Será que almejar ideias elevadíssimos é presunção?
“Eu Sou a videira e Meu Pai é o lavrador. Como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós não podeis, se não estiverdes em Mim.” (Jo 15:1-4).
Aprendemos que “estar” seja sinônimo de morar, encontrando-se em certo local. Assim, estamos adotando a disciplina de estar, de “morar” na Consciência Crística.
Suas palavras constituem novamente segura orientação para as nossas vidas, se desejamos alcançar resultados espirituais que sejam positivos. Ele simplificava o processo chamando-o de “dar frutos”. Repetimos: para “dar frutos” temos de “estar n’Ele”.
Os frutos que almejamos consistem na habilidade de fazer as mesmas obras que Ele fez, conforme afirmou que poderíamos. E nos lembramos, com toda a humildade, consoante Suas palavras, que as obras que faremos poderão ser maiores ainda.
Tal ideia causa impacto tão forte que, de imediato, recorremos a desculpas para justificar nossas fraquezas, raciocinando covardemente que, por certo, seria demais esperar por “isso” nesta mesma vida. Concordamos tratar-se de uma promessa um pouco aterradora. Ele, porém, não nos deixou sem um Consolador. E São Paulo faz ruir as eventuais desculpas quando diz: “Eis AGORA o tempo aceitável, eis AGORA o dia da salvação”.
Esse tipo de justificativa em relação a nossos pontos falhos causa o mau uso do conhecimento que recebemos em relação ao renascimento. A recusa em maximizar o aprendizado e progresso nesta vida, mediante o argumento de que isso poderá ser logrado em existências futuras, constitui mau uso do conhecimento. No livro Mistérios Rosacruzes Max Heindel afirma: “Após a morte que sucede a vida, retornamos mais tarde ao Plano material, suportando circunstâncias criadas segundo nosso aproveitamento em vidas anteriores”. Assim, almejar ideais elevadíssimos não é presunção, constituindo, ademais, um dever cujo cumprimento respaldará nossa evolução espiritual não somente nesta, mas em vidas futuras.
É de capital importância para o Estudante “ficar ligado à Vinha”, à Consciência Crística. E isso deve ser feito AGORA.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1975)
O Palácio sob o Grande Carvalho
— Oh, vocês horríveis criaturas! Vão embora. Vão embora! Disse Rosália, batendo o pezinho. As lágrimas saltaram de seus olhos, e com lábios trêmulos repetia: “Vão embora!”.
Naquele momento, os Pensamentos Secretos a beijaram, dizendo:
— Oh! Rosália, querida, lembre-se, esta manhã você prometeu: Eu serei bondosa com todas as criaturas viventes. Depois, os Pensamentos Secretos enxugaram delicadamente suas lágrimas, sussurrando: peça desculpas às formigas por não ter sido delicada.
Rosália estava envergonhada; ficou em silêncio por alguns minutos e depois admitiu:
— Sinto muito, de verdade; mas, vocês sabem, eu nunca tive uma fatia de bolo de casamento. Eu o deixei por um minuto e, quando voltei para pegá-lo, ele estava coberto de formigas pretas.
Uma risada vinda de algum lugar fez o rosto da menina brilhar e ela chamou, sorrindo:
— Onde está você, duende Elkin.
— Se der mais um passo eu estarei embaixo de seu pé, disse ele.
Isso fez Rosália gargalhar. Depois, ela olhou, parecendo um pouco triste quando comentou:
— Você ouviu o que eu disse há um minuto atrás, Elkin?
— Sim, eu ouvi, respondeu o duende. Mas, já que você está mesmo arrependida, é melhor esquecer tudo. O problema é que você não conhece as coisas maravilhosas que estão ao seu redor. Venha comigo e eu a levarei a um verdadeiro palácio real. Não deixe de levar a Bondade do Coração, pois o Amor reina neste palácio da colina.
Rosália atravessou o jardim, seguindo Elkin e tentando imaginar em que lugar poderia haver um palácio. Ela nunca tinha ouvido falar que existia um por ali, mas, nem por um minuto, duvidou do duende. Finalmente, pararam embaixo do carvalho grande. Rosália olhou ao redor e depois para Elkin. Ele estava sorrindo e olhando para frente.
— Onde está o palácio?, ela sussurrou.
Elkin apontou para o formigueiro embaixo do grande carvalho.
— Um palácio!, exclamou Rosália.
— Sim, um palácio, riu Elkin, e nós chegamos bem na hora do casamento.
Acima do solo, o palácio de formigas era feito de uma estranha mistura de pedaços de folhas, talos de plantas, um pouco de musgo e pedrinhas, tudo unido com um pouco de terra. No subsolo, havia túneis, longas passagens, grandes salões e galerias, cada um com uma utilidade especial. O interior do formigueiro parecia uma cidade em miniatura, com suas ruas e muitas casas.
— Dentro do palácio, disse Elkin, existem muitos cômodos e as formigas que moram aí são muito atarefadas. No palácio moram muitas formigas-rainhas e centenas de formigas crianças. Elas já foram minúsculos ovos, depois transformaram-se em formiguinhas engraçadinhas, brancas e roliças, sem mãos, nem pés. Elas tinham que ser alimentadas como filhotes de passarinhos. Não tomavam banho sozinhas e precisavam de alguém que tomasse conta delas. Mas agora já estão crescidas e hoje é o dia de seu casamento. As noivas estão radiantes em seus vestidos pretos com detalhes vermelhos, calçando minúsculos sapatinhos, também vermelhos. Preste atenção em suas asas transparentes, Rosália, pois elas usam asas no lugar de véus. Os noivos estão todos vestidos de preto. Eles também têm asas. Tudo é reboliço dentro do palácio escuro, pois esta será a primeira viagem das princesas reais ao vasto mundo.
— Princesas! Exclamou Rosália.
— Sim, princesas, disse Elkin. Cada noiva é uma princesa de sangue real. Sente-se, Rosália, e fique atenta quando os portões do palácio se abrirem.
— Quem toma conta das rainhas, das princesas e dos bebês? – Perguntou Rosália.
— Os escravos fazem todo o trabalho, respondeu Elkin. Há milhares deles em todos os formigueiros, pois há sempre muito trabalho a ser feito. Eles não têm asas e assim não podem fugir. Alguns são construtores, cavam túneis e constroem pontes. Eles estão ajudando o reino mineral, transformando a terra em pó. Outros conservam as ruas limpas. Alguns trabalham no palácio e servem as outras formigas. Outros ainda, saem para tirar leite das formigas-vacas para alimentar as bebês formigas. Esse leite é tão doce que é chamado de gotas de mel, e os filhotes gostam muito dele. Os escravos alimentam as rainhas e princesas, mantendo-as sempre felizes. Outros arrumam os enormes salões, limpando os pedacinhos de grama e palha!
Nesse momento, os portões do palácio se abriram e por eles entraram os escravos, deixando tudo em ordem para a festa do casamento. Quando tudo estava pronto, centenas de casais deixaram o palácio alegremente. Oh, como as formigas estavam contentes por verem, pela primeira vez, a luz do Sol! Elas subiram nas mais belas flores, esticaram-se e abriram suas asas transparentes. Como era bom sentir o ar morno! Oh, como era lindo lá fora. Então, todas elas levantaram voo ao mesmo tempo e voaram alto, alto, cada vez mais alto, a perder de vista.
— Onde elas foram? – Sussurrou Rosália para Elkin.
Para muito longe daqui, mas elas voltarão amanhã disse Elkin. E, quando voltarem, as noivas estarão diferentes, pois terão perdidos suas lindas asas, seus véus de núpcias. Elas voltarão para o palácio escuro e viverão exatamente como as outras rainhas têm vivido. Elas botarão ovos e terão seus filhotes formigas.
— E o que os noivos formigas farão?
— Oh, eles nunca mais entrarão no palácio. Só rainhas e escravos vivem neste palácio embaixo do grande carvalho.
— Eu realmente sinto muito por ter sido tão tolinha. Imagine, Elkin, eu não sabia que as formiguinhas eram tão maravilhosas. Pensei que elas fossem apenas insetos rastejantes.
De repente, um pensamento surgiu na mente de Rosália:
— Elkin, deve ter sido algum escravo que pegou o meu bolo — eles queriam migalhas para a festa do casamento, você não acha?
— Bem, eu não ficaria surpreso se assim fosse! De qualquer modo, vamos fingir que foi. Vá agora, Rosália, eu tenho que continuar o meu trabalho. Tchau.
E Elkin foi embora.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
A Pureza Geradora, o Ideal para você que nasceu no Ocidente
Dezembro de 1911
Vocês compreenderam o ponto principal da lição do mês passado sobre o simbolismo da Rosacruz, o ponto crucial dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental? É a Pureza Geradora.
Os grandes Líderes da humanidade sempre prescrevem as condições mais condutivas ao desenvolvimento de cada raça, as religiões diferentes para as massas e os métodos diversos de realização para uns poucos. A populosa condição do extremo Oriente prova uma indulgência universal e irrestrita das paixões por parte dos nossos irmãos e irmãs chineses e indianos mais jovens. Portanto, os Mestres da Sabedoria Oriental prescrevem o celibato aos seus discípulos como meio para controlar essas paixões.
No Ocidente, as condições são mais complicadas e perigosas. Aqui as comportas da paixão estão, em grande parte, represadas; não pela percepção da santidade do ato gerador, mas por causa do egoísmo e da prioridade dada à necessidade econômica. Muitas vezes, esse método conduz à perversão insidiosa e a práticas dissolutas. Se a paixão não fosse tão forte, esse método poderia, de fato, resultar em suicídio da raça. Exigir que um Aspirante nascido nessas condições viva uma vida celibatária, apenas daria a ele mais incentivo ao egoísmo e à autossuficiência; portanto, é considerado meritório quando um aluno da Escola de Mistério Ocidental se casa e continua a viver uma vida de castidade.
