Categoria Filosofia

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Pecados de Omissão: leve-os ao tribunal de nosso Cristo interno por meio da Retrospecção

Os Pecados de Omissão: leve-os ao tribunal de nosso Cristo interno por meio da Retrospecção

A Epístola Universal de São Tiago contém poderosa mensagem, que aponta claramente a preocupação do autor para o crescimento espiritual através da AÇÃO, especialmente quando as condições da vida são difíceis. Em seu versículo 22, enfaticamente, declara que a verdadeira religião é mais do que fé. É a lei da ação: “Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos, porque se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla no espelho o seu rosto natural”.

São Tiago, também, exorta que consideremos as provas e as perseguições como um privilégio, em vez de culpar a Deus, “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos.” (Tg 1:4).

O aspirante a vida superior procura, naturalmente, evitar os erros que impediriam o seu progresso espiritual: Procura não roubar; evita as maledicências, a violência, o adultério, a fraude; não se vangloria; não julga e, em geral, se mantém longe de tudo que interfere com o seu Caminho.

Tratando de obter um melhor autoconhecimento, alguns aspirantes passam longas horas na tarefa de obter informações suplementares; querem pesquisar as suas origens; saber do seu desenvolvimento futuro e procuram soluções para o Mistério do Mundo. Isso demanda longas horas e, consequentemente, não sobra tempo para serem também “cumpridores da palavra” – atividade de que alguns, deliberadamente, procuram se furtar sob essa ou aquela alegação. Quanto a aquisição de conhecimentos, Max Heindel nos diz: “É repreensível passar a vida egoisticamente na procura exclusiva do avanço espiritual, como seria repreensível não haver nenhum avanço espiritual”. São Tiago diz claramente: “Aquele pois que sabe fazer o bem e não faz, comete pecado” (Tg 4:17).

A omissão pode ter consequências graves. Os pecados de omissão não são menos sérios que os pecados de comissão e determinam, também, a vida e desenvolvimento do futuro aspirante. Para quebrar a cristalização de nossa indiferença, no sentido de dominar e vencer nossa tendência para a omissão, devemos lançar mão de concentração e determinação, na realização efetiva de sermos “cumpridores da palavra”, não olvidando que os atos de abnegação ao semelhante contribuem grandemente para o crescimento do Corpo-Alma e Vital. O serviço à raça humana é o ensinamento crucial da Filosofia Rosacruz e, sem o uso prático e muito positivo desse conhecimento místico o aspirante contribui para a não realização de um vital progresso em sua caminhada; ao qual não poderá se chegar tão somente através de estudos vigorosos.

Há tantas maneiras de “fazer o bem” e São Tiago antecipa os pontos principais do que deve se considerar importante: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas, nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1:27). Nem todos podem, nem todos querem visitar órfãos e viúvas, porém seria simplificar ao máximo o nosso papel se a nossa racionalização concluir com um simples não, já que “seguramente há um grande número de voluntários e eu estaria provavelmente atrapalhando o serviço”.

Nós todos gostamos de receber cartas, porém, quantos há que protelam a hora de responder devidamente? Não é um erro grave, por certo, mais é um pecado de omissão, apontando para o nosso prazer em receber e relutância de sermos incomodados para dar de nós mesmos.

Até os acamados podem agir: pela atividade mental de orar pelo trabalho da Fraternidade como centro espiritual de progresso para a humanidade; para os dirigentes do mundo em sua luta de manter a PAZ; para os líderes locais tentando equilibrar os orçamentos; e para uma colaboração sempre mais esclarecida, que possa manter longe a tragédia da guerra e assim por diante. O mundo de hoje palpita em direção da mutação. Cada ato desinteressado, multiplicado por milhões de outros do mundo todo; cada oração em benefício do mundo e cada ação direta inteligentemente alinhada com a evolução trará o aspirante e a humanidade um passo a frente, na senda do progresso espiritual.

Ao findar o dia podemos levar os nossos pecados de omissão ao tribunal de nosso Cristo interno por meio da Retrospecção, e receberemos o Seu perdão. Os pecados de omissão, por outro lado, costumam não ser lembrados na Retrospecção. Em realidade, deveriam ser transformados em prioridades para a ação do dia seguinte, ou tão cedo quanto possível. Não podemos nos dar ao luxo de carregar indefinidamente uma longa e pesada relação de nossos pecados de omissão. Eventualmente, a lei da Consequência demandará de cada aspirante o crescimento para um estado espiritual adulto em que cessamos de ser ouvintes da Palavra e nos tornamos praticantes da mesma.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – 11/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Relação da Sabedoria com o Conhecimento e o Amor

Relação da Sabedoria com o Conhecimento e o Amor

Como fator de relação com a Sabedoria, seria errôneo menosprezar o conhecimento, tal a sua importância em nossa vida, mesmo porque o sistema educacional obriga-nos adquiri-lo.
Dada essa circunstância, Max Heindel aponta para uma complementação, quando diz: “Tão seguramente como o pensamento existiu antes do cérebro e o construiu e ainda está construindo para sua expressão; tão seguramente como a Mente está abrindo caminho, pela força de sua audácia, arrancando segredos da natureza, com a mesma segurança o coração encontrará a forma de romper suas cadeias satisfazendo seus anelos agora impedido pelo cérebro dominante. Porém, algum dia dar-se-á o aumento de sua força e lhe será possível remover as barras de sua prisão, para converter-se em um maior poder do que a Mente”.

Esse será o momento em que os Ensinamentos Rosacruzes virão em auxílio daqueles intelectualmente inclinados, atraídos pelo desenvolvimento do poder cerebral para conduzi-los através do raciocínio ocultista ao desenvolvimento místico cristão do coração.

O conhecimento é poder. O conhecimento em si mesmo não é nem bom nem mau, já que poderá ser usado com um ou outro propósito, o que é demonstrável na ação do gênio, cuja tendência poderá ser boa ou má. O indivíduo de guerra, tal como Napoleão, poderá ser cruel e destruidor, espezinhando sentimentos, porém, um governante sábio é tão bom de coração como poderoso intelectualmente, o que dá margem para realizar uma ação equilibrada permitindo-lhe promover o que é de melhor para seu povo. O conhecimento que se desenvolve ao longo ou em fases ocultas ou religiosas apenas, não é sabedoria, tal como disse São Paulo na 1ª Epístola aos Coríntios – Cap. 13: “Se compreendêssemos todos os mistérios e toda ciência…e não tivéssemos Amor, nada seríamos”.

