Resposta: Os mitos contêm profundas verdades ocultas. O antagonismo entre a luz e as trevas é descrito em inumeráveis desses mitos que são bastante semelhantes em suas linhas gerais, embora variem as circunstâncias de acordo com o estágio evolucionário dos povos onde são encontrados. À Mente normal eles geralmente parecem fantásticos porque os fatos são descritos de maneira puramente simbólica e, portanto, em completo desacordo com as realidades concretas do mundo material. Contudo, essas lendas encarnam grandes verdades de suas escamas de materialismo.
Em primeiro lugar, devemos ter em mente que o antagonismo entre a luz e as trevas, existente aqui no Mundo Físico, é apenas a manifestação de um antagonismo semelhante, existente também nos reinos moral, mental e espiritual. Esta é uma verdade fundamental, e todo aquele que conhece a verdade deve saber que o mundo concreto, com todas as suas coisas que julgamos serem tão reais, sólidas e duráveis, não passa de uma manifestação evanescente criada pelo pensamento divino, e que reverterá ao pó dentro de alguns milhões de anos, antes que também se dissolvam os outros mundos que supomos serem irreais e intangíveis, quando então voltarmos mais uma vez ao seio do Pai, para repousar, até que chegue a aurora de um outro e maior Dia Cósmico.
É especialmente por ocasião do Natal, quando há pouca luz e as noites são longas (no Hemisfério Norte), que a humanidade volta sua atenção para o Sol Meridional, e aguarda ansiosamente o momento em que ele recomeçará sua jornada em direção ao norte, trazendo luz e vida ao nosso hemisfério gelado. Vemos na Bíblia como Sansão, o Sol, tornava-se cada vez mais forte à medida que cresciam seus cabelos, como as forças das trevas, os Filisteus, descobriram o segredo de seu poder e cortaram-lhe os cabelos, ou raios, privando-o de sua força: como privaram-no da luz vazando-lhe os olhos e, finalmente, como o mataram no templo, no Solstício de Dezembro.
Os Anglo-Saxões falam da vitória do rei Jorge (1) sobre o dragão; os Teutões recordam como Beowolf (2) matou o dragão ardente e como Siegfried (3) venceu o dragão Fafner. Entre os Gregos encontramos Apolo (4) vitorioso sobre a serpente Pitão, e Hércules (5) sobre o dragão das Hespérides. A maioria dos mitos conta apenas a vitória do jovem Sol, mas há outras que, como a de Sansão acima citado, e Hiram Abiff da lenda Maçônica, contam também como o Sol, ao ficar velho, era vencido após ter completado seu circuito, estando pronto para dar nascimento a um novo Sol, que surge das cinzas da velha Fênix (6) para ser o portador da luz para um novo ano.
É uma lenda semelhante a que lemos na origem do agárico (7), uma história contada na Escandinávia na Islândia, porém, mais particularmente em Yuletide, quando o azevinho (8) vermelho mescla-se num maravilhoso efeito decorativo como o agárico branco – um símbolo vivo do sangue que era escarlate como o pecado, mas que se tornou branco como a neve. A história é a seguinte:
Antigamente, quando os deuses do Olimpo reinavam sobre a região do Sul, Wotan com sua companhia de deuses, imperava no Walhalla onde os pingentes de gelo decompunham a luz do Sol de inverno em todas as cores do arco-íris e o belo manto de neve fazia luzir até mesmo a noite escura, mesmo sem auxílio da flamante Aurora BoreaI. Eles constituíam uma companhia maravilhosa: Tyr, o deus da Guerra, ainda é lembrado entre nós, pois à terça-feira em inglês: Tuesday. Wotan, o mais sábio, é relembrado na quarta-feira: Wednesday; Thor continua conosco como o deus da quinta-feira: Thursday. Era ele quem brandia o malho, e quando o lançou contra os gigantes, os inimigos de deus e dos seres humanos, deu origem ao trovão e ao relâmpago, devido à força terrífica com a qual o martelo chocou-se contra as nuvens. A gentil Freya, a deusa da Beleza, de cujo nome derivou a sexta-feira em inglês Friday, e o traidor Loke cujo nome ainda vive no sábado Escandinavo, são tantos outros fragmentos atuais de uma fé esquecida.
Mas jamais houve algum deus como Baldur. Ele era o segundo filho de Odin e Freya, o mais nobre e mais gentil de todos os deuses, amado por todas as coisas da natureza. Ele excedeu a todos os seres não só em delicadeza como também em prudência e eloquência, e era tão belo e gracioso que a luz irradiava de si. Foi-lhe revelado em sonhos que sua vida estava em perigo, e isto pesou tão fortemente sobre seu espírito que fugiu da sociedade dos deuses. Sua mãe Freya, tendo conseguido que ele lhe contasse a causa de sua melancolia, convocou um concílio de deuses, e ficaram todos cheios de sombrios pressentimentos, pois sabiam que a morte de Baldur seria o prenúncio de sua derrota – a primeira vitória dos gigantes, ou das forças das trevas.
Por isso Wotan traçou “runes”, caracteres mágicos usados para predizer o futuro, mas todos lhe pareciam obscuros. Não podia obter deles um conhecimento mais profundo. O “Vaso da Sabedoria” que podia servi-los na presente conjuntura, estava sob a guarda de uma das Parcas, as deusas do Destino, de maneira que de nada lhes poderia ajudar, então. Ydum, a deusa da Saúde, cujos pomos dourados mantinham os deuses sempre jovens, tinha sido traída e caíra em poder dos gigantes, devido às trapaças de Loke, o espírito do mal, mas foi-lhe enviada uma delegação a fim de consultá-la sobre a natureza da doença que ameaçava Baldur se é que se poderia chamá-la de doença.
Contudo, ela só pôde responder com lágrimas, e finalmente, depois de um solene concílio convocado por todos os deuses, ficou determinado que todos os elementos, e tudo o mais existente na natureza, deveriam ser obrigados a fazer o juramento de jamais magoar ou ferir o deus gentil. Todos obedeceram à ordem, exceto uma insignificante planta que crescia a oeste do Palácio dos deuses; ela parecia tão débil e frágil que os deuses a acharam inofensiva, Contudo, a mente de Wotan avisava-o de que nem tudo estava certo. Pareceu-lhe que as Parcas da boa sorte tinham se afastado. Por isso resolveu visitar uma célebre profetisa chamada Vala. Era o espírito da terra e por ela ficaria sabendo da sorte reservada aos deuses, mas não recebeu nenhum conforto, e voltou ao Walhalla mais deprimido do que antes.
Loke, o impostor, o espírito do mal, era na realidade um dos gigantes, ou uma das forças das trevas, mas vivera durante certo tempo com os deuses. Era um vira-casaca que não dependia de ninguém e, portanto, era geralmente desprezado tanto pelos deuses como pelos gigantes. Um dia em que estava sentado lamentando do seu destino, numa densa nuvem elevou-se do oceano e pouco depois surgiu dela a figura do Rei dos Gigantes. Loke, aterrado, perguntou-lhe o que o trouxera àquele lugar. O monarca increpou-o acerbamente fazendo-lhe ver sua vileza, pois ele, um demônio por nascimento consentia em ser uma ferramenta dos deuses em sua ação contra os gigantes, a quem ele, Loke, devia sua origem. Não foi por afeição a ele que foi admitido na sociedade dos deuses, e sim porque Wotan sabia bem a ruína que ele e sua descendência acarretariam sobre os deuses, e pensava assim apaziguá-lo para adiar o momento funesto. Aquele que, por meio do seu poder e de sua astúcia, poderia ter-se tornado o chefe de um dos partidos, era agora desprezado por todos. O Rei dos Gigantes o repreendeu, além disso, por já ter várias vezes salvo os deuses da ruína e mesmo por já lhes ter fornecido armas a serem usadas contra os gigantes, e finalizou apelando ao proscrito para que inflamasse seu peito contra Wotan e toda a sua raça, como uma prova de que seu lugar natural era entre os gigantes.
