Caráter é destino. Nunca será demais repetir essa verdade. Afinal, ela diz respeito aos nossos interesses mais íntimos.
Todo ser humano alimenta o desejo de construir para si um destino harmonioso e equilibrado. Não vamos falar em “destino feliz”, porque o conceito de felicidade é muito relativo, variando até, sem exagero nenhum, de pessoa para pessoa. Cremos, portanto, na harmonia e no equilíbrio como o binômio ideal na constituição de um destino.
Esse binômio é atingível? Afirmamos que sim, embora poucos o tenham conseguido.
Todo ser humano anseia por um porvir agradável, sem, contudo, imaginar que ele se condiciona a um caráter bem formado. Ora, somente pelo manejamento adequado das causas, pode-se alterar os efeitos. Todo destino é, em última análise, uma gama de efeitos. Daí ser fácil concluir-se: se almejamos um futuro equilibrado, cuidemos, antes de mais nada, do nosso caráter.
Mas como fazê-lo? Em primeiro lugar, analisando-o.
E como analisá-lo? Max Heindel indica-nos um meio seguro de fazê-lo: o exercício noturno de Retrospecção. É uma forma prática de autoconhecimento.
Conhecidos nossos traços de caráter, em suas profundezas, é bom ressaltar, cabe-nos o segundo e mais importante passo: a reforma.
Não se julgue, todavia, que a correção requer luta tenaz contra o mal. Nada disso.
Resistindo-se-lhe só lograremos, para nosso desespero, reforçá-lo ainda mais. É um erro lamentável julgar que todo malefício provém do exterior. Se não há mal em nosso interior, não atrairemos males de fora.
Tudo, portanto, encontra-se em nosso mundo interno: o bem ou o mal. E o que se pode fazer no sentido de vencer o mal interno, sem luta?
A Filosofia Rosacruz enseja-nos a resposta: através do Corpo Vital, o veículo dos hábitos. Estes se formam pela repetição. O hábito reclama, insistentemente, a repetição.
Ela é o seu alimento, a chave para a gestação de um destino harmonioso ou perturbador.
Eis porque a reforma interna é de suma importância.
Muitos podem objetar essa argumentação alegando ser essa tarefa muito difícil, quase impossível.
Concordamos em que não seja fácil levá-la adiante. Mas não a reputamos impossível, não a configuramos como utópica. É uma questão de esforço e de vontade.
Ocorre que nosso caráter constitui na mescla de tendências antigas e influências novas desta existência. E como o ser humano não se dispõe com facilidade a mudanças radicais em sua vida, qualquer reforma interna encontra muitos obstáculos à sua frente.
A transmutação do “homem velho em homem novo” requer muita dedicação e coragem. Não se deve objetivar outra meta a não ser a realização do BEM. A única recompensa digna é a paz nascida do dever cumprido. O desinteresse deve revelar-se como uma norma fundamental. Fazer concessões ao interesse próprio é compactuar com as antigas e retardatárias mazelas.
Em Atenas, prometiam-se belas estátuas de mármore branco de Paros. Em Roma, belas coroas de oliveira. Maomé oferecia doces carícias de fadas amorosas. Odin, os encantos das louras Valquírias.
Em toda parte e em todos os tempos, se ofereceram recompensas a quem praticasse ou vivesse no Bem. Entretanto, uma cidade nada oferecia aos seus heróis. Era Esparta. Os defensores das Termópilas receberam apenas uma simples inscrição:
“Cumpriram o seu dever”.
O espiritualista sincero conscientiza-se de que promovendo a reforma de seu caráter está apenas cumprindo um dever. Nada reivindica para si mesmo.
