Categoria Filosofia

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Será que é aconselhável a educação sexual nas escolas?

Pergunta: Tenho lido muitos artigos em revistas atuais sobre os prós e os contras da educação sexual nas escolas. Parece haver argumentos válidos tanto a favor como contra, mas o fato é que um número cada vez maior de escolas está incluindo esta matéria em seu “curriculum”. Será que isto é aconselhável?

Resposta: Esta pergunta não pode ser respondida com um arbitrário “sim” ou “não”. O problema da educação sexual trata de uma parte fundamental e mal compreendida da natureza humana, portanto, envolve muitos fatores que devem ser levados em conta, se queremos resolvê-los satisfatoriamente. Podemos dizer, respondendo parcialmente a esta pergunta, que em nossa opinião, o LUGAR onde esta informação for dada é menos importante do que a natureza da informação e a maneira como ela for transmitida.

É um assunto profundo sobre o qual a humanidade precisa ser informada e esclarecida com a máxima seriedade.

As pessoas precisam aprender que a função criadora não é só uma necessidade biológica primária, mas é também uma função sagrada. Precisamos saber que fomos destinados a converter a nossa energia criadora em canais mentais e espirituais. A atitude que só visa prazeres em relação ao casamento e ao sexo – como infelizmente é evidenciado nos dias de hoje, por meio de filmes, revistas, jornais, televisão, rádio, etc. – e também é observada na conduta de muitos adultos e adolescentes, acarreta grandes sofrimentos futuros.

O mais importante para a educação dos filhos é a boa educação dos pais. Não há função mais bonita que a do pai e da mãe, como construtores do lar e por isso deveria proporcionar também aos pais, cursos esclarecedores em colégios e universidades e assim alcançaríamos as raízes da delinquência juvenil, crimes sexuais e vários níveis de agressividade. Felizmente, algumas escolas americanas já oferecem cursos úteis que tratam do casamento, da paternidade, da dinâmica de um lar. No entanto, abordam o assunto da educação sexual do ponto de vista puramente biológico e isto não é suficiente. Deveria ser ensinado que todos nós, pais e filhos, temos uma origem divina, feitos a imagem espiritual de Deus e que a força criadora que se encontra dentro de nós e também de origem divina. Como as crianças aprendem principalmente pela imitação, é óbvio que elas precisam de exemplos dignos e só assim poderemos levá-las a cultivar o anseio espiritual de um “Eu” superior e a viver uma vida moralmente digna.

Pais bem informados com respeito à verdadeira natureza e função da energia criadora (estudantes do ocultismo) estão preparados para dar a criança uma resposta correta e elevada, às perguntas naturais que ela fizer. Como muitos pais não estão preparados para esta informação, é naturalmente melhor que as crianças procurem informações mais completas com um professor. A criança imbuída de atitudes corretas estará mais preparada e fortalecida para encarar as tentações da puberdade e da vida adulta, com maior compreensão e com o desejo de seguir modelos morais elevados. É dever de todos os pais prepararem-se para posteriormente estarem aptos a transmitir estes ensinamentos a seus filhos. Um dos ensinamentos que podem ser dados é o seguinte:

“De acordo com a Bíblia, a humanidade era macho–fêmea antes que fosse separada em dois sexos diferentes e distintos como homem e mulher. Ainda existem entre nós hermafroditas que possuem esta formação considerada anormal nos dias de hoje, mas que comprova a verdade dessa afirmação bíblica e fisiologicamente o órgão do sexo oposto está latente em todos. Durante o período em que o homem era assim constituído, a fecundação ocorria dentro dele e isto não nos parece tão estranho quando sabemos que tal fato ocorre até hoje, na fecundação das plantas”.

”Vamos ver agora pela Bíblia qual o efeito da autofecundação nos primórdios da humanidade. Há dois fatos importantes que se sobressaem: Um é que existiam naquela época, gigantes na Terra; o outro é que os patriarcas viviam durante séculos. Essas duas características, crescimento exagerado e longevidade são encontrados em muitas plantas atuais. “O grande porte e a longa vida de certas árvores são maravilhosos; elas vivem séculos enquanto o ser humano vive poucos anos”.

“É de conhecimento geral dos horticultores que as plantas cessam o seu crescimento quando florescem muito. Uma rosa pode florir a tal ponto que morrerá depois; portanto, um jardineiro sábio podará os brotos da planta para que a força possa ir, em parte, para o crescimento ao invés de ir para a floração. Assim, conservando a semente dentro de si, alcançará a força necessária para o crescimento e a longevidade”.

“É evidente que a essência geradora na semente é uma substância espiritual e podemos observar e comparar a intrepidez e a impaciência de um garanhão ou de um touro, com a mansidão de um novilho ou de um cavalo castrado. Além disso, sabemos que um libertino convicto e um degenerado tornam-se estéreis e enfraquecidos.

Quando tomamos consciência destes fatos não será difícil entender a verdade da afirmação bíblica que diz: o fruto da carne que nos traz sob lei do pecado e da morte é, antes de tudo, fornicação, enquanto que os frutos do espírito que nos levam a imortalidade, como nos é mostrado no mesmo livro, são a abstinência e a castidade”.

“‘Vamos considerar agora a criança e como a força criadora, usada dentro da criança e para ela, causa um grande crescimento durante os primeiros anos da infância. No entanto, quando chega à puberdade, o despertar da paixão, esta força começa a ser um empecilho para o crescimento. A força vital produz, então, a semente que irá encontrar condições de crescimento e expressão em outro lugar e daí o crescimento ser estancado. Se continuássemos a crescer como durante a infância, seríamos gigantes, como os hermafroditas dos tempos passados”.

“A força espiritual gerada na época da puberdade e durante toda a vida pode ser usada para 3 fins: procriação, degeneração ou regeneração. Dependerá de nós qual dos 3 métodos escolheremos. A escolha que fizermos pesará sobre nós durante toda a vida, pois as consequências do uso desta força não estão restritas ao tempo nem a ocasião em que esta força foi usada. Quer sejamos capazes de agarrar nossas oportunidades ou deixa-las escapar; quer sejamos saudáveis ou doentes; quer vivamos nossa vida de acordo com um objetivo satisfatório ou não; tudo isto dependerá da maneira como usarmos a força vital”.

“Se ao invés de gastarmos nossa substância, resolvermos viver castamente, dirigindo a força criadora para a regeneração estaremos sublimando e refinando nossos corpos físicos ao mesmo tempo que fortificamos nossos Corpos-Alma. Desta maneira podemos prolongar a nossa vida material e aumentar as oportunidades de maior crescimento anímico e progressos no Caminho”.

(Traduzido da revista ”Rays from the Rose Cross” e publicado na Revista Serviço Rosacruz – 08/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Fraternidade Universal: Acalentemos esse sonho

Fraternidade Universal: Acalentemos esse sonho

Max Heindel nos relata que, em seu esforço de divulgação, sempre encontrava boa receptividade nos jornais. Quando seus artigos abordavam temas como: “Os mundos Suprafísicos”, “Teoria do Renascimento”, Metafísica e Ocultismo em geral, chegavam a merecer dos editores, páginas inteiras. Quando, porém, se discorria sobre a Fraternidade Universal, não raro, iam parar na cesta de lixo, pois o interesse era bem menor.