Loke recolheu a veracidade de tudo aquilo e prontificou-se a ajudar seus irmãos com todas as suas forças e por todos os meios. O Rei dos gigantes lhe disse então que chegara o momento em que podia selar o destino dos deuses; que se Baldur fosse morto seguir-se-ia, mais cedo ou mais tarde, a destruição dos demais, e que a vida dos deuses pacíficos estava então ameaçada por um perigo ainda desconhecido. Loke lhe respondeu que a ansiedade dos deuses estava se extinguindo, pois Freya tinha obrigado todas as coisas a jurar, comprometendo-se em não ofender seu filho. O monarca negro replicou que deixara de prestar o juramento. Contudo, ninguém sabia o que se ocultava no coração da deusa. Voltou então a mergulhar no seu abismo negro, deixando Loke entregue a pensamentos ainda mais sombrios.
Loke então, assumindo a figura de uma anciã, apareceu a Freya e usando de astúcia extraiu-lhe o segredo fatal, isto é que julgando ser o agárico uma planta de natureza tão insignificante ela deixara de obter da humilde florzinha a promessa com a qual havia sujeitado todas as demais coisas. Loke não perdeu tempo e logo descobriu o local onde medrava o agárico arrancou-o inteiro com todas as raízes, entregou-o aos anões, que eram hábeis ferreiros, para que o transformassem numa lança. Eles fizeram esta arma usando de muitos encantamentos, e quando pronta pediram o sangue de uma criança para temperá-la. Foi lhes trazida uma criança pura, um dos anões mergulhou a lança em seu peito e cantou:
“The death-gasp hear,
Ho! Ho! – now’tis o’er –
Soon hardens the spear
In the babe’s pure gore –
Now the barbed dead feel,
Whilst the veins yet bleed,
Such a deed – such a deed –
Might harden e’en steel”.
Tradução livre:
“Ouve, da morte o exterior!
Haaa! Já terminou! A lança
fica temperada por
sangue puro da criança!
Sente, agora, a ponta afiada
Enquanto dá-se a sangria
tal façanha, consumada,
até o aço temperaria”.
Nesse ínterim os deuses, e os bravos mortos que estavam reunidos a eles para um torneio fizeram mira sobre Baldur, alvejando-o com todas as suas armas, a fim de convencê-lo de que suas apreensões não tinham fundamento, assim o julgavam, agora que estava invulnerável, pois sua vida havia sido protegida por um sortilégio.
Loke também se encaminhou para o local levando a lança fatal, e ao ver o atlético deus cego, Redor, apartado dos dentais, perguntou-lhe por que não honrava, também, a seu irmão aludindo à sua cegueira e à falta de uma arma. Loke colocou-lhe então nas mãos a lança encantada, e Hoedur, não suspeitando da maldade, feriu Baldur no peito com a lança feita do agárico, e Baldur tombou sem vida ao solo, para grande dor de todas as criaturas.
Baldur é o Sol do verão, amado por todas as coisas da natureza, e no deus cego Hoedur, que o mata com a lança, reconhecemos facilmente o signo de Sagitário, pois quando o Sol entra em Dezembro nesse signo emite uma luz muito fraca, e por isso dizemos que é morto pelo deus cego, Hoeduro. A figura de Sagitário, tal como aparece no Zodíaco ao Sul, apresenta simbolicamente a mesma ideia que a lança na história dos Eddas.
A lenda da morte de Baldur nos ensina a mesma verdade cósmica que tantas outras lendas de natureza semelhante, isto é, que o Espírito Solar deve morrer para as glórias do Universo quando, como Cristo, entra na terra para lhe trazer vida renovada, sem a qual cessariam todas as manifestações físicas do nosso Planeta. Assim como aqui a morte precede um nascimento nos reinos espirituais, também ali há uma morte no plano espiritual da existência antes que haja um nascimento num corpo físico. Como Osíris (9) no Egito é morto por Tifon antes que possa nascer Hórus, o Sol do Novo Ano, assim também Cristo deve morrer para o mundo superior antes que possa nascer na terra, trazendo-nos o necessário impulso espiritual anual; mas a nossa Santa Estação não comemora maior manifestação de amor do que aquele da qual o agárico é o símbolo. Sendo fisicamente de uma fragilidade extrema, ele adere ao carvalho, o símbolo da força. É a máxima fraqueza do mais fraco dos seres que fere o coração do mais nobre e pacífico dos deuses, de modo que, impelido por seu amor aos humildes, ele desce às sombras do submundo, como Cristo que, por nosso amor, morre anualmente para o mundo espiritual, para tornar a nascer em nosso planeta impregnando-o novamente com Sua Vida e Energia radiantes.
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(1) Jorge – Trata-se do S. Jorge do hagiológio católico, padroeiro da Inglaterra, Aragão e Portugal. O único elemento histórico a seu respeito parece ser seu martírio em Lydda, na Palestina. Outros elementos de veracidade duvidosa são sua rápida ascensão na carreira militar, sua visita à Grã-Bretanha numa expedição militar e seu protesto contra as perseguições efetuadas por Diocleciano. Calvino impugnou a existência desse santo, mas as igrejas sírias e o cânon do papa Gelásio (494) aceitam-no como real. Sua ligação com um dragão apareceu no século VI. Em Arsuf ou Joppa, Perseu havia morto um monstro marinho que ameaçava a virgem Andrômeda, e Jorge herdou a veneração anteriormente votada ao herói pagão.
(2) Beowulf ou Bjolf – Rei dos Getas, na Jutlândia (século VIII A.D.). Após um reinado de 50 anos vê sua pátria ameaçada por um dragão ardente. Enfrenta-o com onze de seus guerreiros que o abandonam, ficando apenas um, Wiglaf; com sua ajuda mata o dragão, mas é ferido e morre nomeando Wiglaf seu sucessor.
(3) Siegfried – Herói germânico, fruto dos amores incestuosos de Sigmund e Sieglinda. Foi educado pelo anão Mime que dele quer se servir para roubar ao gigante Fafner o anel mágico dos Nibelungos, que dá ao seu possuidor o poder e a fortuna. Siegfried investe contra o gigante transformado em dragão; vence-o e apodera-se do amuleto.
(4) Apolo – Um dos grandes deuses da Grécia; personificava o Sol; filho de Júpiter e Latona nasceu em Delos, segundo Homero. A luta da Luz com as trevas simbolizada pela vitória de um deus ou de uma serpente em todas as mitologias arianas é na mitologia grega, o triunfo de Apolo sobre a serpente Pitão, morta no vale de Crissa, nas proximidades do Parnaso com setas forjadas por Vulcano.
