Qual o Exercício que se segue após o Exercício Esotérico da Concentração?
Pergunta: Sabemos que o primeiro exercício a ser praticado tendo como finalidade a organização dos veículos internos é a Concentração. Qual o exercício que se segue após a Concentração?
Resposta: Praticando o exercício de Concentração o Aspirante à vida superior habituar-se-á a focalizar a Mente em um determinado objeto, construindo uma forma de pensamento vivente por meio de faculdade de imaginação. Aprenderá tudo a respeito do Objeto enfocado, por meio da Meditação.
Pergunta: Qual o objeto mais indicado para a prática da Meditação?
Resposta: Suponhamos que o Aspirante à vida superior tenha por intermédio da Concentração fixado sua Mente na figura de Cristo. Torna-se fácil a Meditação, relembrando os incidentes de Sua vida, Seus sofrimentos, Sua ressurreição etc., porém, a Meditação levará o Aspirante à vida superior a alcançar conhecimentos jamais imaginados, inundando sua alma, com inefável luz. Mesmo algo que não desperte muito interesse ou suscite quadros maravilhosos poderá ser objeto de Meditação. Pode-se escolher, por exemplo, uma mesa comum.
Pergunta: O que poderá alguém imaginar a respeito de uma mesa?
Resposta: Inicialmente devemos formar uma imagem clara de uma mesa. Depois pensemos na espécie de madeira de que é feita e de onde veio. Volvamos até ao tempo em que, como pequena e delicada semente, caiu na terra do bosque, desenvolvendo depois a árvore de cuja madeira a mesa foi construída. Observe-se a arvorezinha, ano após ano, coberta pelas neves do inverno ou acalentada pelo Sol estival, crescendo continuamente, enquanto as raízes constantemente penetram na terra. No princípio era um tenro broto. Depois tornou-se um arbusto, crescendo gradativamente, dirigindo sua copa ao ar e aos raios do Sol. Com o passar dos anos a fronde e o tronco tornam-se cada vez maiores. Por fim chega o lenhador e a derruba com seu machado.
Pergunta: Quais os detalhes a serem evidenciados e desenvolvidos?
Resposta: A nossa árvore encontra-se tombada e despojada de sua ramagem. Tendo sido descarregada de um caminho, foi arrastada até a margem do rio, a fim de aguardar a primavera e o consequente degelo das correntes fluviais. Então nossa árvore, juntamente com outras que se encontram à margem do rio, será transformada em uma grande balsa e a correnteza levá-la-á ao seu destino.
Pergunta: Como reconheceremos a nossa árvore?
Resposta: Conhecedores de todas as suas pequenas particularidades, reconhecê-la-emos imediatamente entre milhares de outras. Temos a observado tão clara e minuciosamente, seguimos o curso da balsa pela corrente, observamos as paisagens e familiarizamo-nos com os homens que cuidam da balsa ou jangada e dormem dentro de pequenas cabanas construída sobre a carga flutuante.
Finalmente chegamos à serraria. Uma a uma as toras são retiradas da água, e encaminhadas à grandes serras circulares.
Pergunta: Devemos apenas observar em tais circunstâncias ou também “ouvir”?
Resposta: Sim, devemos “ouvir” também o chiar da serra sobre a madeira. A imagem deve ser vivente em todos os seus detalhes.
Pergunta: Os detalhes alusivos à fabricação devem ser considerados?
Resposta: Exatamente. Observemos os dentes penetrando na madeira, dividindo-a em tábuas e pranchas. As melhores são enviadas a uma fábrica de móveis onde são cortadas e aplainadas. Pedaços de diversos tamanhos são colados para formar os tabuleiros das mesas, sendo as pernas feitas com os restos mais finos. Todo o móvel é lixado, envernizado e polido. Assim acabada em todos os seus pormenores, a mesa é enviada à loja para ser vendida.
Dessa maneira, por meio da Meditação familiarizamo-nos com os vários ramos da indústria que convertem uma árvore do bosque em uma peça de mobiliário.
Observamos todas as máquinas, os homens e as peculiaridades dos diferentes lugares visitados. Vimos também o processo da vida que fez surgir a árvore da delicada semente, e aprendemos que atrás de toda aparência, por simples que seja, há sempre uma história do mais alto interesse.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/68 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Preço nas Lições e nas Curas
Pergunta: Entendemos que a Fraternidade Rosacruz considera um pecado pôr preço em suas lições ou em suas curas; mas não é “o trabalhador digno de seu salário“?