Certamente terá de enfrentar momentos difíceis. Em algumas circunstâncias poderá até amargar a tentação de desistir. Fará, no entanto, da coragem a sua bandeira, não se deixando envolver pelos reclamos da personalidade. Esses heróis da alma serão as pilastras da Casa do Pai.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/1978)
Os Mercurianos e as Escolas de Mistérios
Após ter recebido o germe da Mente, dos Senhores da Mente de Sagitário, a infantil humanidade se extraviou devido à influência exercida pelos Espíritos marcianos de Lúcifer e, então, certos seres da humanidade mais avançada dos Planetas Vênus e Mercúrio – Venusianos e Mercurianos, respectivamente – vieram em nossa ajuda. Dizemos uma humanidade mais avançada desses Planetas, porque nossa onda de vida de Espíritos Virginais (em número por volta de sessenta bilhões de seres) está distribuída em todos os Planetas de nosso Sistema Solar, com a possível exceção dos três Planetas exteriores, chamados de “mistério”: Urano, Netuno e Plutão. A evolução difere de Planeta a Planeta, de modo que os Egos não são todos iguais em desenvolvimento, estando os Venusianos e os Mercurianos à frente da civilização da humanidade terráquea. Não obstante, mesmo entre essas raças avançadas, alguns estavam menos avançados do que outros, e seus atrasados, ao princípio exilados, por assim dizer, a suas Luas, foram posteriormente enviados à Terra para finalizar suas lições de destino maduro, aqui, mediante sua ajuda a nós. Entretanto, a lua, que uma vez deu voltas ao redor dos Planetas internos, se dissolveu e, gradualmente, foi empurrada para o círculo dos asteroides, segundo as investigações ocultas. As Luas de outros Planetas também podem estar ali, a saber, as de Marte, Júpiter e Saturno.
Os Venusianos trabalharam com as massas da humanidade terráquea, estimulando as artes plásticas e nos, ensinando lições de amor, beleza e harmonia. Os mercurianos estabeleceram as Escolas de Mistérios, nas quais foram educados os Reis-Sacerdotes e que deram origem às Escolas de Mistérios que, todavia, temos hoje em dia. Cada Escola ensina os Nove Mistérios Menores. Os Mercurianos trabalham unicamente com o Ego individual, mais particularmente com o Ego que está se preparando para a Iniciação.
A esse propósito, aprendemos que, astrologicamente, o Planeta Mercúrio rege o intelecto versado na sabedoria mundana e, quando o indivíduo tem uma tendência para o assim chamado caminho “negro”, isto é geralmente indicado pelos maus aspectos de Mercúrio, no horóscopo. Assim, pois, qualquer pessoa que tenha uma Quadratura ou Oposição com Mercúrio, deve examinar seus pensamentos cuidadosamente e eliminar tudo o que tenda à separatividade, à vaidade intelectual ou ao desejo de obter conhecimentos ocultos sem fazer os sacrifícios necessários. O sacrifício é a lei da evolução.
Max Heindel disse que a Mente é o caminho. Isto não significa que a Mente é todo o caminho e que não exista nada mais, senão que significa que sem a Mente não pode haver Caminho, porque ela é a ponte entre o Ego e seus veículos. Quando essa ponte se quebra, digamos por prática das artes negras, então o Espírito Virginal perde todos os seus veículos e os átomos-semente, devendo retornar aos Caos para começar sua carreira, novamente, em outro futuro Dia de Evolução, em uma diferente onda de vida.
Entretanto, nos aproximamos mais aos Mercurianos que são nossos próprios irmãos maiores em evolução, mas, note-se que o termo “Irmão Maior da Rosacruz” não é um termo aplicado a eles. Os Irmãos Maiores da Rosacruz pertencem à nossa própria humanidade, da Terra. Eles têm sido ensinados pelos Mercurianos desde o tempo em que o elo da Mente foi dado, na Lemúrica e, estão agora, à própria cabeça da evolução da humanidade da Terra. Em outras palavras, nossos ”Irmãos Maiores da Rosacruz” são os irmãos menores dos Mercurianos.
Por conseguinte, é evidente que o Átomo-semente pertence, essencialmente, ao Arquétipo sendo que, suas forças pertencem às Forças Arquetípicas, de onde o Espírito se enfoca na matéria e que são os registros de nossa herança cósmica.
A Região das Forças Arquetípicas, em certo sentido, divide os mundos de matéria dos mundos de Espírito. Sob outro ponto de vista, todos os planos ou Mundos que estão abaixo do Mundo do Espírito de Vida, são mundos de matéria, incluindo o Terceiro Céu (Região do Pensamento Abstrato) que é o “Caos”, “a sementeira do Cosmos”, com suas bilhões de “Ideias germinais”.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 06/86)
Os Átomos-semente nos Futuros Períodos Mundiais
Investigamos a evolução dos Átomos-semente através dos três Períodos Mundiais involucionários e todo o presente Período Terrestre, até seu final. O que sucederá a esses Átomos-semente nos períodos subsequentes: o Período de Júpiter, o Período de Vênus e o Período de Vulcano?
A primeira Grande Iniciação “dá o estado de consciência que será alcançado, pela humanidade comum, ao final do Período Terrestre; a segunda, o que todos alcançaremos ao final do Período de Júpiter; a terceira dá a extensão de consciência que será alcançada ao final do Período de Vênus; a última confere ao Iniciado o poder e a omnisciência que toda a humanidade alcançará somente ao final do Período de Vulcano”.
