Resposta: Existe apenas um Zodíaco: as doze constelações que chamamos de Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. Trata-se de estrelas situadas em uma faixa estreita, a cerca de oito graus de cada lado da Eclíptica — ou seja, a trajetória do Sol vista da Terra. Os doze filhos e a única filha de Jacó são associados a essas doze constelações, pois Josefo relata que os israelitas, durante sua peregrinação pelo deserto, traziam emblemas desses doze grupos de estrelas em seus estandartes. Nos capítulos 49 do Livro do Gênesis[1] e 33 do Livro do Deuteronômio[2], Jacó profere bênçãos sobre seus doze filhos de tal maneira que é impossível, para quem conhece astronomia, não perceber uma semelhança entre a descrição desses filhos e os doze Signos do Zodíaco.
Além disso, se observarmos a forma como o acampamento dos israelitas era montado — com as doze tribos agrupadas ao redor do Tabernáculo[3], onde se encontrava o Candelabro de Sete Braços[4] —, vemos novamente uma referência à disposição astronômica dos doze Signos do Zodíaco em torno dos sete Planetas, que são as luzes do Sistema Solar, a Casa de Deus.
A razão espiritual da analogia entre Jacó, suas esposas, seus filhos e o Cosmos pode ser encontrada no axioma hermético: “assim como é em cima, é embaixo”. Jacó e suas quatro esposas simbolizam o Sol e as quatro fases da Lua, que são os doadores de vida a tudo o que vive na Terra; os doze filhos e a única filha simbolizam as Hierarquias Criadoras, que atuaram na evolução do nosso Sistema Solar e conduziram não apenas a Humanidade, mas também todos os outros Reinos de Vida, ao seu atual estágio de desenvolvimento evolutivo, e que continuam a trabalhar com eles para desenvolvê-los ainda mais, transformando-os em seres espirituais.
Foram elas que criaram o ser humano à sua semelhança. Até hoje, a Humanidade traz a marca das características dos doze Signos celestes. Por isso, os Semitas Originais[5] — destinados a ser os progenitores de uma nova Raça — foram divididos em doze grupos pelo seu líder, sendo que cada grupo representava uma das constelações.
(Pergunta nº 159 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: 1Jacó chamou seus filhos e disse: “Reuni-vos, eu vos anunciarei o que vos acontecerá nos tempos vindouros. 2Reuni-vos, escutai, filhos de Jacó, escutai Israel, vosso pai: 3Rúben, tu és meu primogênito, meu vigor, as primícias de minha virilidade, cúmulo de altivez e cúmulo de força, 4impetuoso como as águas: não serás colmado, porque subiste ao leito de teu pai e profanaste minha cama, contra mim! 5Simeão e Levi são irmãos, levaram a cabo a violência de suas intrigas.6Que minha alma não entre em seu conselho, que meu coração não se una ao seu grupo, porque na sua cólera mataram homens, em seu capricho mutilaram touros. 7Maldita sua cólera por seu rigor, maldito seu furor por sua dureza. Eu os dividirei em Jacó, eu os dispersarei em Israel. 8Judá, teus irmãos te louvarão, tua mão está sobre a cerviz de teus inimigos e os filhos de teu pai se inclinarão diante de ti. 9Judá é um leãozinho: da presa, meu filho, tu subiste; agacha-se, deita-se como um leão, como leoa: quem o despertará? 10O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de chefe de entre seus pés, até que o tributo lhe seja trazido e que lhe obedeçam aos povos. 11Liga à vinha seu jumentinho, à cepa o filhote de sua jumenta, lava sua roupa no vinho, seu manto no sangue das uvas, 12seus olhos estão turvos de vinho, seus dentes brancos de leite. 13Zabulon reside à beira-mar, é marinheiro sobre os navios, tem Sidônia a seu lado. 14Issacar é um jumento robusto, deitado no meio dos cerrados. 15Ele viu que o repouso era bom, que a terra era agradável, baixou seu ombro à carga, e sujeitou-se ao trabalho escravo. 16Dã julga seu povo, como cada tribo de Israel. 17Dã é uma serpente sobre o caminho, uma cerasta sobre a vereda, que morde os talões do cavalo e o cavaleiro cai para trás! 18Em tua salvação eu espero, ó Iahweh! 19Gad, guerrilheiros o guerrilharão e ele guerreia e os fustiga. 20Aser, seu pão é abundante, ele oferece manjares de rei. 21Neftali é uma gazela veloz que tem formosas crias.22José é um rebento fecundo perto da fonte, cujas canas ultrapassam o muro. 23Os arqueiros o exasperaram, atiraram e o aborreceram. 