A Bolinha Marrom
Uma noite, no Jardim dos Encantos, onde os espíritos das flores brilhavam como faíscas de luz, a Mãe Natureza chamou seus filhos lírios e lhes disse:
— De todas as minhas filhas flores, vocês parecem ser as mais bonitas. Suas cores são tão radiosas e sua fragrância tão doce, que é difícil escolher a mais formosa. Isso fez com que os lírios ficassem felizes, inclinando-se com respeito.
Mas o lírio vermelho, um dos mais radiosos, era um pouco petulante e comentou audaciosamente:
— Eu sou muito admirado e tido como o favorito pelas crianças da Terra. Se você tiver alguma mensagem para elas, eu a levarei.
A Mãe Natureza sorrindo, disse:
— Sim, eu tenho uma mensagem e você pode levá-la se estiver disposto a perder sua beleza e ser envolto em uma áspera bola marrom para ser atirada e, por fim, colocada profundamente na terra, bem escondida dos olhares admiradores das crianças.
O lírio ficou um pouco mais vermelho e disse:
— Oh! Não, eu não poderia perder a minha beleza nem por um instante. As crianças da Terra me adoram e elogiam e eu gosto disso.
A Mãe Natureza respondeu docemente:
— Então, Lírio Vermelho, você não pode levar a mensagem.
Em grande calma, as luzes das flores flutuavam entre as sombras no Jardim dos Encantados. Dali a pouco um delicado lírio azul sussurrou:
— Mãe Natureza, talvez eu possa levar a mensagem.
— Você está disposto a deixar de lado suas delicadas vestes e usar um feio envoltório marrom e dormir nas profundezas da terra, para que as crianças da Terra possam aprender, por meio de seu sacrifício, as lições da vida eterna?
— Mas meu vestido é como o azul do céu e as crianças da Terra gostam dele. Não, eu não posso trocar o meu delicado vestido azul por um feio envoltório marrom. E o lírio azul abaixou a cabeça.
O coração da Mãe Natureza sofreu um pouco, porque ela não gostava de ver os seus filhos lírios tão egoístas. Estivera sempre tão satisfeita com eles, entretanto, nenhum estava disposto a fazer um pequeno sacrifício. Mas, mesmo assim, deu-lhes uma outra oportunidade.
— Venham cá, crianças, mais perto de mim, eu vou contar qual é a mensagem. Algumas das crianças da Terra estão com muito medo, medo da morte. Assim, elas devem aprender que todas as coisas adormecem por algum tempo e depois tomam novos corpos. Mais uma vez eu pergunto: qual de vocês irá mostrar que, através do sono, elas poderão entrar numa vida muito mais bela?
Tudo estava calmo e quieto quando uma voz suave murmurou:
— As crianças da Terra dizem que eu sou frágil e branco, Mãe Natureza. Talvez eu não tenha beleza para perder e não me importaria de ficar preso numa bola apertada.
— Querido Lírio, disse a Mãe Natureza, você é uma criança corajosa: vai perder sua beleza por algum tempo, porém esse serviço de amor vai torná-lo ainda mais belo.
Então, a centelha de vida do lírio foi colocada cuidadosamente numa pequena bola marrom. A Mãe Natureza vigiou carinhosamente este momento, esperando até que as crianças da Terra estivessem prontas para receber a mensagem.
Dick e Rosalie estavam jogando bola. De repente, Rosalie deixou-a escapar e ela saiu correndo atrás da bola que rolou pela aleia do jardim. Pegando o que pensou que fosse a bola, jogou-a de volta para Dick.
Você deveria tê-lo ouvido rir, quando ele perguntou a ela:
— Que é isto? Eu joguei para você uma bola de borracha macia e esta bolinha marrom é dura como pedra.
— Deixe-me vê-la, disse Rosalie, e Dick arremessou a bola para ela.
Então, Rosalie riu também e disse:
— Não é uma bola, é um bulbo. Espere, eu vou colocá-lo no chão e procurar a nossa bola.
Ela colocou o pequeno bulbo marrom na terra, encontrou a bola de borracha e eles continuaram a jogar.
A bolinha marrom sentiu-se só na escuridão, embaixo da terra, impedida de ver a luz do Sol. De repente, ouviu-se um zumbido e um voz que disse:
— Olhe! Aqui está um recém-chegado. Vamos ajudá-lo, pois ele não pode ficar aí enterrado desse jeito.
Então, o lírio do jardim perguntou.
— Quem são vocês?
— Somos os pequenos Espíritos da Natureza e trabalhamos com as flores. Você é um bulbo de lírio, não é? Você precisa esticar seus braços e suas pernas e nós o ajudaremos.
— Mas eu não tenho braços, nem pernas, disse a bolinha marrom.
— É, ainda não, mas você terá logo, se fizer o que nós mandarmos.
Um estranho sentimento tomou conta do bulbo.
— Ora, que será isto? Perguntou-se o lírio.
— Venha, chamou o Espírito da Natureza, não precisa ter medo de nós.
Aquele tremor era medo? Ele não tinha vindo ensinar às crianças da Terra a não ter medo? Sim, ele iria fazer o que os Espíritos da Natureza mandassem.
— Venha agora, e eu o ajudarei a sair de si próprio, chamou o duende.
Snap! Alguma coisa rachou.
