo, causando comentários, ele já deverá ter equilibrado a matéria de tal forma que o novo Corpo esteja pronto para ser usado. Ele pode sair do antigo e entrar no novo. Mas, ele não faz isso simplesmente com o propósito de continuar a viver na mesma comunidade. É-lhe possível, em razão do seu grande conhecimento, usar o mesmo Corpo durante muitos anos de maneira que continuaria a parecer jovem, pois esse Corpo não está sujeito ao desgaste causado por nós, simples mortais, pelas paixões, emoções e desejos.
Contudo, quando cria um novo Corpo, segundo consta ao autor, é sempre com o propósito de abandonar o meio em que vive e empreender o seu trabalho num novo ambiente.
Eis a razão pela qual ouvimos falar sobre homens como Cagliostro, St. Germain e outros, que apareciam um dia num determinado lugar, executavam uma missão importante e desapareciam. Ninguém sabia de onde vinham ou para onde iam, mas todos os que os conheceram prontificaram-se a testemunhar sobre suas notáveis qualidades, seja com o propósito de difamá-los ou louvá-los.
Os Irmãos Maiores ensinam que Christian Rosenkreuz tem um Corpo físico, ou talvez uma série de Corpos que usou continuamente desde que a Ordem foi fundada no século XIV. Mas, embora o autor tenha falado com vários Irmãos Leigos de alto grau, nenhum deles jamais admitiu ter visto Christian Rosenkreuz. Todos nós sabemos que ele é o décimo terceiro membro da Ordem e é sentido nas reuniões do Templo como uma presença, mas não é visto nem ouvido, segundo testemunho de todos que o autor teve a ousadia de questionar.
A maneira pela qual os Irmãos Maiores se referem ao seu chefe ilustre foi sempre reticente, e pareceria ser uma curiosidade excessiva perguntar qualquer coisa além daquilo que estão dispostos a responder. Sabemos, contudo, que o seu trabalho está relacionado com o governo do mundo. Embora não sejamos capazes de apontar qualquer personagem no atual palco mundial como sendo este grande Espírito, temos certeza que ele está aqui, executando a sua tarefa. Conta-se que ele usou a vestimenta de uma dama da Corte Francesa anterior à revolução e trabalhou árdua e honestamente para impedir aquela catástrofe iminente, ainda que sem sucesso.
Embora acreditemos na verdade desse fato, é apenas um indício. Se tivéssemos que indicar esse grande líder atualmente, iríamos encontrá-lo exercendo mais o poder atrás do trono em algum lugar, do que como titular de um dos cetros do poder no mundo de hoje.
(Perg. 69 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Um Cardápio típico Vegetariano do dia a dia em Mount Ecclesia em 1915
Café da manhã — 7:30 A. M.
Melão;
Flocos de milho torrados e creme;
Ovos mexidos com torrada;
Café e/ou leite.
——
Almoço — 12:00
Feijão de corda cozido;
Abobrinhas fritas;
Batatas marrons frescas;
Pão de trigo integral, manteiga
e mel;
Torta de creme;
Chá e/ou leite.
——
Ceia — 5:30 P. M.
Salada de aspargos;
Rabanetes frescos;
Pão quente com manteiga
e mel;
Torta de creme;
Chá e/ou leite.
Efeitos da Oração
A oração é sempre seguida de um resultado, desde que feita em condições convenientes. “Nunca homem algum orou sem aprender alguma coisa.”, escreveu Ralph Waldo Emerson. No entanto, o orar é considerado pelos homens modernos um hábito que caiu em desuso, uma superstição ou um resto de barbarismo. Por isso, ignoramos quase que completamente os seus efeitos.
Quais são, de fato, as causas dessa ignorância? Em primeiro lugar, a raridade da oração. O sentido do sagrado está prestes a desaparecer entre os civilizados, sendo provável que o número dos franceses que oram não vá além de 4 ou 5% da população. Depois, a oração é muitas vezes estéril, visto que a maior parte dos que oram seja egoísta, mentirosa, orgulhosa e farisaica, incapaz de fé e de amor. Por último, os seus efeitos, quando se chegam a produzir, escapam-se muitas vezes. A resposta aos nossos pedidos e ao nosso amor é dada usualmente de forma lenta, insensível e quase inaudível. A débil voz que murmura essa resposta, no mais íntimo de nós, é facilmente abafada pelos ruídos do mundo e os próprios resultados materiais da oração são obscuros, pois são confundidos geralmente com outros fenômenos. Poucas pessoas, mesmo entre os padres, têm tido ocasião de observá-los de forma precisa. Os próprios médicos, por falta de interesse, deixam muitas vezes sem estudo certos casos que se encontram ao seu alcance.
Por outro lado, os observadores ficam muitas vezes desnorteados pelo fato de que a resposta esteja, em muitos casos, longe de ser aquela que se esperava.
Assim, aquele que implora a cura de uma doença orgânica, continua doente, mas sofre uma profunda e inexplicável transformação moral. No entanto, o hábito da oração, embora seja uma exceção no conjunto da população, é relativamente frequente nos agrupamentos. E é nesses agrupamentos que se torna ainda possível estudar a sua influência. Entre os seus inumeráveis efeitos, o médico tem a oportunidade de observar, sobretudo, aqueles que se chamam psicofisiológicos e curativos.
