porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Abril de 2020

O Ecos de um Centro Rosacruz tem como objetivo informar as atividades públicas de um Centro, bem como fornecer material de estudo sobre os assuntos estudados durante o mês anterior.

Para acessá-lo (formatado e com as figuras): ECOS nº 47 – Abril de 2020 (Pandemia/Estratos da Terra/Magia Negra/Cristalização/Centro da Terra/Lemniscata/Sinfonias de Beethoven, os Estratos da Terra e as 9 Iniciações Menores/Perguntas de Estudantes e Simpatizantes/Renovação do Caráter) 

Para acessar somente os textos:

Ecos nº 47 – Abril de 2020

A Fraternidade Rosacruz é uma escola de filosofia cristã, que tem por finalidade divulgar a filosofia dos Rosacruzes, tal como ela foi transmitida ao mundo por Max Heindel. Exercitando nosso papel de Estudantes da Filosofia Rosacruz, o Centro Rosacruz de Campinas, edita o informativo: Ecos.

Informação

De acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS e visando a prevenção do avanço da pandemia de Corona vírus (Covid-19) suspendemos as atividades presenciais em nossa sede em Campinas por tempo indeterminado. As atividades não presenciais como cursos on-line (inscrições e correções das lições), Cura (solicitação e recebimento dos relatórios mensais) e divulgação de materiais para leitura em nosso site, permanecem em atividades.

Pandemia

As doenças coletivas, assim como as individuais, estão sob a regência da Lei de Consequência – ou seja colhemos aquilo que semeamos.  Sempre que há um desequilíbrio de natureza físico, moral e mental, essa lei entra em ação, com o objetivo de restabelecer o equilíbrio. Também conhecida “lei de ação e reação, tem como base que toda causa gera um efeito correspondente. Portanto, a doença é o resultado dos nossos maus hábitos, das nossas omissões, transgressões ou desobediência às Leis da natureza, estabelecidas por Deus.

Poderíamos pensar que a doença é um castigo, mas não é. Como descrito do ritual de cura, a enfermidade é o fogo invisível que tenta purificar o organismo e libertá-lo das condições que criamos ao transgredir as Leis da Natureza. 

No caso de uma pandemia (em uma escala de gravidade, a pandemia é o pior dos cenários. Ela acontece quando uma epidemia se espalha por diversas regiões da Terra), a responsabilidade coletiva, grupal ou nacional, atrai os espíritos participantes para colher em conjunto o que em conjunto efetuaram. Normalmente nesse ambiente, a atmosfera psíquica fica carregada, pelo Medo.  As informações, dados, números, trazidos pelas mídias aumenta ainda mais o medo das pessoas e consequentemente isso diminui ainda mais nossa resistência e aumenta o número de doentes.

Sabemos que nossa resistência aos vírus, está ligada a energia do Sol que flui constantemente em nosso Corpo Denso por meio do baço, um órgão especialmente adaptado para a atração e assimilação desse Éter universal. No Plexo Celíaco esse Éter é convertido em um fluído rosado que banha o sistema nervoso. Por meio deste fluído vital os músculos se movem e os órgãos desempenham suas funções vitais. Quanto maior esse fluído, maior nossa resistência aos germens das doenças. Mas se tivermos pensamentos de medo diminuiremos o fluído vital, e aumentamos o risco de acesso dos germens, causando as doenças.

Uma atitude corajosa e otimista é essencial para manter esse fluído em níveis elevados. Assim, manteremos nossa saúde, bem como poderemos ajudar outros que estejam doentes. Temos que nos elevar acima dessa onda negativa, vibrando positivamente e orando fervorosamente, não nos deixando abater por pensamentos de medo. Lembremos de Jó quando exclamou: “O que eu temi veio sobre mim”. Podemos contribuir para o reestabelecimento da saúde, meditando sobre o Poder Divino que está sempre disponível para nos ajudar a reestabelecermos o equilíbrio e a fé. O Salmo 23 e o Salmo 91 têm poderes maravilhosos para aliviar o medo. Podemos usar nossa Mente positiva para reconstruir a saúde. O poder de fazer isso está dentro de cada um de nós.

Fontes de Pesquisa:

Resumo das Atividades em forma de Estudos e Reuniões ocorridas em nosso Centro:

Realização dos Rituais Devocionais (incluindo os Hinos de Abertura; Signo do mês solar e Encerramento).

Abril: 1, 7, 13, 21, 28 – Rituais do Serviço de Cura e demais dias do mês – Rituais do Serviço do Templo

Estudo: Estratos da Terra

Porque é importante entender os estratos da Terra?

Os vários estratos da terra, da circunferência até o centro, formam o caminho da Iniciação tanto para os Filhos de Seth quanto para os Filhos de Caim. Nosso planeta é o corpo de um grande espírito e ninguém pode aproximar-se de seu centro, a não ser pela Iniciação.

Qual a relação entre os estratos da Terra e as Iniciações

Há nove estratos terrestres em torno do coração central, o décimo por assim dizer.

Nos Mistérios Menores há nove graus. E em cada grau o candidato se habilita a penetrar em um estrato. A décima Iniciação pertence aos Mistérios Maiores com seus quatro graus.

Maria: para receber a Anunciação, que seria mãe de um ser iluminado, Ela preparou seu corpo espiritual através dos Nove Mistérios Menores ou Nove Iniciações ou nove Estratos da Terra, como Max Heindel descreve no Conceito Rosacruz do Cosmos. E a cada degrau de Iniciação foi lhe revelando estes estratos gradualmente. Com estes nove passos Maria tornou-se consciente de toda sua evolução passada, isto é, tornou-se capaz de compreender a existência da constituição do Tríplice Corpo, Tríplice Alma e Tríplice Espírito.

Um Espírito desencarnado poderia alcançar o Centro da Terra?

Depende do estágio evolutivo do espírito desencarnado. Nenhum espírito, desencarnado ou não, pode observar o que há no interior da Terra, sem que a Iniciação haja despertado suas faculdades latentes.

Muitos clarividentes e sensitivos comuns, que podem fornecer informações sobre cenas do Mundo do Desejo, dão relatos escassos concernentes ao interior da Terra. Alegam que, ao tentarem penetrar ali, chocam-se contra uma intransponível muralha.

Um Mestre em Magia Negra poderia alcançar o Corpo Vital de Jesus no Centro da Terra?

Não. Ninguém, que não seja iniciado pode penetrar as profundezas da Terra. Ele não pode penetrar nem mesmo no primeiro dos nove estratos da Terra. Tal penetração é o caminho da Iniciação, e é preciso força da alma, pureza e abnegação para alcançar o Cristo.

O que significa a cristalização?

Ao entender o que acontece com a Vida, entendemos o processo de cristalização. Tudo aquilo que perdeu a vida, cristalizou-se.

Exemplos:

Carvão – corpo vegetal cristalizado.

Corais – formas animais cristalizadas

Quando a vida abandona as formas, as formas morrem. A vida nunca penetra numa forma para despertá-la à vida. A vida sai das formas e as formas morrem. Foi assim que surgiram as coisas mortas”.

Por analogia entendemos que tudo que perde a vitalidade, que não se movimenta, não se moderniza, cristaliza. Quer sejam formas, pensamentos, sentimentos ou ações.

“Toda desintegração da crosta dura produz uma sensação de alívio, e toda solidificação é fonte de dor”, portanto toda cristalização é fonte de dor e sofrimento.

Qual o significado de Lemniscata?

Lemniscata é o famoso “oito deitado”, tido como um símbolo do infinito. A razão de essa curva geométrica especial assumir tal significado é seu traço, contínuo, uma forma sem começo nem fim.

Na lemniscata, ou há dois círculos que convergem para um ponto central e esses círculos podem ser considerados símbolos do espírito imortal, o Ego em evolução. Simboliza o caminho da evolução quando visto no lado físico e espiritual.

Um dos círculos significa sua vida no mundo físico, do nascimento à morte. O outro simboliza o trabalho subjetivo da assimilação, realizado durante sua permanência nos mundos invisíveis, que compreende o período desde a morte até ao nascimento, simbolizado pelo outro anel da lemniscata.

Ponto central na lemniscata – é a porta do nascimento ou da morte – designação dependente do lugar onde nós próprios estejamos no momento desse Ego entrar ou sair da vida. Ou seja, é a porta entre os 2 mundos

As Sinfonias de Beethoven e as relações com os Estratos da Terra e com as Nove Iniciações Menores

(**Você pode ouvi-las no Youtube, de graça!)

  • 1º Sinfonia – 1º Mistério Rosacruz – Estrato Material/Terra Mineral (1º Estrato) – 1º Grau iniciático

Envolve a Terra física e os segredos de seu longo passado no desenvolvimento evolutivo. Descreve a transformação da Terra. Sua nota chave é o “Poder” e é representado por uma coluna no alto à direita – o primeiro símbolo da divindade – Número 1 – Pai

  • 2º Sinfonia – 2º Mistério Rosacruz – Estrato Fluídico/ Regiões Químicas e Etéricas do mundo físico (2º estrato) – 2º Grau iniciático

O aspirante aprende os segredos dos éteres que rodeiam a Terra. Envolve os serem que habitam este reino, tais como os espíritos da natureza. Sua nota chave é o “Amor”. Número 2 “princípio do Amor Materno” Esse princípio feminino manifesta-se como “Amor Supremo”

União do poder (1ª Sinfonia) e do Envolve a terra física e os segredos de seu Amor (2ª Sinfonia).

Sua nota chave é a “Liga de Força” – tema de suprema luta que enfrenta cada ser humano e a derradeira vitória do poder do espírito. Essa luta do Ser Humano é representada no 3º Mistério, quando o aspirante experimenta o Mundo do Desejo. É ali que ele começa a compreender a estreita relação entre o Ser Humano e o Planeta em que vive. Ele aprende o perigo de sua desregrada natureza de desejos com a qual ele influência e utiliza certas forças sinistras internas correspondentes às camadas da Terra. Beethoven descreve que apenas aquele que atingiu o completo domínio de si próprio, pode entrar e investigar o Mundo do Desejo da Terra.

O 3º Mistério está relacionado com as consequências da Natureza do Desejo.

A Nota Chave da 4ª Sinfonia é “Beleza”. Onde quer que haja amor espiritual existe também harmonia. É a sinfonia da Felicidade – e seus quatro movimentos são identificados como “As qualidades da Serenidade, Felicidade, Beleza e Paz”.

O 4º Mistério está relacionado à Espiritualização da Mente, no Reino do Pensamento Concreto, localizado na 4ª camada da Terra. O Candidato à aprendizagem destes mistérios aprende a usar o poder do pensamento construtivo/criativo e a realização de que por este meio, ele constrói sua própria vida.

Cada uma das quatro partes desta sinfonia, representa um dos quatro elementos da Natureza: Fogo, Ar, Água e Terra. Esta sinfonia canta a canção destes elementos com intensidade e Poder.

A Nota Chave da 5ª Sinfonia é “Liberdade”. Essa sinfonia é conhecida como a “Sinfonia da Vitória”, e tem a interpretação espiritual da conquista do Eu Inferior.

No 5º Mistério é ensinado ao Aspirante Ler na Memória da Natureza os registros das vidas passadas e o trabalho dos Átomos-semente no Mundo do Pensamento Abstrato.

A Nota Chave da 6ª Sinfonia é “Unificação” (ligada ao número 6 – que expressa Luz, amor e Beleza), o símbolo da sinfonia está correlacionado com a Divina Hierarquia Zodiacal de Virgem. Está ligada a Mãe Natureza, expressando o “O serviço por meio da tonalidade da beleza”.

 No 6º Mistério o Aspirante penetra no mundo da Consciência Crística, onde todo senso de separatividade já foi transcendido e a verdadeira Universidade de toda a vida realiza-se.

A Nota Chave da 7ª Sinfonia é “Exaltação” (ligada ao número 7 – que representa o fechamento de um ciclo, em termos de duração do tempo.

No 7º Mistério o aspirante torna-se ciente do 7º Estrato da Terra, conhecido como Estrato Refletor, e que está intimamente ligado ao Mundo do Espírito de Divino. É nesse reino que a Terra reage acuradamente aos pensamentos e desejos do ser humano. Podem ser igualmente construtivos e destrutivos e relacionados com a Lei de Causa e Efeito.

O principal propósito da peregrinação do ser humano pela Terra, é capacitar o Tríplice Espírito a trabalhar sobre o Tríplice Corpo a fim de refiná-lo, espiritualizando os corpos inferiores e transmutá-los para que a alma possa usá-los amorosa e desinteressadamente.