Naqueles dias sombrios em que se travou a Primeira Guerra Mundial, Max Heindel lamentou também a atitude de alguns membros da Fraternidade, quando expressavam, notoriamente, simpatia por alguma das facções em luta.

Ainda nos dias de hoje nota-se como o sentimento de nacionalidade, o apego à raça, o fanatismo ideológico e o religioso encontram-se arraigados no íntimo das pessoas, tornando-as cegas a realidade. O ser humano não logrou libertar-se totalmente da influência separatista do Espírito de Raça. Mesmo assim houve algum progresso. O trabalho do Cristo, como regente de nossa evolução vem produzindo frutos positivos.

É bem verdade que as guerras continuam, o terrorismo ocupa as manchetes dos jornais, a violência urbana desafia a tudo e a todos, a humanidade permanece cindida entre explorados e exploradores. Mas cresce também a consciência de que isso não pode perdurar. Envidam-se esforços no sentido de manter a paz através de organismos internacionais. O desenvolvimento espantoso dos meios de comunicação e transporte nas últimas décadas reduziu as distâncias, pondo-nos a par dos problemas mundiais com rapidez admirável. As nações, hoje, já formam a chamada “aldeia global”. Estabeleceu-se, entre elas, uma relação de interdependência a ponto de os problemas de uma afetar as outras, de alguma forma.

Quando tomamos conhecimento de uma catástrofe que se abateu hoje sobre algum país, sentimo-nos envolvidos por um sentimento de solidariedade e empatia. Sentimos um incontido desejo de ajudar. Vemos, com satisfação, outras nações mobilizarem pessoas e recursos para aliviar o sofrimento das populações vitimadas.

Se de um lado as lutas prosseguirem, de outro rejubila-nos com a intensificação dos intercâmbios culturais científicos e comerciais entre agrupamentos de ideologias políticas até conflitantes, num esforço por superar diferenças que, na verdade, inexistem. Isso nos deixa esperançoso quanto à realização da Fraternidade Universal, mesmo que em futuro ainda longínquo.

Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos nos oferece ensinamentos lapidares sobre a Fraternidade Universal: “A vinda de Cristo preparou o caminho para a emancipação da humanidade para libertá-la da influência dos Espíritos de Raça ou de família, unindo toda a família humana numa Fraternidade Universal”.

“Enquanto amarmos somente a própria família ou nação seremos incapazes de amar aos demais. Rompamos os laços de sangue, ainda limitados pelos laços de parentesco e da pátria; afirmemo-nos e bastemo-nos. Assim poderemos nos converter em servidores desinteressados da humanidade”.

“O ser humano deve primeiramente cultivar um ‘eu’ antes de poder compreender o aspecto superior da Fraternidade Universal, que exprime unidade de propósitos e interesses”.

Cada povo, cada ser humano em particular, tem um incomensurável potencial a oferecer aos demais. Somente essa disposição será capaz de promover uma paz duradoura. Temos muita fé no ser humano, na essência superior que subjaz em seu íntimo. Ela, seguramente, será o fator de sua redenção.

De uma coisa Max Heindel nos assegura: a Fraternidade Universal será erigida sobre as ruínas do egoísmo. Em nossas práticas devocionais não esqueçamos de orar pela paz mundial.

(Revista Serviço Rosacruz – 08/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Bem do “Mal”

O Bem do “Mal”

Não te revoltes contra as adversidades nem te alquebres diante delas.

Busca isto sim, o bem que nelas existe. Diz-se que elas são injustas, dolorosas: sinal de que ainda não estás maduro e não compreendeste as Leis. Não que seja um castigo dos céus. Deus é um Pai perfeito e não castiga.

Sua voz, dentro de nós, está constantemente a chamar-nos, como o magnetismo do Norte a uma agulha de bússola. Estamos aprendendo a orientar-nos e temos o direito de experimentar todas as direções. Mas, verificamos que quanto mais nos afastamos para o Sul, tanto mais sentimos o vazio que os prazeres do mundo não podem preencher.

As causas são teus desvios. A Lei é automática: para cada causa, um efeito correspondente. Não podes dizer que tuas vicissitudes sejam um mal. Elas o estão advertindo!

Não as escutas?

Acaso a repulsão é um mal, quando age nos planos inferiores buscando alertar-nos contra os enganos?

Acaso é mau um fogo se nos queima os dedos que inadvertida ou propositadamente colocamos nele?

A Lei é Lei. Quanto mais nos afastamos tanto mais fortemente age, na tentativa de mostrar-nos o verdadeiro sentido. Como um mero impulso, não dói. O que dói é o nosso desejo egoísta de continuar errando, de não voltar ao norte, de não nos conformarmos em deixarmos velhos hábitos, vícios e apegos.

Analisa tua vida.

Achas ela boa? O que é o bem? E do que gostas? Ou é o que é realmente bem, independentemente de teus gostos?

O bom, o belo e o verdadeiro são objetivos, independentes de nós, míseros mortais. Quem somos nós para ditar as leis de harmonia? Estamos apenas aprendendo e quanto mais sabemos, tanto melhor vamos percebendo esses atributos, porque sendo eles eternos e perfeitos como Deus, eterna também deve ser a nossa busca.

Sê em primeiro lugar sincero contigo mesmo. Medita, e o teu Cristo te iluminará. Ao perceberes tuas falhas terás dado o primeiro passo. Depois, arma-te de coragem para reformar-te, expulsando de teu templo interno, os ladrões de teu sossego.

Devemos ser cristãos verdadeiros, intrínsecos, embora não seja fácil compreender e aplicar as leis do amor a Deus e ao próximo.

Não penses em ti. A revolta, a incompreensão, as mágoas só existem quando julgamos estar sendo injustiçados. Mentira. Tudo aparente. Tudo egoísmo. O que nos parecem males e inimigos são instrumentos de nossas correções. O semelhante atrai o semelhante. Despoja-te do egoísmo e vive o bem, com discernimento. Difícil?

Quanto mais difícil te parece, mais perto estás da realização, porque mostra que começas a compreender a luta interna de tuas naturezas opostas. Nossa natureza animal só luta quando ameaçada de extermínio. A lei de preservação existe em todos os planos.

Não desanimes. Nossa vida atual é de alternâncias: noite e dia, verão e inverno, tristeza e alegria, tudo transitório, até que o eixo de nossa vida coincida com a trilha eterna da evolução. É a época decisiva. Temos de resolver; ou servimos a Deus ou ao mundo. Não podemos servir a dois senhores!

Desconfia das facilidades e comodidades da descida, porque, se continuada, poderão levar-te aos portais do inferno. Alegra-te com as asperezas e dificuldades da subida, porque elas te levam certamente a maiores alturas. E à medida que sobes, as névoas dos vales pecaminosos vão se desanuviando e enxergarás melhor, percebendo que o aparente bem era um mal e que o aparente mal lhe era um bem. Quanto mais subires, mais vastos horizontes se descortinarão ante teus olhos, dando-te forças para prosseguir.

Além disso, não estamos sozinhos. A teu lado estão seres compassivos e sábios, deixando que aprendas a andar com tuas próprias pernas, porque és um Deus em formação e teu destino é glorioso. Tenha fé! O Senhor é o Bom Pastor, não nos faltará!