(5) Hércules – Herói e semideus romano, o Héracles da mitologia grega. Filho de Zeus e Alcmena, dentre suas façanhas são famosos os Doze trabalhos, dos quais o décimo primeiro é o roubo das maças de ouro das Hespérides, ninfas filhas de Atlas e Héspero. Habitavam num grande jardim custodiando os frutos dourados com o auxílio do dragão Sadão. Hércules matou o dragão e apoderou-se dos pomos de ouro.
(6) Fênix – Ave fabulosa, animal sagrado entre os egípcios. Este nome, de origem grega, corresponde ao egípcio benu. Diz a lenda que quando se sentia morrer fazia um ninho de ramos de canela e incenso e depois se deixava sucumbir. De seus ossos nascia uma espécie de verme que logo se transformava numa nova ave.
(7) Agárico ou visco – Cogumelo venenoso, em forma de lança que medra de preferência em troncos de carvalho.
(8) Azevinho – Arbusto espinhoso; produz pequenos frutos vermelhos; suas folhas e frutos são muito usados na Europa e Estados Unidos como ornamento por ocasião do Natal.
(9) Osíris – Um dos deuses do antigo Egito; filho de Seb e Nut, marido e irmão de Isis, e pai de Hórus. É o deus do bem, que personifica a vegetação, o Nilo e o Sol. Governava o Egito quando Tifon, seu irmão, assassinou-o, encerrou-o num esquife e o lançou às águas do rio, que o transportaram até Biblos, em cujo local brotou um tamarindeiro. Isis desesperada procura o corpo do esposo até que o encontra. Beija-o e nesse momento supremo toda a terra estremece de alegria. Osíris reanimado levanta-se do ataúde. A terra cobre-se de vegetação e os egípcios, associando-se àquela alegria universal, celebram com ruidosas festas o renascimento do seu protetor.
(Pergunta nº 165 do livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
A Fraternidade Rosacruz patrocina a emancipação de todos os Aspirante espirituais. Tal autonomia pode ser alcançada por aqueles que, diligentemente, aprimoram a faculdade de OBSERVAR A SI MESMO. Isso implica em conscientizar-se das próprias fraquezas e limitações, bem como das virtudes e potencialidades emergentes.
O exercício da análise própria efetuado de maneira sistemática, sincera e infatigável conduz, insofismavelmente, à iluminação interior.
Gradualmente transmuta a natureza do Aspirante, estimula a humildade, a responsabilidade pessoal, o comprometimento com a Vida. Amplia o Amor pela Verdade.
Na fabulosa obra de Shakespeare, Rei Lear, o personagem Cordelia simboliza a Verdade que é privilégio daqueles que renunciam às barganhas e farisaísmos do mundo. Enquanto a vaidade e o orgulho (Rei Lear) dominarem nossos nervos, Cordelia permanecerá exilada e desterrada de nossa consciência. Seguimos reféns da insanidade mental, dos tormentos emocionais e das deformações físicas.
Cordelia ama a Coroa Espiritual, Lear apega-se à coroa das conveniências humanas.
Não menos eloquente, Richard Wagner, na ópera Siegfried, demonstra as qualidades heroicas da alma francamente desejosa de desposar a Verdade, Brunilde. A saga da alma virtuosa, engajada no Projeto divino, capaz de superar, sem receio ou dúvida, os dragões (provações) que emergem nos momentos mais dramáticos de nossa existência.
Tomar consciência de si mesmo implica uma epopeia inexorável. Contudo, esse é o caminho para o resgate individual. Cristo, anualmente, salva a Terra da destruição. O Cristo Interno, de cada um, salva o Corpo (nosso pequeno Planeta ou microcosmos) da degeneração: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.
Quanto mais conscientes e lúcidos mantivermos nossos veículos de que somos “Cristos em formação”, maior plenitude alcançaremos tanto na manutenção da saúde física quanto nas esferas emocionais, mentais, morais e espirituais.
(Publicado no Ecos da Fraternidade Rosacruz em São Paulo-SP de setembro-outubro/1999)
O Mito de Sæhrímnir
A antiga teologia escandinava tinha um mito segundo o qual todos os que morressem no campo de batalha (as almas que lutam a batalha da vida valorosamente até o fim) eram levados ao Valhalla, onde gozavam da comunhão com os deuses. Mas os que morressem na cama (os covardes, indiferentes e preguiçosos) ou de enfermidade (que se compraziam na prática de atos contrários à Lei) iam ao nefasto Niflheim. No Valhalla, os vencedores passavam a se alimentar esplendidamente da carne de um javali chamado Sæhrímnir, que tinha a particularidade de recompor imediatamente os próprios pedaços de carne que lhe cortassem, por mais que tirassem, conservando sempre o corpo intacto e completo.
Sæhrímnir é um símbolo bem expressivo do CONHECIMENTO, pois por muito que demos aos demais do que sabemos, sempre nos fica o original, aliás reforçado pelo exercício e enriquecido por detalhes que nos vão ocorrendo no esforço da explicação.
Em “Siegfried, o buscador da verdade”, há uma passagem em que ele e seus amigos vão à caça do javali. Siegfried persegue e domina o maior deles. Isso significa a maior elevação dele em relação a seus companheiros, porque dominava um maior conhecimento. O símbolo é a expressão de uma verdade cósmica e daí ser Sæhrímnir tão atual ainda.
Uma parte da humanidade, mercê de seus esforços em vidas passadas, atingiu o privilégio de entrar em contato com conhecimentos superiores como os ensinamentos transmitidos pelos Irmãos Maiores, em O Conceito Rosacruz do Cosmos. É um javali de qualidade, à nossa disposição.
Todavia, são ainda poucos os que se sentem atraídos por eles, porque a condição imposta por seu conhecimento à própria consciência do Estudante é a de continuar lutando para despertar os companheiros que estão dormindo.
Para o Estudante Rosacruz, o conhecimento é a fonte que deve correr pelas campinas da vida, fertilizando o mundo e saciando pessoas. A água que se estagna fica poluída e alimenta pestes.
Há pessoas que, mesmo em relação aos conhecimentos superiores como os nossos, portam-se como autênticos avaros para quem o ouro é o fim e não um meio. Elas anelam ardentemente adquirir conhecimentos e empregam todos os seus esforços para consegui-los, mas depois os conservam zelosamente, como o avaro, mostrando apenas para se engrandecer. É a sua ruína, pois o conhecimento apenas infla. Os Irmãos Maiores nos ensinam o equilíbrio entre a Mente e o Coração, o conhecimento e a virtude, para que ambos se completem e harmoniosamente trabalhem em benefício dos demais. Automaticamente, dessa maneira, vai-se tecendo o “traje dourado das núpcias” de cada um de nós, com o Cristo Interno. Quem procura primeiramente o reino de Deus e Sua justiça recebe tudo o mais por acréscimo, segundo suas necessidades.
O olho foi feito pela necessidade de vermos a Luz e o aparelho digestivo pela necessidade de assimilarmos os nutrientes dos alimentos e crescermos. Aspiramos ao conhecimento e o atraímos; se perdermos a oportunidade sem aproveitá-la ou a usarmos mal, responderemos depois por isso, porque “a quem muito é dado, muito lhe será exigido”.
O que não se usa, atrofia. A natureza não admite inatividade. O preço da evolução é o exercício do bem; ou seja, sua prática. O conhecimento se inclui nesta lei: se não é aplicado, acaba morrendo.