A Nota Chave da 8º Sinfonia é “Harmonia”. Descrita como a sinfonia que carrega a impressão da Divindade.

O trabalho do 8º Mistério é exemplificado na sua melodia, que é delicada, bela e preenchida de certa vibração mística que parece cantar a habilidade de acalmar os ímpetos da tempestade que remove montanhas de seus lugares. Esses mistérios estão na esfera celestial relacionado ocultamente ao Mundo dos Espíritos Virginais.

Temos estudado na Fraternidade Rosacruz, que Deus diferencia dentro de si mesmo as diversas ondas de vida, para – em suas jornadas evolutivas – alcançarem elevados estágios espirituais.

Representa o Equilíbrio perfeito entre a Mente e o Coração, conhecida como Casamento Místico, e neste sublime ritual Beethoven descreve uma consumação; o despertar do Cristo Interno no Aspirante, que agora passa a ser um Adepto.

  • 10º Estrato – Centro do Ser do Espírito Terrestre – corresponde ao Absoluto. Há nove estratos terrestres em torno do coração central, o décimo por assim dizer.

Fraternidade Rosacruz – Algumas das perguntas que recebemos de Estudantes e simpatizantes e que, talvez, possam ser dúvidas de mais Estudantes também

  • Em qual livro está a frase “Quanto mais forte é a Luz, mais profunda é a sombra que ela projeta”?

No Conceito Rosacruz do Cosmos, no Capítulo A Estrela de Belém:

Lamentavelmente, em nosso presente estado de desenvolvimento, ainda estamos apegados à raça (mesmo que, politicamente correto, muitos não utilizam esse termo), ao materialismo e ao egoísmo, o que tem provocado dor e enfermidade. Essas são as sombras projetadas para nos mostrar o quão longe estamos do retorno à Casa do Pai. Ainda hoje, 2020 anos após a vinda de Cristo, estamos resistindo ao impulso unificador que ele nos emana.

A dor e o ódio ainda não deram espaço para o Amor Fraternal, e essa fase de transição tem provocado toda essa turbulência que observamos no mundo. A onda evolutiva, porém, segue seu caminho, irresistivelmente, e conduzirá a humanidade para uma espiral superior.

  • O exercício de Retrospecção é de Max Heindel ou de Santo Agostinho?

Na realidade ele foi desenvolvido por Christian Rosenkreuz, fundador da Ordem Rosacruz. Durante ser renascimento como Hiram Abiff, concebeu o Mar Fundido – grande lavabo, destinado ao banho da purificação, ao qual todos os sacerdotes tinham de submeter-se para entrar ao serviço do Senhor. Seu objetivo era purificar a alma manchada de pecado. Hoje esse método, na Fraternidade Rosacruz, é chamado de exercício de Retrospecção, que seguindo as leis naturais, permite acelerar o processo de crescimento anímico.

Seguem os passos do Caminho da Preparação e o Caminho da Iniciação Rosacruz:

  1. Estudante Preliminar – Consta de 12 lições que se ministram por correspondência. Serve de livro texto “O Conceito Rosacruz do Cosmos”, livro básico da Filosofia Rosacruz, escrito por Max Heindel.
  2. Estudante Regular – Duração mínima de 2 anos, o estudante recebe mensalmente uma Carta e uma Lição de aprofundamento sobre a Filosofia Rosacruz.
  3. Probacionista – Duração mínima de 5 anos. Recebem instruções especiais mediante Cartas e Lições mensais e também durante o sono. O Irmão Maior – Mestre – efetua uma prova efetiva antes de admiti-lo ao Discipulado e é perante ele que se realiza o juramento/compromisso!
  4. Discípulo – São preparados sistemática e regularmente para a Iniciação sob a direção dos Irmãos Maiores da Ordem que lhes dão definidas instruções individuais e que, portanto, são absolutamente secretas.
  5. Irmão Leigo – Vivem em diferentes partes do mundo ocidental e receberam uma ou mais Iniciações de Mistérios Menores. São capazes de abandonar seu Corpo Físico conscientemente, assistir aos serviços e participar nos trabalhos espirituais no Templo da Ordem Rosacruz, junto aos Irmãos Maiores. O Irmão Leigo percorre um caminho de nove graus com sessões no Templo Rosacruz à meia-noite, cada dia da semana para cada grau do primeiro ao sétimo, sendo as do oitavo e nono realizadas nos equinócios.
  6. Adepto – São graduados nas Iniciações de Mistérios Menores e, também, já passaram pela primeira das quatro Iniciações Maiores. O Adepto aprende a conhecer o segredo da mente e desenvolvê-la-á no grau que todas as pessoas atingirão no final do Período Terrestre. 
  7. Irmão Maior – São graduados nas Escolas de Mistérios Menores e, também, nas Maiores (9 Iniciações Menores e 4 Maiores).

Você pode se inscrever no Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz através do site: http://fraternidaderosacruz.com/site/como-se-inscrever-no-curso-preliminar-de-filosofia-rosacruz/.

  • Qual a visão da Rosacruz sobre o Espiritismo?

A Fraternidade Rosacruz defende o livre arbítrio na escolha da religião ou escola filosófica, mas alerta sobre os perigos da clarividência involuntária, ou negativa.

Na clarividência involuntária, o médium, devido a frouxidão entre o Corpo Denso e Vital, que por não dominarem as faculdades da clarividência, permitem que espíritos desencarnados e apegados a terra tomem o controle temporário do seu Corpo Denso, se tornando presas desses espíritos.

Já na clarividência voluntária, os ocultistas treinados, permanecem no controle do seu corpo exercendo a   faculdade de clarividência apenas quando desejar.

  • Devo tratar de problemas espirituais em centros espíritas e candomblé?

Novamente reforçamos que a Fraternidade Rosacruz defende o livre arbítrio. Contudo, devido ao exposto acima, se você possui a frouxidão do Corpo Vital com o Corpo Denso, pode correr o risco de permitir a entrada de espíritos obsessores. Recomendamos que você peça auxílio ao Departamento de Cura da Fraternidade Rosacruz, e procure ler sobre a Fraternidade Rosacruz.

  • O que acontece após a Morte?

A morte é ocasionada pela ruptura da união entre o Átomo-Semente e o coração. Nesse processo, o Corpo Vital, o Corpo de Desejos e a Mente abandonam o Corpo Denso, pelo alto da cabeça. Contudo, na morte, o Espírito e os veículos superiores permanecem em contato com o Corpo Físico, por meio do Cordão Prateado, por três dias e meio aproximadamente, período em que ocorre a retrospecção do panorama da vida recém acabada. Todas as imagens contidas nesse panorama são gravadas no Corpo de Desejos, que posteriormente serão impressas no Corpo Vital, através do sangue, e se tornarão a base da experiência pós morte.

Ao morrer, a pessoa pode ficar presa ao mundo físico ou se endereçar para o Purgatório, local onde os nossos maus atos e hábitos deverão ser purgados. Aqui sofremos intensamente toda a dor causada a outros. É a lei de causa e efeito agindo e dando a cada um, aquilo que necessita.

Quando termina a existência purgatorial, o espírito purificado ascende ao Primeiro Céu, que está situado nas três Regiões mais elevadas do Mundo do Desejo. Aqui o indivíduo verá o panorama das boas obras da vida e voltará a sentir toda a gratidão que recebeu por sua benfeitoria. O primeiro céu é um lugar de alegria, sem vestígios sequer de amargura.

A próxima etapa é o Segundo Céu, aqui a quintessência dos três corpos é assimilada pelo Tríplice Espírito. O Segundo Céu é o verdadeiro lar do ser humano, aqui ele permanece durante séculos, assimilando o fruto da última vida e preparando as condições terrenas mais apropriadas para o seu próximo passo no progresso.

O Terceiro Céu, aqui ele fortifica-se para a próxima imersão na matéria. Com a ajuda dos Anjos do Destino ele escolhera, dentre 4 panoramas de vida, como será uma próxima vida na Terra.

Para saber mais, Leia o capítulo 3 do Conceito Rosacruz do Cosmos.

Renovação de Caráter

O estudo da Filosofia Rosacruz, além de facultar a aquisição de um conhecimento profundo e lógico sobre a origem, estado presente e futuro desenvolvimento do ser humano e do Universo.

Pressupõe também algo que consideramos de suma importância: uma reforma de caráter. Se o conhecimento não os torna religiosos, naquela acepção ampla de realizar-nos à nossa essência espiritual, não está atingindo o seu objetivo.

Não consideramos que o conhecimento como um fim em si mesmo, mas, como uma fonte que nos proporciona meios valiosos de crescimento anímico.

Nossos atos provam o que realmente somos. Podemos nos tornar gradativamente um imenso repositório de Ensinamentos Rosacruzes, e podemos até expô-los publicamente de uma maneira brilhante, porém, se não procurarmos vivê-los em essência sentindo as verdades que encerram, seremos grandes intelectuais. O empenho sincero no sentido de uma transformação interna determina a utilização que fazemos dos ensinamentos espirituais. Estes, só têm valor quando servem ao aperfeiçoamento do caráter, despertando sentimentos de amor, altruísmo, compreensão, disciplina, dever, etc.

Via de regra, os seres humanos deixam o Plano terrestre quase com o mesmo caráter com que a ele adentraram.

Ligeiras transformações se observam porquanto a Lei de consequência, através do látego da dor, demonstra cabalmente que o salário do pecado é a morte. Infelizmente, as experiências dolorosas constituem o meio padrão de aperfeiçoamento moral de quase totalidade do gênero humano. Este processo regenerativo é lento, pois não decorre de uma vontade própria, consciente de renovação interna. Poucos são aqueles que reconhecendo os próprios erros e defeitos, dispõem-se corajosamente a transmutá-los em virtudes. Estes poucos sempre se constituíram nos vanguardeiros da onda de vida humana.

Nunca é demais repetir que a evolução é o resultado de um esforço persistente. Tal esforço deve ser consciente, incomensurável, pois, a mais renhida das batalhas que podemos travar é contra nossa própria natureza inferior. Podemos engendrar um destino melhor se nos propusermos a modificar nosso caráter. Os meios estão ao nosso alcance, e se não os utilizarmos é porque somos vencidos pela inércia e pelo comodismo.

Renovemo-nos, tornando-nos dia a dia melhores homens e mulheres, a fim de sermos utilizados como colaboradores conscientes na obra benfeitora dos Irmãos Maiores, a serviço da humanidade!

SERVIÇO DE AUXÍLIO E CURA

Todas as semanas, quando a Lua se encontra num Signo Cardeal (Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio), reunimo-nos com o propósito de gerar a Força Curadora por meio de fervorosas preces e concentrações. Esta força pode depois ser utilizada pelos AUXILIARES INVISÍVEIS, que trabalham sob a direção dos IRMÃOS MAIORES com o propósito de curar os doentes e confortar os aflitos.

Nessas datas, as 18h30, os Estudantes podem contribuir com esse serviço de ajuda, conforto e cura, sentando-se e relaxando-se na quietude do seu lar ou onde quer que se encontre, fechando os olhos e fazendo uma imagem mental da Rosa Branca e Pura situada no centro do Emblema Rosacruz. Em seguida leia o Serviço de Cura e concentre-se intensamente sobre AMOR DIVINO E CURA, pois só assim, você poderá fazer de si um canal vivo por onde flui o Poder Divino Curador que vem diretamente do Pai. Após o serviço de cura, emita os sentimentos mais profundos do amor e gratidão ao Grande Médico para as bênçãos passadas e futuras da cura.

Datas de Cura:

Maio: 5, 11, 18, 25

Dizendo-lhes: “Se vocês derem atenção ao Senhor, o seu Deus, e fizerem o que ele aprova, se derem ouvidos aos seus mandamentos e obedecerem a todos os seus decretos, não trarei sobre vocês nenhuma das doenças que eu trouxe sobre os egípcios, pois eu sou o Senhor que os cura.” (Ex 15:26).

FIM

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Quem é o “O cego vê e o surdo ouve” e quem não é

Quem é o “O cego vê e o surdo ouve” e quem não é

Enquanto a incapacidade física causada pela cegueira é, sem dúvida, uma grande aflição, há uma cegueira que tenha efeito mais prejudicial sobre aqueles que dela sofrem: a cegueira do coração. Um velho provérbio diz: “Ninguém é tão cego quanto aquele que não quer ver”. Toda grande religião trouxe ao povo a quem foi dada certas verdades vitais e necessárias para o seu desenvolvimento e o próprio Cristo nos disse que a Verdade nos libertaria. Muitas das sublimes verdades contidas nos ensinamentos cristãos foram, no entanto, obscurecidas por credos e dogmas com os quais as várias seitas e denominações se contentaram. Contrata-se um ministro e o encarregam de expor a verdade da Bíblia, mas sua língua está atada ao credo de sua denominação específica; ele é proibido, sob pena de desgraça pública e dispensa, de publicar ou pregar algo que não esteja em estrito acordo com o tipo particular de religião desejado por aqueles que lhe pagam o salário. Cada ministro recebe um par de óculos que são coloridos de acordo com o credo específico que ele representa, e ai dele, se ousar enxergar a Bíblia com outros óculos sobre o nariz: fazer isso significa sua ruína financeira e ostracismo social, que poucos são corajosos o suficiente para enfrentar.