Esquece-te e dá-te aos demais, com discernimento. Olha a teu redor, mais vale a terra fértil do que a pedra; mais a árvore frutífera do que a estéril; o grau evolutivo se mede sempre pelo serviço amoroso prestado. A árvore dá simplesmente. Não se queixa das podas, porque não tem uma Mente enganosa como nós. E, contudo, também nós somos podados por jardineiros sábios, para que fortaleçamos em todos os pontos e possamos dar melhores frutos. Sejamos humildes! Quem somos nós para julgar?

Deus e Sua Sabedoria estão manifestos claramente. Basta que os saibamos ver. Alegra-te de tuas caídas porque elas te ensinam mais do que os outros meios.

Levas, orgulhosamente, teus arranhões como medalhas. E quando caíres outra vez, levanta-te sem lamúrias. Só os fortes recebem provas maiores.

O único fracasso é deixar de lutar! O tempo de que dispomos os recursos financeiros, sentimentais, intelectuais, físicos, tudo enfim, que temos e não nos pertencem em realidade, porque somos simples administradores e aprendizes neste mundo, todos esses valores devem ser postos conscienciosamente a serviço de nosso próximo, a começar por nossa família, prevenindo os perigos do egoísmo, da vaidade, que amiúde deturpam seu emprego. Sê pois, compreensivo e amoroso servidor!

(Revista Serviço Rosacruz – 01/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Parece-me que o Senhor enfatiza demasiado sobre a importância e o valor da dor como fator da evolução humana. Não seria melhor enfatizar o valor da alegria e da felicidade em vez da dor?

Pergunta: Parece-me que a Senhor enfatiza demasiado sobre a importância e o valor da dor como fator da evolução humana. O sofrimento individual pode ser a único meio pelo qual o Ego pode adquirir o poder de sentir compaixão, porém, o verdadeiro propósito da compaixão deve ser eliminar a dor. Por conseguinte, por que não seria melhor enfatizar o valor da alegria e da felicidade em vez da dor?

Resposta: A última parte da pergunta indica nossa exata posição. Enfatizamos o valor e a importância da alegria e da felicidade, não, sem dúvida, como um supremo fim em si mesmo, senão como um produto da evolução, através da qual avançamos a estados sempre superiores de poder e de glória. O objetivo da evolução não é simplesmente obter felicidade para os Egos que tomam parte nela, embora a vida em todos os planos esteja designada a ser feliz e satisfatória. Nosso real propósito aqui é ajudar a levar a cabo o grande plano cósmico dos seres espirituais mais elevados. Se trabalharmos de acordo com esse plano, a alegria e a felicidade seriam em abundante medida. O problema com a humanidade é que ela percorreu apenas uma distância comparativamente curta no caminho da evolução, e, por conseguinte, está ainda ignorante das leis e das forças cósmicas e está constantemente violando essas leis de tal forma que atrai dor sobre si mesma. Existem dois métodos de aprender. Um é pela experiência e o outro é pela observação. A Filosofia Rosacruz tem por objetivo induzir aos seus estudantes a aprender por meio da observação. Com este propósito fornece informação com relação às leis cósmicas e também acerca da dor que resulta quando são violadas. É assim que os Egos prudentes modificarão seus caminhos de acordo com as leis e evitarão violentá-las, porque isso produziria sofrimento. A Filosofia Rosacruz menciona a dor e o infortúnio apenas em conexão com isso.

(Revista Serviço Rosacruz – 05/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Nos Estados Unidos da América do Norte há grande popularidade dos movimentos carismáticos, que empregam orações acompanhadas por imposição das mãos. Os efeitos são desmaios dos pacientes “tocados pelo espírito” ou o aparecimento de “glossolalia” – falar em línguas. Queiram comentar, por favor.

Resposta: Durante a sua evolução passada, a humanidade recebeu várias Religiões de Raça e o Conceito Rosacruz do Cosmos nos diz que essas religiões foram dadas para ajudar os vários tipos humanos de cada raça a vencer o Corpo de Desejos, preparando, assim, a união com o Espírito Santo. A maneira de operar do Espírito Santo foi relatada nos Evangelhos quando os discípulos se expressaram de Pentecostes em vários idiomas, sem desmaiar. Pelo Espírito Santo falaram, então, em várias línguas. Porém, há mais uma condição da pessoa se expressar de maneira inusitada em vários idiomas: sob atividade mediúnica negativa, ou sendo sujeita ao controle de entidades desencarnadas. É um estado similar ao da vítima de um hipnotizador, no Mundo Físico. Essa condição negativa se produz sem o exercício da vontade do indivíduo em questão. Qualquer atividade fora do controle da pessoa é completamente indesejável, porque pode levar a completa obsessão ou controle de seu corpo físico por outra entidade. O fenômeno do “desmaio por ter sido tocado pelo espírito” parece uma manifestação similar ao do falar em línguas durante certos cultos religiosos. Temos certeza que os Discípulos NÃO desmaiaram na ocasião do Pentecostes, já que o seu desenvolvimento seguia o método positivo. O desenvolvimento positivo, como sabemos, permite um estado de plena consciência, e a pessoa poderá usar o novo poder beneficamente com pleno exercício de seu discernimento.

Carisma” é um dom divino especial e as emoções ficam intensamente ativas nas atuações desse tipo. Isso é bastante significativo para o estudante de ocultismo, sabedor de que uma pessoa em estado de grande emotividade é mais facilmente afetada por forças suprafísicas, sobre as quais não pode exercer controle.

(Revista Serviço Rosacruz – 05/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Espiral da Vida: nunca voltaremos às mesmas situações que já conhecemos

A Espiral da Vida: nunca voltaremos às mesmas situações que já conhecemos

Quantas vezes pensamos que a vida se move com grande monotonia! Parece-nos que os dias, as semanas e os meses se seguem uns aos outros em um círculo monótono, sempre com as mesmas responsabilidades. Quantas vezes deixamos correr o pensamento e nos vemos em viagem imaginária por mares desconhecidos! Vemos as velas brancas de nossa forte nave, inflada pela brisa, segundo esta se desliza suavemente para o maravilhoso país de nossa fantasia. Até chegamos a sentir a suave brisa do trópico acariciar nossas faces. O feitiço sedutor de outras terras nos chama com voz tão insistente que anelamos romper os grilhões que nos atam a obedecer ao impulso, pouco nos importando o preço a pagar. Os distantes prados nos parecem tão verdes! O romance e a aventura nos sorriem desde o horizonte. Imaginamo-nos protagonistas de atos heroicos e nobres ações como parte de uma série de acontecimentos cheios de encantos. Envolvemo-nos na rede prateada do encantamento e, imediatamente despertamos para a realidade da vida, novamente no mesmo lugar anterior, no mundo de sempre.

Então, sentimos como se a beleza de nossa vida houvesse desaparecido, que não há nenhuma correlação entre nossos sonhos e a realidade, senão que parecem ser duas coisas completamente distintas.

Isto ocorre porque estivemos olhando as coisas somente desde o ponto de vista externo. Ao ir de encontro com a felicidade nos passa despercebida a aventura mais sublime e verdadeira: o despertar da alma.

Na vida, as coisas não se repetem; nenhum acontecimento ocorre duas vezes da mesma maneira. A evolução nos leva continuamente para diante, em ascendente espiral. A nota chave do Universo é o progresso eterno, e este, em seu passo majestoso, nos envolve em suas fortes correntes.

