Lemos na Bíblia a história de como Noé e a sua família foram salvos do Dilúvio e formaram o núcleo da humanidade da Época do Arco-Íris, aquela em que vivemos agora. Também se diz que Moisés guiou seu povo fora do Egito, a terra do touro (do Signo de Touro) através das águas e o estabeleceu como o povo escolhido para adorar o Carneiro, o Signo de Áries, em cujo Signo havia já entrado o Sol pelo movimento de Precessão dos Equinócios. Esses dois relatos se referem ao mesmo incidente, a saber, a aparição da infante humanidade do continente submerso da Atlântida (na Época Atlante), nesta época de ciclos alternados: verão e inverno, dia e noite, fluxo e refluxo.
Como a Humanidade acabara de receber a Mente, ela começou a dar conta da perda da visão espiritual que até então possuía. Sentiu um anelo pelo mundo do espírito e seus guias divinos, que persiste, todavia, pois ainda não cessou de lamentar essa perda. Por essa razão foi-lhe dado o Tabernáculo no Deserto, antigo Templo de Mistérios Atlante, para que pudesse encontrar o Senhor quando estivesse qualificada por meio do serviço e domínio da natureza inferior pelo Eu Superior. Tendo sido delineado por Jeová, foi a incorporação de grandes verdades cósmicas, ocultas por um véu de simbolismo que falava ao Eu interno ou Eu Superior.
Em primeiro lugar, é importante saber: esse plano divino do Tabernáculo foi dado a um povo escolhido, que devia construí-lo por meio de sacrifícios. E aqui há uma lição particular consistindo em nunca se dar à pessoa alguma a norma do caminho do progresso se primeiramente não se fez um convênio com Deus para servi-lo e estar disposto a oferecer o sangue do seu coração numa vida de serviço totalmente desinteressado. A palavra “phree messen” é um termo egípcio significando “filho da luz”. Na literatura iniciática fala-se de Deus como o Grande Arquiteto. Arche é uma palavra grega significando “substância primordial”.
Diz-se que José, pai de Jesus, foi um “carpinteiro”, porém a palavra grega é “tekton” — construtor. Também se diz que Jesus foi um “tekton”, um “construtor”.
Por conseguinte, cada verdadeiro Iniciado é um filho da luz, um construtor que se esforça em edificar o templo místico de acordo com o plano divino dado por nosso Pai nos Céus. A esse fim dedica todo o seu Coração, Alma e Mente. Ele deve aspirar a ser “o maior no Reino de Deus” e, portanto, há de ser o servo de todos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1978 – Fraternidade Rosacruz -SP)
Resposta: Como todos os outros símbolos, também vários são os significados da cruz. Platão revelou um desses significados quando afirmou: “A Alma do Mundo está crucificada”, isto é: há quatro Reinos no mundo – Mineral, Vegetal (ou a planta), Animal e Humano.
O Reino mineral anima toda substância química de qualquer natureza, de modo que a cruz, mesmo sendo constituída de qualquer material, é primeiramente um símbolo desse Reino.
O braço vertical inferior da cruz é um símbolo do Reino Vegetal, porque as correntes dos Espíritos-Grupo que vivificam às plantas vêm do centro da Terra, onde esses Espíritos-Grupo se localizam, elevando-se em direção à periferia do nosso Planeta e ao espaço.
O braço superior da cruz é o símbolo do ser humano, porque as correntes vitais do reino humano chegam do Sol através da espinha vertical. Assim, o ser humano é a planta invertida, pois, da mesma forma que a planta absorve seu alimento pela raiz, fazendo-o fluir para cima, o ser humano ingere sua alimentação pela cabeça, dirigindo-a para baixo. A planta é casta, pura e desprovida de paixão, e dirige seu órgão criador, a flor, castamente em direção ao Sol, algo de beleza e encanto. O ser humano dirige seu órgão gerador cheio de paixão em direção à terra. O ser humano inala o oxigênio, dador da vida, e exala o venenoso dióxido de carbono. A planta absorve o veneno exalado pelo ser humano, construindo seu corpo a partir dele, e devolvendo o elixir da vida, o oxigênio purificado.
Entre os Reinos Vegetal e Humano se encontra o Reino Animal com a espinha horizontal, e nessa coluna horizontal as correntes de vida do Espírito-Grupo animal movimentam-se, enquanto circulam ao redor do nosso globo. Portanto, o braço horizontal da cruz é o símbolo do Reino Animal.
No esoterismo, a cruz nunca foi considerada como um instrumento de tortura, e somente a partir do século VI é que se representou o Cristo crucificado nas pinturas e obras. Antes dessa época o símbolo do Cristo era uma cruz e um cordeiro repousando aos seus pés, para transmitir a ideia de que, no momento em que o Cristo nasceu, o Sol no Equinócio de Março cruzava o Equador no Signo de Áries, o Cordeiro. Os símbolos das diferentes Religiões sempre foram criados dessa forma. Na época em que o Sol, por Precessão dos Equinócios, cruzava o Equinócio de Março no Signo de Touro, o Touro, uma Religião surgiu no Egito em que se cultuava o touro Ápis, de modo semelhante que cultuamos o Cordeiro de Deus. Numa data muito remota, ouvimos falar do deus nórdico Thor conduzindo suas cabras gêmeas através do céu. Isso ocorreu na época em que o Equinócio de Março se encontrava no Signo de Gêmeos, os Gêmeos. Na época do nascimento de Cristo, o Equinócio de Março estava, aproximadamente, a sete graus de Áries, o Cordeiro e, por isso, nosso Salvador foi chamado de Cordeiro de Deus. Houve uma contestação no passado contra a ideia de ser o cordeiro o símbolo de nosso Salvador. Alguns afirmavam que o Equinócio de Março, no momento do Seu nascimento, estava realmente no Signo de Peixes, os peixes, e que o símbolo do nosso Salvador deveria ter sido um peixe. É em memória dessa contestação que a mitra do bispo ainda assume o formato da cabeça de um peixe.
(Pergunta nº 100 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas-Vol. I”-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)