Tem sido um detrimento para o Mundo Ocidental as várias sociedades que promulgam aqui doutrinas Orientais – celibato, entre outras – e foi um grande impacto para mim quando um dos diretores de uma dessas sociedades lamentou o casamento de um de seus conferencistas e disse o quanto isso os embaraçava, pelo fato de sua esposa estar prestes a entrar em trabalho de parto. À medida que a família foi aumentando com o passar dos anos, a sociedade o relegou à vida privada.
Exatamente o contrário aconteceria com os Estudantes da Escola Ocidental. Eles são altamente respeitados se estão aptos e dispostos a prover um corpo e um lar para um ou mais espíritos aguardando por renascer, desde que, naturalmente, vivam uma vida de casto amor conjugal durante os intervalos de um nascimento e outro.
Enquanto a alma mais jovem e mais vulnerável do Oriente é dirigida pelos Instrutores Compassivos, que trata os mais fracos com uma maior bondade do que aos que são mais capazes de cuidar de si, para ser celibatário e fugir da tentação o mais rápido possível, para escapar do perigo de cair nela, ao mais velho espírito do Ocidente é permitido avaliar sua força vivendo em relações conjugais , de modo que um dia alcance uma concepção imaculada, como é simbolizado pela casta e bela rosa que espalha a sua semente sem paixão e sem se envergonhar.
Uma Nova Raça de seres humanos está surgindo agora. Homens e mulheres cristãos de Mente pura estão despertando cada vez mais para as reivindicações dos que estão por nascer. Celebremos o aniversário do nascimento de Nosso Salvador orando para que, em breve, as condições mais puras se tornem globais e que todas as crianças sejam bem-nascidas. Por fim, mas não menos importante, que cada um de nós ensine, pregue e viva essa doutrina.
(Cartas aos Estudantes – nº 13 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel)
Dominando o Temor
O temor e a ansiedade são os maiores inimigos da felicidade humana. São a ferrugem moral e mental da personalidade. São os quinta-colunas na sabotagem de nossos melhores esforços. Debilitam a coragem e a iniciativa. São os cupins do caráter humano, pois corroem o próprio âmago da felicidade, ao mesmo tempo que destroem as possibilidades de uma vida exuberante.
Hoje, talvez mais que nunca, o coração dos seres humanos está cheio de temor. Muitas são as tempestades a soprar furiosamente a fim de desintegrar o caráter. Todos têm experimentado os efeitos desses terríveis ventos. Cristo, por Sua divina presciência, falou a respeito destes dias. Eis Suas palavras: “Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo. Porquanto as virtudes do céu serão abaladas.” (Lc 21:26).
O ser humano, sem Deus, não tem sossego. Nunca encontramos descanso enquanto não achamos segurança em nosso Criador. Em nós não nos é possível encontrar calma, mas n’Ele a podemos achar. As alegrias do mundo são transitórias, fugazes; a paz de Cristo, porém, é duradoura, perpétua. Dentre as promessas das Escrituras, de nenhuma necessitamos mais, talvez, hoje em dia, que das palavras de Cristo Jesus: “Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou: não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração nem se atemorize.” (Jo 14:27).
Pesadas nuvens de incerteza pairam baixas e ameaçadoras. Os seres humanos se acham perplexos; falta-lhes estabilidade interior. Defrontados por esta situação, que melhor lhe poderia convir do que as graciosas palavras: “Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou?”
A paz de Deus sobrepuja o entendimento, pois o intelecto humano não pode compreender essa grande paz que Deus dá aos que Lhe entregam plenamente o coração.
Que é o temor? É o pessimismo e o descontentamento. Produz acabrunhamento, ódio, aflição nervosismo, melancolia, zanga e vacilação. O temor e a ansiedade envolvem aquelas destrutivas forças que extinguem a esperança e a confiança.
A despeito de o mundo viver de temor, e os nervos dos seres humanos se acharem retesados, temos, uma mensagem de ilimitada esperança, uma mensagem de alegria e felicidade, uma promessa de completa vitória sobre os temores que assediam a raça humana. No mesmo do Evangelho Segundo São Lucas que fala dos indivíduos desmaiando de terror, encontramos um quadro dos que estão fortes em Deus: “Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima, e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima” (Lc 21:28). Aí está um grupo que não se acha cabisbaixo. Homens e mulheres que triunfam da perspectiva que os rodeia mediante o olhar para cima.
Na vida do verdadeiro cristão o poder do temor e da ansiedade deve ser completamente neutralizado. Viver no mundo e participar do mundo são duas coisas diversas. “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo” (Jo 16:33). Não precisamos ser participantes do temor, da perturbação, da melancolia e do pessimismo que esgotam as forças vitais. O temor não deve dominar o cristão. Cristo é o vencedor de todos os poderes das trevas. Recebendo Cristo, tornamo-nos também vitoriosos.
Hoje, como nunca antes, necessita o mundo de otimismo. Como Cristãos, podemos ser a força que atrai os seres humanos a renovada confiança em Deus e em seus semelhantes. Cabe-nos o privilégio de demonstrar o que Deus pode fazer mediante pessoas a Ele plenamente entregue: em dias trágicos assim como os que ora atravessamos. Quando os tempos vão pelo pior, devem os cristãos ir pelo melhor. O Cristão deve sentir-se cheio de segurança, de coragem, de esperança. Deve libertar-se da prisão das circunstâncias tomar-se livre mediante a verdade de Deus: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). Libertará de quê? Dos elementos negativos que destroem as qualidades positivas da vida. Isto quer dizer libertar do temor, da ansiedade, do pessimismo, da perturbação interior. Sim, a verdade despedaçará as cadeias, permitindo-nos viver abundantemente em Cristo-Jesus. “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” (Jo 10:10).
Que temem os seres humanos? Enumeremos alguns dos espectros que os perseguem.
Um dos inquietantes temores da humanidade é o temor do fracasso. Isto enfraquece de tal modo uma pessoa que ela se toma ineficiente em seu trabalho. Sois acaso acossado pelo temor do fracasso?
Cristo Jesus pouco se preocupava com o êxito ou o fracasso em termos de valor material. Se Cristo Jesus vivesse em nossos dias, seria considerado, pelas normas correntes, um verdadeiro fracasso. Sua vida é um registro de derrota aos olhos daqueles com quem vivia. Ele não foi reconhecido pelos intelectuais do Seu tempo. O escol da sociedade não O contou em seu número. Nas comissões dos financistas, não teve Ele assento. Não possuía domínio real nem tinha outros bens. Aos olhos dos indivíduos carnais, Cristo era um fracasso digno de compaixão. Foi rejeitado, como traidor, por Sua própria nação. Foi crucificado pelos romanos, e morreu da ignominiosa morte de cruz.
O tempo, entretanto, vindicou o Cristo. Sua vida ergue-se triunfante. Seu êxito baseava-se em valores espirituais. Da mesma maneira podemos ser um completo fracasso aos olhos do mundo, e ser, contudo, um êxito glorioso diante de Deus. Uma coisa unicamente requer Deus de nós – e esta é a LEALDADE. Somos chamados a viver em harmonia com Sua Lei. Nenhuma outra coisa importa afinal. Uni a Deus a vossa vida. Fazei com Ele inteira aliança.
Na parábola dos talentos lemos, que, quando o Senhor chegou para ajustar contas com os servos dos talentos que lhes tinham sido confiados, o homem que recebera apenas um, respondeu: “Atemorizado, escondi na terra o Teu talento.” (Mt 25-25). O temor lhe paralisara as forças criadoras. O temor da derrota roubou-lhe toda a iniciativa. Se tememos, teremos a mesma experiência, pois o temor do fracasso é o caminho seguro e certo para a derrota. O homem que recebera um só talento é condenado porque tinha os olhos no êxito em vez de os fixar no dever. Aos que temem, seja-me permitido dizer: Não vos cumpre ser bem-sucedidos. Tudo quanto Deus requer, é que façais o melhor que vos for possível. Os resultados, deixai-os com Deus.
O temor da morte está dominando a muitos. Quando uma pessoa vive temendo continuamente morrer, não pode viver bem. O Cristão não teme a morte, pois sabe que tem a vida eterna em Cristo, no porvir. Os Cristãos não são criaturas do tempo, mas da eternidade. Esta vida não é o fim, mas antes um preparo para o glorioso começo.
Para o Cristão, a morte não é uma derrota. Destemido, pode ele dizer com o salmista: “ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo; a Tua vara e o Teu cajado me consolam” (Sl 23:4). Aqui há perfeito triunfo sobre o temor da morte.
Muitos existem que nunca vivem bem, porque estão sempre temendo que vão morrer. Como escreve bem conhecido médico a respeito do efeito da ansiedade: “Não sabemos porque é que os ansiosos morrem mais cedo do que os que não se afligem; mas isto é um fato. Os temerosos da morte, morrem por certo antes do tempo”.
Se quereis viver, bani o temor da morte. Vossa vida está em Deus. “Porque n’Ele vivemos, e nos movemos, e temos o nosso ser” (At 17:28).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1978)
Não dê esmolas diante de outras pessoas
“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte não tereis galardão junto de vosso Pai que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa, Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz tua mão direita; para que a tua esmola fique em segredo: e teu Pai, que vê em segredo, te recompensará”. (Mt 6:1-4)
Aqui encontramos também a distinção feita entre o “exterior” e o “interior”, entre a forma de conduta humana e a realidade da consciência espiritual.
