Você já leu ou estudou a Ode à Imortalidade de William Wordsworth[1]? É maravilhoso como experiência da alma. Esse poema foi escrito parcialmente em 1803 e concluído em 1806, há mais de dois séculos; mas, como todas as coisas que valem a pena é sempre novo e aplicável. Sobre os sentimentos que o levaram a escrevê-lo, o autor diz: “Nada foi mais difícil para mim na infância do que admitir a noção da morte como um estado aplicável ao meu próprio ser”.
… Uma criança
Que apenas respire forte,
Enchendo-se de vigor,
Que sabe ela sobre a morte?
“Mas não foi tanto de sentimentos de vivacidade animal que a minha dificuldade veio, mas de uma sensação de indomabilidade do espírito dentro de mim… Muitas vezes era incapaz de pensar nas coisas externas como tendo uma existência externa e comungava com tudo o que via como algo não separado, mas inerente à minha própria natureza imaterial” …
“Aquela vivacidade e esplendor de sonho que investem os objetos e as vistas na infância, cada um, creio eu, se olhar para trás poderá testemunhar”.
“Nos últimos anos deplorei como todos nós temos razão para fazer uma subjugação de caráter oposto e me regozijei com as lembranças expressas nestas linhas”:
IX
(…) Mas, pelas questões obstinadas
De senso e coisas externadas
Distantes de nós, sublimadas;
Vagos temores da Criatura
Nos seguintes versos o autor dá suas ideias sobre a infância, a respeito dessa natureza agindo sobre ele.
I
Houve um tempo em que a relva, a fonte, o rio, a mata
E o horizonte se vestiam
De uma luz grata,
— Visto que assim me pareciam —,
E da opulência que nos sonhos é inata.
Hoje está sendo tal como foi outrora; —
Seja o que for, eu,
Na luz ou breu,
Eu não verei jamais o que se foi embora.
II
O arco-íris vai, vem,
E a rosa nos faz bem;
Alegre, a lua nota
Que o céu está completamente nu; à luz
De estrelas, a água brota
E é belo o que ela reproduz;
A aurora é sempre um nascimento;
E contudo, eu sei muito bem
Que a glória passou por nós em algum momento.
IV
(…), Mas uma, uma Árvore existe,
Uma Planície que em minh’alma inda persiste,
Lembrando o que se foi e hoje e me deixa triste:
E o Amor-Perfeito
Diz: Que foi feito
Do vislumbre visionário?
Dos sonhos? Do esplendor vário??
Acima estão os fatos que perturbam o poeta e as questões que as contemplações desses fatos geram. Com a verdadeira intuição de poeta, ele passa a explicar o assunto (versos 59 a 72):
V
Nosso nascer não passa de sono e de oblívio:
A Alma que nasce com nós, nosso Astro Vital,
Vive longe de onde vive o
Trajeto de seu fanal;
Não no esquecimento inteiro
Nem na nudez por inteiro,
Mas, arrastando nuvens de glória, viemos
De Deus — nele vivemos —:
É o Céu que a nós circunda e a nossa meninice!
As sombras da prisão começam a cobrir
O Menino que cresce;
Mas ele vê a luz, sabe aonde ela vai ir
E sabe que ela o acresce;
A Juventude, em sacerdócio à Natureza,
Viaja ao Leste numa empresa
Guiada pela
Visão mais bela;
E ao largo o Homem vê que sua vida acaba
E que na luz do hábito ela enfim desaba.
VI
A Terra enche o colo com prazeres seus;
A Terra possui ânsias que ela mesma mantém,
E, possuindo um algo maternal também,
E honesta em seu intuito,
A Terra, ama-de-leite, empenha-se
P’ra que o filho adotivo, a Humanidade, abstenha-se
De todos seus apogeus
E do que nele for trajetória e for muito.
VIII
Você, cujo semblante exterior desmente
Teu valor inerente;
Você, grande Filósofo, que mantém ainda
A herança; você, que é a Visão entre a cegueira,
Que, surdo e mudo, lê a profundeza infinda
Sempre assombrada pela mente altaneira, —
Ó Vidente! Ó Profeta!
Que a verdade afeta
E a quem nós procuramos de qualquer maneira,
Por toda a vida, presos no escuro da cova;
Você, sobre quem flui a Fonte da Existência
Que escraviza ao mesmo tempo que renova,
Algo impossível de se ignorar a presença;
A quem a cova
É cama solitária sem sentido ou luz
Do que lá fora luz,
Um lugar onde se descansa e onde se pensa;
Você, Criança, ainda ilustre na amplitude
Da aérea liberdade de tua atitude,
P’ra quê, com dores tão solenes, provocar
Os anos a te darem o que eles vão te dar,
Assim tão cega e santa imersa na batalha?
Não tarda e teu espírito cai no retardo
De uma rotina que imporá a ti um fardo
Que pese e quase como a vida se equivalha!
Não é de se admirar que Cristo disse: “a menos que se tornem como uma criança, de maneira nenhuma entrareis no Reino dos Céus”. Na verdade, as criancinhas ao nosso redor, que recentemente deixaram o Mundo Celeste, ainda têm esse estado agarrado a elas; elas estão real e verdadeiramente parcialmente no Céu. Para elas, toda a natureza externa parece fazer parte do seu próprio ser; não há uma compreensão nelas deste mundo e do que tudo isso significa. Sua gloriosa imaginação torna real tudo o que elas veem a seu respeito, da maneira que desejam.
Aqui em Mount Ecclesia esses fatos são apresentados a nós todos os dias por nosso pequeno e maravilhoso mascote, Herman Miller. “Poderoso Profeta! Vidente abençoado!” se aplica a ele em todos os detalhes; há para ele uma luz no mundo que não brilha para nenhum de nós e ele é uma fonte constante de admiração para todos aqui. De acordo com nosso conhecimento do fato de que o seu Corpo Vital ainda não foi formado e não será concluído até o sétimo ano de vida, não nos esforçamos para lhe ensinar coisa alguma, mas ele se interessa por muitas coisas curiosas, que lhe dão experiência e ensino; isso é mais do que poderia ser transmitido pelo esforço de enchê-lo com algo que já preparamos e que estamos fadados a enfiar em sua garganta, seja ele capaz de engolir ou não.
Esse método de enfiar informação nas crianças para torná-las precoces infelizmente resulta, muitas vezes, em atrofiamento para o resto da vida. Durante aqueles primeiros sete anos, a contraparte do Corpo Vital, que está, então, em processo de gestação (a saber, o Espírito de Vida), atua através da criança como uma imaginação poderosa e ensina pela intuição o que ela deve saber, de um modo muito mais eficiente do que nosso melhor currículo poderia ser.
Herman tem uma pequena carroça de quatro rodas com pedais que ele empurra e por vários meses ele a chamou de seu Ford; mas em agosto passado, quando uma família veio de North Yakima para Mount Ecclesia, Herman começou a ter novas ideias, observando o automóvel Overland do Sr. Swigart e andando nele, além de ter observado como se lubrificava e cuidava daquele automóvel. A primeira coisa que notou foi que era preciso encher os pneus. Imediatamente ele pegou de um dos jardineiros uma velha bomba que tinha sido usada para borrifar água nas flores do jardim. Seu “Ford” havia adquirido pneus imediatamente e agora era necessário enchê-los com frequência para que o “Ford” andasse melhor.
Ele tem a qualidade de “tempo musical” com perfeição e pode imitar quase qualquer som mecânico, entre outros o barulho de um motor à gasolina e é um verdadeiro prazer ouvi-lo ligar o motor. Primeiro, os ruídos espasmódicos e separados que imitam as primeiras explosões; depois, o estágio laborioso e lento da explosão; finalmente, conforme o motor ganha velocidade, as explosões tornam-se mais regulares, frequentes e menos trabalhosas; ele faz tudo com perfeição, de modo que quase se acreditaria que ele deu partida em um motor de verdade.
O automóvel Overland do Sr. Swigart tinha um arranque automático e luzes elétricas. Imediatamente Herman foi até Roy, nosso impressor e eletricista, e lhe pediu uma velha bateria elétrica. Isso ele instalou em seu “Ford”; além disso, ganhou uma lâmpada velha e queimada para fazer a luz elétrica, mais um fusível que seria a chave. Em seguida, seu “Ford” foi equipado com as melhorias mais recentes. Mas, aconteceu que o Sr. Swigart queimou o interruptor em uma viagem e imediatamente o “Ford” de Herman desenvolveu os mesmos sintomas. Ele começou a queimar o interruptor de sua partida elétrica regularmente; ele sempre foi, no entanto, capaz de consertar e fazer funcionar. Para todos os efeitos, no que lhe diz respeito, aquela pequena carroça é um carro moderno e de primeira classe, equipado com todas as melhorias modernas, no qual ele anda todos os dias. De manhã, ele sai apressado e pega seu “Ford” na garagem; então ele caminha para o refeitório; ali ele para e toma seu café da manhã; em seguida, ele dá uma volta pelo terreno e, às vezes, o usa como um caminhão para recolher pedras para a Sra. Heindel, que ele então deposita em pilhas na esquina das estradas. Ao meio-dia ou à noite ele é sempre visto no refeitório com seu “Ford”, que fica do lado de fora, esperando por ele até que ele termine sua refeição.