Como não há contradição na natureza, o Coração e a Mente devem ser capazes de se unir, uma vez que “a Mente auxiliada pela intuição do Coração poderá sondar mais profundamente os mistérios do ser, o que não seria possível se cada um agisse separadamente. O Coração, unindo-se com a Mente, não poderá extraviar-se” – (Livro Conceito Rosacruz do Cosmos). A natureza do Coração – o Amor – sente que há algo mais elevado do que apenas a Mente poderia captar. O Coração pode enveredar-se nas profundas verdades desconhecidas.

Através da nossa literatura sabemos que a Filosofia significa “Amor e Sabedoria”. A Sabedoria é o Segundo Aspecto do Deus Trino – o Principio Crístico – a meta da Humanidade, que será alcançada quando nosso conhecimento tenha se desposado com o amor. Então teremos Sabedoria, uma expressão do Espírito de Cristo.

Max Heindel afirma no livro Ensinamentos de um Iniciado: “Devemos ter muito cuidado em discernir adequadamente este ponto, pois podemos ter discernimento entre o que é conveniente para o desenvolvimento de um determinado fim e o que poderá obstaculizá-lo, já que podemos fazer uma má opção com olhos a uma realização futura, o que não demonstra sabedoria, evidentemente. O conhecimento, a prudência, a discrição e o discernimento nascem na Mente, armadilhas do mal, as quais Cristo na Oração Dominical nos ensinou, como orando, nos livrássemos delas. Somente quando temperadas pela faculdade do Amor que nasce do coração poderão mesclar-se convertendo em Sabedoria”.

Se substituíssemos a palavra Sabedoria pela palavra Amor na 1ª Epístola aos Coríntios, cap. 13, compreenderíamos que esta grande faculdade é a que deveríamos ardentemente desejar.

(Revista Serviço Rosacruz – 04/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Desenvolvimento Mental: adquirido através de atividade e exercício mental apropriados

Desenvolvimento Mental: adquirido através de atividade e exercício mental apropriados

Alguém que tenha experimentado alguma vez o que foi chamado de “a graça da concentração criativa” não poderá se sentir indiferente pela perda de tempo nas ocupações e passatempos sem sentido, que geralmente fazem perder uma parte de energia mental. Se no passado essa pessoa encontrou algum prazer na preguiça e inatividade mental, provavelmente, continuará agindo assim por mais algum tempo. Hábitos antigos são difíceis de mudar, mas a sua consciência, estimulada pela lembrança da elevação espiritual e da realização resultante de seus momentos de concentração criativa, irá causar-lhe uma inquietação cada vez maior.

Começará a sentir que é, na verdade, um pecado contra o espírito, deixar-se sucumbir pela indolência mental, desperdiçar seus talentos intelectuais e levar, mesmo que parcialmente, uma existência improdutiva.

Uma das razões para nossa curta permanência neste mundo físico é que devemos desenvolver a força criativa e a capacidade que temos dentro de nós. Quando percebemos o que podemos conseguir com esta força e que grande capacidade latente existe em nós, não ficaremos mais satisfeitos em deixar que outros nos distraiam continuamente, que pensem por nós (e nós podemos pensar até melhor) e que fiquemos parados vendo a vida passar. Vamos querer, cada vez mais, participar ativamente nos pensamentos construtivos e originais, dedicando tantos momentos quantos forem possíveis a isto, e experimentar a alegria e exaltação que nos vem quando tais pensamentos são traduzidos em ações e nos trazem seus frutos.

Nossa ideia original de “descanso”: sentar-se por longo tempo diante da televisão assistindo programas fúteis; leitura literária de valor duvidoso, que exige pouca ou nenhuma resposta mental; assistir a filmes de segunda classe ou qualquer outro tipo de atividade mundana e passiva.

O que parece de início tarefa difícil, concentração, estudo ou pensamento criativo, quando tomamos consciência por um esforço determinado da vontade, torna-se fácil, mais natural e até familiar. Com o tempo, o esforço desenvolvido da vontade para estas atividades será mínimo e, a antiga tendência para as atividades improdutivas e passivas mudarão e até sentiremos um sentimento agudo de desagrado por tarefas desta natureza.

Isto de maneira alguma implica na necessidade de uma pessoa tornar-se escravo mental ou levar uma vida exclusivamente contemplativa, para experimentar elevação espiritual da concentração criativa. Muito longe disso, os resultados da concentração criativa devem resultar em ação criativa e é este o verdadeiro significado que deve nortear os que assim se concentram. Devemos reservar algum tempo a esta atividade, mas certamente uma vida vivida exclusivamente “pensando”, sem nada ou pouco “fazer” não preencherá o propósito de nossa existência na Terra.

O descanso é um fator importante nas nossas vidas, mas os períodos de descanso devem ser intercalados com períodos de concentração criativa e atividades criativas, o que é muito necessário para a maioria das pessoas, porque estamos no estágio do desenvolvimento mental.

Há, porém, muito poucos que podem sustentar continuamente um alto grau de atividade mental ininterrupta e intensiva, ou uma atividade duplamente mental e física, sem o alívio e o relaxamento de ocupações menos exigentes. O descanso físico, contudo, não precisa ser passivo, parado, assim como o descanso mental não quer dizer que a Mente não vá ser usada.

Por exemplo, no descanso do estudo, uma pessoa pode fazer uma literatura menos séria, mas que seja ao mesmo tempo, estimulante para a Mente. Tratados filosóficos podem ser postos de lado em favor de livros de viagem, artigos sobre a natureza, animais ou qualquer outro tipo de assuntos de interesse particular. Esses livros são mentalmente estimulantes e oferecem à Mente uma variação de tipos de leitura. O descanso combinado com o estímulo mental é também obtido através de atividades como passeios ao ar livre, o contato com a natureza, contemplando-a e meditando sobre ela, ter os olhos e os ouvidos abertos, tentando aprender enquanto passeamos, escutar uma boa música, fazer visitas a museus e ter conversas elevadas e construtivas com amigos. Todos esses passatempos e muitos outros são muito mais produtivos, e exercem uma atividade mental muito maior, do que permanecer na inércia, que é tido como descanso por muitas pessoas. Um dos piores defeitos que podemos ter é o da preguiça mental e autoindulgência. A Mente é o veículo mais recentemente adquirido, dos quatro que possuímos, e, como tal, é o menos desenvolvido.