O desejo de quererem ser vistos é um dos traços mais comuns dos seres humanos; esse traço pertence essencialmente à personalidade e ao velho regime de estado de separação e cumprimento externo da lei, que será descartado inteiramente sob a religião unificadora de Cristo. O altruísmo é a nota-chave da nova ordem das coisas, e toda recompensa por nosso serviço a Deus mediante o serviço a nosso próximo será somente o crescimento espiritual interno que não é visto pelos demais seres humanos.
A hipocrisia, a falsa assunção de virtude, foi tratada por nosso Mestre, que podia ler o coração e conhecer imediatamente se o ser humano era sincero. Aos hipócritas Ele lhes disse:
“Comeis nas casas das viúvas, e por pretexto fazeis longas orações: por isso levareis um julgamento mais sério… dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas tendes descuidado dos preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé: isso tinha que ser feito, e não deixar o outro… limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro, estes estão repletos de avareza e cobiça… sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia”.
Felizmente, o próprio Espírito é sincero e desinteressado e, à medida que ganha domínio sobre a personalidade, ele pode dar aos outros o amor sem pensar em agradecimentos. A chispa individualizada de Deus compreende que é parte do Todo, e que a ideia separatista é uma ilusão adquirida durante a nossa permanência através da materialidade. Quando amamos e servimos aos demais mantemos o fogo interior aceso brilhantemente e dessa maneira se sente o impulso para compartilhar com outros o que temos, se não for feito pensando na aparência exterior, nós obtemos uma recompensa invisível para o desenvolvimento da consciência.
Na vida do Sir Launfal encontramos o Cristo Ideal expressado nas palavras do leproso:
“Melhor para mim é a côdea de pão que o pobre me dá,
e melhor a benção deste
Ainda que de mãos vazias de sua porta me deva afastar.
As esmolas que só com as mãos ofertadas, não são as verdadeiras.
Inúteis são o ouro e as riquezas dadas
Só porque lhe parece um dever fazê-lo.
Mas o que parte sua pobreza
E dá para quem está fora de sua vista
Esse fio de Beleza, sustentador Universal,
Que tudo penetra e o une.
A mão não consegue abarcar todas suas esmolas,
O coração estende seus braços ansiosos
Porque um Deus acompanha a doação e provê a alma
que antes estava padecendo na escuridão. ”
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross Nov-Dez/1983 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
É fato que tanto o altruísmo impulsionado por Cristo, ano após ano, quanto a gradual expansão de consciência, promove alterações na dinâmica do funcionamento biológico de partes do Corpo Denso do ser humano. Tais mudanças são efeitos de alterações na composição de outros Corpos mais sutis e das alterações da composição atmosférica da Terra. O presente artigo busca descrever parte destas mudanças graduais, que está estreitamente relacionada à promoção de maior longevidade e até mesmo a tão mal compreendida vida eterna.
Para fins didáticos, o texto é divido em três partes:
Parte I – Recapitulação do modo como o ser humano tornou-se consciente no Mundo Físico
A recapitulação do modo pelo qual ser humano tornou-se consciente do Mundo Físico se faz necessária para traçar uma linha de referência de seu desenvolvimento. Conforme bem explorado pela Filosofia Rosacruz, o Espírito Virginal desceu dos mundos superiores na involução. Com o propósito de desenvolver os três princípios divinos (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano) que herdou de Deus (pois tal como Deus, quando se manifesta, o faz de forma tríplice – Pai, Filho, Espírito Santo), o ser humano, criado a Sua imagem e semelhança, por ação recíproca constituiu três Corpos compostos por materiais correspondentes aos Mundos pelos quais passava – o Corpo Denso, oitava inferior do Espírito Divino (Pai); o Corpo Vital, oitava inferior do Espírito de Vida (Filho); e o Corpo de Desejos, oitava inferior do Espírito Humano (Espírito Santo).
Mas para que houvesse união e comunicação entre os princípios herdados e seus instrumentos, um veículo mental teve de ser construído. A partir daqui o Espírito se torna um Ego: um Espírito Virginal manifestado em forma sétupla (Tríplice Espírito, Tríplice Corpo e a Mente). Neste ponto do desenvolvimento, a dual força criadora (pólo masculino ou vontade e pólo feminino ou imaginação) ainda era direcionada para baixo, isto é, ambos os pólos, fluíam para o mesmo sentido e conferia ao ser humano a capacidade de ser hermafrodita.
No entanto, para que as vivências exteriores pudessem ser capturadas e para que as ideias concebidas pela Mente pudessem ser transmitidas, adaptações nos Corpos deveriam ocorrer. Especialmente para o Corpo Denso e Vital, deveria ser construído um encéfalo que fosse capaz de processar as informações provenientes do meio e enviar tais códigos para que o Espírito trabalhe sobre as mesmas, e, por fim, transmitir estas conclusões de volta ao meio. Também uma laringe para facilitar a comunicação das conclusões que foram produzidas pelo processamento das informações provenientes do meio.
Concomitante a essas necessidades, a matéria que hoje constitui nosso planeta Terra foi arrojada do Sol e, posteriormente, a matéria que forma a Lua foi arrojada da Terra. Tais separações promoveram expressões separadas de forças (força do Sol e força da Lua). Deste modo, alguns Corpos passaram a serem melhores condutores das forças solares e outros lunares. Um dos pólos da dual força criadora foi internalizado e direcionado para cima, a fim de construir o cérebro e a laringe. No caso do Corpo masculino (condutor da influência do Sol), o pólo feminino foi internalizado para este fim. Já o Corpo feminino (condutor da influência da Lua), o oposto. A condição de ser hermafrodita cessou e a necessidade da cooperação do sexo oposto para procriar se fez necessária. Além disso, um meio físico que suportasse as altas vibrações do Espírito individualizado era necessário para sua manifestação no Mundo Físico e para governo de seus Corpos. O sangue vermelho e quente constitui tal veículo.
O metal marciano conhecido como ferro é o elemento essencial para a produção deste sangue vermelho e quente. Já é bem consolidado pela ciência atual que durante a realização de uma tarefa, grande quantidade de sangue é direcionada a determinadas regiões do Corpo Denso necessárias para realização da mesma. O ocultista sabe que tal fenômeno significa o Ego utilizando sua ferramenta corporal para governar o Corpo e adquirir experiências.
Foi somente na Época Lemúrica – uma das Épocas que atravessamos nesse Período Terrestre desse atual esquema de evolução – que o ferro pode ser livremente utilizado (após a eliminação da influência marciana sobre a Terra) e, assim, o sangue tornar-se mais quente no interior do Corpo Denso em relação à temperatura ambiente. Com o sangue quente e vermelho e com um cérebro e uma laringe bem formados, o ser humano pôde alcançar o estado de consciência de vigília, parecido com o que temos atualmente.
O plano inicial era o seguinte: quando o Ego renasce em um corpo feminino (mulher) era exposto a estímulos ambientais extremamente fortes* (tempestades gigantescas, ventos, explosões vulcânicas): o objetivo era despertar a consciência das mulheres para fora, e, por meio desta exposição a acontecimentos alheios, a atenção seria direcionada também para isso. Isto iniciou um processo de construção de representações mentais das coisas externas (criação de códigos para que o Espírito pudesse interpretar o meio externo). A neurociência atual comprovou este fenômeno, pois mostra que tudo aquilo que o cérebro interpreta é, em realidade, representações mentais subjetivas que servem como código ou referência. Não se enxerga as coisas como são, mas se enxerga as representações mentais que se criou para interpretar tais coisas. O meio pelo qual as representações foram criadas ocorreu pela imaginação (pólo feminino da força criadora).
Porém, quando o Ego renasce em um corpo masculino (homem), estímulos corporais de dor e de estados de prisões eram determinados. Os estados de prisões eram realizados de modo que o, então homem, pudesse, com um pouco de força de vontade, se libertar. Já a dor, fazia com que um movimento para que a mesma cessasse fosse realizado. Ambos tinham o objetivo de despertar a vontade (força masculina).
Vemos, deste modo, as duas polaridades sexuais agindo separadamente, e métodos de aprendizagem adaptados a cada um eram necessários. Juntamente com esses estímulos, os Arcanjos – seres que estão a dois graus de evolução acima dos seres humanos – neutralizavam o Corpo de Desejos do ser humano, e este só era libertado em épocas propícias para a procriação. A procriação era orientada pelos Anjos – seres que estão a um grau de evolução acima dos seres humanos.
Diferentemente dos Anjos, que direcionam toda sua energia criadora para fora de si e, em troca, recebem sabedoria, o ser humano internalizou metade de sua força criadora para construção de uma laringe e um cérebro. A internalização para autosserviço determina uma característica de individualismo genuíno para ele. Se o estudante meditar sobre este caminho, compreenderá que o processo era demasiadamente lento, mas garantia o despertar seguro da vontade e da imaginação humana. Isto é, naquela época, a Personalidade e o temperamento não agiam como um fator de dificuldade tal como ocorre nos dias de hoje. Pelo menos até o ponto em que este plano pôde perdurar.
Mesmo que a morte do Corpo Denso ocorresse naquela época, a longevidade era muito maior do que atualmente, pois não se conhecia o pecado (transgressões das leis). A mulher, pela imaginação, já conseguia identificar muitas coisas que ocorria fora de si mesma. Mas ela também conservava a visão etérica das coisas. Por isso, quando ela percebia a morte do Corpo Denso e, ao mesmo tempo, também percebia a permanência do Corpo Vital (isto é, a pessoa que morreu no Mundo Físico permanecia viva nos planos internos), esse fato a deixava extremamente confusa.