Alguns Estudantes, de natureza mística, deduzem que o conhecimento seja dispensável e que a vontade de ajudar e trabalhar pelos outros já nos dá intuição de como realizá-lo. Supomos que o conhecimento ilumine o coração e esse oriente o conhecimento para a virtude. Um depende do outro. São os dois polos do servo completo. A verdadeira intuição deriva do Mundo do Espírito de Vida da Supraconsciência em nós e pressupõe o desenvolvimento da Alma Intelectual, ou seja, do segundo atributo latente em cada homem: o Amor-Sabedoria.
Como disse Max Heindel: “O único pecado é a ignorância e a única salvação, o conhecimento aplicado”. De fato, VIRTUDE significa discernir entre o bem e o mal, preferindo o bem. Quem tem virtude realiza o verdadeiro serviço. E o serviço, por corolário, é o que nos leva à realização espiritual.
Talvez não seja impróprio transcrever, aqui, a experiência de Max Heindel, a “prova” a que foi submetido antes que pudesse merecer o privilégio de receber os ensinamentos contidos em “O Conceito Rosacruz do Cosmos” e tornar-se o iluminado mensageiro dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Eis como ele nos conta, no Livro “Ensinamentos de um Iniciado”.
“Ignorava que partisse para ser submetido a uma prova. Aconteceu quando fui à Europa, em busca de um instrutor. Como supunha, ele realmente era capaz de me ajudar a avançar no caminho espiritual; contudo, quando lhe examinei os ensinamentos até as mais profundas entranhas e lhe fiz admitir certas incongruências que não me pudesse explicar, achei-me no verdadeiro caminho do desespero, preparado para regressar à América. Estava eu sentado no quarto, meditando sobre a minha desilusão, quando senti, de repente, que outra pessoa estivesse presente e levantei a cabeça. Vi aquele que desde então foi meu Mestre.
“Com vergonha recordo a grosseria com que lhe perguntei o que queria e quem o havia mandado para ali, porque eu estava profundamente descontente e vacilava muito em aceitar as razões que me haviam levado à Alemanha.
“Durante os dias seguintes, meu novo conhecido apareceu em meu quarto várias vezes, respondendo as minhas perguntas e me ajudando a resolver problemas que até então haviam sido obstáculos para mim. Porém, minha vista espiritual estava então pouco desenvolvida e nem sempre sob meu controle, de modo que me sentia um pouco cético a respeito das coisas que ele me explicava. Não poderia ser tudo isso uma alucinação? “Discuti essa questão com um amigo. As respostas que me foram dadas, pela aparição, eram claras, concisas e lógicas no mais alto grau. Limitavam-se sempre e estritamente ao que eu havia perguntado e eram, ademais, de uma índole infinitamente superior a tudo que eu fosse capaz de conceber. Por tais razões, chegamos à conclusão de que a experiência devesse ser real.
“Poucos dias depois meu novo amigo me disse que a Ordem a que pertencia tinha uma completa solução para o enigma do Universo, de muito mais alcance do que qualquer outro ensinamento publicamente conhecido e que eles me comunicariam, se eu me comprometesse a guardá-lo como um segredo inviolável.
“Então eu me dirigi a ele, encolerizado: ‘Ah! Por fim vejo a orelha do diabo! Não! Se tem o que diz e se tal enigma é bom, será bom para o mundo também. A Bíblia proíbe terminantemente que ocultemos a luz e eu não quero fartar-me de conhecimentos, enquanto milhares de almas anelam, como eu, encontrar a solução para seus problemas’. Então meu visitante se retirou e eu concluí que fosse um emissário dos Irmãos das Trevas.
Um mês mais tarde, vendo que não pudesse obter uma ilustração maior na Europa, decidi voltar. Com esse propósito fui reservar um compartimento num vapor para Nova Iorque. Havia muita passagem e tive que esperar um mês pela cabine. Quando voltei à minha habitação, após haver comprado meu bilhete, nela encontrei meu desdenhado Mestre, que outra vez me ofereceu seus ensinamentos com a condição de eu guardar segredo. Desta vez minha negativa foi bem mais enérgica e indignada do que antes. Porém ele não se foi e disse: ‘Alegro-me muito de ouvir sua negativa, meu irmão, e espero que você seja sempre tão zeloso na difusão de nossos ensinamentos, sem medo nem súplica, como o foi nesta recusa. Esta é a condição necessária para poder receber os ensinamentos’.
“O modo como recebi instruções para tomar certo trem em certa estação e ir a um lugar do qual nunca ouvira falar, onde encontrei o Irmão em carne e osso, ou como fui levado ao Templo (etérico) e nele recebi as principais instruções contidas em nossa literatura são coisas de bem pouco interesse. O principal é que, se eu houvesse aceitado a condição de guardar segredo sobre suas instruções, teria sido automaticamente desqualificado para ser mensageiro da Rosacruz e em tal caso os Irmãos teriam que procurar outro. Assim também acontece com qualquer um de nós: se entesourarmos as bênçãos espirituais, os ensinamentos superiores que recebemos, seremos provados pela dor. Convém-nos imitar a Terra, na primavera, que tira de seu seio os frutos do espírito plantados por Cristo durante o inverno. Só assim receberemos, ano após ano, bênçãos mais abundantes e recursos maiores para fazer o bem.”
Aqui terminamos o relato de Max Heindel sobre sua “prova” e sua advertência a respeito do uso de nossos ensinamentos. Estimulamos todos os caros Estudantes a meditarem muito sobre isso e arregaçar as mangas, cada um fazendo o que puder pela difusão da nossa amada filosofia e praticando o bem que estiver ao seu alcance a fim de que, por exemplos e palavras, possamos, todos nós, abreviar o advento da Era da Fraternidade Universal.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1973)
O Batismo da Consciência e a Iniciação
“Há um Natal humano, esse momento marcado pelo nosso aparecimento num corpo, vindos à luz deste mundo e que consta oficialmente nos registros de nascimento. Há outro Natal, macrocósmico, quando a consciência recebe o seu ‘BATISMO DE FOGO’, ou Iniciação…”
Então todo o ser se transforma, transmutando-se numa Luz humana, viva e transcendente. É uma “inundação” de consciência em que o Neófito ou Iniciante fica impregnado das radiosas energias Crísticas e ingressa no mundo suprafísico, como novo nascido, em amplas esferas espirituais. Torna-se por assim dizer, um auxiliar invisível, um pequeno redentor.
São nove os passos para a Libertação. São também nove os estratos ou camadas da Terra para se chegar ao núcleo central, o Espírito da Terra ou o Raio Redentor do Cristo Cósmico, que vive aprisionado até o dia da manifestação dos Filhos de Deus (INICIADOS). É também nove o número da humanidade, ADM, o Adam-Kadmon, seres bissexuais, hermafroditas, das antigas Épocas Atlante e Lemúrica. São nove também os mundos ou dimensões em que o ser humano evolui, desde que se diferenciou do Grande Ser Cósmico, até ao presente DIA DE MANIFESTAÇÃO.
“Tal como é em cima, é embaixo”, diz o axioma hermético, “para se fazer a unidade entre as coisas”. A lei de analogia que é a mesma tanto para o Macrocosmos, como para o Microcosmo, revela-nos que tudo o que sucede aos humanos sob certas condições, deve também suceder aos seres sub-humanos em condições análogas.