Max Heindel nos deu muitas informações sobre a Mente nos seus vários trabalhos. Leia-se no Conceito: “A Mente é o instrumento mais importante que o espírito possui; um instrumento especial na obra da criação. A laringe espiritualizada e perfeita determinará e falará a Palavra Criadora, mas a Mente aperfeiçoada decidirá quanto à forma particular e volume de vibração. A Imaginação será a faculdade espiritualizada que dirigirá a criação”.

É um sublime ideal, sem dúvida, mas o ser humano ainda está longe de obter este desenvolvimento mental, de atingir seu auge, sua finalidade.

No livro “Cartas aos Estudantes”, encontramos: “A Mente da maioria das pessoas é como uma peneira, um crivo. Os pensamentos se filtram através de seus cérebros da mesma forma que a água atravessa a peneira. Estes pensamentos são bons, maus e indiferentes, estes últimos em grande maioria. A imaginação não retém nenhum deles, o suficiente para poder conhecer sua natureza, e assim alimentamos a ideia de que não podemos impedir que nossos pensamentos fossem como são. Por causa disto, muitas pessoas acostumam-se a pensar negligentemente, o que os torna incapazes de se concentrarem num determinado assunto ou dominá-lo. É difícil alcançar isto, mas quando se consegue o controle do pensamento, a pessoa que conquistou isto tem certamente em sua mão a chave-mestra do êxito, em qualquer empreendimento”.

Por tudo isto é óbvio concluir que a Mente precisa desenvolver-se cada vez mais. Perdemos tempo ocupando-a com pensamentos vagos e indignos, ao invés de exercitá-la condignamente para aumentar sua força e seu potencial. Precisamos de muitas vidas de esforço mental controlado para desenvolver a Mente.

Não parece razoável, então, que ajudemos ativamente este processo, de todas as maneiras possíveis, em lugar de impedir e até recusar o trabalho contínuo de estimular e exercitar a Mente?

Projetá-la também numa situação nova e desafiadora e trabalhar sobre as forças criativas latentes, que eventualmente poderão manifestar-se?

Conservar a Mente ocupada em canais construtivos de serviço à humanidade é a única maneira de ajudá-la a evoluir até aquele ponto de perfeição criativa para a qual está destinada. Todas as vezes que nos permitimos ficar indolentes mentalmente ou arquitetamos pensamentos destrutivos ou vagos, em lugar de pensamentos construtivos, e se possível criativos, estamos segurando e atrasando bastante o desenvolvimento de nossa Mente. Além disso, quando nos deixamos levar por certos tipos de atividade mental negativa, mais difícil será para nós recomeçar a usar a Mente em propósitos dignos e válidos. Preguiça mental que se disfarça sobre a forma de distração ou descanso, é muito agradável às naturezas inferiores que não desistirão de esse proceder facilmente, uma vez que já o hábito se instalou.

Muitas vezes, durante o dia, quando estamos ocupados nas tarefas de rotina, porém necessárias, a Mente pode estar sendo exercitada. Períodos de afazeres domésticos, jardinagem, tempo gasto no transporte indo ou vindo do trabalho, momentos de espera para algum compromisso ou algo parecido, tudo pode ser utilizado em benefício da Mente. A grande maioria das pessoas tem no fundo de suas Mentes, vagas ideias de projetos, de realizações, de condutas que se apresentam como possibilidades para considerações futuras “quando tivermos tempo”. Muitos de nós temos tempo e até mais tempo do que imaginamos, e deveríamos usá-la na consideração destes novos esquemas: colocar os planos em atividade e usar o tempo que temos, sabiamente.

Se utilizarmos, de maneira correta, todos os momentos que temos a nossa disposição, a nossa Mente será capaz de grandes coisas. A atividade construtiva mental, intermeadas por períodos de repouso mental, que também é de natureza construtiva, moldará e transformará com firmeza a nossa Mente, em instrumento de força e poder inacreditáveis.

A graça (dádiva) da concentração criativa deve ser adquirida através de atividade e exercício mental apropriados. Uma vez obtida esta graça, acharemos nossas vidas mais ricas e desenvolvidas, e ficaremos surpreendidos em ver o tempo que desperdiçamos, quando fugimos de fazer este esforço mental.

(Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” e publicado no Serviço Rosacruz – 06/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Aperfeiçoamento: as tarefas que Deus nos dá cada dia como oportunidade

Aperfeiçoamento: as tarefas que Deus nos dá cada dia como oportunidade

O aperfeiçoamento do ser humano é algo sagrado que se ressente à profanação da palavra, porque deseja ser realizado no silêncio do próprio coração do indivíduo. O aperfeiçoamento não é algo que se possa receber de graça, e tampouco dar a outrem, pois, é uma realidade própria a cada um de nós. O aperfeiçoamento é um acontecimento íntimo que merece ser guardado na reserva das atividades humanas, como base propulsora de um trabalho cada vez maior. O aperfeiçoamento de cada um de nós tem para cada um, também, o seu jogo particular de ação, a sua forma própria de projeção, a sua atividade característica. Assim, o que um descobre no seu caminho, nem sempre será oportuno para seu irmão. Embora o objetivo seja o mesmo numa escola de aperfeiçoamento, cada um só pode seguir a sua linha de orientação interna e os reclamos de sua própria natureza íntima. Por isso o valor real do progresso de cada pessoa, só a ela se expressa com real intensidade, só a ela se expressa com interesse máximo e com o máximo aproveitamento que deve ter.