Há apenas um problema em seu “Ford”; apenas um detalhe em que é inferior: não sobe colinas ou ladeiras. Outro dia ele conheceu o homem da garagem, que vinha levar alguns passageiros para o depósito. Esse homem estava intensamente interessado em sua ideia mecânica e deu-lhe um livro com fotos, mostrando as várias partes do motor. Ficamos muito surpresos outro dia, quando Herman apareceu e nos disse que agora ele conhecia tudo sobre motores; sabia como iniciá-los e gerenciá-los. Ele então nos mostrou na foto o que era a embreagem, o freio, o botão de arranque e o botão magneto. Em seguida, foi questionado sobre como ligaria a máquina; imediatamente disse que pressionaria o botão do magneto (ele sabia a diferença entre este botão e o da lâmpada), o botão de arranque, tiraria o pé do freio e soltaria a embreagem. Ele havia estudado todo o problema sozinho e certamente ficamos mais do que surpresos, pois ele estava certo em todos os detalhes.
Bem, é uma velha história a de que toda mãe pense que seu ganso seja um cisne. Nós, em Mount Ecclesia, certamente desejamos algo de Herman, quando ele crescer, e acreditamos que, ao deixá-lo passear pelos primeiros anos da sua vida sem treinamento sistemático algum, ao mesmo tempo respondendo a todas as suas muitas perguntas como responderíamos a uma pessoa adulta, tratando seus problemas com a mesma consideração séria que daríamos a um adulto, ele aprenderá a recorrer a essa maravilhosa fonte de imaginação e intuição, a contraparte do Corpo Vital, o Espírito de Vida, a imaginação e intuição agora cultivadas não o deixarão nos anos posteriores, mas o capacitarão a visualizar as coisas que ainda estão nos Mundo espirituais e trazê-las para o reino material, como fazem todos os inventores.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro de 1916 e traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: William Wordsworth (1770 – 1850) foi um dos maiores poetas e escritores do Romantismo inglês. Os trechos abaixo é do poema Ode: Intimations of Immortality. Uma das obras-primas de Wordsworth, a ode canta a compreensão comovente do narrador maduro de que a relação especial da infância com a natureza e a experiência se perdeu para sempre, embora a memória inconsciente desse estado de ser permanece uma fonte de sabedoria no mundo. O poema de 11 estrofes foi escrito no estilo da ode Pindárica irregular.
Segunda-feira, 6 de janeiro, às 8:25 da noite, o Sr. Max Heindel foi chamado para o além. Ele estava se sentindo muito bem até algumas horas antes, estava de pé em frente à mesa da Sra. Heindel esperando uma sugestão dela sobre uma carta que havia escrito. Ele caiu lentamente no chão com um golpe de apoplexia, enquanto sorria para ela, e não recuperou a consciência completa.
Seu falecimento não foi totalmente inesperado para a Sra. Heindel, conhecendo sua condição física há anos, e que sua grande persistência e vida pura possibilitaram que ele prolongasse sua permanência em um corpo que era pequeno demais para o grande espírito que havia sofrido por anos por causa de um ferimento no pé esquerdo quando criança, e maus-tratos dos médicos que retiraram todas as artérias principais e mutilaram o osso, atrapalhando a circulação perfeita. Mas ele estava sempre sorrindo, nunca reclamando, embora raramente estivesse livre da dor.
Ele estava muito feliz em sentir que agora o trabalho havia alcançado o estágio em que ele e a Sra. Heindel poderiam deixar Mount Ecclesia, que havia membros e trabalhadores fiéis à Fraternidade Rosacruz e eficientes que agora podiam cuidar do movimento Rosacruz em rápido crescimento, poderiam atender às solicitações de livros, também poderia cuidar das correspondências, etc. Enquanto muitos Probacionistas e Discípulos já estavam espalhando a mensagem dos Irmãos Maiores por meio das palestras e conferências, ele estava pensando em começar, no início de abril, uma viagem para o leste e para a Inglaterra, mas Deus tinha um trabalho maior para ele fazer.
(Publicado na Revista Rays from the Rosecross de março de 1919 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
O passamento de Max Heindel
Relato de Augusta Foss Heindel
“Sábado à tarde, dia 4 de janeiro, tínhamos a nossa celebração retardada de Ano Novo. Alguns de nossos amigos das cidades vizinhas estiveram presentes para celebrar conosco e a biblioteca estava cheia de rostos alegres. Nesta noite, Max Heindel era o mais animado de todos e cantou várias canções com sua profunda e melodiosa voz. Uma canção de que ele gostava muito era “Ben Bolt”. No domingo e na segunda-feira ele estava muito quieto e pensativo, trabalhando para organizar os seus papéis. Estava desejoso que a autora lhe fizesse companhia no seu escritório. No seu último dia de vida (6 de janeiro de 1919), por várias vezes pediu à autora, que se sentasse ao seu lado para conversar. Quando ela lhe respondia que não desejava atrapalhar o seu trabalho, ele respondia: “Mas eu gosto muito de tê-la por perto, adoro suas visitas.”. Alguns minutos depois das 16 horas ele entrou no escritório dela com uma carta que havia escrito ao agente postal. Tratava-se de um requerimento para o correio organizar um sistema de entrega diária para Mount Ecclesia. Ele sempre fazia questão de ouvir a opinião da autora sobre qualquer coisa que lhe ocupava a atenção.
Enquanto a Sra. Heindel lia aquela carta, ele permaneceu próximo a ela apoiando a mão na escrivaninha. De repente ele deslizou para o solo, caindo ao seu lado. Era uma queda estranha, pois parecia que mãos invisíveis cuidavam da sua queda, permitindo que deslizasse suavemente. Quando ela se debruçou sobre ele, suas últimas palavras foram: “Estou bem, querida”. Em seguida perdeu a consciência, sendo carregado para o quarto dele, adjacente aos escritórios. Os funcionários fizeram na Pró-Eclésia (capela) uma reunião de cura por ele. A autora permaneceu ao seu lado, e em torno das oito horas ele abriu os olhos, sorriu para ela, e partiu da sua morada terrestre para outra morada no lar de Deus.
O mais notável em torno da sua passagem foi que o seu veículo físico manteve sua aparência perfeita mesmo sem estar refrigerado (e naturalmente sem líquido de embalsamamento). Permaneceu tão natural durante três dias e meio que alguns amigos recearam que ele não estivesse morto. Suas bochechas mantiveram a cor que tinham quando ele ainda vivia. A autora havia decidido que, se não houvesse nenhuma mudança no estado do corpo até chegar ao crematório de San Diego, eles o guardariam por vários dias; mas isso não foi preciso, pois enquanto na Capela liam o ritual, Max Heindel apareceu à autora, para assegurar-lhe que tudo estava em ordem. O corpo foi então cremado e as cinzas jogadas nas raízes da roseira e nos pés da Cruz do Símbolo Rosacruz.
Alguns amigos levantaram a questão: “Não seria possível que Max Heindel estivesse ciente da sua morte próxima?” Durante várias semanas antes do acontecido, calculávamos juntos as Efemérides para o ano de 1920 e dividíamos os trabalhos: ele, calculando as longitudes e a autora as declinações. Porém, desta vez, Max Heindel começou a insistir com a autora para ela calculasse as Efemérides inteira. Um dia ela perguntou: “Querido, por que motivo você me está pedindo para fazer este trabalho sozinha? Você pensa que vai me deixar?”. E ele respondeu: “Não querida, eu só quero poder dizer às pessoas que você fez sozinha estas Efemérides toda. Quero que elas se orgulhem de você.”. Esta solicitude e a preparação cuidadosa continuou por várias semanas antes que fosse chamado. Todos os seus papeis estavam cuidadosamente ordenados. Dois meses antes de morrer, ele encontrou-se com seu advogado em San Diego para tratar de alguns documentos. Lá, sem mencionar que tinha essa intenção transferiu como doação, todos os direitos autorais, incluindo as gravuras, para o nome da autora. Em anos posteriores, este gesto foi de grande valia, pois significou a salvação de Mount Ecclesia e a continuidade do trabalho da Fraternidade Rosacruz.
Quando seu testamento foi analisado, constatou-se que o terreno tinha sido adquirido por ele antes que a Fraternidade fosse incorporada. Na escritura ele afirmou que tinha adquirido este terreno para a Fraternidade na condição de curador. Quando a escritura foi discutida e o testamento autenticado, o Juiz decidiu que, como não tinha havido incorporação na ocasião de autenticação do testamento, o terreno pertencia a Sra. Heindel e seus herdeiros.
O testamento foi aprovado em 1919, e em 1920 a autora doou as terras para a Fraternidade Rosacruz. Hoje a Fraternidade tem a posse legal de todos os cinquenta acres que compõem a Sede Central (Mount Ecclesia).
