Categoria Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Temos o direito de pensar o que quisermos, por não sermos responsáveis por isso?

Pergunta: Às vezes é afirmado que temos o direito de pensar o que quisermos e que não somos responsáveis pelos nossos pensamentos. Isso é verdade do ponto de vista oculto?

Resposta: Não, não é verdade. Pelo contrário, precisamos recorrer ao que é geralmente chamado de ocultismo para encontrarmos essa ideia expressa por Cristo no Sermão da Montanha, onde Ele nos diz: “O homem que olhou para uma mulher e a desejou já cometeu adultério”. Somente quando nos conscientizarmos de que o ser humano é o resultado do que pensa em seu coração, é que teremos uma concepção de vida muito mais clara do que se levarmos em consideração apenas os atos dos indivíduos, pois cada ato é o resultado de um pensamento prévio. Contudo, esses pensamentos nem sempre são só os nossos.

Quando tocamos um diapasão, se houver outro do mesmo tom por perto, não somente aquele irá soar, mas o outro também começará a fazê-lo, por afinidade. Da mesma forma, quando emitimos um pensamento e outra pessoa ao nosso redor tem um semelhante, estes se fundem e se fortalecem para o bem ou para o mal, de acordo com a natureza do pensamento. Não é mera fantasia quando na peça intitulada “A Hora Enfeitiçada”, o protagonista procura ajudar um criminoso a escapar do Estado de Kentucky, onde o último está sendo procurado pelo assassinato do Governador. O protagonista, um homem cujo poder de pensamento é considerável, acredita ter, provavelmente, incitado o criminoso. Ele revela a sua irmã que antes da hora do crime pensou que o assassino cometeria esse delito exatamente da maneira como foi consumado. Ele tem a impressão que o seu pensamento pode ter sido captado pelo cérebro do assassino e pode ter-lhe mostrado a forma de agir.

Quando participamos de uma banca de jurados e vemos o criminoso à nossa frente, observamos apenas o seu ato; não temos conhecimento do pensamento que o impulsionou. Se temos o hábito de gerar pensamentos maldosos sobre as pessoas em geral, eles poderão ser atraídos por um criminoso. Baseados no princípio de que quando temos à nossa frente uma solução saturada de sal, basta adicionar um único cristal para que esta solução salina se solidifique, assim, se um ser humano tiver saturado a sua Mente com pensamentos homicidas, o pensamento emitido por nós pode ser a última gota que fará o cálice transbordar, destruindo assim a última barreira que o impediria de cometer o ato.

Os nossos pensamentos são muito mais importantes do que os nossos atos, e se pensarmos sempre de forma correta, agiremos sempre corretamente. Nenhum ser humano pode pensar em amar os seus semelhantes, planejar como ajudá-los e socorrê-los espiritual, mental ou fisicamente, sem também concretizar esses pensamentos em algum momento da sua vida. Se nós cultivarmos sempre tais pensamentos, logo veremos o brilho do sol irradiando-se à nossa volta. Veremos que as pessoas virão ao nosso encontro com o mesmo espírito que manifestamos e, se pudermos compreender que o Corpo de Desejos (que circunda cada um de nós e se estende cerca de quarenta e um a quarenta e seis centímetros além da periferia do Corpo Denso) contém todas essas sensações e emoções, observaremos as pessoas diferentemente, pois entenderemos que tudo é visto através da atmosfera que criamos ao nosso redor e que cobre tudo o que visualizamos nos outros. No entanto, se virmos maldade e mesquinhez nas pessoas que encontramos, será bom olhar para dentro de nós para verificarmos se não é a atmosfera, através da qual olhamos, que nos faz ver dessa forma. Verifiquemos se não temos esses atributos indesejáveis dentro de nós, e depois procuremos expulsar esses nossos defeitos internos. O ser humano que é mal e mesquinho irradia essas características, e quem quer que ele encontre, parecer-lhe-á também maldoso, pois evocará nos outros exatamente as peculiaridades manifestadas em si, isso baseado no princípio de que a vibração de um diapasão tocado em certo tom fará vibrar outro de tom idêntico. Por outro lado, se cultivarmos uma atitude serena, livre de cobiça e que seja francamente honesta e prestativa, faremos com que as outras pessoas exteriorizem o melhor que há dentro delas. Portanto, conscientizemo-nos que só quando tivermos cultivado as melhores qualidades dentro de nós, é que poderemos esperar encontrá-las nos outros. Somos responsáveis pelos nossos pensamentos e somos, de fato, os protetores de nossos irmãos, pois de acordo com o que pensamos quando os encontramos, assim parecemos a eles e, em consequência, eles refletem a nossa atitude. Aplicando o princípio precedente, se quisermos conseguir ajuda para cultivar essas qualidades superiores, procuremos a companhia de pessoas que são realmente boas, pois seu estado mental será de grande auxílio ao suscitar-nos qualidades mais puras.