A vida nos parecem aborrecida e monótona unicamente até o momento em que descobrimos os tesouros que jazem no Eu interno. No mundo da Mente e do pensamento abundam insondáveis mistérios que ao rebuscá-los e dar com eles, nos produzem os maiores prazeres e delícias. Ao chegar a compreender sua origem divina, a Alma, por tanto tempo atada e prisioneira da ignorância e da dúvida, nos fala de glórias que podemos alcançar e das alturas espirituais as quais podemos voar, com a promessa de encontrar essa perfeita paz que, por tão longo tempo, temos buscado.

Todo o momento da vida contém grandes tesouros; mais do que estamos preparados para receber.

Em nossa trajetória pela espiral da vida nunca voltaremos às mesmas situações que já conhecemos. Muitas vezes nos parecerá que estamos passando por uma situação semelhante a anterior, porém, se nos detivermos a investigar, veremos que o que se passou é que estamos chegando a um ponto imediatamente acima da situação anterior. Ocorre que estivemos caminhando para frente e acima, em espiral ascendente, ficando cada vez a um nível um pouco mais alto, segundo damos a volta na espiral. Esta Lei da vida deveria ocasionar-nos grande prazer, pois, para além das sombras que a morte de nossos entes queridos deixa, brilha a feliz promessa de nos reunirmos com ele em uma radiante “manhã”. Não nos abandonaram, embora se encontrem ausentes fisicamente; a tão temida velhice se despoja de suas vestes de luto e se cobre com um manto branco e brilhante. Percebemos, então, que cada passo que damos para os “setenta anos”, simplesmente representa progresso. Quanto mais depressa entreguemos nosso corpo a terra mais jovens seremos. Os amigos se conhecem e logo partem, e nos parece que houve uma separação; sem dúvida, se em realidade temos os mesmos ideais e propósitos, se temos em comum as mesmas ambições, voltaremos a nos encontrar em vidas futuras. Cada vez que a espiral dá uma volta, aqueles a quem quisemos bem virão a nossas vidas novamente.

Esta Lei de evolução é aplicável tanto às nações como a indivíduos. Cada pessoa é incluída no movimento envolvente de vida da sua nação, assim como no de toda humanidade e no seu próprio círculo de evolução; isso nos explica o porquê podemos tomar parte no trabalho do progresso da criação. Até o ponto em que desenvolvemos e libertemos nossos grandes poderes espirituais e permitamos que a Luz Divina interna nos irradie e reflita em nossos pensamentos e ações, e estivermos capacitados para podermos cooperar na evolução de cada criatura ou coisa existente. O todo deve ser afetado pela ação de cada unidade individual. Segundo as palavras de Cristo: “E Eu, se for levantado da terra, atrairei todos a Mim mesmo” (Jo 12:32).

Que bem amado pelo Criador deve ser o ser humano para que tivesse dotado de tão estupendos e divinos poderes!

Não devemos menosprezar nossas responsabilidades, pois estas são também muito grandes.

Este movimento de vida para frente foi descrito como “uma ampla faixa composta das sete cores do arco-íris, cada cor com sua correspondente vibração e sua própria expressão de vida, sem dúvida, envolto todo ao redor do candente coração de uma grande espiral”. Podemos ver que esta ampla faixa se compõe de muitas unidades e de unidades dentro de unidades, ocupando cada uma o seu lugar particular na fuga do tempo através do arco da Eternidade.

A cada volta que a Roda da Vida dá, os Seres Superiores escolhem os seus mensageiros entre aqueles mortais que já tenham dado certos passos para desenvolver seus poderes divinos e que, em consequência, tenham desenvolvido qualidades necessárias para resistir as fortes experiências que terão que passar na última volta de sua espiral. Portanto, não nos desalentemos, e pensemos que não poderemos suportar as provas que chegam.

Talvez tenhamos sido considerados merecedores desta suprema prova, a qual se for passada com êxito, poderá chegar a significar que daí para frente teremos de viver uma vida muito mais ampla e intensa e de maiores oportunidades para servir a humanidade. O verdadeiro e duradouro prazer está em servir e não em receber.

Nos tem sido perguntado muitas vezes: “como saber quando deverei crer nas lições e nas mensagens que recebo?” Para esta pergunta só há uma resposta que é: “Não é necessário que o saibamos”. A própria vida é nossa melhor mestra e não podemos escapar ao efeito das grandes leis, as quais nos trazem as experiências que necessitamos e não nos dão nada que não hajamos merecido. Estas experiências, às vezes, nos parecem cruéis e nos acovardamos ante sua violenta investida, e em meio a nossa agonia também imploramos: “Oh meu Pai, se for possível, afasta de mim esse cálice”. Em momentos de grande prova afastemo-nos de nosso eu externo com todas as suas debilidades mortais e volvamos a vista para o Eu interno, que é a fonte de Serenidade e Força. Como por um milagre sentiremos, então, que nos invade uma grande sensação de Força, que de uma maneira ou de outra nos ajuda a passar a tormenta e nos leva ao porto da Paz.

Recordemos também que estas leis não foram criadas para castigarmos. Deus é Amor e somente o Amor é expressado através de Suas Leis. O que parece ser um castigo é somente um corretivo. Evitaremos muitos sofrimentos desnecessários no futuro se estivéssemos dispostos a aprender as lições à medida que se nos apresentem.

Somos Uno com a grande corrente de Força da Vida divina que constituem a Espiral de toda a Evolução. Demos graças pela grande corrente de compreensão e iluminação que a humanidade esta recebendo. Contribuamos com nossa parte de glória a este benéfico fluxo, esforçando-nos por estabelecer em nossas vidas a ordem e a harmonia. Uma vez realizado isto, não resta a menor sombra de dúvida: nossa vida real e nossos sonhos poderão se correlacionar, porque estaremos vivendo então a bela realidade de nossos sonhos.

(Revista Serviço Rosacruz – 05/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Houve um Tempo para lançar luz sobre a mal-entendida Religião Cristã

Houve um Tempo para lançar luz sobre a mal-entendida Religião Cristã

Na antiga Grécia, a Religião, a Arte e a Ciência eram ensinadas conjuntamente. Todavia, tornou-se necessário, para melhor desenvolvimento de cada uma delas, que fossem separadas durante algum tempo.

A Religião reinou suprema na chamada “idade negra” – a Idade Média. Durante esse tempo a Religião escravizou a Arte e a Ciência, atando-as de pés e mãos. Mas depois, veio o período do Renascimento, e a Arte logo se prostituiu a serviço da Religião. Finalmente veio a Ciência moderna e com mão de ferro subjugou a Religião.

Foi em detrimento do mundo que a Ciência ficou, na Idade Média, escravizada pela Religião. Nesse período, a ignorância e a superstição causaram males sem contas; apesar disso, o ser humano abrigava doces ideais espirituais, e tinha esperança numa vida melhor e mais elevada. Porém, comparativamente, é muito mais desastroso que a Ciência esteja matando a Religião, porque até a esperança, o único dom que os deuses deixaram na caixa de Pandora, corre o risco de evaporar-se, diante do Materialismo e o Agnosticismo.

Tal estado de coisas não pode continuar. É inevitável a reação, pois do contrário a desordem dominaria no Cosmos. Para evitar essa calamidade, é indispensável que sejam novamente unidas a Religião, a Ciência e a Arte, em uma expressão mais elevada do Bom, do Verdadeiro e do Belo, do que anteriormente tinham.

