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PorFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual o melhor horário da manhã para fazer o Exercício Esotérico de Concentração?

Resposta: O objetivo dos Exercícios Esotéricos, seja pela manhã ou à noite, é levar o Estudante Rosacruz a um contato consciente com os Mundos invisíveis, e não há momento melhor do que pela manhã, pois durante a noite o Espírito – que somos nós – se retira do Corpo Denso e entra nos Mundos invisíveis, deixando o corpo adormecido sobre a cama; e é o nosso retorno pela manhã que faz com que o corpo desperte e focalize nossa consciência no Mundo material por meio dos órgãos dos sentidos. Wordsworth[1] diz em sua bela “Ode à Imortalidade”:

Nosso nascer não passa de sono e de oblívio:

A Alma que nasce com nós, nosso Astro Vital,

Vive longe de onde vive o

Trajeto de seu fanal;

Não no esquecimento inteiro

Nem na nudez por inteiro,

Mas, arrastando nuvens de glória, viemos

De Deus — nele vivemos —:

É o Céu que a nós circunda e a nossa meninice!

As sombras da prisão começam a cobrir

O Menino que cresce;

Mas ele vê a luz, sabe aonde ela vai ir

E sabe que ela o acresce;

A Juventude, em sacerdócio à Natureza,

Viaja ao Leste numa empresa

Guiada pela

Visão mais bela;

E ao largo o Homem vê que sua vida acaba

E que na luz do hábito ela enfim desaba.

Durante a vida de uma pessoa, os Mundos internos estão mais próximos dela nos anos da infância, como diz Wordsworth, pois esse é o amanhecer da vida, e é assim conosco: quando despertamos pela manhã, estamos em contato mais próximo com os Mundos espirituais do que em qualquer outra hora do dia, e então é mais fácil retornar a eles. Portanto, o Estudante Rosacruz deve começar seus exercícios no momento em que acorda, sem permitir que sua Mente se desvie para qualquer outro assunto. Ele deve ser cuidadoso em relaxar perfeitamente o seu corpo, para que nenhum músculo fique tenso, e fixar sua Mente num ideal elevado ou nos primeiros cinco versículos do Evangelho Segundo São João, seja frase por frase, seja como um todo. Isso o colocará em contato com as vibrações cósmicas. Ele deve aquietar os sentidos para que não possa ouvir e ver nada no lugar em que está dormindo. Quando conseguir isso, as cenas do Mundo do Desejo apresentar-se-ão perante a sua visão interior. Primeiro, de forma espasmódica, depois cada vez com mais clareza e, à medida que a pratica, a visão fica cada vez mais próxima da perfeição.

No entanto, para a maioria das pessoas, o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é de maior importância e, provavelmente, trará resultados mais rápidos, porque isso afeta a vida que vivemos e nos enobrece de uma forma que o Exercício Esotérico matutino de Concentração não pode fazer.

(Pergunta nº 149 do Livro “Filosofia Perguntas e Repostas – Volume I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: William Wordsworth (1770 – 1850) foi um dos maiores poetas e escritores do Romantismo inglês. Os trechos acima são do poema Ode: Intimations of Immortality. Uma das obras-primas de Wordsworth, a ode canta a compreensão comovente do narrador maduro de que a relação especial da infância com a natureza e a experiência se perdeu para sempre, embora a memória inconsciente desse estado de ser permanece uma fonte de sabedoria no mundo. O poema de 11 estrofes foi escrito no estilo da ode Pindárica irregular.

