Como já aprendemos através dos nossos estudos do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, o motor-mestre de todos os pensamentos, atos, todas as ações e obras, sejam bons ou maus, tem origem no desejo. O desejo de apaziguar a fome nos leva a comer; o desejo de companhia nos faz procurar os outros; e assim por diante. Antes de possuirmos um Corpo de Desejos (antes do Período Lunar), éramos imóveis e semelhantes a uma planta. A nossa forma tinha vida e capacidade de se mover, mas nenhum incentivo para fazer isso. Esse incentivo era fornecido pelas forças ativas no Mundo do Desejo que trabalhavam através do nosso Corpo de Desejos macrocósmico e nos impeliam a movimentar o nosso Corpo Denso nesta ou naquela direção.
Primeiro foi nos fornecido o germe do Corpo Denso; depois foi nos fornecido o germe do Corpo Vital, como meio de vitalizar o Corpo Denso. Depois foi acrescentado o germe do Corpo de Desejos, que pôs em ação o Corpo Denso e o Corpo Vital, resultando disso desejos, vontades, paixões, sentimentos e emoções. Em seguida, foi nos fornecido o germe da Mente, através do qual podemos ganhar experiências e, assim, aprender a controlar as atividades do nosso Tríplice Corpo. E agora nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), estamos devidamente equipados para começar o nosso aprendizado na grande Escola da Vida de Deus.
Depois de cumprida uma certa quantidade de trabalho renascido, mais uma vez, aqui, aprendemos como se encerra o dia quando atravessamos o portal do que se chama de mais uma morte aqui. O caminho para o nosso verdadeiro lar, que é o Segundo Céu, nos leva primeiro ao Purgatório – que se situa nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo –, onde é purgado de cada partícula de mal, por menor que seja, e a memória do sofrimento resultante dessa purgação é incorporada na consciência; depois vem o Primeiro Céu, que se situa nas três Regiões mais elevadas, ou superiores, do Mundo do Desejo.
Os nomes dessas três Regiões superiores do Mundo do Desejo são: Região da Vida Anímica, Região da Luz Anímica e Região do Poder Anímico. Nelas residem todas as atividades da vida da Alma. E aqui, mais uma vez, a realidade é trazida até nós: o nosso grau de felicidade nos Mundos celestiais depende de quanto crescimento de Alma nós praticamos durante a vida no Mundo material.
Aqui, no Primeiro Céu, nos encontramos purificados novamente do panorama da nossa vida passada, que se desenrola de novo para trás; mas dessa vez os bons atos da vida são a base do sentimento. E agora, note bem isto, — assim como foi na passagem pelo Purgatório, assim é nos Mundos celestes — exatamente na proporção dos atos, das ações, e obras praticados por meio do nosso Corpo Denso que baseou a nossa existência purgatorial, acontece o mesmo em relação à bem-aventurança celeste no Primeiro Céu. Poucos, se é que alguém, da Humanidade da nossa fase atual de evolução são inteiramente bons para escapar apenas um pouco do fogo refinador que separa a escória do ouro puro que há no Purgatório. E poucos são os que não têm suficiente bem armazenado no registo do seu passado para lhes dar alguma porção de alegria nos Mundo celestiais, que há no Primeiro Céu.
À medida que o panorama do passado se desenrola no Primeiro Céu, quando nos deparamos com as cenas em que ajudamos os outros irmãos, percebemos de novo toda a alegria de ajudar que era nossa no momento em que o ato, a ação ou a obra de bondade foi praticado e, além disso, sentimos toda a gratidão que nos foi derramada pelo destinatário da nossa ajuda. Quando chega às cenas em que fomos ajudados por outros, sentimos toda a gratidão que, então, sentiu o nosso benfeitor. Vemos assim a importância realmente grande de apreciar os favores que nos são feitos pelos outros, porque a gratidão é um meio de crescimento de Alma e tal crescimento é a grande obra da nossa época. Aqui também está a chave para a nossa felicidade nos Mundos celestes, pois ela depende da alegria e do regozijo que damos aos outros irmãos (Serviço) e da valorização que damos ao que os outros fizeram por nós. O livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz ensina isso.