Resposta: No capítulo 10 do Evangelho Segundo São Mateus, Cristo disse aos seus Discípulos que fossem atrás das ovelhas perdidas de Israel e que pregassem o Evangelho e curassem aos enfermos. Porém, Ele também lhes ordenou “não levar ouro, nem prata, nem cobre em suas bolsas“, “nem alforje para o caminho“. No décimo capítulo da 1ª Epístola aos Coríntios, São Paulo também sustenta essa ideia: pregar o Evangelho gratuitamente. Conforme orientados pelos Rosacruzes, que seguem essa prática desde o princípio e nunca cobram nada por seus Ensinamentos, a Fraternidade Rosacruz não cobra nenhum valor financeiro, nem direta nem indiretamente.
Pergunta: Pode um Estudante Rosacruz cobrar por ensinar algo ou para curar?
Resposta: Nenhum verdadeiro Estudante Rosacruz, seguidor dos elevados Ensinamentos Rosacruzes, cobrará pelas lições ou pela cura nem solicitará quotas mensais, financeiras ou não. Isto o denunciará no ato como um impostor. Se tivermos fé e trabalhamos altruisticamente, Deus terá sempre cuidado com os seus e as manifestações de amor serão suficientes para satisfazer ao Aspirante à Vida Espiritual em suas necessidades.
Pergunta: Porém, isto não animaria a alguns a tomar tudo e não dar nada? Não estimularia o egoísmo em alguns?
Resposta: Sim, muitos frequentam as igrejas, conferências e aulas sem nunca deixar cair um único centavo na sacola de coleta, crendo que isto é desnecessário, a menos que se lhes acerquem e peçam, e naturalmente assim estes tomarão tudo e não darão nada.
Pergunta: Existe uma lei da natureza de que não podemos obter nada em vão?
Resposta: Sim, eles não raciocinam sobre o assunto desde o ponto de vista das Leis de Deus, as quais operam silenciosamente por meio da Lei de Causa e Efeito; alguma vez e em algum lugar estas dívidas serão cobradas da alma que pensa que está correndo através da vida, defraudando, tomando tudo e não dando nada em troca. “Eu darei o pagamento, diz o Senhor“.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz – abril/1981 – Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: Quanto tempo o Ego permanece no Segundo Céu?
Resposta: O Ego permanece lá por séculos.
Pergunta: O que ele faz lá em um tempo tão longo?
Resposta: O Ego assimila os frutos da última vida terrestre e prepara as condições que serão as melhores para ele na próxima existência física.
Pergunta: O que determina as novas condições terrestres que o Ego está preparando?
Resposta: As novas condições serão determinadas, em parte, pela conduta e pelos atos executados na sua última vida, ou seja, o Ego assimila os frutos de sua última vida terrena e prepara o ambiente para uma nova existência física. Não basta dizer que as novas condições serão determinadas pela conduta e atos da última vida. É necessário que os frutos do passado sejam aplicados no Mundo Físico, que será o próximo campo de atividade do Ego, e onde este estará adquirindo novas experiências físicas e colhendo mais frutos.
Pergunta: Como isso é feito?
Resposta: Todos os habitantes do Mundo Celeste trabalham sobre os modelos da Terra – a totalidade dos quais se encontra na Região do Pensamento Concreto – lhe alterando as formas físicas e produzindo-lhe mudanças graduais no aspecto. Assim, em cada retorno à vida física eles encontram um ambiente diferente onde podem adquirir novas experiências.
Pergunta: Isso significa que nós fazemos nosso mundo?
Resposta: De fato, sim! O clima, a flora e a fauna são alterados pelo ser humano sob a direção de Seres Elevados. Por conseguinte, o mundo é exatamente o que nós próprios, individual e coletivamente, temos feito dele, e será tal e qual como o fizermos. Em tudo quanto ocorre, o ocultista vê uma causa de natureza espiritual manifestando-se a si mesma, inclusive o alarmante aumento de frequência das perturbações sísmicas, que têm origem no pensamento materialista da ciência moderna.
Pergunta: O nosso trabalho no Céu está limitado somente as alterações na superfície da Terra?
Resposta: Não. Ele ocupa-se também, ativamente, em aprender como construir um corpo que tenha os melhores meios de expressão. O destino do ser humano é converter-se em Inteligência Criadora e para tal aplica-se à sua aprendizagem todo o tempo. Durante a vida celeste aprende a construir toda classe de corpos, inclusive o humano.