— Dê-me sua mão e estique-a. Muito bem!
— Oh, exclamou o lírio, eu nunca soube que tivesse mão.
— Bem, se você deixar que nós o ajudemos, logo estará pronto para dar a mensagem, disse o duende.
— Você sabe sobre a mensagem? Perguntou o lírio.
— Claro, disse o duende, todos os filhos da Mãe Natureza sabem o segredo.
Uma voz vinda de algum lugar ordenou:
— Estique seu pé para baixo, assim. Não ligue para o escuro. Isto, muito bem! Agora tente de novo.
Snap, crack!
— Oh, exclamou o lírio, eu tenho tantos pés!
Então, os Espíritos da Natureza ajudaram o lírio a se esticar até que todos os pezinhos estivessem firmemente cravados na terra e as mãozinhas estendidas para cima, rumo aos raios de Sol. Todos os dias, os suaves pingos de chuva, os raios dançantes do Sol e os Espíritos da Natureza ajudavam o lírio a sair de si mesmo, até que, finalmente, longos talos verdes cresceram na direção do Sol. E, um dia, o lírio abriu seu coração de ouro — um bonito lírio branco.
Passos leves foram ouvidos pelos caminhos do jardim. O lírio prestou atenção. Depois ouviu alguém exclamar alegremente:
— Oh, que lindo lírio branco! Exclamou Rosalie. Que flor mais formosa! Sua alma deve ser muito bonita para ter esse perfume tão doce!
Depois, ela exclamou:
— Ora, duende, que você está fazendo aqui?
— Estou ajudando este lírio a dar a mensagem da Mãe Natureza para vocês, crianças da Terra, respondeu o duende. Este lindo lírio é a bolinha marrom que você, brincando, jogou para Dick. Ele sacrificou sua beleza, por algum tempo, para fazer uma nobre ação.
A Mãe Natureza frequentemente dá lições de vida por meio de suas flores. As flores e os Espíritos da Natureza lembram o que as crianças da Terra, às vezes, esquecem: que a cada ano o grande Espírito da Terra deixa seu Reino de Felicidade e dá Sua vida para que toda a Natureza tenha vida. Então, durante a bonita estação da primavera, quando Seu trabalho está terminado, Ele volta para o Reino da Felicidade. As brisas da primavera, o trigo balançando ao vento, o canto dos pássaros, as flores alegres e as crianças felizes, todos se juntam numa canção de louvor ao Senhor da Vida, cujo Amor permanece com eles, dando esperança, alegria e felicidade a todas as crianças da Terra.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: Quando o Aspirante alcançou a Contemplação, ele alcançou o degrau mais alto?
Resposta: Quando a altura que se alcança por meio da contemplação tem sido alcançada, o Aspirante percebe que ele está em verdade contemplando a Deus na vida que penetra todas as coisas, mas ainda tem que dar um passo mais elevado: a Adoração, pelo qual se une à Fonte de todas as coisas; alcançando, por esse fato, a mais alta meta possível de conseguir o ser humano até que a união permanente tenha lugar ao final do Grande Dia de Manifestação.
Pergunta: Pode o ser humano alcançar essa altura sem ajuda?
Resposta: É a opinião do autor que nenhuma das alturas da contemplação nem o passo final da adoração pode ser alcançado sem a ajuda de um Mestre.
Pergunta: Como encontraremos o Mestre?
Resposta: O Aspirante não deve temer nunca que por falta do Mestre demore seu progresso, nem precisa se preocupar em procurá-lo. Tudo o que você precisa é começar a melhorar a si mesmo e continuar de forma diligente e persistente nesse caminho. Dessa maneira ele purificará seus veículos.
Pergunta: O purificar os veículos em que o beneficia?
Resposta: Esses começam a brilhar nos Mundos Internos, o que não poderá deixar de atrair a atenção dos instrutores, que estão sempre vigilantes e de muito bom grado ajudam a todos aqueles que, por seus vigorosos esforços em purificar a si mesmos, têm adquirido o direito de serem ajudados.
Pergunta: Então um não necessita jamais um Mestre entre os seres humanos?
Resposta: “Busca e encontrarás”, mas não vamos imaginar que por ir de um instrutor a outro estamos buscando. “Busca” nesse sentido, não significaria nada para esse mundo de trevas. Nós mesmos devemos acender a luz que invariavelmente irradia os veículos dos Aspirantes diligentes. Essa é a estrela que nos levará ao Mestre, ou melhor dizendo, a que conduzirá o Mestre até nós.
Pergunta: Em que tempo se manifestam resultados desses exercícios?
Resposta: O tempo requerido para ter resultados varia com cada pessoa e é dependente da aplicação, nível evolutivo, história no livro da vida, portanto nenhum tempo geral pode estabelecer-se.
Pergunta: Em que diferem os resultados?
Resposta: Alguns que estão preparados, obtém resultados em uns poucos dias, outros, em meses, e alguns, em anos, e outros no fim sem conseguir resultados visíveis. Porém os resultados estão lá e o Aspirante que fielmente persiste os obterá algum dia; nesta ou em uma futura vida, contemplará sua paciência e fidelidade recompensadas e as palavras interiores abertas a seu olhar fixo (contemplação), encontrando-se ele mesmo como cidadão do reino, onde as oportunidades são imensamente maiores que no mundo físico.