É um grande erro pensar que a capacidade de prestar serviço, de dar esteja investida principalmente em pessoas de posses. A doação indiscriminada de quaisquer tipos de recursos financeiros pode causar mal! Mas não há alguém tão pobre em bens mundanos que não possa fornecer um olhar bondoso, um sorriso, uma expressão de confiança amorosa e simpática (um “bom dia”, uma “boa tarde”, “boa noite”, um “Olá”, um “como vai”, um “muito obrigado”, um “com licença”), palavras animadoras de coragem e fé, um pensamento útil ou uma ótima risada. O que importa é o ato, a obra, a ação de ajudar o irmão ou a irmã de um modo desinteressado (se possível, anonimamente) – sempre esquecendo os defeitos deles e, assim focando na divina essência oculta em cada um de nós), seja mental, moral ou fisicamente, a se ajudar e não a torná-lo dependente nem de nós e nem dos outros, pois a dependência gera fraqueza, enquanto todo esforço produz força. Não é isso que repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo quando rezamos no final da Oração Rosacruz: “… E, com todo o nosso poder, possamos elevar todas as Almas, a fim de que vivam em harmonia e na luz de uma perfeita Liberdade.”.
No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos que o Primeiro Céu é um lugar de alegria, sem uma única gota de amargura. Lá, nós estamos além da influência das condições materiais ou terrenas e assimilamos todo o bem contido na nossa vida passada, enquanto a vivemos de novo. Aqui se realizam, em toda a sua plenitude, todas as aspirações enobrecedoras a que aspiramos. É um lugar de repouso e, quanto mais dura tiver sido a nossa vida aqui, tanto mais intensamente será desfrutado o repouso e o regozijo lá.
A doença, a tristeza e a dor são desconhecidas aqui. É no Primeiro Céu que os pensamentos do Cristão devoto construíram a Nova Jerusalém, a partir do material de desejos sutil de que esta região é composta. Belas casas, árvores e flores, para citar alguns exemplos, são a porção daqueles que as desejaram e, embora construídas com material sutil, são tão reais e tangíveis para eles, quanto as nossas são para nós. Todos obtêm aqui a satisfação que lhes faltou na vida terrena.
Este Céu é também um lugar de progressão para todos os que foram estudiosos, artísticos ou altruístas. Aqui o estudante e o filósofo têm acesso a todas as bibliotecas do mundo. O artista tem um prazer infinito nas combinações de cores em constante mudança, pois aprende rapidamente que os seus próprios pensamentos misturam e moldam essas cores à sua vontade. Suas criações brilham e cintilam com uma vida impossível de alcançar para quem trabalha com os pigmentos baços do mundo terreno, pois aqui ele está, por assim dizer, pintando com materiais vivos e brilhantes; assim, é capaz de executar os seus projetos com uma facilidade que enche a sua alma de prazer.
Tal como o Mundo Físico é o mundo da forma e por isso a forma é aqui mais acentuada, também a cor é particularmente acentuada no Mundo do Desejo. O músico ainda não alcançou o lugar onde sua arte se expressará em toda a sua extensão, pois a música pertence ao Mundo do Pensamento, onde estão localizados o Segundo Céu e o Terceiro Céu. O Mundo do Pensamento é a esfera do tom e a música celestial é um fato, não uma simples figura de linguagem. Embora o tom seja mais acentuado no Mundo do Pensamento, os ecos dessa música celestial chegam até nós, aqui, no Mundo Físico, e são os nossos bens mais preciosos, embora sejam tão excessivamente elusivos que não possam ser criados permanentemente como podem outras obras de arte — a escultura, a pintura ou a literatura. No Mundo Físico o tom desaparece no momento em que nasce, mas no Primeiro Céu os ecos são, naturalmente, muito mais belos e têm mais permanência; por isso o músico ouve sons mais doces do que já ouviu durante a sua vida terrena.