“Seleções do Readers Digest” publicou há algum tempo, uma frase, que, apesar do seu aspecto humorístico, encerra uma grande lição: “De nada nos adianta falarmos aos outros a respeito de nossos filhos. Ou eles têm filhos ou não têm”. O mesmo ensinamento se ajusta aos nossos defeitos e virtudes, que são os filhos de nossa alma. Os filhos que recebemos pela carne procuramos educar o melhor possível, sentindo-nos consternados quando erram, e regozijando-nos com as suas vitórias. Todos os pais normais sentem o mesmo pelos seus filhos, de sorte que, as gracinhas dos filhos alheios podem distrair-nos por um momento, porém, jamais hão de ter, para nós, o valor que costumam ter para os pais da criança. O mesmo acontece no que se refere aos outros em relação aos nossos filhos. E isso quando não chega a despertar inveja em pobres corações mesquinhos que, dando-se o direito de analisar, veem na alegria de uma mãe ou de um pai “coruja”, apenas sentimentos de vaidade e de orgulho, o que em parte não deixa de ser verdade; embora as apreciações paternais sejam revestidas de sincero amor, não deixa de ser um amor egoísta. Por isso, encarando o fato com toda a franqueza, observamos que, ao revelar fracassos ou virtudes de nossos filhos, podemos estar dando oportunidade aos invejosos de nos condenarem ou até de se regozijarem com as nossas lutas familiares, ou ainda – o que é mais importante – podemos dar oportunidade a nós mesmos de nos tornarmos cega a nossa própria vaidade. Porque, em geral, ninguém – mesmo os menos favorecidos pela visão certa da verdade – ninguém nos joga, no rosto, coisas que de certa maneira não merecemos. O ditado é bem certo.

“Onde há fumaça, há sempre fogo”. Algo muito parecido com esse processo dá-se com o aperfeiçoamento íntimo. Por isso chegamos à conclusão que viveremos melhor e mais certo se procurarmos viver sempre no meio termo da naturalidade, da objetividade. Assim, poderemos ver também nos defeitos dos outros, exemplos de atitudes que será útil evitarem; encarando com naturalidade o fato humano de existir aquele defeito.

O ser humano objetivo não é frio, é ponderado; não é indiferente, é consciencioso. Ele sabe que a naturalidade é uma força que vem de dentro de si mesmo, resultante de seu próprio equilíbrio de ideias, de pensamentos, de aspirações, de seu desejo ativo de compreender a vida, a humanidade e a si mesmo. Ele sabe que já não há razão para perturbar-se com suas próprias deficiências; não encontra mais razão para julgar-se o último dos seres humanos. Ele sabe que suas vitórias não são suas, mas fazem parte da Criação, da Evolução do Todo. Sente-se tornando parte no mundo, fazendo parte da criação, e respira o ozônio da natureza, cada manhã com real prazer.

Pede perdão a Deus pelo que não pode realizar a contento da Evolução, e agradece as oportunidades que teve de poder ser bom. Respira a energia de Deus toda a manhã, e procura viver em Deus, pisando seguramente a terra firme. Tropeça, cai, levanta, prossegue, sabendo que pode cair outra vez, e procurando sempre estar cada vez mais preparado para as quedas.

Sabe que não existe um fim previsto para o seu aperfeiçoamento de cada dia, não existe uma determinação rigorosa previamente estipulada, pois cada coisa se realiza uma após outra, como um eterno fluir, e que somente dele depende aproveitar as suas oportunidades.

Por isso já não faz planos, não promete nada a si mesmo. Apenas põe a sua vontade, cada manhã, na vontade de Deus, procurando restaurar as energias gastas com oportunidades perdidas, no fluxo da harmonia divina que a tudo interpenetra. Observa que viver é um eterno fluir, e que a vigilância de cada dia, em pouco lhe dará como prêmio a conquista permanente, incorporando-se no seu todo como realização. Ele também sofre, mas sofre não por si mesmo, não pelo que os outros lhe possam fazer em ofensas e traições, mas sofre pelo que aquela ofensa encerra em desarmonia no Todo.

Sofre pelo Todo e não por si mesmo, porque sua maneira objetiva de ver as coisas, já não comporta apreciações subjetivas do sofrimento. E, quando seus olhos já podem observar esse panorama da vida e das criaturas, mais fácil se lhe aparece o caminho, e pode sentir, em tudo, a simplicidade do mundo de Deus, porém, não lhe escapa também a responsabilidade, quase dolorosa, de si mesmo para com os outros. Porque então, ele já não pensa só em si mesmo, nas suas coisas materiais ou espirituais, mas sente também necessidade de pensar nas coisas dos outros, de tornar a vida de cada um que com ele priva, melhor, mais fácil e mais digna. E isso tudo ele realiza sem planejamento, objetivamente, pondo mesmo de lado suas próprias lutas, como acontecimentos naturais da própria Vida. Esse ser humano objetivo já vive realmente em cada um de nós, e se mantivermos uma linha de conduta baseada em elevados ideais, se nos esforçamos numa autodisciplina rigorosa em cada dia que passa, perceberemos que esse ser humano objetivo vai se firmando em cada um dos nossos esforços, ajudando-nos a nos tornarmos cada dia mais fortes, até ajustar-se a nós como uma conquista humanizada. E essa conquista, começamos a notar mais viva quando cada esforço realizado vai deixando de ser esforço, transformando-se em até natural, e a vigilância permanente passe a transmutar-se num fluir de vida, num acionar natural do fluxo divino em nossas realizações e empreendimentos.

Por isso, lutemos pela nossa libertação na objetividade, procurando realizar nossas tarefas subjetivas com veneração à verdade e ao conhecimento, tarefas que Deus nos dá cada dia como oportunidade de realizarmos o Serviço na obra da Evolução.

“Que as Rosas Floresçam em vossa cruz”

(Revista Serviço Rosacruz – 03/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual o verdadeiro mérito no martírio? Os mártires tornaram-se realmente santos?

Pergunta: Qual o verdadeiro mérito no martírio? Os mártires tornaram-se realmente santos?

Resposta: O ser humano eleva-se numa união com Deus através de quatro etapas ou estágios.