Os acontecimentos futuros projetam sua sombra para diante, mostrando as consequências. Assim, quando os Grandes Guias da Humanidade perceberam certa tendência para o ultra materialismo que surgiria no Mundo Ocidental, tomaram certas medidas para neutralizar e transmutá-lo ao devido tempo. Tais Guias não procuram, como pode fazer supor, matar a ciência que ora floresce, do modo como esta procurou matar a Religião. Eles sabem que o Bem resultará no fim de tudo isso, quando então uma Ciência avançada se haja convertido de novo em harmoniosa colaboradora da Religião.

Uma Religião espiritual não pode, indubitavelmente, colaborar com uma Ciência materialista, do mesmo modo como a água não se mistura com azeite. Assim, oportunas medidas são tomadas para se espiritualizar a Ciência e tornar científica a Religião.

No século XIII, um Instrutor Espiritual muito elevado, que tem por nome simbólico: CHRISTIAN ROSENKREUZ (Cristão Rosacruz), apareceu na Europa e inicou sua obra, fundando a misteriosa Ordem dos Rosacruzes, a fim de lançar luz sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da vida e do Ser, sob um ponto de vista científico, em harmonia com a Religião.

Nas passadas centúrias, os Rosacruzes vinham trabalhando secretamente, mas, ao princípio do século XX, chegou finalmente a hora de levar a público um ensinamento definido, lógico e consequente, a respeito da origem, evolução e desenvolvimento futuro do ser humano e do mundo, conciliando os aspectos científico e espiritual. Tudo o que ensinam está estribado na razão e na lógica. Tal é o ensinamento promulgado pela Fraternidade Rosacruz. Satisfaz a Mente, dando-lhe claras explicações e não evita perguntas. Expõe uma solução razoável para todos os mistérios, mas, e este é um MAS muito importante: o Cristianismo Rosacruz não considera a compreensão intelectual de Deus como um fim em si mesmo. Longe disto; quanto maior o intelecto, tanto maior existe o perigo de que fracasse. Em consequência, nossos ensinamentos são dados, de modo científico, unicamente para que o ser humano possa crer e comece a viver uma vida religiosa, em seu sentido lato (re-ligare, isto é, ligar de novo o ser humano à sua essência espiritual eterna). Só assim, identificados por esse elo comum, poderemos formar a futura e verdadeira Fraternidade.

(Revista Serviço Rosacruz – 10/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Caminho Iniciático e a Lemniscata

O Caminho Iniciático e a Lemniscata

Para melhor compreender o que é a Iniciação e quais seus requisitos preliminares fixe o leitor, antes de tudo, e com toda a firmeza em sua Mente, que, na totalidade, a humanidade progride lentamente no caminho da evolução. Só lenta e quase imperceptivelmente consegue estados mais altos de consciência. O caminho da evolução, examinado sob os aspectos espiritual e físico, é uma espiral.

Leminiscata O Caminho Iniciático e a Lemniscata

 

Na lemniscata, há dois círculos que convergem para um ponto central. Os círculos podem servir para simbolizar o Espírito imortal, o Ego evoluinte. Um dos círculos representa sua vida no Mundo Físico, desde o nascimento até a morte, e o outro, sua permanência nos Mundos Invisíveis, desde a morte até ao renascer.

Enquanto permanece neste mundo, o Espírito imortal – o Ego em evolução – semeia uma semente em cada ato, dele colhendo certa quantidade de experiência. Contudo, assim como se pode semear sem haver colheita, porque as sementes foram atiradas em terrenos pedregosos, entre espinhos, etc., assim também a semente da oportunidade, por negligência no cultivo do terreno, pode ser perdida e, então, a vida será estéril, sem fruto. Ao contrário, assim como a qualidade e o cuidado no cultivo aumentam, enormemente, o poder produtivo das sementes, uma aplicação cuidadosa no negócio da vida – a melhora de oportunidades para aprender as suas lições é extrair de nosso meio as experiências que contém – traz-nos mais oportunidades. Ao terminar uma existência terrestre, o Ego, nas portas da morte, encontra-se carregado dos mais ricos frutos da vida.

Terminado o trabalho objetivo da existência, o Ego começa o trabalho subjetivo da assimilação. Esta obra efetua-se, durante a permanência nos Mundos Invisíveis, período que decorre desde a morte até ao renascimento, simbolizado pelo segundo anel da lemniscata. Quando o Ego chega ao ponto central da lemniscata, que divide o Mundo Físico do mundo psíquico, a que chamamos a porta do nascimento, ou da morte, entra (ou sai) numa outra esfera, em relação a nós. Fá-lo com um conjunto de faculdades e talentos, adquiridos em vidas anteriores, que o espírito usa, ou descuida, em novo dia de vida, segundo sua própria escolha. Do uso que fizer das suas oportunidades depende o crescimento da alma.

Se, durante muitas vidas gratificou principalmente a natureza baixa, vivendo para comer, beber e divertir-se, ou deixou que seus ideais se esfumassem em sonhos e especulações metafísicas, acerca da natureza de Deus, abstendo-se, negligentemente, de toda ação necessária, gradualmente o Ego será deixado para trás, pelos mais ativos e progressistas. Grandes agrupamentos destes preguiçosos formam as chamadas “raças atrasadas”, enquanto os ativos, desembaraçados e despertos, que se preocupam em adquirir uma porcentagem maior de oportunidades, são os precursores.

Ao contrário da ideia geralmente aceita, isto se aplica, igualmente, àqueles que estão empenhados na indústria. Sua maneira de ganhar o dinheiro é, somente, um incidente, um incentivo, inteiramente a parte dessa fase. Seu trabalho é tão espiritual, ou, talvez, mais, do que o daqueles que passam o tempo em preces, com prejuízo de um trabalho útil. Do que dissemos, torna-se claro que o método de desenvolvimento da alma, levado a efeito pelo processo da evolução, requer ação na vida física, seguida, na vida post-mortem, por um estado de assimilação, durante o qual as lições da vida são extraídas e cuidadosamente incorporadas a consciência do Ego, embora as experiências, em si, sejam esquecidas.

Este processo, excessivamente lento, acomoda-se, perfeitamente, as necessidades das massas. Todavia, alguns esgotam, rapidamente, as experiências comumente dadas e requerem um campo mais extenso, para aplicar suas energias. A diferença de temperamento é a causa de sua divisão em duas classes.

Uma dessas classes, conduzida por sua devoção a Cristo, segue, simplesmente, os ditados do coração, em sua tarefa de amor por seus companheiros. Belos caracteres, faróis de amor num mundo sofredor, estão sempre prontos a esquecer sua própria conveniência, para ajudar aos outros.

