porFraternidade Rosacruz de Campinas

Liberdade ou Direito de ser Livre

Liberdade ou Direito de ser Livre

“Livre vontade não é a liberdade de fazer o que quiser, senão o poder de fazer aquilo que deve ser feito, mesmo que seja contrário a um violento impulso. Eis aí, em verdade, o que é Liberdade” – K. B. MacDonald.

A liberdade que ganhamos pela obediência às leis é a única que conta. Se ESCOLHERMOS obedecer às leis, não podemos perder nossa liberdade. Porém, o ser licencioso e insultar à lei da terra, fará com que percamos nossa amada liberdade. O objetivo das leis na terra é dar o direito de ser livres a todos para a execução de nossas atividades, com segurança. É mais importante ainda considerar as Leis de Deus na natureza, pois elas tornam possível a evolução. Estamos num estado de mudança constante e, a seleção do justo ou errado pode mudar nosso destino. Não há descanso no caminho que nos conduz para o Criador.

Quando compreendemos o que é justo e verdadeiro, trabalhando constantemente para chegar à nossa meta, nosso progresso não será perturbado por repetidos erros e não teremos muito que retificar.

Então usaremos nosso tempo na Terra, que parece curto, trabalhando pela libertação do espírito.

Quando um Ego se acha pronto para retornar à Terra, se lhe permite escolher entre distintas vidas, porém uma vez feita a escolha não pode haver evasivas no que se refere aos acontecimentos principais durante essa vida particular na Terra. Temos livre vontade no que concerne ao futuro, porém o destino maduro está envolto na vida que escolhemos e não poderá ser evitado. O ser humano pode exercitar o livre arbítrio em muitos casos, porém se acha atado pelo destino que formou pelas dívidas criadas em vidas anteriores.

As grandes Inteligências, que têm a seu cargo esse assunto, sabem que requisitos são necessários para o ajuste de nossas obrigações. Entre as múltiplas relações que tivemos no passado, eles selecionam certo número de possíveis existências. Essas são mostradas ao Ego que está pronto para renascer e, portanto, pode selecionar uma ou várias delas. Escolhe, entre todas essas oportunidades, as que estão disponíveis no tempo particular desse renascimento, e amiúde existem grandes quantidades dessas oportunidades.

Uma vez feita a seleção, a vida do Ego seguirá a linha escolhida, porém: “não nos deixemos enganar pela ilusão de que o destino nos impele a agir mal em todo o tempo. A lei trabalha sempre, e apenas, para o bem, e o mal, em cada vida, é o primeiro a ser expurgado depois da morte, e apenas a tendência de fazer o mal em particular permanece com o sentimento de aversão gerado pelo sofrimento experimentado no processo de expurgação”. Não existe nunca a obrigação de fazer o mal.

É bom saber, e isso deve dar-nos uma certa firmeza em nossos esforços para resistir ao mal, pois nunca somos destinados para fazer o mal, senão que, cada ato mal feito, é um ato de livre vontade. Nossa consciência nos avisa, e somos livres para resistir, sempre que elejamos, entre o justo e o injusto. Nossa consciência nos impele para frente, para fazer tudo o que é construtivo e bom, pois a consciência é o resultado da dor e sofrimento experimentados em vidas anteriores.

Um fator muito importante e evidente em nossas múltiplas existências é a Epigênese. Brota do livre arbítrio e se manifesta como ação original. Essa divina e criadora atividade é a base da evolução da humanidade. A medida que o tempo avança haverá mais e mais oportunidade para esse divino atributo.

Parece ser, então, que estamos sujeitos a fatos maiores, porém, temos liberdade nos detalhes de nossas vidas, isto é, que temos muita liberdade no modo em que desejamos aprender nossas lições, sempre que, em verdade, as estejamos aprendendo, e existe a oportunidade para um trabalho novo e original, o qual chamamos Epigênese.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental promovem a liberdade pessoal dos indivíduos quando seguem os Ensinamentos da Filosofia Rosacruz. Ninguém deve obedecer a mestres, cada qual deve seguir seus próprios ditames internos. Aqueles que aspiram conhecer os ensinamentos internos e vivem no Mundo Ocidental não podem encostar-se ou depender de mestre ou guias. Não tendo um mestre sobre o qual encostar-se, o estudante tem que obter poder espiritual por sua própria iniciativa. Portanto, é óbvio, que cada qual tem que assumir a responsabilidade de suas próprias ações. Como existiria muito pouco progresso sem essa responsabilidade que mencionamos, devemos desejar assumi-la, sempre que aparecer a oportunidade. Desde logo, temos que estar certos em cumprir com as tarefas que se nos apresentem.

Quando fazemos o melhor que podemos e admitimos que as consequências de nossas próprias ações são nossas mesmo, ainda assim cometemos erros no cumprimento de nosso dever, então podemos aprender muito e ganhar em compreensão. Um coração compreensivo é muito desejável e difícil de se obter.

Desde o tempo em que a humanidade surgiu da densa atmosfera da Atlântida, entrou no mundo como um agente livre, com expressão das leis da natureza e de seu prévio e próprio destino adquirido. Desde então, o ser humano teve que aprender a se sustentar por si mesmo. Isto não é adquirido facilmente. Mais e mais reponsabilidades têm sido colocadas sobre seus ombros. Manter-se por si e assumir as consequências de suas próprias ações pode, às vezes, não ser muito agradável, porém é inevitável. Para desenvolver nossos poderes latentes espirituais, e assim tornar-nos ativos, temos que trabalhar, e enquanto trabalhamos temos que orar, pois assim nos manteremos em contato com os Mundos Superiores e receberemos a força necessária para seguir adiante.

O desenvolvimento futuro da humanidade dependerá mais e mais de sua própria iniciativa, e isso só leva a cabo quando o ser humano é livre. No princípio da evolução do ser humano, este vivia em pacífica ignorância, porém, desde que cresceu em conhecimento, começou a compreender muitas coisas. Durante inúmeras vidas aprendeu pela experiência e assim trocou sua ignorância pelo conhecimento da virtude.

O estudante sincero sabe, em seu interior, que o maior ladrão de sua liberdade é o tornar-se escravo de seus próprios desejos e apetites, e lamenta como São Paulo: “Porque o bem que quero, isto não faço; mas o mal que não quero, isto eu faço”. Para nos convertermos em verdadeiramente livres, temos que trabalhar pela nossa própria salvação, utilizando os poderes latentes, para o bem da humanidade.