(Perg. 16 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Quando morremos, tem como irmos diretamente para os Mundos espirituais sem passar pelo sofrimento no Mundo do Desejo?

Pergunta: Alguns escritores ensinam que é possível ir diretamente do Mundo Físico para os Mundos espirituais sem ter que atravessar as regiões inferiores do Mundo do Desejo, evitando assim todas as visões repulsivas e peculiares àquela região. No entanto, os Ensinamentos Rosacruzes dão a entender que seja necessário atravessar cada reino sucessivamente. Por que essa disparidade?

Resposta: Sabemos perfeitamente que algumas pessoas fazem afirmações como essa, em relação à transição do reino físico para o reino espiritual mais elevado, ao qual chamam de “subplanos atômicos”. Para ajudar na procura da verdade, citaremos a Lei de Analogia, “Como é em cima, assim é embaixo”, que é a chave mestra de todos os mistérios, tanto espirituais como físicos, pois essa Lei funciona em qualquer reino da natureza que investigarmos. Sabemos que seja impossível para um mergulhador chegar ao fundo do mar sem começar pela superfície e ir descendo através da água que se interpõe. É evidente também que seja impossível a um avião subir acima das nuvens sem atravessar primeiro o espaço de ar que se interpõe entre a terra e as nuvens. De forma semelhante, o Ego ascende gradualmente após a morte, atravessando os vários reinos espirituais rumo ao Terceiro Céu e, no tempo do renascimento, desce gradualmente, atravessa a Região do Pensamento Concreto, o Mundo do Desejo e o Éter, até chegar ao plano físico. Esses fatos são de conhecimento de muitos que já investigaram a questão e tão inquestionáveis ou incontestáveis para o cientista da ciência oculta quanto o fato de a Terra girar em torno do seu eixo é para o cientista materialista; quem afirmar o contrário estará simplesmente errado.

O autor não declara isso apoiado unicamente em sua própria experiência, pois ele está relacionado com centenas de pessoas que possuem a faculdade de atuar fora do corpo nos vários reinos espirituais. Nunca discutiu expressamente essa fase de experiência suprafísica com qualquer uma delas, porém suas referências contínuas nas situações que aconteceram ao passar através dos reinos inferiores do Mundo do Desejo e do Éter deram-lhe a certeza de que nenhum dos que conheceu chegou a subir à zona mais elevada do Mundo do Desejo ou à Região do Pensamento Concreto sem passar primeiro pelo Éter e pelas camadas inferiores do Mundo do Desejo; ou seja, a Região do Purgatório.

Além do mais, mesmo que houvesse tal atalho do mundo físico para os reinos espirituais mais elevados, acreditaríamos realmente que algum auxiliar de Deus o teria usado a fim de evitar cenas repugnantes e sofrimentos como os encontrados no Purgatório? Não, com certeza! Cristo nunca demonstrou repugnância em relação aos leprosos ou qualquer um que sentisse dor ou aflição. Ele sempre os procurou a fim de poder curá-los e ajudá-los. Que trabalho poderia ser feito por um Auxiliar Invisível no Primeiro Céu e na Região do Pensamento Concreto, onde não há dor, sofrimento ou tormento, mas tudo transpira felicidade e alegria? A sua presença seria desnecessária. O seu trabalho se realiza exatamente nas regiões em que esses escritores dizem poder ser evitadas. No entanto, caso houvesse esse atalho, nenhum Auxiliar Invisível que se valorize desejaria utilizá-lo. Na realidade, não há desvio no caminho que leva ao Céu.