Sempre houve muita especulação em torno da continuidade dos trabalhos depois que Max Heindel e Augusta Heindel fossem para o grande além. Numerosos esforços foram feitos, com Max Heindel ainda vivo, para se ter o controle de todas as publicações como também da Fraternidade. E quando se perguntava a Max Heindel quem seria o líder em Mount Ecclesia quando o casal Heindel tivesse partido, a resposta dele sempre era a mesma: aqui não haverá líderes; o Conselho Diretor se encarregaria da direção de todo o trabalho que então estaria sob a sua responsabilidade direta.”.
Memoirs about Max Heindel and The Rosicrucian Fellowship
Augusta Foss Heindel foi uma dessas raras pessoas, em cuja existência as coisas do Espírito ocuparam sempre um lugar preponderante.
Uniu-se a Max Heindel em 1910, cumprindo juntos, uma enobrecedora missão. Foi uma união de duas almas sensíveis ao sofrimento humano, e dispostas a laborar para atenuá-lo. Sua participação na fundação da Sede Mundial e em tudo o que foi empreendido, posteriormente, foi mais que decisiva.
Max Heindel e Augusta foram obrigados a assumir grandes responsabilidades, em face das dificuldades inerentes a uma Obra de caráter pioneiro. No início, como relatou o fundador da Fraternidade, parecia faltar-lhes fôlego e forças para prosseguirem. Mas, sem deixar-se abater, foram aos poucos acumulando experiências, que lhes permitiam, com segurança, assentar as bases da Escola Preparatória dos Rosacruzes.
Em 1919, após anos de grandes esforços, que lhe exauriram a própria saúde física, Max Heindel passava para o além. Augusta deu continuidade a sua Obra, revelando uma incomum capacidade de trabalho. Suas cartas, suas palestras, seus artigos publicados na Revista Rays from The Rose Cross constituíram uma semeadura de sabedoria.
Sintonizada com os mais elevados ideais dos Irmãos Maiores manteve-se inabalavelmente zelosa, no cumprimento das normas estabelecidas para a Fraternidade Rosacruz, de desempenhar o relevante papel Espiritual que lhe cabe no mundo.
Sabe-se que foi uma Iniciada na Ordem Rosacruz. Porém, jamais fez uso próprio dessa privilegiada condição. Jamais reivindicou honrarias ou posições de liderança. Suas mensagens procuravam sempre orientar e estimular o trabalho de equipe, onde as qualidades individuais pudessem se completar, e os esforços se somarem em torno de objetivos comuns. Sempre os fez com humilde simplicidade.
Augusta realçava e exemplificava a importância da liberdade individual, dentro do movimento a que se consagrou. Sempre fez ver como a Escola Rosacruz respeita essa prerrogativa, ao invés de impor seus princípios, quando muito indicando, sugerindo e mostrando alternativas. O exemplo maior quanto a esse comportamento, parte dos próprios Irmãos Maiores, que “nunca dão ordens, não censuram e nem elogiam”. Não fazem pelo Aspirante o que este pode e deve fazer por si mesmo. É mais sábio ensinar “alguém a plantar do que dar-lhe alimentos”, parafraseando um milenar provérbio chinês.
Após o passamento de seu querido esposo, Augusta, ainda por trinta anos, trabalhou incansavelmente em Mount Ecclesia, deixando em tudo a marca de seu coração amoroso.
Desencarnou em 1949, após infundir-se e consumir-se inteiramente nessa Obra, como o sal no alimento, deixando para sempre o sabor de sua iluminada colaboração.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Max Heindel
Hoje em dia, muitas pessoas, geralmente, olham para o oriente, quando empreendem a busca pela Luz Mística. No entanto, na verdade, o curso das estrelas é do leste ao oeste e os doadores de luz celestiais acima, assim como os lugares de luz terrestre, abaixo, são periodicamente movidos em direção ao oeste. Os sábios do Oriente, mencionados na Bíblia, não olharam para o leste em busca da estrela, mas a seguiram e foram com ela para o oeste. No antigo Templo de Mistério da Atlântida, chamado de Tabernáculo no Deserto, havia uma luz dentro do portão oriental, por onde o Aspirante entrava. Ele estava então voltado para o oeste e via a luz lá dentro; ou seja, a luz no Altar dos Sacrifícios.
Ele estava cego e procurando a luz; esta luz o confronta quando olha para o Ocidente. A lei era seu vigia para trazê-lo à luz que, então, brilhava para sua orientação; enquanto ele a seguia em sua jornada e caminhava para o oeste, em direção ao primeiro véu, outra luz aparecia: o Candelabro de Sete Braços no Lugar Santo. Esta era uma luz mais pura e sagrada do que a luz do Altar dos Sacrifícios, onde o fogo era alimentado com as carcaças fumegantes e sangrentas dos sacrifícios. A luz do Lugar Santo era alimentada com o mais puro azeite de oliva, feito especialmente para esse fim; portanto, era uma luz de ordem superior, acima daquela das carcaças que queimavam ao lado de fora. No entanto, o candidato prosseguia mais para o Oeste e, quando ele chegava à parte mais ocidental de todas, o Santo dos Santos, havia escuridão aparente onde estava a Arca da Aliança; mas acima dela havia uma luz espiritual, mencionada na Bíblia como a “Glória de Shekinah”, pairando sobre a Arca como o símbolo do ser humano purificado. Enquanto ele estava no portão leste e a luz brilhava resultado do Altar dos Sacrifícios, o Aspirante estava sem a lei dentro dele e obedecia à lei externa como se ela fosse um seu feitor.
Já nessa extremidade ocidental do Tabernáculo ele encontrava a Arca da Aliança com as tábuas da lei dentro dela, símbolo do fato de que o ser humano que chegou àquela altura tem dentro de si todas as leis da natureza e é um com elas. Portanto, ele as obedece prontamente; elas não são para ele um vigia e ele não agiria contrário a elas, mesmo se pudesse. O Pote de Ouro de Maná, simbolizando o pão que desceu do céu, o Cristo Interno, nos fornece outra chave para decifrar a natureza deste símbolo. A Vara de Aarão, com a qual operou os milagres no Egito, é como a lança do Graal, um símbolo do poder espiritual que pode ser empunhado por um ser humano que atingiu aquela Luz Espiritual do Oeste.
Contudo, o propósito dessa conquista é, e deve ser sempre, o serviço; portanto, as varas estavam sempre colocados nos anéis da Arca, para que ela pudesse ser movida a qualquer momento. Da mesma forma, o homem ou mulher elevado espiritualmente em quem brilha aquela maravilhosa Glória de Shekinah e que tem dentro de si as tábuas da lei, o Maná que caiu do Céu e a Varas Sagradas, está alerta ao menor chamado de serviço, para que ele ou ela possa se apressar em aliviar o sofrimento de seus irmãos e irmãs que estão para trás no Caminho da Evolução, em direção ao Oriente.
Também, sabemos que há seiscentos ou setecentos anos A.C. uma nova onda de espiritualidade iniciou-se nas margens ocidentais do Oceano Pacífico, para iluminar a nação chinesa. Hoje em dia, milhões de habitantes do Celeste Império professam a religião de Confúcio. Notamos o efeito posterior dessa onda na religiãode Buda, um ensinamento destinado a despertar as aspirações de milhões de hindus e chineses ocidentais. Em seu curso para Oeste, surge entre os gregos mais intelectuais, nas filosofias elevadas de Pitágoras e Platão, e por último, invade o mundo ocidental e alcança os precursores da Raça humana, onde assume a elevada forma da Religião Cristã.
O Cristianismo abriu gradualmente seu caminho para Oeste até a costa do Oceano Pacífico, onde vem reunindo e concentrando as aspirações espirituais. Ali alcançará um ponto culminante, antes de prosseguir através do Oceano para inaugurar no Oriente um despertar mais elevado e mais nobre, muito mais do que existente até agora nessa parte da Terra.
Esses são fatos místicos e a visão do autor os percebeu corretamente. Tudo muda à medida que vamos do Leste para o Oeste para promover o desenvolvimento do novo atributo que devemos desenvolver nesta Era de Peixes, para que a Era vindoura, a de Aquário, possa ser utilizada por quem esteja pronto.
Quando o autor foi para a Alemanha, em 1907, ele sentiu, de forma mais aguda, a opressão do Espírito-Grupo ali, como uma nuvem sobre a Terra, segurando o povo em suas garras. Assim como está registrado que nos tempos antigos Jeová foi à frente dos israelitas e estava como numa nuvem, assim o Espírito-Grupo das nações governa o seu próprio povo, refletindo sobre ele e desenvolvendo nele certas características. Portanto, as características dos europeus persistem, apesar da frequência crescente de casamentos internacionais, porque o Espírito-Grupo invariavelmente marca sua prole. Na América é diferente; esse é o caldeirão e nenhum Espírito-Grupo foi desenvolvido para guiar este lugar. Uma nova classe de Egos está renascendo, com traços de caráter e qualidades diferentes das que existem entre as pessoas mais velhas.
