O Mito de Sæhrímnir
A antiga teologia escandinava tinha um mito segundo o qual todos os que morressem no campo de batalha (as almas que lutam a batalha da vida valorosamente até o fim) eram levados ao Valhalla, onde gozavam da comunhão com os deuses. Mas os que morressem na cama (os covardes, indiferentes e preguiçosos) ou de enfermidade (que se compraziam na prática de atos contrários à Lei) iam ao nefasto Niflheim. No Valhalla, os vencedores passavam a se alimentar esplendidamente da carne de um javali chamado Sæhrímnir, que tinha a particularidade de recompor imediatamente os próprios pedaços de carne que lhe cortassem, por mais que tirassem, conservando sempre o corpo intacto e completo.
Sæhrímnir é um símbolo bem expressivo do CONHECIMENTO, pois por muito que demos aos demais do que sabemos, sempre nos fica o original, aliás reforçado pelo exercício e enriquecido por detalhes que nos vão ocorrendo no esforço da explicação.
Em “Siegfried, o buscador da verdade”, há uma passagem em que ele e seus amigos vão à caça do javali. Siegfried persegue e domina o maior deles. Isso significa a maior elevação dele em relação a seus companheiros, porque dominava um maior conhecimento. O símbolo é a expressão de uma verdade cósmica e daí ser Sæhrímnir tão atual ainda.
Uma parte da humanidade, mercê de seus esforços em vidas passadas, atingiu o privilégio de entrar em contato com conhecimentos superiores como os ensinamentos transmitidos pelos Irmãos Maiores, em O Conceito Rosacruz do Cosmos. É um javali de qualidade, à nossa disposição.
Todavia, são ainda poucos os que se sentem atraídos por eles, porque a condição imposta por seu conhecimento à própria consciência do Estudante é a de continuar lutando para despertar os companheiros que estão dormindo.
Para o Estudante Rosacruz, o conhecimento é a fonte que deve correr pelas campinas da vida, fertilizando o mundo e saciando pessoas. A água que se estagna fica poluída e alimenta pestes.
Há pessoas que, mesmo em relação aos conhecimentos superiores como os nossos, portam-se como autênticos avaros para quem o ouro é o fim e não um meio. Elas anelam ardentemente adquirir conhecimentos e empregam todos os seus esforços para consegui-los, mas depois os conservam zelosamente, como o avaro, mostrando apenas para se engrandecer. É a sua ruína, pois o conhecimento apenas infla. Os Irmãos Maiores nos ensinam o equilíbrio entre a Mente e o Coração, o conhecimento e a virtude, para que ambos se completem e harmoniosamente trabalhem em benefício dos demais. Automaticamente, dessa maneira, vai-se tecendo o “traje dourado das núpcias” de cada um de nós, com o Cristo Interno. Quem procura primeiramente o reino de Deus e Sua justiça recebe tudo o mais por acréscimo, segundo suas necessidades.
O olho foi feito pela necessidade de vermos a Luz e o aparelho digestivo pela necessidade de assimilarmos os nutrientes dos alimentos e crescermos. Aspiramos ao conhecimento e o atraímos; se perdermos a oportunidade sem aproveitá-la ou a usarmos mal, responderemos depois por isso, porque “a quem muito é dado, muito lhe será exigido”.
O que não se usa, atrofia. A natureza não admite inatividade. O preço da evolução é o exercício do bem; ou seja, sua prática. O conhecimento se inclui nesta lei: se não é aplicado, acaba morrendo.
Alguns Estudantes, de natureza mística, deduzem que o conhecimento seja dispensável e que a vontade de ajudar e trabalhar pelos outros já nos dá intuição de como realizá-lo. Supomos que o conhecimento ilumine o coração e esse oriente o conhecimento para a virtude. Um depende do outro. São os dois polos do servo completo. A verdadeira intuição deriva do Mundo do Espírito de Vida da Supraconsciência em nós e pressupõe o desenvolvimento da Alma Intelectual, ou seja, do segundo atributo latente em cada homem: o Amor-Sabedoria.
Como disse Max Heindel: “O único pecado é a ignorância e a única salvação, o conhecimento aplicado”. De fato, VIRTUDE significa discernir entre o bem e o mal, preferindo o bem. Quem tem virtude realiza o verdadeiro serviço. E o serviço, por corolário, é o que nos leva à realização espiritual.
Talvez não seja impróprio transcrever, aqui, a experiência de Max Heindel, a “prova” a que foi submetido antes que pudesse merecer o privilégio de receber os ensinamentos contidos em “O Conceito Rosacruz do Cosmos” e tornar-se o iluminado mensageiro dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Eis como ele nos conta, no Livro “Ensinamentos de um Iniciado”.
“Ignorava que partisse para ser submetido a uma prova. Aconteceu quando fui à Europa, em busca de um instrutor. Como supunha, ele realmente era capaz de me ajudar a avançar no caminho espiritual; contudo, quando lhe examinei os ensinamentos até as mais profundas entranhas e lhe fiz admitir certas incongruências que não me pudesse explicar, achei-me no verdadeiro caminho do desespero, preparado para regressar à América. Estava eu sentado no quarto, meditando sobre a minha desilusão, quando senti, de repente, que outra pessoa estivesse presente e levantei a cabeça. Vi aquele que desde então foi meu Mestre.
“Com vergonha recordo a grosseria com que lhe perguntei o que queria e quem o havia mandado para ali, porque eu estava profundamente descontente e vacilava muito em aceitar as razões que me haviam levado à Alemanha.
“Durante os dias seguintes, meu novo conhecido apareceu em meu quarto várias vezes, respondendo as minhas perguntas e me ajudando a resolver problemas que até então haviam sido obstáculos para mim. Porém, minha vista espiritual estava então pouco desenvolvida e nem sempre sob meu controle, de modo que me sentia um pouco cético a respeito das coisas que ele me explicava. Não poderia ser tudo isso uma alucinação? “Discuti essa questão com um amigo. As respostas que me foram dadas, pela aparição, eram claras, concisas e lógicas no mais alto grau. Limitavam-se sempre e estritamente ao que eu havia perguntado e eram, ademais, de uma índole infinitamente superior a tudo que eu fosse capaz de conceber. Por tais razões, chegamos à conclusão de que a experiência devesse ser real.
“Poucos dias depois meu novo amigo me disse que a Ordem a que pertencia tinha uma completa solução para o enigma do Universo, de muito mais alcance do que qualquer outro ensinamento publicamente conhecido e que eles me comunicariam, se eu me comprometesse a guardá-lo como um segredo inviolável.
“Então eu me dirigi a ele, encolerizado: ‘Ah! Por fim vejo a orelha do diabo! Não! Se tem o que diz e se tal enigma é bom, será bom para o mundo também. A Bíblia proíbe terminantemente que ocultemos a luz e eu não quero fartar-me de conhecimentos, enquanto milhares de almas anelam, como eu, encontrar a solução para seus problemas’. Então meu visitante se retirou e eu concluí que fosse um emissário dos Irmãos das Trevas.
Um mês mais tarde, vendo que não pudesse obter uma ilustração maior na Europa, decidi voltar. Com esse propósito fui reservar um compartimento num vapor para Nova Iorque. Havia muita passagem e tive que esperar um mês pela cabine. Quando voltei à minha habitação, após haver comprado meu bilhete, nela encontrei meu desdenhado Mestre, que outra vez me ofereceu seus ensinamentos com a condição de eu guardar segredo. Desta vez minha negativa foi bem mais enérgica e indignada do que antes. Porém ele não se foi e disse: ‘Alegro-me muito de ouvir sua negativa, meu irmão, e espero que você seja sempre tão zeloso na difusão de nossos ensinamentos, sem medo nem súplica, como o foi nesta recusa. Esta é a condição necessária para poder receber os ensinamentos’.
“O modo como recebi instruções para tomar certo trem em certa estação e ir a um lugar do qual nunca ouvira falar, onde encontrei o Irmão em carne e osso, ou como fui levado ao Templo (etérico) e nele recebi as principais instruções contidas em nossa literatura são coisas de bem pouco interesse. O principal é que, se eu houvesse aceitado a condição de guardar segredo sobre suas instruções, teria sido automaticamente desqualificado para ser mensageiro da Rosacruz e em tal caso os Irmãos teriam que procurar outro. Assim também acontece com qualquer um de nós: se entesourarmos as bênçãos espirituais, os ensinamentos superiores que recebemos, seremos provados pela dor. Convém-nos imitar a Terra, na primavera, que tira de seu seio os frutos do espírito plantados por Cristo durante o inverno. Só assim receberemos, ano após ano, bênçãos mais abundantes e recursos maiores para fazer o bem.”
Aqui terminamos o relato de Max Heindel sobre sua “prova” e sua advertência a respeito do uso de nossos ensinamentos. Estimulamos todos os caros Estudantes a meditarem muito sobre isso e arregaçar as mangas, cada um fazendo o que puder pela difusão da nossa amada filosofia e praticando o bem que estiver ao seu alcance a fim de que, por exemplos e palavras, possamos, todos nós, abreviar o advento da Era da Fraternidade Universal.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1973)
Uma descoberta arqueológica, mas e os Ensinamentos ocultos?
