Túlia de Pompeia
— Tio Jack, conte-me uma história, pediu Maria Elizabeth.
Tio Jack havia acabado de chegar de uma cidade distante para visitar os pais de Maria Elizabeth. Ele tinha viajado por todo o mundo e conheceu coisas maravilhosas sobre lugares longínquos e exóticos. Maria Elizabeth tinha certeza de que ele poderia contar muitas histórias interessantes para ela.
— Mamãe diz que você conta histórias sobre meninos e meninas que viveram há centenas de anos; é verdade? Perguntou à menina.
— Possivelmente, disse Tio Jack. Talvez eu possa contar-lhe alguma coisa desse tipo.
— Como você faz isso? Perguntou Maria Elizabeth. Como você pode saber sobre meninos e meninas que viveram há tanto tempo atrás?
— Você já ouviu falar da Memória da Natureza? Perguntou Tio Jack. Pois ela existe e é dela que eu tiro o material para algumas de minhas histórias; isto é, eu leio na Memória da Natureza.
— É maravilhoso! Exclamou Maria Elizabeth. Como você faz isso?
— Bem, de certo modo é como olhar para cenas que se movem. É uma espécie de segunda visão que eu possuo. Me concentro de tal maneira que vejo cenas na Memória da Natureza, como um filme passando na frente dos meus olhos.
— Parece muito interessante, disse Maria Elizabeth. Você podia me contar uma história sobre alguns dos meninos e meninas que viveram a centenas de anos?
– Certamente, foi a resposta, aqui vai.
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A longa rua de Pompeia, sulcada por charretes, que eram carros de duas rodas usados antigamente na guerra e nas corridas, estava cheia de vida. As vozes dos vendedores ambulantes e das flores eram claramente ouvidas. E, bem perto, podia-se ouvir também os sacerdotes no templo celebrando, em cânticos e em música, sua devoção a algum antigo deus ou deusa. De longe, ouviam-se vozes excitadas e o som metálico das rodas das charretes no pavimento de pedras.
As paredes brancas das casas brilhavam à luz do Sol, embora existisse um estranho tom avermelhado sobre tudo, mas isto era talvez causado pela nuvem escura que se espalhava vinda do topo da montanha e que se erguia bem acima da cidade. Essa montanha era o Vesúvio e o seu pico estava coberto de neve.
Era uma cidade quente, rica e resplandecente. Belas casas com suas portas abertas para a rua, grandes templos com suas altas e claras colunas à luz do Sol e, à distância, podia-se perceber o azul do mar.
Multidões de pessoas e charretes estavam passando pelas ruas, correndo para algum jogo no anfiteatro distante. Um escravo saiu para a rua pela larga porta de um palácio. Protegendo os olhos com a mão, ele olhou para a nuvem escura que pairava sobre a montanha. Finalmente, com um meneio ansioso, entrou pelo portão novamente.
Era um amplo e fresco átrio, em comparação com o calor da rua. Havia vasos de flores colocados em nichos nas paredes e, ao fundo, viam-se flores e árvores no peristilo[1], uma espécie de pátio interno. O velho escravo fechou a porta da rua, pisando com cuidado sobre um mosaico que mostrava a figura de um cachorro latindo, mosaico feito com pedras de cores vivas. Sob a figura do cachorro lia-se palavras de advertência: “Cave Canem”, que queria dizer “Cuidado com o cachorro”. Então, andando lenta e pensativamente, com a cabeça baixa mergulhado em pensamentos profundos, ele entrou no peristilo, uma parte do qual era ocupada por um pequeno jardim encantador, cheio de flores.
Árvores verdes lançavam sua sombra refrescante sobre bancos de mármore branco, a passagem estava coberta por tapetes de cores luminosas, estátuas brancas e brilhantes espiavam de seus recantos cheios de flores e de samambaias, e o esguicho fresco da água da fonte sustentada por um fauno branco, alimentava o chafariz onde nadavam peixes dourados. Perto do chafariz e sob a sombra de uma pequena figueira havia um divã e nele, entre montanhas de almofadas macias, recostava-se uma menina frágil e esbelta brincando com um macaquinho branco.
