O último dia 23 de julho foi uma efeméride marcante para os Estudantes Rosacruzes. Nessa data, os Centros e Grupos comemoram o aniversário de nascimento de Max Heindel. Não se trata de mera homenagem póstuma. Muito mais do que isso, procura-se evocar, reverentemente, a figura e o trabalho do fundador da Fraternidade, como fontes perenes de inspiração em que se converteram.
Rememorando aspectos de sua obra, passagens de sua vida e traços de seu caráter, sentimos como que renovada nossa disposição em trilhar tão áspero e, ao mesmo tempo, luminoso caminho. Áspero, porque o crescimento anímico não prescinde do sacrifício e da renúncia para tornar-se uma realidade na vida do aspirante. Jornada pouco convidativa para os débeis e acomodados, ascese gloriosa para os espíritos intimoratos, essa é a vereda da evolução, iluminando pelo conhecimento e experiência os passos corajosos dos idealistas.
A contribuição espiritual de Max Heindel em benefício da humanidade constitui algo de valor inestimável. Dia a dia seus ensinamentos são corroborados pela ciência oficial, abrindo, ao ser humano, horizontes de maior amplitude.
À medida que o tempo passa, acentuam-se os conflitos humanos, exigindo rápidos e eficazes remédios. Não há mais lugar para paliativos. Não se concebe, definitivamente, recursos protelatórios. O mundo deve conhecer as causas de seus sofrimentos e neutralizá-las por meio de persistentes esforços.
Atualmente, a nau da humanidade singra um mar revolto, encapelado pelas ondas do materialismo. No campo oposto encontramos doutrinas que, embora revestidas de belos princípios morais, ainda não demonstraram a seus seguidores a realidade da Essência Divina que as anima. São incompletas.
O ser humano é espírito. Mas quantos já se convenceram inteiramente disso?
Ciência e religião permanecem divorciadas, embora a distância que as separa tenha sofrido considerável redução. Cientistas e religiosos ainda não lograram conciliar os pontos de vista que defendem, chegando a um denominador comum.
Diante de uma análise superficial desse quadro, alguém pode até julgar mera utopia o ideário da Rosacruz. Puro engano. Os ensinamentos rosacruzes constituem, justamente, fatores capazes de tornar a religião científica e a ciência religiosa, por promover a união entre o intelecto e o coração. Satisfazem a Mente tanto quanto a natureza devocional do ser humano. Aos hesitantes em crer na veracidade e poder de transformação desses maravilhosos preceitos, tomamos a liberdade de recomendar uma leitura atenta, seguida de profunda meditação, da obra básica Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel.
Contudo, ao principiarem a leitura, sugerimos despirem-se de todo juízo prematuro. Abandonem quaisquer rasgos de unilateralismos. Ao penetrarem na essência de cada tópico constatarão como a obra acima referida fundamenta-se num conhecimento de ordem superior. Ela não se configura como o resultado de prolongadas divagações filosóficas ou exaustiva especulação intelectual. Não brotou da pretensão de lançar ao mundo mais um ramo filosófico, entre tantos já existentes. Não é um livro escrito para ser lido como outro qualquer.
Um ser humano dotado de uma inteligência mediana logo verificará que o Conceito Rosacruz do Cosmos não é uma obra dogmática, mas respeita a sagrada liberdade de cada um aceitar ou não uma proposição conforme delibere sua consciência.
O autor teve o especial cuidado de, ao iniciar a obra, tecer considerações alusivas às possíveis interpretações dos conceitos nela emitidos. Admitia que o entendimento errôneo de alguns ou uma distorção maldosa por parte de outros poderia suscitar uma ideia de infabilidade na exposição efetuada sobre diversos temas. Porém, Max Heindel acautelou-se, afirmando que dizer-se que a referida exposição é infalível seria o mesmo que atribuir-lhe onisciência, quando até os seres mais elevados às vezes se enganam nos juízos que fazem. O Conceito encerra apenas a compreensão dele sobre os ensinamentos rosacruzes a respeito do mistério do mundo, revigorada por suas investigações pessoais nos mundos internos e sobre os estados antenatal e pós-morte do ser humano. Concluiu afirmando que não considera tal obra como sendo “o alfa e o ômega”, o último conhecimento oculto.