Cercou-se de grande repercussão a notícia veiculada por jornais do mundo sobre a descoberta realizada por um grupo de arqueólogos norte-americanos nas profundezas da baía de Cádis, Espanha. Em suas pesquisas submarinas, encontraram os destroços de uma civilização antiquíssima; isto é, colunas, objetos e até estradas sulcadas no solo submerso. Segundo alguns membros da equipe, seriam ruínas de Atlântida, o lendário continente invadido pelas águas. Essa notícia, obviamente, ocupou as manchetes e as primeiras páginas das revistas e jornais. Naturalmente, as indagações e especulações começaram a surgir.
Logo em seguida, um dos líderes da expedição concedeu uma entrevista na qual salientou a precipitação de alguns de seus colegas, ao afirmarem pertencer à Atlântida as ruínas encontradas.
Arqueólogos espanhóis questionam a suposta descoberta e as autoridades marítimas locais proibiram os mergulhadores de voltar ao lugar. Asseveram que os restos encontrados são de origem fenícia ou romana.
Como se observa, o assunto gerou polêmicas e controvérsias. Qualquer ponto de vista conclusivo sobre a questão ainda é temerariamente prematuro. Somente estudos acurados poderão levar à verdade.
Porém, quanto ao fato de Atlântida ter existido, os ensinamentos ocultos não deixam dúvidas. Max Heindel, em “O CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS”, provê os leitores de informações preciosíssimas a respeito do continente atlante. Expõe de forma inteligível as características predominantes naquela remota época, as particularidades físicas e anatômicas da humanidade de então, as sete raças que a formaram (com seus traços marcantes), as condições ambientais e seu estertor, quando do grande dilúvio.
Enfim, uma descrição bem pormenorizada da civilização atlante, que foi obtida pela leitura da Memória da Natureza, a mais segura fonte de estudo e informações existente, à qual Max Heindel teve acesso devido à sua condição de Iniciado.
Além disso, algumas lendas e manuscritos antigos fazem alusão ao continente outrora situado onde hoje se localiza o Oceano Atlântico.
Platão, em uma de suas obras, cita o continente desaparecido. Uma lenda conhecida há séculos no norte da Europa foi musicada por Wagner com o título de “O Anel dos Nibelungos”. Nibelungo quer dizer “filho da névoa” (nibelungen). Por suposto é o “homem atlante”, vivendo sob uma névoa densa, úmida e quase aquosa que, mais tarde, viria a liquefazer-se, inundando aquela terra.
Como se vê, alguns fatos, lendas e ensinamentos de diversas escolas de mistério convergem para a mesma verdade. Quanto às recentes descobertas, só mesmo aguardando o desenrolar dos acontecimentos.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1973)
Pergunta: Na literatura oculta menciona-se o Templo de Lhassa no Tibet. A que Fraternidade ou Ordem pertence esse Templo, e será verdade, conforme relatado, que lá a “Palavra Perdida” é conhecida e cuidadosamente guardada?
Resposta: Segundo todas as declarações, e até onde o autor conhece por meio do contato mantido com os membros dessa comunidade nos Mundos invisíveis, a elevação espiritual atingida por alguns dos irmãos dessa Ordem é de um grau muito elevado. Eles estão realizando um nobre trabalho com seu povo no Oriente, mas, como qualquer outra instituição do Mundo Físico que é percebida pelos sentidos e aberta aos visitantes, por maiores que sejam as restrições, não é uma escola de mistérios. As escolas de mistérios são todas na Região Etérica, e são visitadas apenas por Iniciados que aprenderam a deixar os seus corpos físicos.
Com relação à parte da pergunta que diz: “Será verdade que lá, a ‘Palavra Perdida’ é conhecida e cuidadosamente guardada”, podemos dizer que todas as probabilidades indicam que sim. Não obstante, ela é também conhecida e cuidadosamente guardada em muitos outros lugares do mundo fora das escolas de mistérios, e para esclarecer plenamente esse ponto, é necessário que entendamos o que constitui os diferentes graus do dom espiritual e do poder dos quais são dotadas várias classes da humanidade e que marcam o seu estágio de evolução.
Há, em primeiro lugar, os Clarividentes Involuntários, que têm, às vezes, o poder de perceber coisas e acontecimentos nos Mundos invisíveis. Quando o poder se manifesta, eles veem tudo que se apresente diante de sua visão, independentemente de eles gostarem ou não, e eles são incapazes de evitar essas visões e cenas. A seguinte categoria, mais elevada, é a do Clarividente Voluntário, que é capaz de ver quando quiser e apenas o que desejar, além de poder evitar a visão a qualquer instante voltando à sua consciência física normal. Logo acima dele, na escala ascendente, encontra-se o Iniciado, que aprendeu a deixar voluntariamente o seu corpo físico e a entrar como espírito livre nos Mundos invisíveis. Ele atua lá tão normalmente como o faz neste reino da natureza.
Ele vê e ouve tudo que desejar, mas, além disso, ele foi Iniciado nos mistérios dos Mundos invisíveis. Ele não só vê e ouve, mas sabe o que são as coisas e o que significam.
O Clarividente Voluntário, que é apenas capaz de ver e ouvir, está sujeito à ilusão no que se refere aos elementos que surgem diante da sua visão. Os elementais, que têm o poder de revestir-se da mutável matéria de desejos, deleitam-se particularmente em iludir e até atemorizar os Clarividentes de ambas as categorias, os Voluntários e os Involuntários. Eles podem tomar a forma de amigos falecidos dessas pessoas, e são responsáveis por grande parte dos disparates e falsas informações emitidas nas reuniões espíritas. É impossível a uma dessas entidades iludir um Iniciado, pois ele foi instruído nas escolas de mistérios a respeito de tais assuntos.
Num grau de espiritualidade ainda mais elevado encontra-se o Adepto, que não só é capaz de ver e saber, mas tem também o poder sobre as coisas dos Mundos invisíveis. Ele graduou-se na escola de mistérios e aprendeu a usar a Palavra Criadora, a palavra do poder, que foi perdida pela humanidade em sua descida para a matéria.
Pode haver um ou mais desses Adeptos no Templo de Lhassa no Tibet, como também em outros lugares no mundo. Assim, essas pessoas detêm, naturalmente, a palavra do poder e guardam-na cuidadosamente, pois é um segredo perigoso, uma faca de dois gumes, que seria com certeza uma arma suicida nas mãos de uma pessoa que não esteja evoluída até ao ponto em que possa estar espiritualmente apta a possuí-la.
(Pergunta 140 do Livro “Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II”, de Max Heindel)
O Ecos de um Centro Rosacruz tem como objetivo informar as atividades públicas de um Centro, bem como fornecer material de estudo sobre os assuntos estudados durante o mês anterior.
Para acessá-lo (formatado e com as figuras): ECOS nº 44 – Janeiro de 2020 (Corpo Denso, Astrologia Rosacruz, 1ª Epístola aos Tessalonicenses – Cap. 1 – Revoluções Solares e Lunares do Período Terrestre)
Para acessar somente os textos:
A Fraternidade Rosacruz é uma escola de filosofia cristã, que tem por finalidade divulgar a filosofia dos Rosacruzes, tal como ela foi transmitida ao mundo por Max Heindel. Exercitando nosso papel de Estudantes da Filosofia Rosacruz, o Centro Rosacruz de Campinas, edita o informativo: Ecos.
Inauguração do novo modelo do Ecos
Estamos inaugurando esse mês o novo modelo do Ecos do Centro Rosacruz de Campinas, baseado no propósito que tinha Max Heindel quando criou o boletim periódico “Echoes” em Junho, 1913 que era manter os Estudantes dos Ensinamentos Rosacruzes em conexão com a atividades realizadas na Sede em Oceanside, e dessa forma mantê-los unidos em um propósito comum: construir, “sem o som de martelo”, o templo da Alma que é a verdadeira Ecclesia.
O objetivo desse periódico será o de informar aos Estudantes e interessados nos Ensinamentos Rosacruzes, as atividades e estudos que acontecem na nossa sede em Campinas, e convidar os interessados a unirem-se a nós presencialmente ou através desse conteúdo.
Atividades gerais ocorridas no mês de Janeiro:
Resumo das Atividades em forma de Estudos e Reuniões ocorridas em nosso Centro:
Dia 12/janeiro – 16 h: Estudo de Astrologia Rosacruz
Dia 12/janeiro – 17 h: Estudo da Bíblia segundo os ensinamentos Rosacruzes
Dia 19/janeiro – 16 h: Reunião do Estudante Regular – Apenas para Estudantes Regualres
Dia 19/janeiro – 17 h: Estudo de Filosofia Rosacruz – (Conceito Rosacruz): Revolução Solar
Dia 16/janeiro – 16 h: Reunião de Probacionistas– Apenas para Probacionistas
Dia 26/janeiro – 17 h: Estudo de Filosofia Rosacruz – (Conceito Rosacruz): Revolução Lunar
Realização dos Rituais Devocionais (incluindo o Hino de Abertura, o Signo do mês solar e Hino de Encerramento).