A partir desse tempo, desperto ou dormido através do que os homens chamam Vida e morte, sua consciência não será interrompida. Levará uma existência contínua consciente, beneficiando-se de todas as condições que permitem um avanço mais rápido, até posições de maior responsabilidade, para ser em benefício da humanidade.
(Tradução da Revista Rays from the Rose Cross Nov-Dez/1983)
A Vitamina A no Regime Alimentar Vegetariano
Necessita o organismo de substâncias que regulem o aproveitamento dos alimentos. As quantidades necessárias são insignificantes, mas seus efeitos são vultosos. A falta desses nutrimentos ocasiona doenças graves. Num estudo sucinto procuraremos estabelecer as relações das vitaminas com o regime alimentar vegetariano. Acentuemos, desde logo, que o vegetarianismo proporciona ao organismo copioso fornecimento de vitaminas. No regime misto, aqueles que lhes são adeptos se deliciam com muitos pratos de carne, pobres em vitamina e, em geral, desprezam as frutas e as hortaliças que fornecem esses produtos químicos, sem os quais os alimentos não são integrados nos tecidos.
Estaremos nos ocupando, neste estudo, da vitamina “A”, substância protetora dos olhos, dos rins, da pele e das mucosas, promotora do crescimento anti-infeccioso, com influência na dentição das crianças e repercussão sobre a vitalidade orgânica, influenciando, também, a esfera sexual e a do sistema nervoso.
A ação da vitamina “A” sobre a visão é exercida mercê de um mecanismo bioquímico em que essa vitamina proporciona a ressíntese da púrpura visual (rodopsina) que impregna as células em bastonete da retina, à custa da violeta visual (iodopsina) existente nas células em cone, resultante da oxidação das primeiras pela luz forte.
Não ocorrendo esse ciclo, não sendo a luz suficiente, estabelece-se uma cegueira temporária, chamada cegueira noturna ou ambliopia crepuscular. Doença conhecida já no Egito na era da antiga civilização desse país, só nos tempos atuais, com o conhecimento da vitamina “A” foi que se esclareceu a patogenia da moléstia e sua cura pela ingestão dessa vitamina. Cumpre esclarecer que nem em todos os casos em que há deficiência de Vitamina “A”, se observa a cegueira noturna, também chamada nictalopia.
Constituem a chamada xerose epitelial da conjuntiva. É considerada o segundo grau de avitaminose “A”, sendo o primeiro a já descrita hemeralopia ou cegueira noturna. A mucosa bulbar do olho fica espessada, apresentando manchas irregulares, triangulares (manchas de Bitot) que mais tarde se desenvolvem, aumentando de volume, podendo chegar a uma transformação coriácea da conjuntiva (Enrique G. Pongi).
A xerose corneal, muito mais grave, consiste em uma dessecação do epitélio da córnea, com ulceração e agrava-se, chegando a produzir cegueira irreversível.
Tanto a litíase como as infecções do aparelho renal têm íntimas relações com essa vitamina. Mendel e Osborne (Higgins e McCarrisson 1920-1930), em observações clínicas e experimentais, trouxeram dados positivos a esse respeito. A presença de vitamina “A” ou sua provitamina — o caroteno — na alimentação previne a infecção e o aparecimento de cálculos. McCallum (1939) confirma essas afirmações, acrescentando que a escassez de vitamina “A” é a principal causa da formação de cálculos no rim. A administração da vitamina “A”, entretanto, não cura a litíase renal, contribuindo, não obstante, para preveni-la.
Observações de numerosos clínicos e experimentadores em diversos países levaram à conclusão de que a vitamina “A” é protetora da pele. A falta de sua ingestão na alimentação ocasiona pele seca e hiperqueratósica (dura, escamosa e áspera) com prurido. A essas perturbações chamou Nichols “pele de sapo”. Cabelos secos, duros, ásperos e sem brilho são manifestações comuns da hipovitaminose “A”, assim como unhas quebradiças, catarro nasal, bronquites, sinusites, aquilia gástrica (falta de ácido no estômago) diarreia e enterocolite são observados no curso da avitaminose “A”, resultantes da repercussão da avitaminose ou hipovitaminose sobre as mucosas.
A deficiência de vitamina “A” diminui a resistência às infecções (Drumond, 1919). McCollum e Staenbock assinalaram o fato em relação às afecções do aparelho respiratório. Paralelamente essa vitamina tem influência na calcificação dos ossos e dos dentes (Lady Nelhamby e Marshall, Wolbach e Howe, citados por Ruy Coutinho), especialmente no período da formação desses.
Tem sido observado, igualmente, que o crescimento é retardado nas regiões em que existe falta de alimentos que contenham vitamina “A” ou sua provitamina.
A vitamina A tem influência nos processos evolutivos do desenvolvimento do organismo e sua falta provoca danosos efeitos sobre a vitalidade. Isso explica a importância da vitamina A no funcionamento do aparelho sexual e em suas múltiplas manifestações com tantas relações de causa e efeito no equilíbrio orgânico.
Vamos às fontes de Vitamina A: retirou da cenoura uma substância à que chamou caroteno, que em experiências de outros investigadores se provou ser a provitamina “A” (Capper, 1930) com o qual se conseguiu curar doenças de carência por avitaminose A.
