Categoria Filosofia

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual a causa do grande número de mortes que ocorre entre recém-nascidos e durante a infância?

Pergunta: Qual a causa do grande número de mortes que ocorre entre recém-nascidos e durante a infância?

Resposta: Quando o ser humano abandona o veículo denso no momento da morte leva consigo a Mente, o Corpo de Desejos e o Corpo Vital, sendo o último o que contém as imagens da sua vida passada. Durante os três dias e meio seguintes, essas imagens são gravadas no Corpo de Desejos para formar a base da vida no Purgatório e no Primeiro Céu, onde o mal é expurgado e o bem assimilado. A experiência da vida em si é esquecida, da mesma forma que esquecemos o processo de aprendizagem da escrita, mas retemos a faculdade. O extrato cumulativo de todas as suas experiências, tanto as de suas vidas terrenas passadas como as vividas no Purgatório e nos vários Céus, é retido pelo ser humano e forma a bagagem que levará no seu próximo nascimento. Os sofrimentos pelos quais passou vão soar-lhe como a voz da consciência, e o bem que realizou manifestar-se-á num caráter cada vez mais altruísta. Até os três dias e meio passados, imediatamente após a morte, sob condições de paz e silêncio, o Ego é capaz de concentrar-se muito mais na gravação da sua vida passada. A impressão sobre o Corpo de Desejos será mais profunda, do que o seria se tivesse sido perturbado pelas histéricas lamentações dos seus parentes ou por outros fatores. Então, experimentará um sentimento bem mais forte no Purgatório e no Primeiro Céu em relação ao bem ou ao mal praticados. Numa vida futura, este sentimento intenso irá expressar-se numa voz inconfundível. Mas, se as lamentações de parentes desviaram a sua atenção, ou se um indivíduo passa por esse processo em virtude de um acidente ocorrido numa rua, num desastre de trem, num incêndio ou em outras circunstâncias angustiantes, não haverá, naturalmente, oportunidade para que possa concentrar-se convenientemente. Tampouco poderá concentrar-se, se for morto num campo de batalha. Contudo, não seria justo que perdesse as experiências de sua vida, devido a essa passagem ter sido realizada de uma maneira tão inesperada. Assim, a Lei de Causa e Efeito proporcionará uma compensação.

Acreditamos, normalmente, que quando uma criança nasce, simplesmente nasce, e o fato está totalmente consumado. Mas, da mesma forma que, durante o período de gestação, o veículo denso fica abrigado do impacto do mundo externo ao ser colocado dentro do útero protetor da mãe, até que tenha atingido maturidade suficiente para enfrentar as condições externas, o Corpo Vital, o Corpo de Desejos e a Mente encontram-se também em estado de gestação e nascem em períodos ulteriores, porque não passaram por um ciclo de evolução tão extenso quanto o do Corpo Denso. Sendo assim, precisam de mais tempo para chegar a um estado de maturidade suficiente, para que se tornem individualizados. O Corpo Vital nasce em torno do sétimo ano, quando o período de crescimento excessivo indica o seu advento. O Corpo de Desejos nasce na época da puberdade, em torno do décimo quarto ano, e a Mente nasce em torno dos vinte e um, quando consideramos que a criança se tornou um homem ou uma mulher – atingiu a maioridade.

O que não foi despertado não pode morrer. Quando uma criança morre antes do nascimento do Corpo de Desejos, ela passa diretamente para o mundo invisível do Primeiro Céu. Não pode ascender para o Segundo e o Terceiro Céu, porque a Mente e o Corpo de Desejos não nasceram, portanto, não podem morrer. Deste modo, fica a espera no Primeiro Céu até que se apresente uma nova oportunidade de renascer. Se morreu em sua vida antecedente sob as circunstâncias infelizes acima mencionadas – por acidente, no campo de batalha, ou se as lamentações dos parentes não deixaram que a impressão do mal cometido e do bem realizado ficassem gravados, tão profundamente quanto o seria no caso de ter morrido em paz – será instruída, quando morrer, a morrer na vida seguinte como criança, sobre os efeitos das paixões e desejos. Aprenderá, com isso, as lições que deveria ter aprendido na vida do Purgatório, se não tivesse sido perturbada. Renascerá com o desenvolvimento de consciência apropriado para poder prosseguir em sua evolução.