Existem seres nos Mundos superiores sempre prontos para ajudar, se puderem fazê-lo, sem tirar esse nosso direito de liberdade. Copiando Max Heindel, no Livro: “Carta aos Estudantes”: “…porque embora ninguém possa interferir com o livre arbítrio da humanidade, e embora seja contrário ao plano divino o coagir, de alguma maneira, para que alguém faça o que não quer fazer, não existem barreiras contra as sugestões em assuntos que a ele possam agradar. É devido à sabedoria e ao amor desses grandes seres que o progresso em linhas humanitárias é a palavra de aviso de hoje em dia”.

O Mineral, a Planta e o Animal, todos os reinos, estão sujeitos à vontade dos Espíritos-Grupo; o ser humano é o único que possui livre vontade e iniciativa. À medida que o tempo avança, ele se fará cada vez menos susceptível às influências externas. “A Liberdade, é a herança mais preciosa da alma”, e podemos fazer pleno uso dessa herança sempre que sejamos cuidadosos em não interferir com o direito dos demais.

À medida que nossa consciência se desenvolve, temos que aprender a fazer o que é justo, conscientemente e de nossa própria vontade. Pode ser que seja necessário, para um Ego, selecionar uma vida cheia de duras lições para aprender, e essa nova existência pode estar cheia de calamidades, porém, ele pode escolher entre viver essa mesma vida honestamente e com humana dignidade, ou chafurdar-se na lama de modo vergonhoso. Ninguém pode interferir no modo em que ele trabalha em seu destino.

Copiando Max Heindel nas Cartas aos Estudantes: “Devemos aprender a lição do trabalho para um propósito comum, sem lideranças. Cada qual, igualmente induzido pelo espírito de amor que lhe vem do íntimo, deve empenhar-se pela elevação física, moral e espiritual da humanidade à altura de Cristo – o Senhor é a Luz do mundo”, e “onde está o Espírito do Senhor, aí há Liberdade” (IICo 3:17).

“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus Discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Joa 8:31-32).

 (Publicada revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Poderiam descrever o Cordão Prateado e explicar sua função tanto no ser humano como no animal?

Resposta: Para responder a esta pergunta de forma abrangente, devemos referir-nos às condições evolutivas mais antigas.

Três Períodos de evolução precederam nosso atual Período Terrestre. Durante o Período de Saturno éramos semelhantes aos minerais; no Período Solar tínhamos uma constituição semelhante aos vegetais, e no Período Lunar desenvolvemos veículos parecidos aos dos animais atuais. Nós dizemos parecidos, pois a constituição do mundo era tão diferente que seria impossível uma construção idêntica. Imaginemos agora, um globo imenso girando no espaço como um satélite ao redor do seu Sol. É o Corpo de um Grande Espírito, Jeová. Tal como nós, que temos carne tenra e ossos duros, assim também a parte central do Corpo de Jeová é mais densa que a parte externa, que é gasosa e nebulosa. Embora Sua consciência interpenetre todo o globo, Jeová aparece especialmente na nuvem e com Ele Seus Anjos e outras Hierarquias Criadoras.

Do grande firmamento Nebular pendem milhões de Cordões, cada um deles com sua bolsa fetal pairando próxima à parte densa central, e do mesmo modo que a corrente vital da mãe humana circula através do cordão umbilical levando alimento ao feto durante a vida pré-natal, com o propósito de desenvolver um veículo no qual o Espírito Humano possa habitar independentemente quando o período de gestação completar-se, assim também a vida divina de Jeová pairava sobre nós na nuvem e circulava por toda família humana durante esse estágio embrionário da sua evolução. Éramos nessa época tão incapazes de iniciativa quanto o feto.

Desde então, o Maná (Mannas, Manas, Mens, Mensch, Man ou Homem) caiu do céu, vindo do seio do Pai, e está agora ligado pelo Cordão Prateado ao Corpo concreto durante suas horas de vigília e, mesmo no sono, ele forma o elo de ligação entre os veículos superiores e inferiores.

Esta ligação só se rompe por ocasião da morte. O Cordão é bem complexo na sua estrutura. Uma extremidade está arraigada no Átomo-semente no coração; essa parte é feita de Éter. Uma segunda parte, formada em matéria de desejos, sai do grande vórtice do Corpo de Desejos localizado no fígado, e quando essas duas partes do Cordão Prateado se unem no Átomo-semente do Corpo Vital localizado no Plexo Celíaco, essa junção dos três Átomos-semente marca a vivificação do feto.

Mas ainda há uma outra parte do Cordão Prateado feita de matéria mental e que nasce do Átomo-semente localizado em um ponto que poderíamos descrever, rudemente, como sendo o sinus frontal onde o Espírito Humano tem a sua sede. Ele passa entre o Corpo pituitário e a glândula pineal, e daí desce, ligando a glândula tiroide, a glândula timo, o baço e as suprarrenais. Finalmente, une-se à segunda parte do Cordão Prateado no Átomo-semente do Corpo de Desejos no grande vórtice desse veículo que está localizado no fígado. O local em que crescerá esta parte do Cordão Prateado está indicado no arquétipo, mas são necessários aproximadamente vinte e um anos para que a junção se complete. A união da primeira e da segunda parte do Cordão Prateado marca a vivificação física, que depende da total destruição dos corpúsculos sanguíneos nucleados que transportam a vida da mãe física e a emancipação de sua interferência por meio da gaseificação do sangue, que é, desde então, o veículo direto do Ego. A junção da segunda e da terceira partes do Cordão Prateado marca uma vivificação mental, e uma consequente emancipação da mãe Natureza que completou, então, o processo gestatório necessário para iniciar a fundação e estrutura para o templo do Espírito, que pode, subsequentemente, construir como bem quiser, limitado apenas por suas ações passadas.

Durante o dia, quando estamos despertos no Mundo Físico, o tríplice Cordão Prateado enrola-se numa espiral dentro do Corpo Denso, principalmente perto do Plexo Celíaco, mas à noite, quando o Ego se retira e deixa os Corpos Denso e Vital sobre a cama para se recuperar dos trabalhos duros do dia, o Cordão Prateado projeta-se a partir do crânio. O Corpo de Desejos ovoide flutua acima ou próximo da forma adormecida, assemelhando-se a um balão cativo. Quando se trata de crianças ou de pessoas não desenvolvidas, o Ego permanece nessa posição, meditando sobre os acontecimentos do dia, até que impactos provenientes do Mundo Físico, tais como a campainha de um despertador, o toque de um telefone ou algo semelhante, façam vibrar o Cordão Prateado atraindo a atenção do Ego para o seu veículo descartado, levando-o a reentrar.