São os efeitos curativos da oração que, em todas as épocas, têm despertado principalmente a atenção dos homens. Hoje ainda é corrente, nos meios em que se reza, ouvir-se falar de curas obtidas graças às súplicas dirigidas a Deus e aos seus Santos. Mas, quando se trata de doenças suscetíveis de se curarem espontaneamente ou com ajuda de medicamento vulgar, é difícil saber qual foi o verdadeiro agente da cura.
Apenas em casos em que a terapêutica é inaplicável ou em que ela não produziu efeitos é que os resultados da oração podem ser verificados de forma segura. A repartição médica de Lourdes tem prestado grande serviço à ciência, demonstrando a realidade dessas curas. A oração tem, por vezes, um efeito que poderemos chamar de explosivo. Há doentes que têm sido curados quase que instantaneamente de afecções tal como o Lupus facial, o câncer, as infecções renais, a tuberculose pulmonar, a tuberculose óssea, a tuberculose peritoneal e tantas outras doenças. O fenômeno produz-se quase sempre da mesma maneira: uma grande dor e, em seguida, a percepção de que se esteja curada. Em alguns segundos ou, quando muito, em algumas horas, os sintomas desaparecem e as lesões orgânicas cicatrizam-se.
O milagre é caracterizado por uma extrema aceleração dos processos normais de cura. E nunca tal aceleração foi observada, até o presente, no decorrer de experiências feitas por cirurgiões e fisiologistas.
Para que esses fenômenos se produzam não há necessidade de que o doente ore, pois foram curadas em Lourdes criancinhas que ainda não falavam e até pessoas descrentes; alguém, porém, orava por elas. A oração feita por outrem é sempre mais fecunda do que a feita pela própria pessoa. É da intensidade e da qualidade da prece que parece depender o seu efeito. Em Lourdes, os milagres são muito menos frequentes do que eram há 100 anos. É que os doentes já não encontram aquela atmosfera de profundo recolhimento que reinava outrora: os peregrinos tornaram-se turistas e suas preces são ineficazes.
Tais são os resultados da oração de que eu tenho um conhecimento certo. No entanto, ao lado desses, há muitos outros. A história dos Santos, mesmo dos mais modernos, relata-nos muitos fatos maravilhosos e não há dúvida de que a maior parte dos milagres atribuídos, por exemplo, ao Cura d’Ars, sejam absolutamente verídicos. Esse conjunto de fenômenos conduz-nos a um novo, cuja exploração não foi ainda iniciada, mas que será fértil em surpresas. O que já sabemos, de forma segura, é que a oração produza efeitos palpáveis. Por muito estéril que isso nos possa parecer, devemos considerar como verdadeiro: quem pede, recebe; a porta sempre se abre a quem bate.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro de 1970)
Vida, Vida, Vida…não existe a morte!
Mês de novembro. Aqueles que professam o Cristianismo popular reverenciam pungentemente seus mortos. Nós, Estudantes da Filosofia Rosacruz, tributamos nosso respeito a essa atitude; porém não a imitamos. Compreendemos o significado da chamada “morte”. Sabemos que seja um processo natural dentro do fluxo evolutivo.
Sob o ponto de vista oculto, somos, antes de mais nada, Espíritos, partes integrantes de Deus, células divinas. Sendo assim, encontramo-nos dotados, em forma latente, de todos os atributos divinos. Assim como uma gigantesca árvore encontra-se potencialmente numa minúscula semente, da mesma forma Deus está em nós e nós, NELE. Possuímos, entretanto, essa energia ainda em fase estática. Cumpre-nos dinamizá-la para emergirmos da impotência para a onipotência.
Um axioma científico assevera que a função cria o órgão. Os atributos inerentes ao Espírito necessitam ser despertados e exercitados. Além disso, todo crescimento anímico é promovido através da experiência. Eis porque, como Espíritos, procuramos meios para expressar e desenvolver nossas divinas faculdades. Os meios aludidos são os nossos veículos e dentre eles aquele que presentemente nos é mais útil é o Corpo Denso, formado de matéria química.
A “morte”, dentro do conceito popular, diz respeito ao fenômeno da paralisia total e definitiva do Corpo Denso e sua posterior decomposição, após o sepultamento.
Esse fato, encarado com horror pela maior parte da humanidade, é um processo natural. O veículo denso, como meio de expressão do Espírito na Região Química do Mundo Físico, presta relevantes serviços à causa evolutiva; porém, com o decorrer dos anos ele paulatinamente se cristaliza, até chegar a um estado em que se torna praticamente inútil, deixando de proporcionar as experiências requeridas pelo ser em evolução. A Chispa Divina é obrigada a abandoná-lo, adentrando então nos Planos internos da natureza (imperceptíveis aos sentidos físicos), onde durante muito tempo assimilará o valor educativo da última encarnação. O corpo, despojado das forças que o animavam, dissolve-se, retornando à economia da natureza. Esse retorno periódico da matéria à substância primordial habilita o ser a evoluir. Se o processo de cristalização prosseguisse indefinidamente, ofereceria um terrível obstáculo à evolução do Espírito. Quando a matéria se cristaliza a ponto de tornar-se demasiada pesada e dura, o ser espiritual, não podendo manejá-la livremente, retira-se para recuperar a energia exaurida. No entanto, retornará futuramente acrescido de novos conhecimentos e experiências, ocupando novas formas, recomeçando seu período de aprendizado no Plano terrenal.