Enquanto o ministro mantiver seus óculos denominacionais, não haverá perigo; contudo, às vezes algum ministro retira os óculos, porque planejou ou por acidente. Ele pode ser de natureza aventureira e, de alguma forma, tem a sensação de que haja alguma coisa fora da sua esfera de visão particular, ou pode ter acidentalmente perdido seus óculos. Mas, em ambos os casos, se ele tropeça na verdade nua da palavra de Deus, torna-se infeliz. Este escritor falou com vários ministros que confessaram ter a ciência de certas verdades, mas não ousavam pregá-las porque isso jogaria a fúria de sua congregação sobre eles, por perturbar as condições estabelecidas. E isso não é de se admirar; mesmo o rei James, um monarca e autocrata, advertiu os tradutores da Bíblia para não a traduzirem de maneira que a nova versão perturbasse as ideias estabelecidas, porque ele sabia que, no momento em que novos pontos fossem introduzidos, haveria uma controvérsia entre os defensores da antiga visão religiosa e os da nova, o que provavelmente resultaria uma guerra civil. A maioria das pessoas sempre está pronta para sacrificar a verdade pelo bem da paz; portanto, hoje estamos presos, apesar de nossa liberdade vangloriada, e não importa o quanto seja aguçada a nossa visão física, um grande número entre nós está cego por uma escama tão opaca que quase obscurece completamente sua visão espiritual.

No entanto, apesar de tudo, a verdade surge e às vezes nos lugares mais inesperados, como mostra o recorte a seguir. Isto soa mais como as reflexões de um místico do que os escritos de um ministro presbiteriano, anotações ligadas à terrível doutrina da predestinação e ao compromisso das almas com o fogo eterno do inferno, onde torturas terríveis são suportadas pela eternidade, mesmo por bebês que foram predestinados a sofrer para sempre pelo seu criador. Foi escrito por J. R. Miller, um conhecido pastor da Filadélfia, e é apenas outra indicação do fato de que um sexto sentido esteja se desenvolvendo lentamente e, frequentemente, como dito, nos lugares mais inesperados, esmagando o credo com evidências e conhecimentos místicos. O reverendo Miller diz:

“Todos nós projetamos uma sombra. Há sobre nós uma espécie de penumbra — algo estranho e indefinível — que chamamos de influência pessoal e tem efeito em todas as outras vidas que ela toca. Vai conosco aonde quer que vamos. Não é algo que possamos ter ou retirar quando quisermos, como uma roupa. É uma coisa que sempre brota da nossa vida, como a luz de uma lâmpada, o calor de uma chama, o perfume de uma flor”.

Certa vez, quando Cristo estava sozinho com seus Discípulos, Ele lhes perguntou: “Que dizem os homens que Eu, o Filho do Homem, sou?”. E eles responderam e disseram: “Alguns dizem que Tu és Elias; outros, Jeremias; e outros dizem que és um dos profetas”. E Cristo respondeu e disse: “Mas quem dizeis que Eu sou?”. E Pedro disse em resposta a essa pergunta: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Ele havia descoberto a verdade, tinha visto o Cristo. E a resposta de Cristo veio rapidamente: “Bendito és tu, Simão, filho de Jonas, porque a carne e o sangue não te revelaram isso, mas meu Pai que está no Céu; a ti darei as chaves do Reino dos Céus e do Inferno”.

Aqui, a religião materialista, que tantas vezes desvalorizou a Arte a seu serviço, pode ver apenas uma chave material e, portanto, encontramos fotos em que Pedro esteja com uma chave enorme na mão; porém o místico descobre nesse incidente que os discípulos receberam o ensinamento de uma grande verdade da natureza: o renascimento! Pela chave da iniciação, esse mistério foi descoberto, as portas do Céu e do Inferno foram abertas para mostrar a imortalidade do Espírito e nossa volta a essa esfera de ação para aprender novas e maiores lições vida após vida, como uma criança aprende suas lições na escola, dia após dia.

Se o renascimento não fosse um fato natural, o retorno de espíritos que partiram, como Jeremias, Elias e outros, para então ocupar o corpo de Jesus, seria um absurdo e teria sido o dever de Jesus, como Mestre dos discípulos, explicar que tais ideias fossem ridículas. Em vez disso, Ele mantém o assunto para descobrir a profundidade do seu discernimento e pergunta — “Quem então você diz que Eu sou?”. E quando a resposta chega, mostrando que eles percebem n’Ele alguém acima dos profetas e da raça humana, o Cristo, o Filho do Deus vivo, Ele nota que estejam prontos à Iniciação que resolve, na Mente dos discípulos, o problema do renascimento para além de qualquer disputa. Nenhuma quantidade de leitura de livros, conversas ou explicações pode solucionar esse ponto para além de qualquer possibilidade de confusão. O candidato deve saber por si mesmo. Portanto, nas atuais Escolas de Mistérios, após a primeira Iniciação abrir-lhe o mundo invisível, ele tem a oportunidade de se satisfazer com o renascimento e lhe é mostrada uma criança que recentemente saiu do corpo físico. Por causa de seus poucos anos, ela renasce rapidamente, provavelmente dentro de um ano após a morte. O recém-iniciado observa essa criança até que finalmente ela entre no útero da mãe para emergir como um bebê recém-nascido de novo. A razão pela qual ele assiste a uma criança e não a um adulto é porque este fica fora da vida física por aproximadamente mil anos, enquanto um bebê renasce em poucos anos; alguns chegam a encontrar um novo ambiente depois de alguns meses e renascem dentro de um ano. Durante esse período, o iniciado também tem oportunidades de estudar a vida e as ações daqueles que estão no Purgatório e no Primeiro Céu, que são o Céu e o Inferno mencionados na Bíblia. Foi isso que Cristo ajudou seus Discípulos a fazer: ver e saber. Sobre a rocha dessa verdade a Igreja foi fundada, pois se não houvesse renascimento, não haveria progresso evolutivo e, consequentemente, todo avanço seria uma impossibilidade.

Contudo, qual é o caminho para a realização? Eis a grandíssima questão e, para isso, existe e pode haver apenas uma resposta — o desenvolvimento do sexto sentido por meio do qual o místico descobre essa sombra imortal da qual o reverendo Miller fala. O Céu e o Inferno são relativos a nós: nossas vidas passadas e as vidas de nossos contemporâneos foram jogadas na tela do tempo e estão prontas para serem lidas a qualquer momento, mas devemos construir nossos sentidos para poder ler.

A luz elétrica, quando focada através de uma lente estereótica, projeta a imagem brilhante de um slide, quando há escuridão; contudo, não deixa marcas visíveis quando os raios do Sol atingem a tela. Nós também, se quisermos ler o pergaminho místico de nosso passado, devemos aprender a acalmar nossos sentidos para que o mundo externo desapareça nas trevas. Então, pela luz do espírito, veremos as imagens do passado tomarem o lugar do presente.

Tal sombra, vista pelo pastor Miller ao redor do corpo, é análoga à fotosfera, a Aura do Sol e dos Planetas. Cada um desses grandes corpos tem uma sombra invisível; ou melhor, invisível em condições normais. Vemos a fotosfera do Sol quando a esfera física é obscurecida durante um eclipse, mas em nenhum outro momento. O mesmo acontece com a sombra ou fotosfera do ser humano; quando aprendemos a controlar nosso senso de visão para que possamos observar um ser humano sem ver sua forma física, então essa fotosfera ou aura pode ser vista em todo seu esplendor, pois as cores da Terra são opacas em comparação com os fogos vivos e espirituais que envolvem e emanam de cada ser humano.

O fantástico jogo da aurora boreal nos dá uma noção de como essa fotosfera, ou sombra, age. Está em movimento incessante; dardos de força e chamas estão constantemente disparando de todas as suas partes, mas particularmente ativos ao redor da cabeça; e as cores e tons dessa atmosfera áurica mudam a cada pensamento ou movimento. Essa sombra é observável apenas para quem fecha os olhos a todas as visões da Terra; quem deixou de se preocupar com o louvor ou a culpa dos seres humanos, mas está concentrado apenas no Pai Celestial; quem está pronto e disposto a defender a verdade e somente ela; quem vê com o coração e no coração dos seres humanos que eles possam descobrir dentro de si mesmos o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Tampouco é o que nos rodeia uma sombra que desaparece quando o Sol da vida deixa de brilhar no corpo físico. Longe disso, é o vestuário resplandecente do espírito humano, obscurecido durante a existência material pela roupa opaca feita de carne e sangue. Quando John L. McCreery escreve sobre os amigos que faleceram, que: Eles deixaram cair o manto de barro para colocar uma roupa brilhante, ele está incorreto. Seu traje é realmente “brilhante”; no entanto, eles não o colocam na ocasião da morte. Seria mais correto conceber a nós mesmos como vestindo uma roupa de substância de alma que seja intensamente brilhante, porém escondida por uma “camada de pele” escura e sem brilho: um corpo físico. Quando o deixamos de lado, a magnífica Casa do Céu mencionada por Paulo no quinto capítulo da Segunda Carta aos Coríntios torna-se nossa habitação normal de Luz. É o soma psuchicon ou Corpo-Alma, traduzido de forma incorreta como “corpo natural”, no capítulo 15 da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, no quadragésimo quarto verso, onde encontraremos o Senhor em Sua vinda, mas “carne e sangue”, como usamos atualmente, não podem herdar o Reino de Deus.

Há muita diferença nessas emanações áuricas que foram observadas pelo reverendo Miller; de fato, existem tantos tipos áuricos diferentes quanto pessoas. O jogo das cores nunca é o mesmo. Se assistíssemos ao nascer e ao pôr do Sol por toda a vida, nunca encontraríamos dois exatamente iguais quanto à cor, efeito das nuvens ou tantos outros detalhes. Da mesma forma, quando observamos o jogo das emoções humanas, revelado na aura, há uma variedade incontável inclusive na mesma pessoa, quando em posições e condições idênticas, porém momentos diferentes. Em certo sentido, todos os pores do Sol são iguais; certas pessoas não percebem diferenças, mas para o artista o jogo de cores variado às vezes é realmente doloroso em sua intensidade. Alguns também podem não apreciar a importância dessa nuvem áurica e luminosa. Contudo, quando um Cristo vê as lutas prometeanas da pobre humanidade cega, que maravilha que Ele grite: “Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes Eu lhe teria reunido sob minhas asas!”. A menos que estejamos preparados para nos tornar “homens de dor”, não devemos desejar a extensão da visão que permite ao seu possuidor penetrar a opacidade do corpo que revela, assim, a alma, pois a partir de então seremos obrigados a suportar, além das nossas, também as dores de nossos irmãos. No entanto, quem assim se tornar um “Servo” terá, ao lado de toda essa tristeza, também alegria e paz que ultrapassam qualquer entendimento.

Quando abrirmos os olhos espirituais e aprendemos a ter a visão celestial do Cristo dentro dos corações dos seres humanos, haverá outros passos que nos levarão mais adiante no caminho. Quando aprendemos a fechar nossos ouvidos à multidão que só clama e reclama, às brigas de indivíduos sobre isto, aquilo ou qualquer outra coisa que não seja essencial; quando aprendemos que os credos, dogmas e todas as opiniões terrenas não tenham valor e que exista apenas uma voz no universo que seja digna de ouvirmos, a voz de nosso Pai que fala sempre aos que buscam o Seu rosto — então seremos capazes de ouvir a Canção das Esferas mencionada no imortal “Fausto”, nestas inspiradas palavras:

                        O Sol entoa sua velha canção,

                        Entre os cânticos rivais das esferas irmãs,

                        Seu caminho predestinado vai trilhar

                        Através dos anos, em retumbante marchar.