Quando investigamos as condições climáticas, também descobrimos que há uma grande diferença entre a atmosfera da América e da Europa; a atmosfera da América é elétrica e, particularmente no sul do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, o Éter é abundante em grau nunca experimentado em qualquer lugar da Terra. Isso tem um efeito muito brilhante sobre as pessoas que vivem nos diferentes países e o escritor não pode ilustrar tal característica de maneira melhor do que relatando um certo incidente e uma conversa que aconteceu no Templo da Rosacruz na Alemanha, que ele visitou, por ser convidado, para receber os ensinamentos incorporados no Conceito Rosacruz do Cosmos.
Por meio de um trabalho incessante dia e noite, por muito tempo, o autor conseguira fazer um esboço da filosofia. Isso, ele mostrou aos Irmãos Maiores, que o estavam instruindo, mas seu entusiasmo logo esfriou quando lhe disseram que, embora agora estivesse muito satisfeito com o resultado, assim que chegasse aos Estados Unidos, a atmosfera elétrica da América o faria olhar para as coisas de maneira diferente, que ele iria reescrever e tornar completamente distinto; ele supunha que isso fosse absolutamente impossível, na época; porém os Irmãos Maiores então disseram.
“Você foi convidado a vir para a Alemanha porque a atmosfera deste local, pesada, carregada pelo Espírito-Grupo, leva à persistência e perseverança, favorecendo a concentração, o pensamento profundo e uma grande percepção. Só aqui o esqueleto para tal livro poderia ser escrito; mas para terminá-lo e dar a ele um traço de vida que deve ter para lhe tornar sucesso entre as massas, a atmosfera elétrica da América é necessária”.
A atitude mental de um alemão, devido ao Espírito-Grupo na atmosfera, pode ser comparada a um ser humano que viaja de Berlim a Paris em diligência; vai levar muito tempo para chegar, mas no caminho ele vê pessoas de diferentes nações e se familiariza com cada passo da estrada, percebendo a paisagem e se familiarizado totalmente a cada passo do caminho, de modo que possa dar uma boa descrição, se ele depois precisar. Os processos mentais na América também são como seus métodos de viagem. Quando deseja ir de um lugar na América para outro lugar também na América, ele dorme à noite para não perder qualquer uma das preciosas horas comerciais da luz do dia, corre pelo país a uma velocidade a mais que ele possa e chega ao seu destino na madrugada do dia seguinte; ele não sabe coisa alguma dos locais por onde passou, mas chegou rápido: esse é o ponto essencial.
Vamos a um exemplo: um alemão teria usado, pelo menos, dois volumes para expressar sua opinião sobre todos os detalhes do projeto do Canal do Panamá. O presidente Roosevelt cobriu bem o assunto em um único discurso; ele chegou ao destino sem todos os detalhes.
Em outra ocasião, quando a questão da Sede Mundial estava em discussão, o escritor foi instruído a procurar um lugar com vista para o Oceano Pacífico, no sul do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, tendo ao fundo montanhas cobertas de neve. Tentamos primeiro comprar um lugar que parecia se adequar à descrição, em parte; mas os obstáculos foram se acumulando de modo que não pudemos aperfeiçoar a compra. Então Mt. Ecclesia foi encontrada e imediatamente reconhecida pelos Irmãos Maiores como cumprindo todas as condições exigidas.
O número de prédios está aumentando, o jardim está ficando mais bonito ano após ano. Este local já se tornou um destino para Estudantes Rosacruzes de muitos lugares que vêm aqui para reunir inspirações e levar de volta para suas casas a luz recebida aqui; com o passar do tempo, não podemos esperar que isso possa, de fato, tornar-se um centro de grande influência espiritual na obra do mundo. Vamos puxar o vagão das aspirações para entregá-lo à Estrela da Esperança; quanto mais elevado for o nosso ideal, melhor talvez vivamos de acordo com ele.
Uma coisa é certa — o templo espiritual que estamos construindo com nossas esperanças e aspirações, ao redor do santuário terrestre que já erigimos, está gradualmente crescendo mais e se tornando mais bonito, luminoso e mais parecido com aquele templo admirável que Manson descreve tão eloquentemente em O Servo da Casa. Pela Graça de Deus continuaremos na alegria e no contentamento. Como disse Manson: “Descobrimos ser verdade que, às vezes, o trabalho continua na escuridão quase total; mas ocasionalmente chegam os raios de esperança, as nuvens se desmancham e o sol da alegria e contentamento brilha para aliviar a carga”. Contudo, quer estejamos construindo nas trevas ou na luz ofuscante, é algo que podemos dizer: nunca cessamos em nossa persistência incansável. Ajudados pelas aspirações de milhares de Estudantes Rosacruzes mentalmente centrados neste lugar, o trabalho prossegue com alegria ou tristeza e, algum dia, a visão será realizada e Mt. Ecclesia, a sede da Fraternidade Rosacruz, dará sua cota total de luz para “o mundo que espera”.
Como o Sol, por precessão, está se aproximando da cúspide do Signo de Aquário, as influências uranianas e netunianas estão ficando cada vez mais fortes. Pessoas em todo o mundo estão atualmente sendo atraídas para o lado espiritual da sua natureza de uma forma, e com uma força, nunca vista. A onda do materialismo e do dogmatismo, tanto o religioso quanto o científico, está gradualmente recuando e, em seu lugar, este novo raio estelar está trazendo mais luz, mais amor pela Humanidade.
A necessidade do ser humano é a oportunidade de Deus e não demorará muito para encontrar, aqueles que agora estão se preparando para a tarefa através do estudo adequado e de uma vida consagrada, um público pronto entre os povos onde anteriormente o prazer mundano era o objetivo principal da vida. Possa cada um que vê a luz mística aproveitar a oportunidade de se preparar adequadamente para o grande privilégio de levar luz aos povos e colher, assim, o óleo da alegria como a recompensa, ganhando oportunidades cada vez maiores de serviço no futuro, pelo trabalho do presente.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de junho/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Novembro de 1911
Esse mês me afasto da minha prática habitual de dedicar exclusivamente a revisão da Carta ao Estudante da lição do mês anterior, para que possa lhes contar sobre a cerimônia que tivemos em Mt. Ecclesia no dia 28, quando iniciamos as obras da primeira construção no terreno da nossa Sede permanente. Tenho certeza de que todos estavam conosco em espírito, que estão ansiosos por saber notícias a este respeito, e sei que o discurso que faremos nos proporcionará um contato mais próximo.
Nossa primeira ideia era abdicar de qualquer exposição ou cerimônia externa. Queríamos evitar todas as despesas desnecessárias, pois, os nossos recursos atuais não são suficientes para terminar construção interna do edifício, e teremos que ser parcimoniosos, por algum tempo, até que as circunstâncias nos sejam mais favoráveis.
A minha intenção era ir lá sozinho e realizar o serviço mentalmente, mas me pareceu um tanto frio, apático, desanimado e desolador não ter um amigo presente para se regozijar comigo naquela ocasião importantíssima, nem sequer a minha querida companheira de trabalho – Sra. Augusta Foss Heindel. Além disso, como esse é um assunto muito importante da Fraternidade Rosacruz e não um assunto pessoal, senti que a oportunidade de participar deveria ser dada aos membros. O pensamento cresceu em mim até que decidi submeter ao conselho do Mestre; e que cordialmente o aprovou, e então, fizemos uma celebração de maneira simples, mas apropriada, e enviamos convites aos amigos que estavam mais próximos.
Erigimos uma grande cruz do mesmo estilo do nosso Símbolo, e nos três extremos superiores pintamos, em letras douradas, as iniciais: C R C. Como sabem, essas letras representam o nome simbólico de nosso grande Líder, definido em nosso Símbolo como Christian Rosenkreuz, que transmite uma ideia de beleza e de uma vida superior, muito diferente da escuridão ou do lugar sombrio da morte, geralmente associada à cruz na cor preta.
Ao mesmo tempo que escavávamos o terreno para o início da construção, decidimos fixar essa cruz e plantar uma roseira trepadeira, para que simbolizassem a vida verdejante dos diferentes Reinos de vida viajando para esferas superiores ao longo do caminho em espiral da evolução.
No dia 27, a Sra. Augusta Foss Heindel e eu partimos para Oceanside, já próximos à exaustão pelo esforço em nos locomover para empacotar tudo. Caíram as primeiras chuvas da estação e, por isso, ficamos apreensivos sobre o efeito dela na cerimônia; mas, ao olharmos para as montanhas quase escondidas pelas nuvens no leste, vimos o maior e mais glorioso arco-íris que jamais tínhamos visto – na verdade, um duplo arco-íris – cuja sua base meridional parecia estar diretamente sobre Mt. Ecclesia.
Nossa responsabilidade em ajudar milhares de corações cansados para que possam suportar seus fardos com bravura tem, frequentemente, parecida estar além das nossas forças; no entanto, sempre encontramos nossas forças renovadas, quando olhando para dentro; e dessa vez parecia que toda a Natureza queria nos alentar, dizendo: “Coragem, lembrem-se que o Trabalho não é vosso, mas de Deus; confiai inteiramente n’Ele; Ele apontará o caminho”. Assim, nos demos as mãos e tomamos um novo ânimo com as novas forças para continuarmos com a bela obra, da qual Mt. Ecclesia há de ser o centro.
