A verdadeira Astrologia é uma Ciência Divina, antiquíssima, e sua beleza ainda poderá ser apreciada por aqueles que tem “olhos para ver e ouvidos para ouvir” (Mt 13:16). Caiu em descrédito unicamente porque foi prostituída por aqueles que a usaram para seu próprio proveito e/ou para conseguir recursos financeiros direta ou indiretamente. Estes, esquecendo que são os guardiões de seus irmãos e das suas irmãs, se tornaram responsáveis por todas as adversidades que lhes advirem como resultado do mau uso dessa Ciência Divina.
Como em todas as circunstâncias, aquilo que é mais elevado poderá, caso caia em mãos inescrupulosas, ser levado a níveis de inferioridade. Entretanto, como o mal não poderá prevalecer, pois é “o bem que sempre prevalecerá” (Gl 6:9), essa condição errônea de emprego dessa Ciência Divina não será definitiva, porque à medida que nos aproximamos mais e mais da Era de Aquário, a Era adequada para o desenvolvimento das Ciências, veremos a Astrologia, hoje vacilante e desacreditada pelo charlatanismo e ação de impostores, emergir tal como crisália, para o bem da Humanidade – tal qual é a Astrologia espiritual Rosacruz.
Um estudo dos símbolos criados e usados pelos Sábios antigos nos fornece uma compreensão integral dos benefícios provindos do uso correto da Astrologia. Todos os Signos se encontram no horóscopo de cada um e, por isso, todos estão sujeitos as suas vibrações em graus variáveis. Lembremos, entretanto, que o estudo dos símbolos, não procura delinear a fraqueza ou a força dos vários Signos. Trata-se apenas de esboçar o significado dos símbolos, indicando o ponto culminante que cada Signo atinge. Nenhum Signo é mais ou menos forte do que o outro, pois todos são necessários para oferecer a perfeição ao conjunto e através de cada um deles devemos ganhar experiência.
Cada indivíduo nasce sob a influência de um Signo pelo qual deve obter o maior bem para si ou dispensá-lo também em benefício da Humanidade. Uma vez não existindo diferença tanto em superioridade como inferioridade em relação a cada Signo, qualquer diferença notada é apenas aparente, tratando-se apenas de uma interpretação imperfeita por parte de pessoas que ainda não compreenderam a grandiosidade da mensagem que os Astros (aqui: Signos, Sol, Lua e Planetas) nos enviam, considerando que o caminho de toda a manifestação, que é o Caminho de Evolução, se processa em espiral, sempre para cima e para frente. Constantemente deparamos com nativos de todos os Signos, em todos os níveis de consciência, reagindo de acordo com a sua própria compreensão.
O horóscopo mostra qual o esforço que devemos dispender em cada curso de existência e a forma pela qual poderemos resolver nossos problemas, não significando, entretanto, que devemos ser conduzidos pela brisa do momento, pois “os Astros impelem, mas não obrigam”, ou seja: sugerem, não mandam!
Há somente alguns poucos símbolos cujo significado será conveniente lembrar. O círculo, o qual não tem começo nem fim, somos nós, o Espírito não manifestado; o ponto colocado dentro dele somos nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana), em manifestação; a linha, um ponto alongado (possui um polo negativo e outro positivo) representa a matéria ou o plano físico. Portanto, o ângulo ou a cruz ou linha sempre indicam o trabalho a ser realizado no plano físico. O círculo sempre é usado como um indicativo de trabalho ou treinamento espiritual. O meio círculo, ou a meia circunferência, é a consciência situando-se num nível entre o infinito e o finito.