Percebe-se, daí a honestidade de propósitos do autor, cuja única meta consistia em prestar um digno serviço ao gênero humano. Todas as suas obras constituem um “alimento sólido”, capaz de nutrir o espírito em suas necessidades essenciais.
Todavia, apesar dessa argumentação alguém ainda pode objetar: — afinal, quem pode oferecer uma garantia cabal e definitiva da fidelidade dos relatos contidos no livro e das intenções íntimas do autor?
A tal indagação respondemos: estudando a biografia de Max Heindel. Ele nos deixou, como aval de seu magnífico trabalho, uma vida repleta de lutas, dificuldades vencidas, sofrimentos pacientemente suportados, estudos, pesquisas incessantes, e um coração transbordante de amor. Era um ser humano modesto. Nada reivindicava a seu favor. Riquezas materiais e honrarias nunca o deslumbraram. Foi trabalhador infatigável, companheiro de todas as horas, o primeiro a servir.
Somente alguém assim, dotado de extraordinária envergadura espiritual, poderia suportar e vencer provas tão difíceis, que facilmente aniquilariam o ser humano comum.
Os resultados de seus esforços estão aí, beneficiando tantos quantos se integraram à Fraternidade Rosacruz e mesmo outros que nunca se propuseram a fazê-lo. “Pelos seus frutos vós os conhecereis”, afirmou o Cristo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1978)
A Epigênese e o Destino Futuro
Quando estamos estudando a “Teia do Destino – Como se Tece e Destece”, é conveniente e absolutamente necessário que não percamos de vista da nossa Mente o fato de que a vida não é somente um desenrolar de causas estabelecidas em existências anteriores. O espírito, quando está de volta via o renascimento, tem uma quantidade variável de livre-arbítrio – de acordo com a vida vivida anteriormente – para preencher os detalhes. Além disso, ao invés de apenas transformar causas passadas em efeitos, há também causas novas geradas a cada passo dado pelo espírito e que, então, atuam como sementes de experiências para as vidas futuras. Esse é um ponto muito importante. É uma verdade evidente em si mesma, pois se assim não fosse, as causas que já foram definidas, em algum momento, devem terminar, e isso significaria o término da existência. Desta forma, não somos absolutamente forçados a agir de uma certa maneira, só porque estamos em um determinado ambiente e porque toda a nossa experiência anterior nos deu uma tendência em direção a um determinado fim. Com a prerrogativa divina do livre-arbítrio, o ser humano tem o poder da Epigênese ou iniciativa, de forma que possa começar em uma outra direção, a qualquer momento que desejar. Ele não pode, imediatamente, se afastar da vida antiga – isso pode exigir muito tempo, talvez várias vidas –, mas, progressivamente, ele se prepara arduamente para o ideal que ele uma vez semeou.
Portanto, a vida avança não apenas pela Involução e Evolução[1], mas especialmente pela Epigênese. Esse sublime Ensinamento da Religião da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes explica muitos mistérios que, de outro modo, não teriam uma solução lógica, e entre eles está um que ocasionou o recebimento de muitas cartas à Sede Mundial da The Rosicrucian Fellowship. Esse assunto é abordado com alguma relutância, já que o autor não gosta de falar sobre a guerra. A questão diz respeito à relação entre um soldado, uma mulher do inimigo feita prisioneira de guerra por ele e o Ego nascido de uma mãe que o odeia, por causa da maternidade indesejada.
A investigação de um certo número de casos mostrou que esse é um novo desafio para certa classe de espíritos que estão de volta via o renascimento. Todos tinham sido incorrigíveis em suas encarnações anteriores e parecia que nada de bom poderia mantê-los ali, para a tristeza daqueles que se relacionavam com eles. As condições da atual guerra[2], ainda que não tenha sido criada para esse propósito, oferecem uma oportunidade para transferi-los para outro campo de ação, onde a nova mãe colhe, através desta ação, os frutos dos erros cometidos por ela mesma em existências anteriores.
