Vigilância e Oração
Não se pode deixar as coisas acontecerem à vontade em nossas vidas. Temos que ter o controle de nossas vidas nas mãos. Mesmo aquilo que não se pode mudar, pode pelo menos ser atenuado, pela atenção e o cuidado que dermos ao fato. Isso faz com que nos tornemos mais atentos de nossas coisas, mentalmente mais ativos. Mesmo as pessoas com quem convivemos diariamente ou mesmo acidentalmente, podem ter suas atitudes para conosco controladas, se soubermos tomar as rédeas das situações.
Já explicaremos isto: quando se diz que devemos amar a nossos irmãos, não significa que nos tornemos tolerantes em relação a todas as pessoas que nos cercam. Amar não é aceitar a um e outro com seus erros, suas implicâncias, com todos os seus desafios. Amar é saber controlar a situação, de tal modo, que nós não ajamos errado em relação aos outros, mas também, da mesma forma, não permitamos que eles procedam errado conosco.
Porque só assim estaremos cumprindo o mandamento de amar-nos uns aos outros, e, principalmente, de amar ao próximo como a nós mesmos, e não MAIS do que a nós mesmos. É acertando estas disparidades que equilibramos a nossa vida.
Quando, por exemplo, sentimos que amanhecemos contrariados, com ou sem razão aparente, e reconhecemos que nossos Astros devem estar adversos, atentemos para a renovação de nossos valores, procurando nos fixar no BEM e no CERTO. Não se deve deixar a situação piorar em torno de nós ou em nós mesmos, ao ponto de não ter mais forças para orar, como muitas pessoas, às vezes, ficam. Deixam então que o nervosismo tome conta e não encontram refúgio nem mais em Deus.
Só chegaremos a este ponto crucial, se nos faltar a vigilância, a permanente atenção ao que se passa conosco, com o que sentimos, às vezes, já no início do dia. Temos que evitar, se possível, sair à rua quando estivermos negativos, porque este descuido poderá facilitar e até atrair algum acontecimento desagradável e até prejudicial.
Reajustemos primeiro nosso estado de espírito no Bem, através da oração, de um pequeno relaxamento, de uma curta meditação, antes de qualquer iniciativa, quando isto acontecer.
Melhor é orar diariamente, entregando-nos a Deus, e pedir-Lhe que tome conta de nós, sem esperarmos pelos maus momentos para só então rogar proteção. Porque se facilitarmos, afrouxando o cuidado com nosso equilíbrio interno, acabaremos agravando a situação de abandono a Deus e vamos aos poucos nos separando de Sua Presença. Ele está sempre em nós, mas nós devemos estar sempre n’Ele. E é este cuidar-se permanente para estarmos com o pé na linha reta, que nos aproxima de Deus e nos coloca permanentemente a Seu lado. Estar em Deus é isso mesmo: vigilância e oração.
Quanto às causas de nossos desajustes que julgamos, às vezes, imprevistos, bem podem ter origem em coisas simples e malfeitas, até numa raivinha de véspera, alguma crítica mental menos bondosa, enfim, qualquer coisa que se possa ter feito contra a ordem natural das coisas, contra as leis da natureza que são Deus. Porque viver certo é um modo-contínuo que não pode ser quebrado a fim de conservar a harmonia, o que se consegue pela vontade atuante e permanente no Certo que é Deus.
Por isso, o que tanto se fala e se aconselha sobre o Amor ao semelhante, não deve ser encarado como algo longínquo e transcendental.
O amor é algo bem próximo de nós, efetivo e constante, e depende da nossa própria atividade, até na defesa dos nossos interesses. Porque, procurando estar equilibrado, atentos para não errar, por nossa segurança e pela dos outros, certamente esta preocupação nos levará a bem viver com o próximo. E este bem viver, essa tentativa de acertar permanentemente, é Amor.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 08/79 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Os Preceitos para o Estudante Rosacruz (originalmente publicados pela The Rosicrucian Fellowship – Precepts for the Rosicrucian Student) são em número de 10:
1. Cristo-Jesus será seu ideal;
2. Recordando a exortação do Cristo – “que o maior entre vós seja o servo de todos” – se esforçará diariamente por servir seu semelhante, em qualquer oportunidade que se apresente, com amor, simplicidade e humildade;
3. Tendo fé inquebrantável na sabedoria e bondade de Deus, trabalhará de acordo com a Lei de Evolução, se esforçando para falar, agir e ver somente o bem nas relações diárias com seus semelhantes e com tudo que o rodeia;
4. Sendo a Verdade, a Honestidade e a Justiça qualidades fundamentais da Divindade Interior procurará expressá-las em seus pensamentos, suas palavras e ações;
5. Sabendo que suas condições atuais são um resultado das ações que praticou no passado e que pode construir o seu futuro destino, melhorando-o por meio de uma atuação reta no presente, não gastará seu tempo invejando os outros, dedicando, pelo contrário, suas aspirações a exercitar a prerrogativa divina do Livre Arbítrio, semeando boas sementes para o amanhã;
6. Considerando que o silêncio é um dos maiores auxiliares para o crescimento da alma, procurará sempre que, no ambiente onde se encontre predomine a paz, a harmonia e a calma;
7. Sendo a autossuficiência uma virtude fundamental para o Aspirante Espiritual, fará o possível por praticá-la tanto em pensamentos como em atos;
8. Sabendo que a Divindade Interior é o único Tribunal Real da Verdade, se esforçará para estabelecê-lo submetendo todos os assuntos ao seu Verdadeiro Final;
9. Reservará, todos os dias, um certo período à Meditação e à Oração, procurando se elevar nas asas do Amor e da Aspiração ao próprio Trono do Pai;
10. Sabendo que o fracasso reside apenas em deixar de lutar ante qualquer obstáculo, procurará paciente e persistentemente atingir o alvo proposto, procurando realizar os elevados ideais ensinados por Cristo.