Vagarosamente, o escravo aproximou-se e sentou-se no chão de mármore.
— Por que você está tão intranquilo hoje, Nelo? Perguntou a doce voz infantil, enquanto a menina estendia a mão delgada tocando a face escura do escravo. Você queria ir aos jogos com os outros escravos?
— Não, não é isso, pequena Túlia. Você sabe que eu não gosto de ver homens e feras lutando. Além disso, seu pai pediu-me para tomar conta de você até que ele voltasse.
A menina riu.
— Então não fique tão ansioso. Você está quase tão intranquilo quanto meu pequenino Nito. Você acha que é este calor sufocante que o faz ficar assim?
Nelo olhou para o macaquinho que estava andando de um lado para outro, mexendo os olhinhos pretos, como se fosse incapaz de decidir qual o lugar melhor ou mais seguro.
— Ele está com medo de alguma coisa, pequena Túlia. Os deuses deram aos animais um senso de perigo mais aguçado do que o nosso.
O rosto da criança tornou-se sério. Ela ergueu-se um pouco nas almofadas e disse:
— Talvez seja por isso que as feras, nas covas do circo, estão rugindo tão alto. Você acha que elas também estão com medo de algo?
O velho Nelo, olhando rapidamente para a criança, sorriu e respondeu:
— Olhe, pequena Túlia, não fique com medo. Sem dúvida alguma, é por causa do calor que elas estão tão intranquilas e também por causa do terremoto que algumas noites atrás assustou-as.
Túlia sorriu e bateu levemente na mão do escravo:
— Claro que eu não sinto medo com você e Adriano tomando conta de mim. Mas gostaria que este calor e essa claridade terríveis cessassem.
O velho escravo levantou os olhos para um jovem alto que havia se aproximado e estava ali parado, ouvindo a conversa. Com uma troca de olhares, eles se afastaram para um canto do pátio.
— O que você acha, meu pai? Perguntou o mais jovem, em voz baixa. Você acha que é melhor deixar à cidade rapidamente levando a criança?
Passando a mão trêmula sobre os olhos, o velho respondeu:
— Eu gostaria que os deuses me dissessem o que fazer. O patrão ordenou que ficássemos aqui até que ele voltasse de Roma, mas ele não podia imaginar O perigo que nos ameaça. Muitas vezes vi montanhas esconderem seus topos em nuvens avermelhadas e não posso deixar de ter medo. Não gosto desta coisa no ar e do rugido dos leões — Oseias disse-me que desde ontem eles vêm recusando todo alimento, procurando fugir de qualquer jeito da sua cova.
Ele pensou mais um pouco e ordenou:
— Vá, meu filho. Junte alimentos e roupas, enquanto eu preparo a pequena Túlia para a viagem. Você tem certeza de que o barco está pronto?
— Aprontei tudo esta manhã como o senhor ordenou, respondeu Adriano, saindo apressadamente.
Nelo voltou para perto da menina, substituindo seu olhar preocupado por um sorriso calmo para evitar que ela ficasse assustada.
— Você gostaria de dar um passeio de barco esta tarde? Talvez esteja mais fresco no mar.
Túlia sorriu e bateu palmas alegremente:
— Claro que gostaria, Nelo. E talvez possamos encontrar papai e mamãe. Você sabe, está quase na hora deles voltarem.
Com movimentos rápidos e delicados, Nelo levantou nos braços o corpinho frágil, envolvendo-o num chalé de seda.
— Algum dia, Nelo, eu andarei como às outras crianças; você não acha? Perguntou Túlia, levantando a cabeça para observar o rosto do escravo.
Ele sorriu, enquanto ajeitou o xale nos pezinhos rosados da menina e disse:
— Com certeza você vai poder andar e correr como qualquer criança da rua se realmente quiser; não foi isso que os grandes médicos disseram a seu pai? E seus pais não oferecem diariamente orações e presentes nos templos, para que os deuses a curem?