Trata-se da combinação ou sequência daqueles símbolos que nos contam a história da Humanidade através das idades.
Os três primeiros Signos (Áries, Touro e Gêmeos) são governados mais pelo instinto do que pelo intelecto, porque somente agora eles estão se manifestando no plano da existência. Mais tarde talvez, haja tristeza e mágoas, até que se sinta o regozijo resultante do esquecimento de si mesmo para que se manifeste a vida altruísta em benefício dos semelhantes. Tal ainda não está acontecendo, uma vez que todo pensamento é dirigido para o aprendizado e assimilação do valor das experiências adquiridas.
O primeiro Signo, o de Áries é o primeiro a verter da manifestação do Espírito Divino. Toda a energia é canalizada para o aprendizado da vida material.

Ambos os crescentes abrindo para baixo, ambos descendo na matéria ou no físico, mantendo um perfeito equilíbrio num só ponto que toca a vida material. Vez por outra se assemelha a uma forma rude de manifestação por se tratar de uma primeira experiência vivida por nós, o Ego, longe do nosso Lar Divino. Porém, o equilíbrio perfeito mantido pelos dois crescentes de consciência, e mais, o ponto singular indicando a direção da experiência indispensável para esse Signo, não deixa dúvida quanto a intenção de aprender tudo que diga respeito ao físico. Haverá interesse em inúmeros objetivos, porém quase sempre haverá o surgir de novos interesses, acarretando a não conclusão das coisas já iniciadas, coisas que em um dado momento despertam mais a atenção.
Assim como o dourado Narciso na Primavera (uma das principais flores que que anuncia o fim do inverno e a chegada da primavera), ansioso por trazer a alegria e a beleza ao mundo expectante, não leva em conta o possível perigo que poderá advir dos ventos rudes e do chicotear das nevascas, da mesma forma o Ego, entrando no mundo finito – na Região Química do Mundo Físico –, prenhe de tantos objetos a serem explorados e estudados, nem sempre leva em conta o preço de suas ações, permanecendo em sua determinação de aprender muitas coisas. Assim viajando através dos vários Signos, nós experimentamos os efeitos das limitações.
O segundo Signo, o de Touro é o segundo passo no caminho ao redor do Zodíaco, indicando pelo círculo que abrange todas as coisas aprendidas em Áries, não se esforçando, contudo, para desenvolver mais atividades exteriores.

Assinala um período de assimilação demonstrado pelo crescente da consciência, apontando para cima, solicitando auxílio das forças superiores no sentido de assimilar o conhecimento contido no círculo, tornando-se ajustável entre a sabedoria adormecida em nós e o conhecimento adquirido por meio da nossa experiência no físico.
Entretanto, a luz acima do círculo indica que embora haja uma tendência para o espiritual, será o aspecto material a despertar o maior interesse, porque nós iniciamos a nossa jornada para a aquisição de experiências dentro da esfera do Mundo Físico.
O terceiro Signo, o de Gêmeos, tem um símbolo onde duas linhas paralelas com abertura nas extremidades indicam “assuntos não concluídos”.

As linhas perpendiculares de Gêmeos estão fechadas e as duas horizontais estão abertas indicando que nesse estágio desse Esquema de Evolução, a coisa mais importante é obter a compreensão e realização dos canais da Mente inferior em conexão com a manifestação física. O caminho da Mente superior está fechado, pois nós, primeiramente, tivemos o nosso sentimento amoroso e compassivo canalizados para aqueles objetos que formam a base material da vida, não podendo, por isso, ainda apreciar ou compreender na íntegra seu aspecto espiritual. O mais inferior deve ser visto como uma parte do Divino, justamente como o mais elevado e o mais altamente desenvolvido. As ações desenvolvidas neste Mundo material gerarão o ambiente que nós encontraremos quando atingirmos mais adiante outros Signos, onde as linhas perpendiculares estarão abertas para aquisição da Sabedoria dos planos elevados. Aquele espaço semelhante a uma caixa entre as linhas guardará todas as impressões indispensáveis e valiosas para a vivência de uma vida superior. Ao persistir em trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, vamos atingindo a vivência nos outros Signos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1972 – Fraternidade Rosacruz-SP)
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