No final de cada grande Período, o Corpo que tenha chegado à perfeição, é convertido em suas forças essenciais e agregado ao seguinte veículo superior. Assim é como, no final do Período Terrestre, as forças do Corpo físico aperfeiçoado serão agregadas ao Corpo Vital, o que tem, então, todos os seus próprios poderes mais os do corpo físico. Estes poderes amalgamados serão agregados ao Corpo de Desejos, no final do Período de Vênus e estes, por sua vez, serão agregados à Mente ou Corpo Mental, no final do Período de Vulcano.
Cada Corpo foi dado como um “germe”, que era também um “pensamento-forma”, como temos indicado. São as forças arquetípicas de cada Corpo, elevadas à perfeição, as que são os poderes de cada Átomo-semente que são agregadas ao seguinte veículo superior, quando termina o Período Mundial.
Paralelamente a esse desenvolvimento, observamos o pleno florescimento do Tríplice Espírito e de seus três poderes: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano (os três juntos constituem o Ego).
Max Heindel escreveu: “Durante a Involução, as Hierarquias Criadoras ajudaram o ser humano a pôr em atividade o Tríplice Espírito, o Ego, a construir o Tríplice Corpo e adquirir o elo da Mente. Agora, no sétimo dia (para usar a linguagem da Bíblia), Deus descansa. O ser humano deve trabalhar pela sua própria salvação. O Tríplice Espírito deve completar o trabalho e a execução do plano começado pelos deuses. O Espírito Humano, que foi despertado durante a involução, no Período Lunar, será o mais proeminente dos três aspectos do Espírito, na evolução do Período de Júpiter, que é o Período correspondente no arco ascendente da espiral. O Espírito de Vida, que foi posto em atividade no Período Solar, manifestará sua principal atividade no correspondente período de Vênus e, as particulares influências do Espírito Divino serão as mais fortes no Período de Vulcano, porque foi vivificado no correspondente Período de Saturno”.
“Todos os três aspectos do Espírito são ativos, todo o tempo, durante a evolução, mas o aspecto espiritual de cada um será desenvolvido nestes Períodos particulares, porque o trabalho a ser feito é seu trabalho especial”. Assim como o polo negativo do Tríplice Espírito era o que estava ativo durante Involução, agora é o polo positivo o que está ativo durante a Evolução, à medida que o Ego ascende à Divindade, saindo da materialidade”.
A Tríplice Alma é também, durante este tempo que o Ego está evolucionando e saindo da matéria, assimilada pelo Tríplice Espírito.
Quando o Corpo for plenamente aperfeiçoado e suas forças agregadas ao Corpo Vital, a “Alma Consciente” será assimilada pelo Espírito Humano. Isto não é instantâneo. Dura por todo o ciclo do “Dia” de Júpiter e é apenas na sétima Revolução do Período de Júpiter, quando a Alma Consciente é, assim, assimilada pelo seu progenitor, o Espirito Divino.
Sob a Lei de Analogia e a causa de que a evolução se acelere à medida que se aproxima o final, a Alma Intelectual é assimilada pelo Espírito de Vida, na sexta Revolução do Período de Vênus. A Alma Intelectual é a essência do Corpo Vital e sua assimilação pelo Espírito de Vida requer todas as seis revoluções do Período de Vênus.
Finalmente, na quinta Revolução do último Período, o de Vulcano, em que a Mente será aperfeiçoada, a Alma Emocional será assimilada pelo Espírito Humano, na Região do Pensamento Abstrato.
Esta assimilação da essência do Corpo de Desejos nutre o terceiro aspecto do Tríplice Espírito, conduzindo-o até a perfeição e, o processo de assimilação requer todos as primeiras cinco revoluções do Período de Vulcano.
Restam duas revoluções mais, deste Período, nas quais o Espírito Virginal assimilará, na Mente, todos os poderes do Tríplice Corpo e, as essências anímicas também serão completamente assimiladas ao Tríplice Espírito. Conforme cada Globo Mundial se dissolve no caos, o aspecto do Espírito correspondente a esse Globo é atraído pelo mais elevado dos três aspectos, o Espirito Divino. No final do Período de Júpiter, o Espirito Humano será absorvido pelo Espírito Divino. No final do Período de Vênus, o Espírito de Vida será absorvido pelo Espírito Divino. E, ao final do Período de Vulcano, a Mente aperfeiçoada, incorporando todas as maravilhosas glórias assimiladas durante os passados sete Dias Mundiais, será absorvida pelo Espirito Divino.