Dia 02, 10, 16 e 22/janeiro – Rituais do Serviço de Cura e demais dias do mês – Rituais do Serviço do Templo
Assuntos abordados durante os Estudos desse mês:
Estudo de Astrologia Rosacruz
Simpatias e Antipatias – Física, Moral e Espiritual
São Paulo diz: o ser humano é espírito, alma e corpo. Assim, a simpatia/antipatia deve ser considerada nas 3 dimensões: física, moral e espiritual.
FÍSICA – pela comparação do Signo Ascendente dos 2 e suas respectivas Triplicidades: Signos de Fogo (Áries, Leão e Sagitário) combinam com os de Fogo e de Ar (Gêmeos, Libra e Aquário); os de Terra (Touro, Virgem e Capricórnio) com os Terra e de Água (Câncer, Escorpião e Peixes). Demais combinações não combinam. Ou seja: Fogo e Ar não combinam com Água e nem com Terra.
MORAL – Marte e Vênus. Se Vênus no horóscopo de uma pessoa estiver no mesmo Signo e grau que Marte no horóscopo da outra pessoa: simpatia, ainda que com riscos de “posse”.
ESPIRITUAL – Sol e Lua. Se o Sol no horóscopo de uma pessoa estiver no mesmo Signo e grau que da Lua no horóscopo da outra pessoa: simpatia.
(*) respeitando os 6 graus (entre Planetas) e 8 graus (com Lua e Sol) de órbita de influência.
Relacionamento ideal simpático: combinação dos dois horóscopos em todos esses particulares, sendo que a felicidade dependerá do grau de concordâncias, conforme indicado. Existem uniões em que as pessoas se harmonizam fisicamente, mas possuem características totalmente diferentes em outros aspectos, e vice-versa. Portanto, os dois horóscopos devem ser examinados globalmente para se ter uma interpretação confiável.
Outras causas para Relacionamentos localizados: Configurações entre os 2 horóscopos benéficas em determinadas Casas: interesses em comum levam a “relacionamentos de interesse, simpáticos ou antipáticos”.
Em geral: ASC em Gêmeos são, de modo geral, de uma disposição muito gentil e afável, com muita facilidade de relacionamento. São capazes de se adaptar a outras pessoas e a circunstâncias, de modo que se tornam tudo para todos.
Estudos da Bíblia sob a óptica dos Ensinamentos Rosacruzes
1ª Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses – Capítulo 1
Nesse capítulo São Paulo faz uma introdução, para falar sobre a importância dos ensinamentos oferecidos por Cristo. Ele prepara os Tessalonicenses para receber algumas verdades como:
São Paulo escreveu essa epístola sobre a importância de viver para Cristo, ou seja, de viver sob os nossos ensinamentos, principalmente no que se refere a mudança de comportamento diante das coisas do mundo.
O que é esperado de nós para a segunda vinda de Cristo?
Baseado no texto: A Segunda Vinda de Cristo – Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/72 – Fraternidade Rosacruz SP
Ele fala também sobre dar Graças à Deus.
Qual a relação entre a Lei e a Graça?
Baseado no texto: A LEI E A GRAÇA – Qual a relação entre elas e como utilizá-las no dia a dia? Do site https://fraternidaderosacruz.com/
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Estudos de Filosofia Rosacruz:
O que é o Corpo Denso?
É nossa ferramenta para a ação.
Primeiro veículo construído, tendo passado por grande período de evolução.
Está atualmente no seu quarto estágio de desenvolvimento e alcançou maravilhoso grau de eficiência e oportunamente atingirá a perfeição.
É o corpo mais perfeito que temos.
É o mais organizado dos veículos do ser humano.
Lembrando que o Germe do Corpo Denso foi dado pelos Senhores da Chama, durante a primeira Revolução do Período de Saturno.
Construído na matriz do Corpo Vital, durante a vida pré-natal, é cópia exata, molécula por molécula do Corpo Vital.
O Corpo Denso não poderia se formar se não houvesse um Corpo Vital para modelar a sua forma física.
Há também um Átomo-semente do Corpo Denso para atuar como determinador da quantidade e qualidade da matéria designada para construir esse Corpo Denso.
A Revolução Solar do Período Terrestre
Em forma de Estudo Dirigido (tente responder essas perguntas – as respostas estão no fim desse texto)
https://fraternidaderosacruz.com/tag/ocultismo/ – Para acessá-lo, clique O Conceito Rosacruz do Cosmos
Desde a Revolução Solar do Período Terrestre, o _____________ ligou-se muito firmemente com o _____________ na maioria das pessoas, porém não tanto nas chamadas ___________. Nessa débil conexão está a diferença entre a pessoa psíquica e a comum ou ___________ de tudo que não sejam as impressões dos cinco sentidos.
Respostas:
Mais Referência, Estudo dirigido da Elsa Glover:
https://rosanista.users4.50megs.com/library02/rourcc01.htm
A Revolução Lunar do Período Terrestre
É uma recapitulação do Período Lunar – e muitas de suas condições prevaleceram (em escala superior) idênticas às do Globo D daquele Período.
No Período Lunar o objetivo era adquirir o germe do Corpo de Desejos, e iniciar a atividade germinal do terceiro aspecto do tríplice espírito no ser humano – o Espírito Humano – o Ego.
Na revolução do Globo D daquele Período os Senhores da Individualidade irradiaram de si a substância com que ajudaram o inconsciente ser evolucionante, a construir e adaptar-se a um Corpo de Desejos germinal. Ajudaram-no também a incorporar este Corpo de Desejos germinal ao conjunto Corpo Vital-Corpo Denso que já possuía.
Na Revolução Lunar do Período Terrestre houve a mesma divisão do Globo em duas partes, com o objetivo de permitir aos seres mais altamente evoluídos, a oportunidade de progredir em seu próprio passo e ritmo, progresso esse impossível a seres como os da nossa humanidade. O primeiro germe da personalidade separada foi implantado na parte superior do corpo de Desejos pelos Senhores da Mente.
Nesta Revolução os Arcanjos e os Senhores da Forma se encarregaram de reconstruir o Corpo de Desejos. Este Corpo foi dividido em duas partes tendo assim o Corpo de Desejos Superior e o de Desejos Inferior. Os Desejos Inferiores são os desejos de procriação e sobrevivência. Os Arcanjos atuaram nesta parte imprimindo os desejos puramente animais.
Os desejos de gratidão e altruísmo são exemplo de desejos superiores.
O Corpo de Desejos é um ovoide inorganizado, tendo em seu centro o Corpo Denso como uma gema de ovo com sua clara ao redor. No ovoide há certo número de centros sensoriais, os quais foram surgindo a partir de princípios do Período Terrestre. Esses centros se assemelham a remoinhos em uma corrente.
A preparação nesta Revolução Lunar foi a de fazer uma concentração do maior número de vórtices na cabeça para o Espírito Humano poder se conectar mais facilmente ao Corpo de Desejos.
SERVIÇO DE AUXÍLIO E CURA
Todas as semanas, quando a Lua se encontra num Signo Cardeal (Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio), reunimo-nos com o propósito de gerar a Força Curadora por meio de fervorosas preces e concentrações. Esta força pode depois ser utilizada pelos AUXILIARES INVISÍVEIS, que trabalham sob a direção dos IRMÃOS MAIORES com o propósito de curar os doentes e confortar os aflitos.
Nessas datas, as 18h30, os Estudantes podem contribuir com esse serviço de ajuda, conforto e cura, sentando-se e relaxando-se na quietude do seu lar ou onde quer que se encontre, fechando os olhos e fazendo uma imagem mental da Rosa Branca e Pura situada no centro do Emblema Rosacruz. Em seguida leia o Serviço de Cura e concentre-se intensamente sobre AMOR DIVINO E CURA, pois só assim, você poderá fazer de si um canal vivo por onde flui o Poder Divino Curador que vem diretamente do Pai. Após o serviço de cura, emita os sentimentos mais profundos do amor e gratidão ao Grande Médico para as bênçãos passadas e futuras da cura.
Datas de Cura: Fevereiro: 6, 12, 19, 26
E servireis ao Senhor, vosso Deus, e ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e eu tirarei do meio de ti as enfermidades. (Ex 23:25)
Reflexão para o mês de Fevereiro:
“Muitos tíbios ou fracos dizem”:
Que vida feliz leva aquele homem! Como é rico e grande! Quão poderoso e elevada posição!
Considera, porém, os bens celestes e verás que as coisas temporais são nada, muito incertas e incômodas, porque nunca vivem sem temores e cuidados os que as possuem.
A felicidade do homem não consiste na abundância dos bens temporais; basta-lhe a mediania.
Verdadeira miséria é viver na terra.
Quanto mais espiritual um homem quiser ser, tanto mais amarga se lhe torna a presente vida, porque melhor conhecerá e mais claramente verá as fraquezas da natureza humana corrompida.
Comer, beber, velar, dormir, descansar, trabalhar e estar sujeito a muitas outras necessidades da natureza, é grande miséria e aflição para o homem fervoroso que, de boa vontade, desejaria estar isento e livre de todo pecado.