No passado, o ser humano era excessivamente guerreiro, devido à sua ignorância; não dispensava os cuidados necessários aos que passavam pelo processo da morte, ainda mais se morriam no leito. Estes eram em número bem menor em comparação àqueles que morriam nos campos de batalha, e se atribui a isso uma grande parcela da mortalidade infantil. Mas, à medida que a humanidade alcançar uma melhor compreensão, conscientizando-se que nunca somos tão responsáveis pelo nosso irmão, como quando ele está retirando-se desta vida, procurará permanecer em silêncio, orando com serenidade. Estará ajudando-o enormemente e contribuindo para que a mortalidade infantil se reduza e não mais aconteça numa escala tão ampla como atualmente.

(Livro: Perguntas e Respostas – Vol. I – pergunta 52 – Max Heindel)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Valor de Dar e Receber

O Valor de Dar e Receber

Um engano muito difundido é aquele que diz que dar é “desistir” de alguma coisa, é ficar despojado de algo, é sacrificar-se. Aqueles que não têm uma orientação neste sentido, os que não produzem para os outros, sentem o dar como um empobrecimento – porque é doloroso dar, precisa-se dar, a virtude de “dar”, para eles, é um ato de sacrifício, são os “não produtivos”.

Para uma pessoa de caráter “produtivo”, o “dar” tem um significado totalmente diferente; “dar” é uma expressão de força maior. No ato de dar experimento a minha força, minha riqueza, meu poder. Esta experiência de elevada espiritualidade e vitalidade me enche de alegria e força.

Vejo-me exuberante e vivo.

Dar é mais agradável do que receber, não por orgulho, mas porque no ato de dar está a expressão da minha vida.

(Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” e publicado na Revista Serviço Rosacruz – 06/80 – Fraternidade Rosacruz –SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Bem e o Mal: agindo justamente porque é correto

O Bem e o Mal: agindo justamente porque é correto

Para Paracelso o autoconhecimento representava mais do que uma compreensão completa do ser; incluía, também, uma compreensão completa do vir a ser. O que nós somos neste momento – espiritual, moral, mental e fisicamente – é menos do que pode ser e será no futuro.

O Ser Raiz do Universo, disse Paracelso – e, por analogia, o Deus de nosso Sistema Solar – não está, de forma alguma, terminado e completo para sempre. A Divindade está no processo de contínuo vir a ser. Do mesmo modo também está o ser humano. Portanto, o Divino é continuamente criativo, e da mesma maneira o é também o ser humano. O indivíduo, portanto, tem um papel ativo na construção do Universo – um papel que, na terminologia dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, é caracterizado pela palavra “Epigênese”.

Parte do processo do autoconhecimento é a compreensão do problema do bem e do mal, e como se aplica a nós, individualmente. Em que extensão nos esforçamos ao máximo por obter aquele, e em que extensão nós permitimos ser seduzidos por este, em que extensão os aspectos superiores e inferiores de nossas naturezas estão lutando pela posse de nossa submissão; tudo tem grande relação com o que somos.

Jacob Boehme, que devotou considerável atenção aos problemas do bem e do mal e autoconhecimento em geral, anunciou, como postulado, a teoria de que o mal é determinado pela forma na qual o bem vive. “Assim como a luz só está apta a brilhar quando penetra na escuridão, assim o bem só pode nascer quando penetra através de seu opositor. Através dos abismos insondáveis e sem fundo da escuridão, brota a luz; da falta de motivos e carência de fundamentos dos medíocres, nasce o bem. Todo o ser humano tem nele próprio o bem e o mal e no seu desenvolvimento, à medida que passa através das divisões torna-se uma contradição de qualidades, na medida em que um procura vencer o outro”.

Intimamente relacionado com o problema do bem e do mal está o grau de liberdade atualmente possuído pelo Ego. Quão melhor compreendamos quanto somos influenciados pelo mal, e quão verdadeiramente nos devotemos ao bem, melhor será nossa aptidão para avaliar a extensão de nossa liberdade em relação à sujeição.

Como Pitágoras disse, e muitos outros repetiram desde então: a liberdade humana não existe para aqueles que são escravos de suas paixões, ou para aqueles que não acreditam no Espírito ou em Deus. Aqueles vivem no cativeiro do eu inferior; estes vivem na escravidão da inteligência limitada ao Mundo Físico.