Max Heindel comenta: “Não existe contradição entre estas e outras afirmações que dizem a Alma Emocional será absorvido pelo Espírito Humano, na quinta Revolução do Período de Vulcano, porque o último estará, então, dentro do Espírito Divino”.
Depois disto, vem o “grande intervalo de atividade subjetiva, durante o qual o Espírito Virginal, que agora tem absorvido em si mesmo todos os três aspectos, ou poderes e todos os frutos da evolução se fundirão em Deus, de Quem vieram, para reemergir na aurora de outro Grande Dia, como um de Seus gloriosos colaboradores”.
Durante sua passada evolução, suas possibilidades latentes têm sido transmutadas em poderes dinâmicos. Tem adquirido Poder Anímico e uma Mente Criadora, como fruto da peregrinação através da matéria.
Tem avançado da impotência à Onipotência, da inconsciência à Onisciência”.
Isto é, quando o Espírito Virginal reemerge da união com a Divindade, aparecerá como um deus-auxiliar, capaz de projetar no espaço, na Substância Raiz Cósmica, os “Átomos-semente”, ideias germinais e suas forças arquetípicas e pensamentos-forma, pertencentes a um novo esquema de evolução, como membro de uma Celestial Hierarquia, como a que nos ajudou em nossa própria evolução “desde o barro até Deus”.
Assim, do mesmo modo em que as Hierarquias Celestiais são nossos verdadeiros progenitores, cuja “semente” foi o modelo de nossa evolução, nós, por nossa vez, chegaremos a ser os progenitores divinos de novas raças, em novos sistemas evolucionários, quando emergirmos naquela aurora cósmica, sobre as asas do poder e da sabedoria, para ajudar a inaugurar um novo mundo – uma galáxia, um universo – e o fazer flutuar como uma rosa que se abre corrente abaixo nas ondas do espaço.
(Publicado no ‘Serviço Rosacruz’ – 06/86)
Viver pela Metade
Aqueles que seguem os ensinamentos da Filosofia Rosacruz ou que os elegeram como filosofia de vida, não podem mais manter certas dúvidas a respeito da vida espiritual.
Sabe-se que o primeiro passo e o mais difícil na crença das verdades espirituais, e admitirmos a Reencarnação, ou melhor, a Lei do Renascimento como ponto pacifico para a continuidade de nossos estudos e atividades na senda do Progresso. Entretanto, não ignoramos que existem muitos outros pontos, milhares deles, dos quais pode depender a nossa ascenção.
Em princípio, toda a asserção sábia, contém sempre em si mesma dois sentidos: o material, do qual se reveste para ser enunciada, e o espiritual ou oculto, que deve ser desvendado.
Analisemos de passagem, o que diz a Bíblia pela boca do Mestre, naquele versículo: “Se uma casa se levantar contra si mesma, essa casa não subsistirá”. O valor material dessa assertiva está bem claro e é um chamado à ordem àqueles que não sabem defender sua família, seu lar, seus filhos, tanto de Sangue como de ideal, contra o erro, a agressão, a maledicência, às vezes até contra si mesmo; já o sentido espiritual, faz-nos penetrar num. terreno mais sutil e perceber a face oculta da Verdade.
Então notaremos que tanto pode restringir-se ao relacionamento de alma, como ao próprio relacionamento Interno de cada um, melhor dizendo, aos cheques e entrechoques de nosso eu inferior com a verdade que já existe em nós. Choques esses que muitas vezes se apresentam sob a forma de dúvida, de limitações, de oscilações prejudiciais. Aliás, a dúvida conduz naturalmente às limitações, principalmente se ela atinge os valores espirituais da vida.
“Se uma casa se levantar contra si mesma”, isto é, se os nossos pensamentos espirituais não coincidirem totalmente com as nossas ações, com o nosso modo de vida, se mesmo conhecendo e sentindo os valores reais da vida, ainda perdemos tempo derivando por caminhos da matéria; se mesmo sentindo dentro de nós, maravilhosas verdades cantando sua música num coro divino, e apesar de tudo introduzimos ainda outros ritmos de canções menos celestiais, por algumas notas que sejam., estaremos quebrando a nossa sintonia interna e pondo uma pedra no caminho da nossa elevação espiritual. E é então que “essa casa não subsistirá”, porque não há equilíbrio interno que resista às oscilações a que a natureza externa das coisas muitas vezes nos submete, ou melhor dizendo, oscilações a que nós permitimos ser submetidos por nossas próprias fraquezas, nossa falta de coragem para aceitar integralmente a Verdade como escopo de vida, como única realização justa e aceitável em nosso progresso. Aí é que entra aquela frase bíblica tão conhecida, de que “não se pode servir a dois senhores”.
