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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Será que realmente serve a algum propósito relembrar todos os anos o sofrimento de Cristo? Se não, porque a Igreja Cristã não omite a Paixão e a Coroa de Espinhos, concentrando seus esforços na celebração da Páscoa como um tempo de júbilo?

Resposta: A história do Evangelho, como geralmente é lida pelas pessoas nas igrejas, é apenas a história de Jesus, um personagem único, o Filho de Deus em um sentido especial, que nasceu em Belém, viveu na Terra pelo curto espaço de trinta e três anos, morreu pela Humanidade, depois de muito sofrimento e agora é permanentemente exaltado à direita do Pai. De lá, eles esperam que Ele retorne para julgar os vivos e os mortos, e celebram seu nascimento e sua morte em determinadas épocas do ano, porque se supõe que tenham ocorrido em datas definidas, iguais ao aniversário de, por exemplo, Lincoln[1], Washington[2] ou da Batalha de Gettysburg[3].

Embora essas explicações satisfaçam as multidões, que não são se aprofundam muito em suas investigações sobre a verdade, há outro ponto de vista que é muito evidente para o Místico. Essa é uma história de amor divino e sacrifício perpétuo que o enche de devoção ao Cristo cósmico, Aquele que nasce periodicamente para que possamos viver e ter a oportunidade de evoluir neste ambiente, poie o Místico compreende, a partir dessa perspectiva, que sem esse sacrifício anual recorrente essa Terra e suas atuais condições de progresso seriam impossíveis.

No momento em que o Sol está no Signo celestial de Virgem, a virgem, ocorre a Imaculada Concepção. Uma onda de luz e vida solar do Cristo se concentra na Terra. Gradualmente, essa luz penetra cada vez profundamente na Terra, até que o ponto mais profundo seja alcançado na noite mais longa e escura do ano, que chamamos de Natal. Este é o nascimento Místico de um impulso da Vida Cósmica que impregna e fertiliza a Terra. É a base de toda a vida terrestre. Sem ele nenhuma semente germinaria, nenhuma flor apareceria na face da Terra, nem o ser humano e nem os animais poderiam existir, e a vida logo se extinguiria. Portanto, há de fato uma razão muito, muito válida para o regozijo que é sentido na época do Natal. Como o Autor Divino do nosso ser, nosso Deus-Pai Celestial, deu o maior de todos os presentes ao ser humano, o Filho, assim, os seres humanos também são impelidos a dar presentes uns aos outros. Reinam na Terra a alegria jubilosa, a boa vontade e a paz, ainda que as pessoas não compreendam as razões místicas e anualmente recorrentes para isso.

Assim como “um pouco de fermento fermenta toda a massa[4], esse impulso de vida espiritual, que impregna a Terra durante o Solstício de Dezembro e percorre os meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março em direção à sua circunferência, dando vida a tudo que entra em contato. Nem mesmo os minerais não poderiam crescer, caso esse impulso de luz fosse retido; e quando chega a Páscoa, a Terra está florescendo, os pássaros começam a cantar e os pequenos animais nas florestas estão se acasalam, tudo está imbuído dessa grande Vida Divina; Ela se esgota, morre e é elevada novamente à direita do nosso Deus-Pai. Assim, o Natal e a Páscoa são momentos decisivos que marcam o fluxo e o refluxo da Vida Divina, anualmente oferecidos por nossa causa, sem os quais seria impossível viver na Terra. Essa última também encerra a repetição anual do sentimento festivo que experimentamos do Natal à Páscoa, a alegria que vibra em nosso ser. Se somos minimamente sensíveis, não podemos deixar de sentir o Natal e a Páscoa no ar, pois estão carregados de amor divino, vida divina e de regozijo divino.

Mas, de onde vem a nota de sofrimento, angústia e tristeza profundas que antecede a Ressurreição da Páscoa? Por que não nos regozijamos com uma alegria pura no momento em que o Filho é libertado e retorna ao Pai? Por que a Paixão e a Coroa de Espinhos? Por que isso não pode ser deixado de lado? Estão aí perguntas cujas respostas nosso interlocutor gostaria de conhecer.