No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz lemos sobre a bela vida celestial que as crianças têm no Primeiro Céu, e nos dizem que, se pudéssemos vê-las lá, a nossa dor cessaria rapidamente aqui. Quando uma criança morre antes do nascimento do Corpo de Desejos, que ocorre por volta do décimo quarto ano na vida aqui, ela não vai além do Primeiro Céu, porque não é responsável pelos seus atos, suas obras ou ações, assim como o recém-nascido não é responsável pela dor que causa à sua mãe, quando se movimenta no seu ventre. Portanto, a criança não tem existência purgatorial. O que não é vivificado não pode morrer e por isso o Corpo de Desejos de uma criança, junto da Mente, persistirá até um novo nascimento; por essa razão tais crianças são muito aptas a se lembrar da sua vida anterior, como no caso citado em outro lugar do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
Para essas crianças, o Primeiro Céu é um lugar de espera, onde permanecem de um a vinte anos até que uma oportunidade para um novo nascimento seja oferecida. No entanto, é mais do que um simples lugar de espera, porque há muito progresso feito durante esse tempo. Quando uma criança morre, há sempre um parente, um conhecido que a quer muito bem que a espera ou, na falta destes, há pessoas que amaram ser “mães” de crianças na vida terrena e que encontram prazer em cuidar de uma pequena solitária. A extrema plasticidade do material de desejo facilita a formação dos mais requintados brinquedos vivos para as crianças e a vida delas é um belo jogo; no entanto, a sua instrução não é negligenciada. São agrupadas em classes, de acordo com os seus temperamentos, mas independentemente da idade.
No Mundo do Desejo é fácil dar lições objetivas sobre a influência das paixões boas e más na conduta e na felicidade. Essas lições ficam indelevelmente impressas no sensível e emocional Corpo de Desejos da criança e permanecem com ela após o renascimento, de modo que muitos que vivem uma vida nobre devem muito disso ao fato de terem recebido esse treinamento. Muitas vezes, quando um Ego fraco nasce, os Seres Compassivos (os Líderes invisíveis que guiam a nossa evolução) fazem com que ele morra aqui no início da vida para que possa ter esse treinamento adicional lá, que o prepara para o que pode ser uma vida difícil. Este parece ser o caso, particularmente, quando a gravação no Átomo-semente do Corpo de Desejos foi fraca e prejudicada, em consequência de uma pessoa moribunda ter sido perturbada pelas lamentações dos seus parentes, ou porque encontrou a morte por acidente ou no campo de batalha ou seu Corpo Denso, depois que morreu, foi dissecado, cutucado, furado, cortado, embalsamado. Ela não experimentou, nessas circunstâncias, a intensidade apropriada de sentimento em sua existência post-mortem; logo, quando ela nasce e morre no início da vida, a perda é compensada.
Muitas vezes, o dever de cuidar dessa criança na vida celeste pertence àqueles que foram a causa da anomalia. Eles têm assim a possibilidade de compensar a sua falta e de aprender melhor. Ou talvez se tornem os pais da pessoa que prejudicaram e cuidem dela durante seus poucos anos de vida. Então não importa se lamentam histericamente a morte dessa criança, porque não haverá imagens de qualquer consequência no Éter Refletor do Corpo Vital da criança. E assim a “dívida é paga” e a “conta é liquidada” como sempre deve ser.
Nenhuma pessoa que passa por uma vida terrena egoísta, crítica, egocêntrica, censuradora e sem caridade, buscando seus principais prazeres nas coisas físicas, materiais — ou seja, no que pode ser obtido e desfrutado apenas por meio dos sentidos puramente físicos e, ainda assim, porque uma vez colocou seu nome em um registro de uma Igreja ou frequenta alguma “Religião exotérica” por motivo de dever ou como se fosse uma espécie de bálsamo para uma consciência ultrajada — deve esperar que lhe seja permitido ficar por muito tempo ou desfrutar muito a estada no Primeiro Céu. Porque o Primeiro Céu é, verdadeiramente, a Região da Alma e a Alma é a essência da simpatia e da ajuda feita e prestada aqui, que é a quintessência do serviço amoroso e desinteressado (se possível, anonimamente) – sempre esquecendo os defeitos deles e, assim focando na divina essência oculta em cada um de nós) – prestado durante a nossa vida terrestre, ou seja: aqui, especial e principalmente por meio de atos, obras e ações, usando o nosso Corpo Denso.