Nenhum desenvolvimento oculto é possível sem que a terceira parte do Cordão Prateado se tenha desenvolvida, mas depois que isso acontece, o Ego pode deixar o seu Corpo Denso e vagar pelo vasto Mundo, quer conscientemente após um treino apropriado e uma Iniciação, quer inconscientemente com o auxílio de outros, ou acidentalmente, como no caso de um sonâmbulo que deixa a sua cama e depois volta a ela alheio ao fato, ou seja, inconsciente do lugar onde esteve ou o, que fez. Em qualquer desses casos, a terceira parte do Cordão Prateado, que é feita de matéria dúctil e elástica, serve de elo com os veículos inferiores. A qualidade da consciência do Ego, no momento em que está afastado do seu Corpo Denso, depende dele ter ou não formado um Corpo-Alma do Éter Luminoso e do Refletor, que é o veículo da percepção sensorial e da memória suficientemente estável para ser levado consigo. Se ele o tiver formado, o processo da Iniciação tê-lo-á ensinado como proceder, o Ego terá completa consciência enquanto estiver ausente do Corpo e, ao retornar, terá uma memória fiel do que ocorreu durante o voo da alma. Em caso contrário, tanto a consciência quanto a memória, com certeza serão, até um certo ponto, incompletas ou deficientes.

Tendo-nos familiarizado com a construção e função do Cordão Prateado como um elo entre o Ego e seus veículos, estudaremos a seguir sua aparência e uso em relação aos animais e seu Espírito-Grupo. Ensina-se no “Conceito Rosacruz do Cosmos” que os hábitos, gostos, simpatias e antipatias de cada espécie provém do fato de serem movidos por um Espírito-Grupo comum. Todos os esquilos armazenam nozes para um período de hibernação no inverno; todos os leões são carnívoros: os cavalos, sem exceção, comem feno, no entanto, o que é alimento para um ser humano, pode ser veneno para outro. Se conhecermos os hábitos de um animal, conheceremos os hábitos de todos os demais da mesma família, mas seria inútil investigar os ancestrais de Edison para descobrir a origem do seu gênio. Um tratado sobre os hábitos de um cavalo aplicar-se-á a todos os cavalos, mas a biografia de um ser humano difere inteiramente da de outro ser humano, porque cada um age sob os ditames de um Espírito individual interno. Os animais de um determinado grupo são dirigidos por uma inteligência comum, o Espírito-Grupo, por meio do Cordão Prateado. Cada animal possui o seu próprio Cordão Prateado individual, mas apenas as duas partes que ligam os Corpos Denso, Vital e de Desejos, pois a terceira parte, que está ligada ao vórtice central do Corpo de Desejos localizada no fígado, é o Cordão do Espírito-Grupo. Através dessa ligação elástica, ele governa os animais de sua classe com igual facilidade, não importa em que região do Mundo estejam. A distância não existe nos Mundos internos e, como os animais não possuem Mente própria, eles obedecem às sugestões do Espírito-Grupo sem questionar.

Nesse aspecto, as crianças são uma anomalia, pois elas só têm desenvolvidas as duas partes do Cordão Prateado. Entretanto, elas possuem uma Mente, através da qual a terceira parte está crescendo. Assim, o Ego não tem comunicação direta com seus veículos e, consequentemente, o recém-nascido que tem as maiores possibilidades é, ao mesmo tempo, a criatura mais desamparada sobre a Terra, sujeito à autoridade de seus protetores físicos.

Apesar do ser humano estar atualmente individualizado e emancipado de qualquer interferência direta e da ação conducente do Cordão, pelo qual o Espírito-Grupo força (não há outra palavra que possa transmitir o sentido exato) o animal a obedecer suas ordens, ele não está ainda habilitado para autodirigir-se, assim como uma criança não o está, até que atinja a idade apropriada para poder tomar conta de seus interesses. Por isso, os Espíritos de Raça ainda continuam a dirigir as nações. Cada nação, com exceção da América, tem o seu próprio Espírito de Raça que paira como uma nuvem sobre a Terra na qual vive o seu povo, tal como o fez o Deus dos Israelitas, e nele “eles vivem, movem-se e têm o seu ser”. Eles constituem seu povo peculiar, e ele é um Deus ciumento.

A cada respiração, eles inalam esse Espírito, e se forem levados para outro lugar, sentirão saudades da terra natal, pois onde quer que estejam o ar é diferente e transporta as vibrações de outra Hierarquia Arcangélica.

A medida que o tempo passa e nós avançamos, também seremos emancipados do Espírito de Raça que viveu em nossa respiração desde o tempo em que o Elohim Jeová soprou o nephesh – o ar vital – em nossas narinas. Esses Espíritos operam no Corpo de Desejos e no Espírito Humano, alimentando a vaidade e o egoísmo.

Quando aprendermos a confeccionar o glorioso Manto Nupcial, chamado Corpo-Alma, que é tecido através do serviço amoroso e desinteressado, e quando o casamento místico for consumado – quando o Cristo nascer imaculadamente dentro de nós – o Amor Universal emancipar-nos-á sempre da Lei Universal, e seremos tão perfeitos como é perfeito nosso Pai que está no Céu.

“De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado

O ser humano se liberta quando o autocontrole há conquistado”.

(Pergunta 137 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Razões Visíveis e Esotéricas para o Solstício de Dezembro

As Razões Visíveis e Esotéricas para o Solstício de Dezembro

Solstício-de-Dezembro As Razões Visíveis e Esotéricas para o Solstício de Dezembro

Os Solstícios marcam o momento em que a vibração terrestre é mais elevada e em que os Raios Cósmicos da Vida Crística entram profundamente (Solstício de Dezembro) ou saem definitivamente (Solstício de Junho).

Juntamente com os Equinócios de Março e Setembro, constituem os pontos decisivos na vida do Grande Espírito da Terra, Cristo.

O Solstício de Dezembro – ótimo momento para se fazer um importante exercício esotérico na sua véspera: Ritual do Solstício de Dezembro!

Vamos a explicação exotérica e depois a esotérica:

Razões Visíveis: No Solstício de Dezembro a Terra está se aproximando no máximo PERTO do Sol.

Como sabemos, a Astrologia funciona em projeção geocêntrica, e a declinação dá-nos a maior ou menor angulação que o Astro considerado faz com o Equador, tal como visto da Terra.

Assim, à medida que os dias se vão aproximando de Dezembro, a declinação do Sol vai diminuindo: passa de 00 em 21-22 de Setembro até atingir um máximo de 230 26′ em 20-21 de Dezembro: então parece que fica “parado”, cerca de três dias nos 230 26′ (daí o verbo sistere, que compõe a palavra “solstício”), uma vez que estamos vendo em projeção geocêntrica contra o fundo da Esfera Celeste, e a partir do dia 24-25 volta “para trás” e os dias começam a diminuir.