O Espírito tutelar da humanidade é a liberdade, continua Pitágoras, porque no momento em que o ser humano percebe a verdade e o erro – ou o bem e o mal – ele é livre para escolher. Ele pode associar-se, conscientemente, com os Elevados Poderes na realização da verdade, ou, expandindo-se no erro, submeterem-se às chicotadas do destino. Todos os Egos, acreditava Pitágoras, percebem intuitivamente, numa certa extensão, um fato que alguns Egos percebem intelectualmente; ou seja, que o mal faz o ser humano descer para a fatal influência da matéria, e o bem é o que o faz subir em direção à Divindade. O seu verdadeiro destino é subir sempre mais alto como resultado de seus esforços próprios, mas para que seja livre para fazê-lo ele deve, também, ser livre para descer ao mais baixo, desde que seus esforços o levem nessa direção. O círculo de liberdade alarga-se até ao infinitamente grande, à medida que o Ego ascende; e encolhe-se até ao infinitamente pequeno à medida que desce.

Quanto mais uma pessoa evolui, mais livre se torna, porque quanto mais penetra na Luz, mais poder para o bem adquire. Em contraste, quanto mais a pessoa desce, mais escravizada se torna, porque cada queda no mal diminui mais a capacidade de compreender a verdade e seguir o bem. O destino, em consequência, reina sobre o passado e a Liberdade sobre o futuro.

Podemos continuar esta linha de pensamento, então, para dizer que só com completo autoconhecimento pode o ser humano elevar-se a uma total liberdade de ação. A ação humana, presentemente, é largamente determinada por motivos. A maior parte dos motivos, como sabemos, são baseados no interesse próprio ou na incorreta suposição da separatividade individual. Aquela rara pessoa que atingiu o autoconhecimento e, assim elevou-se em pensamento do nível do eu individual àquele do Eu Universal, é completamente livre em suas ações. As motivações de separatividade que anteriormente o limitavam, não mais existem. Ele sobe cada vez mais alto, iluminado pela Luz e fortalecido pelo poder espiritual, para fazer o bem.

Ele aprende a exercer a Vontade Universal para o Bem Universal, e fará livremente e espontaneamente, sem nenhum pensamento ou sentimento de interesses conflitantes.
Ele aprende, em outras palavras, a agir justamente porque é correto, e, em assim fazendo, ele sente-se em harmonia com o Ser Universal.

(Revista Serviço Rosacruz – 05/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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O Espírito do Capitalismo quando temperado com a visão interna espiritual

O Espírito do Capitalismo quando temperado com a visão interna espiritual

Desde os tempos primitivos que, de uma ou de outra forma, o capitalismo existe. Encontramos mercadores e negociantes em todas as partes do mundo, durante todos os estágios da história da humanidade. Através dos tempos tem até existido cidades e vilas que foram construídas em função do sistema capitalista. Porém, nunca o capitalismo desenvolveu-se tanto como atualmente no mundo ocidental.

O capitalismo de hoje em dia é único; não pode e não deve ser comparado com as anteriores formas de capitalismo.

O capitalismo, numa larga escala, emergiu da Idade Média para a história moderna, após sofrer uma transformação. O sistema capitalista, que era inicialmente um ideal, foi adulterado até ao seu presente estado por um mundo que renunciou a Deus e esqueceu a liberdade humana.
Desde os primórdios a religião desempenhou o principal papel na vida cotidiana do ser humano. Qualquer influência que o capitalismo possa ter tido no indivíduo, desde os primeiros tempos até fins da Idade Média, foi sempre subordinada a influência que nele tinha a religião. Por outro lado, o sistema capitalista de hoje não está subordinado a quaisquer ideais religiosos. Na realidade, o sistema capitalista atual não mantém mais os ideais nos quais foi moldado, no início do período da Reforma. O capitalismo moderno tem sido usado como um instrumento contra a iluminação espiritual do ser humano. O capitalismo, no começo da Reforma, era baseado nos ideais de honestidade, frugalidade, diligência, sobriedade e prudência (para citar alguns), mas no mundo atual estes ideais foram substituídos pela cupidez.