Porque estaremos servindo a dois senhores enquanto ainda ‘mantivermos dentro de nós, por insignificante que seja, algum interesse material,; quando ainda não tivermos a coragem, a determinação de afastar de nosso Caminho, tudo o que esteja fora das verdades espirituais, quando ainda não nos tivermos revestido o máximo possível daquele equilíbrio que nos leva a selecionar de imediato o joio do trigo, não aceitando nada que possa contrariar nossas verdades internas; quando ainda não soubermos encarar a vida e a humanidade como resultados de algo maior, algo superior à própria vida física e pautar nossa vida por essa crença, sem desvios numa entrega completa a Verdade, numa dedicação sem limites à causa dessa mesma verdade, dessa mesma vida superior, estaremos, repito, servindo a dois senhores. Isso porque, na senda do espiritualismo, chega o tempo em que já não se pode viver pela metade.
Ou somos, ou não somos. Ou cremos, ou não cremos. E, se cremos, temos que manter essa crença no seu verdadeiro nível de pensamentos, de sentimentos e de ações.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/73 – Fraternidade Rosacruz –SP)
Maçonaria, Co-Maçonaria e Catolicismo
No final da lição do mês passado, nos referimos a algumas pessoas que são praticantes da Maçonaria Mística, e isso poderá parecer que fazemos parte de uma Co-Maçonaria. Devemos dizer, enfaticamente, que não é essa a realidade, embora, por princípio ético, nunca tenhamos falado depreciativamente de qualquer movimento legítimo. Em particular, temos advertido constantemente os nossos estudantes contra a religião oriental, porque é perigosa para o mundo ocidental, ainda que perfeitamente adaptada para ao Oriente. A Co-Maçonaria é o resultado do crescimento de uma sociedade promulgadora do Hinduísmo. No inverno de 1899 a 1900, a presidente daquela sociedade esteve em Roma e uma das suas auxiliares encontrou, acidentalmente, os ritos maçônicos na biblioteca do Vaticano. Ela copiou-os sem autorização e deu-os à sua superiora que, por sua vez, acrescentou neles um grau extra. Esses são, agora, os ritos da Co-Maçonaria.
As afirmações anteriores são fatos que podemos provar; mas deixamos os nossos estudantes em liberdade para que tirem as suas próprias conclusões sobre a eficiência ética e os poderes de desenvolvimento anímico que pode possuir um movimento baseado em ritos obtidos desse modo. Além disso, ainda que nós saibamos positivamente que os ritos vieram de Roma, duvidamos que uma pessoa pudesse iludir a vigilância que há naquela biblioteca. Acreditamos que ela tenha agido, inconscientemente, pelas mãos do Vaticano. Assim, a Co-Maçonaria é tanto indiana como católica em sua origem. Não é reconhecida pelas corporações Maçônicas regulares, apesar de que possam alegar os seus fundadores.
No final da lição sobre Maçonaria e Catolicismo, resumimos os pontos correspondentes às suas relações cósmicas com o objetivo de extrair a essência do ensinamento. Agora, a última palavra – a quinta essência do nosso argumento:
A palavra franco-Maçom deriva do vocábulo egípcio phree messen, “Filhos da Luz”. Essas palavras foram originalmente empregadas para designar os construtores do Templo de Deus – a alma humana.
A palavra Católica significa “universal”, e originalmente foi empregada para diferenciar a abrangente Religião Mundial – o Cristianismo – das Religiões de Raça, como o Hinduísmo.
O sangue é o veículo do Espírito e, sob o regime de Jeová e dos Espíritos de Lúcifer, se contaminou com o egoísmo. Tanto a Maçonaria como o Catolicismo anseiam purificar o sangue e estimular o altruísmo.
A Maçonaria ensina o candidato a conquistar a sua própria salvação; o Catolicismo deixa o candidato dependente do sangue de Jesus. Aqueles que usam o método positivo se tornam, naturalmente, almas mais fortes; dessa forma, a Maçonaria deveria ser fomentada mais propriamente do que o Catolicismo.