Para acelerar o processo de evolução, os Espíritos Lucíferos – uma parte da onda de vida Angélica que se atrasou – entraram em contato com a mulher pela coluna espinhal, relatando que poderia gerar um novo Corpo Físico que morria. Para isso, deveria realizar o ato sexual (“comer o fruto da Árvore do Conhecimento”) sem esperar o comando dos Anjos. Isso a tornaria, juntamente com o homem, semelhante aos deuses (com capacidade de “criar”). Esse ato também favoreceria a libertação do Corpo de Desejos, pois haveria motivação para procriação sem a presença dos Arcanjos.
Por isso a Bíblia relata que Lúcifer era uma serpente sábia (coluna espinhal) que apareceu para Eva em uma árvore. Lúcifer (portador da luz) tentou adiantar o processo, ensinando ao ser humano como se libertar da influência dos Anjos e dos Arcanjos, assumindo sua própria evolução e geração de novos Corpos. Isto é relatado na Bíblia como a expulsão da humanidade do Jardim do Éden, que a obrigou a “comer poeira todos os dias de tua vida” e “com o suor de teu rosto, comer teu pão, até que retornes ao solo” (Gn 3:14 e 19). O problema é que o Corpo de Desejos estava em situação muito rudimentar, composto, praticamente, apenas de materiais das regiões inferiores do Mundo do Desejo. A Mente também estava em situação similar, sendo muito fraca para refrear os desejos e direcioná-los para motivação de propósitos do Ego. Tal condição precária somada a genuína condição de individualismo, o egoísmo e as paixões predominaram e uma série de desequilíbrios deu início.
O ser humano deve, pois, a Lúcifer e a seus “Anjos caídos”, à capacidade de ser autômato e da possibilidade de se desenvolver ao ponto de se tornar semelhante aos deuses – por isso, a ideia de que Lúcifer é mau e que deve ser abominado está incutido no inconsciente humano, isto é, foi ele que ensinou a humanidade a desobedecer aos deuses e lhe abriu o caminho para ser semelhantes aos mesmos (superiores aos Anjos). Essa desobediência não deve ser confundida com emancipação de Deus, mas como um novo caminho autômato em Deus (pois nele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser).
O problema é que tal estado só será alcançado quando a Personalidade for dominada (estado ainda sonhado pela maioria das pessoas que já despertaram para a vida espiritual). O individualismo genuíno, transformado agora em egoísmo e orgulho pela Personalidade, fez com que cada ato do ser humano fosse direcionado para benefício próprio e quase nenhuma cooperação era conseguida. A sabedoria divina incutindo determinadas motivações no âmago da Personalidade, fez com que a evolução não fosse totalmente frustrada. As motivações foram: Amor, Fortuna, Poder e Fama. O desejo de alguma ou várias destas coisas é o motivo pelo qual se faz ou deixa de fazer algo. Isso promove alguma experiência e aprendizado. O livro O Conceito Rosacruz do Cosmos já explorou todos os fatos mencionados até o momento com extraordinária maestria. Convidamos o leitor para estudar este livro, a fim de que tenha uma ideia melhor de tudo isso.
Parte II – Mudanças físicas que estão ocorrendo devido à correspondência ao altruísmo
Agora que foi recapitulado o processo de aquisição do estado de consciência vigília e esclarecido o modo pelo qual deixamos o plano inicial de evolução e iniciamos o processo de evolução “por nossa própria conta e risco”, o segundo objetivo do presente artigo pode ser trabalhado. Isto é, que mudanças físicas estão ocorrendo devido ao aumento da consciência e altruísmo no mundo?
O Corpo Denso é um instrumento que, atualmente, possui duração pré-determinada de utilidade para servir ao propósito do Ego que é: extrair a quintessência das experiências vividas. Com o passar do tempo, suas funções vão declinando (devido à incompetência do ser humano em não deixá-lo cristalizar), até que a morte (a incapacidade do ser humano em se manter encarnado nesse Corpo Denso) sobrevém.
Dois fatores importantes atrapalham o desenvolvimento dos poderes do Ego: 1) a busca da satisfação pessoal imposta pela Personalidade que inclui o gasto demasiado da força sexual, a gula, os vícios, os maus hábitos, as omissões, as preguiças e irresponsabilidades com a saúde, entre outros, todos constituem maiores prazeres físicos e encurtamento da vida; 2) a influência da Lei de Consequência, pois muitos desequilíbrios foram gerados a partir da falsa iluminação lucífera. As doenças limitam, consideravelmente, a qualidade da produção anímica pelo Ego.
Presença de doença não significa ausência de possibilidades para geração de produção anímica. A Graça Divina é tamanha que há espaço para o desenrolar concomitante de produção anímica e o reequilíbrio das Leis transgredidas. Esse plano só pôde ser concretizado a partir do trabalho misericordioso de Nosso Senhor (o Cristo), que anualmente “retira o pecado do mundo”, isto é, purifica o Mundo do Desejo da Terra com seu Altruísmo. Com isso, disponibiliza materiais para que a humanidade possa avançar no caminho, mesmo que ainda tenha muitos pecados.
O tema astrológico natal revela as tendências de pontos fracos, cuja ciência material compreende como de origem genética e ambiental. Tais tendências são determinadas a partir dos desequilíbrios praticados em vidas precedentes e de desequilíbrios que tenderemos a realizar na presente vida. Por meio da progressão pode-se saber o momento em que tais tendências estarão ativas e fortes.
Independente do tipo de doença e do tratamento que o doente e seus cuidadores devem buscar, duas são as fontes de energia que, se deficitárias, acelerarão o desenvolvimento de qualquer patologia: 1) a energia vital que vem diretamente do Sol e é absorvida através do baço; e 2) a energia proveniente dos alimentos físicos, produto da respiração celular realizada, principalmente, pelas mitocôndrias. “É a fusão dessas duas correntes que produz o poder latente que está armazenado em nosso Corpo Vital até converter-se em energia dinâmica pelo desejo marciano natural” (veja mais detalhes no livro O Mistério das Glândulas Endócrinas), e, assim, o ser humano pode utilizar essa energia para produzir crescimento anímico.
Com foco na corrente de energia proveniente do consumo de alimentos, Max Heindel descreve: “o sangue que entra em contato com o ar, todas as vezes que respiramos, passa pelos pulmões e, da mesma maneira que uma agulha é atraída para um imã, o oxigênio do ar inspirado se mistura com o ferro no sangue. Realiza-se, então, um processo de combustão que é semelhante à ferrugem ou oxidação que observamos no ferro exposto ao ar”. Continua: “a experiência ensinou-nos que o material combustível pode ser colocado em uma fornalha com todas as condições necessárias para a combustão, porém, até que se use o fósforo, os materiais não serão consumidos. Aqueles que estudaram as leis de combustão sabem que uma corrente de ar bem forte leva consigo grande quantidade de oxigênio, que é necessário para se obter calor do combustível que contém muito mineral”. Assim, oxigênio é o acelerador deste processo. “Um processo similar ocorre dentro do corpo, que é o templo do espírito” (veja mais detalhes no livro Maçonaria e Catolicismo).
O processo de combustão que ocorre dentro do Corpo é um pouco diferente da combustão verificada, por exemplo, quando se queima gasolina, madeira ou papel. Neste último, o processo de retirada de energia ocorre em grande quantidade e de uma única vez. Por outro lado, a respiração celular promove quebra das cadeias de carbono (processo químico necessário para a retirada de energia das moléculas) de modo gradativo e em pequenas parcelas. Isto é necessário para a preservação da estrutura das células, pois se a combustão ocorresse como no primeiro exemplo, as células pereceriam pelo excesso de energia. Além disso, a energia retirada pelas mitocôndrias não é consumida rapidamente, mas permanece dissolvida na célula e, gradativamente, é utilizada no metabolismo.
Um dos problemas é que durante a extração de energia, moléculas incompletas de oxigênio também são geradas: incompletas por conterem um número ímpar de elétrons em sua última camada eletrônica. Este elétron ímpar, que se estabelece após cada quebra das cadeias de carbono, pode não ser pareado com o restante dos elétrons do átomo em questão. Em outras palavras, sua órbita segue uma rota diferente da órbita dos demais elétrons. Tal característica confere-lhe grande capacidade de reagir com outras biomoléculas que existem na célula, contra as quais colidem. Essa reação forçará a retirada de elétrons de outras moléculas que já são completas e possuem função importante dentro do sistema biológico (principalmente lipídios e proteínas das membranas celulares e, até mesmo, o DNA). Essa retirada de elétrons modificará suas adequadas estruturas e funções. Os exemplos mais comuns de radicais de oxigênio altamente reativos são: radicais superóxido (O2-), hidroxila (OH-), peroxila (RO2), alkoxila (RO) e hidroperoxila (HO2). O óxido nítrico (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2) são espécies reativas de nitrogênio.
O organismo normalmente consegue equilibrar os efeitos desses radicais de oxigênio reativos (radicais livres). Porém, há casos em que ocorrem desequilíbrios a favor do sistema pró-oxidantes em detrimento do sistema antioxidantes. Isto é denominado estresse oxidativo. O acúmulo dos efeitos do estresse oxidativo promove danos nas células e acelera o surgimento de doenças e envelhecimento (principalmente se ocorrer em órgãos do corpo relacionados a vulnerabilidades que acumulamos em outras vidas), fatores estes que limitam as oportunidades do Ego de gerar experiências e crescimento anímico.
Dentre as doenças já comprovadas pela ciência física que estão relacionadas aos efeitos dos radicais livres, somados a outros fatores estão: demência de Alzheimer, doença de Parkinson, aterosclerose, complicações da diabetes mellitus, câncer, doenças cardiovasculares, catarata, declínio do sistema imunológico, disfunções cerebrais, o envelhecimento precoce, enfisema pulmonar, doenças inflamatórias, entre outras.