O dia da cerimônia foi um dia perfeito na Califórnia; o Sol brilhava num céu sem nuvens. Para onde quer que dirigíssemos o olhar a partir de Mount Ecclesia, oceanos, vales e montanhas pareciam sorrir. Tanto os trabalhadores quanto os membros visitantes estavam extasiados ante a beleza incomparável do local da Sede. Aqueles que estão presentes foram: Annie R. Atwood, de San Diego; Ruth E. Beach, de Portland, OR; Rachel M. Cunningham, Rudolf Miller e John Adams, de Los Angeles; George Kramer, de Pittsburgh, PA; Wm. M. Patterson, de Seattle, WA; Sra. Heindel e eu.
Na hora marcada, iniciei a escavação no terreno para construir a Sede. Todos ajudaram a escavar para colocar a cruz, que foi fixada por Wm. Patterson. A Sra. Augusta Foss Heindel plantou a roseira, que depois foi regada por todos os presentes. Que ela cresça e que floresça para adornar o despojar da cruz e ser a inspiração para a pureza de vida que apagará todos os pecados passados, não importa quão escura possa ter sido a vida. A alocução – como deveria ter sido feito – constitui a lição desse mês. As circunstâncias ocasionaram algumas modificações.
(Carta nº 12 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Embora o corpo estudantil da Fraternidade Rosacruz esteja espalhado pelo mundo, livre de juramentos ou promessas no que diz respeito à sua conexão com a Fraternidade Rosacruz, o poder titânico da ardente aspiração une tudo em um propósito comum: construir, “sem o som de martelo”, o templo da alma que é a verdadeira Ecclesia. Portanto, eles olham para o Mount Ecclesia como o foco físico das forças que visam levar todos à estatura de Cristo, o “Amigo do Homem”, e todos estão ansiosos por notícias das atividades na Sede, particularmente no que diz respeito à Escola de Filosofia e Cura que, agora, estão prestes a abrir. Há pouco espaço nas cartas e lições para conter os ensinamentos; portanto, essa pequena folha será dedicada a “novidades”. Mantenhamo-la! Anos mais tarde, quando teremos grandes jornais e revistas, terá valor como uma lembrança dos “primeiros dias”.
Muitos pensam que todos os que se envolvem em atividades espirituais são parasitas que não fazem nada, além de flutuar na terra nebulosa e meditar. Se essas pessoas pudessem ouvir a fumaça do nosso motor, o ranger das prensas, o clique das máquinas de escrever, com o som acrescentado do martelo de carpinteiro, elas logo constatariam a veracidade da frase conhecida: o edifício do templo é incompatível com ambos, a preguiça e o silêncio. Mount Ecclesia é o último lugar no mundo para um sonhador preguiçoso.
Todos, de Max Heindel até a última pessoa que aqui chegou, trabalham duro de sol a sol. Trabalhamos tanto fisicamente como mentalmente, e não há como fugir do “barulho”; esse é o motivo de nomearmos nossa pequena folha de notícias com o nome de “Echo”.
Um dia pode se tornar um fator importante na elevação do mundo, pois Max Heindel pretende publicar um artigo que dê as notícias do mundo, boas e más, com a lição moral contida em cada item, mas sem parecer pregar e sem o rótulo de “religião”, tão desagradável para a maioria das pessoas. Acredita-se que ao revestir o ponto de vista espiritual com uma vestimenta de “senso comum”, podemos despertar o “eco da aceitação” em milhares de corações. Esse plano, é claro, requer pessoas, dinheiro e tempo para amadurecer, mas será realizado.
(Traduzido pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz de Campinas – SP – Brasil do Echoes From Mt. Ecclesia – nº 1 – de junho de 1913)
OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Como a Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil foi criada como um Grupo de Estudos informal, depois passou para um Grupo de Estudos formal e, finalmente, para um Centro Rosacruz, autorizado e certificado pela The Rosicrucian Fellowship-Mount Ecclesia, Oceanside, California, USA, como um Centro Fraternal afiliado, pelos Probacionistas Hélio de Paula Coimbra e Maria José A. S. de P. Coimbra, ambos oriundos da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de São Paulo – SP, vamos apresentar, inicialmente, um resumo história da Fraternidade Rosacruz no Brasil, focando nas sementes que frutificaram como a Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de São Paulo – SP. Isso até a data de fundação do Grupo de Estudos em Campinas-SP-Brasil.
Dos primórdios de 1927 até 1955
Vamos começar a História da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil expondo, antes, um resumo da História da Fraternidade Rosacruz em São Paulo – SP – Brasil. Afinal se não fosse esses irmãos e irmãs que persistiram em estudar – muitas vezes, pessoalmente e sozinhos -, solidificar, estruturar, organizar e se reunir para fundar a Fraternidade Rosacruz em São Paulo – SP, dificilmente teríamos a Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil.
A Fraternidade Rosacruz – conforme fundada e difundida por Max Heindel, o escolhido pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz para revelar publicamente os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental – no Brasil deu seus primeiros passos em 1927, quando as obras de Max Heindel haviam chegado a São Paulo e muitos esoteristas se sentiram fortemente tocados por elas, começando os estudos da Filosofia Rosacruz que conferia um corpo esotérico ao Cristianismo. E nesse ano tais Ensinamentos Rosacruzes se tornarem a base de alguns Grupos de Estudos independentes. Com o tempo alguns desses Grupos de Estudos passaram a se dedicar, preponderantemente, à divulgação da Fraternidade Rosacruz sem, contudo, estarem ligados à The Rosicrucian Fellowship, a Sede Mundial, fundada pelo próprio Max Heindel.
Em 1930, o irmão Francisco Phelipp Preuss, já Probacionista da The Rosicrucian Fellowship, fundou um modesto Grupo de Estudos Rosacruzes em sua residência, na Rua Antônio Carlos, n.º 60, em São Paulo-SP. Ao obter autorização da Sede Mundial de Mt. Ecclesia, em Oceanside, California, USA, para ministrar o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, tal grupo foi denominado Fraternidade Rosacruz do Brasil.
Tal grupo denominado Fraternidade Rosacruz do Brasil foi o embrião de um novo Centro que congregasse os aspirantes a tão sublimes ensinamentos e em estreita ligação com a Sede Mundial de Mt. Ecclesia, em Oceanside, California, USA.

Um outro Grupo de Estudos, por intermédio do irmão Probacionista Milton José Ribeiro da Silva, entrou em contato com o irmão Probacionista Francisco Phellipp Preuss buscando filiar-se à Sede Mundial. Conforme começaram os cursos individuais e as reuniões coletivas de estudos na acanhada sala da residência do Probacionista Francisco Phellipp Preuss, esse atendeu às aspirações dos demais membros desse Grupo de Estudos: dissolver a antiga “Fraternidade Rosacruz do Brasil”, que foi fundada em 1930, e iniciar a constituição de uma estrutura nova e mais ampla.
A antiga Fraternidade Rosacruz de Santo André, que divulgava, como movimento independente, as obras de Max Heindel, nasceu na década 1940-1950. Em seu seio havia dois Probacionistas: o irmão Milton José Ribeiro da Silva e o irmão Mário Sparapani.
Em 1941, a Fraternidade dos “Filhos da Luz”, fundada pelo casal Manoel e Laura Luzio, se reunia às sextas-feiras para estudar assuntos esotéricos em geral, inclusive os da Fraternidade Rosacruz. Era um grupo independente que funcionava num salão especialmente cedido para esse fim, pela família Luzio, em sua residência, primeiro na Av. Conde de Frontim e depois na Rua Atuaí, 383, Vila Esperança — Penha.
Manoel Rufino Luzio era um sensitivo de fibra incomum e idealismo provado. Gostava de curas. Com sua esposa, Laura de Jesus Luzio, e filhas, Rosa, Piedade e Alice, eram estudantes sinceros.
Um dia, às 18 horas, meditando e olhando para o céu, através da janela, dona Laura de Jesus viu uma brilhante estrela que se deslocava em sua direção. Ao aproximar-se, reconheceu o Símbolo da Rosacruz: a cruz era do tamanho de uma pessoa. Abriu os braços para recebê-la, mas ela pareceu entrar no salão da Fraternidade. Correu para lá e realmente viu a estrela, toda iluminada, cobrindo outro símbolo que usavam lá. Radiante e espantada, Dona Laura foi chamar o marido, mas quando chegaram ao salão, não viram mais nada. Sr. Manoel Rufino compreendeu, então, que teriam de dar um grande passo para algo muito maior.
Passaram-se três meses. O irmão Luzio deixou consignado no livro de atas estas palavras: “Pelos amigos da Lapa (Sr. Munhoz e Sr. David), dos quais ouvimos proveitosas palestras sobre a Filosofia Rosacruz, soube que estão cogitando de formar a Fraternidade Rosacruz, sob a égide de “The Rosicrucian Fellowship”, de Mount Ecclesia, por meio do irmão F. P. Preuss. Participei de algumas reuniões e compreendi haver chegado o convite de elevação a todos nós. Fomos recebidos como amigos e convidados como Estudantes. Vamos nos preparar”. Esse grupo se tornou um Grupo de Estudos Rosacruzes em 20 de setembro de 1956, tornando-se o Grupo de Estudos Rosacruzes da Penha.