Desses preceitos advêm os desafios. Vamos detalhá-los a seguir.
O Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz deve prestar a atenção e estar pronto, vigilante e encarar os seguintes desafios: ter sempre o Cristo, nosso Salvador e Redentor, como o seu ideal. Aquele que ele procura imitar na sua vida cotidiana. Para isso o Aspirante precisa conhecê-Lo. O Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos já fornece TODA a informação necessária e suficiente sobre quem Ele é e qual é a Sua missão para com o Aspirante, um ser da onda de vida humana. O Aspirante precisa conhecer o que Ele fez na sua primeira vinda. Os 4 Evangelhos da Bíblia fornecem farto material para ele saber e entender como Cristo se portou, o que ensinou, como ensinou e o que deixou para ele aprender e praticar. Afinal, como enfatiza Max Heindel: “os Evangelhos são fórmulas de Iniciação” e “cada passagem da vida do Cristo é exatamente cada passagem que o Aspirante viverá no seu caminho”. Assim, o bom Aspirante é um assíduo estudante da Bíblia, todos os dias.
Seguindo um dos dois Mandamentos do Cristo, que é enfatizado na Fraternidade Rosacruz, o Aspirante tem o desafio de um dia chegar a ser um Auxiliar Invisível Consciente que tem a principal missão de Curar definitivamente a doença e a enfermidade de cada pessoa (ou seja, curar o Corpo, a Alma e o Espírito). É a Cura Espiritual.
Para isso precisa conhecer o que realmente é isso, se preparar e praticar. Para conhecer, ele começa por entender como isso é feito. Volta aos Evangelhos e aos Milagres de Cura executados por Cristo e estuda os seus tipos, quando pode ocorrer e quando não pode, quando é obsessão e não é doença ou enfermidade e todos os outros detalhes de cada um deles. Para se preparar, ele começa com a leitura de livros e textos da Literatura da Fraternidade Rosacruz sobre a Cura Rosacruz, qual é o método utilizado, os diversos papéis que se exercem, o que é a Panaceia Espiritual e os outros detalhes do processo. O livro Princípios Ocultos de Saúde e Cura é a base e o Livro Astrodiagnose e Astroterapia: um Guia de Cura é o melhor para entender como se deve (e não de outra maneira) ser aplicada a Astrologia Rosacruz. Há muito outros em assuntos como O Mistério das Glândulas Endócrinas, O Papel da Música na Cura, A Teia do Destino, Princípios Rosacrucianos de Educação Infantil e outros.
Para praticar, ele faz, todos os dias, os exercícios para o seu treinamento esotérico denominados Rituais (Devocional do Templo, todos os dias; o de Cura nos dias específico; Equinócios e Solstícios nas vésperas desses acontecimentos cósmicos e de Véspera de Natal e outros específicos, dependendo do ponto onde está no Caminho da Preparação Rosacruz). Concomitantemente, faz, todos os dias, os dois Exercícios, o noturno de Retrospecção e o matutino de Concentração. Com o tempo de repetições e persistências em fazê-los cada vez com maior qualidade, sobrará tempo, à noite, para fazer parte das atividades como Auxiliar Invisível Inconsciente, nos trabalhos de Cura espiritual. Esse é o começo!
Outro Desafio é o sublimar o modo como é feito o seu relacionamento com as outras pessoas (independentemente de gênero, posição social, financeira, emocional, simpatia/antipatia, se tem algo que lhe interessa ou não, profissionalmente ou não). Aprende a olhar e somente considerar nos outros a “divina essência”, oculta em cada um, que é a base da Fraternidade, que será uma realidade para cada um na próxima Época, a 6ª, a Nova Galileia, onde o amor se fará altruísta e a razão aprovará seus ditames. E é somente nessa “divina essência” que ele foca quando se relaciona em pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras e/ou atos com alguém. Assim, e somente assim, ele garante que qualquer relacionamento é o servir seu semelhante, em qualquer oportunidade que se apresente, com amor, simplicidade e humildade.