(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 29)
Pergunta: A Filosofia Rosacruz ensina-nos que na fraseologia dos alquimistas, as forças lunares são mencionadas como sendo um sal. Isto tem algum significado com relação à seguinte citação no Evangelho Segundo São Marcos 9:49-50: “Porque todo será salgado pelo fogo, e toda a vítima será salgada com sal. O sal é bom, porém, se ele se tornar insípido, com que o haveis de temperar? Tende sal em vós, e tende paz entre vós”?
Resposta: Todo sacrifício deve ser temperado com sal. Esse era um mandamento na lei Mosaica, o Judaísmo, como o chamamos, e foi originado por Jeová. Não obstante, o sal tem outro significado mais profundo, isto é, se o sal fosse colocado sobre o sacrifício, o sal produziria um fogo químico que simbolizaria a sensação ardente sentida por nós devido ao remorso decorrente das nossas más ações praticadas. Toda transgressão será punida e expiada através de um sacrifício determinado. O sal e a incineração do sacrifício simbolizam o que de melhor haveria de chegar. As pessoas daquele tempo não podiam ser, elas próprias, sacrifícios vivos. Elas não podiam privar-se de nada, pois eram extremamente ligadas às suas posses. Estavam sempre querendo mais filhos, muita terra e mais rebanhos, portanto, se as coisas que elas mais prezavam lhes fossem tiradas em razão do pecado e da transgressão, elas ressentiam-se de uma forma intensa, muito mais do que se fossem pessoalmente injuriadas.
Esse sacrifício era uma espécie de expiação de segunda mão, simbolizando um futuro em que as pessoas seriam o próprio sacrifício, quando, então, sentiriam remorsos pelos erros praticados. Naquele tempo, o sacrifício não era aceito no altar senão depois de salgado e, similarmente, o sacrifício vivo não será aceito no altar do arrependimento senão depois de ter sido salgado, isto é, devemos sentir angústia, remorso e contrição ardentes por todo o mau ato cometido, e somente após ter sentido isso é que o sacrifício será aceito. Até então, o sacrifício era consumido por um fogo divinamente ateado. Isso indica que, após termos salgado em nós próprios o sacrifício vivo com lágrimas de arrependimento ao debruçar-nos sobre o altar diante de Deus, perceberemos que, embora nossos pecados sejam rubros, eles tornam-se brancos como a neve. O registro será apagado do panorama da vida. É desse modo que nos purificamos, mas o primeiro requisito é que o sacrifício seja salgado com lágrimas.
O fato de salgar os sacrifícios nas épocas antigas pode ter tido alguma relação com a ideia de que Jeová é o Espírito Lunar e, por conseguinte, rege o elemento químico sal, mas o sal do alquimista não era o sal comum. Era o sal das lágrimas e do arrependimento. Os alquimistas não alegavam poder transformar o metal não precioso em ouro. O que eles se propunham fazer era transformar os elementos básicos do corpo, que foram tirados da terra, em ouro da alma, esse “Dourado Manto Nupcial” que brilha ao redor de cada um que atinge a espiritualidade e se torna uma luz cada vez mais brilhante à medida que vive uma vida mais elevada e mais nobre.
(Pergunta 162 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel)
Pergunta: Poderá de renascimento a renascimento persistir as mesmas semelhanças, apesar dos fatores sexo e povo?
Resposta: Sim, em certo sentido. Quando o Ego volta a renascer, ele possui um novo conjunto de veículos onde se incluí a essência das experiências de todas as suas vidas pretéritas.
No plano interno, antes do renascimento, ele atrai para si materiais. Esse processo inclui toda a conformação física. Portanto, os novos aspectos serão diferentes daqueles observados em vidas passadas, na medida, em que o Ego adicione ao seu desenvolvimento, espiritual as experiências da precedente.
O corpo físico corresponde ao caráter espiritual do Ego em toda a Vida terrestre. Contudo existem algumas condições modificadores. Em cada Vida terrestre o Ego traz consigo uma certa dose de destino passado a cumprir (que será realizado por meio de um corpo físico adequado). Isso pode acarretar uma suspensão temporária de uma parte das forças que o Ego gerou em vidas passadas, suspensão essa que se refletirá no corpo físico e nas características faciais. Em outras palavras, um Ego poderá necessariamente não refletir em seu campo físico todas as forças e características adquiridas em más-vidas passadas. Assim o tema de contornos faciais submete-se a um grande aspecto de variação, embora uma certa semelhança sempre possa ser delineada.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 12/1971)
O Governo Invisível do Mundo
Sempre achamos que um “chefe de movimento”, um indivíduo livre, agindo por sua própria vontade cria e destrói povos, nações, impérios; mas, não passa de um instrumento do governo invisível do mundo, o poder situado detrás dos tronos, os Espíritos de Raça. Vamos detalhar aqui como isso ocorre.