Para compreender esse mistério é necessário ver a questão da perspectiva do Cristo e perceber plenamente que essa onda vital anual que se projeta em nosso Planeta não é simplesmente uma força desprovida de consciência. Ela carrega consigo a plena consciência do Cristo Cósmico. É um fato absolutamente verdadeiro que sem Ele nada do que foi feito teria sido feito, como nos ensina S. João, no primeiro capítulo do seu Evangelho[5]. No momento da Imaculada Concepção, em setembro, esse grande impulso vital começa sua descida sobre a nossa Terra e, por ocasião do Solstício de Dezembro, quando o ocorre nascimento místico, o Cristo Cósmico já se concentrou completamente sobre e dentro deste Planeta. Vocês perceberão que deve causar muito desconforto a um Espírito tão grandioso estar confinado dentro da nossa pequena Terra e ter consciência de todo o ódio e de toda discórdia que Lhe enviamos diariamente, durante o ano inteiro.

É um fato inegável que toda expressão de vida é feita por meio do amor e, dessa forma, a morte vem pelo ódio. Se o ódio e a discórdia que geramos em nosso cotidiano, em nossas interações uns com os outros, a falsidade, a infâmia e o egoísmo não fossem remediados, esta Terra seria tragada pela morte.

Você se lembra da descrição da Iniciação fornecida no livro Conceito Rosacruz do Cosmos? Lá está escrito que, no serviço realizado todas as noites à meia-noite, o Templo etérico da Ordem Rosacruz é o foco de todos os pensamentos de ódio e perturbação do mundo ocidental, ao qual serve, que tais pensamentos são ali desintegrados e transmutados e que essa é a base do progresso social no mundo. Também se sabe que os Espíritos que já alcançaram a plena santidade se entristecem e sofrem com muita angústia com as perturbações do mundo, com a discórdia e o ódio, e que emanam de si mesmos, individualmente, pensamentos de amor e bondade. Os esforços associados de Ordens como a dos Rosacruzes são direcionados pelos mesmos canais de ação, quando o mundo ainda está parado, no que se diz respeito às atividades físicas e, portanto, está mais receptivo à influência espiritual, ou seja, à meia-noite. Nesse momento, eles se esforçam para atrair e transmutar essas flechas feitas de pensamentos de ódio e discórdia, sofrendo assim ao receber uma pequena parte delas, enquanto tentam remover alguns espinhos da coroa do Salvador.

Considerando o exposto, você entenderá que o Espírito de Cristo na Terra está, como afirmou S. Paulo, realmente gemendo e sofrendo, esperando o dia da libertação[6]. Assim, Ele reúne todos os dardos de ódio e raiva. Esta é a coroa de espinhos.

Em tudo o que vive, o Corpo Vital irradia raios de luz da força que se esgotou na construção do Corpo Denso. Durante a saúde, esses raios removem o veneno do Corpo Denso e o mantêm limpo. Condições semelhantes prevalecem no Corpo Vital da Terra, que é o veículo de Cristo. As forças venenosas e destrutivas, geradas por nossas paixões, são removidas pelas forças vitais do Cristo, mas cada pensamento ou ato maligno traz a Ele sua própria proporção de dor e, portanto, se torna parte da Coroa de Espinhos – a coroa, já que a cabeça é sempre considerada a sede da consciência. Devemos perceber que cada ato maligno recai sobre o Cristo da maneira descrita e Lhe acrescenta mais um espinho de sofrimento.

Em vista do exposto, podemos compreender com que alívio Ele profere as palavras finais no momento da libertação da cruz terrena: “Consummatum est”. Por que a recorrência anual do sofrimento, você pergunta? Assim como absorvemos continuamente em nossos Corpos o oxigênio que nos proporciona a vida para que ele complete seu ciclo, revitalizando e energizando todo o Corpo Denso, e esse oxigênio, enquanto permanece no Corpo, morre momentaneamente para o mundo exterior, carregando-se de toxinas e resíduos e, finalmente sendo exalado como dióxido de carbono, um gás venenoso, também é necessário que o Salvador entre anualmente no grande corpo que chamamos de Terra e tome sobre Si todo o veneno gerado por nós mesmos, para purificá-la, limpá-la e proporcionar uma nova vida antes de, finalmente, ressuscitar e ascender ao Seu Pai.

(Pergunta nº 85 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Abraham Lincoln (1809- 1865) foi um político norte-americano que serviu como o 16° presidente dos Estados Unidos, posto que ocupou de 4 de março de 1861 até seu assassinato em 15 de abril de 1865. Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a integridade territorial do país, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo nacional.