A frase “quanto mais amiúde morremos, tanto melhor viveremos” considera-se um axioma. Goethe, o poeta Iniciado, disse: “Quem não experimenta morrer e nascer para a vida, sem interrupção, sempre será um hóspede triste sobre esta terra infeliz.”. São Paulo afirmou: “Eu morro todos os dias”.
Neste mês em que se pranteia os chamados “mortos”, lembremo-nos mais uma vez: a morte não existe.
No universo de Deus só há uma realidade absoluta: VIDA, VIDA, VIDA…
(De Pereira dos Santos, publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro de 1970)
A Fonte da Amizade
Nuvens de poeira moviam-se pela ação das grandes rodas de ferro da diligência, enquanto os fatigados bois subiam a pequena montanha. Priscila correu pela areia quente, grata por uma pequena sombra proporcionada pela cobertura da diligência.
Seu irmão Herbert encorajou os bois, sua voz soando desafinada e baixa na quietude do deserto. No topo do morro, ele retirou à diligência da estrada e gritou:
— Pare!
Priscila saiu para ver se ele estava dando passagem a outras diligências. Seus olhos azuis atentos perceberam imediatamente a cena que estava à sua frente. O pico da montanha erguia-se sozinho na planície ressecada e marcava o ponto divisório de duas trilhas. Uma, ia para o sul através de um sulco branco e alcalino. A outra, abraçava uma cadeia de montanhas ao norte — montanhas vermelhas e amarelas que cintilavam nas dunas quentes.
Bem abaixo deles, uma cabeça inclinada subia a montanha em que eles estavam. Uma mulher envelhecida e uma garota de rosto redondo, de idade aproximada à de Priscila, caminhavam com dificuldade ao lado dos dois bois magros. A derrota estava escrita em cada linha dos dois estranhos que se aproximavam — nos seus ombros caídos, nos seus semblantes desanimados, nos seus passos lentos.
— Não vá começar um bate-papo, disse Herbert, não temos tempo a perder se pretendemos alcançar a caravana.
Priscila olhou para seu irmão com surpresa. O tom, as palavras, não eram suas. Somente um ano mais velho, ele parecia ter envelhecido anos nessas últimas semanas. Não é de admirar, pensou Priscila. Ele era muito novo para tal responsabilidade. Mas não foi o envelhecimento que preocupou Priscila. A face morena de Herbert tornara-se mais magra, seus olhos mais ansiosos e toda sua amabilidade desaparecera. De alguma forma, ele tinha endurecido e isso era o que preocupava sua irmã, mais do que tudo.
A medida que a diligência se aproximava, Priscila podia ouvir um som áspero e desagradável que, algumas vezes, parecia um grito estridente. Ela notou que a roda traseira direita da diligência que se aproximava, não girava totalmente. Se arrastava pela areia tornando mais difícil o trabalho dos bois.
A mulher e a menina não levantaram suas cabeças quando desviaram os bois para o lado, a fim de passar. O coração de Priscila sensibilizou-se pela indiferença delas, porque ela reconheceu que essa indiferença era devida ao completo cansaço que tinham.
— Perdão, disse Priscila, impulsivamente. Não seria mais fácil se essa roda fosse engraxada?
O chapéu levantou-se e Priscila viu os olhos da mulher brilharem.
— Como você é esperta! – disse ela asperamente.
— Sei que vocês não têm graxa, Priscila respondeu rapidamente, mas nós temos um pouco e tenho certeza que meu irmão teria prazer em ajudá-las.
A mulher encarou a face ansiosa e ruborizada de Priscila, e lágrimas rolaram por seu rosto moreno.
— Perdão, minha filha. Eu estou tão embrutecida que mal reconheço a gentileza. Eu agradecerei muito a seu irmão se ele fizesse isso para mim.
Priscila ficou contente ao ver que a mulher não percebeu o olhar amuado de Herbert. O tempo era tão precioso!
A mulher dirigiu-se à mãe de Priscila, que estava dirigindo os bois, pois estava muito cansada para andar. A garota aproximou-se de Priscila, levantando seus grandes olhos escuros.
— Deve desculpar mamãe, disse ela. Ela não é assim normalmente. Mas… perdemos papai. A garota acenou indefinidamente para as montanhas que estavam à oeste, bem distantes.
— Há muita cólera nos trens de imigrantes, disse Priscila com emoção. Meu pai também pegou cólera… e nada pudemos fazer…
— Eu entendo, disse à menina.
— Perdemos a caravana em que estávamos, Priscila explicou. Quebramos o balancim do carro e tivemos que parar enquanto Herbert fazia outro.
— Planejam pegar a bifurcação sul para Pinnacle Rock? – perguntou a garota.
Priscila concordou.
— Temos só um barril de água. Precisamos conseguir mais em Fonte Sultry.
A outra menina olhou rapidamente.
— Viemos de lá. A Fonte Sultry está seca, ela acrescentou num rouco sussurro. Talvez encontrem água na bifurcação do norte, não sei.
Herbert tinha acabado de engraxar a roda. Sorrindo, a mulher e a garota agradeceram.