(Pergunta nº 3 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. II)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Conservamos o mesmo temperamento durante todas as nossas vidas?

Pergunta: Conservamos o mesmo temperamento durante todas as nossas vidas?

Resposta: O Ego pode ser comparado a uma pedra preciosa, um diamante em estado bruto. Quando é extraída da terra, a pedra está longe de ser bela; uma camada grosseira esconde o esplendor que ela encerra no seu interior. Antes que o diamante bruto se transforme numa gema, precisa ser polido por um duro rebolo de esmeril. Cada aplicação no esmeril remove dela parte da camada grosseira, e cada polimento revela uma faceta pela qual a luz penetra e é refratada num ângulo diferente ao do brilho refletido pelas outras facetas. Acontece o mesmo com o Ego. É um diamante em estado bruto que entra na escola da experiência, na peregrinação através da matéria, e cada vida é como uma fase no processo do polimento. Cada vida na escola de aprendizagem remove parte da aspereza do Ego e permite a entrada da luz da inteligência sob um novo ângulo, propiciando uma experiência diferente. Assim como os ângulos da luz variam em numerosas facetas do diamante, assim também o temperamento do Ego varia a cada vida. Em cada vida, só podemos manifestar pequena parte das nossas naturezas espirituais, realizar uma pequena parte da magnificência das nossas possibilidades divinas, mas cada existência nos torna mais completos e nossa índole tende a aperfeiçoar-se. De fato, é a ação exercida sobre a personalidade que é a parte principal da nossa lição, pois a meta é o domínio próprio, o autocontrole. Como diz Goethe:

“De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado,
O homem se liberta quando o autocontrole há conquistado”.

(Pergunta nº 9 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. I – Max Heindel)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Ouvimos falar de almas novas. No entanto, todas não tiveram início nessa vida terrena ao mesmo tempo; ou algumas procederam de uma onda de vida anterior?

Pergunta: Ouvimos falar de almas novas. No entanto, todas não tiveram início nessa vida terrena ao mesmo tempo; ou algumas procederam de uma onda de vida anterior?

Resposta: A explicação detalhada para essa pergunta importante é fornecida no Conceito Rosacruz do Cosmos, particularmente no Capítulo IX, onde se lê sobre atrasados e recém-chegados; contudo, podemos dizer brevemente que a onda de vida humana, agora em evolução na Terra, compreenda bilhões de Espíritos Virginais. Sempre há uma quantidade desses renascidos aqui no Mundo Físico e outro tanto evoluindo nos Mundos invisíveis. Em certos períodos do nosso desenvolvimento 50% habitam a Terra revestidos de seus Corpos Densos e terrenos. Relembramos também que, além desses, que pertencem unicamente ao raio terreno, há outras hostes habitando Marte, Mercúrio, Vênus e os demais Planetas. No entanto, o total do vasto grupo de Espíritos Virginais que, agora, está evoluindo no nosso Sistema Solar, iniciou sua evolução no Período de Saturno, em uma existência semelhante à da onda de vida mineral. Entretanto, as diferenças logo se evidenciaram; alguns se revelaram mais adaptáveis e diligentes que outros e é evidente que esses progrediram mais rapidamente no caminho do que os seus irmãos que se tornaram, por isso, os atrasados. À medida que avançamos ao longo do curso evolucionário, o número de pioneiros se reduziu cada vez mais e o grupo dos atrasados aumentou proporcionalmente. Atualmente, encontramos os pioneiros da onda de vida humana evoluindo na Terra, no lado ocidental do Planeta, renascidos em corpos vivendo deste lado, e nos referimos a eles como sendo almas mais velhas, porque têm mais experiência, enquanto os irmãos e irmãs que renascem e vivem no lado oriental do Planeta, podem ser chamadas de almas mais novas, por terem menos experiência e desenvolvimento.