Thomas de Kempis
Preparativos para a Mudança para Mount Ecclesia
No sábado, 28 de outubro[1], às 12h40 P.M. pontualmente, horário do Pacífico, iniciamos as atividades para a abertura do terreno com o objetivo de construir o primeiro edifício em Mount Ecclesia[2], a sede da The Rosicrucian Fellowship. A casa será relativamente pequena, e estamos nos esforçando para gastar o mínimo possível, ou não seremos capazes de construí-la totalmente. Estou fazendo o trabalho de arquiteto e empreiteiro para economizarmos nessas atividades. Entretanto, consideramos esse primeiro ponto de partida como um momento da maior importância para a vida jovem da nossa sociedade, pois, embora nossos aposentos privados sejam apertados, teremos uma grande sala de trabalho e acomodações para vários assistentes, até que hajam recursos financeiros para a construção da Ecclesia[3] e das outras estruturas que pretendemos construir e que serão mais dignas para a nossa missão no mundo.
Reconhecemos perfeitamente que a magnitude do nosso trabalho no mundo depende, em grande parte, do apoio e da cooperação dos nossos colaboradores e, portanto, solicitamos sinceramente o seu auxílio para participar das atividades que necessitam da força física e da sua presença nesse momento importante, a fim de que a nossa associação possa se tornar um poder bem maior para o bem do que qualquer outro que já existiu.
Sabemos que os pensamentos são coisas; que são forças de uma grandeza proporcional à intensidade do propósito neles ocultos. Não há um método mais fácil nem mais eficaz para harmonizar todo o nosso ser com certos desígnios e lançar um poderoso pensamento na direção desejada do que a oração cristã séria e sincera.
Portanto, tenho dois pedidos distintos para vocês nos ajudarem por meio das orações, e espero e confio que vocês darão os seus mais calorosos e intensos auxílios. Em primeiro lugar, apesar de totalmente indigno, será meu dever, como líder, preparar o terreno para a nossa futura Sede no tempo estabelecido e, se for possível, quando vocês se recolherem para os seus aposentos, por favor, dedique-se à oração séria e sincera para que a Sede, então iniciada, possa crescer e prosperar em todos os sentidos; pois as orações conjuntas dos nossos Estudantes ao redor do mundo nos darão uma imensa força nesta direção.
Contudo, vocês podem fazer mais; dia após dia, o acúmulo de pensamentos de muitos amigos em direção a um lugar comum proporcionará um trabalho maravilhoso. Vocês poderiam nos enviar uma oração todas as noites para fortalecer a Sra. Heindel, os trabalhadores da Sede e a mim mesmo, para que nós possamos crescer na pureza, na eficácia e na eficiência em sermos melhores trabalhadores no serviço à humanidade e, assim, podermos nos tornar mais fortes para aliviar o sentimento de profunda tristeza, o sofrimento e a angústia de todos que procuram nossa ajuda?
Além disso, vocês poderão me escrever, de vez em quando, me fortalecendo com a certeza da simpatia e cooperação que tenham para comigo? Talvez eu não consiga responder e agradecer individualmente, mas podem estar certos de que apreciarei suas expressões de boa vontade.
(Por Max Heindel – Livro: Cartas aos Estudantes – nº 11)
[1] N.T.: de 1911
[2] N.T.: Localizada na cidade de Oceanside, Califórnia, EUA.
[3] N.T.: O Healing Temple, o Templo de Cura.
O uso correto das coisas ao seu redor para um Aspirante
Como Aspirantes à espiritualidade, entendemos que as posses materiais tenham valor apenas na medida do uso espiritualmente conveniente que delas fizermos. Para muitos de nós é difícil ainda resistir à tentação de adquirir coisas para atender meramente a caprichos egoístas.
A propriedade material, em si mesma, não é boa nem má. O possuir não é repreensível, a menos que seja ilegal. O que espiritualmente nos condena é o uso indevido e pervertido do que possuímos. Enquanto vivemos neste mundo, muitas coisas materiais se tornam indispensáveis para o seu adequado funcionamento. O que o Aspirante deve aprender é, emocional e intelectualmente, medir o valor das coisas em razão de sua utilidade, distinguindo ajuizadamente se elas representam necessidade real ou luxo, seja para ele ou seus propósitos. Como disse um observador: “Só começamos a compreender o valor de nossas coisas, quando as empregamos para o bem dos outros”. Do ponto de vista espiritual, as posses sempre são relativas. É claro que todos precisamos de alimento, vestuário e abrigo adequados. E o termo “adequado” tem sentido muito amplo. Uma família com muitos filhos, para ser confortavelmente instalada, precisa de uma casa grande. No entanto, se um casal sem filhos ocupa essa casa grande, podemos supor que esteja vivendo em luxo desnecessário, a menos que utilize os cômodos sobrantes para filhos adotivos, parentes menos favorecidos ou qualquer obra social e altruísta. Desse modo usará suas posses a serviço de Deus, de Quem tudo provém, e dando boa conta de sua administração.
Hoje em dia, o automóvel se tornou uma necessidade para muitas famílias e profissionais, mormente nas grandes cidades ou nos lugares afastados. E nada há de mal no fato de usarmos esse veículo nos indispensáveis descansos de fins de semana ou nas merecidas férias. Esses repousos entremeados nas duras atividades humanas se observam também entre os períodos de manifestação na obra de Deus. Contudo, não é necessário que o carro seja o mais caro e sofisticado de todo o mercado. Isso não afeta a eficiência e segurança do manejo. É natural que uma família grande tenha um carro grande. Entretanto, se um indivíduo compra um grande e deslumbrante veículo no intento óbvio de ostentar poder social, concluímos que esteja fazendo desnecessariamente um uso egoísta de sua posse.
Se uma pessoa parece adquirir riquezas sem grandes esforços, é lógico supor que tenha acumulado méritos mediante suas atividades em vidas anteriores. No entanto, isso não lhe impede de fazer um reto uso de suas facilidades presentes para que não caia sob a Lei do destino maduro. Contrariamente, há muitas pessoas obrigadas a viver entre dificuldades e pobreza em razão do mau uso de suas posses em vidas pregressas. Mas, se fizerem agora o melhor uso possível do pouco que têm, seguramente as suas futuras condições serão facilitadas. É a nossa atitude que determina se o uso de nossos “talentos” está sendo espiritualmente oportuno ou não. O milionário que investe a maior parte de seu capital com o objetivo de aumentá-lo, mas apenas no intento de viver ostentosamente, evidencia um temperamento egoísta, indiferente à necessidade dos demais. Neste ponto surge a pergunta: “Devemos ajudar os necessitados que precisam de duras experiências para aprender o justo uso das coisas?”. Respondemos: — sim, devemos ajudá-los de forma inteligente e pedagógica, segundo as normas hoje adotadas pelo Serviço Social. O abastado que muito contribui às causas filantrópicas e presta serviço desinteressado à vida pública ou política, reservando ao mesmo tempo recursos suficientes para suas justas necessidades, demonstra interesse humanitário e está empregando bem os recursos que Deus lhe ofereceu. Entretanto, caso use apenas o mínimo, uma parcela proporcionalmente pequena em tais objetivos, mostra que ainda carece de completo altruísmo.
É o caso de pensarmos: se esse rico, que dá o mínimo, fosse reduzido à condição de um pobre, com o salário comum, — qual seria o grau de sua generosidade? Que faria ele em benefício da coletividade da qual faz parte? É fato interessante o que se nota em muitas sociedades religiosas, onde o dízimo se tornou obrigatório: as pessoas dão com boa vontade, ainda que ganhem pouco E SUA VIDA MELHORA CADA VEZ MAIS. Ao passo que outros, mentindo sobre o que ganham, veem a sua vida cada vez mais reduzida, como na atitude de Ananias e Safira, narrada em Atos, 5: 1 — 10: “Não se enganem: Deus não Se deixa escarnecer; tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7).
Feliz de quem, ainda que possuindo pouco dos bens do mundo, usa tudo o que possua de forma justa. Esse alarga a sua vida em Deus e se credencia à administração de bens cada vez maiores, porque Deus precisa de muitos canais para a edificação do mundo. O “óbolo da viúva” (Lc 21:1-4), colocado na arca de oferendas, representa bastante mais o amor de Cristo do que a grande contribuição do rico que separa cuidadosamente o dízimo de seus ganhos, porém não se priva de coisa alguma do que se refere às comodidades humanas.
É mister vigiar e nos esforçar para, com o tempo, cultivar o desapego às posses terrenas. Não confundamos as coisas: é justo criar e possuir, isso revela capacidade; mas administremos de tal modo os bens como se trabalhássemos para Deus e a Ele tudo pertencesse. Por que temer a perda do que possuímos? Se temos capacidade de subir, ninguém nos poderá tirar essa faculdade de triunfar em qualquer época. Essa é a marca dos grandes indivíduos.