A cupidez, devemos salientar, não é apanágio do sistema capitalista. Exemplos de cobiça podem ser encontrados em todos os credos e em todas as nações; foram, na sua maior parte, exemplos individuais de avidez. Porém, em nenhum tempo, a cobiça foi tão predominante, tão disseminada, tão tolerada e adotada como hoje. “Enriquecei-vos” parece ser o grito de batalha do dia. Este cupidez tão predominante no sistema capitalista moderno existe, principalmente, em virtude das tão disseminadas ideias materialistas adotadas atualmente.

Tem havido muitos que reconheceram a avidez e o egoísmo prevalecentes no sistema capitalista atual e tentaram mudá-lo. Muitos, nessa tentativa, voltaram-se para o socialismo, comunismo ou até o fascismo e muitos que adotaram estes sistemas ficaram desapontados, pois, são também sustentados pelo materialismo e, assim, servem como bons exemplos de cobiça. Estes sistemas não estão isentos de cupidez e egoísmo, mas, o que é pior, negam os únicos ideais que podem salvar o ser humano: Deus e a liberdade individual.

O materialismo é o nosso inimigo verdadeiro, que tem estado escondido e trabalhando através do nosso sistema capitalista. O ser humano, através dos seus desejos egoístas, tomou-se um escravo do materialismo e só quando obtiver controle sobre seus desejos, pode libertar-se de sua dependência material. Só quando retornar para Deus, ele será libertado. Temos que devolver ao capitalismo os ideais que, em certa época manteve. Devemos retomar a uma vida orientada espiritualmente e a ela subordinar, novamente, os objetivos materiais.

Para compreendermos melhor como chegamos à nossa maneira de ser capitalista atual devemos olhar para trás, até a Idade Média.

IDADE MÉDIA
As sementes do moderno capitalismo foram, pela primeira vez, semeadas na Idade Média. Estas não eram as sementes do interesse, dos salários, trabalho, rendas ou capital; eram as sementes dos princípios econômicos que afinal desenvolveram-se até chegar à filosófica materialista de hoje.

Durante a Idade Média, as considerações espirituais tornaram-se subordinadas aos interesses econômicos. Este processo foi lento, demorando vários anos e não se completou sem lutas. Estas lutas envolviam interesses das pessoas de negócios, da Igreja e do Estado. Em muitos casos, a Igreja adaptou os seus ensinamentos às realidades econômicas da época e aquelas poucas figuras religiosas que se opuseram às, então, correntes, práticas feudais e mercantis, foram silenciadas peto tempo.

Porém, as suas críticas eram tão relevantes então, como são hoje. R. H. Tawney, no seu livro “Religion and the rise of capitalism” (A religião e a ascensão do capitalismo), salienta a ideia em que se insistiu na Idade Média de “que a sociedade é um organismo espiritual e não uma máquina econômica…”.

Tawney também salienta “que os interesses econômicos estão subordinados à verdadeira finalidade da vida, que é a salvação, e que a conduta econômica é um aspecto da conduta pessoal, na qual estão ligadas as regras da moral”.

A razão porque não se enraizaram estes ideais, deve ser atribuída a cegueira espiritual do ser humano. O capitalismo é um simples instrumento, não um fim em si mesmo. Numa sociedade materialista, o capitalismo é destruidor da capacidade de crescimento espiritual do ser humano. O capitalismo temperado com a visão interna espiritual permite ao indivíduo a liberdade de desenvolver até ao mais alto grau, as suas potencialidades divinas. A chave para o desenvolvimento espiritual é a liberdade e o altruísmo. A luta do ser humano contra as forças do materialismo falharão hoje, como falharam na Idade Média, a menos que o ser humano desenvolva a sua visão interna espiritual. Durante a Idade Média o ser humano foi confrontado com a “a corrupção notória das autoridades eclesiásticas, que pregavam a renúncia, e, por outro lado, davam lições de cupidez” – Tawney.

(Revista Serviço Rosacruz – 01/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Unicidade: vencendo todo o sentimento de oposição entre o mundo – ou “os outros” – e você próprio

Unicidade: vencendo todo o sentimento de oposição entre o mundo – ou “os outros” – e você próprio

O ser humano não seria um indivíduo se, em determinada altura de sua jornada evolucional, ele não sentisse ser ele próprio, um indivíduo separado dos outros indivíduos. Porém, ele não será um ser humano, no mais alto sentido da palavra, até que aprenda a transformar esta sensação de isolamento numa nova sensação de unicidade com o Universo como um Todo.