Como estudantes da Filosofia Rosacruz, sabemos perfeitamente que as diferentes espécies de animais são dirigidas por um Espírito-Grupo, do Mundo do Desejo. Esse Espírito-Grupo é seu guardião, zelando por sua segurança e dando-lhes o mais conveniente à sua evolução. Não importa a posição geográfica dos animais sob sua proteção; o leão das selvas africanas está dominado pelo mesmo Espírito-Grupo do leão encerrado em uma jaula de qualquer centro civilizado. Assim, esses animais apresentam as mesmas características principais, emanadas do Espírito-Grupo comum; têm os mesmos gostos e preferências alimentares, agem de maneira igual em circunstâncias parecidas. Se queremos estudar a espécie dos leões, ou dos tigres, basta estudarmos um espécime, de vez que não têm arbítrio e nem prerrogativa e agem inteiramente de acordo com os ditames de seu Espírito-Grupo.
O mineral não pode escolher se deve cristalizar-se ou não; a rosa vê-se sujeita a florescer; o leão vê-se impelido a dominar a presa e todos seus movimentos são governados pelo Espírito-Grupo.
Mas o ser humano é diferente. Quando pretendemos estudá-lo, verificamos que cada indivíduo é uma espécie em si mesmo. O que um faz em certas circunstâncias, não pressupõe que outro faça identicamente. “O que a um serve de alimento, para outro é veneno” e cada qual tem diferentes gostos e aversões. Isto ocorre porque o ser humano, tal como o vemos no mundo físico terreno, é a expressão de um Espírito interno individual, que tem, aparentemente, a faculdade de escolha e livre arbítrio.
Porém, em realidade o ser humano não é tão livre como parece; todos os que vêm estudando a natureza humana observaram que em certas ocasiões um grande número de pessoas se porta como se estivessem dominadas por uma força externa, por um mesmo espírito.
É igualmente fácil verificar, sem recorrer ao ocultismo, que as diferentes nações têm certas características psicossomáticas.
Todos conhecemos os tipos alemães, franceses, ingleses, italianos, espanhóis. Cada uma dessas nacionalidades tem características diferentes das de outras, demonstrando haver um Espírito de Raça, nas raízes de tais peculiaridades. O ocultista dotado de visão espiritual sabe muito bem que é assim mesmo. Cada nação tem um Espírito de Raça diferente, passando como nuvem sobre o país inteiro.
Nele vive, move-se e tem seu ser a população de um país. Ele é seu guardião e trabalha constantemente pelo desenvolvimento de seus tutelados, compulsando-lhes a civilização, inculcando-lhes ideais da mais alta natureza, compatíveis com sua capacidade para o progresso.
Lemos na Bíblia, que Jeová, Elohim, que foi o Espírito de Raça dos judeus, apareceu-lhes sobre uma coluna numa nuvem, e no livro de Daniel encontramos consideráveis revelações sobre o modo de trabalhar desses Espíritos de Raça. A imagem vista do Nabucodonosor, de cabeça de ouro e pés de argila, mostrava claramente como uma civilização começava a construir sobre ideais auríferos, depois degenerando gradualmente até que em sua última parte da existência apresenta pés instáveis, de cambaleante argila sendo a imagem condenada à destruição.
Assim todas as civilizações começaram sob a direção de diferentes Espíritos de Raça, mantendo áureos ideais; mas a humanidade, exercendo seu livre arbítrio, não segue implicitamente os ditames do Espírito de Raça como o fariam os animais em relação aos respectivos Espíritos-Grupo. Esta é a razão do porquê, no transcurso do tempo, de uma nação cessar de elevar-se e, como não pode ”existir imobilidade” no Cosmos, começa a degenerar até formar pés de argila, sendo necessário então um golpe que a desmorone a fim de outra civilização edificar-se sobre suas ruínas.
Mas os impérios não caem sem um poderoso golpe físico. Assim, invariavelmente, no tempo em que a nação deve cair levanta-se um instrumento do Espírito de Raça para essa missão. Nos Capítulos X e XI do Livro de Daniel podemos conseguir alguma iluminação sobre o trabalho invisível dos Espíritos de Raça, os chamados “poderes por detrás do trono”.