24Mas seu arco foi quebrado por um poderoso, foram rompidos os nervos de seus braços pelas mãos do Poderoso de Jacó, pelo Nome da Pedra de Israel, 25pelo Deus de teu pai, que te socorre, por El Shaddai? que te abençoa: Bênçãos dos céus no alto, bênçãos do abismo deitado embaixo, bênçãos das mamas e do seio, 26bênçãos dos espinhos e das flores, bênçãos das montanhas antigas, atração das colinas eternas, que elas venham sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre seus irmãos! 27Benjamim é um lobo voraz, de manhã devora uma presa, até à tarde reparte o despojo”. 28Todos estes formam as tribos de Israel, em número de doze, e eis o que lhes disse seu pai. Ele os abençoou: a cada um deu uma bênção que lhe convinha. (Gn 49:1-28)
[2] N.T.: — 1Esta é a bênção com que Moisés, homem de Deus, abençoou os filhos de Israel, antes de morrer: 2Iahweh veio do Sinai, alvoreceu para eles de Seir, resplandeceu do monte Farã. Dos grupos de Cades veio a eles, desde o sul até às encostas. 3Tu, que amas os antepassados, todos os santos estão em tua mão. Eles se prostraram aos teus pés e correram sob a tua direção. 4(Moisés prescreveu-nos uma lei.) A assembleia de Jacó entra em sua herança! 5Houve um rei em Jesurun, quando os chefes do povo se reuniram juntamente com as tribos de Israel. 6Que Rúben viva e não morra, e subsista o número pequeno dos seus homens! 7Eis o que ele diz a Judá: Ouve, Iahweh, a voz de Judá e introduze-o em seu povo. Que suas mãos defendam seu direito, e o auxiliarás contra os inimigos. 8A Levi ele diz: Dá a Levi teus Urim e teus Tummim ao homem que amas, que puseste à prova em Massa e querelaste junto às águas de Meriba. 9Ele diz de seu pai e mãe: “Nunca os vi”. Ele não reconhece mais seus irmãos e ignora seus filhos. Sim, eles observaram a tua palavra e mantêm a tua Aliança. 10Eles ensinam tuas normas a Jacó e tua Lei a Israel. Eles oferecem incenso às tuas narinas e holocaustos sobre o teu altar. 11Abençoa a sua força, ó Iahweh, e aprecia a obra de suas mãos. Fere os rins dos seus adversários e dos que o odeiam, para que não se levantem! 12A Benjamim ele diz: O amado de Iahweh repousa tranquilo junto a ele; o Altíssimo o protege todo o dia e habita entre as suas encostas. 13A José ele diz: Sua terra é bendita de Iahweh: dele é o melhor orvalho do céu e do abismo subterrâneo; 14o melhor dos produtos do sol e o melhor do que cresce nas luas; 15as primícias dos montes antigos e o melhor das colinas de outrora; 16o melhor da terra e do seu produto, e o favor do que habita na Sarça. Que a cabeleira abunde sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre os irmãos! 17Ele é seu touro primogênito, a glória lhe pertence. Seus chifres são chifres de búfalo: com eles investe contra os povos até as extremidades da terra. São estas as miríades de Efraim, e estes os milhares de Manassés.18A Zabulon ele diz: Sê feliz em tuas expedições, Zabulon, e tu, Issacar, em tuas tendas! 19Sobre a montanha em que os povos invocam, ali oferecem sacrifícios de justiça, pois exploram as riquezas marinhas e os tesouros escondidos na areia. 20A Gad ele diz: Bendito aquele que dá espaço a Gad! Ele repousa como leoa, após destroçar braço, face e crânio. 21Ele reserva as primícias para si, pois lá coube-lhe a parte do chefe. Ele veio a ser chefe do povo, executando a justiça de Iahweh e suas normas sobre Israel. 22A Dã ele diz: Dã é um filhote de leão que se arroja de Basã. 23A Neftali ele diz: Neftali é saciado de favores e repleto das bênçãos de Iahweh: ele toma posse do mar e do sul. 24A Aser ele diz: Bendito seja Aser entre os filhos, seja o favorito entre os irmãos, e que no óleo banhe o seu pé! 25Sejam de ferro e bronze teus ferrolhos e tua segurança perdurem por teus dias! 26Ninguém é como o Deus de Jesurun: ele cavalga pelo céu em teu auxílio, e pelas nuvens, com a sua majestade! 27O Deus de outrora é o teu refúgio. Cá embaixo, ele é o braço antigo que expulsa o inimigo da tua frente, e diz: “Extermina!”. 28Israel habita em segurança. A fonte de Jacó fica à parte, numa terra de trigo e vinho, sob um céu que destila orvalho.29Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu, povo vencedor? Em Iahweh está o escudo que te socorre e a espada que te leva ao triunfo. Teus inimigos vão querer bajular-te, mas tu pisarás suas costas.