— Vocês encontrarão aquela caravana em apenas um dia adiante, disse a menina.
A roda não mais emperrou ou se arrastou. Vendo seu progresso, Priscila observou que a mulher e a menina não mais fixavam o olhar no chão. Elas andavam eretas, olhando para a frente. Ela sentiu um ar de triunfo nelas e ficou contente, percebendo que ajudara a animá-las.
Quando ela voltou, viu Herbert olhando perturbadamente para uma mancha escura debaixo da diligência. De repente, ele correu para os fundos, subiu na diligência e quando Priscila o alcançou, Herbert estava sacudindo um barril, desesperado.
— Saiu a rolha de nosso último barril de água! Nenhuma gota sobrou! Enquanto nossos bois estão quase morrendo, você fica aí tagarelando.
— Devemos chegar a Fonte Sultry antes do anoitecer, vociferou Herbert.
— Aquela mulher e a garota vieram do sul, Herbert. A Fonte Sultry está seca.
Ele derrubou o barril, seus olhos em pânico.
— Seca?
— A garota acha que podemos encontrar água na bifurcação norte.
— Não, disse ele roucamente. Os guias dos imigrantes nada dizem sobre água ao norte. É isso que conseguimos porque você nos atrasa com cada estranho que encontramos.
Os olhos de Priscila entristeceram-se.
— Herbert, você está aborrecido. Além do mais, seguiríamos a bifurcação sul se eu não tivesse falado com aquela menina.
— Talvez seja verdade, disse ele, mas você não tem nenhuma desculpa por ter ficado tagarelando ontem, por meia hora, com aquele comerciante velho e grisalho.
— Mas ele estava ansioso para conversar com alguém, Herbert. Sua face iluminou-se quando parei para conversar com ele. E ele tinha tantas coisas para dizer sobre estas terras que estão adiante.
— Interessante, talvez, mas perda de tempo.
Ela o olhou fixamente quando ele pulou para o chão. Tocou-lhe o braço temerosamente. Ele virou-se, olhando-a carrancudo.
— Herbert, não seja insensível, por pior que estejam as coisas. Se você não pode perder tempo para uma palavra amiga ou um ato gentil durante a viagem, na verdade, você não está vivendo.
Ele olhou para ela, endurecido e imóvel.
— Você deve tomar conta de si mesma. Não pode ficar pegando para si os problemas dos outros.
Ele continuou a caminhar. Nada falou quando pegou a bifurcação norte em direção a Pinnacle Rock, ou durante as horas em que viajaram pela base dos penhascos. O calor que os penhascos refletiam ardia como se fosse um forno. Mais de uma vez, Priscila olhou para sua mãe ansiosamente, pois os lábios dela estavam bem apertados. Mas a garota nada disse. Ela sabia que sua mãe estava com sede, mas nada podia fazer.
Finalmente, Herbert parou os bois. Seus olhos estavam arregalados de medo. Priscila foi para a frente e um calafrio lhe percorreu a espinha. A língua dos bois estava de fora e eles estavam tremendo.
— Só um dia nos separa de nossa caravana, Herbert disse roucamente. Mas os bois não aguentarão se não beberem água.
Os olhos de Priscila passaram rapidamente pela planície e dirigiram-se depois para a colina acima. Viu desfiladeiros secos pela erosão, causada pelas tempestades de séculos, artemísias, cactos e grama queimados com exceção de um desfiladeiro onde havia uma única ponta de árvore verde.
— Desate um dos bois, disse Priscila rapidamente. Prenda um pote sobre seu dorso. Acho que sei onde há água.
Herbert protestou quando ela subiu em direção a um desfiladeiro seco. Duas voltas, três — sem nenhum sinal de água. Mesmo assim, Priscila insistiu em continuar, apesar de Herbert ter cada vez mais dificuldade em dirigir o boi pelas ásperas pedras. Meia hora mais tarde, eles chegaram a uma areia úmida onde a água havia corrido, não muitas horas antes; a uns metros daí havia um córrego de águas límpidas.
Eles beberam, deixaram o animal beber e encheram seu pote com água. Em uma das vezes que Priscila abaixou sua cabeça para beber, Herbert empurrou-a para a água. Com a cabeça toda molhada Priscila colocou sua mão no córrego para também jogar água em seu irmão. De repente, ela se endireitou, seus olhos estavam brilhantes.
— Ora, Herbert você está sorrindo! Há semanas que…
— Reconheço que tenho uma razão para sorrir! – Com exceção da magreza de sua face, ele parecia quase um menino outra vez – Nossos maiores problemas terminaram! Priscila, como você sabia que havia uma nascente aqui? Não há nenhum sinal de água lá embaixo.
Os olhos de Priscila estavam arregalados e brilhantes!
— Tinha que haver água aqui! Lembra-se daquele velho comerciante grisalho com quem eu conversei ontem? Ele me ensinou muitas coisas úteis. Entre elas, disse-me o seguinte: se você encontrar um grupo de arbustos ou árvores de verde mais escuro do que as da redondeza – como as que existem neste desfiladeiro – saiba que lá deve ter água.
— Oh! Disse Herbert. E eu disse que você perdia seu tempo sendo gentil com as pessoas.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Apelo aos espiritualistas
Fazendo-se um retrospecto para se comparar o passado com o presente deparamos com uma diferença impressionante que abrange todos os setores do viver.