No primeiro estágio, ele ora ou faz sacrifícios a um Deus que teme, portanto, procura agradá-Lo para que não o prejudique. No segundo, aprende a considerar Deus como um aliado poderoso contra os seus inimigos e um dador de todas as coisas que almeja, isto é, contando que O obedeça e ofereça-Lhe, em sacrifício, as coisas materiais que possui. Na terceira etapa, é ensinado a oferecer-se em sacrifício vivendo uma vida íntegra, e espera ser recompensado num lugar futuro chamado céu, onde viverá eternamente feliz como uma compensação por tudo que sofreu durante a vida terrena. Os mártires encontravam-se nesse estágio e eram totalmente imbuídos dessa crença e da glória do céu. Por essa razão, era-lhes fácil sacrificar suas vidas para alcançar rapidamente uma glória futura.

Na realidade, se o martírio pode levar-nos a um céu com bênçãos eternas, este seria o método mais fácil de obter a recompensa. Embora morrer requeira coragem, viver requer mais coragem ainda. Temos a tendência de pensar que quando um ser humano deu a sua vida, deu o que possuía de mais precioso. Frequentemente ouvimos pessoas dizerem de um suicida que “ele pagou por tudo”. De fato, suicídio é realmente uma expressão da maior covardia possível, e o martírio é bem menos admirável que as vidas dos que, dia após dia, esforçam-se por seguir os ensinamentos espirituais da Bíblia e viver uma vida nobre. É natural admitir que os mártires sejam admirados por apegarem-se firmemente a sua fé, mesmo diante da morte e torturas. Sem dúvida, terão maiores oportunidades de crescimento espiritual em vidas posteriores, se comparadas à que lhes foi tirada ao serem queimados na fogueira ou exterminados de outra forma. Também podemos dizer que se tornaram santos porque sua fé significava-lhes mais do que a própria vida. No entanto, sustentamos energicamente que o édito de uma igreja é incapaz de fazer de um pecador um santo.

(Livro: Perguntas e Respostas – Vol. I – pergunta 117 – Max Heindel)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Objetivos de um Verdadeiro Aspirante Rosacruz

Objetivos de um Verdadeiro Aspirante Rosacruz

Ninguém pode sentir-se feliz vivendo somente para si. Quem assim encaminha sua existência mal pode prever os desditosos resultados de tão triste semeadura. Não nos espanta saber que a sociedade moderna é um imenso agrupamento de pessoas acometidas de diversas formas de neurose. A neurose é uma doença; é um mal provocado por uma vivência centrada no egoísmo.

O neurótico, além de egoísta, tende a ser egocêntrico (eu+centro). Isto é, a colocar-se no centro de todas as coisas, como se fosse a pessoa mais importante do mundo. Isso, obviamente, gera conflitos e lhe traz sérios aborrecimentos. O indivíduo acaba por sentir-se isolado, solitário, incompreendido. Na verdade, ele se tornou incapaz de dar amor.

Os três grandes males ou pecados da nossa era: “o egoísmo, a impaciência ante as restrições e o orgulho intelectual” nada mais são que expressões neuróticas. A vida moderna, se o ser humano não orar e vigiar, tende a atirá-lo na turbulenta correnteza da competição e do hedonismo. São muitas as ciladas e sutis suas aparências. Para quem se deixou envolver pelos condicionamentos sociais, ou se há muito se acomodou ao ritmo e embalo da nossa colorida civilização, tudo isso parece normal. A anomalia consiste em não agir conforme esses parâmetros.

Como proceder, então, diante desse quadro pouco edificante?

Os Ensinamentos Rosacruzes preconizam uma vivência equilibrada.

“Viver no mundo, mas não ser do mundo” (Jo 17: 15-16) é uma boa filosofia de vida. O estudante Rosacruz entende não deve isolar-se só porque as condições do meio onde vive são incompatíveis com seus princípios. Alienar-se é um erro grave. A reparação deverá ser feita no devido tempo. Fugir as responsabilidades é passar ao largo de experiências valiosíssimas.

Evitar pessoas incapazes de falar a sua linguagem espiritual ou impotente para libertar-se de uma mentalidade materialista não lhe trará benefício algum. Saber relacionar-se sem perder sua identidade ou autenticidade é um indício de crescimento espiritual.

Ao estudante Rosacruz cabe cultivar algumas habilidades. Deve ser flexível e tolerante para com os defeitos alheios, mas vigilante para consigo mesmo. Em suma, é bom aceitar as pessoas como elas são, sem, entretanto, deixar-se abalar em suas convicções.

No convívio espiritual cabe-lhe fazer valer suas qualidades e competência isento, porém, de qualquer intenção de competir. Sem pretensões descabidas, trabalha honestamente, confiando na Justiça Divina que dá a cada um segundo seu merecimento. Se a ascensão profissional sobrevier como fruto de seus esforços saberá entendê-la como um meio de fazer o bem e não um fim em si mesmo. Infelizmente os seres humanos, em sua maioria, subverteram o sentido das coisas.

O estudante Rosacruz esforça-se por ser um exemplo no meio em que vive. Cuide-se, entretanto, de que isso não o torne vaidoso. À medida que avançamos no caminho da espiritualidade, as armadilhas revestem-se de sutilezas; as falhas de caráter assumem ares de virtude, e o tombo acaba por tornar-se perigosíssimo.

Fique atento o aspirante Rosacruciano: Viva o mundo material, mas cultive seu mundo interior, tendo sempre presente que o “Reino de Deus está dentro de si mesmo” (Lc 17:21) e deve governar todos os seus passos. Por falar em passos, evite viver apressadamente, como aqueles que correm desesperadamente atrás de algo que nem sabem definir o que seja. Trabalhamos para viver e não para morrer. A serenidade nunca está com pressa, jamais é impaciente e com falta de tempo. Segundo Goethe, “a felicidade não é um prazer transitório, mas a longevidade de um poder secreto”.

Se o mundo adora a sofisticação, o estudante ruma em sentido contrário: prefere a simplicidade. É mister redescobrir a simplicidade – simplicidade no viver, simplicidade nas atitudes com relação ao mundo e a outras pessoas. Os prazeres simples trazem mais duradouros benefícios.

As simples qualidades cristãs de amor e bondade, embora nem sempre apreciadas em nossa avançada sociedade tecnológica, são ainda as melhores fontes de felicidade.