Ângelus Silésius, um místico cujos comentários sobre o nascimento de Cristo dentro de nós devem ser familiares a todos os estudantes dos escritos de Max Heindel e sendo um ser dotado de percepção sensorial, ensinou ao longo destas concepções que o ser humano é uma entidade no meio de outras entidades e seus órgãos sensoriais trazem-lhe informações de que existem, no tempo e no espaço, coisas que parecem estar fora dele. Todavia, quando o Espírito fala no ser humano não existem mais “dentro” ou “fora” e “antes” ou “depois”. Espaço, tempo e separatividade dissipam-se na contemplação do que Silésius chamava de “O Todo Espiritual”.

É neste ponto, disse Silésius, que “o mundo não te restringe; tu próprio és o mundo que te limita… tão fortemente em fronteiras de cativeiro. O ser humano não atinge a perfeita bem aventurança até que a Unidade tenha absorvido a diversidade ou o não eu”.

O pináculo do ser é atingido quando uma pessoa aprende a considerar-se mais do que o seu individual “Eu” e vence todo o sentimento de oposição entre o mundo – ou “os outros” – e ele próprio. Então uma vida superior começa para ele. Ele aniquilou tudo que dentro dele é arbitrário, individualista e que procura o interesse próprio. Ele sente, desde então, a irresistível obrigação de atuar duma forma que seja necessária para o todo. O seu senso de responsabilidade moral cresce muito além do que tinha sido no seu estado de separatividade. O ser humano integral, agora uno com Deus e o Cosmos, faz tudo para o bem do Todo, porque ele sabe que fazer de outro modo, seria retirar a sua contribuição do bem estar universal.

(Revista Serviço Rosacruz – 05/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Autoconhecimento: a única maneira de compreendemos o mundo que nos rodeia

Autoconhecimento: a única maneira de compreendemos o mundo que nos rodeia

 

O princípio do autoconhecimento anuncia a chegada do princípio do auto despertar. Místicos como Meister Eckart (N.R.: frade dominicano, reconhecido por sua obra como teólogo e filósofo e por seu misticismo. Ele é considerado como um dos grandes símbolos do espírito intelectual da idade média) e Angelus Silesius (N.R.: Pseudônimo de Johannes Scheffler (1624-1667), poeta, Místico cristão, filósofo, médico, poeta, jurista Germânico) e filósofos como Platão e Goethe examinaram com todo o cuidado o problema do autoconhecimento. De forma geral concluíram que um aumento de cuidados e autoconhecimento é paralelo com um aumento da compreensão da unicidade da vida e da unidade de tudo. Quanto mais claramente nos conhecemos a nos próprios, mais claramente compreendemos o mundo que nos rodeia e vice- versa.

 

O mundo exterior existe para nós, na medida em que se comunica com a nossa consciência ou, mais exatamente, na medida em que nossa consciência esteja preparada para compreendê-lo. Exatamente como o acesso a todos os livros do mundo, não será de nenhuma valia, se não soubermos lê-los, assim, também, não poderemos compreender a mensagem de algo externo a nós, a menos que tenhamos desenvolvido dentro de nós a habilidade para compreender a sua “linguagem”.

 

Uma vez que tenhamos aprendido a “linguagem” de qualquer coisa ou faceta externa que desejamos compreender, estaremos aptos a recebê-la e absorvê-la dentro de nós. Então, se realmente estamos “vigilantes e sensíveis”, ela pode tornar-se, literalmente, uma parte de nós. O conhecimento, então, não provém tanto das coisas observadas, como do observador. As cores existem em tudo que vemos, mas não podem transmitir ao olho nada que nele não exista. Ao contrário, o olho é que deve reconhecer qual a cor observada.

 

(Revista Serviço Rosacruz 05/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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Compreensão Interior: não se feche à verdadeira natureza das coisas

Compreensão Interior: não se feche à verdadeira natureza das coisas

As coisas externas “falam-nos”, por assim dizer, somente quando sua “fala” possa ser compreendida por nossas naturezas internas. Se o ser humano quiser obter conhecimento não pode conservar-se passivo no seu meio-ambiente. Ele deve, ativamente, produzir reações naquele meio-ambiente, proveniente de dentro de si próprio. Portanto, não existe tal coisa como revelação externa, mas, somente, um despertar interior.