Sobre a respiração celular e oxigênio dentro do Corpo Denso, Max Heindel continua: “É a chama que acende o fogo interior e gera o produto espiritual que se exterioriza de todas as criaturas de sangue quente, da mesma maneira que o calor se irradia de uma estufa. Estas linhas radiantes de força que emanam de nossos Corpos Densos de maneira invisível à visão física, são nossa aura, como já foi dito, e, não obstante a cor da aura de cada indivíduo diferir da dos outros, existe uma cor básica ou fundamental que mostra sua posição na escala da evolução. Nas raças inferiores esta cor básica é um vermelho fraco, semelhante ao vermelho de um fogo que queima lentamente, que indica sua natureza passional e emocional (isso indica que a pessoa ainda responde a Lúcifer e a Jeová). Ao examinarmos as pessoas que estão em grau mais elevado na escala da evolução, a cor básica ou a vibração irradiada por elas parece ser de uma tonalidade alaranjada, que é o amarelo do intelecto misturado com o vermelho da paixão”.
O uso de antioxidantes, pela alimentação, naturalmente pode evitar os danos corrosivos dos radicais livres de oxigênio. O problema é que as transgressões das Leis Divinas e a natureza passional, em muitos casos, são tamanhas, que o uso de oxidantes nem sempre é suficiente, e os danos ainda permanecem. A produção de radicais livres constitui um fator natural do Corpo Físico e sempre foi programada por nós mesmos. Afinal, o propósito da existência física é o acúmulo de experiências e não devemos permanecer na Terra para “todo o sempre”. Naturalmente, processos que facilitam a morte e o desgaste do Corpo Físico devem ocorrer. O comer da árvore da vida, provavelmente, implicaria em também solucionar o problema dos efeitos dos radicais livres, dentre outros relacionados a doenças e morte do Corpo Físico.
“A auréola dourada ao redor dos santos, pintada por artistas dotados de visão espiritual, é a representação física de uma promessa espiritual que se aplica à humanidade como um todo, embora isto tenha sido compreendido apenas por alguns poucos, que são chamados Santos. Após vidas de luta com suas paixões, perseverança no fazer o bem, cultivando nobres aspirações e depois de aderir firmemente a propósitos superiores, estas pessoas elevaram-se acima do raio vermelho e estão agora totalmente imbuídas com o raio dourado de Cristo e sua vibração.” Max Heindel continua: “A cor dourada natural é o raio de Cristo, que encontra sua expressão química no oxigênio, um elemento solar”.
Naturalmente, o aspirante pode concluir que conforme a correspondência às vibrações Crísticas e o estabelecimento de uma vida com propósitos superiores, tanto a eficiência das mitocôndrias no processo de respiração celular quanto fatores que neutralizam os radicais livres aumentarão, promovendo menores danos às células e maior longevidade saudável. Porém, tal conclusão parece ser equivocada. Lembre-se: o propósito do Ego não é permanecer na Região Química do Mundo Físico, mas retornar ao Pai com sua herança divina despertada e totalmente desenvolvida (Parábola dos Talentos). A compreensão de como ocorre a longevidade é fator chave para a terceira etapa (conclusão) deste artigo.
Parte III – Que se deve fazer para acompanhar as mudanças que necessariamente devem ocorrer
Qual a diferença de desempenho de uma pessoa experiente e de outra iniciante, em uma dada tarefa em comum? A diferença básica é que a pessoa experiente já aprendeu todos os mecanismos e as técnicas necessárias para desempenhar, com segurança, cada etapa de uma tarefa. Por isso, aplica de modo direcionado, com paciência e observação, a quantidade ideal de energia (vontade) e estratégias para cumprir o propósito com eficiência. Já o inexperiente, por não conhecer os mecanismos e nem as técnicas, necessita muito tempo para aprender e tirar conclusões. Além disso, mesmo que realize todo este movimento, se realmente não se dedicar na extração da experiência, pouca memória formará. Isso significa que “viveu as cegas”, e continuará a gastar bastante energia todas as vezes que se deparar com a mesma situação, sendo um eterno aprendiz das mesmas coisas.
O acúmulo de experiência permite o menor gasto de energia e assim, menor necessidade das funções das mitocôndrias para gerar energia. Isso não significa que há menos atividades ou produção anímica. Inversamente, se faz muito mais com muito menos! Conforme a correspondência de vida vai gradativamente se afinando com as lições Cristãs, o uso dos Corpos pelo Ego ocorre mais adequadamente. Isto é, o Eu Superior domina a Personalidade e a espiritualiza. Este domínio pode ser ilustrado da seguinte maneira:
Vemos, pois, que uma vida bem vivida está pautada no acúmulo de sabedoria e firmada a propósitos superiores. Não há outro propósito maior do que estes. A fé, o amor universal, o propósito de contribuir com a evolução da humanidade e a convivência com verdades espirituais, revelam caminhos tão sublimes e infinitos que tornam cada ato da vida uma nota musical afinada à grande sinfonia divina. Não haverá mais espaços para desequilíbrios ou transgressões das leis, mas sim ações que nos aproximam de Deus.
A lógica do menor esforço e maior eficiência é o padrão de ouro para a vida espiritual, mas ela exige o emprego constante da observação e do aprendizado. Com o tempo, passaremos a evocar as experiências de modo tão eficiente que não mais necessitaremos dos arquivos do cérebro denso para nos fornecer referência de como agir, mas iremos acessar diretamente o éter refletor, não mais necessitando de energia física. Consequentemente haverá menos necessidade de mitocôndrias e menos radicais livres. Passaremos a utilizar o éter, um material com vibração superior aos elementos químicos do sangue, para manifestação do estado de vigília (já o fazemos atualmente, mas a quantidade será muito maior), pois o poder do Ego será tamanho que necessitará de materiais mais vibrantes para dar conta de sua expressão. Neste estado de Corpo de Vida, não mais conheceremos a morte e a vida eterna será, então, uma realidade.
Para finalizar, é importante considerar que um dos pólos da dual força criadora foi internalizada e direcionada para cima, a fim de construir um cérebro e uma laringe (mencionado na primeira parte deste artigo). Antes, ambas eram direcionadas para baixo com o propósito de gerar Corpos Físicos. Com o novo Corpo de Vida, não mais haverá mortes e desnecessária a geração de Corpos Densos, sendo o ser humano Cristificado isento da paixão lucífera.
O casamento místico, conforme bem expressado por Salomão em seu “Cântico dos Cânticos”, mostra a reunião dos polos da força criadora, mas agora com parte que permaneceu para baixo também direcionada para cima. “O homem deve se casar com a mulher que possui dentro de si mesmo, e a mulher com seu homem interno”. O mito denominava cada polo como Anima (feminino) e Animus (masculino). Com esta “re-união” dos polos criadores, mas direcionados para cima, a palavra fornecerá o molde (o verbo se fará carne) para gerar obras tão grandiosas como as obras dos deuses.
*note que as condições da Terra nesta época era bem diferentes das condições atuais.
Que as Rosas Floresçam em vossa cruz
Surge Um Mundo Novo
Um mundo novo está surgindo, como consequência do impulso originado de uma melhor compreensão da vida.
O ser humano já se apercebe de que com a decadência do já ultrapassado pensamento filosófico e religioso, a Divindade está preparando para si e para a humanidade, mudanças substanciais, capazes de ensejar uma concepção mais ampla sobre o significado da vida. A velha ordem de coisas está no fim e, simultaneamente, assistimos ao alvorecer de algo novo. Uma consciência que permaneceu adormecida durante Eras está despertando. Deus, que sempre trabalhou na essência mesma das coisas está desenvolvendo uma nova expressão da vida eterna que lhe é inerente.
A guerra e seus terríveis sofrimentos constituem as dores do parto. A seu devido tempo, o recém-nascido aportará a toda a humanidade, concedendo-lhe uma liberdade mais ampla, uma mentalidade mais forte e amor em maior profusão. A dor provocada por tão horrível carnificina trouxe triste pesar à nossa mãe-terra, mas sua convalescença já começou. No mundo inteiro está surgindo um ideal mais elevado que por séculos esperou o momento oportuno para manifestar-se.
No mundo trava-se uma luta da qual somos partícipes. Ela é parte da evolução que sempre se evidenciou através da submissão do inferior ao superior, do imperfeito ao perfeito. Esse conflito eterno e universal acompanha o ser humano desde as remotas épocas em que Deus o projetou como um pensamento no reino do Espírito. Passo a passo essa luta contínua e cruenta vai aperfeiçoando o espírito, até o estado atual.
Uma nova luz está projetando seus raios sobre a humanidade, luz de um conhecimento mais profundo. Os ensinamentos rosacruzes pretendem que o desenvolvimento da Mente se encontre em seu primeiro estágio, o mineral de sua evolução. O ser humano recebeu a Mente na Época Atlante para um propósito determinado. Mas como nessa época o Ego era excessivamente débil a seus desejos muito fortes, o nascente intelecto fracassou, unindo-se ao Corpo de Desejos. Daí originou-se a astúcia.
“Na Época Ária iniciou-se o desenvolvimento da Mente e da razão por intermédio do trabalho do Ego no sentido de dominar o Corpo de Desejos e conduzi-lo à realização da perfeição espiritual, que é o objetivo da evolução” (Conceito Rosacruz do Cosmos).
Na agonia da transição, muitas almas devotas assistem à derrota da religião, à eclipse da fé e ao desaparecimento das mais caras expectativas da humanidade. Porém, como a verdade é eterna não pode desaparecer. O conflito do ser humano com a realidade é parte essencial do progresso. Não estando preparado para receber a nova luz, a verdade a cega, o perturba e a dúvida atormenta.
