A Valorização da Vida; afinal a solução está dentro de você
No rol de deveres do ser humano, particularmente do espiritualista, enfatizamos um como sendo básico e, de certa forma, abrangendo todos os outros: valorizar a vida.
O espírito pouco afeito à solidariedade humana passa indiferente às carências alheias. A palavra carência, dentro do tema proposto, assume, também, dimensões abrangentes. Quando nos referimos a indivíduos carentes, a primeira ideia suscitada – e cremos ser mesmo assim – é a de que lhes falta algo indispensável à subsistência física: pode ser alimento, agasalho, medicamento, moradia, ou, então, algo passível de garantir-lhes o futuro, como instrução, por exemplo.
O enfoque dado habitualmente às necessidades humanas, raras vezes foge ao contexto acima mencionado. Há uma razão para isso: a extrema limitação do ser humano ao mundo material. O ser comum, ignorando sua condição essencial de espírito, não pode atinar com outra realidade a não ser a que o circunda e lhe é perceptível através dos sentidos físicos. Tão agregado ao terra-a-terra ele permanece, a ponto de não admitir a existência de causas suprafísicas como origem de manifestações fenomênicas.
A Mente não identificada com as profundas investigações sobre a origem, estado atual e futuro do ser humano e do mundo desponta fantasiosa e inverossímil à simples hipótese de que tudo é regido por Leis Cósmicas imutáveis.
Daí a dependência exclusiva de instrumentais meramente humanos para equacionar os mais intrincados e transcendentais problemas, ora inquietando a humanidade. E como nem sempre a solução é encontrada, a preocupação e o desespero tomam conta de muitos.
Com frequência cada vez maior, são debatidos e analisados, nas altas esferas, questões relativas ao meio ambiente e à qualidade de vida nos grandes centros urbanos. Nesses, a grita é geral contra algumas distorções da vida moderna: poluição, condições de vida cada vez mais desumanas, marginalidade, pressa (que a nada conduz), neurose, artificialidade, solidão, dizimação de áreas verdes, etc.
Discute-se o assunto, promovem-se congressos, legisla-se a respeito, mas o ser humano reitera suas transgressões.
Além desses problemas, outros parecem exigir também urgentes soluções, desafiando a humanidade: as perspectivas de uma superpopulação à mercê de uma assustadora insuficiência de alimentos e o esgotamento progressivo de reservas energéticas, ameaçando esmagar a economia mundial.
Ora, tais desequilíbrios foram engendrados pelo próprio ser humano através de sua ambição, de sua vivência egoísta, de sua sede de poder. Compete-lhe, por conseguinte, no cultivo das virtudes opostas, restaurar a harmonia.
A solução pode ser encontrada no interior do próprio ser. Basta desenvolver e expressar as amorosas qualidades de empatia, afabilidade, caridade e espírito comunitário. A ajuda mútua torna-se um imperativo nos agitados dias em que vivemos.
Muitas pessoas sentem-se deprimidas pela solidão; anseiam por uma voz amiga, capaz de lhes preencher o imenso vácuo interior. Outras carecem de autoafirmação; aspiram por ver reconhecidas suas qualidades. Há aquelas cujas idiossincrasias as tornam pouco atrativas; necessitam de um pouco, talvez de uma minguada gota de compreensão. Há o jovem desejoso de que o aceitem com sua espontânea autenticidade. Há o velho reclamando um pouco de atenção. Há o animalzinho querendo afago. Há a flor e a árvore clamando por cuidados e admiração. Há a criança necessitando de amparo. Há a natureza, expressão física de Deus, rogando para ser preservada, no interesse da própria humanidade. Há pessoas de todas as raças e nacionalidades, de variados níveis culturais, de diferentes camadas socioeconômicas, formando uma multidão; mãos estendidas, olhos suplicando amor, só amor.
Em cada um desses seres palpita a vida.
E se desejamos um mundo melhor, tratemos de valorizá-la.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 09/1975)
Psicometria, em Síntese
Nos dias que correm, mormente através da Parapsicologia, um fenômeno tem despertado a atenção de estudiosos e curiosos: a psicometria. Verifiquemos, sucintamente, o que a Filosofia Rosacruz nos diz a respeito, por meio da palavra autorizada de Max Heindel:
“O Éter interpenetra toda a matéria do Mundo Físico, de maneira que os átomos químicos de qualquer substância, por densa que seja, não se tocam. Cada um vibra em um campo de Éter.