Na outra classe, a Mente é o fator predominante. A fim de ajudá-la em seus esforços para alcançar sabedoria, as Escolas de Mistérios foram criadas. Nelas foi representado o drama do mundo, para dar as almas aspirantes, enquanto se achavam enlevadas, respostas às perguntas acerca da origem e do destino da humanidade. Ao despertar, eram instruídas na ciência sagrada de ascender mais, por meio do método da natureza – que é Deus em manifestação – semeando a semente da ação, meditando acerca da experiência e assimilando a moral essencial para obter o devido crescimento anímico. Também, havia esta circunstância importante: enquanto, no curso ordinário das coisas gasta-se uma vida inteira em semear e uma existência post-mortem na reflexão e incorporação da substância anímica, este ciclo de mil anos, mais ou menos, pode ser consideravelmente reduzido. Seja qual for o trabalho executado durante um dia simples, reflita-se sobre ele, à noite, antes de cruzar o ponto neutro entre o estado de vigília e o adormecer. Esta experiência pode, deste modo, ser incorporado na consciência do Espírito, como poder anímico. Quando se pratica, sinceramente, este exercício, revisando os pecados cometidos durante o dia, são eles eliminados, automaticamente, e o ser humano começa, em cada dia, uma nova vida, com a vantagem de ter aumentado seu poder anímico, extraído das experiências da sua vida de probacionista. Ao abandonar o corpo – ao morrer e ir ao Purgatório, a visão do nosso passado desenrola-se em ordem inversa, para mostrar, primeiramente, os efeitos, e depois, as causas que os produziram. Sentimos, de maneira intensa, a dor que causamos aos demais. Se não executamos nossos exercícios de maneira similar, sofrendo cada noite o inferno que merecíamos durante o dia, sentindo, agudamente, todos os pesares que havíamos infligido, não nos servirá de nada. Temos que nos esforçar, também, em sentir, com a mesma intensidade, a gratidão pelas atenções recebidas dos outros e a aprovação do bem que proporcionamos.

Somente assim, vivemos, verdadeiramente, a existência post-mortem e avançamos, cientificamente, até a meta da Iniciação. O maior perigo para o aspirante neste ponto é cair vítima do laço do egoísmo. Sua única salvação é cultivar as faculdades da fé, da devoção e da simpatia universal.

Se o estudante ponderou bem o argumento precedente, terá compreendido a analogia entre o largo ciclo da evolução e os ciclos curtos, ou passos, utilizados no caminho da preparação. Ficará claro que ninguém pode realizar, por outro, este trabalho post-mortem, nem lhe transmitir o desenvolvimento anímico adquirido da mesma maneira; ninguém pode ingerir o alimento físico de outro e transmitir-lhe sua resistência e desenvolvimento.

Se não conseguirmos o poder da alma requerido para a Iniciação, ninguém poderá iniciar-nos. Se o possuímos, estamos no umbral por nossos próprios esforços. Podemos pedir a Iniciação, como um direito. Se não o tivéssemos e quiséssemos comprar, 125 milhões de qualquer moerda seriam insignificantes para pagá-los.

Fixemos bem, em nossas Mentes, que a Iniciação não é uma cerimônia externa, mas, sim, uma experiência interior, na qual somos ensinados a usar o poder que armazenamos por meio de uma vida de pureza e de serviço.

(Revista Serviço Rosacruz – 02/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Importância da Importância: nada muda quando somente os resultados são modificados

A Importância da Importância: nada muda quando somente os resultados são modificados

O que parece um jogo banal de palavras pode encerrar um significado imenso: nada é mais importante, talvez, do que saber distinguir o que é importante. Não se trata de um calembur (calemburgo – em francês: calembourg – é um jogo de palavras, um trocadilho que, sendo diferentes na significação, são semelhantes no som, dando lugar a equívocos), mas de uma extraordinária realidade que se confirma a cada momento. A maioria das pessoas encontram dificuldades em precisar as questões fundamentais, e na dúvida acaba optando pelo fútil e pelo acessório. Alguns daqueles problemas hoje considerados importantes são, de fato, mera consequência de outros – esses, sim, básicos – que, resolvidos, acabariam por sanar, como resultado, todos os outros. A crise de energia, a distribuição da riqueza, a desumanização do ser humano pela tecnologia e pela competição, a produção de alimentos no mundo, a difícil convivência entre as humanos nos grandes centros urbanos são esses as problemas mais importantes com que o ser humano se defronta?

Essas dificuldades não surgiram sozinhas, mas resultaram de um desenvolvimento complexo, uma espessa malha de causas e efeitos que começou no ser humano, passa por ele e a ele continuará ligadas até um ponto impreciso no futuro. O ser humano, por razões que merecem ser examinadas, tornou incrivelmente complicado a vida comunal. Seus receios, seus desejos e sua necessidade frenética de segurança teceram a malha fantástica que algum dia terá de ser desenredada para que o ser humano reencontre o que, de certo modo, é seu por direito: a tranquilidade, o amor, o trabalho feliz, a justiça. A trama não surgiu sozinha; foi criada por todos e ninguém está alheio a essa responsabilidade. O mundo não se encontra em crise há apenas alguns anos. É verdade que a situação agora está aguda como nunca, mas o problema é antigo. A história do ser humano, pelo menos nos últimos 30 séculos, tem sido uma sucessão de incompreensões, brutalidades e egoísmos de todos as matizes e gêneros. As guerras cruéis, os tratados hipócritas, os crimes hediondos cometidos em nome da felicidade humana e da justiça social desmascaram os melhores propósitos de líderes e estadistas, que se colocam, como todos nós, separados do fulcro da violência e da injustiça, como se não tivessem em seu espírito aquela mesma matéria prima que produz a morte, os ferimentos, a indiferença diante da dor e a ambição de chegar ao poder e de se manter ali.

A crise do petróleo, a distribuição da riqueza, a robotização do ser humano pela tecnologia, a irresponsabilidade na produção e na distribuição de alimentos no mundo, tudo começa, afinal, na maneira como pensamos o mundo, isto é, no modo como nos situamos na vida. Somos um núcleo solidamente instalado, cada um de nós, e em nosso redor o universo gravita. Tudo converge e parte desse centro, comandado pelo que julgamos ser a consciência.

Pela sua peculiar estrutura, o “eu” vive em torno de si mesmo, concentrado nos seus pequenos interesses, que, às vezes, confunde com os interesses do mundo. Esse núcleo tem vagas ideias a respeito de si próprio e, nas células onde vive, arquiva uma bagagem variável de dados e experiências que usa em função dos seus impulsos, invariavelmente egocêntricos. O “eu” é um punhado de condicionamentos, um computador sofisticado que se alimenta a si mesmo conduzido pelo impulso de preservação e pelo desejo de sobrepor-se a tudo mais. Esse centro – que não é a Mente no seu todo – criou o mundo que conhecemos, esse mundo que está, cada dia de modo mais perceptível, em plena crise.

Em todos os problemas que os seres humanos elegeram como prioritários, mas que são decorrentes de outros, fundamentais, há o dualismo típico da Mente conturbada. Na conflagração do petróleo está, de um lado, o consumismo neurótico do Ocidente, e, de outro, o escândalo de uma chantagem mundial feita com pretextos nobres e um a base religiosa pouco convincente. No caso da distribuição das riquezas existe também a alternativa maniqueísta, opondo a insensibilidade dos que muito possuem a exploração política dos que fazem da justiça social uma escada para sua verdadeira meta, o Poder. As dificuldades com a tecnologia que coisifica o ser humano são produto evidente da imaturidade desse mesmo ser humano, que só pensa nos resultados e não levam em consideração os meios. Nos exemplos todos é possível encontrar questões realmente importantes, e elas estão centradas na Mente humana, não nas dificuldades que essa Mente produziu no mundo exterior com seu egoísmo e sua vulgaridade.