O que ocorre no caso da fotosfera do Sol, que é vista apenas durante um eclipse, quando sua esfera física é obscurecida, também acontece com a Canção das Esferas: ela não é ouvida até que todos os outros sons tenham sido silenciados, pois é a voz do Pai. Nesta sublime harmonia, as notas-chaves de Sabedoria, Força e Beleza reverberam por todo o Universo e, nessas vibrações, nós vivemos, nós nos movemos e temos o nosso ser. O Amor divino Se derrama sobre nós em medida irrestrita através de cada acorde cósmico para animar os desanimados e instigar os retardatários. “São vendidos dois pardais por quase nada e nenhum deles cai no chão sem que o Pai saiba; sois mais do que muitos pardais”. “Vinde a mim, vós que sois fracos e carregam peso”. Repousem sobre o grande coração cósmico do Pai. Sua voz confortará e fortalecerá a alma.

A cada ano e idade, esse grande Canto Cósmico muda; a cada vida aprendemos a cantar uma nova música. Deus, em todos e através de todos, opera Seus milagres na natureza e no ser humano. Geralmente, estamos surdos à mágica produzida pelo som silencioso da Palavra divina; entretanto, se pudermos aprender a “ouvir”, sentiremos a verdadeira proximidade de nosso Pai, que está mais perto do que as mãos e os pés, e saberemos que nunca estejamos sozinhos, nunca fora do Seu cuidado amoroso.

Assim como o Sol e os Planetas produzem luz e som, o ser humano também tem sua estrutura de luz e som. Na Medula, queima uma luz como a chama de uma vela, mas não de maneira constante, silenciosa e quieta. Ela pulsa e, ao mesmo tempo, emite um som que varia do nascimento à morte e pode-se dizer que nunca seja o mesmo. À medida que muda, também mudamos, pois é a tônica do ser humano. Aí estão expressas nossas esperanças e medos, nossas tristezas e alegrias como foram trabalhadas no mundo físico, porque esse fogo é aceso pelo arquétipo do Corpo Denso. O arquétipo é uma esfera vazia; contudo, ao soar uma nota específica, atrai para si todas as concreções físicas que vemos aqui como manifestação — o Corpo Denso que chamamos de ser humano. Nessa chama sonora o maior número dos nervos do corpo humano tem sua raiz e origem. Esse lugar é o ponto vital do ser humano, a sede da vida, o núcleo da sombra da qual o pastor Miller falou. Quando atingimos esse ponto, quase chegamos ao coração do ser humano.

Para alcançar esse local supremo são necessários outros passos; no entanto, geralmente estamos tão envolvidos com nossos próprios interesses, independentemente dos negócios e cuidados das outras pessoas, que somos egocêntricos. Isso deve ser superado; precisamos aprender a enterrar nossas próprias tristezas e alegrias, a sufocar nossos próprios sentimentos, porque assim como a luz do Sol esconde a fotosfera e o opaco corpo físico do ser humano oculta a bela atmosfera áurica, assim também nossos sentimentos, emoções pessoais e interesses nos tornam insensíveis aos sentimentos dos outros. Quando aprendemos a acalmar o sentimento de nossos próprios corações, a pensar pouco em nossas próprias tristezas e alegrias, começamos a sentir as batidas do grande Coração Cósmico que agora está trabalhando para trazer muitos filhos à glória.

As dores do nascimento de nosso Pai-Mãe no Céu são sentidas apenas pelo Místico em seus momentos mais altos e sublimes, quando ele sufoca inteiramente os gemidos egoístas de seu próprio coração, pois esse é o inimigo mais forte e mais difícil de superar. No entanto, quando isso é alcançado, ele sente, como foi dito, o Grande Coração do nosso Pai Celestial. Assim, passo a passo, nós nos aproximamos da Luz, até mesmo do Pai das Luzes em quem “não há sombra”. É importante que deixemos o seguinte muito claro, portanto:

Pode ser uma marca de conquista ser capaz de ver “a sombra”.

Pode marcar um passo mais alto na conquista poder ouvir “a voz no silêncio”.

Acima de tudo, porém, vamos nos esforçar para sentir as batidas do coração de nossos semelhantes, para tornar nossas as suas tristezas, regozijar-nos em suas realizações e guiá-las ao seio de nosso Pai, por paz e conforto.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de outubro/1915 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Equilíbrio entre os Dois Polos

O Equilíbrio entre os Dois Polos

3 — Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem e o homem, o cabeça da mulher e Deus, o cabeça de Cristo.

4 — Todo homem que ora ou profetiza tendo a cabeça coberta desonra a sua própria cabeça.

5 — Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapado.

6 — Portanto, se a mulher não usa véu, nesse caso que raspe o cabelo. Mas, se lhe é vergonhoso tosquiar-se ou rapar-se, cumpre-lhe usar o véu.

7 — Porque, na verdade, o homem não deve cobrir a cabeça por ser ele imagem e glória de Deus, mas a mulher é glória do varão.

8 — Pois o homem não foi feito da mulher e, sim, a mulher, do homem. Porque também o homem não foi criado por causa da mulher e, sim, a mulher por causa do homem.

9 — Portanto, deve a mulher, por causa dos Anjos, trazer véu sobre a cabeça como sinal de autoridade.

10 — No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher.

11 — Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher e tudo vem de Deus.

12 — Julgai entre vós mesmos: é próprio que a mulher ore a Deus sem trazer o véu?

13 — Ou não vos ensina a própria natureza ser desonroso para o homem usar o cabelo comprido?

14 — E que, tratando-se da mulher, é para ela uma glória? Pois o cabelo comprido lhe foi dado em lugar de mantilha.

(ICor 11:3-14)

A Bíblia foi escrita de modo a apresentar um significado para as massas e outro para o estudante esoterista. No capítulo acima, do ponto de vista esotérico, o homem e a mulher referem-se aos princípios masculino e feminino, não aos dois sexos em suas formas físicas. A “vontade” denota a qualidade masculina da alma e a “imaginação”, o princípio feminino.

Quando a vontade é o atributo mais forte, o Ego constrói um corpo masculino. Quando a imaginação predomina, o corpo é feminino. Contudo, seja o sexo masculino ou feminino, as qualidades opostas encontram-se presente em um estado rudimentar.

Mediante a Iniciação, ambos os polos são desenvolvidos equilibradamente (vide o versículo 2: Eu vos felicito, porque em tudo vos lem­brais de mim e guardais as minhas instruções tais como eu vo-las transmiti). Essa é a mensagem oferecida por São Paulo no presente capítulo. Os versículos 5 e 6 têm um belo significado espiritual, quando analisados à luz da compreensão interna; é impossível traduzir literalmente de um idioma para outro. Assim como “desnudo” significa esotericamente estar sem Corpo-Alma, a cabeça da mulher, coberta, significa o desenvolvimento espiritual do princípio do coração, que é feminino. Compreende o despertar da Glândula Pineal, do Corpo Pituitário e o funcionamento harmonioso do ventrículo cerebral, formando no neófito a coroa de espinhos e no espiritualmente desenvolvido, a coroa da eterna glória.

Ao homem aconselha-se permanecer descoberto porque esse desenvolvimento é a obra essencial do princípio feminino. Através de todas as operações da natureza, o princípio masculino é o que planta a semente, enquanto o propósito da mulher, ou princípio feminino, é nutrir e desenvolver o que foi plantado.

No versículo 7 lemos isto: “O homem é a imagem e a glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão”. O “varão”, aqui, diz respeito ao equilíbrio de ambos os princípios, pois só o Adepto é feito realmente à imagem e semelhança de Deus. “A mulher é a glória do varão” significa que nenhum homem, nenhum humano possa chegar a tal estado de desenvolvimento até que o princípio feminino, o coração, seja despertado inteiramente, pois esse é o grande princípio de Cristo.

O versículo 9 não se refere à inferioridade ou submissão da mulher, como foi ensinado durante muito tempo. Significa que a parte mais importante do desenvolvimento é o despertamento do grande princípio feminino, o Cristo interno.

O desejo de explicar literalmente este capítulo deu lugar a muitos conceitos errôneos. O versículo 10, por exemplo, segundo alguns dos padres primitivos, significa que uma concepção santa poderia ter lugar através dos ouvidos: “Tu, que concebeste através dos ouvidos”, reza um antigo hino em latim e dedicado a Maria. Há também uma antiga superstição oriunda do Talmud, segundo a qual tanto os bons como os maus espíritos poderiam fecundar a mulher através dos ouvidos. E mesmo nos dias de hoje algumas dessas interpretações permanecem tão literais ao ponto de, em algumas igrejas, não se permitir a entrada de mulheres, a menos que estejam com a cabeça coberta. A formosa verdade espiritual ensinada por São Paulo no versículo 10 alude à elevação do fogo espinhal à cabeça por meio de uma vida pura e regenerada, despertando os órgãos espirituais ali situados. Então, a vida do homem torna-se como a dos Anjos: isenta da mácula passional. Vive e ama como os Anjos e as flores.

Os versículos 14 e 15 são os mais interessantes à luz do presente desenvolvimento. O cabelo é um produto do Corpo Vital e simboliza as qualidades femininas. A mulher tem usualmente os cabelos longos, porque evidencia preponderantemente as qualidades femininas. O cabelo do homem é curto, representando em maior escala as qualidades masculinas.

A aproximação da Era de Aquário, chamada de a Era da Mulher, marcará a realização do trabalho de elevação do, agora decaído, polo feminino, tanto no homem como na mulher; ou seja, um maior equilíbrio entre os dois princípios.

O fortalecimento do polo masculino na mulher é a causa de suas atitudes masculinas nos tempos atuais; isto é, o uso de cabelos curtos e a competição com o homem no trabalho do mundo. O homem, por sua vez, mediante um processo oposto, está expressando mais as qualidades femininas.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1975)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Fogo Espiritual na Tripartida Coluna Vertebral

O Fogo Espiritual na Tripartida Coluna Vertebral

A tripartida coluna vertebral era para os alquimistas o crisol da consciência. Sabiam que os Anjos lunares eram especialmente ativos na secção simpática da coluna nervosa, a regente das funções relacionadas à conservação e ao bem-estar do corpo; designavam essa seção com o nome do elemento sal. Viam claramente que os lucíferos espíritos marcianos governavam a seção relativa aos nervos motores, que difundem a dinâmica energia armazenada no corpo pelos alimentos; simbolizavam a dita seção por enxofre. A terceira seção, a que assinala e registra as sensações transmitidas pelos nervos, recebeu o nome de mercúrio porque, diziam, era regida pelos espirituais seres de Mercúrio.

Contrariamente ao que afirmam os anatomistas, o canal formado pelas vértebras não contém um fluido, mas um gás, semelhante ao vapor de água, que pode se condensar quando exposto à ação atmosférica; igualmente, a atividade vibratória do espírito pode sobreaquecê-lo a um grau tal que se converta no brilhante e luminoso fogo da regeneração. A esse campo, pertencente às grandes Hierarquias espirituais de Netuno, chamaram os alquimistas de azoto.

Esse fogo espiritual não é o mesmo nem brilha igualmente em todos os seres humanos. Sua intensidade depende do grau de evolução espiritual do indivíduo. Quando o aspirante à vida superior estava instruído no mistério desses símbolos, chegava a hora de falar-lhe com toda a clareza. Comunicavam-lhe os seguintes ensinamentos, ainda que sem as mesmas palavras nem da mesma maneira. Era dado ao seu entendimento, de forma clara, o seguinte.

“Sob o ponto de vista anatômico o ser humano pertence ao reino animal. Imediatamente inferior a esse reino está o vegetal, constituído pelas plantas, puras e inocentes, que se propagam sem paixão; toda a força criadora delas dirige-se para a luz, onde se manifesta na flor, formosura e gozo dos que a contemplam. As plantas não procedem de outra maneira porque carecem de inteligência, não conhecem o mundo exterior nem atuam com livre-arbítrio. Podem somente criar no Mundo Físico”.

“Acima do ser humano, na escala da evolução, estão os deuses, que criam nos Planos físico e espiritual. Também são puros como as plantas porque toda a sua força criadora se dirige para o alto e se consome de acordo com sua inteligência. Conhecem o bem e o mal; porém em seu arbítrio sempre agem bem”.

“Entre o reino dos deuses e o das plantas está o ser humano, um ser dotado de inteligência, de poder criador e de livre-arbítrio, podendo usá-los para o bem ou para o mal. No seu presente estado encontra-se sob o domínio da paixão infundida pelos espíritos de Lúcifer; por isso, para deleitar os sentidos, dirige para baixo, contrariamente à luz, a metade da sua força criadora. Progredir espiritualmente significa, em primeiro lugar, modificar essa condição, tendo em vista e como exemplo a semelhança entre a casta planta e os puros deuses espirituais, ambos dirigindo toda a sua força criadora para a luz”.