“Todos os objetos emitem vibrações desse Éter, levando à nossa retina as imagens de todas as coisas que nos rodeiam. Essas imagens não se perdem.
“No Éter formador do nosso Corpo Vital existem gravações, imagens de todas as coisas que temos observado conscientemente. E nossa capacidade de evocá-las depende de as lembrarmos ou não.
“No Éter que interpenetra cada objeto há uma imagem de tudo quanto o rodeia. Nas paredes de nossas casas estão gravadas todas as cenas, todos os incidentes ali ocorridos. E ainda que sejam pintadas, não será possível eliminarmos as impressões ali deixadas. Se extrairmos um pedacinho de argamassa de uma habitação, levando-o a uma pessoa dotada de visão etérica, é possível que ela lhe observe o Éter e nos relate algumas cenas ocorridas naquele lugar. Se lhe mostrarmos um pedaço de pedra das pirâmides do Egito, poderá vê-las tão perfeitamente como se fosse uma fotografia, porque o Éter dos objetos é que imprime sua imagem na placa fotográfica. E a única diferença entre essa impressão e aquela que recebemos na retina é que a primeira podemos fixar na placa e observá-la novamente a qualquer momento. Por outro lado, não nos é dado vislumbrar tão claramente as cenas do nosso passado em circunstâncias ordinárias.
Contudo, o psicômetra, capaz de ver no Éter, tem uma possibilidade imensa à sua disposição.”
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
Empenhe-se em uma Só Direção
Vagávamos, todos nós, durante longo tempo, juntamente com a humanidade comum, pelo deserto do mundo, como que perdidos, ansiando, graças a certa maturidade interna, espiritual, por algo mais elevado do que tudo aquilo que existia até então; até que, em um belo dia, tivemos a ventura de encontrar a Escola Iniciática Rosacruz, portadora de sublimes ensinamentos dados pelos Irmãos Maiores da Ordem desse nome, para eterno benefício da humanidade. Esses ensinamentos foram-nos transmitidos por seu fiel mensageiro, o iluminado mestre Max Heindel, a quem muito devemos. Esse nosso encontro com a Rosacruz foi de suma importância e ficamos maravilhados mesmo. Portanto, encontrado o caminho certo, com justa razão nos matriculamos nesta Escola, cujo curriculum consta de 7 etapas ou Cursos, que são: Preliminar, Regular, Probacionista, Discípulo, Irmão Leigo (a), Adepto e Irmão Maior, com o firme propósito de seguirmos fielmente e com toda diligência os preciosos ensinamentos por ela ministrados. Estes nos incitam, como um dos pontos FUNDAMENTAIS, A CONCENTRAR OS NOSSOS ESFORÇOS NUMA SÓ DIREÇÃO, E JAMAIS FICARMOS ZIGUEZAGUEANDO DE UM CAMINHO PARA OUTRO. Temos esses ensinamentos, já na obra básica, isto é, no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, com o título A FRATERNIDADE ROSACRUZ, que, entre outras coisas, nos diz, expressamente, o seguinte:
“Depois de completar o Curso Preliminar, o estudante é automaticamente matriculado como Estudante Regular durante dois anos. Findos esses, caso tenha-se compenetrado da verdade dos ensinamentos Rosacruzes e preparado para cortar toda relação com qualquer outra ordem oculta ou religiosa excetuando-se as Igrejas Cristãs e ordens fraternais – pode assumir a Obrigação que o admite no grau de Probacionista. Não pretendemos insinuar, na cláusula anterior, que as demais escolas de ocultismo não servem. Longe disso; muitos caminhos conduzem a Roma, mas chegaremos com menos esforços seguindo por um deles do que ziguezagueando de um caminho para outro. Nosso tempo e energias são limitados e, além disso, reduzidos por deveres de família e sociais que não devemos descuidar para atender ao próprio desenvolvimento. A fim de evitar, no máximo, o desperdício das energias de que legitimamente dispomos e evitar a perda dos poucos momentos ao nosso dispor, os Guias insistem no corte de relações com as demais ordens”.