Ou seja, uma vida assim: egoísta, crítica, egocêntrica, censuradora e sem caridade, buscando seus principais prazeres nas coisas físicas, materiais – ou seja, no que pode ser obtido e desfrutado apenas por meio dos sentidos puramente físicos e, ainda assim, porque uma vez colocou seu nome em um registro de uma Igreja ou frequenta alguma “Religião exotérica” por motivo de dever ou como se fosse uma espécie de bálsamo para uma consciência ultrajada – não pode ser produtiva de grande quantidade de ambos. Porque nenhuma qualidade pode se tornar parte de nós até que a tenhamos incorporado na nossa natureza, vivendo-a no dia a dia. Podemos pensar em altruísmo, podemos falar sobre altruísmo e podemos acreditar em altruísmo, mas para realmente possuirmos o altruísmo temos que vivê-lo, colocá-lo em prática por meio de atos, obras e ações. Não há outro caminho! É exatamente assim que o crescimento anímico – o crescimento da Alma – funciona. A Alma não é um órgão físico nem um sentido físico, como a visão e o tato. Cada Alma é o resultado do nosso trabalho (o Ego) em cada um dos nossos três Corpos, a saber: a Alma Consciente, resultado do trabalho por meio de atos, obras e ações boas no nosso Corpo Denso; a Alma Emocional, resultado do trabalho por meio de desejos, emoções e sentimentos superiores no nosso Corpo de Desejos; a Alma Intelectual, resultado da memória dos atos, obras e ações boas, e desejos, emoções e sentimentos superiores gravados no nosso Corpo Vital. Assim, os nossos veículos devem se tornar o “servo” e não o “senhor”, porque são simplesmente os nossos instrumentos, nossas “ferramentas de trabalho”.
Você quer encurtar a sua permanência no Purgatório? Então tente não incorporar em seu Panorama de Vida – quando morrer mais uma vez aqui – as coisas das quais será purgado para se tornar puro. Quer ter uma ajuda que acelera a redução desses registros que levam a estada no Purgatório? Pratique o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção.
Gostaria de saborear a sua estada no Primeiro Céu, essa região de alegria e regozijo, sem uma única gota de amargura, onde todas as suas aspirações mais elevadas se realizam em toda a sua extensão e você obtém a satisfação que a vida terrena não deu? Então procure ter uma vida que faça sua Alma crescer. Busque diligentemente os doze tipos de oportunidade que nos chegam todos os meses e, quando encontrar, seja atencioso no serviço amoroso e desinteressado (se possível, anonimamente) – sempre esquecendo os defeitos deles e, assim focando na divina essência oculta em cada um de nós) – prestado durante a nossa vida terrestre!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross junho/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Resposta: Infelizmente, tal como é comumente praticada, é muitas vezes um pedido a Deus para interferir a favor do suplicante e lhe permitir alcançar um objetivo egoísta. É certamente uma vergonha que pessoas empenhadas em violar os mandamentos de Deus, como “Não matarás”, rezem pela vitória sobre os seus inimigos; se medirmos a maioria das orações oferecidas hoje, pelo padrão estabelecido por Cristo na Oração do Senhor, elas certamente não merecerão o nome de oração. São blasfêmias e seria mil vezes melhor que nunca tivessem sido proferidas.
A Oração do Pai-Nosso nos foi dado como modelo e faremos bem em analisá-la, se quisermos chegar a uma conclusão adequada. Se o fizermos, verificaremos que três das sete orações que o compõem dizem respeito à adoração do Divino: “Santificado seja o Vosso nome; venha a nós o Seu Reino; seja feita a Sua vontade”. Depois vem a petição do pão diário e necessário para manter o nosso Corpo Denso vivo; as três orações restantes são para a libertação do mal e o perdão das nossas dívidas. A partir desses fatos, é evidente que toda oração digna deve conter uma medida esmagadora de adoração, louvor e reconhecimento da nossa indignidade, junto de uma firme resolução de nos esforçarmos para sermos mais agradáveis ao nosso Pai Celestial. O objetivo principal da oração é, portanto, entrar em comunhão com Deus o mais rápido possível objetivando que a Vida e a Luz divinas possam fluir para dentro de nós e nos iluminar para que possamos crescer à Sua imagem e semelhança.
Trata-se de um ponto de vista diametralmente oposto à ideia comum de oração, que considera que, sendo Deus o nosso Pai, podemos nos dirigir a Ele em oração e Ele é obrigado a realizar o desejo do nosso coração. Se não conseguirmos na primeira tentativa, basta continuar rezando e, devido à nossa importunação, o nosso desejo será satisfeito. Tal visão é repelente para o Místico iluminado e, se trouxermos o assunto para uma base prática, é evidente que um pai sábio, tendo um filho capaz de se sustentar, naturalmente se ressentiria se esse filho aparecesse diante dele várias vezes por dia com pedidos importunos para ganhar isso, aquilo ou outra coisa que ele possa facilmente obter pelo trabalho, ganhando os meios para isso.