Quando nos aproximamos do Solstício de Dezembro os dias são os mais sombrios do ano, a luz solar incide indiretamente no solo, dado que o sol, o dador da vida, encontra-se nesta época do ano, no hemisfério meridional celeste, no lado sul do céu. O hemisfério norte, frio e lúgubre, espera o dia da manifestação física do sol do novo ano, é então que, na noite mais escura do ano, o sol ascende às regiões do Norte.
A Luz Crística renasce então na terra, alegrando tudo e todos. Por outro lado, em virtude dessa mesma lei, quando o Cristo Cósmico nasce na Terra, ele morre nos céus, nos planos internos…
Desde o nascimento, o espírito do ser humano fica sólida e temporariamente preso num envoltório de carne que o manterá cativo toda a sua vida; assim também o Espírito de Cristo fica ligado à Terra, cada vez que nasce no nosso planeta. Esse divino sacrifício tem início todos os anos, quando soam gloriosos os sinos natalícios e quando os nossos cânticos e atos internos mantêm-se com júbilo, ascendendo em direção aos mundos elevados. No sentido mais literal, o Cristo Cósmico está aprisionado desde a época natalícia até a Páscoa.
“Deus é Luz”, exclama maravilhado, o inspirado discípulo. Quando andamos na luz, o divino acompanha-nos. A Iniciação tem um profundo significado para o discípulo que caminha em direção à Luz do íntimo, à Luz deslumbrante do Verbo, o segundo Aspecto do Ser Supremo, criador e conservador do nosso mundo. Dotado de duas divinas características: AMOR-SABEDORIA, o Verbo torna-se um com o Novo Iniciado.
Nos antigos Templos de Mistérios do Egito e da antiga Grécia ensinava-se aos candidatos à Iniciação a Ciência do autêntico saber, que englobava a Ciência, Filosofia e a Arte. E desde o século XI, esses são os três pilares em que assenta a civilização ocidental moderna.
Durante a Idade Média, assistiu-se a um recrudescimento gradual do dogmatismo religioso, tendo, como consequência imediata, o surgimento do obscurantismo. Foi a época gloriosa em que dominou a religião cega e sectária, inquisicional, cujo apogeu chegou em fins do século XV, época de transição entre a “doentia” Idade Média, várias vezes denominada por alguns autores como a idade negra da História, e o intelectual século do Renascimento e da Arte, período em que floresceu todos aqueles cambiantes de cores, sons e formas que é a Arte, a Estética e o Belo.
Atualmente, com o advento da Revolução Industrial, nos fins do século XIX, assiste-se a um acentuado domínio da ciência, cujo auge está muito próximo. No dealbar de um novo Período de Manifestação, surgirá a luminosa Era de Aquário, com todas as suas características, entre as quais o Altruísmo, a Fraternidade e o Amor Cósmico.
No mundo ocidental, a palavra ‘Iniciação’ geralmente está associada ao ocultismo ensinado nas religiões orientais e considera-se que é exclusivo privilégio dos seguidores das religiões budista, hinduísta e outras, não tendo, porém, relação alguma com as religiões do Ocidente, nomeadamente com a Cristianismo.
Essa ideia, prova-se, não tem o mínimo fundamento. Na antiguidade, o Tabernáculo do Deserto (símbolo do nosso Templo Interno) representava, no seu simbolismo, o caminho do progresso, partindo da nata ignorância ao Supremo Conhecimento. Os “Vedas” foram o veículo que levou a luz aos ferventes fiéis das margens do Ganges; os “Edas” foram a estrela que conduziu o povo das montanhas da Escandinávia que procuravam a luz na antiga Islândia, através dos mares gelados, onde vogavam as naus dos bravos Vikings. “Arjuna” comprometida na nobre luta do “Mahabharata” ou Grande Guerra, permanentemente sustentada entre o Eu Superior, o Espírito Interno, e o eu inferior, a natureza viciosa, não difere um único ponto do mito nórdico da alma “Siegfried”, cujo sentido é “que atingiu a Paz, após longas lutas e privações”. Ambos representam o Candidato à Luz suprema, passando pelas provas da Iniciação; não obstante as suas experiências nesta grande aventura interna variarem em certos aspectos, tomando em conta a diferença de temperamentos entre os povos setentrionais e os meridionais e respectivos Ensinamentos, os principais traços são semelhantes e o objetivo comum é o de atingir a luz do Conhecimento Macrocósmico. Espíritos de eleição têm caminhado através da Luz, no interior dos Templos deslumbrantemente iluminados da Pérsia antiga, onde o DEUS-SOL, no seu Trono de Fogo, era o símbolo da Luz e do Conhecimento, tal como a presença mística fortemente iluminada, difundida pela aurora boreal, nos mares gelados do Norte. Na realidade, a verdadeira Luz do Conhecimento Esotérico mais profundo, tem existido através de todas as épocas e mesmo nos séculos mais obscurantistas, no âmbito moral e intelectual.
No antigo Egito, os Sacerdotes eram Altos Iniciados e Hierofantes dos Mistérios Menores. Os Candidatos eram iniciados separadamente do povo comum; era-lhes dado um novo nome, aliás como tem sucedido em outras épocas, e em diversas outras Escolas de Iniciação e modelo da Iniciação, os passos para a Realização integral era o que hoje denominamos de Pirâmide de Quéops, a grande Pirâmide. Erradamente se tem dito que o colosso servia de simples túmulo a um Rei Sacerdote, o Faraó Quéops. Investigações recentes demonstram que de fato havia demasiada coincidência para que a Pirâmide de Quéops tenha sido utilizada unicamente como receptáculo dos restos mortais de Quéops. Provou-se, então, que esse imponente edifício de pedra era um autêntico Centro de Iniciação dos antigos herdeiros do povo Atlante — o povo egípcio.
Os verdadeiros Aspirantes ao Conhecimento Divino vivem num constante aperfeiçoamento de si próprios até uma absoluta maturação interna em que o Cristo Interior manifesta-se pela primeira vez. Tal como a criança nascente tem necessidade do alimento físico, o Cristo interior que nasceu em nós — Batismo de Fogo — necessita do alimento espiritual até o momento em que atinge a estatura adulta. Assim como o corpo físico desenvolve-se através de uma contínua assimilação de materiais provenientes da Região Química (Sólidos, Líquidos e Gases), o Cristo em crescimento faz aumentar os dois Éteres Superiores (o CORPO-ALMA), que formam uma nuvem luminosa (a Aura) à volta daqueles que são suficientemente elevados para se dirigirem aos Mundos Suprafísicos. Notada pelos clarividentes exercitados, essa aura luminosa reveste o Aspirante de uma luz transcendente. É assim que ele “caminha na Luz”, em toda a sua acepção do termo.
Existem vários graus de clarividência, ou visão espiritual (adquirida com a Iniciação). O primeiro grau outorga ao Iniciado a possibilidade de perceber o Éter, vulgarmente invisível aos olhos físicos. Outros graus, mais elevados, tornam o Iniciado apto a “ver” o Mundo do Desejo e o Mundo do Pensamento, a partir do Mundo Físico.
A Iniciação, sendo o pleno despertar da consciência às realidades internas circundantes, eleva o Candidato aos mais elevados Mundos Internos, Pátria do Altruísmo e sede dos Arquétipos modeladores e conservadores de tudo quanto existe na Terra.