O caroteno encontra-se em todos os alimentos que contêm substâncias amarelas e vermelhas, e também verdes. O caroteno transforma-se no organismo em vitamina A, de onde sua denominação de provitamina A. As principais fontes são: hortaliças, legumes e frutas verdes e amarelas. As folhas mais verdes são mais ricas do que as esbranquiçadas, da alface, da couve e do repolho, as hortaliças amarelas, quanto mais pigmentadas, mais ricas em caroteno.
No regime alimentar lacto-ovo-vegetariano encontramos fartura de vitamina “A”: no leite, na manteiga, no ovo, nas hortaliças: cenoura, abóbora, alface, agrião, espinafre, batata doce, tomate, couve. Entre as frutas: mamão, manga, pêssego, goiaba, ameixa. Entre os temperos, a salsa é riquíssima.
As dietas pobres em gordura interferem desfavoravelmente na absorção da vitamina “A” que é lipossolúvel, dificultando-a.
Vemos, por esses lados, que o regime alimentar lacto-ovo-vegetariano se recomenda, se tomarmos em consideração a necessidade de vitamina “A” para a conservação da saúde.
A alimentação do brasileiro é pobre em vitamina “A”, pois, em geral, nossos patrícios preferem a carne às verduras e frutas, consumindo pouco leite e pouco ovo.
Sendo lacto-ovo-vegetarianos, encontramos, na alimentação, além da vitamina “A” de tanta importância no equilíbrio funcional orgânico, outras vitaminas e princípios nutritivos de grande importância.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970)
Pergunta: Já me disseram que não deveria abraçar pessoas que não conheço bem, porque no contato com o baço durante o abraço algumas pessoas “sugam”nossa energia; seria a energia do Corpo Vital?
Resposta: O baço por onde entra as forças vitais é o baço etérico e não o físico. E mesmo aquele não “participa” desse tipo de evento.
Não há nenhum problema em abraçar quem quer que seja, desde que você esteja bem espiritualmente. Semelhante atrai semelhante. Se, por acaso, você “sentir” algo desagradável é porque você não está firme na sua fé e na sua situação espiritual. Ore e trabalhe e verá que esse tipo de coisa que falaram não haverá ponto de contato em você.
Pergunta: Na medida que conseguimos evoluir nosso Corpo Vital vai deixando de ficar tão interligado com Corpo Denso naturalmente?
Resposta: Não. O desprendimento do Corpo Vital do Corpo Denso é feito por meio do treinamento esotérico e só começa depois que você persiste em fazer todas as noites o Exercício da Retrospecção e todas as manhãs o de Concentração, e no período entre eles, à noite, durante o sono e depois da restauração do seu Corpo Denso, você preste o serviço amoroso e desinteressado como Auxiliar Invisível Inconsciente por um bom tempo.
Concomitantemente, durante as horas de vigília – quando acordada – você se esforce para fazer os Rituais Devocionais (Exercícios Esotéricos), praticar no seu dia a dia os Ensinamentos Rosacruzes que você vai aprendendo e, por meio do serviço amoroso e desinteressado, anonimamente, prestado à divina essência dos irmãos e irmãs com quem você se relaciona, ser um Auxiliar Visível Consciente. Persistência, persistência e persistência é a chave para obter isso.
Resposta: Começaremos pela última parte da pergunta, então veremos o que são essas coisas vistas durante o “delirium-tremens”. Em primeiro lugar, imaginemos que há várias espécies de Espíritos. Há o Ego, uma verdadeira centelha do Fogo Divino oculto sob um certo número de coberturas opacas: Mente, Corpo de Desejos, Corpo Vital e, finalmente, o mais opaco de todos, o Corpo Denso – o véu carnal que isola o Espírito da consciência divina e o confina nos estreitos limites de um cérebro e um corpo.
Através da evolução, esses veículos estão se tornando mais espiritualizados. Suas vibrações ficam mais elevadas, e o Ego, aos poucos, está começando a se descobrir, tal como o filho pródigo achou-se distante do Pai e ansioso por retornar. Então, devido a certos processos definidos, está gradualmente recuperando a consciência cósmica. O poder divino dos órgãos que o serviram num passado distante, como meios espirituais, está sendo despertado para uma nova atividade. É esse particularmente o caso do corpo pituitário e da glândula pineal. Quando ele aprender a vibrar esses pequenos órgãos, ele desenvolverá um novo sentido que podemos chamar de visão espiritual, pois então vê o Mundo Invisível e seus ocupantes. Há outros passos por meio dos quais ele pode tornar-se um cidadão alado desses mundos, nos quais poderá entrar e sair à vontade, embora ainda esteja vivendo num corpo físico. Atualmente ainda não dominamos essas fases do assunto. Deve-se notar que somente um Espírito pode fazer vibrar esses pequenos órgãos ou despertar suas atividades latentes.