Mais um desafio é a pratica da fé inquebrantável na Sabedoria e Bondade de Deus. No início de Estudante e no início de cada etapa se esforça por praticar a “fé infantil”, típica de quando se é criança, na qual não existe sombra de dúvida, conservando os Ensinamentos que recebe até comprovar para si mesmo a certeza ou o erro. Com certeza absoluta ele nada considera como fato estabelecido, porque compreende perfeitamente quanto é importante manter a sua Mente no estado fluídico de adaptabilidade que caracteriza a criança. Compreende, com todas as fibras do seu ser, que “agora vemos como em espelho, obscuramente” e está sempre alerta, anelando por “luz, mais luz”. E é assim que chegará à fé inquebrantável na Sabedoria e Bondade de Deus. E é por meio dela que ele chega ao ponto de viver amando o bem por ser o bem.
Procura ordenar sua conduta de acordo com este princípio, sem ter em conta seu benefício ou sua desgraça presente, ou os resultados dolorosos em algum tempo futuro. E é por meio dela que demonstrará a sua “fé por obras”, trabalhando de acordo com a Lei de Evolução, procurando falar, atuar e ver somente o Bem nos relacionamentos diários com seus semelhantes e com tudo que o rodeia. E aqui cabe salientar que o Aspirante já entendeu e procura viver sabendo que primeiramente satisfaz, buscando se provar no entendimento de que, no universo tudo é razoável. Isso o ajudará a triunfar sobre o seu rebelde intelecto. E, junto a isso, não mais fazer crítica a nada.
Junto à fé inquebrantável, cultiva e executa a verdadeira disposição de aceitar, provisoriamente, como verdade provável, afirmações que, de imediato, não pode constatar. Pois já sabe que então, e somente então, desenvolverá as faculdades superiores pelo treinamento esotérico. É nesse ponto que ele deixa de ser um simples ser humano de fé, para passar ao conhecimento direto.
Apesar disso, conforme progride no conhecimento direto e se habilita a investigar por si próprio, o Aspirante entende que há sempre outras verdades além do seu alcance. Sabe serem verdades, mas seu insuficiente avanço não lhe permite investigar. Ou seja, pratica a máxima de “um véu atrás do outro é levantado para se encontrar um véu após o outro por detrás”. E enquanto estiver usando somente a sua Mente concreta é isso que encontrará.
Outro Desafio é o de seus pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras e atos serem sempre norteados pela Verdade, Honestidade e Justiça que são as qualidades fundamentais do Espírito Virginal, o “você verdadeiro”, quando não manifestado em Ego (o Tríplice Espírito). E o fato de cair na tentação, não conseguindo expressá-los nos seus pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras e atos será um dos principais motivos de purgação quando fizer o Exercício de Retrospecção. Tendo uma certeza absoluta e inexorável de que ele é o que ele próprio escolheu; ele tem exatamente o que precisa, em bens materiais e suprafísicos; o que ele não tem é porque não precisa, no momento; quando ele precisar de mais alguma coisa, ela lhe será dada na medida e no momento exato; se ele a tivesse agora, lhe atrapalharia e o impossibilitaria de aprender o que precisa para dar um passo à frente, pelo que não inveja a nada e nem a ninguém. E se prepara para lançar sempre boas sementes para o amanhã, pois sabe que deve exercitar a prerrogativa divina do Livre Arbítrio. Enquanto o Aspirante não alcança a capacidade de poder ver, de um só relance, o passado e o presente e assim determinar as causas, as crises e as condições atuais para diagnosticar, conhecer a si mesmo e saber exatamente que lições tem a aprender, utiliza as muletas que tem – diagramas, livros, infográficos – dentre elas a Astrologia Rosacruz (vejam mais detalhes sobre isso no livro Cartas aos Estudantes nº 57). E aqui está a razão principal para todo e verdadeiro Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz se esforçar por aprender, por si só, a levantar seu tema astrológico, utilizando a Astrologia Rosacruz, desde o início até o seu final, com suas Progressões e Trânsitos, tanto para lhe ajudar, como para lhe dar a segurança necessária quando trabalhar na Cura Rosacruz.
Pratica o silêncio. Como um exercício bem preliminar que irá exercer como um voto quando for Iniciado, já na 1ª Iniciação Menor da Ordem Rosacruz. Entende e vivencia o ensinamento que nos diz que o silêncio, em verdade, é um dos maiores auxiliares para o crescimento da alma. Está convicto que está aqui encarnado para adquirir experiência, conquistar o mundo, se sobrepor ao eu inferior (criado, alimentado por ele mesmo) e alcançar o domínio próprio. E é por esse domínio próprio que busca, incessantemente, praticar o bom hábito da autossuficiência, repetidamente, de modo a transformá-la em uma virtude fundamental. Para isso procura se emancipar de toda dependência dos outros, se tornando autoconfiante no mais alto grau, de maneira a poder permanecer só em todas as circunstâncias e enfrentar todas as condições. Isso é o que difere o Método da Fraternidade Rosacruz de todos os outros sistemas existentes de desenvolvimento cristão espiritual.