Os Guias, a que “O Conceito” se refere, são os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. É lógico e coerente que devemos seguir essa segura e sábia orientação, e, se assim fizermos tornará patente estarmos com o pé na realidade, aliás sublime, portanto, libertos de imperfeições maiores, particularmente de confusão dentro de nós, como se ainda fôssemos seres indefinidos (pois a árvore se conhece por seus frutos – é um ensinamento dos Evangelhos).
Para ilustrar, ainda, o importante assunto aqui tratado, lembramos a todos que, se nos matricularmos numa Faculdade de Direito e quisermos alcançar bons resultados, temos que seguir com diligência o curriculum dela, a sua orientação, pois, se ficássemos correndo de uma faculdade a outra finalmente, não nos formaríamos em nenhuma delas. No campo espiritual a coisa é mais séria ainda. Atentemos.
Nos centros e grupos Rosacruzes, devemos transmitir os formosos ensinamentos que recebemos dos queridos Irmãos Maiores, de maneira fiel e diligente, pois, de certo modo estamos funcionando como guias de outros que estão começando, portanto, necessitam muita definição e firmeza; ademais, não temos o direito de deturpar nada, de ninguém, principalmente dos Irmãos Maiores, aos quais devemos o máximo respeito e admiração!
Neste artigo, que não passa de lembrete de pontos fundamentais da Filosofia Rosacruz, aparece o nome de quem o escreve, unicamente com a finalidade de resguardar a Fraternidade Rosacruz de qualquer falha que por ventura exista. Encerra ele, tão-somente, o pouco que o autor pôde alcançar dos ensinamentos Rosacruzes.
(De Hélio de Paula Coimbra, Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
Diálogos do Silêncio
– Conta-me, anjinho, por que esse ar feliz?
– Ainda não sabes, estrela amiga? Eu vou nascer. Deus já escolheu a minha família. Oh, estou tão feliz! O milagre da vida já aconteceu e eu nascerei do amor de meu pai e de minha mãe.
– Que bom! E quando será?
– Daqui a nove meses. O amor já fez o encontro sagrado das Sementes da Vida. Já existe o pequeno ser que será meu corpo. Estou tão impaciente! Não vejo a hora de nascer.
– E agora, conta-me, anjinho, por que estás sorrindo?
– É de felicidade. Deus deixou que eu conhecesse meu pai e minha mãe. Ele é forte e bonito e ela… oh, ela é maravilhosa! Conheci também meus dois irmãozinhos. São alegres e brincam muito. Não vejo a hora de nascer para brincar com eles. Estou tão orgulhoso da minha família!
– Isso vai ser logo.
– Vai, sim. Sabe? Meu corpinho já está crescendo. Mas ainda não dá para ver como serei. Você acha, estrela, que eu vou ser bonito?
– Claro que sim. Mas por que preocupas com isso?
– Não sei. É o único medo que eu tenho, mas é um grande medo. Se eu não nascer bonito, talvez não gostem de mim. Tenho tanto medo de não ser amado!
– Que bobagem, anjinho! Não percebeste como teus pais gostam de teus irmãozinhos? Pois, então gostarão também de ti.
– É. Acho que sim. Eles são muito bons e eu já começo a amá-los.
– O que é isso, anjinho? Por que estás tremendo? Por que esse ar tão triste e aflito?
– Estou com medo. Começo a não entender as coisas. Minha mãe descobriu que vou nascer e quando eu esperava grande alegria, houve grande tristeza. Eu estava ansioso para que ela contasse a meus irmãozinhos, porque precisava saber se eles ficariam contentes. Mas ela nem lhes deu a notícia. Falou só com meu pai e os dois discutiram muito.
– Não entendi bem o que disseram, mas acho que não me querem.
– Não diga isso, anjinho. Eles devem ter problemas, mas por certo não deixarão de querê-lo.
– Não entendo. Eu fiquei tão feliz por ser filho deles e eles não estão contentes por serem meus pais.
– Não fique triste! Não tenha medo!
– Impossível. Já não posso afastar a tristeza e o medo. Eu estou preso. Eu já os amo.
– Meu Deus, o que foi?! O que te fizeram? Calma! O que foi?
– Não compreendo! Não compreendo mais nada! Minha mãe matou o meu corpinho. Ela impediu que eu nascesse.