“No transcurso da evolução, o ser humano superou a etapa vegetal, cujo poder criador se limita ao mundo físico. Possuindo poder criador nos Planos físico e mental, livre-arbítrio e inteligência para dirigir o seu poder, assemelha-se aos deuses. Esse resultado foi obtido pela separação da sua energia sexual: metade foi canalizada para cima a fim de construir o cérebro e a laringe, órgãos alimentados e nutridos por essa exaltada energia sexual. Contudo, enquanto os deuses empregam mentalmente toda a sua força criadora com propósitos altruístas, o ser humano desperdiça a metade da sua com desejos e prazeres sensuais”.

“Portanto, aquele que deseja ser como os deuses deve aprender a dirigir para cima toda a sua energia criadora e empregá-la inteiramente segundo os ditames da inteligência. Só assim poderá ser como eles, criar pelo poder mental da Magna Palavra, equivalente ao Fiat Criador”.

“Recorde o tempo em que, sendo hermafrodita como a planta, era o ser humano capaz de procriar por si mesmo. E, agora, olhe o futuro através das perspectivas do passado e saiba que a sua presente condição unissexual seja apenas uma temporária fase de evolução. Em futuros tempos, terá que dirigir toda a sua energia criadora para o alto, de modo a tornar-se espiritualmente hermafrodita, capaz de plasmar ideias, infundir-lhes a vida e a vibração daquela vital energia. Assim, poderá enunciar a palavra vivente que, expressando a dual energia criadora, é o elixir da vida que brota da pedra viva do filósofo espiritualmente hermafrodita”.

“O alquímico processo de acender essa energia efetua-se na coluna vertebral, onde se encontram o sal, o enxofre, o mercúrio e o azoto. Os nobres e altos pensamentos, a meditação sobre assuntos espirituais e o altruísmo manifestado na vida cotidiana tornam incandescente a medula espinhal”.

“A segunda metade da energia criadora, encaminhada para cima através da coluna vertebral, é o fogo espírito-espinhal ou serpente da sabedoria. Ascende gradualmente e, quando no cérebro, chegando à Glândula Pineal e à Glândula Pituitária (ou Corpo Pituitário), põe em vibração esses órgãos, abrindo os mundos espirituais e capacitando o ser humano a comunicar-se com os deuses. Então, irradiando esse fogo em todas as direções, penetra no corpo inteiro, na aura e o ser humano converte-se na pedra viva cujo fulgor supera o do diamante ou do rubi. Ele é agora a pedra filosofal”.

Há muitos outros símbolos tomados da técnica química e aplicados ao processo espiritual que converte os seres humanos em pedras vivas do templo de Deus. O narrado é o bastante para demonstrar o que os alquimistas, nos termos que empregavam, queriam dar a entender e a razão por que encobriam as verdades dos seus ensinamentos sob a linguagem simbólica. Contudo, o caminho da Iniciação está e tem estado sempre aberto para todo aquele que sinceramente deseje iluminação e se comprometa a pagar o preço na moeda da abnegação e do sacrifício. Portanto, buscai a porta do templo e encontrá-la-eis; chamai e abrir-se-vos-á.

Se buscarmos devotamente, com insistência chamarmos e ativamente trabalharmos, alcançaremos a meta e nos converteremos na pedra filosofal.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1975)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Será que almejar ideais elevadíssimos é presunção?

Será que almejar ideias elevadíssimos é presunção?

“Eu Sou a videira e Meu Pai é o lavrador. Como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós não podeis, se não estiverdes em Mim.” (Jo 15:1-4).

Aprendemos que “estar” seja sinônimo de morar, encontrando-se em certo local. Assim, estamos adotando a disciplina de estar, de “morar” na Consciência Crística.

Suas palavras constituem novamente segura orientação para as nossas vidas, se desejamos alcançar resultados espirituais que sejam positivos. Ele simplificava o processo chamando-o de “dar frutos”. Repetimos: para “dar frutos” temos de “estar n’Ele”.

Os frutos que almejamos consistem na habilidade de fazer as mesmas obras que Ele fez, conforme afirmou que poderíamos. E nos lembramos, com toda a humildade, consoante Suas palavras, que as obras que faremos poderão ser maiores ainda.

Tal ideia causa impacto tão forte que, de imediato, recorremos a desculpas para justificar nossas fraquezas, raciocinando covardemente que, por certo, seria demais esperar por “isso” nesta mesma vida. Concordamos tratar-se de uma promessa um pouco aterradora. Ele, porém, não nos deixou sem um Consolador. E São Paulo faz ruir as eventuais desculpas quando diz: “Eis AGORA o tempo aceitável, eis AGORA o dia da salvação”.

Esse tipo de justificativa em relação a nossos pontos falhos causa o mau uso do conhecimento que recebemos em relação ao renascimento. A recusa em maximizar o aprendizado e progresso nesta vida, mediante o argumento de que isso poderá ser logrado em existências futuras, constitui mau uso do conhecimento. No livro Mistérios Rosacruzes Max Heindel afirma: “Após a morte que sucede a vida, retornamos mais tarde ao Plano material, suportando circunstâncias criadas segundo nosso aproveitamento em vidas anteriores”. Assim, almejar ideais elevadíssimos não é presunção, constituindo, ademais, um dever cujo cumprimento respaldará nossa evolução espiritual não somente nesta, mas em vidas futuras.

É de capital importância para o Estudante “ficar ligado à Vinha”, à Consciência Crística. E isso deve ser feito AGORA.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1975)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Palácio sob o Grande Carvalho

O Palácio sob o Grande Carvalho

— Oh, vocês horríveis criaturas! Vão embora. Vão embora! Disse Rosália, batendo o pezinho. As lágrimas saltaram de seus olhos, e com lábios trêmulos repetia: “Vão embora!”.

Naquele momento, os Pensamentos Secretos a beijaram, dizendo:

— Oh! Rosália, querida, lembre-se, esta manhã você prometeu: Eu serei bondosa com todas as criaturas viventes. Depois, os Pensamentos Secretos enxugaram delicadamente suas lágrimas, sussurrando: peça desculpas às formigas por não ter sido delicada.

Rosália estava envergonhada; ficou em silêncio por alguns minutos e depois admitiu:

— Sinto muito, de verdade; mas, vocês sabem, eu nunca tive uma fatia de bolo de casamento. Eu o deixei por um minuto e, quando voltei para pegá-lo, ele estava coberto de formigas pretas.

Uma risada vinda de algum lugar fez o rosto da menina brilhar e ela chamou, sorrindo:

— Onde está você, duende Elkin.

— Se der mais um passo eu estarei embaixo de seu pé, disse ele.

Isso fez Rosália gargalhar. Depois, ela olhou, parecendo um pouco triste quando comentou:

— Você ouviu o que eu disse há um minuto atrás, Elkin?

— Sim, eu ouvi, respondeu o duende. Mas, já que você está mesmo arrependida, é melhor esquecer tudo. O problema é que você não conhece as coisas maravilhosas que estão ao seu redor. Venha comigo e eu a levarei a um verdadeiro palácio real. Não deixe de levar a Bondade do Coração, pois o Amor reina neste palácio da colina.

Rosália atravessou o jardim, seguindo Elkin e tentando imaginar em que lugar poderia haver um palácio. Ela nunca tinha ouvido falar que existia um por ali, mas, nem por um minuto, duvidou do duende. Finalmente, pararam embaixo do carvalho grande. Rosália olhou ao redor e depois para Elkin. Ele estava sorrindo e olhando para frente.

— Onde está o palácio?, ela sussurrou.

Elkin apontou para o formigueiro embaixo do grande carvalho.

— Um palácio!, exclamou Rosália.

— Sim, um palácio, riu Elkin, e nós chegamos bem na hora do casamento.

Acima do solo, o palácio de formigas era feito de uma estranha mistura de pedaços de folhas, talos de plantas, um pouco de musgo e pedrinhas, tudo unido com um pouco de terra. No subsolo, havia túneis, longas passagens, grandes salões e galerias, cada um com uma utilidade especial. O interior do formigueiro parecia uma cidade em miniatura, com suas ruas e muitas casas.

— Dentro do palácio, disse Elkin, existem muitos cômodos e as formigas que moram aí são muito atarefadas. No palácio moram muitas formigas-rainhas e centenas de formigas crianças. Elas já foram minúsculos ovos, depois transformaram-se em formiguinhas engraçadinhas, brancas e roliças, sem mãos, nem pés. Elas tinham que ser alimentadas como filhotes de passarinhos. Não tomavam banho sozinhas e precisavam de alguém que tomasse conta delas. Mas agora já estão crescidas e hoje é o dia de seu casamento. As noivas estão radiantes em seus vestidos pretos com detalhes vermelhos, calçando minúsculos sapatinhos, também vermelhos. Preste atenção em suas asas transparentes, Rosália, pois elas usam asas no lugar de véus. Os noivos estão todos vestidos de preto. Eles também têm asas. Tudo é reboliço dentro do palácio escuro, pois esta será a primeira viagem das princesas reais ao vasto mundo.

— Princesas! Exclamou Rosália.

— Sim, princesas, disse Elkin. Cada noiva é uma princesa de sangue real. Sente-se, Rosália, e fique atenta quando os portões do palácio se abrirem.

— Quem toma conta das rainhas, das princesas e dos bebês? – Perguntou Rosália.

— Os escravos fazem todo o trabalho, respondeu Elkin. Há milhares deles em todos os formigueiros, pois há sempre muito trabalho a ser feito. Eles não têm asas e assim não podem fugir. Alguns são construtores, cavam túneis e constroem pontes. Eles estão ajudando o reino mineral, transformando a terra em pó. Outros conservam as ruas limpas. Alguns trabalham no palácio e servem as outras formigas. Outros ainda, saem para tirar leite das formigas-vacas para alimentar as bebês formigas. Esse leite é tão doce que é chamado de gotas de mel, e os filhotes gostam muito dele. Os escravos alimentam as rainhas e princesas, mantendo-as sempre felizes. Outros arrumam os enormes salões, limpando os pedacinhos de grama e palha!

Nesse momento, os portões do palácio se abriram e por eles entraram os escravos, deixando tudo em ordem para a festa do casamento. Quando tudo estava pronto, centenas de casais deixaram o palácio alegremente. Oh, como as formigas estavam contentes por verem, pela primeira vez, a luz do Sol! Elas subiram nas mais belas flores, esticaram-se e abriram suas asas transparentes. Como era bom sentir o ar morno! Oh, como era lindo lá fora. Então, todas elas levantaram voo ao mesmo tempo e voaram alto, alto, cada vez mais alto, a perder de vista.

— Onde elas foram? – Sussurrou Rosália para Elkin.

Para muito longe daqui, mas elas voltarão amanhã disse Elkin. E, quando voltarem, as noivas estarão diferentes, pois terão perdidos suas lindas asas, seus véus de núpcias. Elas voltarão para o palácio escuro e viverão exatamente como as outras rainhas têm vivido. Elas botarão ovos e terão seus filhotes formigas.

— E o que os noivos formigas farão?

— Oh, eles nunca mais entrarão no palácio. Só rainhas e escravos vivem neste palácio embaixo do grande carvalho.

— Eu realmente sinto muito por ter sido tão tolinha. Imagine, Elkin, eu não sabia que as formiguinhas eram tão maravilhosas. Pensei que elas fossem apenas insetos rastejantes.

De repente, um pensamento surgiu na mente de Rosália:

— Elkin, deve ter sido algum escravo que pegou o meu bolo — eles queriam migalhas para a festa do casamento, você não acha?

— Bem, eu não ficaria surpreso se assim fosse! De qualquer modo, vamos fingir que foi. Vá agora, Rosália, eu tenho que continuar o meu trabalho. Tchau.

E Elkin foi embora.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Pureza Geradora: o Ideal para você que nasceu no Ocidente

A Pureza Geradora, o Ideal para você que nasceu no Ocidente

Dezembro de 1911

Vocês compreenderam o ponto principal da lição do mês passado sobre o simbolismo da Rosacruz, o ponto crucial dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental? É a Pureza Geradora.

Os grandes Líderes da humanidade sempre prescrevem as condições mais condutivas ao desenvolvimento de cada raça, as religiões diferentes para as massas e os métodos diversos de realização para uns poucos. A populosa condição do extremo Oriente prova uma indulgência universal e irrestrita das paixões por parte dos nossos irmãos e irmãs chineses e indianos mais jovens. Portanto, os Mestres da Sabedoria Oriental prescrevem o celibato aos seus discípulos como meio para controlar essas paixões.