A oração, por mais séria e sincera que seja, nunca pode tomar o lugar do trabalho. Se trabalharmos para realizar um bom objetivo com todo o nosso coração, a nossa alma, o nosso corpo e, ao mesmo tempo, pedirmos a Deus que abençoe o nosso trabalho, não há dúvida de que o pedido será sempre atendido; mas se não pusermos a mão na massa, não teremos o direito de pedir ajuda à Divindade.
Como foi dito anteriormente, o peso das nossas orações deve ser o louvor a Deus, de Quem todas as bênçãos fluem, porque os nossos Corpos de Desejos são formados de materiais de todas as sete Regiões do Mundo do Desejo na proporção das nossas necessidades, conforme determinado pela natureza dos nossos pensamentos. Cada pensamento se reveste de material de desejo congruente com a sua natureza. Isso também se aplica aos pensamentos formados e expressos na oração. Se forem egoístas, atraem para si um invólucro composto pelas Regiões inferiores do Mundo do Desejo; mas se forem nobres, altruístas e generosos, vibram no tom mais elevado das Regiões da Luz Anímica, da Vida Anímica e do Poder Anímico. Eles, então, se vestem com esse material, dando mais vida e luz à nossa natureza espiritual.
Mesmo quando rezamos pelos outros é prejudicial pedir qualquer coisa material ou mundana; é permitido pedir saúde, mas não prosperidade econômica. “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça”[1] é o mandamento. Quando cumprimos esse mandamento, podemos ter a certeza de que “todas essas coisas”[2] também nos serão dadas. Portanto, quando orarmos por um amigo, coloquemos todo o nosso coração e toda a nossa alma na petição para que ele possa buscar permanentemente o caminho, a verdade e a vida, pois uma vez encontrado o maior de todos os tesouros, nenhuma necessidade real será negada. Isso também não é teoria. Milhares de pessoas, incluindo o escritor, descobriram que o “Pai nosso que estais no Céus” cuidará de nossas necessidades materiais, quando nos esforçarmos para viver a vida espiritual. No entanto, em última análise, não é a oração falada que ajuda. Há pessoas que podem conduzir uma congregação em oração que é, ambas, perfeita em linguagem e sentimento poético. Elas podem até adequar suas orações aos princípios estabelecidos pelo Senhor, tal como enunciado nos nossos parágrafos iniciais e, no entanto, essa oração pode ser uma abominação porque lhe falta um requisito essencial. Se toda a nossa vida não for uma oração, não poderemos ser agradáveis a Deus, por mais belas que sejam as nossas petições. Por outro lado, se nos esforçarmos no dia-a-dia para viver de acordo com a Sua vontade, então, mesmo que nós próprios saibamos que estejamos muito aquém do nosso ideal e mesmo que, tal como o publicano no Templo[3], sejamos de fala hesitante e só consigamos bater no peito e dizer “Deus, tem piedade de mim, sou pecador”, mesmo assim descobriremos que o Espírito, conhecendo nossas necessidades, intercede por nós com gemidos indizíveis e que nossa modesta súplica diante do trono da Graça valerá mais que todos os discursos floridos que possamos fazer.
Você também pergunta: “a oração é equivalente à concentração e à meditação?”.
Concentração consiste em focalizar o pensamento em um único ponto, tal como os raios do Sol são focalizados por meio de um vidro. Quando difundidos sobre a superfície de toda a Terra, eles fornecem apenas um calor moderado, mas mesmo alguns raios de Sol, quando focalizados por uma lente comum de óculos, incendeiam o material inflamável no qual são focalizados. Da mesma forma, o pensamento que se move doce e iluminadamente através do cérebro, como a água escorre através de uma peneira, não tem valor, mas quando concentrado em um determinado objeto, ele ganha intensidade e atingirá o objetivo, seja para o bem ou para o mal. Os membros de uma ordem praticaram a concentração contra seus inimigos durante séculos e foi verificado que o infortúnio ou a morte atingiam sempre o objeto do seu desfavor. Nós ouvimos falar, entre certos grupos, atualmente de “magnetismo malicioso” aplicado pela concentração do pensamento. Por outro lado, a concentração do poder do pensamento também pode, também, ser usada para curar e ajudar; não faltam exemplos para fundamentar essa afirmação. Podemos, assim, dizer que a concentração seja a aplicação direta do poder do pensamento para alcançar um determinado objeto, que pode ser bom ou mau de acordo com o carácter da pessoa que o pratica e o propósito para o qual deseja usá-lo.