Nem tão pouco essa condição é de toda peculiar para a guerra. Muitas vezes, em outras ocasiões, são utilizados meios semelhantes para que possamos colher o que semeamos por meio de outros seres humanos que são aparecem em nossas vidas para seu próprio e nosso sofrimento. Eu me lembro de uma mãe que me disse, há alguns anos, como havia se rebelado contra a maternidade; como, depois de ter passado pelo período da gravidez com ódio e raiva em seu coração se recusou até a olhar para a criança quando nasceu; mas finalmente, ela sentiu piedade pela condição de desamparo daquela criança e mais tarde, a piedade se transformou em amor. A criança tinha todas as vantagens de que o dinheiro poderia lhe proporcionar, mas essas vantagens não poderiam salvar o seu equilíbrio mental, e hoje está preso como assassino em uma cela de um hospício para criminosos, enquanto a mãe foi deixada no seu sofrimento para ponderar sobre o que ela fez ou não fez, durante o tempo em que o bebê estava a caminho.
Inversamente, existe também ocasiões em que um espírito, terminando sua experiência em um ambiente, volta via o renascimento em uma nova esfera de ação, como um raio de Sol e conforto para aqueles que, por suas ações passadas, merecem receber tais bênçãos. Lembremo-nos, portanto, que não importa quão degradado seja um ser humano, ele tem sempre o poder de semear o bem, mas deve esperar até que essa semente possa florescer em um ambiente propício. Cada um de nós, embora sujeito ao seu passado, é livre no que diz respeito ao seu futuro.
[1] N.T.: sobre Involução e Evolução, com mais detalhes, veja aqui O Conceito Rosacruz do Cosmos, no Capítulo XIV, no item Involução, Evolução e Epigênese.
[2] N.T.: refere-se à Primeira Guerra Mundial (1914-1918)
(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 55)
Parece-nos necessário lembrar, de tempos em tempos, ao noviço o voto dele, a sagrada promessa que ele fez ao seu “Eu Superior”.
Esta promessa, ele fez a seu Deus Interno.
O noviço pode talvez pensar que esta solene promessa ele a fez a si mesmo e que, portanto, não está comprometido com ninguém, nem se ligou a nenhuma outra pessoa ou organização. Pode parecer-lhe assim, mas se analisar profunda e sinceramente a questão, quem é o “Eu Superior”, ante quem se ajoelhou orando e a quem fez uma solene promessa, verá que essa promessa ao “Deus Interno” é muito mais sagrada que se a houvesse feito a um Deus sentado em seu trono, suscetível de irritar-se e castigá-lo, como ensinaram as antigas religiões.
Os Ensinamentos Rosacruzes dizem que o ser humano é uma chispa do Divino Pai e que o “Espírito de Deus mora dentro de nós”. Assim é que se fizemos nosso voto ao nosso Eu Superior, contraímos uma obrigação com Nosso Pai Celestial.
Em nossos dias as tentações estão por toda a parte e, ao vivermos a vida superior, elas põem de relevo tudo o que há no noviço de bem ou de mal. Deve estar constantemente alerta para subjugar seus baixos desejos.
E agora que as mulheres têm o hábito de fumar e que a moral, ao ficar simplificada com as mesmas regras para os dois sexos, outorgou à mulher os privilégios do sexo masculino, há maior perigo e tanto os homens como as mulheres estão caindo de novo no uso excessivo do álcool e do fumo, hábitos altamente destrutivos de toda a espiritualidade.
Diz Max Heindel em sua Carta nº 20 aos Estudantes: “Não se necessita nenhum argumento para demonstrar que não é possível dissertar eficazmente sobre a espiritualidade, tendo na mão um coquetel, nem advogar por uma vida inofensiva ao estar comendo um pedaço de assado. Mais ainda, os que conhecem vossos hábitos na vida diária, estão sempre prontos para fazer comentários, entre o que predicais e o que praticais”.
O noviço que se esforça por desenvolver sua alta percepção espiritual acha impossível levar essa vida dupla, pois os alimentos toscos e os estimulantes, como a carne, o álcool e o fumo, excitam e nutrem a parte baixa de nossa natureza e ofuscam o espírito.
Vossa para servir a humanidade.
(Por Augusta Foss de Heindel, traduzido da revista Rays From the Rose Cross, Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1978)
No mês passado, prometi dar continuidade à explicação sobre a Ordem Rosacruz a sua relação com a Fraternidade, mas não me lembrei que a Páscoa estava próxima e que essa data deveria merecer uma atenção especial. Espero que concordem que é muito importante estudar esse grande acontecimento cósmico, particularmente por vivermos numa terra Cristã e por sermos, espero, Cristãos de coração. Na verdade, a palavra-chave deste mês é: um apelo pela Igreja. Foi com este propósito que publiquei no final da lição o poema “Credo ou Cristo”.