No Ocidente, as condições são mais complicadas e perigosas. Aqui as comportas da paixão estão, em grande parte, represadas; não pela percepção da santidade do ato gerador, mas por causa do egoísmo e da prioridade dada à necessidade econômica. Muitas vezes, esse método conduz à perversão insidiosa e a práticas dissolutas. Se a paixão não fosse tão forte, esse método poderia, de fato, resultar em suicídio da raça. Exigir que um Aspirante nascido nessas condições viva uma vida celibatária, apenas daria a ele mais incentivo ao egoísmo e à autossuficiência; portanto, é considerado meritório quando um aluno da Escola de Mistério Ocidental se casa e continua a viver uma vida de castidade.

Tem sido um detrimento para o Mundo Ocidental as várias sociedades que promulgam aqui doutrinas Orientais – celibato, entre outras – e foi um grande impacto para mim quando um dos diretores de uma dessas sociedades lamentou o casamento de um de seus conferencistas e disse o quanto isso os embaraçava, pelo fato de sua esposa estar prestes a entrar em trabalho de parto. À medida que a família foi aumentando com o passar dos anos, a sociedade o relegou à vida privada.

Exatamente o contrário aconteceria com os Estudantes da Escola Ocidental. Eles são altamente respeitados se estão aptos e dispostos a prover um corpo e um lar para um ou mais espíritos aguardando por renascer, desde que, naturalmente, vivam uma vida de casto amor conjugal durante os intervalos de um nascimento e outro.

Enquanto a alma mais jovem e mais vulnerável do Oriente é dirigida pelos Instrutores Compassivos, que trata os mais fracos com uma maior bondade do que aos que são mais capazes de cuidar de si, para ser celibatário e fugir da tentação o mais rápido possível, para escapar do perigo de cair nela, ao mais velho espírito do Ocidente é permitido avaliar sua força vivendo em relações conjugais , de modo que um dia  alcance uma concepção imaculada, como é simbolizado pela casta e bela rosa que espalha a sua semente sem paixão e sem se envergonhar.

Uma Nova Raça de seres humanos está surgindo agora. Homens e mulheres cristãos de Mente pura estão despertando cada vez mais para as reivindicações dos que estão por nascer. Celebremos o aniversário do nascimento de Nosso Salvador orando para que, em breve, as condições mais puras se tornem globais e que todas as crianças sejam bem-nascidas. Por fim, mas não menos importante, que cada um de nós ensine, pregue e viva essa doutrina.

(Cartas aos Estudantes – nº 13 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Dominando o Temor e a Ansiedade

Dominando o Temor

O temor e a ansiedade são os maiores inimigos da felicidade humana. São a ferrugem moral e mental da personalidade. São os quinta-colunas na sabotagem de nossos melhores esforços. Debilitam a coragem e a iniciativa. São os cupins do caráter humano, pois corroem o próprio âmago da felicidade, ao mesmo tempo que destroem as possibilidades de uma vida exuberante.

Hoje, talvez mais que nunca, o coração dos seres humanos está cheio de temor. Muitas são as tempestades a soprar furiosamente a fim de desintegrar o caráter. Todos têm experimentado os efeitos desses terríveis ventos. Cristo, por Sua divina presciência, falou a respeito destes dias. Eis Suas palavras: “Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo. Porquanto as virtudes do céu serão abaladas.” (Lc 21:26).

O ser humano, sem Deus, não tem sossego. Nunca encontramos descanso enquanto não achamos segurança em nosso Criador. Em nós não nos é possível encontrar calma, mas n’Ele a podemos achar. As alegrias do mundo são transitórias, fugazes; a paz de Cristo, porém, é duradoura, perpétua. Dentre as promessas das Escrituras, de nenhuma necessitamos mais, talvez, hoje em dia, que das palavras de Cristo Jesus: “Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou: não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração nem se atemorize.” (Jo 14:27).

Pesadas nuvens de incerteza pairam baixas e ameaçadoras. Os seres humanos se acham perplexos; falta-lhes estabilidade interior. Defrontados por esta situação, que melhor lhe poderia convir do que as graciosas palavras: “Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou?”

A paz de Deus sobrepuja o entendimento, pois o intelecto humano não pode compreender essa grande paz que Deus dá aos que Lhe entregam plenamente o coração.

Que é o temor? É o pessimismo e o descontentamento. Produz acabrunhamento, ódio, aflição nervosismo, melancolia, zanga e vacilação. O temor e a ansiedade envolvem aquelas destrutivas forças que extinguem a esperança e a confiança.

A despeito de o mundo viver de temor, e os nervos dos seres humanos se acharem retesados, temos, uma mensagem de ilimitada esperança, uma mensagem de alegria e felicidade, uma promessa de completa vitória sobre os temores que assediam a raça humana. No mesmo do Evangelho Segundo São Lucas que fala dos indivíduos desmaiando de terror, encontramos um quadro dos que estão fortes em Deus: “Quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima, e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima” (Lc 21:28). Aí está um grupo que não se acha cabisbaixo. Homens e mulheres que triunfam da perspectiva que os rodeia mediante o olhar para cima.

Na vida do verdadeiro cristão o poder do temor e da ansiedade deve ser completamente neutralizado. Viver no mundo e participar do mundo são duas coisas diversas. “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo” (Jo 16:33). Não precisamos ser participantes do temor, da perturbação, da melancolia e do pessimismo que esgotam as forças vitais. O temor não deve dominar o cristão. Cristo é o vencedor de todos os poderes das trevas. Recebendo Cristo, tornamo-nos também vitoriosos.

Hoje, como nunca antes, necessita o mundo de otimismo. Como Cristãos, podemos ser a força que atrai os seres humanos a renovada confiança em Deus e em seus semelhantes. Cabe-nos o privilégio de demonstrar o que Deus pode fazer mediante pessoas a Ele plenamente entregue: em dias trágicos assim como os que ora atravessamos. Quando os tempos vão pelo pior, devem os cristãos ir pelo melhor. O Cristão deve sentir-se cheio de segurança, de coragem, de esperança. Deve libertar-se da prisão das circunstâncias tomar-se livre mediante a verdade de Deus: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). Libertará de quê? Dos elementos negativos que destroem as qualidades positivas da vida. Isto quer dizer libertar do temor, da ansiedade, do pessimismo, da perturbação interior. Sim, a verdade despedaçará as cadeias, permitindo-nos viver abundantemente em Cristo-Jesus. “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” (Jo 10:10).

Que temem os seres humanos? Enumeremos alguns dos espectros que os perseguem.

Um dos inquietantes temores da humanidade é o temor do fracasso. Isto enfraquece de tal modo uma pessoa que ela se toma ineficiente em seu trabalho. Sois acaso acossado pelo temor do fracasso?

Cristo Jesus pouco se preocupava com o êxito ou o fracasso em termos de valor material. Se Cristo Jesus vivesse em nossos dias, seria considerado, pelas normas correntes, um verdadeiro fracasso. Sua vida é um registro de derrota aos olhos daqueles com quem vivia. Ele não foi reconhecido pelos intelectuais do Seu tempo. O escol da sociedade não O contou em seu número. Nas comissões dos financistas, não teve Ele assento. Não possuía domínio real nem tinha outros bens. Aos olhos dos indivíduos carnais, Cristo era um fracasso digno de compaixão. Foi rejeitado, como traidor, por Sua própria nação. Foi crucificado pelos romanos, e morreu da ignominiosa morte de cruz.

O tempo, entretanto, vindicou o Cristo. Sua vida ergue-se triunfante. Seu êxito baseava-se em valores espirituais. Da mesma maneira podemos ser um completo fracasso aos olhos do mundo, e ser, contudo, um êxito glorioso diante de Deus. Uma coisa unicamente requer Deus de nós – e esta é a LEALDADE. Somos chamados a viver em harmonia com Sua Lei. Nenhuma outra coisa importa afinal. Uni a Deus a vossa vida. Fazei com Ele inteira aliança.

Na parábola dos talentos lemos, que, quando o Senhor chegou para ajustar contas com os servos dos talentos que lhes tinham sido confiados, o homem que recebera apenas um, respondeu: “Atemorizado, escondi na terra o Teu talento.” (Mt 25-25). O temor lhe paralisara as forças criadoras. O temor da derrota roubou-lhe toda a iniciativa. Se tememos, teremos a mesma experiência, pois o temor do fracasso é o caminho seguro e certo para a derrota. O homem que recebera um só talento é condenado porque tinha os olhos no êxito em vez de os fixar no dever. Aos que temem, seja-me permitido dizer: Não vos cumpre ser bem-sucedidos. Tudo quanto Deus requer, é que façais o melhor que vos for possível. Os resultados, deixai-os com Deus.

O temor da morte está dominando a muitos. Quando uma pessoa vive temendo continuamente morrer, não pode viver bem. O Cristão não teme a morte, pois sabe que tem a vida eterna em Cristo, no porvir. Os Cristãos não são criaturas do tempo, mas da eternidade. Esta vida não é o fim, mas antes um preparo para o glorioso começo.

Para o Cristão, a morte não é uma derrota. Destemido, pode ele dizer com o salmista: “ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo; a Tua vara e o Teu cajado me consolam” (Sl 23:4). Aqui há perfeito triunfo sobre o temor da morte.

Muitos existem que nunca vivem bem, porque estão sempre temendo que vão morrer. Como escreve bem conhecido médico a respeito do efeito da ansiedade: “Não sabemos porque é que os ansiosos morrem mais cedo do que os que não se afligem; mas isto é um fato. Os temerosos da morte, morrem por certo antes do tempo”.

Se quereis viver, bani o temor da morte. Vossa vida está em Deus. “Porque n’Ele vivemos, e nos movemos, e temos o nosso ser” (At 17:28).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1978)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Não dê esmolas diante de outras pessoas

Não dê esmolas diante de outras pessoas

“Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte não tereis galardão junto de vosso Pai que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa, Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz tua mão direita; para que a tua esmola fique em segredo: e teu Pai, que vê em segredo, te recompensará”. (Mt 6:1-4)

Aqui encontramos também a distinção feita entre o “exterior” e o “interior”, entre a forma de conduta humana e a realidade da consciência espiritual.

O desejo de quererem ser vistos é um dos traços mais comuns dos seres humanos; esse traço pertence essencialmente à personalidade e ao velho regime de estado de separação e cumprimento externo da lei, que será descartado inteiramente sob a religião unificadora de Cristo. O altruísmo é a nota-chave da nova ordem das coisas, e toda recompensa por nosso serviço a Deus mediante o serviço a nosso próximo será somente o crescimento espiritual interno que não é visto pelos demais seres humanos.

A hipocrisia, a falsa assunção de virtude, foi tratada por nosso Mestre, que podia ler o coração e conhecer imediatamente se o ser humano era sincero. Aos hipócritas Ele lhes disse:

“Comeis nas casas das viúvas, e por pretexto fazeis longas orações: por isso levareis um julgamento mais sério… dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas tendes descuidado dos preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé: isso tinha que ser feito, e não deixar o outro… limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro, estes estão repletos de avareza e cobiça… sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia”.

Felizmente, o próprio Espírito é sincero e desinteressado e, à medida que ganha domínio sobre a personalidade, ele pode dar aos outros o amor sem pensar em agradecimentos. A chispa individualizada de Deus compreende que é parte do Todo, e que a ideia separatista é uma ilusão adquirida durante a nossa permanência através da materialidade. Quando amamos e servimos aos demais mantemos o fogo interior aceso brilhantemente e dessa maneira se sente o impulso para compartilhar com outros o que temos, se não for feito pensando na aparência exterior, nós obtemos uma recompensa invisível para o desenvolvimento da consciência.

Na vida do Sir Launfal encontramos o Cristo Ideal expressado nas palavras do leproso:

“Melhor para mim é a côdea de pão que o pobre me dá,

e melhor a benção deste

Ainda que de mãos vazias de sua porta me deva afastar.

As esmolas que só com as mãos ofertadas, não são as verdadeiras.

Inúteis são o ouro e as riquezas dadas

Só porque lhe parece um dever fazê-lo.

Mas o que parte sua pobreza

E dá para quem está fora de sua vista

Esse fio de Beleza, sustentador Universal,

Que tudo penetra e o une.

A mão não consegue abarcar todas suas esmolas,

O coração estende seus braços ansiosos

Porque um Deus acompanha a doação e provê a alma

que antes estava padecendo na escuridão. ”

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross Nov-Dez/1983 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um novo Corpo: alterações produzidas com a proximidade da Nova Era

É fato que tanto o altruísmo impulsionado por Cristo, ano após ano, quanto a gradual expansão de consciência, promove alterações na dinâmica do funcionamento biológico de partes do Corpo Denso do ser humano. Tais mudanças são efeitos de alterações na composição de outros Corpos mais sutis e das alterações da composição atmosférica da Terra. O presente artigo busca descrever parte destas mudanças graduais, que está estreitamente relacionada à promoção de maior longevidade e até mesmo a tão mal compreendida vida eterna.