A oração é semelhante à concentração em certos pontos, mas difere radicalmente em outros. Enquanto a eficácia da oração depende da intensidade da concentração alcançada pelo devoto, ela é acompanhada por sentimentos de amor e devoção de igual intensidade à profundidade da concentração, o que torna a oração muito mais eficaz do que a concentração fria pode ser. Além disso, é extremamente difícil, para a grande maioria das pessoas, concentrar os seus pensamentos de forma fria, calma e sem a menor emoção e, ainda, excluir todas as outras considerações da sua consciência. A atitude devocional é mais facilmente cultivada, pois a Mente é, então, centrada na Divindade.
A meditação é o método de, pelo poder espiritual, obter conhecimento de coisas com as quais não estamos normalmente familiarizados.
No livro Conceito Rosacruz do Cosmos há um capítulo que apresenta minuciosamente o método de aquisição de Conhecimento Direto, o qual elucida longamente esses pontos, e nós aconselhamos um estudo minucioso daquela parte detalhada nesse livro.
(Pergunta 135 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Mt 6:33
[2] N.T.: Mt 6:33
[3] N.T.: O fariseu e o publicano: Contou ainda esta parábola para alguns que, convencidos de serem justos, desprezavam os outros: “Dois homens subiram ao Templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava interiormente deste modo: ‘Ó Deus, eu te dou graças porque não sou como o resto dos homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem como este publicano; jejuo duas vezes por semana, pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos para o céu, mas batia no peito dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!’ Eu vos digo que este último desceu para casa justificado, o outro não. Pois todo o que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.” (Lc 18:9-14).
Resposta: Por meio da oração tornamo-nos um libertador e um dirigente do poder espiritual. Além disso, inúmeras pessoas tonalizadas e olhando em conjunto, em uma unidade de mútua aspiração, constitui uma combinação para libertação do poder espiritual muito maior do que se orassem isoladamente. Maior poder liberta-se por meio de um grupo e, consequentemente, obtém-se maiores resultados. Esse poder não é criado pelo grupo, mas resulta de um fator necessário que é o da oração em grupo. É algo da partilha do esforço de cada um que permite ao grupo libertar, utilizar e dirigi-lo para finalidades dignas. Quando o espírito de poder superior sincero e consagrado de uma pessoa se adiciona à de outra e, ainda, a de uma outra o resultado, em aritmética espiritual, não é a adição, mas uma multiplicação satisfatória, generosa e maravilhosa, pronto para ser empregado na solução de qualquer problema presente.
Entretanto, o que realmente acontece na atividade de orar? Qual o princípio envolvido? Quais as pessoas que poderão formar esse grupo? Para o que deve esse grupo orar? Como conduzir tais grupos? Consideremos essas perguntas:
O que acontece?
Várias pessoas unidas, em consonância, atuam umas com as outras, fundindo suas energias numa consciência de grupo, daí tornando-se um instrumento para geração de um poder espiritual muito maior do que aquele que poderia ser obtido isoladamente. Por meio da profunda realização de cada um, a unidade de esforços põe em movimento dinâmico as energias espirituais invocadas. Conforme é dito no Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz: “Se alguém se absorve numa intensa súplica a um poder superior, sua aura parece afunilar-se em forma muito semelhante à parte inferior da tromba marinha. Essa forma eleva-se no espaço a grande distância, e sintonizando-se com as vibrações do Cristo, do Mundo Interplanetário do Espírito de Vida, atrai para si uma Força Divina que penetra na pessoa ou no grupo de pessoas, e vivifica o pensamento-forma que elas criaram. Desse modo, o fim pelo qual se reuniram será atingido”.
Qual o princípio evidente?
Qualquer grupo com um objeto espiritual comum pode orar efetivamente em conjunto, porém seus esforços combinados serão mais poderosos se os membros entre si se tonalizarem astrologicamente. Empresários, empresárias, maridos, esposas, donas de casa, fazendeiros, fazendeiras, estudantes, professores, professoras, pessoas jovens e idosas, quaisquer grupos em que os corações de seus membros sintam a necessidade de servir, podem lealmente unirem-se em oração. E mais: podemos dizer que essa congregação será espontânea, resultado do impulso interno de cada um em congregar-se com outros. Métodos promocionais para organizarem-se não são aconselháveis, pois muitas vezes uma família pode formar uma pequena unidade, o essencial é que todos tenham um sincero desejo de atingir o objetivo comum.