Tudo isso é muito importante, mas a suprema meta do Estudante Rosacruz deve ser a consagração de sua vida a servir a humanidade. Os elevados e compassivos seres que regem nossa evolução necessitam, em sua missão benfeitora de obreiros, de auxiliares aqui no plano físico. Quanto mais nos conscientizarmos do alcance desse labor, mais dispostos estaremos a servir. É um privilégio participar desse plano de redenção, mormente dedicando nossos esforços a Obra Rosacruz. Os Irmãos Maiores se regozijam quando o aspirante, superando as limitações do egoísmo, expressa o Amor Crístico, cultivando um sentimento impessoal e universal de solidariedade. Terá dado o primeiro passo ao assumir a condição de Auxiliar Visível, e, posteriormente, Auxiliar Invisível inconsciente.

Com o decorrer do tempo suas faculdades internas florescerão a níveis sequer imagináveis, ensejando-lhe converter-se em Auxiliar Invisível consciente. Terá, então, o passo além do véu.

(Revista Serviço Rosacruz – 06/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Controle da Poluição: quais as que mais se precisa

Controle da Poluição: quais as que mais se precisa

Talvez a forma mais séria de poluição seja a poluição do pensamento, pois todas as poluições não se originam de nossos pensamentos? Isto pode parecer, a primeira vista, absurdo, mas não o é. Por que nossas condições de poluição existem? Não é por causa de pensamentos egoístas, ações só em benefício próprio, no esquecimento dos outros? Tais pensamentos são contagiosos e por causa disso, a poluição se espalha à medida que cada um quer tirar vantagens e pensar só em si.

Se pudesse ver com nossos olhos o que acontece quando pensamos, é certo que nosso modo de pensar seria afetado e modificado. Se pudéssemos “ver” pensamentos de compaixão, de benção, de conforto, de amor, de altruísmo, de alegria, trazendo Iuz e ajuda mental ou um pensamento forte de paz que acalma e harmoniza, é certo que tudo faríamos para “segurar” esses tipos de pensamentos.

Se pudéssemos “ver” quando emitimos um pensamento crítico, que vai alcançar uma pessoa e que talvez essa atitude o leve ao fracasso, certo que não nos perdoaríamos.

Não tenhamos dúvidas que tais pensamentos são uma forma perniciosa de autoindulgência. Sintonizar na estática do negativo, dos maus pensamentos, congestiona e distorce a clara recepção do positivo. Naturalmente, podemos agir e proteger-nos deste tipo de violação; não somos imponentes diante disto. Mas o que será daqueles que não estão cientes de que isto existe e que não sabem como proteger-se.

A menos que nos mantenhamos de prontidão e alertas, estaremos cada vez mais isolados, sentindo-nos separados de nossa essência divina. Tantas coisas têm levado o ser humano a pensar que ele está dividido, que sua vida é dividida em cubículos, que está repartido no trabalho, na família, na religião, na recreação, no estudo e até nele próprio. Imaginar que há divisões para cada área de seu mundo: isto é uma ilusão.

Não importa o quanto ele tente manter cada setor isolado do outro, a verdade é que cada um deles afeta profundamente o outro, esteja ele ciente ou não deste fato. E mais, cada indivíduo é um ser isolado, completo e íntegro; cada parte de sua vida física, mental e emocional afeta todas as outras partes, como também essas partes afetam o próximo. E levando ao extremo, afetam tudo no universo. Cada grão de areia e cada estrela distante estão interligados numa epopeia indissolúvel, sinfônica, interagindo e tendo impacto sobre a outra. Cada uma animando, contribuindo com o seu papel importante, no total da vida e do universo.

O ser humano tem a grande responsabilidade de manter a harmonia, de fazer com que a sua apresentação se desenvolva em uma sequência lógica para chegar a um final glorioso. Ele deve manter sua integridade, não só para ser capaz de viver intensamente, mas também porque ninguém vive intensamente se os outros não viverem assim.

No desenrolar diário dos acontecimentos devemos nos manter, se não completamente positivos, pelo menos não muito negativos e podemos nos lembrar da advertência de São Paulo: “Enfim, irmãos, tudo o que há de verdadeiro, digno, justo, puro, amável, honesto, tudo o que é virtuoso, elogiável, seja o objeto dos vossos pensamentos” – (Fp 4: 8).

Mas aí, algo desagradável nos acontece e nos aborrecemos muito. Externamente podemos parecer os mesmos, mas, por dentro, começa um grande e perturbador distúrbio. Irritação, raiva, contrariedade e desgosto, tudo se mistura e sentimos a pressão aumentar. Arquitetamos diálogos com comentários inteligentes e sarcásticos. Como qualquer químico sabe, uma substância cáustica queima e o fogo que arde em nós é um fogo destrutivo. Se deixarmos que este fogo se apodere de nós, o efeito logo tornará visível no corpo, sob a forma de doença ou algum tipo de incapacidade.

Para nosso próprio bem, não podemos nos deixar levar por este tipo de indulgência. Sabemos o que fazer sobre isto: substituir os pensamentos negativos pelos positivos. Infelizmente, preferimos tolerar em nós essa atitude mental infantil de bater os pés e gritar. Estamos, deste modo, poluindo a nossa atmosfera e toda a atmosfera ao nosso redor.
Nossa responsabilidade não é somente para conosco, mas também para com nossos irmãos. Somos uma parte de um todo indivisível e foi nos dado o privilégio de ajudar este todo com amor e harmonia. Por vezes sentimos, petulantemente, que não ligamos para isto, mas, no fundo, sabemos que isso nos afeta.

Se pararmos para pensar e examinarmos, detalhadamente, porque estamos reagindo com irritação ou raiva e honestamente avaliarmos a situação, ficaremos surpresos e envergonhados com o que vamos presenciar. Devemos partir do princípio que, o que não queremos para nós, não devemos lançar em pensamento para os outros. Que não devemos dar aquilo que não gostaríamos de receber e que o ideal a lutar é para que sejamos instrumentos de paz e construtores no templo de Deus.