[3] N.T.: Refere-se ao Tabernáculo no Deserto, que foi a primeira igreja erigida por nós sobre a Terra, quando o “caminho de volta para Deus” tinha que ser começado a ser trilhado por nós (fim da Involução e início da Evolução). Estávamos na Época Atlante, por isso ficou conhecido como o Templo de Mistérios Atlante. Sua localização estava relacionada aos pontos cardeais, e foi colocada na direção leste para oeste (o caminho da evolução espiritual). Foi dado para que pudéssemos encontrar Deus quando nos qualificássemos pelo serviço e tivessem subjugado a natureza inferior pelo “Eu superior”. E essa mesma natureza ambulante dele que é uma excelente representação simbólica da nossa natureza migratória: um eterno peregrino, passando sempre do limite do tempo à eternidade – o nosso verdadeiro lar – para voltar novamente (ciclo de nascimentos e mortes). O Tabernáculo no Deserto mostra algo muito além do que a visão alcança. Em outras palavras, sob a aparência material e terrena estava esquematizada uma representação de fatos celestiais e espirituais que continham instruções aos candidatos à Iniciação.
[4] N.T.: O Candelabro de Ouro ou o Candelabro de Sete Braços ou, ainda, o Castiçal de Ouro estava colocado na parte sul do Lugar Santo (Sala Leste ou Sanctum) no Tabernáculo no Deserto, de modo que se encontrava do lado esquerdo de qualquer pessoa que estivesse no meio da sala. Era inteiramente de ouro puro e constituído de uma base vertical, haste central que se elevava, juntamente com seis braços. Esses braços começavam em três pontos diferentes da haste central e arqueavam-se em três semicírculos de diâmetros diferentes, simbolizando os três Períodos de desenvolvimento (Períodos de Saturno, Solar e Lunar) pelos quais o ser humano passou antes do Período Terrestre, que estava, então, a menos da metade. Esse último Período era representado pela sétima luminária do Candelabro. Cada um dos sete braços terminava num candeeiro, e esse candeeiro era suprido com o mais puro azeite de oliva, o qual foi elaborado por um processo especial. Ao sacerdote foi exigido o devido cuidado para que no Candelabro nunca faltasse luz. Todos os dias as lamparinas eram examinadas, limpas e abastecidas com azeite, e assim podiam manter-se acesas perpetuamente.
Assim, quando o sacerdote se posicionava no centro da Sala Leste do Tabernáculo, o Candelabro de sete Braços ficava à sua esquerda em direção ao sul.
Isso simbolizava o fato de que os sete dadores de luz, ou Planetas que trilham a dança do círculo místico ao redor da órbita central, o Sol, deslocam-se na estreita faixa abrangendo oito graus de cada lado do caminho do Sol, que é chamado de Zodíaco. “Deus é luz” e os “Sete Espíritos diante do Trono” são Ministros de Deus; portanto, eles também são mensageiros da luz para a humanidade.
Além disso, como os céus ficam iluminados, quando a Lua em suas fases chega à ‘plenitude’ na parte oriental dos céus, também a Sala Leste do Tabernáculo ficava cheia de LUZ, indicando visivelmente ali a presença de Deus e Seus sete ministros, os Anjos Estelares. Podemos observar, de passagem, a luz do Candelabro de Ouro, que era clara e a sua chama sem odor, e compará-la com a esfumaçada chama no Altar dos Sacrifícios que, em certo momento, gerava escuridão ao invés de dissipá-la.
[5] N.T.: Foi a quinta Raça da Época Atlante do Período Terrestre – Foi uma das Raças mais importante entre as sete desta Época, pois daqui saiu a “semente de Raça” mais apurada para a próxima Época Ária. Foi nela que se deu o início ao uso da Mente como refreadora das paixões. Eles foram os primeiros a descobrirem que o cérebro é superior ao músculo. Mas faziam isso de modo astuto e egoísta, para conseguirem o que desejavam. Os Semitas Originais foram isolados e proibidos de se casarem com outras tribos ou povos, mas, como era um povo teimoso e obstinado que se guiava quase que exclusivamente pelo desejo e pela astúcia, desobedeceu à ordem do Líder Jeová ao casarem-se com membros de outras raças Atlantes e ao transmitir, assim, sangue inferior aos seus descendentes. Em consequência dessa desobediência, foram abandonados e “perdidos”. Assim, os nascidos desses cruzamentos, que agora falam de “tribos perdidas”, foram os progenitores dos judeus dos tempos atuais. E todos aqueles que permaneceram fiéis foi chamado de o “povo eleito”, o escolhido para ser a semente de uma nova Raça, a que devia herdar a “terra prometida”, não a simples e insignificante Palestina, mas sim toda a Terra, tal como é atualmente. Porém, como parte da Terra estava submersa pelas inundações e outras partes deslocadas e modificadas pelas erupções vulcânicas, foi necessário esperar um período de tempo, pois os Semitas Originais estavam criando um novo Campo de Evolução para que essa nova Terra estivesse em condições de abrigar esta nova Raça Ária. Ali estavam desenvolvendo faculdades apropriadas para expressão do Espírito que habitaria este novo corpo e nessa nova “Terra Prometida”.
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