Cada pessoa tem o que pode ser chamado de sua própria verdade, porque cada pessoa é um indivíduo, um ser separado. Do ponto de vista particular com o qual, do seu lugar na escada da evolução, ele está sintonizado, e de acordo com o contexto no qual os seus poderes de percepção operam, ele estabelece um relacionamento com aquilo que parece ser externo a ele e assim, adquire a sua própria “verdade”, para si próprio. A exatidão desta “verdade” depende do grau de seu autoconhecimento. Como Goethe disse: “Se eu conheço a minha relação comigo mesmo e com o mundo exterior, eu a chamo verdade. E assim cada um pode ter sua própria verdade e, apesar de tudo ela é sempre uma e a mesma”.

Já foi dito que há dois tipos de conhecimento: um que compõe o nosso relacionamento com os objetos externos e o outro é aquele que é ele próprio, o objeto do qual obtemos conhecimento: as coisas como as vemos e as coisas como, na verdade, são. A primeira espécie é dominante na ciência material que tenta explicar as coisas e os acontecimentos do mundo exterior. A segunda espécie está em nós quando vivemos dentro do conhecimento que obtivemos. A segunda espécie de conhecimento, então, origina-se da primeira.

É, talvez, simplesmente natural que dois tipos de conhecimento devam existir desta maneira. A percepção sensorial do ser humano diz-lhe que é um indivíduo entre outros indivíduos e separado das outras coisas. Porém, quando ele aprende a compreender que é um Deus em formação, feito a imagem de nosso Deus solar – quando, em outras palavras, ele se abre ao conhecimento superior, compreendendo a sua natureza divina – o conhecimento que ele tem das coisas começa a transformar-se numa compreensão da verdadeira existência e significado das coisas. Esta transformação, todavia, só pode ser realizada pelo esforço próprio. O ser humano só começa a ser verdadeiramente ele próprio, quando obtém este elevado conhecimento.

Muitas pessoas parecem vacilar para frente e para trás, entre os dois tipos de conhecimento – olhando e verdadeiramente sabendo. Quando alguém se recusa a olhar, fecha-se às coisas cuja natureza ele deve aprender a conhecer. Quando se recusa a trabalhar para a obtenção da sabedoria, ele fecha-se à verdadeira natureza das coisas.

(Revista Serviço Rosacruz – 05/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Alma de uma mulher é masculina e a Alma de um homem feminina?

Pergunta: A Alma de uma mulher é masculina e a Alma de um homem feminina?

Resposta: Falando em termos gerais, podemos responder afirmativamente. O Corpo Vital, que é eventualmente transformado, transmutado e espiritualizado em alma, é do sexo oposto.

É formado, órgão por órgão, exatamente como o Corpo Denso, mas com essa única exceção, e isto esclarecem muitos fatos que seriam, de outras maneiras, inexplicáveis. As faculdades inerentes do Corpo Vital são o crescimento, a propagação, a assimilação e a memória. A mulher, por ter um Corpo Vital positivo, amadurece mais cedo que o homem, e as partes que permaneceram semelhantes às plantas, como o cabelo, crescem mais e são mais viçosas e, naturalmente, um Corpo Vital positivo gerará mais sangue do que o Corpo Vital negativo possuído pelo homem. Por isso, temos na mulher uma pressão sanguínea maior, que é necessariamente aliviada pelo fluxo periódico que cessa na menopausa, provocando nela um segundo crescimento, ao qual já aludimos quando a qualificamos de “madura”.

Os impulsos do Corpo de Desejos projetam o sangue através do sistema numa velocidade oscilante, de acordo com a intensidade das emoções. A mulher, tendo sangue em excesso, trabalha sob uma pressão bem mais elevada do que o homem e, embora esta pressão seja aliviada pelo fluxo periódico, muitas vezes é necessário recorrer a um meio que permita maior vazão: suas lágrimas, que são um sangramento branco, uma válvula de segurança que remove o excesso do fluido. Os homens, embora experimentem emoções tão intensas quanto às das mulheres, não são propensos a chorar porque não têm sangue além do necessário.

Sendo positivamente polarizada na Região Etérica do Mundo Físico, a esfera da mulher situa-se mais no lar e na igreja, onde ela sempre foi circundada por amor e paz, enquanto o homem trava, sem tréguas, a batalha do forte para a sobrevivência do mais apto no denso Mundo Físico, onde ele é positivo.