Devemos notar, contudo, que essa é apenas uma regra geral. Há muitas almas jovens que foram atraídas para o ocidente por laços de bondade e serviço ou ódio e desejo de vingança relacionados a vidas passadas. Também encontramos almas velhas no lado oriental e aí nasceram para ajudá-los a se elevarem a um nível superior; portanto, a cor da pele não é uma indicação da idade alma, da mesma forma que a cor da capa de um livro não revela a sua natureza. Assim, devemos compreender que os termos “povos mais ou menos desenvolvidos” e “almas mais velhas ou mais novas” não devem, de forma alguma, ser considerados um reflexo ou uma indicação de superioridade ou inferioridade. Os Senhores de Vênus e os Senhores de Mercúrio, que nos ajudaram em nossa evolução, são também Espíritos pertencentes à nossa onda de vida e eles evoluíram tão incomensuravelmente além da nossa presente condição que podem olhar para nós como um jovem amadurecido observa seus irmãos menores.

(Pergunta nº 34 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. 2)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Experiência Purgatorial do Ego é Contínua desde a gravação do Panorama de Vida na sua morte até o Seu Nascimento?

Pergunta: A experiência purgatorial do Ego é contínua desde o panorama da sua morte até o seu nascimento ou há períodos de intervalo entre o fim de um sofrimento causado por determinada ação e o início de outro?

Resposta: A Natureza, que é Deus em Manifestação, sempre pretende preservar a energia, obtendo os maiores resultados com o mínimo gasto de força e a mínima perda de energia. A Lei de Analogia é aplicada neste caso. Se estudarmos o efeito da mudança no Mundo Físico, aprenderemos sobre a sua consequência no Reino acima do nosso. Uma pessoa que sofre intensamente por um curto período de tempo geralmente sente a dor muito agudamente, enquanto aquela que sofre durante anos sucessivos, embora a dor infligida possa ser igualmente violenta, não parece senti-la na mesma proporção, pois acostumou-se a ela e, de certa forma, o corpo adaptou-se à dor; por isso, o sofrimento não é tão intensamente sentido neste caso quanto no primeiro.

Ocorre o mesmo na experiência purgatorial. Se uma pessoa (homem ou mulher) foi excessivamente dura e cruel durante a sua vida; se permaneceu indiferente quanto aos sentimentos dos outros; se causou profunda dor em variadas ocasiões, verificamos que o seu sofrimento no Purgatório será muito rigoroso, naturalmente intensificado pelo fato de que a experiência purgatorial seja de menor duração do que a vida vivida na Terra; mas a dor é intensificada proporcionalmente. Portanto, torna-se evidente que, se a experiência fosse contínua ou a dor gerada por um ato fosse imediatamente seguida por outra, grande parte do sofrimento perder-se-ia para a alma, pois não seria sentida em toda a sua intensidade. Por esse motivo, às experiências chegam-lhe em ondas, com períodos de descanso, para que o sofrimento seguinte possa ser profundamente sentido.

Alguns podem achar que isso seja cruel e que a dor infligida, ao utilizar-se desse artifício para intensificar o sofrimento, seja desnecessária. Porém não é assim. Esse sofrimento resultará um bem maior, pois a Natureza, ou Deus, nunca busca desforra ou vingança, mas apenas almeja ensinar ao culpado a não mais reincidir no erro. Por isso, ele deve expiar todas as faltas cometidas. Isso irá ensiná-lo a respeitar, em vidas futuras, os sentimentos alheios e a ser misericordioso com todos. Portanto, é necessário que a dor seja altamente sentida para a conservação da energia e para que a pessoa possa purificar-se e tornar-se melhor, o que não aconteceria, caso a dor fosse contínua e o sofrimento, correspondentemente amenizado.

(Pergunta nº 1 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas Volume 2)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Quando um ser humano paga aqui as suas dívidas, cuida da sua família e vive uma vida honrada não estará em excelentes condições no outro Mundo?

Pergunta: Quando um ser humano paga aqui as suas dívidas, cuida da sua família e vive uma vida honrada não estará em excelentes condições no outro Mundo?

Resposta: Não, exige-se algo mais. Há muitas pessoas que julgam ser isso suficiente, no entanto, passam tempos nada invejáveis no Mundo do Desejo após a morte. Naturalmente, devem ser respeitadas, mas somente sob o ponto de vista desta existência. Na verdade, precisamos cultivar algumas tendências altruístas para progredirmos além do nosso presente estágio evolucionário.