Neste momento da vida é quando o ser humano mais necessita do auxílio de um mentor espiritual que o oriente, até que seja capaz de, por si mesmo, compreender a nova verdade que floresce. Chegou o momento em que ao estudante rosacruz se oferecem mil oportunidades de servir. “A seara é imensa, mas poucos são os trabalhadores”.
O século XX caracteriza-se por um grande despertar espiritual e filosófico. Desde o advento de Cristo-Jesus nunca se viu tantas igrejas, tantos novos cultos, nem tanto interesse renovado pela religião.
Quando faltavam uns 500 anos para o nascimento de Jesus, surgiram por todos os rincões da Terra novos instrutores e novas religiões. As mudanças que influenciaram o globo terrestre, por precessão dos equinócios, trouxeram muitas inquietudes à humanidade, pois essa se preparava para responder aos novos tempos. Foi assim que a Era de Áries, regida pelo belicoso Marte foi substituída pela influência jupteriana de Peixes.
Todas as decadentes filosofias devem ser substituídas por sistemas mais avançados. Novas religiões surgiram e se disseminaram pela Terra. Naqueles tempos o profeta e instrutor mais avançado, Isaias, assentava as bases daquilo que seria a religião cristã. A vida intelectual chegava ao seu ponto culminante.
Essas mudanças excitaram ao mesmo tempo os elementos inferiores, dando margem a guerras e crimes de toda espécie. É um fato bem conhecido dos esoteristas que quando um novo impulso ativo a religião, o mal e os elementos mais baixos são também postos em ação. A humanidade daquele tempo se dividiu, tal como predisse Cristo ao afirmar que “as ovelhas estão separadas das cabras”.
A Era Aquária, que se aproxima, é a Era do AR. Uma fase de características marcadamente intelectuais onde se produzirá o despertar intelectual da humanidade. Aquário é um Signo mental, cientifico e elétrico, capaz de despertar as multidões como nunca o fez Signo algum do zodíaco. Esse Signo representa o FILHO DO HOMEM.
Existem duas classes de pessoas capazes de responder às vibrações aquarianas: em primeiro lugar está o tipo saturnino, inflexível, duro, que se manifesta por atitudes cruéis; em segundo lugar encontra-se o tipo mais evoluído da humanidade, aquele que alcança as regiões do infinito, representado pelos seres de ciência, pelos pensadores avançados e os religiosos sensíveis às mais elevadas influências espirituais.
Como afirmou o casal Heindel no Livro A Mensagem das Estrelas: “Podemos dizer que o FILHO DO HOMEM é o “super-homem”; por tal motivo, quando o Sol transitar pelo Signo celeste de Aquário, entraremos (esotericamente) em uma nova fase da religião do Cordeiro, e o ideal para o qual haveremos tender é indicado por Leão, o Signo oposto”.
Todo exército tem sua vanguarda. A evolução também tem a sua. Existe sempre uma classe evoluída, destinada a preparar a humanidade para futuras transformações. De acordo com os ensinamentos rosacruzes, esses períodos evolucionários se estreitam à medida que nos elevamos no caminho. Conforme a Mente se organiza, alcança-se um estado de consciência mais elevado e com o tempo tomará uma forma semelhante à dos demais veículos superiores. A Mente do ser humano também se espiritualiza. Na Era de Aquário o veículo mental alcançará um grande desenvolvimento como consequência dos esforços científicos e espirituais do ser humano. Há um grande número de pessoas já conscientes da existência dos poderes internos, ansiosas por obter e aplicar os conhecimentos avançados.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 08/86)
Faz sentido ter Temor às Provas quando no grau do Probacionismo?
Há dias, encontrei-me com um amigo e perguntei-lhe: “Como vai você no caminho Rosacruz? ”. Respondeu-me: “Recusei o Probacionismo. Disseram-me que a vida da gente piora quando se entra nesse grau”.
Esclareci-o. Não o encontrei mais, depois daquele dia.
A conversa que tivemos e as meditações que ela suscitou, me fizeram pensar neste artigo. Creio ser útil a muita gente.
O Probacionismo, ou melhor, o PROBATÓRIO – como registra o dicionário – de fato concerne à prova: “é o grau que serve de prova; que contém prova”. Notem bem: Ele NÃO leva à prova; NÃO conduz à prova exterior; ele SERVE de prova; CONTÉM prova – porque traz à tona da consciência as falhas internas; porque convida à purificação dos próprios defeitos. Não se trata de nos expormos a uma série de provas que os Mestres programam e às quais nos submetemos. Não! É a nossa própria prova; é nos convidar a remover, a pouco e pouco, aquelas limitações de caráter que nos retardam a caminhada.
Assim como ajudamos o Corpo, com uma pomada especial, a amadurecer e soltar o carnegão de um furúnculo que nos incomoda; assim também temos de tomar consciência de nossas limitações, para não mais repeti-las. O alimento dos hábitos errôneos é a ignorância. Quando compreendemos que eles são prejudiciais à nossa caminhada e ficamos alertas para não cair na repetição mecânica a que o hábito induz – eles vão perdendo força e se dissipam. Por isso diz Max Heindel: “Todo esforço Iniciático começa pelo Corpo Vital”.
Mas é preciso ter cuidado. O Corpo Vital é um veículo de hábitos, formados pela repetição. Por falta de esclarecimento ou por fraqueza (condescendência ao vício dominador) podemos repetir hábitos inconvenientes e fortalecê-los desse modo – reforçando os grilhões que nos condicionam.
São Paulo apóstolo disse: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém; examinai de tudo e escolhei o melhor”. Temos livre arbítrio. Somos livres para morrer ou para viver; para descer ou para subir pela escada evolutiva. Mas um aspirante à espiritualidade tem um só propósito: SUBIR.
Pensar em espiritualidade é admitir, de início, a TRANSFORMAÇÃO, sem a qual é impossível atingi-la. Alcançar a Iniciação, continuando a ser o mesmo ser vicioso de hoje, é um absurdo. A “queda do homem” não foi geográfica: foi de consciência. Embrutecemo-nos; caímos de sensibilidade, de vibração, de sintonia com o Divino. Evoluir é conscientemente conquistar maior sensibilidade, pela remoção das escórias que nos pesam.
Para descer ao fundo do mar e vencer a resistência da água, o mergulhador leva pesado escafandro. Qualquer um de nós sabe que ao mergulharmos a certa profundidade para alcançar o fundo temos de vencer a pressão da água. Mas para voltar à superfície é muito fácil: a própria pressão da água nos impele de volta à superfície.
Assim também com nossa natureza espiritual. A tendência natural da Essência divina é buscar o alto. O que nos mantém nos baixos estados de consciência é a ignorância, a crença falsa de que não podemos viver sem certos vícios, vícios esses que podemos reunir em um único: o tirano apego! Como o macaco preso à cumbuca, de punhos fechados, agarrados às ilusões e hábitos daninhos, não podemos desprender-nos!
Além desse apego ignorante, há outro fator retardante: a COVARDIA. O ser humano de nível comum é medroso, é covarde, é comodista. Quer alcançar as coisas sem esforço e a curto prazo. Quer alcançar certas coisas sem pagar o preço correspondente – como os alunos que procuram escolas desonestas e pagam bem para obter um diploma que envergonha a classe, a profissão. De onde vem essa pretensão idiota? Da personalidade. Ela quer pegar sem pagar. Já viram um PEGUE sem PAGUE? Tudo, no mundo, é um balanceamento de direito e de dever. A cada direito há um dever.
Ainda mais: no desenvolvimento das faculdades, há sempre o sacrifício de uma para dar nascimento a outra. Por exemplo: sacrificou-se metade (ou um polo) da força criadora unitiva do ser hermafrodita de antanho, para com ela formar-se a laringe e o cérebro, que nos atendessem as funções superiores e criadoras da palavra e do pensamento.
Tal é o preço na transformação do ser interior. Os olhos estão se transformando para alcançar a visão etérica; o Corpo Denso está se eterizando, aos poucos, nos espiritualistas sinceros que seguem as normas do Probacionismo de: “uma Mente pura, um Coração amoroso e um Corpo são”.
Para a Mente ficar pura; para o Coração tornar-se nobre e amoroso; para o Corpo se tornar são é indispensável uma transformação de hábitos, uma purificação gradual e decidida.
Que pensaríamos de uma pessoa que se recusasse a entrar na escola e submeter-se à sua disciplina – para não ter o trabalho de estudar; para ficar livre de horários? É claro: permanece ignorante.
O mesmo se dá em relação ao probatório: por que vou recusá-lo?
Para não me livrar dos vícios e limitações ignorantes? Seria o mesmo que permanecer no fundo d’água; não querer sair dali – e ao mesmo desejar o ar e o céu. Para alcançar uma coisa é preciso deixar outra. TRANSFORMAÇÃO pressupõe movimento: transitar para além da forma atual de ser. Tirar o pé do degrau de baixo para pô-lo no degrau de cima. Do contrário, não posso subir a escada; fico onde estou. Querer subir, sem “desgrudar o pé de baixo”, é impossível.
É uma triste pretensão querer brilhar como um brilhante e ao mesmo tempo negar-se ao despojamento das escórias que enfeiam o diamante bruto. É uma má compreensão querer que a árvore dê belos e abundantes frutos, sem submetê-la à poda. Ora, a poda existe igualmente na espiritualidade. Temos energia potencial; se a utilizamos egoisticamente, apenas na promoção da personalidade, ficaremos uma árvore folhuda, bonita por fora, mas completamente inútil, estéril. Lá, diz o Evangelho: “a árvore que não dá frutos, será cortada e lançada ao fogo”. Mas se podamos, isto é, se reservamos uma parte da energia potencial aos propósitos fisiológicos do corpo e dirigimos a parte sobrante aos propósitos espirituais, seremos aquele ser equilibrado e produtivo; aquele que, na definição de Max Heindel: “Assume perante si mesmo a obrigação de servir, obedecer e amar ao Eu verdadeiro e superior. ”
Só há um Eu verdadeiro – que chamamos de EU real. Mas o dizemos verdadeiro e superior, para destacá-lo claramente de outro eu falso e inferior – formado pela ignorância. Esse “eu” falso, inferior, o ladrão de nossas energias – a grande prostituta referida na Bíblia, que prostitui ou desvirtua a pureza dos intentos espirituais.