– Como?! Não é possível!
– Ela era tão bonita e gostava tanto dos meus irmãozinhos! Estou certo de que não seria capaz de matar um deles. No entanto a mim ela matou sem pena, dentro do seu próprio corpo. E eu a queria tanto, precisava tanto do seu amor!
– Acalma-te! Talvez ela não entendesse bem. Talvez as circunstâncias.
– Não. As mães têm que entender tudo. Eu já era seu filho. Eu já tinha vida dentro dela. Nenhuma circunstância a obrigaria a matar um dos meus irmãozinhos. E, no entanto, comigo ela foi mais cruel. Muito mais. Ela não me deu nenhuma chance! Por que não esperou ao menos que eu nascesse? Não saberia falar, mas olharia para ela, poderia até sorrir. Talvez ela começasse a gostar de mim. Então, eu poderia tentar ser amado.
(Publicado na Revista Rosacruz de fevereiro de 1976)
A Dádiva da Paz: quando começa a se manifestar na sua vida
A realização de uma paz interna que NUNCA falha, mesmo no meio de um ambiente caótico, é um sinal de uma permanente atitude de oração. Fenelon, o grande autor francês já dissera: “Fale, ande e aja em completa paz, como se estivesse orando. Em verdade, tal atitude é uma oração”.
Parece-nos difícil alcançar, às vezes, a meta proposta por São Paulo, quando nos exorta a orar sem cessar. Porém, nossas ações e reações de cada momento – se estendemos a mão para ajudar, ou voltamos tranquilamente nossas costas recusando a tomar conhecimento do problema do semelhante, em suma, cada pensamento, palavra e ato são INDICAÇÕES CERTAS DE NOSSA CONDIÇÃO INTERNA.
Durante a nossa caminhada para maiores vitórias espirituais, percebemos nitidamente que o exterior não é nada mais do que um reflexo do INTERNO. Se aprendêssemos a expressar paz em nossas palavras e ações, aprenderíamos a desenvolver a paz interna. Devemos aprender a construir em nosso interior uma cidadela de paz, na qual estaríamos abrigados das batalhas da vida agitada que o nosso dia-a-dia impõe. O Cristo conhecia tal paz quando disse pouco antes da crucificação “A Minha paz vos dou”.
E, então, como fazer? Como nos sentir tranquilos em face do estado caótico de nosso Planeta? A resposta está contida, por mais estranho que pareça, no Sermão da Montanha. Devemos ler esse Sermão, estudá-lo, absorvê-lo e então praticá-lo. Foi elaborado para nós, um método claro, para ser usado na vida diária.
Diz São Paulo: “PORQUE A INCLINAÇÃO DA CARNE É MORTE, MAS A INCLINAÇÃO DO ESPÍRITO É VIDA E PAZ.” (Rom 8:6). Porque então escolhemos em vez da paz, a morte e a desarmonia?
Diz-nos Max Heindel: “A paz é uma questão de EDUCAÇÃO sendo impossível uma vivência pacífica até que aprendamos a agir caridosa, justa e abertamente uns com os outros, tanto como indivíduos, quanto como NAÇÕES. Enquanto fabricarmos armas, não poderá haver paz. Deveria ser a nossa meta e nosso primeiro objetivo o fazer tudo que está em nosso poder para a abolição das guerras em todos os países e o estabelecimento de um sistema para a arbitragem dos desentendimentos (Cartas aos Estudantes nº 92 do Livro do mesmo nome, Max Heindel, Fraternidade Rosacruz).
Quando poderemos dizer juntamente com o salmista: “Como o cervo procura o riacho d’água, assim minha alma Te procura, Senhor” ou aprenderemos a “Praticar a Presença” como o irmão Lawrence nos diz?