Quando Cristo-Jesus mandou seus Apóstolos ao mundo para predicar os evangelhos e curar os enfermos, ordenou-lhes: “Não possuais ouro, nem prata nem cobre, em vossos cintos; nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o trabalhador de seu salário” (Mt 10:9-10). Que significa isso? Quer dizer: se estamos fazendo o trabalho de Deus no mundo (e todos devemos fazê-lo, quaisquer que sejam nossas funções na vida), Ele nos proverá seguramente do que necessitamos. Não precisamos nos preocupar com a roupa, o alimento ou a conta bancária. Sem dúvida, a rigorosa observância dessas regras não é para uma pessoa comum, mas para os mais espiritualmente avançados. Se estamos na sociedade, com uma família para manter e orientar, devemos ater-nos aos deveres mais próximos, pois “a caridade começa em casa”. Entretanto, isso não impede os esforços a que nos referimos anteriormente.
Os Guias Espirituais da humanidade, sábios como são, não desejam que a maioria de nós se despoje de tudo, restringindo-se à roupa do corpo. Nem desejam que obriguemos nossas famílias a agirem dessa maneira. Eles apenas nos pedem bom senso na aquisição e uso dos bens. Nesta época materialista que o Mundo Ocidental atravessa, é comum nos acostumarmos a ter muito mais do que o necessário. A abundância chegou a ser habitual. A noção de valores vem sendo deformada na batalha constante pela concorrência exagerada para obter este ou aquele bem, altamente recomendado, sem o qual pensamos não poder viver. Vemos como é difícil cerrar nosso subconsciente ao contínuo bombardeio de anúncios sobre inúmeros artigos “indispensáveis”. O marketing procura aprimorar essa técnica de condicionamento. Somos levados a acreditar que devamos obter determinadas coisas “essenciais” cujas prestações nos preocupam e escravizam por muito tempo. As crianças já estão fartas de brinquedos produzidos em massa. Tudo está pronto. Não precisam fazer coisa alguma. Suas imaginações ficam adormecidas e se cristalizam. Que espécie de adultos serão? O status é uma imposição brutal a explorar a vaidade e o egoísmo humanos: o primeiro objetivo dos bem situados e agora também das outras classes (por força dos anúncios) é não ficar atrás de seus vizinhos, parentes e amigos…
Da perspectiva espiritual, é muito justo aproveitarmos as conquistas técnicas para economizarmos tempo e trabalho, se a intenção for boa. Os utensílios domésticos, por exemplo, facilitam o trabalho da dona de casa e lhe poupam tempo e energia para que ela os use na melhor orientação de seus filhos e na própria casa, quando eles estão no colégio. Contudo, se, como infelizmente é comum, esse tempo e energia são empregados para ver telenovelas ou “matar o tempo” em atividades inúteis, podemos assegurar que a pessoa esteja se prejudicando e fazendo uso egoísta desses talentos divinos. Como diz a biologia: “a função faz o órgão”. O que não se exercita, atrofia-se. A natureza não conserva algo inútil. Os efeitos far-se-ão sentir.
Igualmente, é justo usarmos recursos para criar em nosso lar uma atmosfera de beleza e tranquilidade. O bom gosto comedido, a boa música, um lugar de paz e de quietude são altamente indicados para o crescimento espiritual. É um oásis em que nos refazemos dos desgastes do ruído, da pressa, da mediocridade comum nos ambientes de trabalho. Porém não há necessidade de buscarmos o mais requintado toca-discos embutido num móvel colonial. No lar, os objetos extravagantes não podem substituir o amor. Se a harmonia e o amor existem, os móveis simples, de bom gosto e decoro, são suficientes para criar um ambiente alegre e decente para a família e os visitantes. Pode-se até compreender e tolerar uma ligeira e ocasional extravagância, quando as pessoas sejam sinceras e responsáveis no uso das coisas. É justo que a mãe dedicada e conscienciosa tenha um novo vestido, mesmo que não o necessite. Também é compreensível que o pai de família esforçado e justo se dê, vez por outra, à compra de uma extravagância de sua predileção. Errado é malgastar grandes somas em luxos exagerados. É bom que nos examinemos cuidadosamente, analisando as razões desses excessos. Se agimos assim porque o marido ou a esposa também o faz, porque não pensamos em outra forma, uma de aplicação altruísta? Muitas vezes o equilíbrio do lar depende de nós.
Como Aspirantes à espiritualidade, temos uma responsabilidade pessoal de compreender muito bem tudo isso e, convictamente, incutir em nossos filhos uma correta atitude sobre o uso das posses. Muitos jovens atuais cresceram em meio ao luxo e plena satisfação de todos os impulsos. Não compreendem que precisem trabalhar para ter o que desejam. Não foram educados para cooperar e produzir. Compreendem mal o que seja usar as posses de modo responsável e altruísta.
Para aqueles que tenham filhos pequenos ainda, recomendamos a prática de os incluírem nos “conselhos de família”, em que se discute os prós e contras, no uso dos recursos, para este ou aquele objetivo. Precisam saber como funciona uma família, como se atende primeiramente às necessidades essenciais e, do que sobra, às secundárias, em ordem justa. Além disso, é bom que aprendam a economizar para atender a uma compra mais vultosa, que aprendam a assistir obras filantrópicas e que delas participem com o que economizam. É bom que sejam assim educados, em vez de, com lágrimas nos olhos, serem obrigados pelos pais a entregarem seus brinquedos a um movimento de caridade.
Em contrapartida, é digno de elogio o que uma elite de jovens (elite no sentido altruísta, espiritual, interno) está fazendo. Vestem-se e vivem de forma simples, buscam as coisas singelas e sadias, pregam contra o excessivo materialismo e, o que é mais expressivo, dão-se a si mesmos em atividades filantrópicas. Muitos desses jovens cresceram na abundância e, renunciando às facilidades, contentam-se com poucas coisas, recusando o acúmulo de bens e realçando os valores da criatividade, da individualidade sadia e da espiritualidade como sentido mais alto na vida. Ajudam os demais, estudam, fazem artes e se dedicam às práticas espirituais. Não nos referimos aos excessos ou extremos. A imprensa e o convencionalismo ressaltam bastante tais excessos, que vêm da parte dos que desejam fazer-se notar e nada renovam. Não. Referimo-nos à elite jovem que ninguém pode negar. Eles sabem ser simples sem ser sujos; sabem usar os recursos técnicos sem a eles se escravizarem; não veem mérito em voltar à vida e aos recursos primitivos, mas usufruem a vida moderna de modo racional. Eles são filhos da Nova Era de Aquário: almas avançadas. Estão demonstrando a nova opinião sobre o uso das posses e realçando os valores espirituais sobre os materiais. Essa tendência era prevista e aumentará à medida que a humanidade se desapegar das “coisas”. A própria insatisfação que nasce do materialismo contribuirá para isso.
Aquele que deseja sinceramente fazer melhor uso de suas posses, a partir de um ponto de vista espiritual, compreenderá a necessidade de seguir os impulsos de sua consciência e intuição. Convém-nos atentar mais cuidadosamente para essa “pequenina voz” em nosso íntimo a fim de lhe seguir os preceitos nas circunstâncias pessoais.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1973)
Filosofia Rosacruz pelo Método Socrático
Pergunta: Como podemos definir a doutrina do renascimento?
Resposta: Essa doutrina postula um lento processo de desenvolvimento, levado a efeito com persistência por meio de sucessivos renascimentos em formas, ou corpos, de crescente eficiência, através dos quais, no devido tempo, todos serão levados aos mais altos esplendores espirituais, presentemente inconcebíveis para nós.
Pergunta: Essa teoria é razoável?
Resposta: Nada há de irrazoável e de difícil em aceitá-la. Observando o nosso redor, vemos na Natureza esse esforço lento e persistente induzindo perfeição. Não vemos um único processo súbito de criação ou destruição. Mas vemos a “evolução”.
Pergunta: O que é a evolução?
Resposta: A evolução é a “história do progresso do espírito no tempo”. Em toda parte, ao observarmos a variedade de fenômenos no Universo, verificamos que o caminho da evolução seja uma espiral. Cada lance da espiral é um ciclo.
Pergunta: Como se realiza, assim, a evolução?
Resposta: Cada ciclo incorpora-se ao seguinte. Como as curvas da espiral são contínuas, todo ciclo é o produto melhorado do antecedente e o criador daqueles estados mais desenvolvidos que o sucederão.
Pergunta: A Natureza nunca segue uma linha reta?
Resposta: O progresso natural nunca segue uma linha reta nem um caminho circular, porque isso implicaria uma roda sem fim constituída de experiências iguais e caracterizada pelo uso de apenas duas dimensões espaciais.
Pergunta: Qual a relação entre o Universo tridimensional e a evolução?
Resposta: Todas as coisas movem-se em ciclos progressivos a fim de aproveitar todas as oportunidades oferecidas para progredir dentro deste campo tridimensional. Por isso, é necessário que a vida em evolução siga o caminho tridimensional, a espiral, que se dirige para frente e para cima.
Pergunta: Pode esse fato ser observado na Natureza?
Resposta: Se observarmos a pequenina planta em nosso jardim, as sequoias da Califórnia e examinarmos uma delas com seus nove metros de diâmetro, sempre veremos a mesma coisa: cada galho, raminho ou folha cresce obedecendo a uma forma espiralada, seja simples, dupla ou ainda em pares opostos. Cada uma equilibra a outra em idêntica forma. O fluxo e refluxo da maré, o dia e a noite, a vida e a morte e outras atividades alternantes da Natureza constituem mais exemplos.