Afinal, somente aquele que for tão bem equilibrado pode ajudar ao débil. Eis a razão do porquê de todo Estudante da Fraternidade Rosacruz efetuar seus exercícios esotéricos de Retrospecção, Concentração, Observação, Discernimento, Meditação, Contemplação e Adoração sozinho. Seguindo este método, se obtêm resultados mais lentamente. Porém, quando tais resultados aparecerem se manifestarão como poderes cultivados por ele mesmo, e poderão ser empregados independentemente dos demais.
Com essa técnica apurada, consegue retirar dos Ensinamentos Rosacruzes o que precisa para construir um caráter que, ao tempo em que desenvolve suas faculdades espirituais, lhe resguarda da tentação de perverter os poderes divinos, em busca do prestígio mundano.
Outro desafio muito importante é o estabelecimento do seu Tribunal Real da Verdade. O Verdadeiro Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz já chegou à conclusão de que o Eu Interno é o único tribunal da verdade.
Leva, consciente e persistentemente, todos os seus problemas e dificuldades ante este tribunal. Pois entendeu que assim desenvolve, com o tempo, um senso superior da verdade que, instintivamente, onde ouvir uma ideia avançada, sabe se ela é ou não correta e legítima. A Bíblia, em várias passagens, exorta para que ele esteja atento a todas as espécies de doutrinas que flutuam no ar e ao nosso redor, porque muitas são perigosas e perturbam a Mente. Livros são lançados para promover este, aquele ou outro sistema de filosofia. A menos que tenha estabelecido ou começando a estabelecer este Tribunal Interno da Verdade, ele pode ficar vagueando de um lugar para outro, sem encontrar descanso na sua vida e, no final, sabendo pouco mais ou talvez até menos do que no princípio. O Verdadeiro Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz nunca aceita, nunca rejeita ou nunca segue cegamente qualquer autoridade. Ele se esforça para estabelecer internamente o Tribunal Interno da Verdade.
Remete todos os assuntos a esse tribunal. Comprova todas as coisas e absorve firmemente tudo o que nele existir de bom. Dentre os instrumentos que são fornecidos pela Fraternidade Rosacruz, os Exercícios de Retrospecção noturna e de Concentração matutina são os melhores para ajudá-lo a construir e desenvolver esse Tribunal Interno da Verdade (veja mais detalhes no livro Cartas aos Estudantes nº 83).
Sabe que o assunto Oração merece uma profunda atenção e estudo. E pratica a verdadeira oração científica, pois já entendeu ser ela um dos métodos mais poderosos e eficazes para encontrar graça diante de nosso Pai, e receber a imersão na luz espiritual, que transforma alquimicamente o pecador em santo e o envolve com o Dourado Manto Nupcial de Luz, o luminoso Corpo-Alma. “Ora e Labora” é seu jeito de ser, pois também aprendeu que a oração por si só não pode efetuar essa transformação. Mas sim a sua vida inteira, tanto desperto como em sono, se torna uma oração para a iluminação e santificação.
Sabe que o fracasso reside apenas em deixar de lutar ante qualquer obstáculo. Como diz Max Heindel muito bem: “O único fracasso é deixar de lutar”. Por isso, procura, paciente e persistentemente, atingir o alvo proposto, ou seja, realizar os elevados ideais ensinados por Cristo através da sua vivência diária. Afinal, o Aspirante Espiritual só pode mostrar o que é na hora de adversidade. Pois, como se lê: “Deus prova aqueles a quem ama”, mas também lemos que “se Ele dá o fardo, dá juntamente, as forças para suportá-lo”. A luta valoriza o esforço e a vitória do Aspirante Espiritual da Fraternidade Rosacruz. E, se vez por outra ele cai, que importa?
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
A Ansiosa Solicitude pela Vida
“Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber, nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Os mundanos é que procuram todas estas coisas. Contudo, vosso Pai Celeste sabe que necessitais de todas elas. Buscai, pois, e em primeiro lugar Seu reino e Sua justiça e todas as demais coisas vos serão dadas por acréscimo. Não vos inquietais, portanto, com o dia de amanhã”. (Mt 6:25-34).
Preocupação com o imediato, com os anos vindouros ou com as próprias condições no crepúsculo da existência.
Não importa. A maioria de nós experimenta essa ansiedade, essa insegurança, esse medo do futuro, em nossa trajetória pelo mundo.
Muitos impõem-se um sistema de economia ou austeridade que chega às raias da avareza, privando-se a si próprio e aos seus dependentes até das comodidades mais básicas, para não ficarem sujeitos a privações no futuro: este o pensamento, esta a intenção. Jamais nos passa pela cabeça nesses dias de ansiosa solicitude pela vida, que todo ser humano é um importantíssimo filho do zeloso Provedor Universal, que fornece permanentemente de tudo aos “armazéns cósmicos” e a esta “praça consumidora” terráquea com a mais infalível pontualidade. E não percebemos também pouco que se o cuidadoso e indefectível Provedor alimenta, veste e até adorna os quadrúpedes, as aves e flores dos campos, quanto mais a nós, por quem Seu próprio Filho sacrificou-se um dia e continua se sacrificando anualmente!