Quando REALMENTE começarmos a viver a vida, conforme os ensinamentos de Cristo, então as dádivas do espírito começarão a se manifestar em nossas vidas. E uma dessas dádivas é a PAZ.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro de 1976)
FRATERNIDADE ROSACRUZ
Ritual do Serviço Devocional do Solstício de Junho
1) Preparar o ambiente com músicas elevadas
2) Um membro, de preferência de sexo oposto ao do orador, convida os presentes a cantarem, de pé, o Hino Rosacruz de Abertura
3) O Leitor ilumina e descobre o Símbolo Rosacruz e apaga as luzes, exceto a que o ilumina e auxilia na leitura:
4) Em seguida dirige aos presentes a saudação Rosacruz:
Queridas irmãs e irmãos: (Fixa o Símbolo)
“Que as rosas floresçam em vossa cruz“
(Todos respondem: “E na vossa também“
(Todos sentam, menos o oficiante)
5) Leitura do Ritual do Serviço Devocional do Solstício de Junho:
Estamos agora no Solstício de Junho, estação durante a qual a manifestação física sobre a Terra atinge o seu máximo.
Todos os anos uma onda espiritual de vitalidade penetra na Terra por ocasião do Solstício de Dezembro para impregnar as sementes adormecidas na Terra e para dar nova vida ao mundo em que vivemos. Este serviço é feito durante os meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro, enquanto o Sol transita pelos Signos zodiacais de Capricórnio, Aquário e Peixes, respectivamente.
Do ponto de vista cósmico, o Sol nasce quando Virgem, a Virgem Celestial, desponta no horizonte à meia-noite de 24 de dezembro, trazendo consigo a Imaculada Criança. Durante os meses que se seguem, o Sol passa pelo violento Signo de Capricórnio onde, segundo o mito, todos os poderes das trevas se concentram numa frenética tentativa de matar o portador da Luz, o que é uma fase do drama solar, que é representado misticamente na história do rei Herodes e na fuga do Menino para o Egito, para escapar à morte.
Quando o Sol entra no Signo de Aquário, o aguador, em Fevereiro, temos o tempo das chuvas e das tempestades; e assim como o Batismo consagra misticamente o Salvador à sua obra de Serviço, assim também as correntes de humildade que descem sobre a Terra amaciam-na, para que possa produzir os frutos que preservarão as vidas dos que vivem sobre ela.
Vem depois a passagem do Sol pelo Signo de Peixes, os peixes. Nessa ocasião, as reservas do ano precedente estão quase consumidas e o alimento do ser humano é escasso. Temos então o longo jejum da Quaresma que representa misticamente, para o aspirante, o mesmo ideal mostrado cosmicamente pelo Sol. Há, nessa ocasião, o Carnaval, o “carne-vale” dos latinos, que significa o adeus à carne, pois todo aquele que aspira à vida superior, deve, em alguma ocasião, dizer adeus à natureza inferior com todos os seus desejos e preparar- se para a Páscoa que então se aproxima.
Em Abril, depois de o Sol cruzar o Equador Celeste e entrar no Signo de Áries, o cordeiro, a Cruz se ergue como o símbolo místico do fato que o candidato à vida superior deve aprender a renunciar ao envoltório mortal e começar a subida ao Gólgota, “o lugar do crânio” e daí atravessar o limiar do mundo invisível. Finalmente, imitando a ascensão do Sol aos Signos do céu setentrional, para permitir com os seus raios quentes o crescimento das sementes no solo que foi revitalizando pela onda Crística durante os meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro, o candidato deve aprender que o seu lugar é com o Pai e que por fim, deverá subir até esse exaltado lugar.
Assim é que, presentemente, durante a estação que culmina a 21 de junho, o Grande Espírito de Cristo atinge o Mundo do Espírito Divino, o Trono do Pai. Durante os meses de Julho e Agosto, enquanto o Sol está em Câncer e Leão, o Cristo está reconstruindo Seu Espírito de Vida, veículo que Ele trará ao mundo e com ele rejuvenescerá a Terra e os reinos de vida que evoluem sobre ela.
Sem esta onda mística anual de energia vital do Cristo Cósmico, a vida física seria uma impossibilidade. Não haveria pão nem vinho físicos, nem a essência espiritual transubstanciada preparada alquimicamente com o sangue do coração do discípulo. A existência física é a escola ou laboratório no qual aprendemos a transmutar o metal básico das nossas naturezas inferiores no brilho esplendoroso da Pedra Filosofal, tornando assim possível a nossa libertação para esferas mais elevadas, onde o nosso exaltado Ideal, o Cristo, está presentemente.