Onde há moeda circulante, há também uma imitação em metal inferior. O Espírito também tem sua imitação. O verdadeiro Espírito divino é uma emanação em Deus — não de Deus, mas em Deus. É um Espírito de Vida. Porém, obtêm-se também um espírito espúrio por meio da fermentação e da decomposição. Esse é um espírito de morte. Nós o chamamos de álcool. Sendo um espírito, essa droga também tem o poder de promover as vibrações dos pequenos órgãos citados, mas sendo o produto vil de um processo vil, não pode senão degradar o Espírito individual com o qual entra em contato. Assim, os alcoólatras geram baixos pensamentos que se revestem de formas hediondas. Algumas vezes, várias classes de Espíritos sub-humanos apossam-se dessas formas assim geradas e conservam-nas vivas durante muito tempo, alimentando-se com as exalações de sangue nos matadouros, ou com o odor que se eleva dos tonéis de fermentação da cerveja ou do envelhecimento de aguardente, para não mencionar também as repugnantes emanações dos desejos dos frequentadores de tais lugares.
Portanto, quando uma pessoa está saturada do espúrio espírito do álcool, a velocidade vibratória dos pequenos órgãos da visão espiritual é acelerada a tal grau, que essa pessoa pode ver o mundo dos Espíritos, e vê naturalmente o que é semelhante a si. Quando um diapasão é tocado, outros diapasões do mesmo tom entram também em vibração. Da mesma maneira, todos nós somos atraídos por outros de natureza semelhante a nós. Essas figuras grotescas e hediondas são efetivamente etéricas ou interetéricas entre o Mundo do Desejo e o Éter, penetrando ambos. Elas não são um produto da imaginação, mas realidades de natureza mais ou menos duradoura, criadas por pessoas sensuais e alcoólatras dos dois mundos.
(Perg. 58 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
O Ressentimento e o Perdão Terapêutico
A personalidade “tipo fracasso”, quando procura uma desculpa ou bode expiatório para seu malogro, quase sempre culpa a sociedade, o “regime”, a vida, a sorte. Ela se ressente com o êxito e a felicidade dos outros porque constituem para ela uma prova de que a vida a está defraudando, que ela está sendo tratada injustamente. O ressentimento é uma tentativa de suportar seu próprio fracasso explicando-o em termos de tratamento injusto, parcial. Mas, como bálsamo para o malogro, o ressentimento é uma cura pior do que a doença. É um veneno mortal para o espírito, torna a felicidade impossível, consome tremenda dose de energia que poderia ser utilizada em realizações. E um círculo vicioso quase sempre se estabelece: o homem ou a mulher que traz consigo uma mágoa não é um companheiro ideal nem um agradável colega de serviço. Quando seus companheiros a evitam ou o chefe tenta apontar suas deficiências, ela vê aí motivos adicionais para ressentir-se.
O ressentimento é também um “meio” de fazer-se vítima importante. Ela sente uma perversa satisfação em sentir-se “injustiçada” e, considerando-se tratada iniquamente, sente-se moralmente superior aos causadores da injustiça.
O ressentimento é ainda um “meio”, ou tentativa, de atestar ou erradicar uma injustiça real ou imaginária que já tenha sido praticada. A pessoa ressentida está, por assim dizer, tentando defender a sua causa no tribunal da vida. Se ela puder sentir-se suficientemente ressentida e, por esse meio, “provar” a injustiça, algum processo mágico a recompensará, fazendo com que “se anule” o acontecimento ou circunstância geradoras do ressentimento. Nesse sentido, o ressentimento significa voltar a lutar, emocionalmente, contra alguma coisa do passado. Ora, a vítima jamais poderá vencer, porque está tentado o impossível — alterar o passado. E quando o ressentimento é muito forte e o caráter defeituoso, a vítima, percebendo essa impossibilidade, parte para a vingança, em que ela própria se imola nas consequências.
Cristo via e ensinava a ver o lado bom e belo de todas as coisas, porque sabia dos benéficos efeitos que isso produziria em nosso interior.
De fato, o ressentimento, mesmo quando baseado em injustiças reais, não é a maneira de vencer. Ele em pouco tempo se transforma em hábito emocional. E quando habitual, conduz invariavelmente à autocomiseração, que é o pior hábito emocional que alguém possa adquirir. Se esses hábitos chegaram a criar raízes, o indivíduo já não se sente mais natural ou “certo” quando eles (os hábitos) estão ausentes! A pessoa começa então a, literalmente, procurar por “injustiças”. Disse alguém que tais pessoas só estão bem quando se sentem desgraçadas.
Lembre-se o leitor que, em verdade, seu ressentimento não é causado por outras pessoas, acontecimentos ou circunstâncias, mas é resultado de suas próprias reações emocionais.
Você, só você, tem poder sobre isso. Só você pode dominar tais reações, convencendo-se de que o ressentimento e a autocompaixão não constituem caminho para a felicidade e o êxito, e sim para o fracasso e a infelicidade. A pessoa ressentida, sem o saber muitas vezes, confia aos outros as rédeas de sua vida. São os outros que ditam como ela se deve comportar ou sentir; tal qual um mendigo, ela depende totalmente dos demais. Faz, aos que a cercam, pedidos e exigências descabidas — principalmente aos que a feriram — e se todos se dedicarem à tarefa de a tornar feliz, ela se ressentirá quando isso não acontecer. Quando sentimos que as outras pessoas nos devem eterna gratidão, imorredoura apreciação ou contínuo reconhecimento pelo nosso imenso valor, experimentamos ressentimento quando esse “débito” não é pago.