(Livro: Perguntas e Respostas – Vol. I – pergunta 08 – Max Heindel)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Autopercepção e os Princípios Herméticos

No Templo de Apollo em Delfos estão gravadas as seguintes palavras: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses”.

“Homem, conhece-te a ti mesmo” é um conselho transmitido através das idades para todos os que procuram, seriamente, a iluminação espiritual.

As verdades mais elevadas da iluminação espiritual só serão nossa posse quando nos conhecermos a nos próprios, muito mais profundamente do que possamos imaginar agora. Tal como lemos no Conceito: “Quando o ser humano na sua involução progrediu até ao ponto de precisar dum parceiro para propósitos de geração, ele perdeu o conhecimento de si próprio; por conseguinte a sua consciência tornou-se cada vez mais voltada para as coisas exteriores e ele perdeu sua percepção interna. Isto não poderá ser completamente recuperado até que ele tenha passado ao estágio onde não haverá mais necessidade de um parceiro para propósito de geração e tenha atingido um grau de desenvolvimento em que possa, novamente, utilizar toda a sua força criadora à vontade. Então, ele novamente conhecer-se-á a si próprio como quando estava no estágio idêntico ao reino vegetal que conhecemos, mas com a importante diferença de que usará sua faculdade criadora conscientemente e não será restringido a usá-la para fins de procriação, mas poderá criar tudo que quiser”.

Conhece-te a ti mesmo, então, significa muito mais do que meramente conhecermo-nos em termos de Mundo Físico. Na verdade, até mesmo esta forma de autoconhecimento não é fácil de obter. Quando iniciamos a prática do exercício de Retrospecção e, frequentemente, mesmo depois de estar executando-o por algum tempo, é dolorosamente óbvio quão pouco realmente nos conhecemos, mesmo em termos puramente materiais.

O autoconhecimento completo significa algo mais do que conhecer como vivemos nossa vida terrena e do que mostrar-nos nossas reações no contato com as outras pessoas e no cumprimento de nossos deveres. Significa, também, compreender nossas naturezas espirituais, nossas origens, nosso destino e as potencialidades divinas que a maioria da humanidade nem sonha que estejam latentes dentro de nós.

A familiaridade com os sete princípios herméticos que constituem a base dos ensinamentos da ciência oculta, desde o antigo Egito até aos nossos dias, é uma ajuda inestimável na obtenção do autoconhecimento.

O primeiro princípio hermético define a natureza própria do Universo, assim como de todas as coisas nele contidas; é o princípio do mentalismo: “O Todo (o Absoluto) é Espírito; o Universo é mental”. O Todo pode ser considerado como uma Mente vivente, infinita e universal, e nós, assim como os outros fenômenos do Universo, somos criações mentais do Todo. Assim é verdadeiro que no Todo “nós vivemos e nos movemos e temos o nosso ser”.

O segundo princípio é o da correspondência: “Assim como é em cima é em baixo; assim como é em baixo é em cima”. Sabendo isto, o ser humano pode raciocinar inteligentemente do conhecido para o desconhecido, incluindo, particularmente, as profundidades desconhecidas de si próprio.

O terceiro princípio há o princípio de vibração: “Nada repousa; tudo se move; tudo vibra”. Este princípio pode ser aplicado na obtenção do domínio dos fenômenos naturais de várias maneiras, nas palavras de um antigo escritor: “Aquele que entende o princípio da vibração, empunhou o cetro do poder”.

O quarto princípio, da polaridade, mantém que “Tudo é dual; tudo tem polos; em tudo existe o par de opostos que são idênticos em sua natureza, mas diferentes em grau; nos extremos encontram-se, portanto, todos os paradoxos podem ser reconciliados”. Neste princípio é baseada a faculdade da transmutação; e, o que é mais importante, a transmutação do mal em bem. A compreensão deste princípio tornará, também, a pessoa apta a mudar sua própria polaridade, se para isso quiser devotar tempo e esforço.

O quinto princípio, do ritmo, enuncia que “Tudo flui para fora e para dentro; o movimento pendular manifesta-se em todas as coisas; a medida da oscilação para a direita e a medida da oscilação para a esquerda”.