Nada é mais importante, então, do que saber distinguir o que é importante. As tentativas de resolução que partem apenas da modificação dos efeitos são inúteis. Nada muda quando somente os resultados são modificados. As crises políticas, econômicas, militares, religiosas, industriais e administrativas são meros efeitos. Decretos, decisões, revoluções, medidas drásticas são igualmente inócuos enquanto cuidarem dessas situações “mortas”, praticamente já acabadas que são os resultados. Seria o mesmo que eliminar a febre sem procurar a causa, ou afastar a fumaça sem apagar o fogo. O noticiário impresso e falado que dá conta do que se passa no mundo todos os dias, e que pode ser um aprendizado diário inestimável, se for visto apenas como a crônica dos grandes problemas que afligem a humanidade, pode parecer vazio e cansativo.

Por trás das imensas questões que fazem tremer o Planeta, hoje mais do que nunca, está o espírito, a Mente do ser humano; também hoje mais do que nunca doente, prisioneira a própria ignorância.

(Revista Rosacruz – 12/80 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Como Tornar a Prece Eficiente

Como Tornar a Prece Eficiente

Um dos traços de união entre os aspirantes dos Ensinamentos Rosacruzes é o desejo comum de ajudar o próximo. Um dos principais motivos de nossas reuniões é orar pelos necessitados e tentarmos, seriamente, seguir a advertência de Cristo para rezarmos uns pelos outros. Há pessoas, porém, que sentem que suas preces não estão produzindo resultados; que não podem ajudar um ente querido necessitado, que compreendem o problema alheio, mas estão incapacitados de ajudar a resolvê-lo. Podem sentir também que existem condições além de sua capacidade, chegam a pensar que são dignos de pedir, quanto mais de receber a resposta tão esperada às suas preces. Percebem que suas preces não estão sendo respondidas como esperavam. Se alguém já passou por alguma destas experiências há sugestões que podem ser úteis.

Primeiro, vamos tentar definir a palavra prece. Basicamente prece é:

1) Comunhão com Deus; realização com a unidade Divina. Pode ser um momento em que nos isolamos e nos afastamos do Mundo Físico e, conscientemente, nos viramos para o Pai. Pode ser também uma atividade quase inconsciente onde se pratica e se sente a presença de Deus em tudo que se pensa, diz ou faz.

2) Prece é a harmonização e a fusão da Mente do Ser humano com a Mente Divina. É a ação mental mais rápida que se conhece, na qual o ser humano se sintoniza com o Mundo do Pensamento.

3) Prece é uma afirmação da Verdade que é eterna. Deus é o bem, o saber, o amor, a saúde, etc… e desde que somos seres espirituais feito à imagem e semelhança de Deus, no espírito e na verdade, também somos o bem, o saber, o amor e a saúde. Prece é simplesmente a concretização e a própria realização desta verdade.

4) Prece é a parte do ser humano no processo criativo de tornar aquilo que não é manifestado, em manifestação. O livro de Jó nos diz: “Vós também podereis decretar e assim o será”. O resultado final de nosso processo de evolução é tornarmo-nos co-criadores com Deus. Estamos nos tornando aquilo que deveríamos ser e somos. Foi-nos dado o poder da palavra criadora e temos a nosso dispor, mais força do que jamais imaginamos. Usando-a corretamente, esta força aumentará e se espalhará.

5) Prece é a glorificação de Deus, o mais alto estado espiritual de consciência alcançado pelo ser humano. Glorificar Deus é louvá-Lo, enaltecê-Lo, honrá-Lo e conhecer Sua verdadeira essência.

A prece mais conhecida no mundo Cristão é o Pai Nosso. Max Heindel nos deu a mais sublime explicação para essas santas palavras. Esta prece foi ensinada por Cristo Jesus aos Apóstolos, para ser usada em benefício deles próprios, mas é usada por todos e também pelos aspirantes como uma fórmula para a elevação e purificação dos instrumentos ou veículos que possuímos.

Usando o capitulo XVII do Evangelho de São João como base para fazer com que nossas preces aos outros se tornem mais eficientes, devemos ressaltar 10 pontos:

1) Algumas pessoas que rezam fracassam porque são egoístas. Os 26 versículos deste capítulo podem ser divididos em 3 partes: os primeiros oito versículos constituem a prece de Jesus Cristo para Ele mesmo; os versículos 9 a19 são a sua prece para Seus Discípulos; e os versículos 20 a 26 são para aqueles que irão acreditar Nele mais tarde – o que nos inclui.

Na primeira parte, Jesus Cristo estava rezando não só para Ele próprio, como também para a glorificação do Pai. “Glorifica teu Filho para que teu filho te glorifique”. “Eu te glorifiquei na Terra e terminando a obra que me deste para fazer”. Ele não procurou glória para Si, mas apenas que o Pai pudesse ser glorificado e Sua verdadeira essência revelada.

Ao rezar pelos outros devemos ficar atentos para não glorificarmos a nós mesmos e a nossos desejos. Ocasionalmente podemos não nos aperceber de que nos tornamos ditadores ao procurar impor nossa vontade pessoal ou ao tentar forçar alguém a aceitar modelos pré-concebidos. Talvez estejamos rezando: “Faça-o enxergar as coisas do meu modo”, ao invés de: “Ajuda-me a encontrar a melhor solução”, ou: “Faze com que a luz da verdade ilumine sua mente”, ou simplesmente: “Tuas vontades serão feitas, Pai”.

É fácil desviar as preces que fazemos para os outros, de modo a satisfazer o que nós queremos para eles ou pensamos que eles deveriam querer ou ter. É uma cilada contra a qual precisamos estar sempre de prontidão, especialmente quando se trata de pessoas muito chegadas a nós. Pode não ser difícil parecer que estamos conformados quando pedimos por aqueles que estão longe e não são tão íntimos, mas para aqueles com quem temos uma relação mais chegada, é muito difícil nos desvencilharmos do nosso Ego e tentarmos rezar para o bem dessa pessoa entregando-a a Deus, mesmo que seja contra o que gostaríamos que acontecesse. Portanto, se nossas preces parecem não produzir resultados, vamos examinar nossos motivos e talvez aí encontremos a razão para o fracasso.

 

2) Devemos sempre reconhecer a qualidade da liberdade no amor puro, mesmo quando vemos que alguém está cometendo o que consideramos um grande erro. Devemos dar liberdade a esta pessoa para que se desenvolva a sua maneira. Talvez vejamos alguém muito querido deixando-se levar para uma situação que sabemos irá causar-lhe sofrimento e queremos evitar que isto aconteça e que a pessoa sofra. Porém, talvez, seja preciso, para que a pessoa aprenda experimentar certas provações e aflições, a fim de receber uma lição necessária. Talvez o engrandecimento da alma venha através desta experiência porque, infelizmente, aprendemos muito mais com nossas próprias experiências do que com conselhos.

Quando bebês, ao aprendermos a andar, tivemos muitas quedas. Se nossas mães nos tivessem carregado sempre em seus braços, certamente não teríamos tido tantas quedas, manchas roxas e choros, mas também não teríamos aprendido a andar. A mãe carinhosa, certamente quer proteger seu filho de quedas físicas, emocionais e espirituais, mas somente experimentando algumas dessas quedas e por meio da liberdade do poder tentar, acertar e fracassar sozinhos é que aprendemos a andar retos, tanto fisicamente como de outras maneiras.