Se houve evolução por um lado, o que é inegável para uma pequena elite, por outro tem havido muita involução.
Na ciência da tecnologia, por exemplo, o avanço é verdadeiramente grande; na medicina, idem; na indústria, e assim, em vários aspectos podemos dizer o mesmo, mas, em se tratando da espiritualização das pessoas, bem poucas são as que se aperceberam da grande necessidade que temos de cultivar o espírito, pois este é eterno e a vida, escola de aperfeiçoamento.
Se conturbado e violento anda o mundo, a culpa cabe unicamente a essa falta de luz que se faz sentir. Mata-se o semelhante por qualquer ninharia, sem considerar que a vida é bênção divina e ai daqueles que a exterminam! Quantas vezes, criaturas cheias da graça da saúde e da esperança têm perdido a vida por essa inescrupulosidade horrenda dos dias que passam!
Crianças e velhos indefesos, jovens cheios de otimismo, são sacrificados e violentados por essa onda selvagem e avassaladora de criminosos que vagueiam pelo mundo envoltos em trevas! Trevas da mais profunda ignorância! Contudo, não se desanimem nunca os que olham o mundo com fé, pois dias melhores nos aguardam, aqui ou alhures. A semente do amor, da confiança em Deus há de frutificar um dia, ainda que para cultivá-la muita lágrima tenha que regá-la. O pranto se converte em sorriso da mesma forma que de um espinheiro, muitas vezes, surge a rosa. A treva se transforma em luz, por isso mantenhamos firmes a força da fé que levantará um dia a humanidade desunida de hoje.
Alimentemos cada vez mais a esperança em dias de paz, pois essa força há de triunfar. Uma coisa, porém, se faz imperiosa: que lutem os espiritualistas, os que têm certeza da sobrevivência da alma para a espiritualização do mundo. É preciso divulgar pela Terra que todo sofrimento se reverte em bênção para o espírito, pois que nos levam eles a sérias reflexões e facilmente concluímos que é isso incontestável verdade. Do contrário, como purgaríamos a alma dos erros que contraímos em existências anteriores? Bem sei que de inúmeros materialistas está cheio o mundo, mas faço aqui um apelo aos espiritualistas: que não haja esmorecimento nessa hora difícil e, a despeito de sarcásticas ironias, prossigamos confiantes, cada qual procurando acender no próximo pequena luz que seja, pois esta, aos poucos, há de crescer e se tornar um luzeiro!
Lembremo-nos sempre de que até os mais crédulos serão testados e eis que os tempos são chegados. Coragem, porque unidos venceremos!
Não é sem lágrimas que vejo os distúrbios por que atravessa a Terra, mas na alma tenho acesa a chama da esperança de que essas mesmas lágrimas vão sorrir um dia, quando o mundo sorrir comigo pela paz que haveremos de conquistar. Façamos, pois, imensa força de pensamento positivo e encaremos com otimismo o futuro que a tudo responderá.
Deus está conosco!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – jul/ago/88)
Éter: A Nova Fronteira
Nesta lição trataremos da Região Etérica do Mundo Físico. Se bem que o Éter não seja visível para a grande maioria das pessoas, pertence, ainda assim, ao plano físico e é considerado como matéria física. O Éter envolve os átomos físicos como uma aura que os rodeia, interpenetra e protege todo o tempo. Os átomos físicos nadam num mar de Éter. Quando os desejos de uma pessoa tenham esgotado a estes átomos, o Corpo de Desejos atrai, do Sol e por meio do baço, a vitalidade necessária para revivificá-los. O Corpo Denso está constantemente sofrendo mudanças e seus átomos necessitam constante renovação. O Corpo de Desejos está sempre em estado cambiante e em rodamoinho, mas os átomos etéricos prismáticos do Corpo Vital assumem uma posição estacionária, permanecendo sempre no mesmo lugar desde o nascimento até a morte, se bem que estejam, ao mesmo tempo, pulsando e enviando suas forças com sua influência protetora através do Corpo Denso inteiro. Acontece o mesmo com relação aos Éteres planetários da Terra, das plantas e dos animais.
O Éter está dividido em quatro estados de crescente vibração, a saber: o Éter Químico, o Éter de Vida, o Éter Luminoso e o Éter Refletor, cada um deles desempenhando funções específicas. O Éter Químico, que é o mais denso, pode ser visto como uma bruma azul que rodeia as montanhas. Especialmente é este o caso ao amanhecer e ao anoitecer, quando as forças vitais da Terra são mais fortes. O Éter Químico tem dois polos. O polo positivo atua na assimilação dos elementos nutritivos, no crescimento ou na acumulação de tais elementos no corpo e na conservação da forma. Estas funções involuntárias são executadas sob a direção dos Espíritos da Natureza que têm a seu cargo a construção das formas minerais dos quatro reinos. As forças que trabalham pelo polo negativo controlam a eliminação e a excreção das toxinas e dos catabólitos. O Éter Químico é o construtor e o limpador. Podemos compará-lo à enfermeira, que alimenta, cuida e restaura a saúde, mas também limpa, purifica e elimina todos os detritos. Os Éteres Químicos e de Vida encontram-se e rodeiam as folhas e a vegetação apodrecidas, os corpos mortos do animal e do ser humano, até que a decomposição tenha destruído inteiramente os átomos físicos, que são devolvidos ao reino mineral.
