Carta de Max Heindel: Um Tribunal Interno da Verdade

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Um Tribunal Interno da Verdade

Outubro de 1917

Na semana passada, uma visitante que esteve em Mount Ecclesia me disse que ela passou uns vinte anos estudando todas as diferentes filosofias que conseguiu encontrar; também me disse que nos últimos anos ela havia se dedicado aos estudos dos Ensinamentos Rosacruzes, que eles a atraíam por serem a verdade absoluta. Ela naturalmente esperava que eu concordasse com esse sentimento, e não com os Ensinamentos que me foram fornecidos pelos Irmãos Maiores e que foram escritos em nossos vários livros.

Para os Bosquímanos[1] e os Kafirs[2], por exemplo, que podem desenvolver um temperamento religioso – até onde lhes seja possível entender isso – provavelmente aceitarão como uma grande verdade, que haja um ser divino de natureza superior à humana. Para tais seres humanos e para tal concepção de Religião há um avanço gradual em direção às filosofias transcendentais que despertam reverência nos espécimes mais desenvolvidos da Onda de Vida humana. Isso nos dá razão para acreditar que a evolução do ser humano requer também uma evolução da sua Religião. Subimos dos vales da ignorância infantil até o ponto em que hoje nos encontramos, e seria absolutamente contrário à Lei de Analogia supor que qualquer conquista na linha religiosa que atualmente possuímos seja a suprema; pois se não houver mais progresso religioso, também não poderá haver mais progresso humano.

Qual é, então, o caminho que conduz às alturas da realização religiosa e onde encontrá-lo? Essa parece ser uma pergunta lógica. A resposta é que ele não se encontra nos livros, nem meus nem de qualquer outra pessoa. Os livros são úteis, à medida em que nos fornecem material para reflexão sobre os assuntos abordados. Podemos ou não chegar às mesmas conclusões que o escritor dos livros, mas, desde que levemos as ideias apresentadas ao nosso interior e trabalhemos nelas com cuidado e oração, tudo o que resultar do processo será nosso, mais próximo da verdade do que qualquer coisa que possamos obter de qualquer outra pessoa ou de qualquer outra forma.

O Eu Superior, portanto, é o único tribunal digno da verdade. Se levarmos nossos problemas diante desse tribunal, de forma consistente e persistente, desenvolveremos, com o tempo, um senso da verdade tão superior que, instintivamente, sempre que ouvirmos uma ideia sendo apresentada, saberemos se ela é sólida e verdadeira ou não. A Bíblia, em várias passagens, nos exorta a ter cuidado com todos os tipos de doutrinas que flutuam no ar, porque muitas são perigosas e perturbam a Mente. Livros são lançados para promover este, aquele ou outro sistema de filosofia. A menos que tenhamos estabelecido, ou tenhamos começado a estabelecer, esse tribunal interno da verdade, podemos ser como a senhora mencionada acima – vagueando de um lugar para outro, mentalmente falando, por toda a nossa vida e não encontrando descanso, sabendo pouco mais no final do que no início, e talvez até menos.

Portanto, meu conselho ao Estudante Rosacruz seria nunca aceitar, rejeitar ou seguir cegamente qualquer autoridade, mas se para estabelecer o tribunal da verdade interiormente. Remetam todos os assuntos a esse tribunal, comprovando todas as coisas e absorvendo firmemente tudo o que nele existir de bom.

(Cartas aos Estudantes – nº 83 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Os “bosquímanos”, mais corretamente referidos como o povo San, são povos indígenas caçadores-coletores de longa data do sul da África.

[2] N.T.: Uma pessoa que rejeita ou descrê em Deus (Alá) como descrito pelo islã de acordo com os ensinamentos do profeta islâmico Maomé e nega o domínio e a autoridade do Deus islâmico.

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