Quando a fumaça e a fúria de nossas emoções violentas diminuem, podemos ver que estivemos poluindo nosso meio ambiente. Pode levar algum tempo para que nos apercebamos que podemos ser mais controlados nas nossas reações. Muitas vezes tentamos justificar um ato de intolerância, apontando os erros dos outros, e com isto procurando desculpar uma conduta negativa.

Devemos aprender a manejar a autodisciplina e o autocontrole. É nos dada sempre à oportunidade para pormos a prova o nosso senso de equilíbrio. É através desta prática que desenvolveremos a força necessária para resistir ao inferior.
Na realidade, a conduta do outro não é o problema, mas sim a forma como reagimos a ela. Há um antigo provérbio que diz que a única pessoa que pode mudar é você mesmo (a). Não devemos condenar uma ação errônea do próximo, mas sim zelar para que nossa ação seja a certa.

O que é “certo”?

Certo é tudo aquilo que é positivo, querido, construtivo, útil, não poluente, sem maldade.

Certo é tudo aquilo que é amoroso em pensamentos, palavras e obras.

Certo é tudo aquilo que nos faz semelhantes a Deus, ao nosso Criador.

(Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” e publicado no Serviço Rosacruz – 03/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Colaboração Universal: o que mais colabora para o bem-estar e progresso dos demais sempre se acha um ou mais passos à frente dos seus companheiros

A vida é inexpressiva e vazia se vivemos somente para nós mesmos: comer, divertir, trabalhar, dormir. A vida perde o seu propósito se vivida introvertidamente: segregar-se, não participar. A vida não tem razão de ser quando usufruída egocêntrica e egoisticamente – eu, meu; só eu, só meu.

Viver para os outros, entretanto, adiciona à existência novo sabor e nova dimensão, dando-lhe, ainda por acréscimo, o mais nobre e sublime significado. Confere-lhe positivamente o seu verdadeiro sentido.

Criar e educar filhos (nossos ou dos outros); alegrar a casa; ajudar os vizinhos; servir a desconhecidos que necessitem de ajuda; colaborar para a harmonia no meio ambiente; revigorar o relacionamento com os amigos; exteriorizar-se, “despejar-se para fora”, ou viver muito mais para os outros do que para si mesmo, este o real significado da existência humana. Por um viver tal o ser humano preenche a sua finalidade na Escola da Vida no que tange a experiências, pois está cumprindo a síntese e essência da Lei dada pelo Grande Espírito Solar: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Por tal viver ele cresce animicamente e progride na senda evolutiva.

Quem não vive para os outros está fora dos planos da Criação. Acha-se excluído da harmonia universal. Quem não colabora com o mundo está alienado dele. Quem não ajuda ao seu semelhante encontra-se afastado do sistema de leis suprafísicas, que rege o progresso humano. Para quem o Pai trabalha até hoje – indagamos nós? O Filho também trabalha até hoje – como todo ocultista sabe permanentemente desde o Sol e parte do ano de dentro da Terra. E por quem trabalha o Filho até hoje? O Espírito Santo igualmente trabalha até hoje na geração das espécies a partir das Luas. Para quem Ele trabalha? E para quem trabalham os Senhores da Forma, Senhores da Mente, Arcanjos, Anjos e outras Hierarquias, até hoje?

O Iniciado de Tarso, Paulo da Cilicia, Saulo para os judeus, aos cristãos da Itália, certa vez escreveu: “Sabemos que todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8: 28). Observe o leitor amigo: “todas as coisas colaboram para o bem”. Aquele Irmão disse: Todas…colaboram. Quem tem dúvidas acerca da amorosa mecânica da cooperação universal pela qual se desenrola o progresso em nosso Sistema Solar também? Cremos que poucos nos dias atuais.

Ninguém se iluda, pois; no universo só cresce, só se desenvolve, quem ajuda, quem colabora, quem serve aos demais, consciente ou inconsciente, mas sempre amorosa e desinteressadamente. Porque o universo inteiro é colaboração. É colaboração para o Bem; os Astros ajudam-se mutuamente e cada um de si ajuda o Sol; uma estrela ajuda outra estrela; um sistema planetário auxilia outro sistema planetário; uma galáxia auxilia outra galáxia. Tudo dentro da harmonia universal da Unidade Indivisível como se fora um só corpo inteligente e amoroso. Como o nosso corpo repleto de saúde. Cá por baixo no mundo da forma do globo terrestre uma onda de vida ajuda outra onda de vida; e os mais avançados são sempre os que mais ajudaram os que mais ajudam ainda. Exemplos? Os Irmãos Maiores, na onda de vida humana; os animais domésticos, na onda de vida animal; as árvores frutíferas e plantas medicinais e ornamentais, na onda de vida vegetal; os metais nobres e pedras preciosas, na onda de vida mineral.

Temos as mais fortes razões para concluir, portanto, que em todos os mundos e em todas as esferas, o que mais colabora para o bem estar e progresso dos demais – pertença ou não a sua evolução – sempre se acha um ou mais passos a frente dos seus companheiros de jornada em sua própria onda de vida. Assim, os seres (Arcanjos, Anjos, humanos, etc.), que se encontram na vanguarda da evolução são aqueles que mais deram de si aos outros no passado e mais continuam a dar no presente, consoante a Lei de “Dar e Receber”, que funciona em tudo e a todos atinge. A “Lei da Reciprocidade”. “A Lei do Amor”.

Pensamos finalmente ser esse avanço estímulo bastante a qualquer pessoa para “Entrar na Onda” da colaboração, mas estímulo em especial aos sinceros aspirantes rosacruzes que atualmente se esforçam no Caminho, com a Mente impregnada das inspiradas palavras do iluminado Mensageiro:

“O Serviço amoroso, altruísta e desinteressado é o caminho mais curto, mais alegre e mais agradável que conduz a Deus”.

(Revista Serviço Rosacruz – 04/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O porquê o Coração Tem Razões que a Própria Razão Desconhece

O porquê o Coração Tem Razões que a Própria Razão Desconhece

 

Segundo o dito popular, “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Essa expressão encontra sua origem no fato de algumas pessoas agirem intuitivamente, de maneira até a contrariar as diretrizes do raciocínio lógico. Essa maneira pouco convencional de tomar decisões ou reagir a determinadas circunstâncias, causa perplexidade e estranheza a muitos.