O novo Iniciado renasce “nos Céus”, após um período de busca, de sacrifícios e privações, como Siegfried, o Herói Místico da doutrina escandinava.
“Quando o discípulo está preparado, o Mestre aparece” é um axioma infalível. Quando o Espírito tiver formado, com o auxílio de bons atos, dos sacrifícios (sacro-ofícios) e do serviço diário, a CATEDRAL MÍSTICA e Interna, unindo a sua mente à intuição (o coração puro), então a Luz manifesta-se (Mestre) e nascerá um filho (o Cristo Interno) ou seja. A INICIAÇÃO ou BATISMO DE FOGO; essa é a verdadeira intuição, o Guia Interno. A partir desse momento, o Iniciado sabe guiar-se, sem ajuda de meios exteriores, até os Mundos Internos, pois é o Mestre interior, o Cristo Interno, o Cristo Cósmico do Ser Humano-Iniciado que o guia.
(Publicado na revista “Serviço Rosacruz” – jul-ago/87)
O Hipnotismo, um cerceamento e violência à sagrada liberdade individual
Nos ensinamentos que promulga, a Fraternidade Rosacruz leva acima de tudo a liberdade humana. Sua mensagem é, sobretudo, de libertação. Como o hipnotismo representa um cerceamento e violência a essa liberdade, a Fraternidade Rosacruz o desaprova terminantemente. Porque o hipnotismo é um cerceamento e violência à sagrada liberdade individual, explicaremos no decorrer desta exposição.
Muitas pessoas, ao tomar seu primeiro contacto com a Fraternidade e receber as instruções preliminares, estranham que vedemos a inscrição a hipnotizadores, médiuns, videntes, quiromantes e astrólogos profissionais. Explicamos: são práticas que agridem a liberdade do espírito interno, que mercantilizam e prostituem forças divinas. Isso dizemos porque a realidade mesma, observada dos planos internos, nos autoriza a proteger a boa fé e ignorância de muita gente a respeito desses assuntos.
Do ponto de vista da ciência materialista, o ser humano é considerado simplesmente como algo físico, um corpo organizado, não um ser espiritual a manipular uma complexa instrumentação mental, emocional, etérica e química. Esses conceitos materialistas são divulgados tanto nos livros e escolas que, ao atingirmos a fase adulta e começarmos a estudar o ocultismo, surpreendemo-nos muitas vezes com a insidiosa influência dessas ideias, gravadas em nós desde a infância. Sabemos da Bíblia, aprendemos catecismo em pequenos, ouvimos muitas vezes as inúmeras e claríssimas asserções de que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, de que a vontade de Deus é que atinjamos a perfeição, de que as coisas que o Cristo fazia nós as faremos também e maiores obras ainda, além de um sem número de afirmações, segundo as quais vemos que somos seres espirituais, herdeiros das promessas divinas. No entanto, passemos os olhos ao nosso redor. Vejam quanta gente agitada, convulsionada, nervosa, lutando desesperadamente numa competição muitas vezes injusta, anticristã, no afã de quê? Ficar rico? “Gozar” a vida? “Assegurar” o futuro? Onde a fé, onde a confiança em Deus, onde a convicção de que, à morte, tudo deixamos aqui, levando apenas a essência do que tenhamos FEITO de bom ou de mau?
É lógico que ninguém poderá fazer as coisas que o Cristo fez e obras maiores ainda, segundo nos afirmam os Evangelhos, se não for pelo renascimento, que permite o aperfeiçoamento gradativo, pois ninguém pode realizar esse gigantesco intento em uma só existência. É lógico que, se há “céus”, se há um plano imaterial, suprassensível, um mundo invisível aos nossos olhos físicos, esse mundo que é a origem de tudo, o mundo das causas, nenhum assunto poderá ser inteiramente considerado e compreendido, se não for abordado em seus aspectos físico e espiritual, devendo haver entre ambos os aspectos inteira coerência, pois no reino de Deus não existe contradição.
Com esse preâmbulo, voltemos ao tema do hipnotismo.
Que é ele?
Consiste em, por meio de passes à cabeça ou por meio de toques em certos pontos vitais, EXPULSAR o éter da cabeça da vítima, introduzindo ali, em substituição, por meio da vontade, o próprio éter (do hipnotizador). Nessa condição, fica o paciente privado de consciência, do crivo da razão, que o torna ser humano, ser racional, capaz de analisar, rejeitando ou aceitando o que lhe é proposto. No transe hipnótico, temos de obedecer ao que nos for ordenado. Depois a “ordem” ficará gravada através de um pequeno resíduo do Corpo Vital do hipnotizador na medula oblonga da vítima, como elos, como cordéis pelos quais o hipnotizador poderá atuar na vítima enquanto viver. O hipnotismo é perigoso, mormente nas mãos de pessoas inescrupulosas. Difundido como está, infelizmente até por certas escolas ditas espiritualistas, pode ser um instrumento de domínio, de exibição de falsos poderes, com propósitos egoístas, dando geralmente causa à idiotia em vida futura. Muitos Egos, privados numa vida de seu livre arbítrio, vinculados e aprisionados num corpo demente, de cérebro deformado, sem possibilidade de expressão natural, mostram as causas de sua enfermidade nos maus aspectos de Netuno, que rege as faculdades espirituais. Embora não seja uma forma grave de magia negra, traz essa consequência num destino maduro. Contudo, por isso não devemos concluir que todos os casos de idiotia congênita se devem a essas práticas em vidas anteriores, porque existem outras causas.
Para se ter uma ideia próxima de como se desloca a parte etérica, tomemos o exemplo de um fenômeno comum, como o do adormecimento de um braço ou de uma perna. Uma posição forçada, dificultando a livre circulação do sangue e do fluido vital, provoca o deslocamento do Éter. Em tais casos, vemos o braço ou a perna etéricos flutuando sobre o braço ou a perna material, respectivamente, até que, pela normalização da circulação do sangue, os pontos vitais de novo se introduzem no membro, dando causa, com sua entrada, àquela sensação de “formigamento”. No caso da hipnose, não se dá o formigamento porque a parte vital retirada da cabeça é substituída imediatamente por éter do hipnotizador, durante o transe.
Muitos objetam, embora, sabendo disso, que em certos casos o hipnotismo se justifica, como, por exemplo, na medicina ou em odontologia, para tirar o dente, sem dor, de pessoas que têm alergia por injeções, que têm males de coração, etc. As correntes médicas especializadas no assunto se dividem, pró e contra sua aplicação. A maioria dos psicanalistas já condenou o seu emprego nas sessões, para descobrir a causa dos traumas. Julgam eles, mui acertadamente, que o paciente deve ter consciência da causa e por si mesmo, com orientação do médico ou sem ela, erradicar o trauma.
Do ponto de vista oculto, é evidentemente errado tratar de curar um hábito, como o da bebida alcoólica, pelo hipnotismo. Encarado do ponto de vista de uma só vida (daí a ciência material e as igrejas cristãs populares muitas vezes concordarem com o hipnotismo) o tratamento pela hipnose pareceria justo e eficiente. Senta-se o paciente numa cadeira, faz-se-o dormir e dão-se-lhe certas sugestões. Desperta-se-o e quando se põe de pé, já está curado de seu mau hábito. De alcoólatra que era, converte-se num cidadão respeitável, que cuida bem de sua esposa e filhos e segundo todas as aparências o benefício obtido é inegável.