Todos somos Cristos em formação. A natureza do amor está desabrochando em todos nós, portanto, por que não nos identificarmos com uma ou outra das igrejas cristãs que acalentam o ideal de Cristo? Alguns dos melhores obreiros da Fraternidade são membros e ministros de igrejas. Muitos estão famintos pelo alimento que temos para lhes dar. Não podemos compartilhar desse alimento com eles mantendo-nos afastados. Prejudicamo-nos pela negligência em não aproveitar a grande oportunidade de ajudar na elevação da Igreja.
Naturalmente, não há coação nisso. Não pedimos que se unam ou cuidem da Igreja, mas se formos até ela com espírito de ajuda, afirmo-lhes que experimentarão um maravilhoso crescimento de alma em um curto espaço de tempo. Os Anjos do Destino, que dão a cada nação a religião mais apropriada às suas necessidades, colocaram-nos em uma terra Cristã, porque a Religião Cristã favorece um amplo crescimento anímico. Mesmo admitindo que a Igreja tenha sido obscurecida pelo credo e pelo dogma, não devemos permitir que isso nos impeça de aceitar os ensinamentos que são bons, porque isso seria tão infrutífero como centralizar a nossa atenção sobre as manchas do Sol recusando ver a sua luz gloriosa.
Medite sobre este assunto, querido amigo, e tomemos por lema deste mês: Maior Utilidade, para que possamos crescer, empenhando-nos sempre no aperfeiçoamento das oportunidades surgidas.
(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 04)
Se o ser humano pudesse compreender que o maior curador é a natureza! Deus preparou Seu Laboratório de modo que todo aquele que seja observador dos efeitos dos vegetais e das frutas no organismo humano saberá que contêm um remédio para cada enfermidade de que são herdeiros os seres humanos e os animais.
O animal quando está doente lhe é possível encontrar a erva ou o vegetal necessário para curar-se. Já observou você o cão ou o gato em tal caso? Se tem a oportunidade de sair do quarto onde está preso, no mesmo instante busca as folhas verdes do capim, e especialmente as pontas do trigo ou da cevada, os quais mantêm os órgãos digestivos desses carnívoros em perfeito estado de saúde. Se seu cãozinho ou gato estão doentes e não têm oportunidade de ser livres, leve-os ao campo e permita-lhes que por si próprios encontrem sua medicina; se lhes concede que sigam seus instintos, rapidamente ficarão curados. Se as folhas do capim contêm tudo o que necessita o enorme corpo de um boi ou de um cavalo para alimentá-los, quanto mais podia receber o ser humano dos vegetais mais altamente cultivados e evoluídos?
Para as queimaduras, escaldaduras e contusões, moa-se a batata crua ou a cebola e use-se como emplasto; absorverá toda a inflamação.
A cebola crua, quando se corta em fatias e se põe entre dois biscoitos de água e sal como um sanduiche, e se comem tendo vazio o estômago cada noite antes de dormir, reconstruirá o sistema nervoso, assegurando um sono profundo. Enquanto o corpo descansa, esse vegetal maravilhoso atuará como uma escova para limpar o fígado e os intestinos de suas impurezas.
O alho, esse vegetal tão desprezado, devido a seu odor, quando se come em forma de sanduiche entre fatias de pão integral, eliminando toda outra classe de alimentação por alguns dias e fazendo três comidas ao dia desse sanduiche, curará as escrófulas, os desarranjos biliares, a prisão de ventre e os catarros, sendo também muito útil nos casos de elevada pressão sanguínea e endurecimento das artérias.
Se o sangue está anêmico, ou com falta de ferro, o espinafre, as beterrabas, a alface, o almeirão silvestre e as maçãs vermelhas, que estão bem supridas com o ferro da natureza, são os vegetais e frutas que se deveriam comer. Todas as substâncias minerais que se vendem como drogas nas farmácias são prejudiciais e não são assimiláveis pelo sangue. O mel é um maravilhoso estimulante, e restaurará a energia e força do organismo depois de um trabalho muscular intenso. O mel quando é misturado com o suco de limão é bom para curar as enfermidades da garganta, catarros e resfriados, e quando é mesclado com água também cura as queimaduras do sol e as mãos gretadas.
Uma laranja ou uma maçã comida durante a noite antes de ir dormir e ao se levantar em jejum, faz a mesma coisa, estimula a ação dos intestinos e com o tempo cura a prisão de ventre.