A razão cosmográfica do Sol ficar “parado” aparentemente, durante três dias por ocasião dos Solstícios, tem a ver com as declinações e não com as longitudes celestes.

Essas razões físicas são as partes visíveis que verificamos como evidências de que o Solstício de Dezembro é o momento em que a Terra está chegando ao seu ponto mais perto do Sol.

Razões Esotéricas: esteja você no hemisfério Norte ou no Sul, independentemente da inversão das estações, uma coisa não muda: é a DISTÂNCIA, maior ou menor, a que o Sol se encontra da Terra. A Terra percorre uma elipse em torno do Sol, ao longo do ano, e não uma circunferência perfeita, e o Sol ocupa um dos focos dessa elipse.

O fluxo e o refluxo do impulso espiritual de Cristo (misticamente, o nascimento, a morte e a ressurreição do Salvador) culmina no Solstício de Dezembro.

Cristo chega ao centro da nossa Terra à meia-noite de 24 de dezembro. Ele rejuvenesce a Terra e os reinos de vida que nela evolucionam.

Aí Ele fica por três dias e, depois, começa a voltar. Esta volta se completa na Páscoa. Assim, do Natal até a Páscoa Ele se dá a Si mesmo sem limitações nem medida, imbuindo com vida, não apenas as sementes adormecidas, mas todas as coisas sobre e dentro da Terra. Sem essa infusão da Vida e Energia Divinas, todos os seres viventes da nossa Terra morreriam imediatamente, e todo o progresso seria frustrado, no que concerne à nossa presente linha de desenvolvimento.

Como dissemos acima, no Solstício de Dezembro, a Terra está no máximo MAIS PERTO do Sol, o que provoca um aumento da espiritualidade com o correlativa intensificação e pujança de vitalidade espiritual.

Inicia-se o renascimento da Luz, ou seja, o dia 25 de dezembro marca o fim do “ciclo solsticial”.

A partir do dia 26 de dezembro se inicia um segundo ciclo de especial significado Iniciático.

Na igreja primitiva cristã, entre o dia 26 de dezembro (Primeiro Dia Sagrado) e o dia 6 de janeiro (Décimo Segundo Dia Sagrado) ocorria a preparação ritual dos catecúmenos que eram batizados no Dia de Reis (Primeira Iniciação). Esses “Doze Dias Sagrados”, que acompanham a fase inicial do renascimento do “Sol Invencível”, eram como que um resumo do ano zodiacal seguinte, e estavam sob a proteção das Hierarquias Celestes que tradicionalmente regem os 12 Signos do Zodíaco.

Que as rosas floresçam em vossa cruz!

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Se o Cordão Prateado está ligado ao Átomo-semente no coração por uma extremidade e ao vórtice central do Corpo de Desejos por outra, que órgão corresponde no corpo físico ao vórtice central?

Resposta: Essa extremidade do Cordão Prateado que está presa ao Átomo-semente no coração permanece aí imóvel até a morte, mas a outra extremidade e o ponto onde as duas metades do cordão se encontram, como é mostrado no diagrama 5-A do Livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos”, são móveis.

Durante o dia, esse vórtice central onde o Cordão Prateado está preso no Corpo de Desejos está colocado diretamente no fígado, e encontraremos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” material muito esclarecedor se procurarmos a palavra “fígado”. O ponto onde as duas metades do Cordão Prateado se encontram localiza-se na posição referencial do Plexo Celíaco durante o dia. Este, todos sabemos, é um lugar extremamente importante, e o Átomo-semente do Corpo Vital está situado exatamente no ponto de encontro dessas duas metades do Cordão Prateado. Quando esse ponto está na posição referencial do Plexo Celíaco, o fluido que vem do Sol através do baço passa pelo Átomo-semente do Corpo Vital, e é aí refletido no fluido cor-de-rosa do qual falamos em nossa literatura. Consequentemente, os três grandes centros de um corpo ligados ao Cordão Prateado são: o vórtice central no fígado – o ponto inicial no Corpo de Desejos; na posição referencial do Plexo Celíaco – que é a cidadela do Corpo Vital; e o coração – que é o centro do Corpo Denso.

(Pergunta 136 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Exame de Consciência

Exame de Consciência

“Que não caia o sono sobre teus olhos até que tenhas revisado três vezes as memórias do dia passado. Em que me desviei da retidão? Que estive fazendo? Que coisa deixei de fazer, que deveria ter feito? Começas assim desde o primeiro ato e prossegues e, em conclusão, ante o mal que tenhas feito, afliges-te e regozijas-te pelo bem” – Pitágoras.

“Todas as noites deveríamos chamar-nos às contas: Que fraqueza dominei este dia? A que paixão me opus? Que tentação resisti? Que virtude adquiri? Nossos vícios suprimir-se-ão por si mesmos, se são trazidos todos os dias à confissão e ao perdão” – Sêneca.

Como vemos, o fundamento racional da Retrospecção não é novo, nem se originou com os Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz. Os pensadores, no curso da História, têm compreendido o valor dessa forma de exame de consciência. Sua utilidade, como instrumento para melhorar a evolução humana, tem sido evidente para muitos que se beneficiam com sua prática.

A natureza específica das perguntas, tais como as que têm sido sugeridas pelos filósofos – Que deixei de fazer? Em que me apartei da retidão? Que fraqueza dominei? A que paixão me opus? -, é essencial para um bom exame de consciência. Devemos pensar em termos de virtudes, se quisermos dominá-las e confessar as tentações e as paixões, se quisermos vencê-las.

O exame de consciência é necessário para o progresso, uma vez que colocamos nossos pés sobre o caminho espiritual. O casual ordenamento de nossas lições e experiências terrenas e nossa resposta a elas, que caracterizaram nossa experiência passada, já não podem ser tolerados se queremos fazer apreciável progresso na busca espiritual, a que agora nos temos dedicado.

O movimento para adiante, intencional e firme, isto é, crescimento espiritual contínuo, deve ser agora a marca de nossa existência. Isso apenas será logrado se somos plenamente conscientes do que estamos fazendo e como o estamos fazendo e, se então, deliberada e conscientemente, damos os passos necessários para fazer o que sabemos que é correto, em todas as situações. Isso será possível somente se mantivermos um programa sincero e regular de contínuo exame de consciência.