Mas se contemplamos as coisas do ponto de vista mais profundo, o do ocultista, que vê os dois planos e contempla esta vida como uma dentre muitas, que toma em consideração o efeito causado nos veículos invisíveis dessa pessoa, então o caso é completamente diferente. Quando se submerge uma pessoa no sono hipnótico, na forma já descrita, além de privá-la da livre escolha, impõe-se-lhe uma ordem, não uma simples sugestão e o paciente não tem outro remédio senão obedecer, mormente quando se repetem os transes, porque fica um resíduo do manipulador, para agir dentro do indivíduo. É como que, para usar uma comparação, uma pequena parte do magnetismo infundido num dínamo elétrico, que nele fica sempre e com o qual pode ser posto em movimento. Assim, o resíduo etérico do hipnotizador, dentro da vítima, cresce em proporção e poder, com a repetição dos transes a que for submetido pela mesma pessoa. Concluímos, pois, que a vítima de um hipnotizador não vence um mau hábito por sua própria vontade e força, senão pela imposição da vontade de outra.
Quando regressa à terra, em próximo renascimento, terá as mesmas debilidades que não venceu e terá de novamente lutar consigo mesmo, até vencer-se.
Alguém poderá contestar que uma sugestão não prejudica, pois, a vida inteira passamos a receber sugestões por meio de livros, de cinema, de pessoas, etc. Mas é um caso muito diferente, porque em tais circunstâncias a pessoa está de posse de sua razão, com direito de aceitar ou rejeitar a sugestão. Se se trata de uma pessoa de forte personalidade, diante de outra, de vontade débil, essa sugestão poderá assumir quase o caráter de uma imposição. Mas essa influência a moverá somente quando atender-lhe à natureza. Uma pessoa comum, numa assembleia onde todos estejam vibrando em uníssono numa mesma ideia, ou num comício onde um líder consiga inflamar a maior parte dos ouvintes com suas ideias, ou numa parada patriótica onde se exaltem os sentimentos de patriotismo, poderá afetar-se momentaneamente, deixar-se levar pela força da egrégora. Mas depois, consigo mesmo, voltará à tônica de seu modo de ser. No hipnotismo é diferente: fica uma influência, uma imposição estranha.
Por oportuno, lembremos o que diz Max Heindel em “O Conceito Rosacruz do Cosmo”, obra básica da Filosofia Rosacruz: “O método Rosacruz difere de todos os outros métodos num ponto especial: procura, desde o princípio libertar o aspirante de todas as limitações internas e externas, ajudando-o a conquistar o pleno domínio de si mesmo, pois só em tais circunstâncias poderá “efetivamente ajudar os demais”. Já soubemos de outras organizações com nome de Rosacruz, (não a de Max Heindel, ligada aos Irmãos Maiores da Ordem), que facilitam meios de exercer poder sobre os semelhantes. Do ponto de vista oculto e do Bem, é repreensível, mas os Irmãos Maiores têm isso a seu cuidado, como guardiães e vigilantes de tudo o que é perigoso na evolução humana. Cumprimos nosso dever, esclarecendo quando necessário, deixando o mais a cuidado desses excelsos Seres, vanguardeiros Guias da Onda humana.
Foram os próprios Irmãos Maiores que, no tempo que julgaram oportuno, anunciaram indiretamente ao mundo a força do pensamento e deixaram entrever o mecanismo do subconsciente, muito antes de Freud. Foram eles que mandaram Mesmer, o qual foi tremendamente ridicularizado pelos postulados que pregava. Só quando os materialistas, trocando o nome da forca descoberta por Mesmer, deram ao mesmerismo o nome de “hipnotismo” é que se tornou “científica”. Em verdade, resta ainda muito a aprender e desaprender aos atuais indivíduos da ciência materialista. Podem eles lutar até o último momento contra o que, zombando, qualificam de “ideias ilusórias” dos ocultistas. É só questão de tempo; terão de aceitar e admitir todas as suas verdades, uma a uma.
“Os pensamentos são coisas”, é uma força atualmente incalculável. À medida que a razão se for desenvolvendo, controlando mais e mais os impulsos do Corpo de Desejos e o altruísmo for assegurando um legítimo emprego a todos os poderes latentes do ser humano, alcançaremos o mérito de utilizar esse poder maravilhoso, mas sempre para o bem e sem imposição a ninguém.
Siegfried, símbolo da alma avançada, na mitologia nórdica, estava armado para a batalha da vida com a espada “nothung” (a coragem do desespero) com a qual combateu e venceu os dois dragões da cobiça e do credo. E tinha outra arma, que nos tempos modernos podemos chamar de poder hipnótico: Tarcap, o capacete da ilusão, que permitia a quem usasse aparecer aos outros na forma que desejasse. E para fazer uso desse poder lhe foi dado também, por Brunhilde, o espírito da verdade, seu cavalo alado, Grane, o discernimento, graças ao qual podemos distinguir o erro da ilusão. Aí está porque nós devemos tornar primeiramente merecedores, por nossa formação moral, de utilizar esses e outros poderes do espírito. Eis, também, porque não podemos aceitar em nosso seio aqueles que propositada e egoisticamente fazem deles uso pervertido.
Para finalizar, damos um meio de empregar legitimamente a força do pensamento, em casos de pessoas que precisam de auxílio extra. Tal auxílio é prestado durante o sono natural, quando o Ego, envolto pela Mente e o Corpo de Desejos sai do corpo físico e geralmente flutua sobre ele ou permanece em sua vizinhança, ligado pelo cordão prateado, enquanto os Corpos Denso e Vital se restauram, no leito. Nessa oportunidade é possível influenciar a pessoa adormecida, inculcando-lhe no cérebro pensamentos e ideias que lhe queremos comunicar. Contudo, não se pode conseguir que ela faça algo ou que acolha qualquer ideia que não esteja de acordo com suas próprias tendências habituais. É impossível ordenar-lhe que faça algo ou obrigá-lo à obediência porque durante o sono natural seu cérebro está interpenetrado por seu próprio Corpo Vital e tem perfeito controle de si mesmo. Não há, aí, desrespeito ao livre arbítrio da pessoa. Já no sono hipnótico, os passes do hipnotizador lançam fora do cérebro o Éter da cabeça, que fica então sobre os ombros da vítima como um colar. Então o cérebro está aberto ao Éter do Corpo Vital do hipnotizador, que toma o lugar do Corpo Vital da vítima. De sorte que no sono hipnótico a vítima não pode escolher nem quanto às ideias, nem quanto aos movimentos de seu corpo, porque é o cérebro que dirige os nervos e músculos voluntários e então, está manipulado por Éter estranho. No sono natural, o Ego é o agente completamente livre. Na realidade, esse método de sugestão durante o sono é sumamente importante para as mães que têm filhos rebeldes e refratários e para as esposas de viciados rebeldes, de vontade fraca. Para tratar dessas pessoas, assenta-se ao lado da pessoa adormecida e (se possível, tomando-lhe uma das mãos) fala-se suave e audivelmente com ela, inculcando-lhe no cérebro as sugestões convenientes. Ao despertar e principalmente com a repetição (há mais facilidade, naturalmente, com as pessoas de sono pesado) verá que muitas dessas ideias lançaram raízes no subconsciente, de uma forma eficaz, porque muitas pessoas detestam conselhos e reprimendas e desse modo se lhes faculta seguir a própria deliberação. Igualmente se pode tratar assim de pessoa enferma, quando carece de otimismo, coragem, fé e outros valores importantes na cura. Sabemos que isso pode ser usado para o mal, mas não mantemos o segredo porque acreditamos que o bem que se pode realizar com esse método sobrepassará em muito o prejuízo que uma ou outra pessoa malvada possa ocasionar. Além do mais, a lei de causa e efeito se incumbe de pôr os irresponsáveis, pela dor, no devido caminho.