O ressentimento é, portanto, incompatível com a busca de objetivos criadores. Na busca desses, você é o autor, não o recipiente passivo. Você é que deve estabelecer seus alvos. Ninguém lhe deve coisa nenhuma. Você persegue seus próprios objetivos. Você se torna responsável pelo seu próprio êxito e felicidade. O ressentimento não se enquadra nessa imagem e é, por isso, um “mecanismo de fracasso”. E como consequência vem o vazio interior. A vítima pode, apesar da frustração, da agressividade mal dirigida, do ressentimento, alcançar êxito aparente, conquistar símbolos externos de sucesso, mas quando vai abrir o longamente sonhado baú de tesouros, seja num outro amor, na fortuna, na fama, no poder, encontra o vazio, porque, ao longo do caminho percorrido, perde a capacidade de apreciar a vida e as pessoas.
Posso perdoar mas não posso esquecer — dizem alguns. O perdão, quando é completo, verdadeiro e esquecido — constitui o bisturi que remove o pus de velhas feridas emocionais, cura-as e elimina o tecido cicatricial. O perdão parcial ou tíbio não dá resultados. Também o perdão concedido como “dever” não é eficaz. Devemos perdoar e depois esquecer o fato e o ato de perdoar, porque o perdão que é lembrado, mantido no “pensamento, infecciona de novo a ferida que se pretende cauterizar. Se você se sente orgulhoso de seu perdão ou o relembra constantemente, isso é porque, com certeza, acha que a outra pessoa lhe deve alguma coisa por você a ter perdoado. Você perdoa-lhe a dívida, mas ao fazê-lo ela incorre em outra com você, mais ou menos como acontece com as reformas de promissórias. Há muitas ideias erradas sobre o perdão e um dos motivos por que seu valor terapêutico não tem sido devidamente reconhecido é que o verdadeiro perdão raras vezes é posto em prática. De nada vale orarmos diariamente, “perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos a nossos ofensores” se achamos que devemos perdoar para ser bons ou porque nossa posição de espiritualistas o exige como dever. Em verdade, os moralistas que têm ensinado esses conceitos deveriam haver dito: “devemos perdoar para ser felizes”. O perdão terapêutico extirpa, cancela, erradica a ofensa como se esta jamais houvesse existido, não porque decidimos ser generosos ou fazer um favor à pessoa que nos ofendeu nem porque lhe sejamos moralmente superiores. Cancelamos o “débito”, demos “quitação” dele, não porque ela nos quisesse pagar mas porque chegamos à conclusão de que a dívida não tinha razão de ser. O verdadeiro perdão ocorre somente quando conseguimos ver e emocionalmente aceitar, o fato de que não há, nem nunca houve, nada que perdoar. Que não devíamos ter condenado ou odiado a outra pessoa. Se perdoamos é porque condenamos, porque chegamos a odiar.
Não se diz nos evangelhos que o Cristo perdoou a mulher adúltera, porque também a não condenou. Apenas lhe disse: Vai e não peques mais. Erramos quando odiamos alguém por causa de seus erros, confundindo o espírito com seu comportamento transitório; erramos quando mentalmente estipulamos uma dívida que a outra pessoa deve pagar para voltar a gozar de nossas boas graças ou voltar a ser emocionalmente aceita por nós. Será feliz, terá mais saúde e paz interior quem praticar o perdão terapêutico ensinado por Cristo naquela frase do “Pai nosso”. Essa é a única forma de perdão que realmente “dá certo”.
Finalizando, queremos considerar que não somente recebemos ferimentos emocionais de outros, como também de nós próprios. E então, se somos negativos, nos flagelamos pela autocondenação, o remorso e o arrependimento com excessivos sentimentos de culpa. Passados dos limites do reconhecimento racional, o remorso e o arrependimento são uma tentativa de viver no passado, uma tentativa de corrigir o passado, de vez que seus efeitos nos dificultam reagir adequadamente ao nosso ambiente atual. Devemos saber também perdoar-nos, esquecendo o fato passado e dele extraindo apenas a experiência, em forma de consciência, para corrigir no presente e no futuro as mesmas tendências. Nunca diga de si mesmo: “sou um fracasso”, “não valho nada”, ou: “a vida não presta”. Não se confunda com os erros. Como espíritos estamos ensaiando, raciocinando e aprendendo. “O único pecado que existe é a ignorância e o único fracasso é deixar de lutar”. Quando você afirma ser um fracasso é o mesmo que considerar seu espírito um fracasso. Ora, nosso espírito é algo feito à imagem e semelhança do Criador, com todas as virtualidades latentes de Deus para serem desenvolvidas, assim como a semente contém em si as possibilidades de tornar-se numa árvore. Você não é seus erros. Você comete erros porque é humano e imperfeito. Os erros não fazem você. Se a ciência não aceitasse a evidência de novas e mais altas verdades, ainda que modifiquem todas as anteriores, ela estaria destinada ao fracasso. Também nós, assim. Portanto, nossa atitude correta deve ser esta:
1) Façamos a relaxação das tensões negativas, para evitar a formação de cicatrizes daremos exercícios nesse sentido;
2) Realize o perdão terapêutico para remover cicatrizes antigas;
3) Dote a si mesmo de entendimento para formar uma camada protetora à sua hipersensibilidade, à sua facilidade de magoar-se (mas não uma carapaça de indiferença!);
4) Viva criativamente, procurando realizar algo construtivo, de acordo com suas inclinações;
5) Não receie ser ferido e com isso evitar os demais. Disponha-se a ser um pouco vulnerável. A indiferença ou o isolamento não fazem crescer a alma.