Quais são as qualificações?
Já que o objetivo principal da oração é – ou deverá ser – estabelecer uma íntima comunhão com Deus, a fim de que a Vida e a Luz Divinas possam fluir e iluminar, permitindo que se cresça à imagem e semelhança de Deus, a pessoa que ora deve antes de qualquer coisa, possuir uma fé verdadeira, unida a um sincero desejo de servir amorosa e desinteressadamente ao irmão e à irmã focando na divina essência oculta em cada um deles, tornando-se um canal para a manifestação de Deus-Poder. Quanto mais possam concentrar-se, acompanhando esse esforço por um intenso sentimento de amor e devoção, mais eficiente será a oração. Além disso, cada membro do grupo deve, de boa vontade, subordinar seus interesses e cuidados pessoais as necessidades do grupo. Isso demonstra o grau de altruísmo necessário para as realizações do grupo.
Por que orar?
A Filosofia Rosacruz nos ensina que o objetivo das nossas orações deve ser de louvor e adoração a Deus. Isto tem a sua razão de ser, pois nossos Corpos de Desejos são formados do material das sete Regiões do Mundo do Desejo em proporção as condições determinadas pela natureza dos nossos pensamentos. Cada pensamento envolve-se em matéria de desejos afim à sua natureza. Tal fato aplica-se aos pensamentos formados e expressos na oração. Se egoístas, eles atraem e envolvem-se nas substâncias das Regiões inferiores do Mundo do Desejo, mas se forem nobres, altruístas na tonalidade das Regiões da Luz Anímica, da Vida Anímica e do Poder Anímico – as Regiões superiores do Mundo do Desejo – da nossa natureza espiritual. “Buscai o Reino de Deus e Sua justiça e resto vos será dado por acréscimo“, eis um ensinamento de Cristo muito aplicável aqui. Quando anuímos com esse ensinamento Cristão, poderemos descansar certos de que todas essas coisas serão alcançadas. Portanto, quando orarmos por alguém, ponhamos todo o nosso coração na súplica a fim de que ele possa permanentemente trilhar o Caminho, encontrando a Verdade e a Vida, para que encontrando-o – “o maior de todos os tesouros” – nenhuma necessidade possa afligi-lo.
Como poderá o grupo ser conduzido?
A oração é íntima e sagrada, necessitando paz e inspiração para torná-la efetiva. Muitos grupos – grandes ou pequenos – beneficiam-se iniciando seus trabalhos por uma curta exposição introdutória ou por uma conversa cuidadosamente dirigida ao longo de linhas espirituais. Assim o “fogo da inspiração” poderá ser melhor aceso efetivamente, e a intensidade de sentimentos poderá ser lograda sendo, dessa forma, atingido o objetivo desejado. A tonalidade geral dessas reuniões deve fundamentar-se sempre nestas palavras: “Onde dois ou três reunirem-se em Meu Nome Eu estarei no meio deles.”
É, naturalmente, desejável que muitos façam esse trabalho espiritual prático. Portanto, poderá haver tantas unidades quanto sejam possíveis. Uma pequena unidade quase sempre trabalha em maior harmonia do que uma grande, pois quanto maior for a unidade de sentimentos, mais poderosa será a energia gerada. Qualquer igreja ou outra organização religiosa onde muitos desejam participar de grupos de oração é bom planejar para um determinado dia, numa semana ou mês, reunirem-se com a duração de uma hora ou mais. No início, a pessoa que está liderando o grupo poderá proferir uma exposição inspiradora para todos, podendo, também, divulgar notícias de grupo menores, aumentando o sentimento de unidade e de desejos para atingirem o objetivo comum. Então, cada pequeno grupo de três ou mais pessoas, que tenham deliberado a trabalhar em conjunto, poderá esgotar o tempo, dedicando-o à sua própria reunião. Ou poderá acontecer o contrário, isto é, deixar a reunião geral por último.
Essa é uma maravilhosa cooperação espiritual. Edifica uma profunda consciência de grupo de valor inegável, e amplia o poder individual, permitindo tocar-se em recursos ocultos jamais percebidos. A participação nessa consciência de grupo pode ser obtida por todos aqueles que estejam dispostos a pôr de lado seus próprios desejos especiais por uns poucos minutos, diariamente, para juntarem-se com outros também desejosos de atingirem o mesmo fim. Representa um alto privilégio para servir, dessa forma, a Cristo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz março/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)