E foi Ele quem recomendou certa vez que nos mantivéssemos tranquilos quanto ao dia de amanhã. Como elevadíssimo Iniciado, sabia quão prejudiciais são o receio e a ansiedade à nossa saúde e ao nosso progresso; sabia que a cada momento de preocupação uma parcela de nossa saúde se esgota, um pouco do nosso tempo é perdido, parte da alegria de viver se desvanece e muito do nosso progresso espiritual – talvez também o material – estaciona; e sabia, finalmente, o quanto atraímos para nós aquilo que de bom desejamos ou o de que precisamos somente por confiar em Deus – ou em que Deus jamais deixa faltar nada àqueles que aos Seus cuidados se entregam.
“O justo não mendigará o pão”, registrou Salomão.
E o que significa ser justo? Muitos séculos depois do registro dessa Verdade, mas já no Sermão da Montanha, Cristo a esclarece esotericamente na exortação: “Buscai primeiramente o reino de Deus e Sua justiça e todas as demais coisas vos serão dadas por acréscimo”.
Aí está.
Aquele que procura ver além da matéria, que busca as coisas do espírito (“o reino de Deus”), procurando ao mesmo tempo conhecer as leis suprafísicas (“Sua justiça”) que regem a vida evolucionante e vivendo consoante elas, passa a ter – por força dessas mesmas leis tudo a seu favor, como se o Universo inteiro iniciasse uma tácita cooperação efetiva com ele.
O Iniciado de Tarso esclarece mais uma vez e com outras palavras: “Todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seus decretos” (leis). Ora, como amar ao próximo (a quem vemos) é o mesmo que amar a Deus (a quem não vemos); e como em linguagem esotérica “ser chamado” é o mesmo “que ser atraído” (considere-se a Lei de Atração do Semelhante), as palavras de São Paulo na Epístola aos Romanos (8:28) podem ser lidas assim: “Todas as circunstâncias favorecem àquele que ama ao seu semelhante e se harmoniza com as leis universais, de tal modo que nada lhe poderá faltar”. Isso não é uma promessa milagrosa, como se pensa há séculos. Não existe milagre. É muito, e muito mais. É a “mecânica” das leis universais em pleno funcionamento, atuante desde os primórdios dos mundos; leis vibrantes em cada átomo das matérias físicas e suprafísicas; sábias, justas, onipresentes e infalíveis. “Causa e Efeito”, “Dar e Receber”, “Atração do Semelhante”, entre outras. É pois mais que um aval dos céus: é uma CERTEZA!
Percebe aí o amigo leitor quanta confiança esse sopro de Verdade pode infundir no sincero “Siegfried” dos nossos dias – dias de contagiante medo, ansiedade, incertezas e carências materiais e espirituais – ou no ser humano que se volta para as coisas superiores do espírito em qualquer tempo? É de fato impressionante! Maravilhosamente impressionante!
A Sabedoria Ocidental ensina: “É lei da Natureza que nossa atitude confiante favorece os nossos propósitos quando desejamos alcançar alguma coisa”. O admirável porta-voz dessa Sabedoria, valendo-se do exemplo de sua própria vida quando lutava arduamente para fundar e manter a Fraternidade Rosacruz em Oceanside, escreveu algures: “Asseguro-lhe que falo por experiência própria quando advogo o viver pela fé, porque tenho trabalhado duramente e me mantido rigorosamente nesses labores, dia após dia. Apesar disso minha vida é um gozo contínuo nunca interrompido por pensamentos de aflição sobre necessidades materiais ou pela falta de dinheiro para continuar e terminar minha tarefa. E nos anos que transcorreram desde que comecei a viver pela fé, meus recursos se tornaram muito mais amplo do que naqueles dias em que costumava me preocupar”.
Aí está. Isso é FÉ, isso é VIVER. Max Heindel comprovava realmente na prática a Verdade registrada por antigos Iniciados no Livro de Habacuque, Capítulo 2, Versículo 4 e citada pelo Apóstolo na Epístola aos Romanos (1:17): “O justo viverá pela fé”.
Complemento dessa CONFIANÇA EM DEUS, o cultivo do AMOR AO PRÓXIMO ajuda-nos, sobremaneira, a afastar o medo, a ansiedade, ou a ansiosa solicitude pela vida. Em parte, porque a natureza desse Amor é de tal sublimidade que nos eleva a pararmos onde impossível é lembrarmos de nós mesmos. E em parte porque – já que amar o semelhante é o mesmo o que amar a Deus – esse Amor é perfeito e sabemos que “O Amor perfeito lança fora o temor”, como escreveu o evangelista.