6) Tenha aspiração presente e confiança no futuro;
7) Extraia a essência de bem do passado, dele não guardando nenhum ressentimento.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1967)
Alcoolismo – Uma Doença Mental
É difícil controlar ou superar uma doença cuja causa é desconhecida. O alcoolismo é uma doença pura e simples, mas não uma doença da moral ou do corpo. É uma doença da Mente.
Todas as pregações de moralidade, condenação eterna, e assim por diante, ou proibir a venda de bebidas alcoólicas ou álcool, poderia ter apenas uma influência superficial no desejo de beber ou na causa desse desejo.
Instrua nossos filhos sobre a causa do alcoolismo e eles olharão para a bebida alcoólica como uma expressão distinta de inferioridade e não desejarão usá-la.
Em três gerações, o consumo de álcool poderia ser reduzido àqueles indivíduos adultos irremediavelmente fracos, que buscam no álcool a necessidade se sentir socialmente em igualdade.
Isso, precisamente, explica a causa do alcoolismo. De fato, a ingestão do primeiro gole pode ser atribuída a um sentimento de inferioridade, não querer ser diferente, não querer ser menos do que o outro sujeito ou querer ser ou fazer tanto quanto ele. Nós desprezamos o primeiro gole com: “Ele bebeu para ser sociável, ou para ser inteligente”. Mas isso não é verdade.
A bebida é ingerida quase sempre para alcançar um nível de igualdade, se não, como no caso do bebedor experiente, para alcançar um estado de superioridade temporária, pelo menos em sua própria Mente.
Algumas bebidas alcoólicas são para afogar os problemas, para esquecer, porque não se tem a coragem para enfrentar seu problema, não importa o que seja, analisá-lo e resolvê-lo com o melhor de sua capacidade individual. A bebida parece dar coragem. Na verdade, se revestem ou se afundam no sentimento de inferioridade. Quando o efeito do álcool desgasta o indivíduo, fica pior do que antes, então bebe novamente até que, eventualmente, tenha desenvolvido uma alcoolfilia ou uma obsessão por bebidas alcoólicas.
O alcoolismo repetitivo ou mesmo o consumo moderado regular de cerveja, vinhos, licores e outras bebidas alcoólicas, mais cedo ou mais tarde, trazem consigo distúrbios da garganta e do estômago, nefrite e cirrose ou endurecimento do fígado. As alterações cardíacas são dilatação, degeneração muscular e hipertrofia ou aumento anormal. —Dr. Jesse Mercer Gehman em Nature’s Path, dezembro de 1939.
Aparentemente, nunca antes foi tão predominantemente a tolerância a bebidas alcoólicas como é agora no mundo. Os jornais, as revistas e os outdoors de rodovias são financiados por propagandas de bebidas alcoólicas; os rádios expõem suas virtudes 24 horas por dia, utilizando imagens que glorificam isso, mostrando atores e atrizes famosos em quase todas as ocasiões.
Para o cientista ocultista essa condição é a mais deplorável, pois ele sabe que até a morte não alivia a garra desse monstro quando ele se apodera de sua vítima.
Depois da morte, aqueles que se intoxicam de bebidas alcoólicas desejam obter seus efeitos da mesma maneira que quando estão encarnados em um Corpo Denso; porque não é o veículo físico que anseia pelo álcool. De fato, em muitos casos, ele fica doente por causa disso e em vão protesta de várias maneiras. É o Corpo de Desejos do alcoólatra que anseia por bebida e força o Corpo Denso a participar dela, para que o Corpo de Desejos possa ter a sensação temporária de prazer resultante do aumento da vibração, e esse desejo permanece após a morte do Corpo Denso. Mas o ser humano, depois da morte, não tem mais a boca física para beber, nem o estômago para conter a bebida física e gerar os desejados gases criados pelo aparato digestivo. Consequentemente, ele aprende a inutilidade de desejar aquilo que não pode obter, e seu desejo por bebida finalmente cessa por falta de oportunidade de satisfazê-lo. Enquanto isso, ele sofre uma agonia indescritível, e o processo de desgaste é muito lento.
(Traduzido da Revista Rays From the Rose Cross – jan./1940)
Pergunta: Quais são as provas da Iniciação pelas quais, segundo dizem, o candidato deve passar antes de ser iniciado?
Resposta: O candidato à Iniciação, frequentemente, não sabe que é um candidato. Geralmente, ele está vivendo a vida espiritual de serviço ao seu semelhante, porque essa é a única vida que o atrai, e ele não cogita de proveitos posteriores por assim proceder. Não obstante, ele é testado e posto à prova o tempo todo, inconscientemente, sem que o saiba, pois isso faz parte do processo. Nenhum candidato jamais foi levado a uma sala de Iniciação a fim de ser julgado ou testado. As provas ocorrem na vida diária e nas pequenas coisas que são, aparentemente, destituídas de importância, mas que têm na realidade um significado fundamental. Se alguém não pode ser fiel nas pequenas coisas, como esperar que seja fiel nas grandes? Além disso, os Irmãos Maiores da humanidade, que têm a seu cargo essa tarefa em relação aos seus irmãos mais jovens, procuram descobrir o seu ponto mais vulnerável, porque se ele for posto à prova, tentado e cair, isso servirá para lhe chamar a atenção para a fraqueza do seu caráter. Desse modo, ele tem uma oportunidade para se corrigir diante dele.