Qualquer pessoa, não importa quão iluminada e progressista pareça, engana-se se crê que a necessidade do estudo de si mesma não se aplica a ela. Nossas provas e aflições multiplicam-se à medida que lutamos pelo progresso espiritual e quanto maior a altura, maior o perigo de uma caída. Nossos atos, nossas palavras, nossas atitudes, as próprias auras que nos rodeiam devem fazer-se mais refinados e elevados, à medida que prosseguimos.

Se temos feito algum progresso, as características que possam haver bastado há dois anos, já não seriam agora completamente adequadas. Pelo fato de havermos feito as necessárias mudanças dentro de nós, já agora devemos ter aprendido a avaliar-nos com mais esmero.

“Conhece-te a ti mesmo!” Uma advertência enganosamente simples! Quantas pessoas se conhecem a si mesmas corretamente, neste mundo? É certo que muitos que nunca se ocuparam em examinar-se a si próprios conscientemente, creem que se conhecem definitivamente e indignar-se-iam em ouvir que muito de suas mais íntimas personalidades, todavia, estão escondidas deles mesmos.

Apenas quando sinceramente nos ocupamos da consciente análise de nossos motivos, reações, metas, hábitos, fortalezas, debilidades e perspectiva integral, tal como o que é muito frutiferamente praticado durante a retrospecção noturna, é quando começamos a compreender quão pouco sabemos acerca do que fazemos, o porquê do que fazemos e que características, hábitos e atitudes devem ser fortalecidos ou mudados, com o objetivo de assegurar um automelhoramento contínuo.

Mais frequentemente do que cremos, o “eu” que tem funcionado tanto tempo e com êxito em um nível predominantemente material, deve ser drasticamente alterado para satisfazer as demandas do avanço espiritual. Unicamente quando nos temos observado a atuar, com um olho tão objetivo e claro quanto seja possível, compreenderemos a total extensão das mudanças necessárias.

O egocentrismo toma muitas e sutis formas e qualquer estudante sério dos Ensinamentos da Fraternidade sabe, por experiência, que uma pessoa pode sinceramente crer que está impulsionada por considerações inegoístas para somente depois, em um exame mais apurado, perceber que os subjacentes impulsos não são, no final, senão os do egoísmo. Não descobrimos isso, todavia, como resultado de observação superficial. Somente um autoescrutínio intenso revela todas as inesperadas e escondidas fraquezas mentais e emocionais a que somos propensos.

Em II Coríntios 13:5, São Paulo advertiu a seus leitores, assim: “Examinais a vós mesmos, se estais em fé; provais a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.       J

Se verdadeiramente estamos “em fé”, isto é, conformando-nos com os princípios do Cristianismo esotérico aos quais professamos termos aderido, o exame de consciência certamente revelará isso. Se estamos simplesmente tributando louvores fingidos aos ideais superiores, enquanto na prática estamos seguindo às ordens da natureza inferior, o exame de consciência também fará essa revelação.

O primeiro dos preceitos dados a todo novo estudante da Fraternidade Rosacruz é a simples, mas omni-inclusiva, afirmação de que “Cristo Jesus será seu ideal”. Se fazemos continua comparação entre nossa conduta e a que sabemos que teria sido observada por Cristo Jesus e atuamos em conformidade com tal comparação, ainda quando o resultado seja, ao princípio, decepcionante ao extremo, podemos esperar fazer um progresso gradual.

“Não reconheceis a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós?”. Perguntou São Paulo. Perguntas que poderíamos proveitosamente fazer a nós mesmos cada noite, tais como: Em que grau foi permitido funcionar o Cristo dentro de mim, no dia de hoje?; Tratei de enfrentar esta ou aquela situação como Cristo Jesus teria enfrentado?; Tratei de irradiar a Luz e o Amor de Cristo desde meu interior para os demais?; Foram meus interesses egoístas ou altruístas?; Preguei o Evangelho por meio do exemplo, no dia de hoje?

Um programa conveniente de exame de consciência ajudará, com o tempo, a conseguir os outros elementos de “individualidade” que devem ser alcançados por toda a humanidade evolucionante. O controle de si mesmo, isto é, a sujeição da natureza inferior a superior e a substituição dos desejos pessoais por motivos humanitários desenvolve-se gradualmente, em parte como resultado da profunda avaliação das razões pelas quais fazemos o que fazemos. Se compreendemos plenamente nossos motivos podemos alterá-los, se for necessário, para fazermos nossa conduta mais de acordo com o que se espera de um estudante espiritual. O autossacrifício, a doação de si mesmo, em tempo, pensamento e ação para benefício da humanidade semelhante, é dessa maneira também intensificado.

O exame de si mesmo é também fundamental para o desenvolvimento da autoconfiança. Quanto mais nos estudamos e compreendemos, mais seguros de nós mesmos nos tornamos e somos menos inclinados a nos apoiarmos em outras pessoas.

Certamente, nunca é prejudicial e às vezes ajuda ouvir as diferentes opiniões e bons conselhos, mas devemos gradualmente cultivar o suficiente juízo, discernimento e sabedoria para sermos capazes de tomarmos nossas próprias decisões em toda as coisas. Um programa efetivo de autoexame, repetimos, é fundamental para essa capacidade.

Finalmente, chegaremos à meta final de nossas vidas terrestres, a do domínio de nós mesmos. Nesse ponto o Eu Superior tem completa autoridade: a natureza inferior vencida permanentemente. Aqueles que alcançam esse superior estado de existência levam vidas de serviço irrepreensíveis, impecáveis, virtuosas e completamente inegoístas.

Sabem como conduzir-se, do ponto de vista espiritual, em toda circunstância concebível e o fazem automaticamente, já não tendo que depender de intensos esforços de vontade para manter-se no caminho reto. Alcançam esse mais elevado nível de esforço terreno porque aprenderam a conhecer-se a si próprios completamente e a atuar inteligentemente e de acordo com esse conhecimento.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 07/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Colar Coral

O Colar Coral

Todos vocês já fizeram aniversário e sabem como é excitante abrir pacotinhos misteriosos, embrulhados suavemente em papéis brancos e amarrados com alegres fitas coloridas. Assim sendo, caros leitores, vocês sabem como se sentiu Rosália no seu aniversário e como ela abria seus presentes ansiosamente, exclamando diante da surpresa que representava cada pacote.

O último a ser aberto era uma caixinha alongada, diferente dos outros pacotes. E, quando ela abriu a caixa, você precisaria tê-la ouvido exclamar: “Oh, que maravilha!”; pois lá estavam estendidas sobre um tufo de cetim branco, três rosas minúsculas esculpidas no mais delicado coral e presas por uma bela corrente de ouro.