Pergunta: São essas atividades alternantes um fator de Evolução?
Resposta: Sim. Na primavera a Terra livra-se do seu lençol branco, emergindo do período de repouso — o sono invernal. O tempo passa. O trigo e as uvas amadurecem e são colhidos. Porém, novamente o verão dilui-se na inatividade silenciosa do inverno. De novo a coberta de neve envolve a Terra. No entanto, seu sono não é permanente. Ela despertará mais uma vez ao som da música de uma nova primavera a qual vai assinalar um pequeno progresso ao longo do caminho do tempo.
Pergunta: Como esse processo se aplica ao Sol?
Resposta: O Sol ascende na manhã de cada dia, porém em cada manhã ele está mais distante ao longo de sua jornada anual. Por toda parte a espiral — para frente, para cima, para sempre!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1973)
Pergunta: Sou um Maçom, e gostaria de saber o que determina a época da Páscoa a cada ano. E qual é a relação entre a ressurreição de Cristo na Páscoa e a ressurreição de Hiram Abiff no ritual Maçônico?
Resposta: Segundo a lenda maçônica, no princípio Jeová criou Eva, e o Espírito Lucífero, Samael, uniu-se a ela, e dessa união nasceu Caim. Mais tarde, Samael deixou Eva, que se tornou virtualmente uma viúva. Caim era assim o filho de uma viúva, e dele descenderam todos os artífices do mundo, incluindo Hiram Abiff, o grande mestre-artesão do Templo de Salomão, que é, por essa razão, também chamado de “filho de uma viúva”, da mesma forma que o são todos os Franco-Maçons até hoje. Depois de Samael ter abandonado Eva, Jeová criou Adão, o qual se uniu a Eva, gerando assim Abel.
Portanto, Caim era semidivino, inspirado pelo seu próprio gênio criador inerente, que se manifesta através de seus filhos, até hoje, na política e em todas as invenções industriais que fazem o mundo civilizado, enquanto Abel foi o filho de dois seres humanos. Ele não sabia criar, mas apenas cuidava docilmente do rebanho já criado para ele pelo autor de seu ser, Jeová.
Jeová menosprezou o sacrifício de Caim, que havia feito crescer duas folhas de grama onde antes só havia uma. Ele preferia um autômato dócil como Abel, que obedecia implicitamente a Suas ordens, sendo indiferente ao pensador original como era Caim. Criou-se assim uma inimizade entre Caim e Abel, que resultou no assassinato desse último. Seth nasceu em seguida, e dele descendem todos os que seguem cegamente os ditames do seu criador, e que são conhecidos como a classe sacerdotal e seus seguidores. Entre eles estava o Rei Salomão.
Jeová mostrou-lhe o projeto de seu Templo, mas Salomão revelou-se incapaz de executá-lo, portanto, foi forçado a contratar Hiram Abiff, um hábil artífice, um filho de Caim, por conseguinte, o filho de uma viúva.
Maçons místicos de um grau elevado reconhecem que, do ponto de vista cósmico, Hiram Abiff é simbolizado pelo Sol. Enquanto o Sol (Hiram) encontra-se nos Signos setentrionais de Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem, ele está entre amigos e seguidores fiéis, mas, quando no decorrer do ano, ele entra nos Signos meridionais de Libra, Escorpião e Sagitário, ele é atacado pelos três conspiradores tal como registra a lenda maçônica, e finalmente morto no Solstício de Dezembro para ressurgir novamente à medida que ascende em direção ao Equador, que ele cruza no Equinócio de Março. A lenda maçônica relata que a Rainha de Sabá viajou, vindo de muito longe, para ver o sábio Salomão de quem ela ouvira falar tanto. Foi-lhe mostrado, também, o magnífico templo, e ela quis conhecer o hábil artífice, o mestre-artesão e seus operários que haviam realizado tal maravilha.
Contudo, sempre houve inimizade entre os filhos de Caim e os filhos de Seth. Mesmo quando cooperavam juntos, jamais confiavam uns nos outros, e Salomão temia que a sua bela noiva se apaixonasse por Hiram Abiff. Por essa razão, ele mesmo empenhou-se em convocar os operários, mas nenhum deles respondeu à chamada. Eles “conheciam a voz do seu pastor”, Hiram Abiff (o Sol em Áries, o Signo do Cordeiro). Eles foram treinados a obedecer ao seu chamado e não atenderiam a nenhuma outra voz. Salomão viu-se finalmente forçado a mandar buscar Hiram Abiff e pediu-lhe para chamar seus artesãos, e quando ele ergueu o seu martelo (Áries, que é o Signo da autoridade e da Exaltação), eles acorreram em massa, cada qual mais ansioso em cumprir as suas ordens.
Em março, o Sol (Hiram) entra em Áries, o Signo de sua Exaltação. Esse Signo tem a forma do martelo que Hiram ergueu, e todos os trabalhadores do templo (o universo) acorrem para cumprir suas ordens e realizar o seu trabalho quando ele ascende ao trono de sua dignidade e autoridade nos céus setentrionais. Ele é seu pastor porque no Equinócio de Março ele entra em Áries, o Signo do carneiro ou cordeiro. Eles obedecem-no e essas forças da natureza não aceitam ordens de ninguém a não ser do Sol em Áries, o Sol Oriental.
Essa é a interpretação cósmica, mas, de acordo com a Lei de Analogia, Hiram, o filho de Caim, deve também ser elevado a um grau superior de Iniciação. Somente o Espírito Solar, prestes a elevar-se ao firmamento, poderia realizar esse feito. Por isso, Hiram renasceu como Lázaro e foi elevado pela enérgica pata do Leão. Ele havia liderado os artífices durante o regime de Jeová e de Seu pupilo Salomão. Através dessa Iniciação, ele foi elevado com a finalidade de tornar-se um líder no Reino de Cristo, para que ele ajudasse as mesmas pessoas a penetrar numa fase mais elevada de sua evolução. Ele tornou-se, então, um Cristão encarregado de explicar os mistérios da Cruz e, como um símbolo desse mistério, a Rosa foi acrescentada, e essa missão foi incorporada em seu nome simbólico, Christian Rosenkreuz.
A rosa é considerada, em geral, o emblema do mistério, mas a maioria das pessoas não sabe que o acréscimo da rosa à cruz foi a origem desse significado simbólico.
A rosa é o emblema do mistério da cruz porque explica o caminho da castidade, a transmutação do sangue passional em amor. Portanto, Lázaro tornou-se Cristão Rosa Cruz (Christian Rose Cross), e os Rosacruzes são os mensageiros especiais de Cristo para os filhos de Caim, como Jesus o é para os filhos de Abel.
Os fariseus sabiam muito a respeito da origem oculta dessas duas classes da humanidade, portanto, o milagre de Lázaro foi para eles o maior crime de Cristo. Eles ficaram seriamente alarmados pela perspectiva de que sua religião nacional pudesse ser suplantada por outra se quaisquer outros milagres fossem realizados, pois perceberam que era uma Iniciação de uma natureza mais elevada daquela que conheciam, e que indicava a entrada em um ciclo superior. Antes de Cristo, todas as religiões foram raciais, adequadas ao povo a quem tinham sido dadas e convenientes apenas para esse povo. Todas essas religiões foram religiões de Jeová. Da mesma forma que o Pai foi o mais alto Iniciado do Período de Saturno, também Cristo, o filho, foi o mais alto Iniciado do Período Solar, e Jeová, o Espírito Santo, foi o mais alto Iniciado do Período Lunar. De Jeová provieram todas as religiões de raça, que procuravam preparar o gênero humano no caminho da evolução por meio da lei. Essas religiões de raça devem ser suplantadas pela religião universal do Espírito Solar, Cristo, que unirá todos os seres humanos numa única fraternidade. A mudança de uma religião para outra e o fato de que a religião do Deus Lunar Jeová devia preceder a religião do Espírito Solar, Cristo, é simbolizada pela maneira em que a Páscoa é determinada.
A regra atualmente em uso para determinar a época da Páscoa é que ela se realize no primeiro Domingo seguinte à Lua Cheia Pascal. Essa era a época original adotada pelos primeiros Cristãos que tinham conhecimento e consideração de seu significado oculto, mas logo pessoas ignorantes começaram a ter cismas e fixaram-na em épocas diferentes. Isso ocasionou bastante controvérsia. No segundo século surgiu uma disputa a respeito desse ponto entre as Igrejas Oriental e Ocidental. Os Cristãos Orientais celebravam a Páscoa no décimo quarto dia do primeiro mês Judeu ou Lunar, considerando-a equivalente à Páscoa Judaica. Os Cristãos Ocidentais celebraram-na no Domingo seguinte ao décimo quarto dia, sustentando que era a comemoração da ressurreição de Jesus. O Concílio de Niceia, em 325 D.C., decidiu a favor do costume ocidental, condenando a prática oriental como heresia.
Isso, contudo, somente estabeleceu que a Páscoa deveria ser comemorada não em um dia determinado do mês ou da Lua, mas num Domingo. O ciclo astronômico correto para calcular a ocorrência da Lua Oriental não havia sido ainda determinado, mas eles finalmente concordaram com o antigo método de fixar a festa baseada na Lua, assim, o costume original antigo foi finalmente restabelecido.