Atualmente estamos decaídos e divididos. Pensamos no “eu” pessoal e no Eu espiritual – como se fôssemos dois. O Cristo interno, à parte e separado do “eu” humano – a natureza inferior. Mas não há essa divisão. Há um só EU – que é o VERDADEIRO E SUPERIOR…
Enquanto houver a dualidade ilusória, é sinal de que “a casa estará dividida contra si mesma, sem possibilidade de subsistir”. Enquanto houver a identificação com um “eu” inferior e falso – haverá uma válvula de escape – que desviará as energias do EU REAL para propósitos egoístas.
Ora, o que se propõe no probatório é o despojamento do “eu” inferior e falso – até certa medida que nos permita alcançar o portal da iniciação, onde contaremos com mais recursos para uma purificação mais intensa e esclarecida, mercê dos recursos extrassensoriais.
No probatório contamos com uma ajuda preciosa durante o sono, que nos esclarecerá, na medida de nossa consciência, sobre os pontos falhos e o despojamento deles. No probatório se amplia nossa possibilidade de servir, porque somos aproveitados para constituir equipes de auxílio e de cura no trabalho inconsciente durante o sono, após a restauração do corpo. E, com o tempo, segundo a sinceridade e esforço de cada Probacionista, ocorrem vislumbres para mostrar-lhe a seriedade do trabalho.
Sim: o probatório é um grau que serve de prova; que contém prova para aqueles que desejam entrar pela porta da escola, enfrentando lealmente as próprias limitações – não para os covardes, os desonestos, os comodistas que tiram os diplomas pelos fundos, a um preço “X”, iludindo-se a si mesmos e conservando-se na ignorância estagnadora.
A vida é um convite de subida, para descortinar horizontes mais largos, visões mais amplas. Mas cobra o preço do esforço da subida.
Quem não quer pagá-lo tem o direito de permanecer nas fraldas escuras da montanha, de mãos estendidas, a pedir luz, que ninguém lhe pode dar.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1976)
Como um Sistema Solar vem à existência?
Pergunta: Como o Sistema Solar vem à existência?
Resposta: Em harmonia com o axioma hermético “Como é o Macrocosmos, assim é o Microcosmos”, os sistemas solares nascem, morrem e renascem em ciclos de atividade e repouso, tal como acontece com o ser humano e com os seres de todos os reinos da natureza.
Pergunta: Como e por que um Sistema Solar é criado?
Resposta: No começo de um Grande Dia de Manifestação, um Grande Ser (designado no Mundo Ocidental pelo nome de Deus) limita-se a uma certa porção do espaço, objetivando criar um Sistema Solar para evoluir e expandir sua consciência.
Pergunta: O que se sabe a respeito da vida interna de Deus?
Resposta: Deus inclui dentro de Si hostes de gloriosas Hierarquias, de incomensuráveis poder e esplendor espirituais. Elas são o fruto de manifestações passadas desse mesmo Ser, que inclui em Si mesmo outras Inteligências em graus descendentes de evolução. Estas ainda não atingiram um estágio de consciência adiantado quanto o alcançado pela nossa humanidade. Dessa forma, aqueles não estarão em condições de completar sua evolução neste sistema.
Pergunta: Que trabalho específico executam esses seres?
Resposta: Aqueles que, em manifestações anteriores, adquiriram um mais elevado desenvolvimento operam sobre aqueles que ainda se encontram em graus de Consciência inferior. Induzem-lhes um estado de consciência, a partir do qual poderão, ao longo de um certo tempo, agir por conta própria.
Pergunta: Quando esses seres começam o seu trabalho?
Resposta: Todos esses diferentes seres não iniciam suas evoluções nos primeiros estágios de uma nova manifestação. Alguns aguardam o estabelecimento de condições favoráveis por parte daqueles que os precederam. Tudo se processa lenta, mas segura, correta e irreversivelmente.
Pergunta: Tomando como base o que já foi dito, como podemos comparar esse processo cíclico com a vida tal como a conhecemos?
Resposta: Assim como há estágios progressivos na vida humana — Infância, juventude, maturidade e velhice — assim o macrocosmos passa por fases cíclicas correspondentes aos vários períodos da vida microcósmica.
Pergunta: Quanto tempo esses Seres superiores trabalham sobre aqueles de consciência inferior?
Resposta: No princípio, os seres superiormente evoluídos trabalham sobre aqueles que possuem um maior grau de consciência. Depois voltam-se para as entidades menos desenvolvidas, porém em melhores condições. Por fim, a consciência própria é despertada e a vida evolucionante torna-se humana.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/73 – Fraternidade Rosacruz – SP)
As Verdades Espirituais nos Mitos Antigos
No Livro Mistérios das Grandes Óperas, de Max Heindel, lemos: “Temos dito frequentemente, em nossas publicações, que um mito é um símbolo velado, contendo uma grande verdade cósmica, um conceito que difere radicalmente daquele que é geralmente aceito. Tal como apresentamos às nossas crianças livros em quadrinhos para transmitir lições que estão além de seu entendimento intelectual, assim os grandes Mestres deram à humanidade em formação esses símbolos. Dessa forma, de uma maneira inconsciente, uma apreciação dos ideais apresentados tem se gravado em nossos veículos mais sutis.”
O desenvolvimento espiritual, o progresso e a evolução requerem um esforço constante na consecução de objetivos maiores e ideais mais elevados do que aqueles que já alcançamos. A complacência e a satisfação própria não devem ter guarida na vida do aspirante espiritual. Assim como a verdade espiritual é eterna, igualmente eterna deve ser a busca daquela verdade.
Na busca da verdade deve haver uma mudança contínua, ou, mais precisamente, uma transformação. Tais mudanças não podem, todavia, acontecer repentinamente, do nada. Deve haver sempre o tempo de preparação que precede a mudança em si. As mudanças das quais falamos não devem ser mentalizadas como meramente alterações nas condições exteriores e circunstâncias, mas também como modificações ocorrendo dentro do próprio ser humano: modificações em seu estado de consciência, em seu nível de percepção, em seu grau de entendimento e compreensão, em sua capacidade de dirigir e controlar certas forças, e assim por diante.
Uma das vias de preparação através das quais o ser humano é conduzido a reconhecer e participar das mudanças que marcam seu progresso evolucionário é a mitologia. A mitologia está para a verdade espiritual na mesma relação que o corpo está para o Espírito. Em cada caso o primeiro é o traje que reveste o último.
No passado, quando o ser humano estava mais relacionado aos mundos espirituais do que atualmente, era igualmente consciente das forças espirituais que criavam as realidades que experimentava. Porém, essa percepção devia-se ao que podemos chamar de “uma consciência automática” — uma percepção que era recebida sem qualquer entendimento de seu significado ou participação autoconsciente em seu propósito.
Naquela época, as forças que trabalhavam através da humanidade conduziam o ser humano mais e mais em contato com o Mundo Físico que hoje conhecemos e no qual presentemente nossa consciência de vigília está focalizada. Em consequência, as verdades espirituais começaram a se revelar à sua consciência numa forma mais definida, ou seja, sua percepção das verdades espirituais começou a tomar forma em termos do Mundo Físico no qual estava cada vez mais vinculado. E estas formas tornaram-se símbolos das verdades que ele anteriormente percebia mais diretamente.
O Mundo Físico é um mundo de formas definidas. E formas definidas implicam em separatividade. A primeira manifestação da descida do ser humano para o Mundo Físico — de separatividade — foi a formação das raças, na qual agrupamentos humanos vivendo sob condições diferentes de clima e solo começaram a desenvolver características diferentes. Cada grupo começou a perceber as verdades espirituais em termos das condições peculiares que o cercavam e separavam dos demais. Dessa forma vieram à existência as muito diferentes mitologias, oriundas dessas diferentes culturas.
Não obstante a percepção da verdade espiritual aparecesse em diferentes roupagens, era ainda a mesma verdade essencial que se encontrava por detrás de todas elas. Essas verdades, falando ao ser humano através de seu mito, pareciam a ele mui real e viva, por mais absurda que possa parecer à nossa consciência moderna.
A consciência do ser humano atual não pode aceitar uma interpretação literal dos mitos antigos, como queremos crer que seres humanos daqueles tempos antigos faziam. Pode ser ainda que nem o ser humano da antiguidade acreditava em seus mitos no sentido literal, como imaginamos que ele cria. No entanto, acreditava na realidade literal que animava aqueles mitos. Todavia, ele não admitia isso. Tal ocorria devido a que ele ainda vivia a maior parte do tempo num estado de consciência automática que lhe permitia perceber e participar de uma coisa sem ter um entendimento consciente próprio da mesma.
Os requisitos que se apresentam ao ser humano moderno são de ordem bem diferente. A consciência automática deve ser descartada em favor de uma consciência própria, plena, vigilante. Somente dessa maneira o ser humano se capacitará a compreender a verdade que percebe, e, por meio dessa compreensão, se colocar numa posição de adquirir domínio de si mesmo e se tornar o dono de seu destino.