As réstias dos feijões verdes podem secar-se e armazenar-se para casos de emergência; fazendo-se infusão delas como se fosse um chá, aliviará todos os distúrbios de bexiga e são um regulador eficiente dela.
Para aclarar a cútis e obter o brilho do cabelo, coma-se pouco creme, gordura ou gemas de ovo, mas bastantes vegetais ou saladas, tais como almeirão, espinafre, as pontas da beterraba tenra, (as folhagens) cenouras, mostarda silvestre, agrião, etc.
A seguinte tábua de alimentos terapêuticos pode ser de utilidade:
PARA OS NERVOS: As cebolas, alface, cenouras, maçãs. Passas negras, morangos, amoras, aipo.
PARA FORMAR OU ENRIQUECER O SANGUE: As beterrabas, cenouras, espinafre, alface, morangos, maças vermelhas, ameixas, uvas vermelhas.
PURIFICADORES DO SANGUE E DO FÍGADO: As cebolas, o alho, as cenouras, nabos, almeirão silvestre, tomates, ameixas em passas, ameixas, figos e pêssegos.
PARA OS RINS: Os aspargos, alcachofras, almeirão silvestre, suco de maçãs, feijões verdes, ervilhas verdes, limões.
PARA O RAQUITISMO OU DEFICIÊNCIA DE CÁLCIO: Vagens verdes do feijão, ervilhas verdes, cenouras, maçãs, morangos.
PARA O ESTÔMAGO: Tudo o que geralmente poderíamos aconselhar para este órgão, quando sofre transtornos, é um descanso muito necessário, deixando de ingerir alimentos durante um ou dois dias.
(De Augusta Foss Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross – Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/1978)
Cristo Planetário – é um Arcanjo glorioso, supremo entre a Hoste Arcangélica.
O Mistério de Cristo é tão sublime e tão poderoso em Sua importância que transcende qualquer definição humana. Tão profundo é o Seu significado que nunca pode ser dosado ou expresso por meras palavras; só pode ser sentido no silêncio da contemplação espiritual.
A Hierarquia de Capricórnio é o lar dos Arcanjos; mas durante o período de Sua missão nesse Planeta, Cristo e Seus ministros Arcangélicos faz Seus lares no revestimento espiritual do Sol – pois cada corpo celestial tem um revestimento espiritual estendendo além do espaço da sua parte visível. Do mesmo modo, cada ser humano tem uma extensão espiritual, além do seu veículo físico.
O Sol do nosso Sistema Solar é o tríplice. Podemos ver o Sol físico. Por trás dele, ou escondido por ele, está o Sol espiritual, de onde vem o impulso do Espírito do Cristo Cósmico.
O Mistério de Cristo é tão sublime e tão poderoso em Sua importância que transcende qualquer definição humana. Tão profundo é o Seu significado que nunca pode ser dosado ou expresso por meras palavras; só pode ser sentido no silêncio da contemplação espiritual.
A diferença entre Cristo da Terra e o Cristo Cósmico é melhor entendido por meio de uma ilustração. Imagine uma lâmpada no centro de uma grande esfera oca de metal polido. A lâmpada envia raios de luz de si para todos os pontos da esfera e os refletirá em vários lugares. Do mesmo modo, o Cristo Cósmico – o mais alto Iniciado do Período Solar – envia Seus raios emitidos.
Quando tínhamos nos desenvolvido o suficiente, Cristo veio e encarnou aqui na Terra; então um raio do Cristo Cósmico veio aqui e encarnou no Corpo do nosso Irmão Maior Jesus. Após o sacrifício no Gólgota Ele entrou na Terra, e tornou-se Seu Espírito Planetário Interno.
Não foi outro, senão o Cristo que apareceu a Moisés no episódio da sarça ardente. Tal fenômeno foi reflexo do Cristo Cósmico, conforme Ele se aproximou mais da Terra, antes de Sua encarnação humana. Cristo é o Senhor do Sol e Chefe dos espíritos de Fogo, os Arcanjos. A Dispensação Cristã está intimamente guiada pela Hierarquia de Leão, os Senhores da Chama. Assim, a Iniciação de Fogo é diretamente ligada aos Mistérios de Cristo.