Existem agentes por trás de todas as manifestações da Natureza – inteligências de diferentes graus de consciência, construtores e destruidores, que desempenham importantes papéis na economia da Natureza. O Solstício de Junho é o tempo de atividade dos duendes da terra e das entidades similares, no que se refere ao desenvolvimento material no nosso planeta, como muito bem o mostrou Shakespeare no seu imortal “Sonho de uma Noite de Verão”.
Pela ação semi-inteligente dos Silfos, são elevadas da superfície do mar, as partículas extremamente divididas de água evaporada, preparadas pelas Ondinas. Os Silfos transportam-nas tão alto quanto podem antes que sobrevenha a condensação parcial e sejam formadas as nuvens. Eles conservam consigo essas partículas de água até serem forçados pelas Ondinas a soltá-las.
Quando falamos que está havendo um temporal, estão sendo travadas batalhas na superfície do mar e no ar, algumas vezes com a ajuda das Salamandras que acendem as centelhas que unirão o hidrogênio e o oxigênio separados, e enviam suas setas inspiradoras de medo, em ziguezague, pelos céus escuros acompanhadas dos enormes estrondos de trovão que reboam na atmosfera, enquanto que as Ondinas triunfalmente, arremessam as gotas de água recuperadas à terra, para serem novamente devolvidas ao seu elemento materno.
Os pequenos Gnomos se ocupam com as plantas e com as flores. É seu serviço tingi-las com os inúmeros matizes de cores que deleitam nossos olhos. Eles também talham os cristais em todos os minerais e modelam as preciosas gemas que brilham nos diademas de ouro. Sem eles não haveria ferro para nossas máquinas, nem ouro para comprá-las; estão presentes em toda parte e a proverbial abelha não é mais operosa do que eles; à abelha, no entanto, é dado crédito pelo trabalho que faz, enquanto que os pequenos Espíritos da Natureza que representam tão importante papel no serviço do mundo, são desconhecidos, menos para uns poucos que são chamados de loucos ou sonhadores.
No Solstício de Junho as atividades físicas da Natureza estão no seu máximo, e por isso a “Noite de São João” é o grande Festival das Fadas que trabalham na construção do universo material, que alimentam o gado, que amadurecem o grão e que saúdam com alegria e agradecem a crista da onda de força, que é a ferramenta que usam para modelar as flores, então estonteante variedade de delicadas formas conforme seus arquétipos e para tingi-las de inúmeras matizes que fazem a delícia e o desespero dos artistas!
Nessa grandiosa noite, todos esses pequenos servidores se reúnem para o Festival das Fadas, vindos dos pântanos e das florestas, dos vales e das clareiras. Realmente eles cozinham e fazem os seus alimentos etéricos e posteriormente dançam em êxtases de alegria – a alegria de terem cumprido suas importantes tarefas na economia da Natureza.
É um axioma científico que a natureza não tolera nada que não tenha seu uso; os parasitas e os zangões são uma abominação; o órgão que se tornou inútil, atrofia-se: assim acontece com a perna ou com o olho que não são mais usados. A Natureza tem serviço a fazer e exige o trabalho de todos para que justifiquem sua existência e para que continuem fazendo parte dela. Isto se aplica tanto à planta e ao planeta como ao homem, aos animais e também às fadas. Todos têm seu serviço a cumprir; todos são trabalhadores e suas atividades são a solução para muitos dos múltiplos mistérios da Natureza.
vemos tentar compreender perfeitamente estes ensinamentos a fim de que possamos aprender a apreciar esta estação do ano com exatidão.
Que calamidade cósmica seria se nosso Pai Celestial deixasse de prover os meios para o nosso sustento e existência física, todos os anos! O Cristo do ano passado não nos poderá salvar da fome física assim como a chuva que caiu no último ano não poderá molhar o solo para inchar as milhões de sementes que agora repousam na terra à espera das atividades germinais da Vida do Pai, para começarem a crescer; o Cristo do ano passado não poderá novamente acender em nossos corações as aspirações espirituais que nos incitam a avançar no caminho como também o calor do último verão não nos poderá aquecer agora. O Cristo do ano passado deu-nos o Seu Amor e a Sua Vida até ao último alento, sem medida nem limite; quando Ele nasceu na Terra, no último Natal, Ele dotou de vida as sementes adormecidas que cresceram e gratuitamente encheram os nossos celeiros com o pão da vida física; Ele prodigalizou sobre nós o amor que o Pai Lhe deu e quando esgotou totalmente Sua Vida, Ele morreu na Páscoa para novamente subir ao Pai, como um rio, por evaporação, sobe ao céu. Mas o Amor Divino circula interminavelmente; assim o nosso Pai Celeste nos ama como um pai ama seus filhos, pois Ele conhece a nossa dependência e a nossa fraqueza física e espiritual.