Também ajuda bastante a afirmação diária (ao acordar de manhã e ao dormir à noite) de verdades como: “Eu e meu Pai somos UM”; “Tudo posso n’AqueIe que me fortalece” (Fp 4:13); “‘Se Deus é por mim, quem será contra mim?” (Rm 8:31) e “O Senhor é meu Pastor, não me faltará” (Sl 23:1), na convicção de que “O homem nada recebe que não venha do céu” (Jo 4:27). Ajuda principalmente nos “dias de nossas fraquezas”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/88 – Fraternidade Rosacruz)
Matrimônio – o propósito do matrimônio é a perpetuação da raça humana, e de acordo com a natureza física dos pais, mas o ambiente ao redor, será o filho. A maioria da humanidade considera o matrimônio como a sanção de uma licença desenfreada para gratificar seus desejos sexuais. Aos olhos das leis humanas, pode ser que assim seja, porém à luz da verdadeira Lei não é assim, pois nenhuma lei feita pelo ser humano pode reger esse assunto.
A ciência oculta afirma que a função sexual não deve se usar nunca para gratificar os sentidos, senão para a propagação somente. Portanto, o aspirante a vida superior deve se negar justificadamente ao coito com seu cônjuge, a menos que o objetivo dela seja o criar um filho ou uma filha, e com tudo isso, quando ambos gozem de perfeita saúde – física, moral e mental – pois em caso contrário, a união produziria um corpo débil ou degenerado. Só podemos dar conta do maravilhoso mistério do amor quando encaramos o matrimônio considerando-o desde o ponto de vista como uma união de almas melhor que como uma união de sexos. Esta pode servir para perpetuar a raça humana, naturalmente, porém o verdadeiro matrimonio é uma camaradagem de almas também, que consegue anular o sexo. Não obstante, aqueles realmente dispostos a pôr-se nesse plano mais elevado da intimidade espiritual, oferecem alegremente seus corpos como sacrifícios viventes no altar do “amor ao não nascido”, para cortejar a um espírito que espera e para formar um corpo imaculadamente concebido. Deste modo pode a humanidade ser salva do reinado da morte.
Magia – a magia é um processo mediante o qual se podem realizar certas coisas não realizáveis sob as leis ordinárias conhecidas.
Alguns seres humanos investigaram as leis da Natureza, desconhecidas para a maioria, e converteram-se em competentes para manipular as forças sutis. Empregam seus poderes para ajudar aos demais seres quando sua ajuda pode se realizar em harmonia com as leis que regem seu crescimento. Outros que também estudaram essas leis, tornando-se capazes de manipular as forças ocultas do universo, empregam seus conhecimentos com fins egoístas para obter poder sobre seus semelhantes.
Aos primeiros chamamos de “brancos”, e “negros” aos segundos. Ambos empregam as mesmas forças, residindo a diferença no motivo que os impulsiona.
O mago branco é impulsionado pelo “amor e pela benevolência. Se bem que não obre esperando a recompensa, a alma se desenvolve portentosamente como resultado de seu emprego da magia. Põe seus talentos a crédito e está ganhando o cento por um.
O mago negro, por outro lado, encontra-se num triste estado, porque já se disse que “a alma que pecar morrerá”, e tudo quanto façamos contrariamente às leis de Deus, produzirá inevitavelmente o deterioramento das qualidades anímicas.
O mago negro, graças a seus conhecimentos e artes, pode, algumas vezes durante várias vidas, manter seu posto na evolução, mas chegará certamente o dia em que sua alma se desintegrará e o Ego voltará ao que poderíamos chamar de salvagismo.
A magia negra em suas formas mais atenuadas, tais como o hipnotismo, por exemplo, produz algumas vezes o idiotismo congênito numa vida futura de quem o emprega. Os hipnotizadores privam as suas vítimas do livre emprego de seus corpos. Por isto, devido à Lei da Consequência, ver-se-ão ligados a um corpo, cujo cérebro deformado impedirá sua expressão. Contudo não devemos deduzir disto que todos os casos de idiotismo congênito sejam devidos a essas práticas más por parte do Ego numa vida passada; há também outras causas que podem produzir o mesmo resultado.
Materialismo – A Teoria Materialista sustenta que a vida é uma viagem do berço ao túmulo; que a Mente é o resultado de certas correlações da matéria; que o ser humano é a mais elevada inteligência do Cosmos; e que sua inteligência perece quando o corpo se desintegra depois da morte.
Segundo a doutrina materialista a inteligência do ser humano é uma propriedade da matéria; nasce e morre com o organismo. O ser humano é “nada antes e nada depois” da vida corporal.
Consequência: Não sendo o ser humano mais que matéria, só são reais e individuais os gozos materiais; os efeitos morais carecem de porvir; à morte ficam rotos para sempre os laços morais; as misérias da vida não tem compensações; o suicídio vem a ser o fim racional e lógico da existência, quando não há esperança de alívio nos sofrimentos; é inútil contrariar-se para vencer as más inclinações; enquanto estamos na Terra devemos viver o melhor possível; é uma estupidez preocupar-se e sacrificar seu repouso, seu bem-estar pelos outros, isto é, por seres que por sua vez serão reduzidos a nada e que jamais voltarão a se ver; os deveres sociais ficam sem base; o bem e o mal são coisas convencionais e o freio social reduz-se à força material da lei civil.