Foi o Cristo Cósmico, localizado no meio da Glória Solar, que ensinou a Seus Discípulos os mistérios mais profundos da nova fé na nova Era, a Era de Peixes, que eles iriam, então, transmitir ao grupo de Discípulos mais próximos do futuro.
A Crucificação do Cristo Cósmico começa, todo ano, quando o Sol está em Libra, no Equinócio de Setembro, quando a Glória desce para o “Hades”[1] do Planeta Terra.
O Equinócio de Março é o momento em que o Cristo Cósmico é libertado dos grilhões terrestres que Ele se aprisionou, durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro.
A Estação do Advento se estende pelo mês de dezembro e é anunciada como uma Festividade de Luz. O impulso espiritual da estação prepara a humanidade para o derramamento das forças celestiais acompanhando o renascimento do Cristo Cósmico em nossa esfera terrestre. Esse período é seguido pela estação do Solstício de Dezembro que se estende de 21 de dezembro à 24 de dezembro e culmina com o dia seguinte, o 25 de dezembro, no Natal, o dia mais profundamente reverenciado em toda a Cristandade.
O Cristo Cósmico será a figura central da vindoura religião da Era de Aquário.
[1] N.T.: profundezas
O Evangelho do Serviço, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz
A Fraternidade Rosacruz, no cumprimento de suas finalidades precípuas, tem envidado esforços no sentido de divulgar os Ensinamentos Rosacruzes, utilizando, para tal, os veículos ao seu alcance, como revistas, folhetos, livros, cursos orais e epistolares etc. Tais conhecimentos são desinteressada e amorosamente colocados ao alcance de todos aqueles que aspiram a verdades mais profundas a respeito do ser humano e do mundo. Quantos seres desalentados recobraram ânimo e encontraram nova motivação para sua vida ao “descobrirem” os maravilhosos ensinamentos transmitidos à humanidade por Max Heindel! Quantos seres humanos encontraram-se a si mesmo ao tomarem a decisão de batalhar pela causa dos Irmãos Maiores!
A Fraternidade Rosacruz tem prestado relevantes serviços ao gênero humano. Numa época em que o materialismo campeia ameaçadoramente, ela desponta como um amenizador de impactos, indicando, sabiamente o caminho do equilíbrio.
E não se julgue que esse trabalho tem sido fácil! E não se pense que tudo tem sido um mar de rosas! Não! Pelo contrário! A caminhada da Fraternidade tem sido pontilhada de lutas e sacrifícios.
Não é fácil, nos dias de hoje, manter uma entidade com estas características de ineditismo, “sui generis”! Poucas organizações congêneres mantêm cursos por correspondência e outros serviços sem a exigência de um pagamento; o que pesa em cada um é a consciência do dever cumprido.
Todo sacrifício que se faça em prol desse Ideal ainda será pouco. Ele é tão elevado, que poder aspirá-lo constitui, por si só, um grande privilégio. A Fraternidade é uma grande seara onde há abundância de oportunidades de trabalho. Há muito que se fazer. Há falta de obreiros. Ela é a magna oportunidade de realização anímica por meio da purificação e do serviço.
Mediante o estudo aumentamos gradativamente nosso cabedal de conhecimentos, todavia, se não os aplicarmos permaneceremos na estaca zero. E de que forma podem ser aplicados os conhecimentos? Pelo aprimoramento do caráter e pelo serviço prestado em favor da humanidade. Conhecimento implica “fé racional”. E a “fé sem obras é morta”.
Alguns estudantes antigos queixam-se de seu exíguo e lento progresso no caminho Rosacruz. Talvez eles não tenham compreendido o sentido exato do Ideal. Só teoria não é suficiente. O estudo é indispensável, mas não é um fim em si mesmo. De intelectuais o mundo está repleto, mas há uma carência enorme de espiritualistas práticos. Pouco vale conhecer todas as obras rosacruzes se na vida diária nós as renegamos por meio de nossas atitudes incoerentes. De que adianta nosso dom de oratória, se ao proferirmos nossa elocução de uma tribuna não alimentamos nossas palavras com a convicção de quem vive realmente as verdades enunciadas?
Não se pode dissociar rosacrucianismo de SERVIÇO. Quem não se dispuser a arregaçar as mangas e fazer a sua parte dará passos miúdos na senda evolutiva. A Filosofia Rosacruz encerra em si mesma o EVANGELHO DO SERVIÇO, e na Fraternidade encontramos um campo de ação extraordinário, pois ela tende a crescer e a preparar os homens para a futura Era de Aquário.