No início de 1955, um grande número de Estudantes Rosacruzes buscava entrar em contato com a Sede Mundial, em Mount Ecclesia. Nessa época, o Grupo de Estudos “União Rosacruz São João”, fundada pelo irmão David Dias dos Santos, recebeu muitos desses Estudantes, que participavam das reuniões, na Rua Guararapes, 34, na Lapa, em um salão anexo à residência do irmão David. Já em 4 de agosto de 1955, os Estudantes Rosacruzes desse Grupo começaram a fazer o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, iniciando o Caminho Rosacruz de Preparação para a Iniciação Rosacruz, como Estudantes Preliminares. Lembremo-nos de alguns irmãos e irmãs: David Dias dos Santos, Antônio e Rosa Munhoz, Clélia Meniatti Benson, João Pinhata (ou Pignata), Thèrese Ventre (ou Teresa Ventre), Bianca Ramazini, Maria e Elza Villar Harrison, Maria Rosária de Medeiros, Therezinha Grosso, Rosália Maria de Medeiros e Antonieta Pinolla. Esse foi o Grupo de Estudos Rosacruzes da Lapa.
Em 12 de maio de 1955 foi fundada a Fraternidade Rosacruz – Centro de Santo André-SP, filiada à Sede Mundial de Mt. Ecclesia, em Oceanside, California, USA.
Às 18h30 com a oficiação do Ritual do Serviço Devocional do Templo ou de Cura. Nas quartas-feiras, às 20h30, realizavam-se reuniões de Estudos da Filosofia Rosacruz.
Foi, portanto, o primeiro Núcleo registrado, nessa segunda etapa de expansão da Fraternidade Rosacruz no Brasil. Eis a foto tirada exatamente nesse dia:
Fotos de Estudantes Rosacruzes na inauguração do Centro Rosacruz de Santo André em 12 de maio de 1955
Suas reuniões eram feitas às quartas-feiras, às 20h, em uma sala alugada na Rua Campos Sales, n.º 129, 2.º andar, centro de Santo André-SP.
Os presentes no dia da inauguração foram: Ana Tempera e esposo Armando Tempera, Cristovam Martins, Dorothea Bloss Kubitzki, Edmundo Teixeira, Francisco Phellipp Preuss, João Baptista Ribeiro da Silva, João Dodero, José Facchini, Luís Mário Salvini, Maria Ribeiro da Silva, Mario Sparapani, Milton José Ribeiro da Silva, Raul Guerreiro, Severino Gomes.




Em fevereiro de 1955, por intermédio do irmão Probacionista Milton J. Ribeiro da Silva, puseram-se em contato com o Probacionista Francisco Phellipp Preuss, dinamizador do movimento Rosacruz em São Paulo, buscando filiar-se à Sede Mundial. Começaram os cursos individuais e as reuniões coletivas de estudos na acanhada sala da residência do irmão Preuss, que tratou de atender às aspirações da equipe: dissolveu a antiga “Fraternidade Rosacruz do Brasil”, que fundara em 1930, e participou das reuniões para constituir uma estrutura nova e mais ampla. Lembramos alguns dos que já passaram com os quais privamos e cujos exemplos nos marcaram indelevelmente:

Antônio Sampaio na Festa de Aniversário da FR São Paulo-SP em 23 de setembro 1973








E, assim, em 18 de setembro de 1955, foi fundada a Fraternidade Rosacruz em São Paulo – SP, então denominada Sede Central do Brasil. Ela já nasceu com os Núcleos filiados de Santo André, da Lapa e da Penha, porque os membros desses grupos faziam parte da equipe fundadora.
Ela funcionava na sala de residência do Probacionista Francisco Phellipp Preuss e assim foi durante todo o ano de 1955.
Na época da fundação, a Fraternidade Rosacruz já era constituída por:
Nessa época, as reuniões públicas eram feitas às terças-feiras, às 20h.
O Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, composto de 12 lições, continuou a ser ministrado da mesma forma que se fazia antes da fundação da Fraternidade Rosacruz em São Paulo – SP.
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Fontes:
Max Heindel
Algumas observações do escritor em uma recente revista Echoes from the Mount Ecclesia provocaram a pergunta: por que houve tantos fracassos entre aqueles que vieram ao Monte Ecclesia como trabalhadores, se se tinha os seus horóscopos? Visto que há alguns pontos envolvidos que se aplicam a todos os que se empenham em viver a vida espiritual e aspiram a adquirir os poderes da alma, pode ser bom trazer esse assunto para discussão.
Quando um navio singra o mar na mesma direção do vento, ele o faz em uma quilha uniforme e segue em frente com suavidade e beleza. A força do vento não é perceptível e qualquer movimento que possa ser sentido será de natureza agradável e deliciosa. Mas, quando o navio dá meia-volta e segue contra o vento e o mar, há outra história para contar. Ele tomba com o vendaval, seu convés fica inundado, talvez a sota-vento (lado do barco pelo qual o vento sai), e o vento uiva através de suas velas e cordames. Suas madeiras também começam a gemer, enquanto batem no vento e nas ondas, para o desconforto de todos a bordo.
Algo parecido acontece com quem se esforça para viver a vida espiritual: enquanto está à deriva, junto à maré do mundo, o movimento lhe parece imperceptível e tudo é agradável, como no navio que navega a favor do vento; contudo, quando começam a esbofetear os ventos do hábito e ele cessa de satisfazer os sentidos, começa a luta, que é análoga ao bater das ondas no navio que se esforça para ir contra o vento. No ponto em que a natureza inferior requer indulgência e tem o hábito de tê-la, a natureza superior decreta a abstinência e, consequentemente, há aflição ao longo de todo o caminho. Às vezes, o Aspirante à vida superior se imagina muito vil, sente que é um sacrilégio para ele aspirar a algo além da vida mundana, que ele nunca poderá alcançar a pureza de vida e caráter. Na verdade, esse é um dos argumentos sutis da natureza inferior para trazê-lo de volta ao caminho da permissividade. Os horóscopos de todos os Probacionistas que temos aqui na The Rosicrucian Fellowship são usados com o propósito de lhes dar a ajuda necessária na saúde, em certos pontos críticos. Essa ajuda é oferecida, apesar de que, quem a recebe, muitas vezes, não sabe que algo especial foi feito ou dito em uma carta. No entanto, esse é o uso que se faz e o propósito de se ter os horóscopos.
O que foi dito sobre as pessoas que permanecem no mundo e aí aspiram à vida superior aplica-se em grau muito maior àqueles que vêm a um Centro Esotérico como o Mount Ecclesia. As vibrações aqui são muito fortes e podem ser comparadas ao vendaval que atinge o navio; elas trazem as tentações para testar a força do Aspirante à vida superior. Sobre isso, ele é sempre e bastante avisado, antes de vir. “Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos” é, de fato, um princípio que se aplica aqui, onde a força de caráter é testada ao seu limite; mas, isso não elimina o fato de que as pessoas que tentaram e falharam tenham se tornado melhores pela experiência, nem se pode inferir que não foram boas pessoas; na verdade, elas têm um caráter muito estimável e não devem ser culpadas porque não puderam suportar as altas provas que são dadas em um Centro Esotérico. Algum dia serão capazes de manter o equilíbrio em relação a essas vibrações e de fazer o bem. As pessoas do mundo que iniciam esses estudos e os abandonam, depois de algum tempo, estão em uma posição análoga; elas também falharam, por enquanto e pela mesma razão. No entanto, como foi dito, elas devem ser boas pessoas ou não teriam tentado viver uma vida mais elevada, em primeiro lugar, e tendo falhado temporariamente, elas deveriam ser ajudadas, não censuradas.
Mas a pergunta é feita mais do ponto de vista astrológico; o consulente sente que, se Astrologia Rosacruz é uma ciência verdadeira e se conhecemos a Astrologia Rosacruz, então devemos ser capazes de escolher pessoas que sejam destinadas a fazer o bem e, assim, evitar falhas entre os trabalhadores. Isso me faz lembrar uma ocasião em que o escritor estava se perguntando em uma situação semelhante em relação aos que foram admitidos ao Discipulado. Um dos primeiros admitidos falhou de forma notável e o coração do escritor ficou com muito pesar, quando ele se perguntou como essa pessoa poderia falhar, após ter recebido ensinamentos do Discipulado. A resposta foi mais ou menos a seguinte: “Você, é claro, notou que na Europa a imagem da cabeça do rei ou da rainha está estampada nos selos dos correios e na moeda do país; nos Estados Unidos não tem um rei e nem uma rainha, mas aqui se fotografam os presidentes e usam as fotos de maneira semelhante. Existe, no entanto, uma diferença muito importante. Na Europa, geralmente, são os reis vivos que são tão honrados. Nos Estados Unidos, porém, você descobrirá que nenhum presidente que não tenha morrido é retratado na moeda ou no selo dos correios e há uma razão para isso. Na Europa, eles reinam com base na fé, crendo e esperando que se tornem bons e fiéis servos do povo. Mas, nos Estados Unidos eles se certificam de que não haverá chance de se cometer um erro grosseiro. Portanto, a imagem de qualquer presidente somente é colocada na moeda ou na nota depois que ele tenha morrido quando, então, é absolutamente impossível para ele manchar o nome da nação que assim o homenageia.”.