Jesus Cristo disse: “Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno”. Ele não rezou para que Seus queridos Apóstolos fossem tirados do mundo, mundo este cheio de desafios, provocações, frustrações e conflitos, mas que eles fossem protegidos do mal. Devemos deixar nossos entes queridos livres para encontrar o bem supremo, da maneira que for melhor para eles. Podemos rezar para que Cristo os conduza nos caminhos da honradez e probidade. O Cristo dentro de nós deve reconhecer o Cristo daquele por quem rezamos e dar-lhe liberdade individual para fazer sua própria escolha.

3) Não devemos jamais implorar ou suplicar. Implorar supõe que estamos tentando superar uma relutância por parte de Deus. Não há necessidade de se implorar a Deus em nome de outra pessoa, uma vez que o seu bem estar já é muito conhecido no coração do Pai. Muitas referências nas Escrituras Sagradas afirmam esta verdade. “Nosso Pai conhece as coisas de que necessitamos, antes de as pedirmos” (Mt 6: 8). “Não é da vontade do Pai que nós devamos morrer” (Mt 18: 14). “É prazer do Pai dar-nos o reino” (Lc 12: 32). Podemos estar certos de que a vontade de Deus para nós é perfeição.

A prece de Jesus Cristo era: “Eu dentro de vós e vós dentro de mim, assim sereis feitos perfeitos em um só”. Nossas preces não mudam o que Deus pensa sobre nós. Ele já nos determinou perfeição. Não temos que negociar com Deus. A prece não muda Deus e não o impele a fazer o que Ele não almeja para nós. A prece nos coloca num estado de receptividade do Bem que Deus já planejou para nós. Portanto, ao invés de implorar e suplicar, vamos reivindicar o que há de bom, já estabelecido em espírito. Jesus Cristo corajosamente rezou para o Pai: “Pai, quero que onde eu estou, estejam também comigo aqueles que me deste, para que vejam a glória que me deste, porque me amaste antes da criação do mundo” (Jo 17: 24).

4) Devemos confirmar a verdade na fé, confiança e agradecimento. Quando Jesus Cristo ressuscitou Lázaro, Ele disse com plena fé e confiança: “Pai, Eu Vos agradeço por me teres ouvido e sei que sempre me ouvis” (Jo 11: 41). Nas duas ocasiões quando alimentou as multidões, Ele primeiro agradeceu pela dádiva que foi dada, muito embora ainda não tivesse sido manifestada no plano exterior. Agradecendo desta maneira, demonstra fé, confiança e desperta estas qualidades em outros, que, por sua vez, se tornam melhores canais pelos quais Deus pode fazer Sua obra.

5) Não volte atrás em suas preces! É de pouca valia rezar com palavras positivas se, continuamente, estamos projetando um quadro negativo na tela da Mente. Se visualizarmos e, deste modo, enfatizamos a parte negativa ou condição que precisa ser eliminada, estamos desfazendo todo nosso trabalho de rezar. Você se lembra da parábola da casa que limpamos de todos os maus espíritos? Depois de estar completamente limpa, ela permaneceu vazia; os maus espíritos voltaram e trouxeram sete vezes piores espíritos com eles. Ideias sombrias e pessimistas sobre quem rezamos devem ser eliminadas de nossa casa de pensamentos. Inclinações duvidosas, temores e ansiedade devem ser varridos com fortaleza e na Mente só devemos colocar pensamentos firmes e positivos.

6) Devemos imaginar os perfeitos resultados da prece. Nossa faculdade de imaginar desempenha um importante papel no que diz respeito a “chamar” as condições desejadas. Se rezamos pela saúde de alguém, vamos imaginá-lo sempre com boa saúde. Se rezamos pela paz de espírito, harmonia ou qualquer outra condição desejada, vamos imaginá-lo já gozando deste estado de espírito. “Vós vos mantereis em perfeita paz se vossa Mente estiver com Ele” (Is 26: 3). Fixando nossa atenção em Deus e na sua bondade, fortalecemos Sua presença e atividade. Ao visualizarmos alguém circundado pela luz de Cristo, estamos protegendo-o do mal e ajudando a antecipar a cura, seja da Mente, do corpo ou de qualquer natureza. Desta maneira nos tornamos co-criadores com Deus e ajudamos a estabelecer o Reino dos Céus na Terra.

7) Não devemos colocar limites nas nossas preces. Com Deus nada é impossível; não há limitações em Deus. “O que pedires em meu nome, será dado a ti” (Jo 14: 14). Jesus Cristo disse: “É prazer do Pai dar-vos o reino” (Lc 12: 32). O desejo do Pai para conosco é o bem, nada a não ser o bem, de maneira que devemos ficar receptivos e abertos para todo o bem que o Pai tem reservado para nós. Poderá vir em bênçãos como um aguaceiro derramado das janelas do Céu.

8) A qualidade sentida, presente, de agora é eficiente na prece. A manifestação da resposta perfeita de Deus é possível agora mesmo, se houver fé e compreensão suficientes para chamá-la. “Antes que perguntes, responderei” (Is 65: 24). Deus está aqui, agora, e basta invocar Seu amor e poder de maneira correta, para recebermos respostas completas e perfeitas.

9) Devemos dar à reza um profundo sentido de alegria. “E falo isto estando ainda no mundo, para que partilhem plenamente de minha alegria” (Jo 17: 13). Se estamos cientes da presença e poder de Deus, como Jesus Cristo estava, não deixaremos de ser agraciados com a felicidade. A prece verdadeira é alegre, porque reflete a convicção que Deus está no comando de seu mundo e que tudo está na ordem divina, apesar de toda a aparência em contrário.

10) Nossas Mentes e Corpos devem estar limpos e puros. No Serviço de Cura da Fraternidade encontramos estas palavras: “Se queremos realmente ajudar no trabalho que os Irmãos Maiores começaram, devemos fazer de nossos corpos instrumentos adequados, devemos purificá-los vivendo uma vida limpa, pois um recipiente sujo não pode conter água limpa e saudável, nem uma lente manchada pode dar uma imagem nítida”. Nem o puro e forte poder da cura pode ser emanado daqui a não ser que mantenhamos nossas Mentes e Corpos limpos e puros. Quando Jesus Cristo subiu o Monte da Transfiguração, Ele levou consigo três de Seus Discípulos: Pedro, Tiago e João. Enquanto estavam com Ele, os demais Discípulos foram abordados por um homem que pedia a cura de seu filho, possuído pelos maus espíritos. Eles tentaram, mas não conseguiram a cura. Quando Jesus Cristo, acompanhado de Pedro, Tiago e João retomou e curou o menino imediatamente. Os Discípulos, desanimados pela inabilidade em demonstrar o poder da cura que Jesus havia ensinado, perguntaram o porquê. Sua resposta foi: “Este tipo de cura só acontece com prece e abstinência”. Que outra manifestação mais clara precisamos ter para nos certificarmos da necessidade de purificar os nossos Corpos e as nossas Mentes? Devemos alimentar-nos com pensamentos saudáveis e puros. Não podemos deixar nossas Mentes se fortalecerem com pensamentos negativos, nem permitir que sentimentos desta natureza nos guiem. Assim como seguimos instruções de nossos Irmãos Maiores para um regime vegetariano, a fim de conservarmos nossos corpos puros, vamos prestar atenção ao conselho de São Paulo para a purificação da Mente: “Quanto aos mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é santo, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer coisa digna de louvor da disciplina, seja isto objeto dos vossos pensamentos” (Fp 4: 8).

Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross”
(Revista Serviço Rosacruz – 02/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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