– Oh, Vovô, que lindo colar! Onde você o comprou? Diga-me tudo sobre essas lindas rosas de coral!

Então, Vovô ergueu Rosália e colocou-a sobre seus joelhos e todas as crianças da festa se juntaram ao seu redor, para ouvir a história do colar de coral.

– Há muitos anos – provavelmente milhares de anos, disse Vovô, sobre as mornas águas azuis do Mar Mediterrâneo, flutuavam criaturinhas com um corpo suave como as geleias, parecendo estrelas do mar, somente que bem pequenas. Elas estavam procurando um novo lar e, encontrando rochas firmes no morno e profundo mar, elas agarraram-se lá, com segurança. Não tinham pés nem olhos, mas, através de suas bocas, elas bebiam em gotas a água do mar, absorvendo pequenas quantidades de cal que ajudaram a construir seus corpos e assim formar aquilo que pareciam ser pequenos castelos de pedras de cal. Um número cada vez maior dessa família de corais flutuantes – relacionada com a famosa família dos pólipos – agarravam-se às rochas. Elas se fixavam firmemente nas rochas e com que paciência e tenacidade desempenhavam seu trabalho de construir, fazendo sua parte no jardim do mar em preparação pela Mãe Natureza!

– O sedimento cresceu, cresceu, até que, após algum tempo, formou quase uma grande parede. Quando os corpos das primeiras famílias se fixaram e viraram pedras, então, dessas pedras pareciam crescer pequenos botões – quase como acontece com as pequeninas folhas na primavera. Estas eram as crianças corais e, à semelhança das outras crianças, elas também estavam procurando novos lares, como fizeram os pioneiros. No entanto, outras crianças nunca tentaram desligar-se da família, mas permaneceram em casa ajudando na construção. Assim, essa parede viva cresceu e tornou-se cada vez mais bonita. Ela refletia o azul do céu, o dourado do Sol brilhando, as tonalidades róseas do pôr do Sol e também o escarlate do nascer do Sol. Após algum tempo, apareceram lindas florestas de árvores de coral, delicados arbustos cor-de-rosa e flores de um matiz profundo. Perto das paredes de coral estavam minúsculos lagos, onde peixes de cor brilhante nadavam para lá e para cá, mordiscando os musgos verdes que se agarravam nos ramos de coral.

– Algumas vezes, outros pequenos habitantes do mar importunavam a família coral, dizendo: “Saiam de suas casas e flutuem conosco!”. E os pequenos corais construtores respondiam: “Vão embora e sejam felizes. Não podemos sair de nossas casas – pois as nossas casas somos nós mesmos. Mas, nós nos divertimos com nosso trabalho e somos felizes construtores para a Mãe Natureza!”

– Os pequenos corais construtores não podiam ouvir como nós e, consequentemente, não podiam falar como nós, mas os habitantes do mar têm uma linguagem própria e entendem bem o que as outras famílias do mar lhes dizem, explicou Vovô. Assim, fiel, esperançosa e amorosamente eles constroem um grande cordão de coral. Naturalmente, eles levam anos e anos para construir esse cordão; pois esses minúsculos construtores são muito pequeninos. Os antigos povoadores há muito já deixaram seus castelos, semelhantes a casas de pedra-calcária e sua pequena chama de vida já apagou. Mas, eles deixaram suas casas de pedra com uma sólida fundação para que outros pequeninos corais pudessem construir sobre elas. Esses felizes construtores amavam as arrojadas ondas e as espumas do mar. E, muitas vezes, as ondinas – os espíritos do mar – sussurraram-lhes sobre as outras criaturas do mar, contando-lhes maravilhosas lendas sobre os tesouros do mar da Mãe Natureza. Os bondosos Espíritos da Natureza que trabalham com a grande família dos pólipos ajudaram-nos com suas paredes de coral e os animavam em seu trabalho. Porque na escola da Mãe Natureza há uma regra, que aquele que sabe fazer coisas deve ajudar os que estão aprendendo e deve ter paciência com eles, até que aprendam suas lições. A Mãe Natureza é maravilhosa, e o Pai magnânimo deixou aos seus cuidados carinhosos, todas as crianças da Terra e do Mar. E a Mãe Natureza guia e olha todas as suas criancinhas. Ela as ama com um amor muito compreensivo e sempre recompensa sua fidelidade. Assim, os pequenos corais construtores não se incomodavam quando, numa tempestade ocasional, as ondas fortes quebravam um grande pedaço de sua parede. Não, isso era parte da recompensa que esperavam por serem construtores fiéis. Uma nova experiência estava reservada a eles, pois bondosos pescadores levavam embora esses pedaços quebrados do coral da praia.

– E isso trouxe-me até ao seu colar, Rosália, continuou Vovô. Um adorável pedaço de um raro coral cor-de-rosa foi levado a um joalheiro que, com suas mãos carinhosas, esculpiu essas delicadas rosas. E, por meio de seu fiel serviço à Mãe Natureza, os construtores corais agora trazem felicidade para uma garotinha no dia de seu aniversário.

Vovô colocou a corrente de ouro ao redor do pescoço macio de Rosália, dizendo:

– Estas três rosas cor-de-rosa ajudarão você a lembrar-se das três maiores coisas na vida, Rosália – fé, esperança e amor. no coração compreensivo da Mãe Natureza – esperança em ser útil à medida que você atravessa a escola da vida – e o amor, amor por todas as coisas que vivem. E, da mesma forma que amamos as criaturas do mar, as flores, os animais e os ajudamos a progredir na vida, os Anjos e os Arcanjos nos ajudam a crescer mais forte para que nós também possamos progredir. AMOR é o modo pelo qual crescemos à semelhança do Pai na Terra do Amor.

“O mundo está cheio de rosas,

Rosas cheias de orvalho, você vê.

O orvalho está cheio de amor celestial,

Que goteja para mim e para você”.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. III – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

 

 

 

 

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Rua das Borboletas

A Rua das Borboletas

Uma vez terminado o funeral, o pequeno cemitério situado no fim da rua das Borboletas ficara vazio. O corpo da avozinha de Cecília jazia tranquilamente, mui tranquilamente, no belo caixão cinzento que fora depositado no túmulo especialmente preparado para acolhê-lo. As árvores sussurravam, como numa oração, sobre o lugar em que ela repousava.  Depois que todos se retiraram, o avô e a mãe de Cecília foram para casa, deixando-a atrás com seu pai, a caminhar lentamente, descendo a rua das Borboletas. Cecília chorava baixinho, pois amava muito sua avó e já começava a sentir saudades dela. Seu pai segurou-lhe a mãozinha, percebendo a amargura que reinava em seu coração.