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Mensagem Mística do Natal

Dezembro de 1912

Sinos de Natal! Quem já não sentiu a magia deles nos dias da sua infância, antes que a dúvida se insinuasse em seu coração e abalasse os ideais inculcados pela igreja? O mesmo sino repicava na Igreja aos domingos e chamava para a oração em todos os dias da semana, mas havia no dia de Natal um timbre diferente, algo excepcionalmente festivo, algo que nós, agora, atribuímos à imaginação relacionada às crianças ou à infância. Nós sentimos falta disso, por mais que possamos nos congratular com a emancipação daquilo que temos o prazer de denominar “as cerimônias ou performance ridículas, hipócritas ou pretensiosas da igreja”. Wordsworth[1], na sua “Ode à imortalidade”, expressou o intenso arrependimento pela perda dos ideais relacionados com a infância ou com a criança, e nada que o mundo tenha a dar pode ocupar o lugar deles e, embora possamos ser abençoados com os recursos materiais, somos realmente pobres quando o “glamour” da juventude se desvanece e as concepções intelectuais sufocam as chamadas “superstições”.

São Paulo nos exortou a estarmos sempre preparados para dar uma razão à nossa fé, e há uma razão mística para as muitas práticas da igreja, as quais são transmitidas às gerações, desde a mais remota antiguidade. O soar do sino quando a vela acende sobre o altar foi inaugurado por videntes espiritualmente iluminados para ensinar a unidade cósmica da luz e do som. O badalo metálico do sino traz a mensagem mística de Cristo à humanidade, tão claramente hoje como da primeira vez que Ele anunciou o amoroso convite: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e eu vos darei descanso[2]. Assim, o sino é um símbolo de Cristo. “A Palavra”, quando nos chama do trabalho para a adoração ante o altar iluminado, quando Ele nos encontra como “A Luz do Mundo”.

Também, o sentimento particularmente festivo despertado pelos sinos de Natal é produzido por causas cósmicas ativas nessa época do ano, e a estação atual é verdadeiramente santa, como agora veremos. Os que estudam a “ciência das estrelas” compreendem os Signos do Zodíaco como um conjunto sonoro cósmico, cada Signo vibrando com um atributo particular; e como as órbitas em marcha viajam em procissão caleidoscópica, de Signo em Signo, numa combinação sempre variável, os acordes da harmonia cósmica, conhecidos pelos místicos como a “música das esferas”, emitem um eterno hino de oração e glorificação ao Criador. Essa não é uma ideia fantasiosa, mas um fato real, perceptível ao vidente e capaz de ser demonstradas aos pensadores pelos seus efeitos. E a harmonia das esferas não é um som de um tom único; varia dia a dia e mês a mês, conforme o Sol e os Planetas cruzam Signo após Signo em suas órbitas. Há, também, épocas de variações anuais devido à Precessão dos Equinócios. Então, há uma infinita variedade na “música das esferas”, como de fato deve ser, pois esta constante mudança de vibrações espirituais é a base da evolução física e espiritual. Se cessasse por um só instante, o Cosmos se converteria em Caos.

Como demonstração, observemos a Natureza e a qualidade da vida de amor que derrama por meio do Cristo-estelar, o Sol, quando ele transita pelo beligerante Signo de Áries, o Carneiro, durante desde a metade do mês de março até metade do mês de abril. O amor sexual é a nota-chave da natureza; todas as energias são aplicadas na geração; então, predominam as inclinações passionais. Compare isso como o efeito do Sol em dezembro, quando se acha focalizado através do benevolente Sagitário, regido pelo Planeta Júpiter. Seus raios, então, conduzem à religião e à filantropia; o ar é vibrante com a generosidade, e a vida de amor do Cristo-estelar encontra a sua mais alta expressão nesse Signo que tem a mesma natureza. Externamente reina uma atmosfera de espera ansiosa que beira a angústia, pois o símbolo visível da “Luz do Mundo” se obscureceu, mas na noite mais escura do ano, o conjunto dos sinos de Natal evocam uma pronta resposta aos sentimentos do Natal, que torna o mundo inteiro semelhante, filhos do nosso Pai que está nos Céus.

Que a música mística dos sinos do Natal desperte o mais terno acorde em seu coração, e que a tônica do regozijo seja predominante em seu ser durante o próximo ano – esse é o desejo natalino dos trabalhadores de Mount Ecclesia.

(Carta nº 25 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: William Wordsworth (1770-1850) foi o maior poeta romântico inglês.

[2] N.T.: Mt 11-28

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