Se fôssemos seguir essa política e dar os ensinamentos de Discipulado apenas para aqueles sobre os quais tivéssemos a certeza de que não desonrariam o nome da Fraternidade Rosacruz, nem usariam indevidamente as informações ou, de outras formas, errariam, então teríamos que esperar até que o Aspirante à vida superior estivesse morto, porque, enquanto vivo, ele está sujeito a errar. Portanto, seguimos o mesmo método que se usa na Europa com os monarcas. Tomamos o Aspirante à vida superior pela fé, complementado por um desempenho razoável, como delineamos na carreira de Probacionista; então deixamos o assunto nas mãos de Deus, orando para que tudo ocorra bem.
A mesma coisa é válida para os trabalhadores em Mount Ecclesia. Se fôssemos esperar até que os trabalhadores viessem com horóscopos que indicassem perfeição, poderíamos esperar de agora até o dia do juízo final; nenhum de nós é perfeito, nem os líderes, nem ninguém; portanto, nosso objetivo é ser paciente e acreditar que o bem vencerá com o tempo. O horóscopo nos ajuda a ver quais são as tendências em suas vidas e como podemos ajudá-los da melhor forma. Entretanto, descobrimos que mesmo as aflições mais severas não são necessariamente proibitivas de uma vida boa e aspiração sincera; por outro lado, temos em nossa posse horóscopos sem um único Aspecto adverso e eles indicam vidas tão insossas que nada se pode esperar de tais pessoas. Vocês se lembram do que o Espírito disse, no Apocalipse, às igrejas? — Havia alguma culpa e alguns elogios ligados a cada uma delas, mas uma foi recebida com desaprovação irrestrita: “Eu queria que fosses frio ou quente, mas porque não és frio nem quente, vou vomitar-te da minha boca” (Apo 3:15-16). Na verdade, é melhor ter Aspectos adversos no horóscopo, porque são como os obstáculos que devemos superar no mundo. Eles desenvolvem a força e onde eles faltam podemos confiar que temos um caráter que é tão bom que não serve para nada! Portanto, o horóscopo não exclui nem garante a admissão em Mount Ecclesia ou em qualquer outro Centro Esotérico que seja verdadeiro.
(Publicado no Echoes from the Mount Ecclesia de junho/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Preparativos para a Mudança para Mount Ecclesia
No sábado, 28 de outubro[1], às 12h40 P.M. pontualmente, horário do Pacífico, iniciamos as atividades para a abertura do terreno com o objetivo de construir o primeiro edifício em Mount Ecclesia[2], a sede da The Rosicrucian Fellowship. A casa será relativamente pequena, e estamos nos esforçando para gastar o mínimo possível, ou não seremos capazes de construí-la totalmente. Estou fazendo o trabalho de arquiteto e empreiteiro para economizarmos nessas atividades. Entretanto, consideramos esse primeiro ponto de partida como um momento da maior importância para a vida jovem da nossa sociedade, pois, embora nossos aposentos privados sejam apertados, teremos uma grande sala de trabalho e acomodações para vários assistentes, até que hajam recursos financeiros para a construção da Ecclesia[3] e das outras estruturas que pretendemos construir e que serão mais dignas para a nossa missão no mundo.
Reconhecemos perfeitamente que a magnitude do nosso trabalho no mundo depende, em grande parte, do apoio e da cooperação dos nossos colaboradores e, portanto, solicitamos sinceramente o seu auxílio para participar das atividades que necessitam da força física e da sua presença nesse momento importante, a fim de que a nossa associação possa se tornar um poder bem maior para o bem do que qualquer outro que já existiu.
Sabemos que os pensamentos são coisas; que são forças de uma grandeza proporcional à intensidade do propósito neles ocultos. Não há um método mais fácil nem mais eficaz para harmonizar todo o nosso ser com certos desígnios e lançar um poderoso pensamento na direção desejada do que a oração cristã séria e sincera.
Portanto, tenho dois pedidos distintos para vocês nos ajudarem por meio das orações, e espero e confio que vocês darão os seus mais calorosos e intensos auxílios. Em primeiro lugar, apesar de totalmente indigno, será meu dever, como líder, preparar o terreno para a nossa futura Sede no tempo estabelecido e, se for possível, quando vocês se recolherem para os seus aposentos, por favor, dedique-se à oração séria e sincera para que a Sede, então iniciada, possa crescer e prosperar em todos os sentidos; pois as orações conjuntas dos nossos Estudantes ao redor do mundo nos darão uma imensa força nesta direção.
Contudo, vocês podem fazer mais; dia após dia, o acúmulo de pensamentos de muitos amigos em direção a um lugar comum proporcionará um trabalho maravilhoso. Vocês poderiam nos enviar uma oração todas as noites para fortalecer a Sra. Heindel, os trabalhadores da Sede e a mim mesmo, para que nós possamos crescer na pureza, na eficácia e na eficiência em sermos melhores trabalhadores no serviço à humanidade e, assim, podermos nos tornar mais fortes para aliviar o sentimento de profunda tristeza, o sofrimento e a angústia de todos que procuram nossa ajuda?
Além disso, vocês poderão me escrever, de vez em quando, me fortalecendo com a certeza da simpatia e cooperação que tenham para comigo? Talvez eu não consiga responder e agradecer individualmente, mas podem estar certos de que apreciarei suas expressões de boa vontade.
(Por Max Heindel – Livro: Cartas aos Estudantes – nº 11)
[1] N.T.: de 1911
[2] N.T.: Localizada na cidade de Oceanside, Califórnia, EUA.
[3] N.T.: O Healing Temple, o Templo de Cura.
O Vício da Limpeza e Higiene Corporal para Sua Saúde
Foi dito que a Limpeza está próxima da Piedade e todos parecem concordar inteiramente com isso; algumas das antigas Religiões até prescreveram certas abluções do corpo como parte dos Serviços religiosos de cada indivíduo, porque a humanidade, nos primeiros estágios da infância do seu desenvolvimento, não era excessivamente higiênica, comportando-se igual às crianças de hoje em relação ao banho e higiene. Elas preferem andar com as mãos e o rosto sujos, à provação de água e sabão, até que gradualmente adquirem o hábito e, afinal, gostem de água. Como acontece a uma criança, o mesmo ocorreu com o ser humano em tempos antigos. Ele realizou as abluções quando forçado pela ordenança religiosa e temendo a punição, caso isso fosse negligenciado. Portanto, encontramos no Tabernáculo no Deserto – a primeira igreja construída pelo ser humano, como ditada diretamente por Deus -, por exemplo, no mar fundido (ou Altar de Bronze) onde os sacerdotes eram ordenados a se lavar, antes de comparecer ao Serviço do Templo, e a penalidade por negligenciar tal dever era a morte. Ritos semelhantes prevaleceram também em outras religiões.
Mais tarde, tornou-se desnecessário exigir do ser humano a limpeza como dever religioso, porque ele a tornou como uma virtude acima de todas as outras. Com o passar do tempo, a prática se espalhou dos estratos mais altos da sociedade para os mais baixos e a limpeza do corpo tornou-se um fetiche, principalmente no mundo ocidental. Ninguém é respeitado se não tomar banho e/ou se higienizar de maneira regular, em intervalos frequentes. Obtemos respeito apenas na medida em que o nosso corpo esteja bem arrumado e bem vestido; ainda que, por dentro, esteja pior do que um sepulcro caiado e a Mente suja de impurezas.
O cuidado com os dentes também tem recebido atenção crescente e, quanto mais para o oeste, mais frequente é o uso da escova de dentes e de outros apetrechos para a higiene pessoal.
Não se pode negar que o exposto pareça muito louvável. A limpeza tem raízes na Religião e certamente só um pai estranho se alegraria ao ver seus filhos carregando sempre as marcas inevitáveis da sujeira, nas mãos, no rosto e/ou no resto do corpo, sem fazer qualquer esforço para removê-los com sabão e toalha. Também não podemos negar que muitas das doenças das quais a humanidade é herdeira estejam relacionadas a dentes defeituosos e que a falta de limpeza seja a principal causa da cárie dentária. O leitor pode, dessa forma, perguntar-se o que queremos dizer com nosso título: “O vício de limpeza”.