Devemos, portanto, aproveitar vantajosamente as oportunidades que são oferecidas a nós nesta estação que hoje se inicia para que a próxima vinda do Espírito de Cristo nos encontre mais bem adaptados para responder com maior facilidade às poderosas vibrações espirituais com as quais seremos então banhados.
Concentremo-nos agora sobre Amor Divino e Serviço.
6) O período de concentração deve se prolongar por uns 5 minutos
7) Após o que recobre o Símbolo e acende as luzes
8) Todos cantam o Hino Rosacruz de Encerramento
9) Proferir a seguinte exortação de despedida:
E agora, queridas irmãos, que vamos partir, de volta ao mundo material, levemos a firme resolução de expressar, em nossas vidas diárias, os elevados ideais de espiritualidade que aqui recebemos, para que, dia a dia, nos tornemos melhores homens e mulheres, e mais dignos de sermos utilizados como colaboradores conscientes, na obra benfeitora dos irmãos Maiores, a Serviço da Humanidade”.
QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ
Esotérico – oculto, não acessível para a maioria; o contrário de exotérico. Esoterismo vem do grego: esotericos, que quer dizer: conhecimento complexo e entendimento restrito a um círculo de especialistas. Relacionamos com interno, oculto e reservado. Para passarmos de nível utilizamos as iniciações.
Como aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes: a religião Cristã é a mais elevada fornecida ao Ser Humano até o momento presente. Então, repudiar a religião Cristã, seja ela exotérica ou esotérica, por qualquer sistema antigo é como preferir livros científicos desatualizados ao invés dos mais novos que contém as mais recentes descobertas.
Da mesma forma, desprezar a crença nos ensinamentos da igreja relativa ao perdão dos pecados, ao poder salvador da fé e a eficácia da oração é um fator de atraso para o Aspirante à vida superior. Pois impelidos pela razão, muitos de nós afastamo-nos da igreja e tornamos as nossas vidas vazias. A saída é um retorno com renovada devoção nascida de uma compreensão mais profunda das verdades cósmicas.
Notemos isso quando entendemos a mensagem cristã que a Bíblia nos transmite e que conseguimos distinguir entre: o conteúdo essencial (“interior”) – ensinamento esotérico e a forma estrutural (“exterior”) – ensinamento exotérico.
A forma estrutural que aparece como religião sugere uma radiação exterior, um véu. E é com isso que externa os principais problemas: a pretensão de posse exclusiva da verdade; a rejeição das realidades Iniciáticas; a fixação no dogmatismo; o conhecimento público que tende a sofrer modificações advindas das interpretações individuais.
Lembremo-nos do ensinamento de São Pedro: “Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal” (IIPe 1:20).
Também vemos que São Paulo formulou que as Escrituras cristãs nos fornecem dois “tipos” Evangelhos: um exotérico (relacionado com a personalidade mundana): “Resolvi não saber coisa alguma, entre vós, senão Jesus Cristo, e este crucificado” (ICor 2:2) e outro esotérico (relacionado com a individualidade espiritual): “Não sabeis que sois templo de Deus?” (ICor 3:16).
Percebam: é o primeiro “tipo” que o Cristianismo Popular mais prega e divulga; mantém com o carácter que conhecemos e tem sido a tônica permanente da sua doutrina.
Por outro lado, vejam que o Cristianismo em si não é exclusivamente esotérico: é uma religião dada por Cristo para a salvação de todos e comunicável a todos!
Exotérico – comum, acessível para a maioria; o contrário de esotérico. Vem do grego: exotéricos e, pelo latim: exotericu, que quer dizer: conhecimento passível de ser divulgado para o público. Relacionamos com externo, público e profano. Para passarmos de nível utilizamos as conversões.