O Éter de Vida é um fator determinante na propagação da espécie. As forças que atuam pelo polo positivo deste Éter, trabalham durante a gestação através da matriz colocada pelos Anjos no útero da mãe, para dar à luz um novo Ego. O sexo é determinado antes de que esta matriz seja colocada no útero. Se a matriz é constituída por átomos etéricos positivos, atraem para si átomos físicos de polaridade negativa, os quais constroem um corpo feminino; mas, se a matriz é feita de átomos etéricos negativos, então constrói um corpo masculino. O polo negativo do Éter de Vida permite ao macho produzir o sêmen.
Os cientistas estão lutando por compreender as leis que determinam o sexo. Até agora têm sido capazes de controlar em certo grau o sexo de várias espécies, mas, ao que se refere à onda de vida humana fica mais difícil. Se bem que seja possível trabalhar com as ondas de vida mais jovens, que estão sob o controle dos Espíritos-Grupo, devemos recordar que o ser humano é um ser individualizado e é o senhor de seu próprio destino. Seu destino, resultado das vidas passadas, está escrito no diminuto átomo-semente, do qual extraem os Anjos Arquivistas (ou Anjos do Destino ou Senhores do Destino) o núcleo para a matriz, que é feito especialmente para acomodar-se a cada Ego particular, quando este está pronto para o renascimento, e o sexo é determinado pela escolha feita quando o Ego está ainda no Terceiro Céu (na Região do Pensamento Abstrato). Portanto, um cientista com o fim de controlar o sexo de qualquer ser humano teria que ser sapientíssimo e poderoso, e começar a controlar as circunstâncias dos mundos internos e ainda das vidas anteriores ao presente renascimento desse Ego.
O Éter Luminoso e as forças que trabalham através do seu polo positivo geram calor e movimento; também controlam a circulação da seiva nas plantas, do sangue nas artérias e veias e do fluido rosado nos nervos motores. As forças que trabalham através do polo negativo fazem funcionar os sentidos, manifestando-se como funções passivas da sensação, audição, visão, olfato e paladar. Também constroem e nutrem os órgãos sensoriais (particularmente o olho) e seus correspondentes nervos. Esta é também a avenida de depósito para os pigmentos e matéria colorante, não apenas do sangue, do cabelo e da pele do animal e do ser humano, mas também das folhas e pétalas das plantas e das flores.
O Éter Refletor é a avenida através da qual a Mente do ser humano se comunica com o cérebro físico. Também registra ou reflete todos os acontecimentos que tenham sucedido, algum dia, nas vidas passadas e presentes do ser humano. Tudo faz uma impressão que é registrada sobre este Éter em forma de memória. Também reflete impressões e formas de pensamentos armazenadas na verdadeira Memória da Natureza, que se encontra nos reinos superiores. Existem, pelo menos, três principais níveis de memória: a memória subconsciente do Éter Refletor, que tem assento no sangue; a memória consciente no Mundo do Pensamento, mas que também é refletida no Éter Refletor, tratando estas duas classes de memória com a presente vida terrestre, e a memória supraconsciente no Mundo do Espírito de Vida, que pode evitar a Mente e impressionar ao Éter Refletor diretamente em forma de lampejos de intuição, tratando esta última classe de memória, essencialmente com as atividades das vidas passadas.
Até recentes décadas a Ciência tem conhecido muito pouco a respeito destes Éteres, mas várias de suas especialidades modernas, tais como a Astronomia, a Astrofísica, a Biologia, a Bioquímica, a Física Nuclear e as Ciências do Espaço para citar apenas algumas têm-se esforçado em estudar e compreender coisas tais como a transmissão da luz, a gravidade, as comunicações espaciais, a fotossíntese, a reprodução celular, a engenharia genética, a fusão nuclear, as estruturas subatômicas, e assim sucessivamente, as quais estão sob o ordenado controle dos Éteres. Neste último terço da Era de Peixes a Ciência vai se tornar mais forte e finalmente nos levará a redescobrir a perfeita ordem subjacente no Mundo Físico, revelando a maravilhosa sabedoria de Deus — seu Criador — com Quem logo devemos aprender a trabalhar e viver em harmonia.
Mediante orações repetidas e concentração tem sido atraídos os Éteres superiores ao Templo de Cura de Mount Ecclesia, e agora o banham, com um poder que aumenta a cada dia. Quando nos colocamos em sintonia, atraímos para nós um mar destes Éteres superiores e nos convertemos em poderosos agentes de Cristo e de seu bálsamo curador, para ajudar a humanidade. Assim como os atlantes tiveram que desenvolver os pulmões com a finalidade de respirar acima da atmosfera carregada de névoa, assim nós devemos desenvolver o Corpo Anímico, composto dos Éteres superiores, o que permitirá que nos elevemos sobre a densa atmosfera para flutuar à vontade, através dos Éteres, a fim de ajudar a humanidade que sofre.