PELA FRATERNIDADE “FAÇA-SE O MELHOR, FAÇA-SE TUDO!”.
(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/1971)
Um dos mais valiosos princípios que devem cultivar os que se propõem ser Estudantes Rosacruzes, é a tolerância. Milhões de vidas foram sacrificadas, pela ausência dessa qualidade, desde a mais obscura antiguidade da pré-história que os espiritualistas podem traçar; daí, então, podemos verificar os efeitos da falta de tolerância, que chegou a causar até a desagregação de nações. A intolerância foi o fundamento sobre o qual os atlantes transformaram seus pensamentos em atos, e que, com os tempos, destruíram seu continente.
A Fraternidade Rosacruz é um movimento Cristão internacional, uma organização aberta a todas as raças, sejam essas: branca, amarela, vermelha ou negra (ou qualquer outra cor que inventem).
Os seres que compõem, presentemente, essas raças principiaram simultaneamente seu desenvolvimento como Espíritos Virginais; entre eles, porém, alguns empenharam-se mais na evolução, adiantando-se aos demais e chegando a constituir as raças vanguardeiras do progresso espiritual, dando formação aos povos, e ganhando, assim, por seus próprios esforços, o direito de renascer entre os líderes da humanidade, apurando-se tanto física como mentalmente.
Diferenças de situação, de privilégios, não se devem à preferência de Deus, nem ao prevalecimento de favoritismos (impossíveis de existir no Plano Divino), porque na Grande Escola de Deus o ser humano tem que merecer cada passo que dá.
Os Senhores do Destino não favorecem mais a uns que a outros; exigem, sim, o pago de cada dívida, o fruto para cada recompensa, segundo o que conste nas contas do Banco Universal.
Se o evangelho do Grande Mestre, Cristo-Jesus, tivesse sido aceito e aplicado plenamente na vida, o mundo ter-se-ia transformado. Mas, credos e dogmas retorceram e despedaçaram esses ensinamentos; cada líder, cada templo, cada organização sangrou pelas verdades de Cristo, e a maioria dessas partes foram alimentadas pelo pervertido egoísmo de dirigentes que, por isso, só puderam proclamar esta verdade desde seu limitadíssimo ponto de vista.
Os Ensinamentos Rosacruzes dados a Max Heindel, pelos Irmãos Maiores, foram enviados às nações, aos povos, em toda parte, enfim, onde houvesse seres o bastante tolerantes para reconhecer o verdadeiro grau desses ensinamentos. A Filosofia Rosacruz é hoje aceita por pessoas de todos os meridianos, de todas as latitudes, não importando que sejam das Américas, da Europa da Índia, da China, da África, da Inglaterra ou de qualquer outro povo ou nação. Cristo veio a predicar aos judeus e aos gentios; todos para Ele eram aceitáveis. Assim deve ser o Estudante Rosacruz: tolerante.
Hoje mesmo uma visitante nos disse que se encontrara com proeminente Estudante da Fraternidade Rosacruz, e que esse se expressara contra certo povo, da mesma gente que Cristo aceitou. Porque os Estudantes Rosacruzes – pergunto eu – hão de condenar quem não estiver com eles? Devemos seguir o Cristo, conforme seus ensinamentos, como Max Heindel aconselha em seu belo poema “Credo ou Cristo?”:
“Seu puro e doce amor não está confinado pelos credos
que separam e elevam muralhas.
Seu amor envolve e abraça toda a humanidade.
Não importa o nome que a Ele ou a nós mesmos, dermos.
Então, por que não seguimos a Sua palavra?
Por que nos atermos em credos que desunem?
Só uma coisa importa, atentemos:
é que cada coração seja repleto de amor fraternal“
(De Augusta Foss Heindel, traduzido da Revista Rays from Rose Cross e Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1971-Fraternidade Rosacruz)
A Capa padrão que aparece em todas as publicações dos Livros da Fraternidade Rosacruz
Parece-nos oportuno, com a mudança de formato e de capa de nossa Revista, explicar aos que ainda não entendem nosso símbolo, a razão desse clichê colorido.