Deste modo, a Páscoa é hoje comemorada no mesmo dia requerido pela tradição oculta para simbolizar apropriadamente o significado cósmico desse acontecimento e, sob esse aspecto, tanto o Sol como a Lua são fatores necessários, já que a Páscoa não é exclusivamente uma festa solar. O Sol não só deve ultrapassar o Equador, como o faz a 21 de março, mas deve também ultrapassar a Lua Cheia após o Equinócio de Março (Hemisfério Norte). Então, o domingo seguinte é a Páscoa, o diz da Ressurreição. A luz do Sol primaveril deve ser refletida por uma Lua Cheia antes que amanheça o dia na Terra, e há, como já foi dito, um significado profundo atrás desse método de determinar a Páscoa, isto é, que a humanidade não estava suficientemente evoluída para seguir a religião do Sol, a religião Cristã da fraternidade universal, até que estivesse inteiramente preparada por meio das religiões da Lua que segregaram e separaram a humanidade em grupos, nações e raças. Isso é simbolizado pelo retardamento da elevação anual do Espírito Solar por ocasião da Páscoa, até que a Lua Jeovística tenha projetado de volta e refletido plenamente a luz do Sol Pascal.
Todos os fundadores de religiões raciais, Hermes, Buda, Moisés, etc., foram iniciados nos mistérios Jeovísticos. Eles eram filhos de Seth. Quando de sua Iniciação, eles ficaram imbuídos pelo seu Espírito de Raça particular, e esse Espírito, falando através da boca de tal iniciado, ditava as leis ao seu povo, como, por exemplo, o Decálogo de Moisés, as leis de Manu, as nobres verdades de Buda, etc. Essas leis declaravam a existência do pecado, porque os povos não observavam as leis nesse estágio da evolução. Em consequência, eles incorreram numa certa dívida de destino. O Iniciado humano, fundador da religião, devia assumir esse destino, portanto, devia renascer repetidas vezes a fim de ajudar seu povo.
Assim, Buda nasceu como Shankaracharya e teve vários outros renascimentos. Moisés renasceu como Elias e João, o Batista, mas Cristo não teve necessidade de nascer antes.
Ele o fez de sua própria e livre vontade para ajudar a humanidade, revogar a lei portadora do pecado, e emancipar a humanidade da lei do pecado e da morte.
As Religiões de Raça do Deus lunar, Jeová, transmitiram a vontade de Deus à humanidade de uma forma indireta, através de videntes e profetas que eram apenas instrumentos imperfeitos, como os raios lunares que simplesmente refletem a luz do Sol.
A missão dessas religiões consistia em preparar a humanidade para a religião universal do Espírito Solar, Cristo, que se manifestou entre nós sem intermediários, como a luz que nos chega direto do Sol, e “nós contemplamos a Sua glória como o único gerado do Pai”, quando Ele pregou o evangelho do Amor. A Religião Cristã não dita leis, mas prega o amor como sendo o cumprimento da lei. Portanto, nenhuma dívida de destino é gerada sob ela, e Cristo, que não teve necessidade de nascer antes, não renascerá sob a Lei de Consequência como tiveram que fazê-lo os fundadores das religiões raciais lunares, que devem, de tempos em tempos, carregar o fardo dos pecados de seus seguidores. Quando Ele aparecer, será em um corpo composto de dois Éteres superiores: o Luminoso e o Refletor, o Dourado Manto Nupcial chamado soma psuchicon ou Corpo-Alma por São Paulo, que é muito enfático em sua asserção de que “a carne e o sangue não poderão herdar o Reino de Deus”. Ele afirma que nós mudaremos, tornando-nos iguais a Cristo, e visto não podermos entrar no reino com um corpo carnal, seria absurdo supor que o Rei da Glória use semelhante traje grosseiro e incômodo.
O sacerdócio de onde Jeová retirou Seus representantes, os profetas e os fundadores das religiões e os construtores do templo espiritual, é constituído pelos Filhos de Seth. Os Filhos de Caim sentem ainda em seu íntimo a natureza divina de seu ancestral. Eles repudiam o método indireto de salvação pela fé pregada pela Igreja, e insistem em encontrar por si mesmos a luz da sabedoria através dos métodos diretos de trabalho, aperfeiçoando-se nas artes e nos ofícios, construindo o templo da civilização material por meio da indústria e da política de acordo com o plano de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, sendo Cristo “a Pedra Angular Principal” e cada Maçom místico uma “pedra viva”.
No entanto, no seu devido tempo, essas duas grandes correntes, os Filhos de Seth e os filhos de Caim, unir-se-ão a fim de atingir os portais do Reino de Cristo. Antes de Sua época não havia um meio para que tal amalgamação ocorresse; mas quando Cristo, o grande Espírito Solar, chegou, Salomão renasceu como Jesus, em cujos veículos inferiores penetrou o Espírito por ocasião do Batismo; e Hiram Abiff renasceu como Lázaro. Quando Lázaro foi levantado pela enérgica garra do Leão de Judá, Hiram e Salomão, os antigos rivais, esqueceram suas diferenças impelidos pelo Espírito de Cristo, e ambos trabalham atualmente para o estabelecimento do Reino de Cristo.
Foi isso que os Fariseus, de certo modo, perceberam ou presumiram, o que originou seus temores de que esse Jesus iniciasse muitas pessoas subvertendo-as da religião racial a que eles (os Fariseus) pertenciam.
(Pergunta nº 142 do Livro “Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II”, de Max Heindel)
Como o Burro conseguiu suas orelhas e sua voz
Era um domingo, e o claro céu azul sobre o deserto do Arizona tinha começado a adquirir suas costumeiras cores de arco-íris, de fim de tarde, enquanto o Sol se aproximava cada vez mais do horizonte a oeste da Montanha Tucson.
Bernardo Pierre, de cinco anos, que estava convalescendo de uma doença, tinha sido enrolado em um cobertor e levado para o alpendre da casa, onde descansava feliz nos braços de seu pai, admirando cenas que há muito tempo não via — as flores viçosas do jardim, a grama recém cortada, os lindos matizes alternantes do céu e as distantes montanhas do Norte.
De repente, ele disse:
— Papai, você sabe uma história nova?
— Acho que não, Bernardo, respondeu o pai. Penso que já contei todas as histórias que sei.
Naquele instante, a mula de Bernardo, Saltitante, começou a bradar no curral, atrás da casa. O som alto e peculiar, na noite silenciosa, assustou o Senhor Pierre. Então, ele riu baixinho e disse:
— Lá está o seu rouxinol do Arizona reclamando a comida, Bernardo.
— Ah, papai, isso não é um rouxinol. O rouxinol é um pássaro. Isso é a minha mulinha bramindo. Por que você a chamou de rouxinol do Arizona?
— Os vaqueiros lá das pastagens chamam os burros assim, para fazer piada sobre suas vozes desafinadas. Os rouxinóis cantam noite e dia; os burros também bradam noite e dia. Mas, que eu saiba, nós não temos rouxinóis no Arizona, mas temos muitos burros. Por isso, os vaqueiros acham engraçado chamá-los de nossos rouxinóis, porque a voz dos burros é horrível comparada ao doce canto dos rouxinóis. De qualquer forma, isto me faz lembrar uma história há muito tempo esquecida. Meu avô costumava contá-la para mim, quando eu tinha a sua idade.
— É uma história verdadeira, pai?
— Não, filho. É uma história que chama nossa atenção para o fato de que até as mães dos animais protegem e ensinam seus filhotes, a fim de que eles possam saber como cuidar de si próprios quando estiverem crescidos e saindo para o mundo. Mostra-nos também como devemos desenvolver nossos órgãos, para que eles possam ser mais úteis, como a voz, por exemplo, para que possamos expressar nossos sentimentos e pensamentos com maior clareza. Meu avô dizia que o nome da história era: “Como o Burro Conseguiu Suas Orelhas e Sua Voz”.
Bernardo sorriu, aconchegou-se nos braços do pai e pediu:
— Parece engraçado, papai. Por favor, conte para mim.
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Essa história aconteceu há muito tempo, e é sobre a mamãe mula e seu filho Coiote. O nome da mãe era Senhora Genny. Ela pertencia a um mineiro que, numa linda manhã de primavera pôs uma sela de carga em seu lombo, e carregou-a com picaretas, pás, feijão, farinha e outros suprimentos e conduziu-a até sua mina, nas Montanhas da Catalina, lá no Norte. E ali, o mineiro esperava manter a Senhora Genny trabalhando para ele, o tempo todo, durante o verão.
Contudo, ela tinha outros planos para si mesma. Não gostava de trabalhar e tinha planejado longas férias na sombra fresca das árvores da montanha, onde a grama era farta e macia e o rio descia da montanha, frio e refrescante, até o deserto em baixo.
Uma noite, quando seu dono pensou que a Senhora Genny tinha começado a gostar tanto de sua nova casa que ficaria contente em ficar lá sem objeções, não a amarrou e nem lhe colocou o sino, como costumava fazer. A Senhora Genny tinha esperado muito tempo por essa liberdade e, antes do amanhecer, estava na floresta há quilômetros de distância, onde tinha certeza de que nunca seria descoberta. Lá, ela fez uma morada para si numa velha e abandonada cabana de mineiros, onde seu filho Coiote nasceu.