De um modo geral, o ser humano é condicionado, desde tenra idade, a viver consoante regras de um raciocínio linear. Quando alguém foge a esse padrão de conduta, não raro recebe a pecha de excêntrico, quando não de paranormal.
A luz dos ensinamentos rosacruzes encontramos explicações para esse aparente “fenômeno”. Em primeiro lugar é necessário analisar esses chamados “impulsos intuitivos”, verificando qual a sua natureza. Nem tudo é intuição. Muitas vezes trata-se de meros impulsos emocionais ou baixo psiquismo, com resultados até funestos. Porém, todo ato motivado por “intuição pura” raramente deixa de produzir resultados benéficos.

A intuição é uma faculdade latente em todos os seres humanos, entretanto, manifesta em poucos. Sua expressão, em maior escala, será uma das características da Idade Aquariana. Vejamos, agora, qual a relação entre o coração e certas manifestações intuitivas. O sangue, ao passar pelo coração, ciclo após ciclo, durante a vida, grava todas as imagens no Átomo-semente. Elabora um arquivo fidelíssimo, que na existência após a morte se imprimirá indelevelmente na alma. O coração encontra-se em estreito e permanente contato com o Espírito de Vida, o Espírito do Amor, fonte do sentimento de unidade. Dessa forma torna-se o centro do amor altruísta.

Depois das imagens passarem ao Mundo do Espírito de Vida, no qual se encontra a verdadeira Memória da Natureza, não retornam através dos lentos sentidos físicos, mas por meio do quarto éter, o Éter Refletor, contido no oxigênio que respiramos.

O Espírito de Vida percebe muito mais nitidamente no seu Mundo do que nos planos mais densos da natureza. Na elevada região, que lhe é própria, vive em íntima relação com a Sabedoria Cósmica. Isto lhe faculta, em qualquer circunstância, sabendo de imediato o que há de fazer, a enviar mensagens de orientação e iniciativa ao coração. Este logo a retransmite ao cérebro, por meio do nervo pneumogástrico. As chamadas “primeiras impressões” formam-se dessa maneira. Nada mais são que impulsos intuitivos emanados diretamente da fonte da Sabedoria e do Amor Cósmico.
É um processo rapidíssimo. O coração o elabora antes da razão poder considerar a situação. Não sendo assim, predominará o raciocínio lógico, válido até certo ponto, porquanto suas limitações esbarram no transcendente.
Quando a Mente humana esgota seus recursos para resolver determinado problema só restará uma saída: a intuição. E mesmo assim, poucos se tornaram sensíveis ao seu processo.

Embora não se constituindo em regra geral é válido afirmar que nas pessoas mais devotas as mensagens intuitivas se fazem mais presentes. Eis uma das razões porque o Método Rosacruz de Desenvolvimento procura estabelecer um equilíbrio entre o intelecto e o coração.

O que o ser humano pensa em seu coração é certo, porque assim ele é. Não é raro ouvirmos esta expressão: “as pessoas espiritualizadas têm um coração inteligente”. Max Heindel é quem nos diz no Conceito Rosacruz do Cosmos: “Se pudéssemos agir segundo os impulsos do coração, o primeiro pensamento, a Fraternidade Universal, seria realizado agora mesmo”.

(Revista Serviço Rosacruz – 09/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Conhecimento do Coração: você está pronto?

O Conhecimento do Coração: você está pronto?

“A Ordem Rosacruz foi fundada especialmente para aqueles que possuidores de um alto grau de desenvolvimento intelectual, deixam de lado os reclamos (as queixas) do coração. Todo homem ou mulher que tenham sido abençoados com uma Mente investigadora, é de suprema importância receber toda informação que queira. Dessa forma aquietando a cabeça, o coração poderá falar”.

“O conhecimento intelectual é apenas um meio, não um fim em si mesmo. Daí o propósito da Ordem Rosacruz, antes de mais nada, satisfazer o Aspirante por meio do conhecimento de que tudo no Universo é razoável, o que poderá resultar num controle sobre o rebelde intelecto”.

“Quando, dessa forma, o Aspirante cesse de criticar e admita, embora provisoriamente, como verdadeiras as afirmações que não podem ser de imediato comprovadas, somente então o seu treinamento esotérico poderá ser efetivo para o desenvolvimento das faculdades superiores”.

Cremos que esta advertência do Conceito Rosacruz do Cosmos, algumas vezes é passada por alto, pois os Estudantes fascinam-se de tal modo com o método de evolução, que se esquecem do que o Sr. Max Heindel designou em Coletâneas de um Místico: “O Magno Mistério”. Nesse estudo nos recorda que “Cristo não disse: Bem fizeste, tu, grande e erudito filósofo que conheces a Bíblia, a Cabala, o Conceito Rosacruz do Cosmos, e toda a literatura misteriosa que revela as intrincadas operações da Natureza – mas disse sim, ‘Bem fizestes tu bom e fiel servo, entra no gozo de Teu Senhor… Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber‘ (Mt 25:35). Não notamos uma só palavra acerca de conhecimentos…”.

Em várias outras ocasiões somos advertidos, que não devemos olhar o próximo “por cima dos ombros”, já que aquele que, devido ao seu pouco preparo intelectual serve, simples e humildemente; pode compensar com amor àquela carência. Esses são ativos servindo.

São os atos de amor e bondade que constroem o Corpo-Alma. O conhecimento é bom quando usado e compartilhado para benefício do próximo, pois quando conservamos para nós mesmos, colocamo-nos novamente em tonalidade com o egoísmo, fomentado pelos Espíritos de Lúcifer que instigam toda a classe de atividade mental, com a finalidade de obterem conhecimento à medida que o obtemos. Entretanto, canalizando todo conhecimento que obtivermos para edificação de nossos irmãos, transformamos uma armadilha mortal em sublime benção.

Aqueles que trabalham e servem aos demais por amor ao serviço, não necessitam que sejam impulsionados para a prática de boas ações. Necessitando-se de um estímulo extra têm-se maior responsabilidade. Estamos vivendo esses ensinamentos?

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – 01/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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