Sentindo-se mais confortada, Túlia sorriu alegremente e aconchegou-se nos braços do escravo.
— O senhor está pronto, pai? Perguntou Adriano, parado na porta. Carregando Túlia cuidadosamente, Nelo saiu, seguindo o filho.
Na rua assustaram-se com a rápida mudança: a luminosidade era agora de um vermelho intenso e a nuvem escura tinha-se espalhado num formato de cogumelo sobre toda a cidade.
Nelo olhou para cima e cochichou para o filho:
— Vamos andar mais depressa, pois temo que já seja tarde demais.
De repente, Túlia gritou e agarrou o braço do escravo:
— Nelo, você esqueceu Nito! Eu não posso deixar meu macaquinho aqui. Por favor, Adriano, vá busca-lo.
Por um momento, Adriano hesitou, mas, deixando os alimentos e as roupas no chão, correu apressadamente para a casa. Pareceu a Nelo e a Túlia que ele e demorou muito tempo para voltar. A nuvem tinha-se tornado mais escura e mais pesada e relâmpagos enchiam-na de fogo, fazendo com que a pequena Túlia escondesse o rosto nos ombros de Nelo. Adriano voltou correndo, segurando o macaquinho e explicou:
— Ele estava assustado demais para reconhecer a minha voz e tinha se escondido, murmurou Adriano para o pai, ao mesmo tempo que pegava as coisas do chão.
Desceram a rua rapidamente.
A nuvem tornava-se cada vez mais negra e ruídos abafados e contínuos, como trovões, vinham do chão, sob seus pés, enquanto uma leve chuva de cinzas caía, cobrindo suas cabeças e suas vestes.
A rua que levava ao mar estava quase vazia, mas das outras ruas, das lojas e dos templos apinhados de gente, vinham gritos de pavor, à medida que as pessoas percebiam que corriam perigo.
Enquanto olhavam assustados para a nuvem escura, os dois escravos apressaram-se, levando sua carga preciosa em direção ao mar. Finalmente chegaram à praia. Nelo colocou Túlia cuidadosamente no barco, sobre uma pilha de cobertores. Ela abraçava seu minúsculo Nito, enquanto Nelo ajudava Adriano a empurrar a pequena embarcação mar adentro. Foi um trabalho rápido e logo eles se afastaram da cidade condenada.
A escuridão em breve apagou a cena e, apenas de vez em quando, os relâmpagos mostravam muitos outros barquinhos levando aqueles que tiveram a sorte de alcançar a praia.
Depois do que pareceu um longo tempo, começou a clarear de novo e o pequeno barco dirigiu-se para uma caverna pelas ondas, num alto penhasco. Adriano puxou o barco até a praia e, pegando a menina nos braços, levou-a até o refúgio e colocou-a com cuidado no chão.
— Olhe, pai, ela está dormindo. Coitadinha, está cansada. De fato, foi uma noite terrível para alguém tão frágil como ela. Aqui estará segura.
— Amanhã, nós a levaremos para a casa dos parentes, de onde poderemos mandar uma mensagem para nosso patrão. Ele ficará contente em saber que a filha está em segurança, pois ela é o tesouro de seu coração.
Nelo colocou gentilmente outro xale sobre a pequena Túlia adormecida e o macaquinho aconchegou-se mais nos braços da menina, pois ele também estava muito cansado.
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— Oh, que bom que eles escaparam! Suspirou Maria Elizabeth. Que bom você ser capaz de ler histórias tão maravilhosas assim na Memória da Natureza. Será que à Pequena Túlia cresceu saudável e forte?
Tio Jack beijou o rosto da sobrinha e sorrindo concluiu:
— Eu tenho a certeza que sim, querida, porque eu segui a história até o fim de sua vida.
Maria Elizabeth exclamou alegremente:
— Estou tão contente! Isto torna a história ainda mais maravilha.