Encontramos pessoas que negligenciaram seus mais altos deveres na quarta região do Mundo do Desejo (onde está a Região Limítrofe) após a morte. Há o ser humano de negócios que pagou o valor justo pelo que recebeu, que foi honesto com todos, que trabalhou para o progresso material da sua cidade e país como um bom cidadão, recompensou seus empregados com ótimos salários, tratou sua esposa ou seu marido e família com respeito, deu-lhes tudo que há de melhor, etc. Ele pode até, por causa deles, ter erigido uma igreja, ou até ter feito doações generosas para isso, ou ainda ter construído bibliotecas ou fundado instituições. Contudo, ele não se deu. Ele só se interessou pela igreja por amor à família ou à respeitabilidade, ele não colocou seu coração nisso, pois o seu coração estava todo nos negócios, em ganhar dinheiro ou alcançar uma posição de destaque no mundo.

Ao entrar no Mundo do Desejo, após a morte, ele é considerado bom demais para passar pelo Purgatório, mas não o bastante para entrar no Céu. Ele tratou a todos com justiça e não prejudicou ninguém. Portanto, nada tem a expiar. Todavia, tampouco fez algo meritório que o habilitasse a uma vida no Primeiro Céu, onde o bem da sua vida passada é assimilado. Sendo assim, permanece na quarta região do Mundo do Desejo, isto é, entre o “Céu e o Inferno”. A quarta região, que é a região central do Mundo do Desejo, é onde o sentimento é mais intenso. O ser humano tem aí ainda um desejo profundo pelo mundo dos negócios, mas não pode mais comprar nem vender, e sua vida se torna terrivelmente monótona.

Tudo o que doou às igrejas, instituições, etc. não é considerado, pois não colocou nisso o seu coração. Somente quando damos por amor é que a dádiva nos trará felicidade no outro Mundo. Não é o valor que damos, mas o espírito que acompanha o ato é que importa; portanto, todos podem dar e se beneficiar, tanto a si como aos outros.

Entretanto, a distribuição indiscriminada de dinheiro leva, frequentemente, as pessoas à indigência e ao esbanjamento. Por esse motivo, devemos manifestar amizade, uma simpatia sincera, ajudar as pessoas a terem fé em si mesmas, colaborar para que se reergam com novo ânimo após uma dura queda, isto é, nos dar por meio de serviços prestados à humanidade. Com estas atitudes estaremos acumulando tesouros no céu, mais preciosos que o ouro. Cristo disse: “Os pobres estão sempre conosco”. Podemos não ser capazes de levá-los da pobreza à riqueza, o que talvez não seja o melhor para eles, mas podemos encorajá-los a entender a lição a ser aprendida na pobreza; devemos levá-los a uma visão melhor da vida e, se o ser humano indicado na pergunta não tiver agido por amor, ele não estará “bem” após a morte; sofrerá aquela terrível monotonia que o ensinará a preencher a sua vida com algo que tenha real valor. Assim, em vidas futuras, a sua consciência o estimulará a fazer coisas melhores do que ganhar dinheiro, conquanto não negligencie seus deveres materiais, pois isso seria tão condenável quanto o fato de rejeitar a realização espiritual.

(Pergunta nº 15 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Fraternidade Rosacruz concorda com a pena capital? Se assim for, expliquem as razões. Quando um ser humano é executado, a Lei da Mortalidade Infantil incidirá sobre ele na próxima vida e ele morrerá na infância como acontece com as vítimas de acidentes?

Resposta: Os Ensinamentos Rosacruzes nunca estão em conflito com a Religião Cristã e sabemos que, de acordo com a doutrina de Cristo, o princípio de vingança, “olho por olho, dente por dente”, está totalmente errado. Além disso, do ponto de vista oculto, há outras razões abalizadas pelas quais a pena capital seja enfaticamente considerada a pior maneira de lidar com um ser humano perigoso. Enquanto tal ser humano estiver preso ao Corpo Denso, será fácil controlá-lo e confiná-lo em um lugar onde não possa prejudicar a sociedade; no entanto, quando o enforcamos ou eletrocutamos, estamos na realidade soltando-o no Mundo do Desejo, onde lhe será possível influenciar os outros muito mais do que aqui.