Essa transição de estado de consciência não ocorre de uma vez, e, nesse entretempo é possível que muitas complicações se apresentem. Quando ocorre a perda da consciência automática, então, e somente então, surge o perigo de que o ser humano comece a acreditar numa interpretação literal de seus mitos. Nesse ponto podem acontecer duas coisas. Uma consciência que começa a demandar mais e mais entendimento e explicação daquilo que percebe pode rejeitar os mitos que uma vez lhe falaram por causa do agora aparente absurdo. Ou, tornando-se incapaz de distinguir entre a roupagem exterior de um mito e a verdade interna que ele contém, alguém pode também se tornar incapaz de distinguir entre símbolos e realidades.
A tarefa que, hoje em dia, o ser humano enfrenta é a de apanhar a verdade espiritual direta e conscientemente onde ele antes apanhava indireta e automaticamente. Um estudo da mitologia pode auxiliá-lo a fazer isso, se ele a encarar da maneira apropriada. Cabe-lhe deixar de pensar nos mitos como coisas de mera curiosidade ou encantadores pequenos exemplos da ignorância dos povos antigos e pré-históricos. Deve reconhecer que há uma verdade espiritual que permanece atrás e constitui a origem de um mito, da mesma forma como há um ser espiritual como origem do corpo físico. Então, plenamente consciente, deve-se esforçar para perceber o que é aquela verdade espiritual que em outras idades lhe falava automaticamente. Com essa convicção vem o conhecimento, e desse conhecimento pode se desenvolver uma força que é a alma daquele mito. De forma idêntica, a alma do ser humano é criada por seu Espírito, trabalhando através de seus três diferentes veículos: os Corpos Denso, Vital e de Desejos.
Quando efetivamente chegamos a um entendimento lúcido das verdades espirituais contidos em certos mitos, isso produz um efeito sobre nossa consciência, difícil de explicar. É semelhante ao que experimentamos quando encontramos novamente um ser querido ou um amigo chegado, para nós desaparecido por muitos e muitos anos. O processo de amadurecimento que ambos atravessaram torna o reatamento muito mais agradável e possibilita a cada um compartilhar com o outro de uma maneira mais completa do que antes. Em cada um uma apreciação mais profunda em relação ao outro é despertada.
Acontece o mesmo com o ser humano e seus mitos. Esses mitos têm estado perdidos para ele por um longo tempo. E ele agora readquire algumas de suas forças e beleza, como uma criança em sua fascinação com contos de fada. Mas quando alcança uma compreensão autoconsciente de seus significados, esses mitos lhe falarão novamente. Esse novo relacionamento não é meramente uma continuação da mesma coisa que experimentou no passado, mas é a complementação de alguma coisa que não havia se completado naquela ocasião. As impressões que a mitologia causou em nossas vidas há tempos ressuscitarão para uma nova vida, na qual o ser humano, o microcosmo, pode ser auxiliado a encontrar o seu caminho de volta ao macrocosmo, plenamente consciente.
Naturalmente, devemos reconhecer que muitos mitos, da forma em que nos chegam, são uma corrupção de sua verdade, causada pela interferência de nossa consciência automática. Isso, porém, não deveria fazer com que desprezássemos seu valor integral.
Na Mitologia Grega encontramos a estória de Prometeu e Hércules. Prometeu era filho dos parentes de Titã e ele próprio era considerado como um Titã. Era campeão do ser humano e antagonista de Zeus, o chefe dos deuses, a favor do ser humano. Falava-se que ele havia moldado o ser humano da argila e muitas das artes da civilização eram atribuídas a ele. A dádiva com ele sempre associada é o fogo, que roubou do céu numa haste de cânhamo e trouxe à terra. Prometeu também enganou a Zeus na aceitação da pior parte nos sacrifícios que o ser humano oferecia aos deuses. Em punição a tudo isso Zeus confinou Prometeu ao pico de uma montanha e mandou uma águia para devorar seu fígado. Depois de idades de sofrimento Prometeu foi finalmente libertado por Hércules.
Hércules era filho de Zeus e Alomena, um deus e uma mortal. Foi o mais renomado dos matadores de gigantes e monstros — um aventureiro e irrequieto batalhador, que realiza façanhas aparentemente impossíveis. Embora Hércules participasse praticamente de qualquer espécie de aventura concebível, as mais importantes, além de libertar Prometeu, foram seus doze trabalhos.
Os mitos relacionados com Prometeu e Hércules são de especial importância aos estudantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, pois falam do relacionamento de Lúcifer e Cristo com a evolução espiritual da humanidade.
A estória de Prometeu é a estória de Lúcifer, que, em desobediência ao mandamento de Jeová, despertou prematuramente no ser humano uma consciência de sua força criadora. Induziu o ser humano a se rebelar contra a diretriz de Jeová, impondo-se-lhe ser “como deuses, conhecendo o bem e o mal.” O elemento de ferro no sangue foi também introduzido por Lúcifer, capacitando o ser humano a produzir sangue quente no corpo, tornando-se um Espírito interno. Lúcifer trabalha no ser humano através de um dos três segmentos do cordão espinhal, representado pela haste de cânhamo, e incita suas intensas paixões, representadas pelo elemento “fogo”.
Dessa maneira, Lúcifer tem assumido um papel importante na criação do ser humano como ele hoje existe. Efetivamente, muitas de nossas mais valiosas posses devem-se à sua influência, seja em seu todo ou em parte. Entre elas incluem-se o cérebro e a laringe, a habilidade de pensar e adquirir conhecimento independentemente, a capacidade e a inspiração para conquistar o mundo material e a eventual habilidade de se tornar participante consciente nos mundos espirituais.
Em certo sentido, portanto, deve-se agradecer a Lúcifer pelo que tem feito por nós. A desobediência, todavia, tem seu preço, e, ambos, Lúcifer e o ser humano, têm tido o que pagar. O ser humano, através das penas e sofrimentos, da dor e das lutas, pelo mau uso de seu conhecimento e de sua força criadora, despertados e estimulados por Lúcifer. Lúcifer tem de pagar através da perda de sua liberdade e subsequente dependência do ser humano. Ele evolui através da intensidade de sentimento, que só pode provocar através do ser humano. Dessa maneira, tenta nos conduzir às profundezas de nossas emoções. E, se nos permitimos que estas vivifiquem nossos desejos e paixões inferiores, então ambos, ele e nós seremos arrastados para dentro da cova. Porém, se nos afirmamos e lhe permitimos somente intensificar nossas mais refinadas e edificantes emoções, então estaremos conquistando a redenção, tanto de Lúcifer como da humanidade.
A perda da liberdade de Lúcifer é simbolizada por Prometeu sendo acorrentado no pico da montanha. A águia, um símbolo do Signo zodiacal Escorpião, que rege a força criadora no ser humano, devora o fígado de Prometeu. O fígado é a raiz da ligação entre o Corpo Denso e o Corpo de Desejos. Assim indica-se que a redenção de Lúcifer e o fim de sua influência negativa sobre o ser humano só podem se efetivar mediante a purificação e o controle de nossas emoções.
Com sua própria força, todavia, a grande maioria da humanidade é incapaz de transformar a influência negativa de Lúcifer num fator para o bem. Portanto é necessário dar-lhe alguma espécie de auxílio. E esse auxílio veio com Jesus Cristo.
Recordamos que Hércules nasceu de seres divinos e mortais, indicando a natureza composta de Jesus Cristo. Cristo é o mais elevado Iniciado dos Arcanjos, o Espírito Solar, pela Palavra do Qual todas as coisas de nosso sistema solar foram criadas. Jesus foi o mais nobre e puro ser humano disponível na ocasião do advento de Cristo. Foi, portanto, escolhido como o veículo através do qual Cristo se manifestou na Terra durante Seus três anos de ministério como Jesus-Cristo, do batismo à crucificação.
Durante Sua curta permanência na Terra, usando um corpo humano, Cristo foi capaz de passar e sobrepujar todos os diferentes males e tentações aos quais o ser humano está sujeito. Isto é simbolizado pelos doze trabalhos de Hércules, que representa toda a variedade de experiências que sobrevêm ao ser humano através dos doze Signos do Zodíaco. Passando através do Mistério do Gólgota, Ele nos deu o poder de também ultrapassar todos esses males e tentações. Dessa maneira, através do poder de Cristo, podemos vencer o mal com o bem, para a redenção da humanidade e de Lúcifer. Assim é que Hércules finalmente consegue libertar Prometeu e terminar seu sofrimento.
Muitos mitos e lendas contam essa mesma estória. Portanto, há uma lista de muitos lideres e mestres espirituais que padronizaram suas vidas com base nessa estória. Se não aprendemos a distinguir o símbolo da realidade, é possível incorrermos em grande erro. Esse erro é acreditar em que a vida de Jesus Cristo é apenas uma outra vida padronizada nessa mesma arquetípica estória, nada tendo de peculiar que O distinguisse dos outros de uma categoria idêntica.
A verdade é que a vinda do Cristo se constituiu no único e maior evento na história espiritual da humanidade. Todos os mitos, lendas e vidas de seres humanos de poder espiritual que precederam a Cristo serviram para preparar a consciência humana para aquele evento; apenas anteciparam um vislumbre daquilo que viria. Em Cristo temos aquilo que foi enunciado; temos a realização daquilo que foi preparado. Em Jesus Cristo temos a verdadeira presença de Deus na Terra; a presença do Criador em Sua Criação. Todos os que vieram antes foram apenas Seus servidores. Todos os que vierem depois, seguirão Suas pegadas.
Portanto, se somos capazes de perceber corretamente isso dentro de nós mesmos, reconhecemos que certos mitos, lendas e vidas de seres humanos de poder espiritual prepararam o ser humano para entender essa verdade: “que ante o nome de Jesus Cristo todo joelho se dobra e toda boca deve confessar que Jesus Cristo é o Senhor, para a Glória de Deus Pai.”
(Traduzido da Revista Rays from The Rose Cross e Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1977)