Nossos astronautas do presente estão simplesmente indicando o caminho, e à falta de um Corpo-Alma devem colocar-se em um traje espacial. Contudo, quando regeneramos nossas vidas e com alegria nos damos para servir desinteressadamente à humanidade, construímos o novo traje espacial etérico, o Corpo-Alma, o qual rapidamente nos abrirá a Nova Fronteira do Espírito: o Espaço.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – Jul/Ago/88)
As Possibilidades
A vida se assemelha a uma imensa área cheia de possibilidades. Ou melhor, a um rio enorme cheio de possibilidades.
Não é temerário querê-lo inteiro. A essa formidável corrente, onde estão as causas e os efeitos, não custa mais encher uma ânfora grande do que uma pequenina.
Tanto as mais extraordinárias como as mais insignificantes coisas podem ser encontradas nessas crespas ondas que brotam da fonte misteriosa do Ser e a ela voltam, fecundando o universo infinito.
Revela, pois, grande desconhecimento da magnitude da vida e grande mesquinhez de espírito aquele que, por desconfiança, nega que uma coisa lhe possa vir simplesmente porque é muito bela. Longe de ser perfeita, porém, é progressiva e pouco a pouco avançamos até nossa meta, a qual, esperamos, um dia possa ser apresentada ao mundo como um meio prático e eficaz de sair do caos atual, nascendo para uma nova vida mais harmoniosa e mais verdadeira.
É incontável, é formidável e pasmosa a quantidade de coisas belas que são diariamente outorgadas ao mundo e às quais o mundo não costuma prestar atenção, distraído, atormentado por vis ansiedades e tristes egoísmos.
“As coisas”, disse um pensador, “parecem-nos impossíveis enquanto não se realizam”. Portanto, jamais creia que a excelência de um bem seja condição negativa para a sua consecução.
Para a possibilidade de receber esse bem, abra com sua confiança todas as capacidades do seu espírito. Não consinta que, fechadas pelas chaves do ceticismo, a suas portas interiores chegue a suma felicidade que lhe cabe, mas não pode entrar… e se afasta para sempre.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro de 1970)
O Significado Esotérico das Pedras Preciosas
Que história maravilhosa tem o resplendor da Safira; que segredo tem a cintilação do Diamante; quais os sonhos do coração da Pérola? Com que deleite nos adornamos com a beleza exterior das pedras preciosas sem perceber sua natureza íntima e a história de sua criação.
Os sábios dizem que poderemos encontrar o porquê de todo ser buscando-o nos arquivos espirituais. Todas as coisas grandes ou insignificantes convergem-se no Universo em uma sinfonia multicor de harmonia e luz. As grandes Hierarquias pensam nos acordes da música. Os átomos da música vibram no Éter e formam núcleos que atraem outros átomos semelhantes em cor e vibração. A maravilhosa sinfonia encontra os primeiros e sutis reflexos no coração do cristal, que depois de épocas incomensuráveis manifesta seu esplendor.
Qualquer pedra preciosa é uma forma de pensamento de uma grande Hierarquia. Este pensamento foi enviado à Terra para concretizar-se no cristal, anunciando sua mensagem. É por isso que a pedra preciosa emite as vibrações em harmonia com seu Signo e Astro, que elaboram sua formação harmônica e vibratória.
A dinâmica força de Marte dirigida à Terra em fusão é conhecida como Signo de Áries, que trabalhou na formação da pedra que chamamos Diamante. No Mundo dos Astros, o Diamante tem seu idêntico espírito de ascensão; no Plano terrestre, esse desejo se manifesta em sua forma inferior como ambição descontrolada. Esse mesmo fogo, que se apresenta no Plano inferior como ambição desmedida, transforma-se em desejo de elevação, quando purificado e transfigurado. Admirável é o significado oculto do fogo. Há poucos capazes de entender e sentir a força interna que emitem as pedras preciosas.
O Jaspe rosado é o raio de amor celestial que Mercúrio, o mensageiro dos deuses, leva através do Signo de Virgem, que representa o princípio maternal, a idealização do amor — a grande alma feminina na criação, que anima toda a natureza e expressa os sentimentos de amor de todas as religiões, na proporção do seu alcance; esse raio, no mundo terrestre, é o símbolo do perdão, porque o atributo divino é o amor.
As pedras lunares significam, no Mundo Celeste, o espírito místico, o aprofundar-se em Deus. Na Terra, simbolizam as almas dos sonhadores e místicos. São formados pelos raios cristalizantes de Saturno e seu Signo, Capricórnio, que falam de penas e tristezas: a tristeza amadurece o místico, por isso ele pode entender melhor as penas do mundo. O maior místico foi aquele que levou a coroa da amargura.
O coração fogoso do Signo de Leão e os raios amarelos do Sol formam o Rubi. Seu raio avermelhado transpassa os Mundos superiores como espírito da verdade e desce à Terra para penetrar a vida como serviço.
Os acordes amorosos de Vênus nos trouxeram, pelo sopro de Libra, o magnífico mistério que chamamos Opala. No País espiritual, a Opala é símbolo do espírito dos mistérios. Os mistérios da vida atual só podem ser compreendidos à luz das reminiscências de vidas passadas.
As forças sublimes da Hierarquia de Câncer criaram a Esmeralda. No Mundo Celeste, é o raio da caridade. Na Terra, esse raio é a esperança: acima de toda luta na Terra, é, a esperança, a gentil filha da caridade. Nas profundezas do coração da Esmeralda descansa o beijo ensolarado da esperança.