Para fins didáticos, o texto é divido em três partes:

  • Parte I – Recapitulação do modo como o ser humano tornou-se consciente no Mundo Físico;
  • Parte II – Mudanças físicas que estão ocorrendo devido à correspondência ao altruísmo;
  • Parte III – O que ele deve fazer para acompanhar as mudanças biológicas que necessariamente devem ocorrer.

Parte I – Recapitulação do modo como o ser humano tornou-se consciente no Mundo Físico 

A recapitulação do modo pelo qual ser humano tornou-se consciente do Mundo Físico se faz necessária para traçar uma linha de referência de seu desenvolvimento. Conforme bem explorado pela Filosofia Rosacruz, o Espírito Virginal desceu dos mundos superiores na involução. Com o propósito de desenvolver os três princípios divinos (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano) que herdou de Deus (pois tal como Deus, quando se manifesta, o faz de forma tríplice – Pai, Filho, Espírito Santo), o ser humano, criado a Sua imagem e semelhança, por ação recíproca constituiu três Corpos compostos por materiais correspondentes aos Mundos pelos quais passava – o Corpo Denso, oitava inferior do Espírito Divino (Pai); o Corpo Vital, oitava inferior do Espírito de Vida (Filho); e o Corpo de Desejos, oitava inferior do Espírito Humano (Espírito Santo).

Mas para que houvesse união e comunicação entre os princípios herdados e seus instrumentos, um veículo mental teve de ser construído. A partir daqui o Espírito se torna um Ego: um Espírito Virginal manifestado em forma sétupla (Tríplice Espírito, Tríplice Corpo e a Mente). Neste ponto do desenvolvimento, a dual força criadora (pólo masculino ou vontade e pólo feminino ou imaginação) ainda era direcionada para baixo, isto é, ambos os pólos, fluíam para o mesmo sentido e conferia ao ser humano a capacidade de ser hermafrodita.

No entanto, para que as vivências exteriores pudessem ser capturadas e para que as ideias concebidas pela Mente pudessem ser transmitidas, adaptações nos Corpos deveriam ocorrer. Especialmente para o Corpo Denso e Vital, deveria ser construído um encéfalo que fosse capaz de processar as informações provenientes do meio e enviar tais códigos para que o Espírito trabalhe sobre as mesmas, e, por fim, transmitir estas conclusões de volta ao meio. Também uma laringe para facilitar a comunicação das conclusões que foram produzidas pelo processamento das informações provenientes do meio.

Concomitante a essas necessidades, a matéria que hoje constitui nosso planeta Terra foi arrojada do Sol e, posteriormente, a matéria que forma a Lua foi arrojada da Terra. Tais separações promoveram expressões separadas de forças (força do Sol e força da Lua). Deste modo, alguns Corpos passaram a serem melhores condutores das forças solares e outros lunares. Um dos pólos da dual força criadora foi internalizado e direcionado para cima, a fim de construir o cérebro e a laringe. No caso do Corpo masculino (condutor da influência do Sol), o pólo feminino foi internalizado para este fim. Já o Corpo feminino (condutor da influência da Lua), o oposto. A condição de ser hermafrodita cessou e a necessidade da cooperação do sexo oposto para procriar se fez necessária. Além disso, um meio físico que suportasse as altas vibrações do Espírito individualizado era necessário para sua manifestação no Mundo Físico e para governo de seus Corpos. O sangue vermelho e quente constitui tal veículo.

O metal marciano conhecido como ferro é o elemento essencial para a produção deste sangue vermelho e quente. Já é bem consolidado pela ciência atual que durante a realização de uma tarefa, grande quantidade de sangue é direcionada a determinadas regiões do Corpo Denso necessárias para realização da mesma. O ocultista sabe que tal fenômeno significa o Ego utilizando sua ferramenta corporal para governar o Corpo e adquirir experiências.

Foi somente na Época Lemúrica – uma das Épocas que atravessamos nesse Período Terrestre desse atual esquema de evolução – que o ferro pode ser livremente utilizado (após a eliminação da influência marciana sobre a Terra) e, assim, o sangue tornar-se mais quente no interior do Corpo Denso em relação à temperatura ambiente.  Com o sangue quente e vermelho e com um cérebro e uma laringe bem formados, o ser humano pôde alcançar o estado de consciência de vigília, parecido com o que temos atualmente.

O plano inicial era o seguinte: quando o Ego renasce em um corpo feminino (mulher) era exposto a estímulos ambientais extremamente fortes* (tempestades gigantescas, ventos, explosões vulcânicas): o objetivo era despertar a consciência das mulheres para fora, e, por meio desta exposição a acontecimentos alheios, a atenção seria direcionada também para isso. Isto iniciou um processo de construção de representações mentais das coisas externas (criação de códigos para que o Espírito pudesse interpretar o meio externo). A neurociência atual comprovou este fenômeno, pois mostra que tudo aquilo que o cérebro interpreta é, em realidade, representações mentais subjetivas que servem como código ou referência. Não se enxerga as coisas como são, mas se enxerga as representações mentais que se criou para interpretar tais coisas. O meio pelo qual as representações foram criadas ocorreu pela imaginação (pólo feminino da força criadora).

Porém, quando o Ego renasce em um corpo masculino (homem), estímulos corporais de dor e de estados de prisões eram determinados. Os estados de prisões eram realizados de modo que o, então homem, pudesse, com um pouco de força de vontade, se libertar. Já a dor, fazia com que um movimento para que a mesma cessasse fosse realizado. Ambos tinham o objetivo de despertar a vontade (força masculina).

Vemos, deste modo, as duas polaridades sexuais agindo separadamente, e métodos de aprendizagem adaptados a cada um eram necessários. Juntamente com esses estímulos, os Arcanjos – seres que estão a dois graus de evolução acima dos seres humanos – neutralizavam o Corpo de Desejos do ser humano, e este só era libertado em épocas propícias para a procriação. A procriação era orientada pelos Anjos – seres que estão a um grau de evolução acima dos seres humanos.

Diferentemente dos Anjos, que direcionam toda sua energia criadora para fora de si e, em troca, recebem sabedoria, o ser humano internalizou metade de sua força criadora para construção de uma laringe e um cérebro. A internalização para autosserviço determina uma característica de individualismo genuíno para ele. Se o estudante meditar sobre este caminho, compreenderá que o processo era demasiadamente lento, mas garantia o despertar seguro da vontade e da imaginação humana. Isto é, naquela época, a Personalidade e o temperamento não agiam como um fator de dificuldade tal como ocorre nos dias de hoje. Pelo menos até o ponto em que este plano pôde perdurar.

Mesmo que a morte do Corpo Denso ocorresse naquela época, a longevidade era muito maior do que atualmente, pois não se conhecia o pecado (transgressões das leis). A mulher, pela imaginação, já conseguia identificar muitas coisas que ocorria fora de si mesma. Mas ela também conservava a visão etérica das coisas. Por isso, quando ela percebia a morte do Corpo Denso e, ao mesmo tempo, também percebia a permanência do Corpo Vital (isto é, a pessoa que morreu no Mundo Físico permanecia viva nos planos internos), esse fato a deixava extremamente confusa.

Para acelerar o processo de evolução, os Espíritos Lucíferos – uma parte da onda de vida Angélica que se atrasou – entraram em contato com a mulher pela coluna espinhal, relatando que poderia gerar um novo Corpo Físico que morria. Para isso, deveria realizar o ato sexual (“comer o fruto da Árvore do Conhecimento”) sem esperar o comando dos Anjos. Isso a tornaria, juntamente com o homem, semelhante aos deuses (com capacidade de “criar”). Esse ato também favoreceria a libertação do Corpo de Desejos, pois haveria motivação para procriação sem a presença dos Arcanjos.

Por isso a Bíblia relata que Lúcifer era uma serpente sábia (coluna espinhal) que apareceu para Eva em uma árvore. Lúcifer (portador da luz) tentou adiantar o processo, ensinando ao ser humano como se libertar da influência dos Anjos e dos Arcanjos, assumindo sua própria evolução e geração de novos Corpos. Isto é relatado na Bíblia como a expulsão da humanidade do Jardim do Éden, que a obrigou a “comer poeira todos os dias de tua vida” e “com o suor de teu rosto, comer teu pão, até que retornes ao solo” (Gn 3:14 e 19). O problema é que o Corpo de Desejos estava em situação muito rudimentar, composto, praticamente, apenas de materiais das regiões inferiores do Mundo do Desejo. A Mente também estava em situação similar, sendo muito fraca para refrear os desejos e direcioná-los para motivação de propósitos do Ego. Tal condição precária somada a genuína condição de individualismo, o egoísmo e as paixões predominaram e uma série de desequilíbrios deu início.

O ser humano deve, pois, a Lúcifer e a seus “Anjos caídos”, à capacidade de ser autômato e da possibilidade de se desenvolver ao ponto de se tornar semelhante aos deuses – por isso, a ideia de que Lúcifer é mau e que deve ser abominado está incutido no inconsciente humano, isto é, foi ele que ensinou a humanidade a desobedecer aos deuses e lhe abriu o caminho para ser semelhantes aos mesmos (superiores aos Anjos). Essa desobediência não deve ser confundida com emancipação de Deus, mas como um novo caminho autômato em Deus (pois nele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser).

O problema é que tal estado só será alcançado quando a Personalidade for dominada (estado ainda sonhado pela maioria das pessoas que já despertaram para a vida espiritual).  O individualismo genuíno, transformado agora em egoísmo e orgulho pela Personalidade, fez com que cada ato do ser humano fosse direcionado para benefício próprio e quase nenhuma cooperação era conseguida. A sabedoria divina incutindo determinadas motivações no âmago da Personalidade, fez com que a evolução não fosse totalmente frustrada. As motivações foram: Amor, Fortuna, Poder e Fama. O desejo de alguma ou várias destas coisas é o motivo pelo qual se faz ou deixa de fazer algo. Isso promove alguma experiência e aprendizado. O livro O Conceito Rosacruz do Cosmos já explorou todos os fatos mencionados até o momento com extraordinária maestria. Convidamos o leitor para estudar este livro, a fim de que tenha uma ideia melhor de tudo isso.

Parte II – Mudanças físicas que estão ocorrendo devido à correspondência ao altruísmo

Agora que foi recapitulado o processo de aquisição do estado de consciência vigília e esclarecido o modo pelo qual deixamos o plano inicial de evolução e iniciamos o processo de evolução “por nossa própria conta e risco”, o segundo objetivo do presente artigo pode ser trabalhado. Isto é, que mudanças físicas estão ocorrendo devido ao aumento da consciência e altruísmo no mundo?

O Corpo Denso é um instrumento que, atualmente, possui duração pré-determinada de utilidade para servir ao propósito do Ego que é: extrair a quintessência das experiências vividas. Com o passar do tempo, suas funções vão declinando (devido à incompetência do ser humano em não deixá-lo cristalizar), até que a morte (a incapacidade do ser humano em se manter encarnado nesse Corpo Denso) sobrevém.

Dois fatores importantes atrapalham o desenvolvimento dos poderes do Ego: 1) a busca da satisfação pessoal imposta pela Personalidade que inclui o gasto demasiado da força sexual, a gula, os vícios, os maus hábitos, as omissões, as preguiças e irresponsabilidades com a saúde, entre outros, todos constituem maiores prazeres físicos e encurtamento da vida; 2) a influência da Lei de Consequência, pois muitos desequilíbrios foram gerados a partir da falsa iluminação lucífera. As doenças limitam, consideravelmente, a qualidade da produção anímica pelo Ego.

Presença de doença não significa ausência de possibilidades para geração de produção anímica. A Graça Divina é tamanha que há espaço para o desenrolar concomitante de produção anímica e o reequilíbrio das Leis transgredidas. Esse plano só pôde ser concretizado a partir do trabalho misericordioso de Nosso Senhor (o Cristo), que anualmente “retira o pecado do mundo”, isto é, purifica o Mundo do Desejo da Terra com seu Altruísmo. Com isso, disponibiliza materiais para que a humanidade possa avançar no caminho, mesmo que ainda tenha muitos pecados.