Daniel vê-se conturbado espiritualmente; jejua durante três semanas completas; clama por luz e depois desse tempo aparece-lhe um Arcanjo, um Espírito de Raça, e lhe diz:
“Não temas, Daniel, pois desde o primeiro dia em que quiseste que teu coração compreendesse e te purificaste diante de teu Deus, tuas palavras foram ouvidas e por elas vim aqui. Mas o príncipe do reino da Pérsia me reteve durante vinte e um dias” e eis que Miguel, um dos primeiros Príncipes, veio em meu socorro e ali fiquei com o rei da Pérsia”. Depois de explicar a Daniel o que há de ocorrer, diz: “Sabes de onde vim, até aqui? E agora voltarei a combater com o príncipe da Pérsia; e quando me for, eis que o príncipe da Grécia chegará e ninguém há que possa obrigar-lhe a fazer estas coisas, além de Miguel, vosso Príncipe”. Também disse o Arcanjo: “No primeiro ano de Dario, o Medá, também estive com ele para acreditá-lo e fortalecê-lo”.
Assim, quando a sentença manuscrita pende de um muro, levanta-se alguém para desfechar o golpe; pode ser um Ciro, um Dario, um Alexandre, um César, um Napoleão, um Kaiser. E tal instrumento humano pode se julgar um “chefe de movimento”, um indivíduo livre, agindo por sua própria vontade; mas, não passa de um instrumento do governo invisível do mundo, o poder situado detrás dos tronos, os Espíritos de Raça, que veem a necessidade de destruir as civilizações que deram de si toda utilidade, de modo que a humanidade possa tomar um novo impulso e evoluir sob mais alto ideal em relação ao que, até então, esteve envolta.
O próprio Cristo, durante Sua permanência na Terra, disse: “Não vim trazer a paz, senão uma espada”, pois Lhe era evidente que, enquanto a humanidade estiver dividida em raças e nações, não poderá haver “paz na terra e boa vontade entre os homens”. A paz será possível somente quando as nações tiverem conseguido unir-se numa Fraternidade Universal.
As barreiras do nacionalismo devem converter-se num crisol de fusão, onde o melhor de todas as velhas nações se mescle e se amalgame para que surja uma nova raça de mais elevados ideais e sentimentos fraternos universalistas, como precursora da Era de Aquário. Entretanto, as barreiras do nacionalismo vão sendo rompidas com os terríveis conflitos mundiais, aproximando o dia da amizade universal e da realização da fraternidade humana.
Há outro objetivo que também deve ser alcançado. De todos os horrores a que está sujeita a humanidade, não há nenhum maior que a morte, que nos separa daqueles a quem amamos. Nosso sofrimento advém da falta de possibilidade de os vermos depois que foram despojados de seus corpos. Mas, tão certamente como o dia se segue à noite, também, certamente, nossas lágrimas acabarão por diluir a escama que oculta aos olhos dos seres humanos a terra desconhecida dos mortos que agora reafirmamos: uma das maiores bênçãos que resultará das guerras será a vista espiritual que um grande número de pessoas certamente adquirirá.
O profundo sofrimento de milhões de seres humanos, o anelo de novamente ver os que lhe são queridos e que tão súbita e cruelmente lhes foram arrebatados são forças de incalculável poder e fortaleza.
De igual maneira, aqueles que foram prematuramente levados pela morte, e agora estão nos Mundos invisíveis, sentem um intenso desejo de reunir-se aos que lhes são caros, para dizer-lhes palavras de consolo e convencê-los do bem-estar que presentemente desfrutam. Pode-se até dizer que, dos grandes exércitos que se formaram nas duas guerras mundiais, por milhões e milhões de pessoas, além dos outros desastres coletivos, surge um sentimento, de fantástica energia e intensidade de propósito que está minando os muros que separam o visível do invisível.
Dia após dia, tais muros ou véus se tornaram finos, mais débeis e, cedo ou tarde, os vivos e os mortos que vivem se encontrarão na metade do túnel. Antes mesmo do que podemos imaginar essa comunicação se estabelecerá e, então, veremos como a coisa mais natural deste mundo o fato de alguém deixar seus corpos ao morrer. Não sentiremos pesar nem perda alguma, porque poderemos vê-los, em todas as horas, nos seus Corpos Vitais, movendo-se ao nosso redor, como até então faziam. Assim venceremos o grande conflito da morte e poderemos dizer: “Oh, morte! Onde está tua gadanha? Oh, sepulcro! Onde tua vitória”.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/1971)