A Ametista irradia a chispa fogosa que Marte preparou nos cadinhos ferventes de Áries. No Mundo Celeste, brilha o espírito curador como o raio da Ametista; para o ser humano a Ametista é o símbolo da compaixão. Até que o verdadeiro significado da compaixão seja compreendido, a saúde (ou cura) permanente não poderá ser alcançada.
O ancião Saturno abre as portas de Aquário. A estranha luz tão pouco entendida e emitida por ele formou a Safira. Nos Mundos Celestes, a Safira é a luz da profunda percepção e emite suas sombras sobre a Terra, na Lei divina da compensação. Como Afrodite emerge da lagoa dourada, assim o espírito da beleza surge do coração de Touro. Ele ilumina todos os espaços e seu enorme reflexo chega à Terra trazido por Vênus. Para nós, filhos da Terra, ele vive no fogo dourado da Ágata.
A deusa das recordações tece fios tênues no céu e imerge todas as coisas atingidas por seus sonhos nos profundos matizes violáceos. O raio de Mercúrio, mensageiro dos deuses, sempre está pronto a ajudar a humanidade. Ele nos incumbe desse raro sentimento de simpatia que bem poucos são capazes de discernir e encontra sua expressão na Água-marinha. Os portadores dessa pedra preciosa deveriam aguçar os ouvidos para o ciciar dos deuses.
Quem é que conhece o significado do misterioso Ônix negro? Ele teve seu começo no meio misterioso de Câncer — aquele Portal empírico pelo qual a alma humana desceu à Terra. A Lua, como uma mulher enlutada e triste, dá-nos essa bela pedra para lembrar-nos de que necessitamos desenvolver o espírito de comiseração. O Ônix nasceu do Signo de Câncer, o Signo das lágrimas, e só o conhecimento da origem das penas e lágrimas faz a alma desabrochar-se em flor maravilhosa de diáfano esplendor, em uma doçura silenciosa.
A casta mão de Saturno e seu sóbrio domicílio, o Signo de Capricórnio, formou o Ônix branco, alma gêmea do negro no desenvolvimento do mineral. Saturno, o Senhor do tempo, com o relógio de areia e a foice, é ao mesmo tempo o raio purificador que guia a alma escura à pureza. A alegria dos Anjos com cada alma que faz penitência encontra sua expressão no Ônix branco. Essa pedra tem em certas formações também a coloração do índigo: essa cor tão mística, incluindo em si muitos diferentes tons que lhe dão sua profunda significação e indicam com a sua mistura de dores — “a luz-sombra” — as múltiplas esperanças do ser humano na sua peregrinação rumo ao Alto, onde vencerá. Ele, por isso, recebe a Pedra branca (Jo 2:17) como símbolo da divina amizade. O Ônix branco simboliza o espírito da amizade.
O sublime espírito do idealismo emite, da casa de Sagitário, poderosos luminais azuis do Éter. Eles atravessam a aura de Júpiter, que os devolve à Terra. São resplandecentes da bem-aventurança que se cristalizaram na Turquesa. Por intuição, toda humanidade gosta de abrir-se à influência mística dos tons azuis. Eles falam dos ideais superiores e de um País de felicidade no almejado Firmamento. Aquele que possui uma Turquesa devia lembrar-se de que ela traz em si um raio azul da sonhada felicidade nos Éteres distantes.
Em cada indivíduo foi submergido o espírito da Vontade criadora. Em muitos corações ele ainda está adormecido, em outros já começa a despertar e apenas alguns conseguiram manifestá-lo. Do tesouro de Escorpião, o raio fogoso de Marte nos presenteia com o Topázio, que traz em si o espírito da transmutação. É um processo que somente o fogo possa realizar. A Vontade criadora e a transmutação são dois grandes guias da alma no caminho da evolução e ninguém pode fazer a obra prescindindo de um deles: o Topázio simboliza ambas. Contemple a luz do Topázio e verá a mensagem que ele quer dar — habita nele o espírito da transmutação aureolado pela Vontade criadora.
O significado íntimo do Signo de Peixes é harmonia e união; como nenhum outro, esse Signo está ligado à nossa humanidade, a qual, considerando sua futura grandeza, ainda percebe a verdade como através dum vidro opaco. Nesse Signo criam-se os começos da Turmalina, na qual as ondas amorosas azuis de Júpiter se expressam. Falam à humanidade do espírito de união que repousa no fundo do coração do Signo de Peixes, que um dia perceberemos frente a frente. O espírito da promessa, que mora no Mundo Espiritual, para nós ao mesmo tempo tão perto e tão distante, deu-nos esse símbolo adornado de alegria.
“Tu és o amor todo compreensivo
Tu és a força que tudo envolve —
Se essa luz não me acompanhasse,
Como é que encontraria o caminho na noite?”
Assim, o azul do amor divino envolvente e o fogo da força divina cristalizaram-se no âmago da Terra. Ambos se uniram no fogo escarlate do Sol e na luz amorosa da Turmalina. Os que possuem essa pedra deveriam procurar sobrepor-se ao seu próprio eu pessoal, porque ela significa um raio do espírito do altruísmo. No seu íntimo ressoa sem cessar a canção do “Serviço por Amor — o caminho mais curto a Deus”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1970)