BOLINHOS DE ESTUDANTES
INGREDIENTES:
MODO DE PREPARO:
Pergunta: Qual a diferença entre Alma e Corpo-Alma?
Resposta: Esta é uma das perguntas mais profundas que já foi feita, e não pode ser respondida diretamente, mas unicamente por meio de uma ilustração. Da mesma forma que as crianças aprendem certas verdades intelectuais, que estão além do seu alcance, por ilustração pictórica, a humanidade nascente aprendeu profundas verdades religiosas por meio dos mitos e alegorias.
O Corpo Vital é composto de quatro Éteres. Os dois Éteres inferiores são as vias particulares de crescimento e propagação. No Corpo Vital de uma pessoa, cujo interesse principal é a vida física e que vive, por assim dizer, inteiramente voltada para o prazer sensual, estes dois Éteres predominam, enquanto numa pessoa que é indiferente ao prazer material da vida, mas que procura progredir espiritualmente, os dois Éteres superiores formam a maior parte do Corpo Vital. Eles representam o que Paulo chamou de “soma psuchicon”, ou Corpo-Alma, que permanece junto ao ser humano durante as suas experiências no Purgatório e no Primeiro Céu, onde a essência da vida vivida é extraída. Esse extrato é a Alma, cujas duas qualidades principais são a consciência e a virtude.
O sentimento da consciência é o fruto dos erros em vidas terrenas passadas, os quais, no futuro, guiarão o Espírito corretamente e ensiná-lo-ão como evitar tais erros semelhantes. A virtude é a essência de tudo o que houve de bom em vidas passadas, e atua como um incentivo que mantém o Espírito em seu esforço ardente no caminho da aspiração. No Terceiro Céu, essas duas qualidades amalgamam-se totalmente com o Espírito tornando-se parte integrante dele. Desse modo, no decorrer de suas vidas, o ser humano eleva-se e as qualidades anímicas de consciência e de virtude tornam-se mais fortemente atuantes como princípios orientadores de conduta.
Talvez consigamos ter uma ideia melhor da diferença entre a Alma e o Corpo-Alma se considerarmos a alegoria contida no antigo Templo Atlante de Mistérios, o Tabernáculo no Deserto. Esse símbolo, dado por Deus, era provido com todos os elementos de crescimento da Alma necessários ao desenvolvimento da humanidade. Entre eles havia no Tabernáculo, a Mesa dos Pães da Proposição. Sobre esta mesa havia doze pãezinhos dispostos em duas pilhas de seis pães cada uma, e sobre cada pilha havia um pequeno monte de incenso. Lembremos que o grão, dos quais se originaram esses pães, foi dado por Deus ao ser humano, mas era necessário que o ser humano o plantasse, arasse o solo, regasse e alimentasse as minúsculas plantinhas. Devia colhê-las, debulhar o grão e triturá-lo transformando-o em farinha. Em seguida, devia preparar a massa e assar o pão antes de poder trazê-lo para o templo e apresentá-lo como produto do seu trabalho, executado com o grão ofertado por Deus. Esse grão dado por Deus representa a oportunidade.
Doze tipos de oportunidades apresentam-se ao ser humano a cada ano através dos doze departamentos da vida representados pelas doze casas em seu horóscopo. Mas muitos podem descuidar dessas oportunidades, da mesma forma que os antigos israelitas lançavam seu grão a um canto, esquecendo-o. Sendo assim, o ser humano não terá pão para apresentar ao Senhor. Será comparado ao servo que pegou seu único talento e o enterrou. Por outro lado, se ele arasse o solo e alimentasse o grão da oportunidade por serviços na vinha do Senhor, teria, como resultado, um acréscimo que poderia colher e preparar para ofertá-lo no templo do Senhor no momento apropriado, demonstrando ter cultivado fielmente todas as oportunidades de serviço, fazendo o máximo de acordo com a sua capacidade.
Observamos, no entanto, que estes doze pães da Proposição não eram realmente oferecidos ao Senhor, mas que sobre cada pilha de seis havia um pequeno monte de incenso, que representava a essência do pão. Por analogia, esta é a essência do nosso serviço; compreenderemos a razão disto por meio de outra pequena ilustração encontrada nas experiências pelas quais passamos para adquirir as faculdades físicas.
Todos nos lembramos de como na época em que íamos à escola e aprendíamos a escrever, fazíamos os mais desajeitados movimentos e contorções com o braço e o corpo tentando desenhar as letras sobre o papel.
Manchávamos os nossos cadernos de textos, que ficavam com uma aparência horrível, e nossas tentativas para escrever não eram nada bonitas. Não obstante, aos poucos, fomos adquirindo a faculdade e, ao longo dos anos, esquecemos tudo que se refere à experiência dos dias iniciais, quando nos esforçávamos em cultivá-la. Aqui está o ponto: se não tivéssemos passado por essa experiência incômoda, não possuiríamos hoje a faculdade de escrever, e há outro ponto a considerar: após termos adquirido a faculdade, é desnecessário recordar os métodos enfadonhos na sua aquisição. Similarmente, a substância física grosseira, o grão do Pão da Proposição, não devia ser ofertado ao Senhor, mas apenas a essência ou aroma dela, a faculdade do serviço hábil, a benevolência cultivada por nós ao fazer o bem aos outros.