– Você sabia que a rua das Borboletas é o céu das lagartas? – Perguntou ele a Cecília.

Ela olhou para o rosto do pai e através do véu das lágrimas seus olhos se abriram admirados.

– O que quer dizer o senhor, Papai? As lagartas são enterradas aqui?

– Não, minha queridinha. Tampouco as pessoas, como a vovó, são enterradas no céu. Elas vivem lá.

Fez uma pausa e baixou o olhar para o rostinho erguido da criança.

– Olhe, a borboleta é a refulgente parte espiritual da lagarta.

– Certo dia – continuou ele – a lagarta despe seu vestuário mais terreno, da mesma forma como a vovó despojou-se do seu. A lagarta aparece, então, com um vestuário muito mais belo, o vestuário que lhe permite voar. Como borboleta, ela não é mais oprimida pelo pesado corpo físico que anteriormente possuía, pois, como lagarta, naturalmente só podia rastejar sobre o chão, pelas árvores e pelas cercas.

Cecília sorriu entre as lágrimas e até riu um pouquinho.

– Por isso é que a vovó não podia voar com aquele corpo pesado? – Perguntou Cecília. -Ah! – Prosseguiu – eu não ficaria surpresa de que ela estivesse agorinha mesmo voando no céu.

– E eu, de modo algum me surpreenderia – respondeu o pai sorrindo.

Cecília parou de andar e puxou pela mão do pai, obrigando-o a parar também. Depois, vagarosamente, começou a olhar em volta, como se a rua das Borboletas fosse algo inteiramente novo para ela. No entanto, durante seus sete anos de vida, já se havia divertido ali muitas vezes, passeando e brincando com as borboletas que haviam dado nome àquela rua.

Finalmente ergueu de novo o olhar ao rosto do pai. Seus olhos brilhavam com uma nova luz. As lágrimas tinham desaparecido.

– Paizinho. . . – cochichou ela – então é isso que é a Páscoa? Quando a vovó saiu de seu…

Cecília reprimiu uma risada um pouquinho espontânea e olhou em volta por alguns instantes. Deu, então, alguns saltinhos jubilosos, lembrando-se de que ela e sua avó gostavam de rir da espécie de coisas nas quais pensava agora.

Bem. . . saiu de seu corpo lagartal…

O pai de Cecília sorriu encorajando-a, pois sabia o que ela tentava dizer.

– Continue – disse-lhe ele brandamente.

– Bem, quando ela saiu deve ter-se tornado mais leve – como as borboletas. Ela deve ter subido mais alto do que nós o podemos, tal como as borboletas o fazem.

Ela estava ficando agora um pouco excitada.

– Não é isso que o sr. chama de resu. . . ressu?

– Ressurreição – completou o pai.

– Sim, ressurreição, como Jesus, só que Ele estava sobre uma cruz.

– Pois a vovó também estava assim, sobre uma cruz – respondeu o pai – e assim estamos todos, cada um de nós.

– Espere um pouquinho, papai! – Interrompeu Cecília, afastando-se um pouco e encarando-o. – Eu sei o que o senhor quer dizer. Nós aprendemos isso na Escolinha Dominical. É assim (e a garota ficou de corpo ereto, juntando os pés e abrindo os braços em horizontal, como uma cruz) agora eu sou realmente uma cruz –  exclamou ela –  e tenho que crescer nesta cruz e nela viver até morrer. Serei então ressu…

Cecília deixou cair os braços e esperou que seu pai falasse.

– Ressuscitada – acudiu ele.

– Sim! Ressuscitada – como a borboleta que sai da lagarta!

Cecília fez uma pausa e tranquilamente volveu: como Cristo-Jesus quando morreu em Sua Cruz.

Após outra pausa, como que monologando pensativa, terminou:

– Aquilo aconteceu na Páscoa. Agora deve ser a Páscoa para a vovó, não é paizinho?

– Sim, querida – afirmou ele e continuaram a andar.

Durante algum tempo a garota saltitou ao lado do pai, tendo uma expressão séria no rosto. Seu pai também estava circunspecto. Nenhum dos dois disse uma única palavra, até que chegaram a um jardim, cheio de margaridas e esporinhas, onde grande número de borboletas voava silenciosamente, de uma flor a outra.

– Paizinho! – Cantarolou Cecília –  veja estes belos espíritos borboletais. Foi somente a lagarta que morreu. A vovó também não morreu realmente. Ela é uma bela borboleta no céu!

Cecília puxou novamente a mão de seu pai, desta vez porque tinha pressa de chegar a casa.

– Vamos contar à mamãe e ao vovô – pediu ela – de modo que não fiquem mais tristes, por causa da vovó. Quando lhes tivermos contado tudo isso, eles ficarão sabendo que agora é o feliz tempo da Páscoa para a vovó. E é por isso que as pessoas sempre põem flores nos túmulos – porque, quando morremos é, nossa época de Páscoa!

E assim, Cecília e o pai se apressaram para chegar em casa e partilhar estas novas maravilhosas com a mãe e o vovô de Cecília. Eram notícias boas demais para silenciá-las!

(Traduzida da Revista Rays From the Rose Cross e Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/78)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Um Apelo pela Igreja

No mês passado, prometi dar continuidade à explicação sobre a Ordem Rosacruz a sua relação com a Fraternidade, mas não me lembrei que a Páscoa estava próxima e que essa data deveria merecer uma atenção especial. Espero que concordem que é muito importante estudar esse grande acontecimento cósmico, particularmente por vivermos numa terra Cristã e por sermos, espero, Cristãos de coração. Na verdade, a palavra-chave deste mês é: um apelo pela IgrejaFoi com este propósito que publiquei no final da lição o poema Credo ou Cristo”.

Todos somos Cristos em formação. A natureza do amor está desabrochando em todos nós, portanto, por que não nos identificarmos com uma ou outra das igrejas cristãs que acalentam o ideal de Cristo? Alguns dos melhores obreiros da Fraternidade são membros e ministros de igrejas. Muitos estão famintos pelo alimento que temos para lhes dar. Não podemos compartilhar desse alimento com eles mantendo-nos afastados. Prejudicamo-nos pela negligência em não aproveitar a grande oportunidade de ajudar na elevação da Igreja.