O tema astrológico natal revela as tendências de pontos fracos, cuja ciência material compreende como de origem genética e ambiental. Tais tendências são determinadas a partir dos desequilíbrios praticados em vidas precedentes e de desequilíbrios que tenderemos a realizar na presente vida. Por meio da progressão pode-se saber o momento em que tais tendências estarão ativas e fortes.

Independente do tipo de doença e do tratamento que o doente e seus cuidadores devem buscar, duas são as fontes de energia que, se deficitárias, acelerarão o desenvolvimento de qualquer patologia: 1) a energia vital que vem diretamente do Sol e é absorvida através do baço; e 2) a energia proveniente dos alimentos físicos, produto da respiração celular realizada, principalmente, pelas mitocôndrias. “É a fusão dessas duas correntes que produz o poder latente que está armazenado em nosso Corpo Vital até converter-se em energia dinâmica pelo desejo marciano natural” (veja mais detalhes no livro O Mistério das Glândulas Endócrinas), e, assim, o ser humano pode utilizar essa energia para produzir crescimento anímico.

Com foco na corrente de energia proveniente do consumo de alimentos, Max Heindel descreve: “o sangue que entra em contato com o ar, todas as vezes que respiramos, passa pelos pulmões e, da mesma maneira que uma agulha é atraída para um imã, o oxigênio do ar inspirado se mistura com o ferro no sangue. Realiza-se, então, um processo de combustão que é semelhante à ferrugem ou oxidação que observamos no ferro exposto ao ar”. Continua: “a experiência ensinou-nos que o material combustível pode ser colocado em uma fornalha com todas as condições necessárias para a combustão, porém, até que se use o fósforo, os materiais não serão consumidos. Aqueles que estudaram as leis de combustão sabem que uma corrente de ar bem forte leva consigo grande quantidade de oxigênio, que é necessário para se obter calor do combustível que contém muito mineral”. Assim, oxigênio é o acelerador deste processo. “Um processo similar ocorre dentro do corpo, que é o templo do espírito” (veja mais detalhes no livro Maçonaria e Catolicismo).

O processo de combustão que ocorre dentro do Corpo é um pouco diferente da combustão verificada, por exemplo, quando se queima gasolina, madeira ou papel. Neste último, o processo de retirada de energia ocorre em grande quantidade e de uma única vez. Por outro lado, a respiração celular promove quebra das cadeias de carbono (processo químico necessário para a retirada de energia das moléculas) de modo gradativo e em pequenas parcelas. Isto é necessário para a preservação da estrutura das células, pois se a combustão ocorresse como no primeiro exemplo, as células pereceriam pelo excesso de energia. Além disso, a energia retirada pelas mitocôndrias não é consumida rapidamente, mas permanece dissolvida na célula e, gradativamente, é utilizada no metabolismo.

Um dos problemas é que durante a extração de energia, moléculas incompletas de oxigênio também são geradas: incompletas por conterem um número ímpar de elétrons em sua última camada eletrônica. Este elétron ímpar, que se estabelece após cada quebra das cadeias de carbono, pode não ser pareado com o restante dos elétrons do átomo em questão. Em outras palavras, sua órbita segue uma rota diferente da órbita dos demais elétrons. Tal característica confere-lhe grande capacidade de reagir com outras biomoléculas que existem na célula, contra as quais colidem. Essa reação forçará a retirada de elétrons de outras moléculas que já são completas e possuem função importante dentro do sistema biológico (principalmente lipídios e proteínas das membranas celulares e, até mesmo, o DNA). Essa retirada de elétrons modificará suas adequadas estruturas e funções. Os exemplos mais comuns de radicais de oxigênio altamente reativos são: radicais superóxido (O2-), hidroxila (OH-), peroxila (RO2), alkoxila (RO) e hidroperoxila (HO2). O óxido nítrico (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2) são espécies reativas de nitrogênio.

O organismo normalmente consegue equilibrar os efeitos desses radicais de oxigênio reativos (radicais livres). Porém, há casos em que ocorrem desequilíbrios a favor do sistema pró-oxidantes em detrimento do sistema antioxidantes. Isto é denominado estresse oxidativo. O acúmulo dos efeitos do estresse oxidativo promove danos nas células e acelera o surgimento de doenças e envelhecimento (principalmente se ocorrer em órgãos do corpo relacionados a vulnerabilidades que acumulamos em outras vidas), fatores estes que limitam as oportunidades do Ego de gerar experiências e crescimento anímico.

Dentre as doenças já comprovadas pela ciência física que estão relacionadas aos efeitos dos radicais livres, somados a outros fatores estão: demência de Alzheimer, doença de Parkinson, aterosclerose, complicações da diabetes mellitus, câncer, doenças cardiovasculares, catarata, declínio do sistema imunológico, disfunções cerebrais, o envelhecimento precoce, enfisema pulmonar, doenças inflamatórias, entre outras.

Sobre a respiração celular e oxigênio dentro do Corpo Denso, Max Heindel continua: “É a chama que acende o fogo interior e gera o produto espiritual que se exterioriza de todas as criaturas de sangue quente, da mesma maneira que o calor se irradia de uma estufa. Estas linhas radiantes de força que emanam de nossos Corpos Densos de maneira invisível à visão física, são nossa aura, como já foi dito, e, não obstante a cor da aura de cada indivíduo diferir da dos outros, existe uma cor básica ou fundamental que mostra sua posição na escala da evolução. Nas raças inferiores esta cor básica é um vermelho fraco, semelhante ao vermelho de um fogo que queima lentamente, que indica sua natureza passional e emocional (isso indica que a pessoa ainda responde a Lúcifer e a Jeová). Ao examinarmos as pessoas que estão em grau mais elevado na escala da evolução, a cor básica ou a vibração irradiada por elas parece ser de uma tonalidade alaranjada, que é o amarelo do intelecto misturado com o vermelho da paixão”.

O uso de antioxidantes, pela alimentação, naturalmente pode evitar os danos corrosivos dos radicais livres de oxigênio. O problema é que as transgressões das Leis Divinas e a natureza passional, em muitos casos, são tamanhas, que o uso de oxidantes nem sempre é suficiente, e os danos ainda permanecem. A produção de radicais livres constitui um fator natural do Corpo Físico e sempre foi programada por nós mesmos. Afinal, o propósito da existência física é o acúmulo de experiências e não devemos permanecer na Terra para “todo o sempre”. Naturalmente, processos que facilitam a morte e o desgaste do Corpo Físico devem ocorrer. O comer da árvore da vida, provavelmente, implicaria em também solucionar o problema dos efeitos dos radicais livres, dentre outros relacionados a doenças e morte do Corpo Físico.

“A auréola dourada ao redor dos santos, pintada por artistas dotados de visão espiritual, é a representação física de uma promessa espiritual que se aplica à humanidade como um todo, embora isto tenha sido compreendido apenas por alguns poucos, que são chamados Santos. Após vidas de luta com suas paixões, perseverança no fazer o bem, cultivando nobres aspirações e depois de aderir firmemente a propósitos superiores, estas pessoas elevaram-se acima do raio vermelho e estão agora totalmente imbuídas com o raio dourado de Cristo e sua vibração.” Max Heindel continua: “A cor dourada natural é o raio de Cristo, que encontra sua expressão química no oxigênio, um elemento solar”.

Naturalmente, o aspirante pode concluir que conforme a correspondência às vibrações Crísticas e o estabelecimento de uma vida com propósitos superiores, tanto a eficiência das mitocôndrias no processo de respiração celular quanto fatores que neutralizam os radicais livres aumentarão, promovendo menores danos às células e maior longevidade saudável. Porém, tal conclusão parece ser equivocada. Lembre-se: o propósito do Ego não é permanecer na Região Química do Mundo Físico, mas retornar ao Pai com sua herança divina despertada e totalmente desenvolvida (Parábola dos Talentos).  A compreensão de como ocorre a longevidade é fator chave para a terceira etapa (conclusão) deste artigo.

Parte III – Que se deve fazer para acompanhar as mudanças que necessariamente devem ocorrer

Qual a diferença de desempenho de uma pessoa experiente e de outra iniciante, em uma dada tarefa em comum? A diferença básica é que a pessoa experiente já aprendeu todos os mecanismos e as técnicas necessárias para desempenhar, com segurança, cada etapa de uma tarefa. Por isso, aplica de modo direcionado, com paciência e observação, a quantidade ideal de energia (vontade) e estratégias para cumprir o propósito com eficiência. Já o inexperiente, por não conhecer os mecanismos e nem as técnicas, necessita muito tempo para aprender e tirar conclusões. Além disso, mesmo que realize todo este movimento, se realmente não se dedicar na extração da experiência, pouca memória formará. Isso significa que “viveu as cegas”, e continuará a gastar bastante energia todas as vezes que se deparar com a mesma situação, sendo um eterno aprendiz das mesmas coisas.

O acúmulo de experiência permite o menor gasto de energia e assim, menor necessidade das funções das mitocôndrias para gerar energia. Isso não significa que há menos atividades ou produção anímica. Inversamente, se faz muito mais com muito menos! Conforme a correspondência de vida vai gradativamente se afinando com as lições Cristãs, o uso dos Corpos pelo Ego ocorre mais adequadamente. Isto é, o Eu Superior domina a Personalidade e a espiritualiza. Este domínio pode ser ilustrado da seguinte maneira:

  1. uma determinada ideia é concebida pela Mente;
  2. a força de vontade do Ego utilizará a Mente (foco mental) para direcionar essa ideia e concretizá-la no Mundo Físico;
  3. com este foco mental sob o domínio da vontade, haverá o despertar da motivação (Corpo de Desejos) e energia física (Corpo Vital e trabalho das mitocôndrias) para concretização física da ideia;
  4. o movimento voluntário observado será o produto final de uma tentativa de concretização da ideia concebida;
  5. a experiência da tentativa (quintessência) deverá ser observada em termos de eficiência do foco mental; motivação necessária para tal; e energia física para ação. Se houver falha em alguma destas etapas, a eficiência será abalada. Se houver sucesso total, significa que o domínio da situação já é uma verdade;
  6. Várias memórias são formadas neste processo e servirão de base para ações futuras e aumento da eficácia. Para estas formações, necessitamos dos Éteres de Luz e Refletor (Corpo-Alma).

Vemos, pois, que uma vida bem vivida está pautada no acúmulo de sabedoria e firmada a propósitos superiores. Não há outro propósito maior do que estes. A fé, o amor universal, o propósito de contribuir com a evolução da humanidade e a convivência com verdades espirituais, revelam caminhos tão sublimes e infinitos que tornam cada ato da vida uma nota musical afinada à grande sinfonia divina. Não haverá mais espaços para desequilíbrios ou transgressões das leis, mas sim ações que nos aproximam de Deus.

A lógica do menor esforço e maior eficiência é o padrão de ouro para a vida espiritual, mas ela exige o emprego constante da observação e do aprendizado. Com o tempo, passaremos a evocar as experiências de modo tão eficiente que não mais necessitaremos dos arquivos do cérebro denso para nos fornecer referência de como agir, mas iremos acessar diretamente o éter refletor, não mais necessitando de energia física. Consequentemente haverá menos necessidade de mitocôndrias e menos radicais livres. Passaremos a utilizar o éter, um material com vibração superior aos elementos químicos do sangue, para manifestação do estado de vigília (já o fazemos atualmente, mas a quantidade será muito maior), pois o poder do Ego será tamanho que necessitará de materiais mais vibrantes para dar conta de sua expressão. Neste estado de Corpo de Vida, não mais conheceremos a morte e a vida eterna será, então, uma realidade.

Para finalizar, é importante considerar que um dos pólos da dual força criadora foi internalizada e direcionada para cima, a fim de construir um cérebro e uma laringe (mencionado na primeira parte deste artigo). Antes, ambas eram direcionadas para baixo com o propósito de gerar Corpos Físicos. Com o novo Corpo de Vida, não mais haverá mortes e desnecessária a geração de Corpos Densos, sendo o ser humano Cristificado isento da paixão lucífera.

O casamento místico, conforme bem expressado por Salomão em seu “Cântico dos Cânticos”, mostra a reunião dos polos da força criadora, mas agora com parte que permaneceu para baixo também direcionada para cima. “O homem deve se casar com a mulher que possui dentro de si mesmo, e a mulher com seu homem interno”. O mito denominava cada polo como Anima (feminino) e Animus (masculino). Com esta “re-união” dos polos criadores, mas direcionados para cima, a palavra fornecerá o molde (o verbo se fará carne) para gerar obras tão grandiosas como as obras dos deuses.  

*note que as condições da Terra nesta época era bem diferentes das condições atuais.

Que as Rosas Floresçam em vossa cruz

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