A resposta direta a tal pergunta é que, embora a própria limpeza seja uma virtude, ela se torna, como muitas outras coisas boas, um vício, mediante o exagero. A água é o solvente universal e, ingerida em pequenas doses, é boa; mas ingerida na hora errada, junto às refeições, por exemplo, ou de maneira excessiva, torna-se um veneno: dilui os fluidos digestivos e esfria o estômago de modo que a condição necessária ao tratamento adequado dos alimentos seja desajustada; se o hábito persistir, prejudicará a digestão permanentemente. Do mesmo jeito, quando a água é usada em excesso na parte externa do corpo ou em condições inadequadas, ela pode afetar seriamente a saúde.
Isso foi comprovado muitas vezes em nossa experiência em Mount Ecclesia. Várias pessoas que vieram aqui tinham o hábito, antes da chegada, de tomar banho duas, três e até quatro vezes por dia. Elas estavam, sem exceção, em uma condição muito grave, porque o excesso de água aplicado com toalha ou esponja esgotara a pele de sua substância gordurosa e o sistema vasomotor não conseguia operar adequadamente, fechando ou abrindo os poros conforme necessário.
Contudo, havia outro efeito causado pelo abuso de banhos, não visto ou entendido, a menos que se tivesse o conhecimento oculto necessário e visão espiritual para investigar o assunto apropriadamente. Outros podem conhecer a verdade da seguinte explicação por meio de sua própria experiência ao longo das curas pelo magnetismo.
Todos sabemos que, quando pegamos uma bateria galvânica colocamos um eletrodo dentro de uma bacia com água e seguramos o outro eletrodo com a mão, o fluxo de eletricidade através do nosso corpo torna-se bem mais forte ao pormos a outra mão na água do que quando segurarmos os dois eletrodos sem contato com a água. Quando essa evapora, suas moléculas são quebradas e cada fragmento é recolhido em um envoltório de Éter que atuará como almofada, sendo a base da elasticidade do vapor. Quando a condensação ocorre, o excesso de Éter desaparece e a água se torna líquida.
Embora a água tenha um grande anseio pelo Éter, não pode retirá-lo do ar, assim como não podemos absorver o nitrogênio, embora o respiremos continuamente. O fluido é volátil na proporção da quantidade de Éter que contém e temos um exemplo do intenso desejo da água por Éter na avidez com que ela absorve amônia anidra, um fluido tão volátil que ferve a 26 graus abaixo de zero. Isso mostra a razão por que a água causa um fluxo tão volumoso entre o eletrodo da bateria e o corpo, além de explicar muitos fenômenos, entre os quais o motivo de a umidade prestar um amplo auxílio material na transmissão de magnetismo bom, o fluido vital de quem realiza curas, ao paciente e na retirada de magnetismo ruim do corpo desse. Além do mais, é necessário e útil ao curador lavar-se em água corrente para que o Éter venenoso retirado do Corpo Vital do paciente não lhe prejudique. Quando tomamos banho em circunstâncias normais, removemos uma grande quantidade de Éter venenoso do nosso Corpo Vital, desde que fiquemos uma quantidade razoável de tempo no banho. Depois que nos lavamos, o Corpo Vital torna-se um pouco atenuado e, consequentemente, causa-nos uma sensação de fraqueza, porém se estivermos com boa saúde e não tivermos demorado no banho, a deficiência logo é compensada pelo fluxo de força que flui para dentro do corpo humano através do baço. Quando essa recuperação ocorre, sentimos um vigor renovado e o atribuímos ao banho, sem perceber o ato completo, como indicado acima.
No entanto, quando uma pessoa que não esteja com a saúde perfeita toma banho duas ou três ou até quatro vezes todos os dias (principalmente de banheira), um excesso de Éter é retirado do seu Corpo Vital. O novo suprimento que entra pelo baço também diminui devido à condição atenuada do Corpo Vital. Assim, é impossível que ela se recupere após repetidos esgotamentos e, como consequência, a saúde do Corpo Denso sofre; ela perde quase toda a força e gradualmente se torna, com certeza, inválida. Nesse estado delicado, ela é incapaz de comer, de assimilar alimentos verdadeiramente nutritivos e, com o tempo, sua condição pode tornar-se muito, muito grave.
É extremamente difícil lidar com esses casos, porque geralmente ocorrem com pessoas que tenham Signos Comuns nos ângulos do seu horóscopo, com muitos Astros nesses Signos ou com o Sol e o Ascendente. Esse tipo de pessoa se ofende com qualquer interferência em sua dieta e hábito de tomar banho, porque acredita que seja um modelo de limpeza, o que aos seus olhos é uma grande virtude. Supõe que não possa viver sem muitos banhos por dia e, como seu apetite é muito leve e delicado, deduz que saiba melhor que todos como cuidar desses requisitos; contudo, estão erradas em ambos os casos, como mostra o que foi exposto acima.
O primeiro passo para a saúde, em situações assim, envolve a cessação total do banho. O banho seco é o restaurador adequado e, para tal fim, é melhor usar um par de luvas grossas feitas de fio de linho retorcido. Isso pode ser adquirido em qualquer farmácia. Com isso, o corpo pode ser esfregado de manhã e à noite, até a pele apresentar um brilho saudável. Por esse processo, a cutícula supérflua é removida, mas o óleo e o Éter permanecem. Assim, o paciente se desenvolverá muito rapidamente, pois quando o Éter Químico aumenta, o poder de assimilação também revive e há um ganho imediato de força corporal. Se necessário, o paciente pode receber um quente e muito leve banho de esponja uma vez por semana, porém não deve tomar um único banho de banheira até que esteja totalmente recuperado.
Apesar de, muitos de nós, termos feito da banheira um ídolo, também adquirimos um fetiche pela escova de dentes. Em certo sentido, não é tão perigoso quanto a banheira, porque cada pessoa tem sua própria escova de dentes e os germes da doença que nela permanecem, apesar da lavagem mais cuidadosa, entram em contato somente com a pessoa a quem pertencem, enquanto os da banheira são uma ameaça para todos os que a usam. Esses organismos são inofensivos para uma pessoa com boa saúde, mas qualquer um que não esteja em pleno vigor e, portanto, suscetível a doenças, pode contrair uma infecção tomando banho em uma banheira, depois de outra pessoa. Por esse motivo, o banho de esponja deve ser preferido ao de banheira, exceto em famílias onde as condições dos integrantes sejam conhecidas e as devidas precauções sejam tomadas.
Contudo, voltando à escova de dentes, como já foi dito, ainda que possamos limpar esse pequeno instrumento com bastante cuidado, é absolutamente impossível torná-lo asséptico e, quanto mais o usamos, pior sua condição. Esse é um fato reconhecido por todos os dentistas e é uma ameaça da maior magnitude para a higiene do corpo, particularmente entre as pessoas que persistam em se alimentar de carcaças em decomposição de animais assassinados. O processo de putrefação, que começa no momento em que o animal é morto é enormemente acelerado pelo ambiente bucal, e as partículas de carne alojadas entre os dentes rapidamente se tornam uma fonte perigosa de infecção. Essas partículas não são removidas pela escova de dentes e são a causa de várias doenças de caráter muito grave. Daí a importância do uso do fio dental.
Todos nós sabemos como a mastigação é essencial para a digestão adequada; portanto, a importância dos dentes sadios não pode ser subestimada e o perigo à vida e à saúde dos dentes, causado por esses pedaços de carne em decomposição, é, logo, uma das mais graves ameaças à existência humana, seu conforto e bem-estar.
Cada dente perdido nos deixa mais sujeitos a doenças e à morte. A habilidade do dentista pode nos dar um dente novo; contudo, até o melhor produto está muito abaixo do padrão da natureza.
Assim que adotamos uma dieta vegetariana, escapamos de uma das mais graves ameaças à saúde: a putrefação de partículas de carne entre os dentes, como dito no parágrafo anterior, e esse não é um dos argumentos menos importantes para a adoção da alimentação vegetariana. Frutas, cereais e vegetais tem uma constituição que se desfaz muito lentamente; cada partícula contém uma enorme quantidade de Éter que a mantém viva e doce por um longo tempo, já o Éter que interpenetrou a carne e compôs o Corpo Vital de um animal foi eliminado com o seu espírito, na hora da morte.
Dessa forma, o perigo de infecção por alimentos vegetais é muito pequeno em primeiro lugar, mas muitos deles, longe de serem venenosos, são realmente antissépticos em um grau muito alto. Isso se aplica particularmente às frutas cítricas — laranjas, limões, toranjas e tantas outras, sem contar o rei de todos os antissépticos, o abacaxi, que tem sido usado com muita frequência e sucesso completo como a cura para a temida difteria, que é apenas outro nome dado à dor de garganta séptica.
Portanto, em vez de envenenar o trato digestivo com elementos putrefativos como as carnes fazem, as frutas limpam e purificam o sistema, e o abacaxi é uma das melhores ajudas para a digestão que o ser humano conhece. É muito superior à pepsina e nenhuma crueldade diabólica é usada para obtê-lo. Com esse tipo de alimentação, os perigos da escova de dentes podem ser evitados, pois o seu uso pode ser feito de maneira bem mais adequada, três vezes ao dia – ou todas as vezes que fizer uma refeição – e auxiliada pelo fio dental. E, logicamente, acompanhado sempre de uma boa enxaguada com água limpa.
(da Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1915 – traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)