(Publicado na revista Serviço Rosacruz de maio/1966)
A Ansiosa Solicitude pela Vida
“Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber, nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Os mundanos é que procuram todas estas coisas. Contudo, vosso Pai Celeste sabe que necessitais de todas elas. Buscai, pois, e em primeiro lugar Seu reino e Sua justiça e todas as demais coisas vos serão dadas por acréscimo. Não vos inquietais, portanto, com o dia de amanhã”. (Mt 6:25-34).
Preocupação com o imediato, com os anos vindouros ou com as próprias condições no crepúsculo da existência.
Não importa. A maioria de nós experimenta essa ansiedade, essa insegurança, esse medo do futuro, em nossa trajetória pelo mundo.
Muitos impõem-se um sistema de economia ou austeridade que chega às raias da avareza, privando-se a si próprio e aos seus dependentes até das comodidades mais básicas, para não ficarem sujeitos a privações no futuro: este o pensamento, esta a intenção. Jamais nos passa pela cabeça nesses dias de ansiosa solicitude pela vida, que todo ser humano é um importantíssimo filho do zeloso Provedor Universal, que fornece permanentemente de tudo aos “armazéns cósmicos” e a esta “praça consumidora” terráquea com a mais infalível pontualidade. E não percebemos também pouco que se o cuidadoso e indefectível Provedor alimenta, veste e até adorna os quadrúpedes, as aves e flores dos campos, quanto mais a nós, por quem Seu próprio Filho sacrificou-se um dia e continua se sacrificando anualmente!
E foi Ele quem recomendou certa vez que nos mantivéssemos tranquilos quanto ao dia de amanhã. Como elevadíssimo Iniciado, sabia quão prejudiciais são o receio e a ansiedade à nossa saúde e ao nosso progresso; sabia que a cada momento de preocupação uma parcela de nossa saúde se esgota, um pouco do nosso tempo é perdido, parte da alegria de viver se desvanece e muito do nosso progresso espiritual – talvez também o material – estaciona; e sabia, finalmente, o quanto atraímos para nós aquilo que de bom desejamos ou o de que precisamos somente por confiar em Deus – ou em que Deus jamais deixa faltar nada àqueles que aos Seus cuidados se entregam.
“O justo não mendigará o pão”, registrou Salomão.
E o que significa ser justo? Muitos séculos depois do registro dessa Verdade, mas já no Sermão da Montanha, Cristo a esclarece esotericamente na exortação: “Buscai primeiramente o reino de Deus e Sua justiça e todas as demais coisas vos serão dadas por acréscimo”.
Aí está.
Aquele que procura ver além da matéria, que busca as coisas do espírito (“o reino de Deus”), procurando ao mesmo tempo conhecer as leis suprafísicas (“Sua justiça”) que regem a vida evolucionante e vivendo consoante elas, passa a ter – por força dessas mesmas leis tudo a seu favor, como se o Universo inteiro iniciasse uma tácita cooperação efetiva com ele.
O Iniciado de Tarso esclarece mais uma vez e com outras palavras: “Todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seus decretos” (leis). Ora, como amar ao próximo (a quem vemos) é o mesmo que amar a Deus (a quem não vemos); e como em linguagem esotérica “ser chamado” é o mesmo “que ser atraído” (considere-se a Lei de Atração do Semelhante), as palavras de São Paulo na Epístola aos Romanos (8:28) podem ser lidas assim: “Todas as circunstâncias favorecem àquele que ama ao seu semelhante e se harmoniza com as leis universais, de tal modo que nada lhe poderá faltar”. Isso não é uma promessa milagrosa, como se pensa há séculos. Não existe milagre. É muito, e muito mais. É a “mecânica” das leis universais em pleno funcionamento, atuante desde os primórdios dos mundos; leis vibrantes em cada átomo das matérias físicas e suprafísicas; sábias, justas, onipresentes e infalíveis. “Causa e Efeito”, “Dar e Receber”, “Atração do Semelhante”, entre outras. É pois mais que um aval dos céus: é uma CERTEZA!
Percebe aí o amigo leitor quanta confiança esse sopro de Verdade pode infundir no sincero “Siegfried” dos nossos dias – dias de contagiante medo, ansiedade, incertezas e carências materiais e espirituais – ou no ser humano que se volta para as coisas superiores do espírito em qualquer tempo? É de fato impressionante! Maravilhosamente impressionante!
A Sabedoria Ocidental ensina: “É lei da Natureza que nossa atitude confiante favorece os nossos propósitos quando desejamos alcançar alguma coisa”. O admirável porta-voz dessa Sabedoria, valendo-se do exemplo de sua própria vida quando lutava arduamente para fundar e manter a Fraternidade Rosacruz em Oceanside, escreveu algures: “Asseguro-lhe que falo por experiência própria quando advogo o viver pela fé, porque tenho trabalhado duramente e me mantido rigorosamente nesses labores, dia após dia. Apesar disso minha vida é um gozo contínuo nunca interrompido por pensamentos de aflição sobre necessidades materiais ou pela falta de dinheiro para continuar e terminar minha tarefa. E nos anos que transcorreram desde que comecei a viver pela fé, meus recursos se tornaram muito mais amplo do que naqueles dias em que costumava me preocupar”.
Aí está. Isso é FÉ, isso é VIVER. Max Heindel comprovava realmente na prática a Verdade registrada por antigos Iniciados no Livro de Habacuque, Capítulo 2, Versículo 4 e citada pelo Apóstolo na Epístola aos Romanos (1:17): “O justo viverá pela fé”.
Complemento dessa CONFIANÇA EM DEUS, o cultivo do AMOR AO PRÓXIMO ajuda-nos, sobremaneira, a afastar o medo, a ansiedade, ou a ansiosa solicitude pela vida. Em parte, porque a natureza desse Amor é de tal sublimidade que nos eleva a pararmos onde impossível é lembrarmos de nós mesmos. E em parte porque – já que amar o semelhante é o mesmo o que amar a Deus – esse Amor é perfeito e sabemos que “O Amor perfeito lança fora o temor”, como escreveu o evangelista.
Também ajuda bastante a afirmação diária (ao acordar de manhã e ao dormir à noite) de verdades como: “Eu e meu Pai somos UM”; “Tudo posso n’AqueIe que me fortalece” (Fp 4:13); “‘Se Deus é por mim, quem será contra mim?” (Rm 8:31) e “O Senhor é meu Pastor, não me faltará” (Sl 23:1), na convicção de que “O homem nada recebe que não venha do céu” (Jo 4:27). Ajuda principalmente nos “dias de nossas fraquezas”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/88 – Fraternidade Rosacruz)