(Perg. 68 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – SP)
Onde está o Templo de Deus
O rei David louvava a Deus pela maravilhosa obra que Ele, o Pai, ajudou ao ser humano realizar, dizendo: “Louvar-te-ei porque Tuas obras são formidáveis e maravilhosas. Estou deslumbrado e minh’alma o sabe muito bem. Não foi encoberto de Ti o meu corpo, quando no oculto foi feito e entretecido nas profundezas da Terra”. O corpo humano, “o Templo de Deus” referido por São Paulo apóstolo, é o mais valioso instrumento do ser humano, porque por meio dele o Espírito (nós), como manifestação da Chispa divina, obtém experiência.
Entretanto, o que faz a maioria dos homens e das mulheres, deste divino Tabernáculo? Transformam-no em um covil de vícios, maus hábitos e baixos desejos. Muitos ignoram a sublimidade de sua origem e o elevado custo de seu desenvolvimento passado e, cegados pela ilusão dos sentidos e convicções materialistas buscam tirar dele o que chamam de proveito e embrutecem-no lamentavelmente! Outros, entretanto, sabem o que ele representa, como obra divina, como laboratório cuja perfeição de funcionamento sabem que não se deve a automatismos, senão à ação de Inteligências Superiores e regência de leis naturais imutáveis. No entanto, abusam conscientemente, em desafio a essas mesmas divinas leis, cuja desobediência suscita enfermidades e todo um cortejo de dores. Aliás, os sinais dessa desobediência podem ser devidos a transgressões dessa vida ou de existências anteriores.
Segundo os Rosacruzes, a saúde total abrange não só o físico, senão também e, principalmente, o comportamento emocional e mental, donde geralmente afloram as causas dolorosas de nossas enfermidades. Nesse amplo sentido, todos somos enfermos, em maior ou menor grau e se desejamos recuperar a saúde e conservá-la, precisamos conhecer e respeitar esses princípios fundamentais e regular, por eles, os nossos hábitos todos.
O Adorável Mestre Cristo-Jesus ressaltou bem a origem de nossas enfermidades ao paralítico já curado por Ele: “Eis que já estás são. Vai e não peques mais para que te não suceda alguma coisa pior”.
Note-se que até o próprio Senhor não ousava quebrar as leis naturais e não podia assegurar saúde permanente, se aquele que a recebesse não deixasse os maus hábitos e vícios transgressores da harmonia cósmica, essa harmonia presente tanto nos Astros como no corpo humano, no macro e no micro e na relação entre toda a criação.
A Fraternidade Rosacruz nos leva a conhecer essas leis, tornando-se, com todo o respeito que tem à liberdade individual, um luminoso caminho de regeneração humana. Por isso recomenda adoção de uma dieta racional, rica em frutas, legumes, verduras, nozes, cereais integrais, leite, queijo, ovos. Alimentação isenta de elementos prejudiciais (carnes de toda a espécie) sem excesso de massas, senão equilíbrio de vitaminas, sais minerais e proteínas, formas saudáveis de preparo, quantidade e qualidade condizentes com o tipo físico, tipo de atividade, clima etc.. Uma alimentação cheia de elementos prejudiciais mostra os efeitos nocivos da ira, da apreensão, da angústia, do medo, da crítica ferina, da inveja, do ciúme, do orgulho e de todas as demais ramificações irmãs dessa hidra tenebrosa que generalizamos pelo nome de egoísmo. Não apenas tudo isso nos prejudica a saúde e a paz interior como, por decorrência, retarda nosso avanço espiritual.
A Filosofia Rosacruz nos leva a compreender nossa verdadeira identidade, como Espíritos, herdeiros de Deus, cidadãos celestiais, em peregrinação e aprendizagem nesse plano, ao qual não nos devemos apegar e cujos elementos têm apenas utilidade transitória, como fatores de experiência, aprendizagem e crescimento interno, que se converterão em faculdades criativas em nossas condições superiores do futuro.
Reconhecendo as manhas e dificuldades impostas por nossa natureza inferior, embora de existência transitória, mas que pode nos atrasar perigosamente no Caminho, ensina-nos o mecanismo de nossas emoções e pensamentos e dá-nos um método racional e seguro de libertação, pela disciplina desses corpos e domínio de nós mesmos.
Conheça, pois, caro leitor, essa formosa e lógica filosofia que a todos nós tem trazido imensos benefícios e a qual desejamos estender a tantas pessoas que nos seja possível alcançar, de modo a suscitar-lhes os pendores naturais bons, espirituais, que jazem adormecidos em seu íntimo e armá-los com discernimento e amor para a luta e gradativa vitória contra a tenebrosa natureza inferior, rumo ao alvorecer de um novo e radioso dia, à realização de um novo homem e uma nova mulher, identificados com a luz, com a eterna e verdadeira fonte de que promanaram. Como diz o Novo Testamento: “Deus é Luz. Quem anda na luz está com Deus e Deus nele”, “E já não será mais ele que vive, senão o Cristo em seu interior” o qual se dará sem medidas e por ele fará as mesmas obras e maiores ainda do que as que realizou na Terra”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1968)