As duas pequenas pilhas de incenso eram, então, levadas ao altar do incenso, em frente ao segundo véu e aí eram acesas. Erguia-se dali uma nuvem de fumaça para o exterior ou parte leste do templo, mas apenas o aroma, puro e livre da fumaça, penetrava através do véu para dentro do santuário interno. Por analogia, podemos comparar os Pães da Proposição às experiências pelas quais passamos ao servir e auxiliar os outros; o incenso, que se encontra no topo da pilha de pães, pode ser comparado à essência da simpatia e dos préstimos que extraímos desses serviços, o crescimento da Alma neles contido. Vemo-lo ao nosso redor como uma aura dourada, a qual constitui o Corpo-Alma. Mas, embora esse veículo glorioso seja feito dos dois Éteres mais sutis, não poderia, por qualquer processo que seja, amalgamar-se com o Espírito em si, da mesma forma que o incenso não pode queimar sem desprender a fumaça e deixar um resíduo de cinzas. Por conseguinte, pela alquimia espiritual do exercício noturno da Retrospecção, ou no processo na purgação após a morte, este Corpo-Alma é queimado sem o véu (no primeiro céu), e o aroma ou a Alma penetra o véu até o mais recôndito santuário como alimento para o Espírito.
Desse modo, o Espírito leva consigo o aroma de todas as suas vidas passadas. Uma Alma mais jovem, que só teve poucas existências das quais pudesse tirar experiências e alcançar o crescimento anímico, é cruel e egoísta, pois não prestou serviço aos outros. Mas, alguém que já teve muitas vidas, que aprendeu, através da amargura e do sofrimento, a sentir e auxiliar os demais, responde instantaneamente ao grito de dor, pois nesse alguém, a Alma é a quintessência do serviço, portanto, está sempre pronto a ajudar seu semelhante a despeito do conforto e dos prazeres pessoais.
(Perg. 159 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Livrando-se de todo o pensamento indigno e de sentimentos sem bondade ou amor
Poucos compreendem ou tem alguma ideia do poder do pensamento. Mesmo os que costumam cuidar de suas palavras, amiúde se descuidam de seus pensamentos, crendo que, enquanto não os expressam, eles de nada valem. Mas o pensamento se difunde pelo mundo com maior força do que a palavra proferida.
A diferença é que essa se dirige à Mente consciente e o pensamento impressiona a Mente subconsciente. O pensamento vibra muito mais rapidamente que a palavra e abarca, em poucos momentos, o que levaria centenas de palavras para ser expressa. Desconhece ele os limites do tempo e espaço.
O rádio nos revelou as maravilhas da vibração, que é a lei de toda a manifestação material. Há poucos anos, acreditávamos ser impossível a comunicação sem alarmes transmissores, mas agora o rádio demonstra o contrário.
O pensamento é criador. Produz nos Éteres “pensamentos-formas” que chegam a ser arquétipos ou moldes para fatos ou objetos que mais tarde aparecem no plano físico. Nada existe materialmente, que não haja sido concebido pelo pensamento. Nada sucede por casualidade. Diz-se “é minha falta de sorte”quando, na realidade se deveria dizer “são meus maus pensamentos”.
O pensamento atua sempre repleto de sentimentos e emoções e a influência destes é imensa. A qualidade dos sentimentos influi grandemente na saúde, na felicidade e no êxito, bem como nas condições que nos rodeiam, pois “os semelhantes se atraem”. Emoções fortes como o ódio, inveja, amargura, ansiedade, ciúmes, etc., injetam no sangue algo que altera a ação, especialmente do fígado, e, consequentemente, a digestão e todo o corpo. É necessário dominar os pensamentos e emoções pela força de caráter.
A religião Cristã nos ensina esse dever e, por meio de Cristo Jesus, nos proporciona os meios de fazê-lo. É certo que algumas de nossas dificuldades provêm de nossas vidas anteriores e, talvez, nos sejam inevitáveis. Mas Deus, nosso Pai, é misericordioso e nos perdoa.
É bom esquadrinhar toda nossa vida passada para, se possível, descobrirmos qualquer sentimento inconfessável e dele nos libertarmos. Uma injustiça ainda não reparada, o ressentimento de uma experiência amarga ainda não esquecida, pode ficar como uma infecção na alma e causar enfermidades.
As emoções de puro amor e prazer natural de uma vida boa, exercem também enorme e benéfica influência. Temos de retirar do coração toda a perturbação e livrá-lo de todo o pensamento indigno e sentimentos sem bondade ou amor, até gozar a pureza de um coração receptivo da radiante vida divina. Perceberemos então um descanso indescritível.
(de Maria José A.S. de P. Coimbra, publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 06/79 – Fraternidade Rosacruz – SP)