Pergunta: Como esse trabalho é dirigido?
Resposta: Instrutores das mais elevadas Hierarquias Criadoras dirigem o trabalho do ser humano. Ajudaram-no a construir seus veículos antes de ter alcançado consciência de si mesmo, do mesmo modo que ele próprio constrói atualmente seus veículos durante o sono.
Pergunta: O ser humano é consciente dessas instruções?
Resposta: No transcurso de sua vida celeste esses instrutores ensinam-no conscientemente. Ao pintor, ensinam como construir um olho apurado, capaz de captar perspectivas perfeitas, e distinguir cores e matizes em um grau inconcebível para os que não se interessam por cor ou luz.
Ao matemático que tem de lidar com o espaço, ensinam o delicado ajuste dos três canais semicirculares, os quais estão situados dentro do ouvido interno, que apontando, cada um, em uma das três direções do espaço, dão a faculdade da percepção abstrata. O pensamento lógico e a habilidade matemática estão em proporção à precisão do ajuste desses canais semicirculares. A habilidade musical depende também do mesmo fator, mas além da necessidade do devido ajuste dos canais semicirculares, o músico precisa do órgão de Corti extremamente delicado. Há no ouvido humano cerca de dez mil dessas fibras, e cada uma pode diferençar cerca de vinte e cinco gradações de tons. No ouvido da maioria das pessoas essas fibras não respondem senão de três a dez das gradações possíveis. Entre os músicos comuns o maior grau de eficiência é de uns quinze sons por fibra, mas um maestro, que é capaz de interpretar e traduzir a música do Mundo Celeste requer maior grau de acuidade para distinguir entre as diferentes notas e perceber a mais ligeira desarmonia nos mais complicados acordes. Pessoas que requerem órgãos de tão extrema delicadeza para expressão de suas faculdades devem receber o maior cuidado, como exigem seu mérito e elevado grau de desenvolvimento. Nenhuma outra classe é tão elevada quanto à dos músicos, o que é muito lógico, pois enquanto o pintor atrai sua inspiração principalmente do mundo da cor – o mais próximo, o Mundo do Desejo – o músico tenta trazer-nos, traduzida em sons terrenos, a atmosfera do nosso lar celeste, a que, como espíritos, pertencemos.
(Traduzido da Revista: Rays from the Rose Cross – Jan 1981)
Renascimento e Lei de Consequência
Pergunta: Qual o verdadeiro propósito da vida?
Resposta: O verdadeiro propósito da vida não é a felicidade atual, mas a experiência pela qual nos é possível desenvolver os poderes espirituais latentes e transformá-los em faculdades, para servir melhor ao plano divino da evolução. Deus evoluciona por nosso meio. Nós somos células no corpo cósmico de Deus. Estamos cristalizando matéria para Ele, criando um veículo na qual possa funcionar. Somos tão necessários a Deus, como Deus para nós. Devemos, por conseguinte, no máximo grau desenvolver as qualidades espirituais e os talentos latentes para que possamos colaborar neste grande projeto.
Pergunta: Quais são os objetivos da evolução através da matéria?
Resposta: Os três grandes objetivos da evolução, através da matéria, são:
1. 1 A espiritualização do caráter
2. 2 O desenvolvimento da vontade, para dirigir as faculdades obtidas pela experiência
3. O desenvolvimento da Mente criadora, para, em certo dia, podermos criar, direta e conscientemente.
Pergunta: O que é necessário para que estes objetivos sejam colimados?
Resposta: Para obter este desenvolvimento é necessário que o Ego renasça muitas vezes em corpo físico. Quando a experiência de qualquer vida foi total e espiritualmente assimilada, nos mundos superiores, o espírito sente necessidade de obter novas experiências. Este desejo impele, irresistivelmente, ao renascimento. Nosso conhecimento a respeito da reencarnação não fica limitado a especulações. O renascimento é um dos primeiros fatos concretos demonstrados aos alunos da Escola de Mistérios. Ensina-lhes a observar uma criança ao morrer. Depois, a seguir esta criança, através do mundo invisível, dia após dia, até chegar à reencarnação, dentro de poucos anos. Feito isso, o aluno sabe, com certeza absoluta, que o renascimento é um fato e não somente uma teoria metafisica.