Tais pessoas, que representam ameaça para a sociedade, não demoram para descobrir suas possibilidades e tirar vantagens delas. Incitam as que possuem um ressentimento contra a comunidade a realizar alguns feitos, encorajando-as a destruir edifícios, cometer assassinatos, estupros ou ainda a satisfazer um ressentimento pessoal contra algum inimigo, tirando-lhe a vida. Assim, o homicídio resultante da pena capital dará origem a muitos outros crimes. Por outro lado, se o assassino fosse encarcerado tendo em vista a segurança da comunidade, seria possível que, durante os anos de sua vida na prisão, chegasse a mudar sua maneira de agir. Muitos arrependem-se dos seus crimes e, quando libertos do corpo pela morte natural, alcançam o Mundo do Desejo e não representam mais ameaça para a sociedade nem têm influência maléfica sobre os outros.

Por todas essas razões, a pena capital realmente atua de forma oposta ao propósito para a qual foi criada. Não age como um meio de impedimento para outros criminosos; ao contrário, fomenta e instiga o crime. Portanto, mesmo excluindo o fato de que a prática da vingança seja totalmente errada, que não tenhamos o direito de tirar uma vida que não possamos dar ou que muitas vezes um ser humano seja julgado e executado por um crime que não cometeu, enquanto o verdadeiro assassino anda à solta, mesmo assim a pena capital deveria ser abolida para que houvesse diminuição de crimes.

Quanto à sua pergunta sobre um assassino executado ter de morrer durante a infância na vida seguinte, podemos responder que sim. De acordo com a Lei da Mortalidade Infantil, quem morrer sob dramáticas circunstâncias, não podendo rever o panorama da sua vida logo após a morte, não recolherá os frutos da sua vida passada. Quando uma pessoa é executada, o choque, o ódio e o ressentimento experimentados — os horrores do procedimento todo — privam-na da paz e tranquilidade necessárias ao trabalho post-mortem, de forma que ela não obterá um registro da vida que findou. Portanto, essa perda terá que ser suprida por um trabalho educacional realizado depois que ela tiver morrido como criança na vida seguinte, exatamente como foi esclarecido em outros trabalhos da nossa literatura, onde a Lei da Mortalidade Infantil é amplamente explicada.

(Pergunta nº 33 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. 2)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por que há almas novas e almas velhas se todos iniciamos na evolução ao mesmo tempo?

Pergunta: Lemos sobre almas novas e almas velhas. Não nos iniciamos todos nesta vida terrena ao mesmo tempo, ou alguns já vieram para cá em uma onda de vida anterior? Não são os de cor branca da mesma idade anímica?

Resposta: Começamos ao mesmo tempo como Espíritos Virginais, em nossa peregrinação evolutiva; entretanto, desde o início alguns adaptaram-se mais ao ambiente. Portanto, desde os primórdios, alguns atrasaram-se nessa escola da vida, da mesma forma que acontece atualmente com as crianças, em nossas escolas. Alguns são mais precoces que outros, e estes, naturalmente, são mais capazes de passar, na escola da vida, pelas fases da evolução, atingindo um grau de consciência mais elevado.

Assim, a onda de vida que hoje é humana dividiu-se automaticamente em várias classes que agora conhecemos como raças branca, negra, vermelha e amarela; os mais atrasados da escola são atualmente os antropoides superiores (bonobos, chimpanzés, orangotangos e gorilas). Por outro lado, há os que se revelaram particularmente precoces e galgaram mais degraus, em termos de evolução, do que a maior parte da humanidade. São pouquíssimos, comparativamente falando; no entanto, encontramo-los entre os Iniciados, Adeptos e os Irmãos Maiores da humanidade, que estão no topo da escada da onda de vida humana. Por conseguinte, é certo que todos nós estamos percorrendo a estrada da evolução no mesmo período de tempo, mas alguns foram mais adaptáveis, mais diligentes. Consequentemente, acumularam para si mais experiência. É isso que constitui realmente a idade da alma, de forma que aqueles que alcançaram maior conhecimento podem ser chamados “almas velhas”, enquanto aqueles que estão atrás são, falando em termos comparativos, “almas novas”. Os Espíritos que habitam os antropoides podem ser considerados “sem alma”.