[2] N.T.: George Washington (1732-1799) foi um líder político, militar, agricultor, empresário do tabaco e estadista norte-americano. Um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos, foi o primeiro presidente daquele país de 1789 a 1797. Anteriormente, liderou as forças patriotas à vitória na Guerra de Independência. Presidiu a Convenção Constitucional de 1787, que elaborou a Constituição e estabeleceu o governo federal. Washington foi denominado o “Pai da Pátria” por conta de sua liderança na formação dos Estados Unidos.

[3] N.T.: A Batalha de Gettysburg, ocorrida nos arredores e dentro da cidade de Gettysburg, Pensilvânia, foi o embate com o maior número das vítimas na Guerra de Secessão e ponto culminante da segunda invasão do norte pelo exército confederado do general Robert E. Lee. No final, o Exército do Potomac, comandado pelo major general George Meade, derrotou os ataques do Exército da Virgínia do Norte, comandado pelo general Lee, suspendendo a invasão confederada no Norte.

[4] N.T.: ICor 5:6 e Gl 5:9

[5] N.T.: Jo 1:3

[6] N.T.: Rm 8:22

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Final do Drama Cósmico, mais uma vez

Mais uma vez chegamos ao ato final do drama cósmico que envolve a descida do Raio solar de Cristo na matéria de nossa Terra, que se completa no Nascimento Místico celebrado no Natal e, depois, na Morte Mística e na Libertação, que são celebradas logo após o Equinócio de Março, quando o Sol do novo ano inicia sua ascensão às esferas superiores dos céus setentrionais, depois de verter sua vida para salvar a Humanidade e revigorar todas as coisas sobre a Terra.

Pois os pontos dos Equinócios e Solstícios são marcos decisivos no caminho cíclico de um Planeta, marcados por festividades como o Natal e a Páscoa

Podemos partir com o marco decisivo no caminho cíclico da Terra na noite de Natal, quando a Terra dorme mais profundamente, quando as atividades materiais descem ao nível mais baixo, uma onda de energia espiritual carrega em sua crista a divina criadora “Palavra do Céu” para um nascimento místico no Natal; e como uma nuvem luminosa, o impulso espiritual paira sobre o mundo que “não o conheceu” porque ele “brilha nas trevas”, quando a natureza está paralisada e muda.

Essa “Palavra” criadora divina contém uma mensagem e tem uma missão. Nasceu para “salvar o mundo” e “para dar Sua vida pelo mundo”. Deve, necessariamente, sacrificar Sua vida para conseguir o rejuvenescimento da natureza. Gradualmente, um raio do Cristo Cósmico se enterra na Terra e começa a infundir Sua própria energia vital nas milhões de sementes que jazem adormecidas no solo. Ele sussurra a “palavra de vida” nos ouvidos dos animais e pássaros, até que o evangelho ou as boas novas seja pregado a todas as criaturas. O sacrifício é totalmente consumado quando o Sol cruza seu nodo oriental no Equinócio de Março. Então, a Palavra divina criadora expira. Em um sentido místico, Ele morre na cruz na Páscoa, enquanto profere um último brado triunfante: “Está Consumado” (Consummatum est).

Mas, do mesmo modo que um eco volta a nós, muitas vezes, repetido, assim também a canção celestial de vida é repercutida na Terra. Toda a criação entoa um cântico de louvor. Um coro de uma legião de línguas repete sem cessar. As pequeninas sementes no seio da Mãe Terra começam a germinar, brotando e despontando em todas as direções, e logo um maravilhoso mosaico de vida, um tapete verde aveludado bordado com flores multicoloridas, substitui o manto de imaculado branco invernal. Das espécies de animais de pelo e pena, a “palavra de vida” ressoa como uma canção de amor, impelindo-os ao acasalamento. Geração e multiplicação é o lema em toda parte – o Espírito ressuscitou para uma vida mais abundante.

Assim, misticamente, podemos notar todos os anos o nascimento, a morte e a ressurreição do Salvador como o fluxo e o refluxo de um impulso espiritual que culmina no Solstício de Dezembro – época do Natal – e sai da Terra logo após a Páscoa, quando a “palavra” sobe ao Céus, no Domingo de Pentecostes. Mas, não permanece lá para sempre. Foi-nos ensinado que “dali retornará”, “no Juízo”. Portanto, quando o Sol atravessa a linha do equador em direção ao sul do Planeta Terra, em outubro, através do Signo de Libra inicia a descida do Espírito do novo ano. Essa descida culmina no nascimento, no Natal.