Pergunta: Qual é o primeiro passo a ser dado nesse processo?
Resposta: O primeiro passo que o Ego dá no caminho do renascimento é escolher os pais, ou tê-los escolhidos para si. Não é assunto de mera sorte. Geralmente, destinam-nos pais a quem prestamos serviços em vidas anteriores; assim, estão, realmente, obrigados a sermos úteis, também.
Examinando estas ideias, podemos compreender a obrigação de facilitar os meios, sempre que seja possível, para permitir a outros Egos voltar como nossos filhos, a fim de, posteriormente, poderem prestar-nos serviço igual. Quando o Ego conta com certa quantidade de bom destino, permite-se-lhe ver, panoramicamente, diferentes vidas com diferentes pais e deixa-se-lhe a liberdade de escolher. Uma vez feita a eleição e determinadas as linhas gerais da vida, o Ego não pode voltar atrás. Sem dúvida, tem liberdade de ação para os detalhes. Estes podem ser executados num espírito de amor, ajuda e tolerância, ou num espírito de rebelião, odiando o ambiente no qual se acha situado. Assim, pode criar, livremente, um bom, ou um destino adverso, para uma vida futura.
No processo atual do renascimento, os distintos Átomos-sementes atraem para si os materiais para uma nova série de veículos: uma Mente, um Corpo de Desejos, um Corpo Vital e um Corpo Denso. Quando chega a hora, estes materiais se introduzem nos novos veículos e, então, o Ego renasce no Mundo Físico.
Isto ocorre, quando as forças Astrais estão em harmonia com o destino criado pelo Ego, em vidas precedentes. O Ego não pode renascer em nenhum outro momento, porque as forças ocultas em seus Átomos-sementes o impediriam. Depois do nascimento, as forças Planetárias que exercem influência sobre os veículos do Ego impelem, dia a dia, em certas direções, em harmonia com seu destino previamente criado e, assim, convertem-se em executores automáticos daquele destino. Sem dúvida, as forças Astrais nunca obrigam. Quando um ser humano usa sua vontade para trabalhar em harmonia com a evolução, domina as forças Astrais e as dirige.
Pergunta: Como opera a Lei de Consequência?
Resposta: A Lei de Consequência, ou Lei de Causa e Efeito, opera continuamente. Desde o momento do nascimento, as forças postas em ação em vidas precedentes e ainda não esgotadas, começam a produzir efeitos na criança e seus veículos. Todos os antigos amores e ódios sobem à superfície. Aparecem os antigos inimigos, para que o Ego, em contato com eles, possa preparar seu destino e transformá-los em amigos. Amigos anteriores ajudam o Ego, trabalhando com ele, em proveito mútuo. Assim nos aproximamos, lenta, mas irresistivelmente, da época da amizade universal. Pela Lei de Consequência, o ser humano aprende que cada ato acarreta responsabilidade e que cada força que põe em movimento tem seu correspondente efeito. Se, por negligência ou egoísmo, causa sofrimento, ou perdas aos outros, a Lei de Consequência lhe trará, fatalmente, condições semelhantes, em data mais ou menos remota. Assim, compreenderá a injustiça que há no agir desta maneira. Se não faz caso da lição recebida, a natureza lhe proporcionará experiências cada vez mais duras, até que faça o esforço necessário e obtenha poder e domínio sobre si.
Se os atos que praticamos são construtivos, na vida futura nasceremos sob condições que nos trarão êxito e felicidade. Se, ao contrário, cedemos as paixões, sem considerar os demais, ou se permanecemos indolentes e descuidados, renasceremos em condições e entre pessoas que farão nossas vidas fracassarem e nos causarão muitas calamidades.
Pergunta: Há algum outro fator importante em termos de progresso?
Resposta: Durante toda a vida, a qualidade a que os Rosacruzes chamam Epigênese está em atividade.
Esta qualidade é o poder de acionar um número ilimitado de causas novas não determinadas, nem impostas por atos do passado. Se estivéssemos sujeitos totalmente ao passado e incapazes de gerar causas novas, seria impossível desenvolver o poder criador original. Nem haveria livre arbítrio. A faculdade espiritual da Epigênese capacita-nos, se aplicarmos a vontade, abrirmos passagem e atingirmos esferas de maiores poderes e atividades proveitosas.
(Revista: Serviço Rosacruz – 02/73 – Fraternidade Rosacruz – SP)