(Pergunta nº 35 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. 2)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Quando o Ascendente está em Áries, isso mostra que o nativo é uma alma nova?

Pergunta: Desejaria fazer uma pergunta a respeito da declara­ção feita por Max Heindel em alguns dos seus artigos, no sentido de que, quando o Ascendente está em Áries, isso mostra que o nativo seja uma alma nova, ou, em outras palavras, esteja no início da manifestação material. Em oposi­ção a isso, Max Heindel diz também que sempre que o Ascendente ocorre em Escorpião indica que a disso­lução começou a ocorrer.

Porém, enquanto o aspecto relativo a Áries indica uma proposta física, o relativo a Escorpião deixa-nos em dúvida. O aspecto de Escorpião está relacionado unicamente ao físico, de que forma? A dissolução ocorre imediatamente ou será de natureza gradual, culminando finalmente na passagem pelo Signo de Peixes?

Max Heindel declara também ser difícil elucidar o horóscopo de uma criança de sete meses, porque parece estar fora da linha relativa ao nativo. Eu sou um exem­plo de criança nascida aos sete meses e posso comprovar a veracidade dessa declaração. No entanto, levando em consideração a primeira parte desta carta, não consigo ver como poderia reconciliar, em minha Casa, as condi­ções relativas ao Ascendente de cada membro com a apa­rente indicação e inclinação de cada um como opostas a mim.

Resposta: Mesmo que tivéssemos feito a declaração que o consulente nos atribui, ou seja, que aqueles que têm Áries no Ascendente sejam almas novas, isso não poderia servir-lhe de orientação neste caso, pois admite ser uma criança nascida aos sete meses. Em consequência, os princípios gerais não poderiam ser aplicados em seu caso. Contudo, na realidade, nunca fizemos tal declaração. Se procurar a passagem à qual se refere, verá que sua memória o enganou. O que dissemos, e ainda dizemos, é que o Espírito nasce sob todos os doze Signos a fim de adquirir a experiência advinda de cada um deles; e podemos considerar como princípio, falando em termos gerais, que os que nascem com Áries no Ascendente entraram recentemente em um novo ciclo de vida, uma espiral mais elevada no caminho de sua evolução.

Torna-se evidente que alguns de seus familiares ou outros que o rodeiam possam ter qualquer um dos onze Signos se elevando e, assim mesmo, estar a um ou mais degraus, ou espirais, abaixo ou acima daquele que tem Áries no Ascendente. Quando isso for entendido, compreenderemos facilmente que quando uma pessoa alcança Escorpião, o Signo da morte e da dissolução, os frutos de todas as vidas regidas pelos vários Signos precedentes estão começando a amadurecer e a dissolver-se para que, quando o Espírito progredir através de Capricórnio, Aquário e Peixes, esses frutos sejam gradualmente assimilados, a semente amadureça para permitir a entrada da alma em Áries e, assim, iniciar um novo ciclo de vida.

Devemos também entender que o número de nascimentos referentes a qualquer Signo particular varia de acordo com a adaptabilidade do Espírito e a facilidade com que aprende as lições programadas para ele pelas Divinas Hierarquias. Só pode haver um único nascimento sob Áries num determinado ciclo de vida e, talvez, cinco ou dez sob os outros Signos; e vice-versa, de forma que, se dois espíritos tivessem que nascer sob o Signo de Áries na mesma espiral de evolução e um dentre eles se mostrasse diligente na aprendizagem de suas lições na escola da vida, poderia ser promovido à classe de Touro ou mesmo Gêmeos, antes que o outro deixasse Áries. Tendo ele uma especial preferência pelo trabalho de Gêmeos, poderia acelerar-se, ultrapassando o outro que marcharia lentamente pelo caminho de Câncer e assim por diante. Não há regras definidas. Tudo depende da qualidade inerente ao Ego e o que um faz não pode servir de critério para o que o outro possa fazer. Por isso, não podemos julgar a condição de qualquer um examinando apenas o seu Ascendente.

