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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Amor e Colaboração

A vida é inexpressiva e vazia se vivemos apenas para nós mesmos. Ela perde seu sentido maior se vivida introvertidamente. Segregar-se, não participar, é excluir-se da harmonia universal. Quem não colabora com o mundo aliena-se dele. Quem não ajuda a seu semelhante encontra-se afastado do sistema de leis suprafísicas que regem o progresso humano. No Universo só cresce, só se desenvolve quem ajuda, quem colabora, quem serve aos demais, consciente ou inconscientemente, mas sempre amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) focando na Divina Essência oculta que há em todos nós e que é a base da Fraternidade.

Dentro de nós, vez por outra esta revista dirige apelos, nos exortando a disseminar os Ensinamentos Rosacruzes, especialmente por meio da vida que vivemos. Não é para se fazer pela simples necessidade de ajuda na tarefa de disseminar os Ensinamentos Rosacruzes. Não! É verdade que a Obra Rosacruz carece de um número maior de trabalhadores para alcançar maior expressão na comunidade. Ainda há muita coisa por ser feita. A consecução de seus elevados objetivos exige, a cada dia, maiores recursos humanos. A seara é imensa!

Não importa o grau de cultura: toda pessoa de boa-vontade encontra, na Fraternidade Rosacruz, setores onde possa empregar suas aptidões. Todos podem fazer alguma coisa para, no mínimo, disponibilizar tais Ensinamentos para que, se tiver alguém procurando, ter fácil acesso.

No transcurso de diversos renascimentos vimos aumentando nosso cabedal de conhecimentos, além de desenvolver qualidades. Temos acumulado, por meio de experiências as mais variadas, uma dose considerável de energia e capacidades. Cabe-nos, agindo de conformidade com as Leis de Deus dirigi-las a finalidades construtivas.

Somos, inerentemente, seres ativos, face ao princípio divino de movimento-atividade – característica do Espírito Santo – palpitando em cada um de nós. A inércia e inutilidade não existem na Natureza. Ao órgão que não se emprega não resta outro caminho senão o da atrofia.

Diariamente nossa capacidade de ação é testada nos mais variados desafios. São estímulos necessários. Quanto a isso não pode haver meio termo nem omissão: ou agimos construtivamente e progredimos ou paramos e retrocedemos. Eis aí o verdadeiro conceito de mocidade e de idoso (a): no sentido interno quem desiste e para, morre para a existência, cuja finalidade é o desenvolvimento a graus ainda inconcebíveis para o entendimento humano, das faculdades herdadas do Criador.

O indivíduo consciente e sincero esforça-se ao máximo por harmonizar e aperfeiçoar tudo o que esteja ao seu alcance. Sabe muito bem que ao retardar o cumprimento de seu dever ou negligenciar suas tarefas, negligencia a si mesmo.

Quanto mais produzimos, construtiva e legitimamente, tanto mais crescemos em todos os sentidos.

A Fraternidade Rosacruz constitui uma oportunidade de cooperação no sentido de erigir um mundo melhor. Sua tônica é servir. Todavia, requer-se uma corajosa disposição para trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

Os desafios surgem em momentos inesperados; caso o Estudante Rosacruz não esteja alerta, poderá sentir abalado o seu idealismo. Trilhar essa vereda íngreme não é empresa das mais fáceis, mas espiritualmente é edificante.

O Estudante Rosacruz não raro poderá até perguntar-se se vale a pena tanto sacrifício. Fernando Pessoa, o grande poeta místico, responde:

“Valeu a pena?

Vale sempre a pena.

Se a alma não for pequena”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Iniciação Vista por Fernando Pessoa

A Iniciação Vista por Fernando Pessoa

Do grande gênio da poesia, Fernando Pessoa, que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888, desprende-se a profundidade infinitamente poética de um homem rosacruciano, cuja obra e ideal se situam num dos mais elevados planos da vida espiritual. Vamos ver como ele descrevia a Iniciação.

Em Pessoa, não podemos separar o pensador do poeta genial: ambos se radicam numa complexa e luminosa unidade, incisiva, constante, onde aparece invariavelmente a questão do “ser”, da autenticidade espiritual, da irremediável separação do “Eu superior”, do Eu-testemunha-silenciosa de todos os atos na Terra; em Pessoa é difícil distinguir os poemas que revelam o seu máximo expoente espiritual, e os que se nos afiguram menos explícitos – e isto porque nesse gênio do pensamento e da beleza poética, tudo é reflexão, tudo é nostalgia de um passado e de uma ausência que todos os seres com preocupações espiritualistas conhecem de perto, mas que só alguns gênios da poesia e da arte de pensar e sentir revelam e decifram na sua integral verdade.

Deixamos, pois, aqui, para o momento de meditação, alguns trechos do poema “No túmulo de Christian Rosenkreuz” (in Obras Completas de Fernando Pessoa, Ática editora, 1973):

Quando, despertos deste sono, a vida,
Soubermos o que somos, e o que foi
Essa queda até Corpo, essa descida
Até à Noite que nós a Alma obstrui,

Conheceremos, pois toda a escondida
Verdade do que é tudo que há ou flui?
Não: nem na Alma livre é conhecida…
Nem Deus, que nos criou, em Si a inclui.

Deus é o homem de outro Deus maior;
Adam Supremo, também teve Queda;
Também, como foi nosso Criador,

Foi criado, e a Verdade lhe morreu..
De além o Abismo, Sprito Seu, Lha veda,
Alguém não há no Mundo, Corpo Seu.

(…) Mas se a Alma sente a sua forma errada,
Em si, que é Sombra, vê enfim
luzido o Verbo deste Mundo,
humano e ungido
Rosa perfeita, em Deus crucificada. (..)

(…) Ah, mas aqui, onde irreais erramos
Dormimos o que somos, e a verdade.
Inda que enfim em sonhos a vejamos,
Vemo-la porque em sonho, em falsidade.
(…) Calmo na falsa morte e nós exposto,
O livro ocluso contra o peito posto,
Nosso Pai Rosacruz conhece e cala.

(Do Ecos de Mount Ecclesia e publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 01/86)

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