(Trechos de Max Heindel sobre o trabalho cíclico anual do Cristo)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Como devo Proceder nessa Época Santa do Ano?

Já está marcado nos céus o início de uma ação predecessora, isto é, que precede a um grande acontecimento. A 21 de setembro iniciou-se, mais uma vez, a descida de um Raio do Cristo Cósmico, e no dizer de nosso irmão Max Heindel, “um cântico harmonioso, rítmico e vibratório”, maravilhosamente descrito na lenda do Nascimento Místico, como um “hosana” cantado por um coro angelical, enche a atmosfera planetária e opera sobre todos nós como um impulso à aspiração espiritual.

Pelo Natal o Cristo nascera, mais uma vez, no centro da Terra, para vivificá-la e para, de novo, dar Sua vida a todos os Reinos da Natureza que evoluem nesse Planeta. Já o trabalho maior que tem um paralelo: o trabalho menor. A uma ação macrocósmica corresponde uma ação microscópica. Há uma disposição de forças em cada criatura – em cada microcosmo – o que tende a levá-la, por esta época, a consciência de seu Cristo interno. Toda a vida se predispõe a esse grande acontecimento, tanto no maior como no menor…

Tudo se adapta ao desígnio maior. Toda a natureza se rende, toda a vida instintiva cede passo à ação hierárquica dos valores mais elevados. A ação adaptativa se mostra em toda a sua plenitude e a razão está, então, como nosso irmão Max Heindel quando diz que: “a adaptabilidade é a chave do progresso e da evolução”.

Todos os anos há uma tentativa, uma ação de ordem espiritual no sentido de tornar a matéria física mais sensível aos impactos do Espírito. Está, portanto, em ação, tal como nos anos anteriores, um processo mais direto de sutilização da matéria por força desse “cântico harmonioso, rítmico e vibratório” que teve início a 21 de setembro.

O trabalho de Cristo começou novamente. Novas condições de vida, embora imperceptíveis para a maioria, surgirão a contar desse dia, em relação aos anos anteriores.

O processo alquímico no Cosmo se desenvolve sem interrupção através da adaptação integral da Natureza à Ação Crística. No microcosmo, a ação do Cristo interno deveria ser paralela à do Cristo Cósmico, mas não o é. As razões de ordem pessoais tolhem essa ação e a adaptação, quando há, se processa intermitentemente. O ser humano sofre, principalmente por falta de visão, por não poder ou querer dilatar seu horizonte.

Porém, a criatura nunca está desamparada. Existe sempre um auxiliar de Cristo junto a cada ser e, entre esses Auxiliares estão os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, fornecendo os meios necessários para a criatura adaptar-se à Ação Crística.

Dizem eles: “Se aspiramos conhecer a Deus e obter a Sabedoria Divina, devemos estudar a atividade do Divino Princípio em nossos corações. Devemos escutar-lhe a voz com o ouvido da inteligência e ler-lhe as palavras com a luz do divino amor, porque o único Deus que o ser humano pode conhecer é o seu próprio Deus pessoal, Uno com o Deus do Universo” (Livro: Cartas Rosacruzes). Este é o símbolo proposto por Cristo quando disse: “ninguém pode conhecer o Pai senão por mim”, isto é, pelo princípio Crístico microcósmico interno.

Tomás de Kempes diz no Livro “Imitação de Cristo”: “Filho, eu devo ser o teu supremo e último fim, se desejas ser verdadeiramente feliz. Esta intenção purificará teu coração, tantas vezes apegado desregradamente a ti mesmo e as criaturas. Porque se em alguma coisa te buscas a ti mesmo, logo desfaleces e afrouxas. Refere, pois, tudo a mim, principalmente porque eu sou quem te deu tudo. Considera todos os bens como dimanados do Sumo Bem e, por isso refere tudo a mim como sua origem”.

A “Luz do Mundo” diz: “Procura primeiro o Reino de Deus… o Reino de Deus está dentro de ti”.

Cristo e Seus Auxiliares aí estão levando a criatura pela procura de um valor interior, à condição real de Filho de Deus.

Eis porque atualmente se faz ouvir “um cântico como um hosana entoado por um coro angelical, enchendo a atmosfera planetária, impulsionando-nos a aspiração espiritual”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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