[1] N.R.: Pátio rodeado por colunas.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. IV – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Adaptabilidade segundo os Ensinamentos Rosacruzes
Adaptabilidade não quer dizer estagnação; significa, isto sim, acomodação à novas condições e o encontro do fio da meada para agir, descortinando, sempre, novos horizontes. Quem é facilmente ADAPTÁVEL, é também FLEXÍVEL, portanto, EMINENTEMENTE ENSINÁVEL e funciona no campo da inteligência, por meio da qual assimila, sábia e amorosamente, os ensinamentos que lhe chegam de toda a criação, obra de nosso Pai Comum – DEUS.
Para melhor elucidar o presente tema, ouçamos a palavra de Max Heindel que, em seu laborioso trabalho e ajudado pelos Irmãos Maiores, adquiriu a capacidade de investigar os mundos internos e ler na Memória da Natureza, nos esclarecendo em “O Conceito Rosacruz do Cosmos” da seguinte maneira: “Nas escolas, todos os anos, alguns alunos não se adiantam o necessário para passar a um grau superior. Analogamente, em cada Período de Evolução, alguns ficam atrás por não poderem alcançar o desenvolvimento necessário e passar ao próximo grau superior; foi o que aconteceu já no Período de Saturno. Naquele estado, a vida, com a qual trabalharam os Seres Superiores, era inconsciente de si, mas essa inconsciência não era obstáculo para o retardamento de alguns dos espíritos virginais MENOS FLEXÍVEIS, MENOS ADAPTÁVEIS que os demais.
Nessa palavra, ADAPTABILIDADE, temos O GRANDE SEGREDO do atraso ou do progresso. Todo adiantamento depende de FLEXIBILIDADE E ADAPTABILIDADE do seu ser evolucionante, de ser capaz de acomodar-se, por si, à novas condições ou estacionar e cristalizar-se incapaz de toda transformação. A ADAPTAÇÃO É QUALIDADE QUE FAZ PROGREDIR, ESTEJA A ENTIDADE NUM GRAU SUPERIOR OU INFERIOR DE EVOLUÇÃO. A falta de adaptação é causa de atraso para o espírito e de retrocesso para a forma. Isso se aplica ao passado, ao presente e ao futuro”.
Dispensa qualquer comentário a lapidar orientação de Max Heindel, apontando a adaptabilidade como a palavra CHAVE em nossa evolução. Trata-se de orientação que ele extraiu da Memória da Natureza, auxiliado pelo Mestre, e, ela resiste à lógica mais apurada. Portanto, merece nossa particular atenção.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 01/1975)
Os Pergaminhos do Mar Morto
O Cristianismo, tal qual todas as religiões, tem dupla natureza interna, oculta, esotérica, verdadeiro repositório de ensinamentos profundos, e uma exterior, exotérica, superficial, formal, contendo princípios cuja finalidade é manter a união do agrupamento e coibir, as mais das vezes, coercitivamente, os arroubos da natureza inferior.
Ao arcabouço esotérico de uma religião só tem acesso seus membros mais avançados, aqueles já iluminados pela pureza e desinteresse. Os menos evoluídos se satisfazem em gravitar em torno de cerimoniais – que raramente entendem – e aspectos exteriores de culto. Assim, permanecem atados a letra que mata e não ao espírito que vivifica, até capacitarem-se a dar um passo maior. São Paulo, Apóstolo, dava “leite as criancinhas” e “alimento sólido” aos fortes na fé.
Cristo se dirigiu as multidões por meio de parábolas, mas aos Discípulos revelava o conteúdo transcendental de Sua Doutrina.
Por suposto, o Cristianismo Esotérico contém a essência dos ensinamentos do Mestre, princípios esses encontráveis nas entrelinhas dos Evangelhos, por quem possui a “chave” para tal.
Tanto as traduções do Antigo como do Novo Testamento, sofreram interpolações e modificações, involuntária ou propositadamente, por parte de copistas e tradutores. Encontramos referências a isso no Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel, e na Patrologia Grega, de Orígenes . Não é difícil imaginar como houve confusões e distorções.