Só há um método que fornece solução aproxi­mada para a questão da intenção das Divinas Hierarquias a respeito de uma vida particular, que é comparar a progressão relativa do Ascendente com a do Meio-Céu. Ao fazer isso, podemos notar que um deles esteja movendo-se mais rapidamente que o outro. Supo­nhamos, por exemplo, que estejamos acompanhando o ho­róscopo de uma pessoa durante quarenta anos. Digamos que um grau de Áries esteja no Meio-Céu e um grau de Câncer, no Ascendente, no momento do nascimento. Imaginemos, então, que, aos quarenta anos, o Meio-Céu tenha progredido até Touro, 5, e o Ascendente, até Leão, 15. Isso mostra que o Meio-Céu percorreu 35 graus, enquanto o Ascendente andou 45. O Meio-Céu indica as tendências espirituais e as oportunidades na vida e o Ascendente mostra o lado material. Assim, é evidente que as oportunidades colocadas diante daquele Ego foram principalmente materiais e a tendência da sua evolução, na vida que estamos considerando, seria especialmente terrena.

Contudo, preste atenção a isto: o horóscopo, como reiteramos repetidamente, só mostra as tendências e é perfeitamente possível que uma pessoa com tal horóscopo decida seguir seu próprio caminho e cultivar todas as oportunidades espirituais que puder. Se ela tiver suficiente força de vontade, poderá mudar completamente a sua vida. Outra, cujo Meio-Céu progrida mais rapidamente do que o Ascendente, poderá encontrar dificuldades em atingir o sucesso material, mas terá todas as oportunidades para o crescimento anímico que almejar em seu caminho. Poderá também decidir governar as suas estrelas e ser bem-sucedida nos casos mundanos, mas o fato de conseguir isso, ou não, dependerá da sua força de vontade em oposição à indução das estrelas.

(Pergunta nº 36 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. 2)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Quando oramos para o Cristo as nossas preces realmente o alcançam, ou são respondidas, ou recebidas por um ser menos elevado?

Pergunta: Quando oramos para o Cristo as nossas preces realmente o alcançam, ou são respondidas, ou recebidas por um ser menos elevado?

Resposta: Aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes que uma das funções do grande Ser ao qual conhecemos como Cristo – o maior de todos os Arcanjos, o mais elevado Iniciado do Período Solar, o Deus-Filho -, o Espírito Planetário da Terra, é de impregnar nosso Planeta com Sua vida e abastecer a atmosfera com Suas vibrações espirituais, para estimular a humanidade na sua evolução espiritual.

Há uma ligação direta entre cada indivíduo disposto a Viver uma Vida seguindo os Seus ditames e o Espírito de Cristo.

Essa ligação é mantida pela formação do Corpo-Alma, o veículo composto pelos dois Éteres Superiores do Corpo Vital (o Éter Luminoso e o Refletor).

O Corpo-Alma é o produto do altruísmo, do serviço, da pureza e da aspiração espiritual. Os Éteres que o compõem estão em correlação direta com o Mundo do Espírito de Vida, o lar espiritual do Cristo (onde ele trabalha e vive cotidianamente, como nós, quando renascidos aqui, vivemos cotidianamente no Mundo Físico).

Dessa forma o Ego que consegue constituir o seu Corpo-Alma liga-se em correlação direta com o Espírito de Cristo.

Quando oramos para o Cristo, oramos, na realidade, ao Espírito de Cristo dentro de nós, o segundo aspecto do Tríplice-Espírito, ou Ego Superior.

A oração evoca, às vezes, a ajuda de Seres Superiores, que vem auxiliar a pessoa suplicante.

Devemos lembrar, porém, que a oração científica consiste de glorificação e adoração.

Como disse Max Heindel: “Quando oferecemos orações de agradecimento e louvor, colocamo-nos numa posição favorável em relação à Lei de Atração, e estamos num estado de receptividade que permite que possamos receber uma maior dádiva do Espírito do Amor e da Luz”

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de Novembro/1974)

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