Tudo correu bem com o filhote e sua mãe, até Coiote completar quatro meses. Aí, a Senhora Genny começou a ficar preocupada com o fato de Coiote ser muito novinho para enfrentar o rigoroso frio do inverno.
Então, começou a ensiná-lo como se cuidar sozinho, para que ele pudesse descer a montanha até a casa de seus parentes, no deserto, onde ela decidiu que ele passaria o inverno. Levou-o até lugares onde a grama era mais macia, pois seus dentes ainda estavam crescendo, e onde havia riachos de água mais limpa e fresca para ele beber.
Entre outras coisas, a Senhora Genny ensinou Coiote a importância de escutar, para ter a capacidade de detectar sons que o advertissem em caso de algum perigo. A movimentação contínua de aguçar e virar suas orelhas para cá e para lá para ouvir sons de advertência, fizeram com que as orelhas de Coiote crescessem mais longas do que o normal nos burros. A Senhora Genny não ligou para isso. Ela achou melhor para ele ter orelhas longas, mesmo que não fossem bonitas, do que curtas e belas que não pudessem captar sons à distância, como Coiote era capaz de fazer agora.
Numa fria manhã, quando a Senhora Genny viu Coiote tremendo e se aconchegando ao seu lado, decidiu que já era hora dele ir para um lugar que fosse mais quente.
Então, recomendou, no seu jeito silencioso de falar:
— Coiote, está mais agradável e mais quente lá no deserto onde mora sua avó. Decidi que você deve ir e fazer-lhe uma longa e agradável visita.
— Será ótimo, mamãe, disse Coiote, em palavras que ainda não aprendera como fazê-las audíveis. Teremos dias muito bons lá embaixo no calor gostoso do Sol, não é?
— Mas eu não posso ir com você, disse sua mãe. Meu dono estará em casa esperando por mim. Depois deste longo período de liberdade, a ideia de voltar para uma vida de trabalho duro não me agrada.
— Mas eu não quero ir sozinho, resmungou Coiote.
— Sei que será uma longa e difícil viagem para você, querido, concordou a Senhora Genny, mas você já está grandinho e eu tenho certeza de que, com tudo o que aprendeu de mim, você conseguirá chegar lá com grande orgulho para mim e para você também.
— Tenho de ir imediatamente? – Suplicou Coiote.
— Seria melhor, querido. Mas nós nos divertiremos e não nos preocuparemos com isso hoje. Amanhã tomaremos uma bela refeição ao amanhecer e, quando o Sol quentinho tiver empurrado um pouco o frio do ar, tenho certeza de que achará uma boa ideia ir embora daqui. As noites serão cada vez mais quentes, à medida que você for descendo a montanha. E, quando você passar por onde o Senhor João, o eremita, mora, estará bem seguro.
Coiote estremeceu e disse:
— Se o Senhor João me pegar, vai me comer?
— Não, a menos que ele esteja com muita, muita fome, respondeu sua mãe. Mas, você deve prestar atenção para que nenhum animal selvagem o pegue no caminho. Você seria um alimento gostoso e macio para eles agora, mas quando estiver com um ano, você será tão valente e robusto que nenhum animal tentará comê-lo.
— Acho que seria melhor eu esperar até ter um ano, afirmou Coiote apavorado.
— Oh, não! Você estaria morto e congelado antes da primavera, porque o inverno daqui é terrivelmente frio. Você deve prestar atenção, como eu o ensinei, a cada passo do caminho e, se escutar algum som perturbador, deve agachar-se no chão, esconder a cabeça, a cauda e os cascos debaixo da barriga, ficar bem quietinho, e com o pelo cinzento que tem, você pode ser confundido com uma pedra.
Na manhã seguinte, logo depois do nascer do Sol, a Senhora Genny acordou Coiote, deu-lhe uma boa refeição da manhã, levou-o até um atalho bem marcado na encosta da montanha, esfregou seu nariz no dele e apressou-se em voltar, emocionada.
Coiote viajou e viajou durante o dia todo e, quando a noite veio, deitou-se perto de uma árvore onde ficou tremendo de medo de que algum animal selvagem descobrisse que ele não era uma pedra, apesar de fazer como a mamãe mandou, tentando imitar uma.
Por volta do entardecer do dia seguinte, ele estava próximo da casa do Senhor João, que ficava perto do atalho, numa estreita clareira da montanha, exatamente como sua mãe tinha dito, e Coiote pode ver claramente um homem perto da casa. Usava um velho chapéu de palha e tinha uma longa barba grisalha. Naquele momento estava curvado, serrando madeira.
Coiote sentiu seu coração quase parar de bater de medo quando viu o velho, porque a Senhora Genny havia dito que o Senhor João seria, com certeza, seu dono e o faria trabalhar duro se ele não conseguisse passar por sua casa sem ser capturado.
Tentando dominar o medo. Coiote pensou: “Talvez, se eu me deitar e descansar um pouco, dará tempo de o Senhor João acabar de serrar e entrar em casa. Então, poderei facilmente escapar sem ser visto”.
Mas Coiote estava cansado, o dia estava quente e, assim que se acomodou, ele adormeceu profundamente.
Já havia dormido por algum tempo quando o senhor João, andando de mansinho com seus pés calçados em um mocassim, descobriu-o.
— Ha, ha!, exclamou satisfeito. Aqui está um belo burro de carga para o trabalho do ano que vem! Levante-se e venha para casa comigo!
Acordado de surpresa, Coiote não conseguia abrir os olhos para ver que aquela voz estrondosa era a do Senhor João.
— Farei você levantar, disse ele, aproximando-se da cabeça de Coiote e em seguida, agarrou suas orelhas e puxou-as com força, até que elas se esticaram mais de quinze centímetros em sua direção. Ele ficou tão surpreso com o que viu, que largou as orelhas, perplexo.
Imediatamente Coiote ficou em pé e desceu correndo a montanha, o mais rápido que suas pernas conseguiram. Quando já tinha alcançado o que considerou uma distância razoável para se achar seguro, deu uma olhada para trás e viu o Senhor João parado no mesmo lugar. Seu velho chapéu de palha estava caído para um lado e ele parecia tão espantado por ver as enormes orelhas daquele animal tão pequeno, que ainda não tinha conseguido mover-se.
Coiote estava tão contente agora por estar salvo, longe do Senhor João que seu coração não pôde suportar toda a emoção. Ele abriu bem a boca para deixar escapar um pouco de sua alegria. E, para sua surpresa, um “He-he-hee-e!” – saiu de sua garganta.
Alarmado com aquele som, Coiote respirou fundo e um “Haw-aw-aw!”, veio de onde o “Hee-heee” tinha vindo.
Por um momento, Coiote ficou assustado demais para poder se mexer. E, ao continuar descendo a montanha para se afastar ainda mais do Senhor João, decidiu:
— Não há motivo para ficar alarmado. Esses sons estavam dentro de mim! A força que os produz deve estar dentro de todos os da minha espécie. Agora, cabe a mim aperfeiçoá-los para que, quando eu chegar à casa de minha avó, possa ensinar-lhe e a toda a família como fazer isso. Assim, nós seremos capazes de comunicarmo-nos uns com os outros, sem importar qual a distância que nos separa.
Durante o resto do caminho para descer a montanha, Coiote foi praticando várias vezes a sua nova descoberta, até chegar ao curral onde sua avó e alguns dos seus parentes estavam; pareceu-lhe a coisa mais fácil do mundo expressar sua alegria ao vê-los. Ele o fez com um “Hee-ha! ”.
A vovó mula trotou rapidamente para esfregar seu focinho no dele.
— Coiote, querido, estou tão feliz em vê-lo! – Expressou sem emitir sons – Mas suas orelhas! Sua voz! Uma coisa maravilhosa aconteceu com um burro! Você deve ter feito algo maravilhoso para merecer ganhar coisas tão espantosas!
— Não fiz nada de maravilhoso, Vovó – respondeu Coiote – Só deixei sair o que havia dentro de mim. E não há nada de extraordinário sobre essas coisas, vovó. Pois o que existe em mim, existe em todos nós. Só precisa ser trazido para fora. Você já ouviu dizer que “o que não usamos, perdemos”?
— Muitas vezes, querido!
— Bem, eu decidi que há outro ditado, tão verdadeiro quanto esse: “o que nós não desenvolvermos dentro de nós mesmos, nunca poderemos usar!”, então, amanhã, depois que eu descansar, vou contar para todos que queiram saber, como eu consegui minhas longas orelhas e minha voz!
Coiote cumpriu sua palavra. No dia seguinte, juntou todos os seus parentes ao seu redor e começou a contar como desenvolveu suas orelhas e sua voz. Seus parentes contaram a seus filhos e amigos.
Logo, os burros de todos os lugares estavam seguindo o conselho de Coiote e praticando o autodesenvolvimento. E eles certamente continuam praticando porque, hoje, todos os burros têm voz ruidosa e orelhas compridas.
(Do Livro “Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV” – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)