Assim, Exotérico é tudo que se fala abertamente sobre: uma filosofia, uma corrente de pensamento, uma religião, etc., ou seja: todo ensinamento dado publicamente, sem reservas. É representado pelas grandes religiões: Cristianismo Popular – igreja católica, protestante, ortodoxa, etc., Budismo, Judaísmo, Islamismo, etc. É por isso que cada religião possui três elementos imprescindíveis:
Elohim – Nome dado, no primeiro capítulo do Gênesis, às Hierarquias Criadoras. Esse nome significa uma hoste de seres bissexuais. A primeira parte do nome é “Eloh”, um nome feminino, em que a letra “h” indica o gênero. Se se tivesse pretendido indicar um ser feminino ter-se-ia empregado a palavra “Eloh”. O feminino do plural é formado com o sufixo “oth”. Portanto, se houvesse intenção de indicar certo número de Deuses femininos, a palavra correta teria sido “Elooth”. Todavia, em vez de qualquer destas duas formas, encontramos o plural masculino terminado em “im”, acrescentado ao nome feminino “Eloh”, o que designa uma hoste de seres bissexuais, masculino-femininos, expressões na energia criadora dual, positiva-negativa.
Salvando um homem e a serpente que o homem queria matar
Aqui está outra história que conta como um fazendeiro assustado foi ajudado numa noite.
Alguns Auxiliares Invisíveis foram enviados até um homem que vivia em uma fazenda. Este homem disse-lhes que uma grande serpente estava em seu celeiro e que ele estava com medo de que mordesse e matasse suas vacas leiteiras e seus cavalos.
O Auxiliar Invisível perguntou, por meio do pensamento, se poderia tirá-la de lá. Alguém disse: “Sim, mas vai lhe dar trabalho”.
A serpente tinha cerca de 20 centímetros de diâmetro e cerca de cinquenta metros de comprimento. Esse Auxiliar Invisível perguntou a sua parceira se gostaria de acompanhá-lo e ela respondeu imediatamente: “Sim”. O agricultor, conhecendo o lugar, tentou deter a Auxiliar Invisível, pois achava que o companheiro dela era seu ajudante.
Os Auxiliares Invisíveis entraram no celeiro e a Auxiliar Invisível viu a serpente em um canto toda enrolada, e ela a mostrou para ele. A princípio, seu companheiro achou que era uma pilha de corda, como costumava ter nos navios a vapor. Ele chegou perto da serpente e ela começou a emitir um silvo e a colocar a língua, como que com raiva. O Auxiliar Invisível falou com a serpente: “meu caro, você não tem nenhum negócio aqui, assustando e ameaçando com a morte a todos. Vá embora. Eu não quero nenhum problema com você. Seja uma boa serpente, e vá para o seu ambiente natural”.
A serpente deu um bote em direção ao Auxiliar Invisível com a boca aberta, mas não o alcançou, e tentou novamente atacá-lo. O Auxiliar Invisível deu um passo para o lado e a segurou pelo pescoço; a força da sua pressão a fez cair no chão. O Auxiliar Invisível apertou-a ainda mais até que ela se enrolou próximo dele. A Auxiliar Invisível bateu em sua cabeça e ela acabou perdendo a consciência. Depois disso, os Auxiliares Invisíveis arrastaram a grande serpente para fora do celeiro. Quando o fazendeiro deparou com a serpente, achou que havia matado os Auxiliares Invisíveis, e então, atirou com a espingarda. Ele não a matou, mas machucou muito a sua pele; foi, então que os dois Auxiliares Invisíveis saíram do celeiro
“Se você se comportar, vou recuperar você, mas deverá ser tão boa quanto uma nova serpente”, disse o Auxiliar Invisível à serpente.
Depois disso, a serpente se se esticou no chão, e o Auxiliar Invisível lavou seus ferimentos, retirou várias balas da espingarda, colocou ataduras nas costas e a mandou embora. O fazendeiro estava tão surpreso que ficou paralisado olhando para os Auxiliares Invisíveis.
“Por que ajudar uma serpente quando ela matará outra pessoa?”, disse finalmente.
“Não, ela não incomodará mais ninguém antes de chegar à selva”, respondeu o Auxiliar Invisível. Então, os Auxiliares Invisíveis se afastaram e continuaram com suas atividades
(IH – de Amber M. Tuttle)