Todas as pessoas que se elevam a qualquer grau de domínio de si mesmo estão, pelo menos intuitivamente, a par deste princípio. Usando sua força de vontade para, em todas as coisas, ficarem em equilíbrio são capazes de neutralizar os efeitos do princípio do ritmo dentro deles próprios e, desse modo, desenvolver um grau de equilíbrio, essencial para o autocontrole.

O sexto princípio, o de Causa e Efeito, é um com o qual se tornam familiares todos os que fazem o retrospecto de suas atividades diárias.

“Toda a causa tem o seu efeito; todo o efeito tem a sua causa; há muitos planos de causação; nada escapa à Lei”.

A maioria das pessoas são arrastadas de dia para dia, obedecendo aos caprichos das circunstâncias, meio ambiente, desejos, lassidão ou as vontades mais fortes dos outros. Porém, à medida que nós vamos nos conhecendo melhor aprendemos até que grau nos deixamos manobrar por fatores externos. Então, podemos tomar providências para usar os princípios de Causa e Efeito, em nosso benefício, em vez de sermos simples joguetes ou peões no xadrez dos afazeres mundanos.

Finalmente o princípio do gênero enuncia que “Tudo tem seu princípio masculino e princípio feminino; o gênero manifesta-se em todos os níveis de desenvolvimento”. Nenhuma criação física, mental ou espiritual é possível sem este princípio. O princípio feminino encarrega-se do trabalho de gerar novos pensamentos, imaginação e conceitos. O principio masculino faz o trabalho da vontade, que ativa os pensamentos e imaginação. Idealmente, os princípios masculino e feminino agem de forma coordenada e harmoniosa um com o outro. Em muitas pessoas, todavia, a força de vontade é muito débil – ou, pelo contrário, age irrefletidamente, sem a preparação de pensamento apropriado – e a completa cooperação e coordenação entre os dois elementos é ainda uma coisa do futuro. Novamente, devemos recordar-nos que o autoconhecimento total e completo poderá ser atingido somente quando o Ego se desenvolver ao ponto de não mais precisar de parceiro para a geração e possa utilizar a totalidade de suas forças criadoras harmoniosamente coordenadas, segundo sua vontade.

(Revista Serviço Rosacruz – 05/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Visão Etérica e o Desenvolvimento Futuro

A Visão Etérica e o Desenvolvimento Futuro

 

Presentemente, a humanidade está se tornando mais e mais sensível aos estados mais elevados da matéria. O ser humano desenvolve faculdades espirituais capazes de abrir-lhe horizontes inteiramente novos. Ao mesmo tempo a atmosfera do Planeta está se tornando mais rarefeita. O oxigênio consome-se dia a dia e o Éter planetário torna–se mais denso.

Todas essas condições capacitarão o ser humano a estabelecer contatos com a Região Etérica com maior facilidade.

É de se esperar que, aquilo que primeiro for visto pelas pessoas no plano etérico será alterado, isto para dizer o mínimo. Interpretações destituídas de certa margem de segurança serão, incompreensivelmente, dadas a tais fenômenos. A esse respeito Max Heindel nos diz: “é bom entender que através da aspiração e meditação, aqueles que ansiosamente aguardam por aquele dia estão agarrando o tempo pelos cabelos, podendo facilmente passar à frente daqueles que não têm consciência do que está ocorrendo”.

Estes últimos, por outro lado, poderão retardar o desenvolvimento da própria visão, por acreditarem estar sofrendo de alucinações, quando começarem a obter os primeiros vislumbres das entidades etéricas, temendo serem julgados insanos se relatarem a outrem aquilo que veem.

” . . . Mais importante que tudo, devemos apressar o dia, em nosso caso, adquirindo conhecimento de coisas que devemos esperar ver, porque então saberemos pelo que procurar, e não seremos amedrontados, aturdidos e nem incrédulos, quando principiarmos a ter vislumbres destas coisas” (Livro: Mistérios Rosacruzes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz).

Para contrabalançar a paralização espiritual causada pela crença na interpretação materialista dos fenômenos etéricos, cabe aos estudantes da Filosofia Rosacruz promover, onde for possível, por suas palavras e vivência, o conceito de um universo moral, guiado pelo Espírito e, fundamentalmente, produto do bem.

(Traduzido de Rays From The Rose Cross, de abril de 1978 e publicado na Revista Serviço Rosacruz – 02/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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