Naturalmente, não há coação nisso. Não pedimos que se unam ou cuidem da Igreja, mas se formos até ela com espírito de ajuda, afirmo-lhes que experimentarão um maravilhoso crescimento de alma em um curto espaço de tempo. Os Anjos do Destino, que dão a cada nação a religião mais apropriada às suas necessidades, colocaram-nos em uma terra Cristã, porque a Religião Cristã favorece um amplo crescimento anímico. Mesmo admitindo que a Igreja tenha sido obscurecida pelo credo e pelo dogma, não devemos permitir que isso nos impeça de aceitar os ensinamentos que são bons, porque isso seria tão infrutífero como centralizar a nossa atenção sobre as manchas do Sol recusando ver a sua luz gloriosa.

Medite sobre este assunto, querido amigo, e tomemos por lema deste mês: Maior Utilidade, para que possamos crescer, empenhando-nos sempre no aperfeiçoamento das oportunidades surgidas.

(Por Max Heindel – livro: Cartas aos Estudantes – nr. 04)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Subliminar ou Subconsciente

O Subliminar ou Subconsciente

Quando a pessoa assiste a um programa de TV ou cinema, ou ouve boa música, ou mesmo está guiando há muito tempo, fica num estado parecido com aquele entre a vigília e o sono chamado hipnogógico, em que “o sono vem vindo”.

Nesse estado, o subconsciente está mais acessível; as sugestões o alcançam melhor. Por isso, se essas sugestões forem bem-feitas, podem dar bons resultados.

Se a mãe murmurar para o filho que ele prefere não roer as unhas, isso pode bastar para livrá-lo da onicofagia. Na propaganda, isso é uma arma.

Conta-se que a BBC de Londres teria feito experiências assim.

Diz-se, também, que num cinema se teria projetado rapidamente propaganda e os espectadores, depois, esgotaram o estoque do produto anunciado.

Já pensou isso usado para instigar povos à guerra? Que desastre?

Evidentemente a sugestão deve ser usada para o bem, nada mais. As pessoas podem aprender a ficar nesse transe hipnótico, por si mesmas, dando-se então sugestões positivas, como a de que pode deixar de fumar, deixar de beber álcool, deixar de comer certos alimentos que não se coadunam com a sua dieta, deixar de comer certos alimentos que engordam e sugestões para outras finalidades, enfim.

Tais propósitos, bem formulados, dão bons resultados. É a auto-hipnose.

Há entre nós uma estação de rádio que transmite música. De quando em vez, dá mensagens positivas.

“Você está se sentindo melhor, mais disposto, está ouvindo música”, isso contribui para o bem-estar da população.

No trabalho pode haver música de fundo, em certos casos. No estudo isso pode ajudar ou não, conforme o caso.

Seria bom que no trabalho houvesse mensagens periódicas positivas, animadoras. Isso daria bons resultados. Nos intervalos, os empregados deveriam aproveitar o descanso com técnica, aprendendo o “relax” de Jacobson, a autossugestão de Coué.

Em outros países, já há preguiçosas em fábricas para o descanso racional. Isso é recomendável, para trabalhadores e empresários. Todavia, tais técnicas exigem orientação adequada pelo psicólogo competente.

O perigo é haver sugestões negativas. É o risco de certas campanhas. Agora, por exemplo, que se faz movimento contra o barulho, a poluição, os tóxicos, os acidentes, corre-se o risco de contribuir-se para o próprio mal que se combate, salientando-o demais, criando verdadeira neurose.

É claro que as cidades, os carros, as fábricas poluem. Mas, não podemos voltar-nos contra tais agentes, sonhar com a volta à natureza. Temos que apoiar a tecnologia, que é ela que nos ajudará a vencer a poluição.

Afinal, as cidades são meios de progresso, os carros meios úteis de transporte, as fábricas meios de trabalho e de riqueza. Temos de saber dos males que há, mas sem pânico. Combatê-los por meios adequados, não com atitudes emocionais. Daí o erro de certas campanhas que a título de conscientizar a população, causa-lhe mal maior ainda.

Se Saturno estiver no horóscopo na 3ª Casa aspectado adversamente (Quadraturas, Oposições e/ou algumas Conjunções) indica que o nativo é cheio de preconceitos, não sabe se relacionar, taciturno, devido às derrotas sofridas noutras vidas. Terá que se transformar, mudar a forma de caráter e para isso deverá fazer o exercício de Retrospecção, deve ver-se desde o momento em que faz o exercício, retrocedendo sempre até a sua infância, até onde possa alcançar. Noutras vidas não pode penetrar porque é posto um véu naquilo que fizemos de bom ou de mau, para não nos derrotar ainda mais nesta vida. Porém, devemos perdoar e amar sempre. Mesmo alguma recordação desta vida pode ser apagada, amando e perdoando. Imaginai-vos retrocedendo até ao ponto em que alguém vos fez sofrer muito. Então trazei à consciência de vigília o fato e pensando que foi talvez por imperfeição da outra parte, ou talvez mesmo por vossa culpa, perdoai a pessoa e no mesmo instante estareis livres, para sempre.

Assim, o vosso átomo-semente do coração ficará branco, sem mácula, como uma gema branca e assim evitareis o Purgatório, avançando no tempo que não precisais perder, progredindo animicamente.

Os psicólogos dividem o círculo da Mente em três partes para demonstrar a grandeza da manifestação, neste mundo, do consciente, do subconsciente e do superconsciente.

O ser humano usa apenas 17% do seu poder mental, falta-lhe usar 83%, porque é vítima da inércia, da preguiça mental.

O subconsciente é como um computador eletrônico; aquilo que nele for programado, invariavelmente ele manifestará.

Os obstáculos foram feitos para serem suplantados ou contornados. É preciso saber pensar, agir, discernir.

Enfrentar a vida real como ela é.

A paz de espírito se consegue com lutas.

Para se realizar alguma cousa útil, não basta afirmar positivamente, tão somente, é preciso ter motivação.

Aqueles que vencem pela fraude não têm fibra, não são um V E N C E D O R, é impotência psíquica.

Renúncia do que não presta, conquista do que queremos ser. É o Poder.

Conquista a tua vitória, ou o Ser Humano Superior.

Encara a realidade como ela é.

Deve-se refletir o poder do Pai dentro de si e vencer todos os obstáculos. É preciso enfrentar a neurose de frente e ela fenece, se extingue.

A Mente una com o Cristo Interno não se perturba com nada, não tem medo de seres desta ou de outra dimensão. Aquele que se julga incapaz para um trabalho é porque cresceu como um bebê. Acredite em si próprio, assim liberta o seu subconsciente e resolve o problema. O entrave é seu próprio, é poder mental enclausurado. Aprenda a condicionar-se permanentemente durante a vida, para saber vencer.

Derreta a forma indesejada que és;

e com o mesmo material deves fundir outra estátua ou forma perfeita e depois esfrie.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/78)

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