Essa frase de Cristo, encontrada no 14º Capítulo do Evangelho segundo S. João, é algo transcendentalmente profundo e significativo a ponto de merecer zelosos estudos e reverente meditação por parte do estudante esotérico. É uma delineação do Caminho para a Iniciação.
Em virtude de S. João ter conhecimentos atinentes ao Período Júpiter e pelo fato de ter sido o “Discípulo amado” de Cristo podemos imaginar a grandiosidade de seus ensinamentos. A interpretação dos ensinamentos de Cristo, tais como os apresentados por S. João, à luz do ocultismo, distancia-se muito do significado pretendido pelos Cristãos populares. Após essa ligeira apreciação, vamos considerar essa frase pelo seu revestimento eminentemente transcendental.
Surge imediatamente dentro da unidade da frase uma trindade. A unidade é o “Eu Sou”, desdobrando-se na trindade “o Caminho, a Verdade e a Vida”. Sabemos que o “Eu Sou” é o Cristo. Os três aspectos acham-se na Trindade.
O que é o “Caminho”? Sem dúvida é o “Eu Sou”, o Espírito perfeito e absoluto em quem não há trevas, como afirma S. João na sua Primeira Epístola, ao expressar a verdade de que “Deus é Luz”. Também encontramos referência análoga nos primeiros versículos do Evangelho já mencionado, onde lemos algo a respeito do Verbo (o Logos), de quem foi feito tudo o que existe. O “Eu Sou” é o Espírito absoluto pelo qual o Aspirante à vida superior deve encontrar o Caminho. Por meio do nosso Espírito caminhamos no Espírito de Cristo.
A segunda pergunta é esta: o que é a Verdade do “Eu Sou”? Ele intenta dizer a nós que ninguém conhece a Verdade Absoluta. Ele tinha em si a Verdade, pois se achou no “Absoluto”. Temos então de encontrar o “Absoluto” que sempre existiu em Cristo desde o princípio das coisas. O “Absoluto” se apresenta pela existência da Eternidade. Essa é a Verdade de que Cristo fala, da existência desde a eternidade do passado para a eternidade do futuro. Assim, a Verdade é a eternidade.
Chegamos assim ao terceiro aspecto da frase: “Eu Sou a Vida”. Coincide novamente com os primeiros versículos do primeiro Capítulo: “…e a Luz era a vida dos homens”. Cristo é a vida, o terceiro aspecto do “Eu Sou” no Espírito infinito do Poder, da Sabedoria e da Criação. A Criação coincide com a vitalidade manifesta, objetiva em todas as criações; por isso o Caminho, a Verdade e a Vida se manifestam objetivamente. O universo é vitalizado por intermédio de Cristo. “Na Casa de Meu Pai há muitas Moradas e Ninguém vem ao Pai senão por Mim” (Jo 14:2).
Resumindo: o “Eu Sou” é o “Espírito Absoluto””. Seu primeiro aspecto é o Caminho, que é o Seu Espírito. Seu segundo aspecto é a Verdade, que é a Eternidade. Seu terceiro aspecto é a Vida, que é a Sua manifestação objetiva.
Como os três aspectos divinos se encontram na Centelha Divina de cada um de nós, deduz-se que ao seu devido tempo o candidato reconheça a união dos aspectos em si mesmo, o que o leva à união com o Cristo e, consequentemente, com o Pai.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Do Logos, no coração do Universo, surgiu um raio de luz, um pensamento de Amor — eu observei esse relâmpago atravessar o Mundo do Pensamento, o Mundo do Desejo e o Mundo Físico; foi isso que eu vi. Os moradores dos Céus, desfrutando da rapsódia de um grande Amor, sentiram Sua presença e um grito se elevou: “Glória a Deus nas alturas”. E tocou os moradores do Mundo do Pensamento, chamando novos poderes para o seu ser; então grandes ondas de pensamento assumiram um tom rosado enquanto as Mentes, mais uma vez, se dedicavam a serviços de amor na causa da elevação da Humanidade.
Enquanto a morada estrelada dos nossos Corpos-Alma radiantes foi iluminada por sua chama, semelhante a uma espada, eu vi cada membro envolto em brilho, enquanto as cores opacas das suas paixões inferiores foram consumidas por seus fogos; então — o Amor Humano se tornou angelical e o desejo queimou em formato de fogo branco para servir à Grande Fraternidade.
Finalmente, agora dividida, como que por um prisma, a chama de um Pensamento Divino envolveu em radiância os moradores da Terra de acordo com seus vários caminhos. Assim — os Discípulos da Devoção se tornaram um foco para vapores de um glorioso azul-esverdeado; aqueles do raio místico tomaram uma parte do azul do céu; artistas e músicos, deleitando-se com a beleza, receberam um batismo de chamas vermelho-rosadas: cada uma com a sua inspiração.
Eu também pude ver muitos filósofos e buscadores em claustros, laboratórios ou bibliotecas, perseguindo solitariamente alguma busca eterna; eles pareciam estar diretamente sob um raio de sol causado pela vibração dourada, junto a canções de esperança em seus corações e se dedicavam mais uma vez a diversas tarefas.
Outros, de esplendor divino nos quais pude discernir o “Caminho da Cruz”, estavam abrindo vias para irmãos e irmãs mais fracos através de emaranhados intermináveis de florestas, alguns deles encontrando apoio precário e doloroso em penhascos íngremes; eles olharam para cima em êxtase quando uma fonte de jatos Violetas desceu sobre suas testas sangrentas, um batismo de Fogo Divino.
E eles começaram a cantar; o tema da canção era um futuro glorioso, mas não um futuro temporal, não; uma condição na qual tempo, espaço, passado, presente e futuro são um onde todos vivem no “Eterno Agora”, reunindo e colhendo experiências de amor e serviço a uma grande Fraternidade que inclui tudo, da mais humilde erva e do inseto mais vil até o coração do Universo, onde habita o Logos: o Espírito do Amor.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)