Notem que há as três cores primárias, designativas da Trindade (Deus Trino) e correspondentes às notas musicais Dó – Mi – Sol que formam o acorde perfeito. A cor Vermelha correspondente ao Espírito Santo, é a nota Dó; o amarelo, correspondente ao Filho, é a nota Mi; e o azul, correspondente ao Pai, é a nota Sol. Designam também os três meios mais importantes da educação humana: a Religião, a Arte e a Ciência.
A Filosofia Rosacruz é um ensinamento integral, dado ao mundo ocidental para corresponder permanentemente às necessidades desta parte do globo, pois leva-nos a conceber a Unidade da Trindade a expressar em todos os nossos atos o Belo (arte), o Verdadeiro (ciência) e o Bom (religião). Ela se propõe para tornar a Religião artística e científica; para fazer a Arte religiosa e científica; e para criar a Ciência religiosa e artística.
Nos antigos templos de mistérios, a Ciência, a Religião e a Arte eram ensinadas conjuntamente, mas tornou-se necessário, para melhor desenvolvimento de cada uma delas, separá-las durante algum tempo. A Religião reinou na Idade Média; a Arte floresceu na Renascença; e a Ciência Moderna predomina hoje, subjugando suas companheiras. Tornando-se materialista, a Ciência afastou-se do lado oculto da criação. Prevendo os desastrosos efeitos das ideias materialistas na evolução humana e a fim de neutralizar tão grandes prejuízos, a Ordem dos Rosacruzes foi fundada por um grande instrutor espiritual que tem o nome simbólico de Christian Rosenkreuz – o Cristão Rosacruz. Posteriormente, sob sua orientação (no início deste século) fundou-se a Fraternidade Rosacruz, que é a expressão material dessa Ordem Oculta no mundo, por meio de Max Heindel, com o objetivo de lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto de vista científico, em harmonia com a Religião.
Hoje, espalhada por todo o mundo livre, a Filosofia Rosacruz busca eliminar o abismo criado entre a mente e o coração, harmonizando e equilibrando as forças do lado místico e do lado ocultista. É o que representamos no clichê com a lanterna a esquerda (intelecto, sabedoria) e o coração à direita (sentimento, intuição) na cor de Cristo, do Filho, cujo atributo é Amor-Sabedoria. Esse atributo deve ser desenvolvido dentro do ser humano, pela sublimação de suas atividades etéricas, que são governadas pelas forças Crísticas.
Tal desenvolvimento formará o “Filho de Cristo”, o Dourado Manto Nupcial, dentro de cada um de nós, pondo-nos em consonância com o Mundo do Espírito de Vida, o Primeiro Plano Cósmico onde atua Cristo, a fim de que flua através do nosso coração a Sabedoria Cósmica e unitária de que falamos atrás. Notem que a lanterna (mencionada simbolicamente na, história de Aladim) e o coração estão no mesmo plano, dentro da estrutura filosófica Rosacruz.
Eis a razão por que escolhemos essa Capa. Ela aparece em todas as publicações de nossa biblioteca, identifica de imediato a “THE ROSICRUCIAN FELLOWSHIP” – Associação Internacional de Cristãos Místicos, com sede mundial em Oceanside, na Califórnia, USA, e diversos Centros e Grupos de Estudos por toda a parte do território nacional, além de inúmeros estudantes isolados.
Cumpre-nos esclarecer que existem outras organizações com nome de Rosacruz ou similar, até mesmo centros espíritas. Gostaram do nome e usaram. A liberdade é sagrada, mas é mister explicar, sem intuito de crítica, que a Ordem Rosacruz e sua contraparte material, a Fraternidade Rosacruz, de cunho essencialmente cristão, desinteressado, traz sempre o apêndice “The Rosicrucian Fellowship”, fundada por Max Heindel.
Quanto ao emblema Rosacruz que aparece no centro da capa, temos já explicado sua simbologia por diversas vezes, sob diversos aspectos, nesta revista. Remetemos o caro Amigo e Estudante ao “O Conceito Rosacruz do Cosmos”, obra básica de nossa Filosofia. Aqueles que ainda não a possuem, recomendamos adquiri-la, estudá-la e divulgá-la, passando, com isto, a gozar do privilégio de participar desse glorioso movimento de elevação da humanidade pelo verdadeiro caminho, o da razão, harmonizado com o do coração.
Como disse o Senhor: “Aquele que quiser ser o maior entre vós, seja o servo de todos”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1962)