Os Rosacruzes, porém, mercê de suas investigações na Memória da Natureza, oferecem o sentido real dos ensinamentos bíblicos.
Em 1947, ocorreu um fato muito auspicioso: foram descobertos oito rolos de pergaminhos numa gruta localizada nas proximidades do mosteiro de Qunram, as margens do Mar Morto. Sete desses documentos foram decifrados e estudados, revelando importantes informes a respeito do Cristianismo, confirmando muita coisa ensinada pela Fraternidade Rosacruz.
Sabe-se que foram elaborados pelos Essênios. Estes, constituíam uma terceira seita entre os judeus. As outras duas eram os saduceus e os fariseus.
A comunidade essênia, todavia, era bem diferente. Formada de pessoas mais devotas e espiritualizadas, vivia uma vida de pureza e serviço, em contraste com as outras. Sabe-se, também, que vários apóstolos e alguns personagens destacados dos Evangelhos, pertenceram a essa seita.
Agora, outra informação: o oitavo e último rolo de pergaminho foi, finalmente, decifrado e estudado, conforme notícia abaixo transcrita, publicada no jornal Folha de São Paulo, edição de 25 de fevereiro de 1979.
“BERKELEY, CALIFORNIA, (UPI)”
– Os últimos e mais completos pergaminhos do Mar Morto foram finalmente publicados e fizeram revelações novas e importantes a respeito da origem da doutrina cristã sobre o sexo, o casamento e o divórcio, disse o professor Jacob Milgrom, da Universidade da Califórnia.
Denominado “Pergaminho do Templo” por se referir em grande parte à reconstrução do templo de Jerusalém, o documento recentemente publicado, contém um código de comportamento ético que proíbe o divórcio e a poligamia. É também a favor do celibato, pais proíbe o uso do sexo dentro dos muros de Jerusalém.
O novo rolo de pergaminhos e o último dos oito documentos muito bem preservados encontrados por um jovem beduíno em uma caverna perto do Mar Morto, em 1947. Sete outros rolos de pergaminhos já foram decifrados e estudados durante a década de 50, mas o “Pergaminho do Templo” só foi descoberto quando Israel ocupou os territórios árabes, na guerra dos seis dias, em 1967.
O pergaminho foi encontrado em uma caixa de sapato escondida debaixo do assoalho de uma loja árabe, cujo proprietário tinha sido envolvido na compra de documentos antigos.
Nos últimos dez anos o pergaminho foi cuidadosamente desenrolado e decifrado por Yigael Yadin, professor universitário e atualmente vice primeiro ministro de Israel.
Trata-se do mais longo rolo de pergaminho até hoje encontrado, com 19 páginas e 8,53 metros de extensão. O professor Milgrom foi o assistente de Yadin na obra de restauração do documento.
“Em minha opinião, este é provavelmente o pergaminho mais importante”, disse Milgrom numa entrevista. “Antes de mais nada, neste pergaminho Deus fala na primeira pessoa. Isso quer dizer que se trata de revelação. É sua palavra autorizada”.
Milgrom disse que o “Pergaminho do Templo” “vem lançar nova luz sobre as origens de muitas doutrinas cristãs”.
O documento diz, por exemplo, que todos os que “aspirarem viver à sombra do templo, em permanente estado de santidade, devem viver uma vida de solteiro”. Proíbe também a prática de relações sexuais em qualquer parte dentro da cidade de Jerusalém.
Os rigorosos mandamentos de pureza em torno do templo e dos sacrifícios excluem a satisfação de necessidades higiênicas dentro de Jerusalém e até mesmo a defecação em qualquer lugar durante sábado judaico. Proíbe, também “ao rei mais de uma mulher e diz que ele não se deve casar novamente, enquanto sua mulher estiver viva”, disse Milgrom. “As implicações são evidentes. O divórcio é proibido”.
Pela primeira vez, vemos que as opiniões sobre o matrimônio e o divórcio expressas dentro de certas tendências nos Evangelhos do Novo Testamento, podem traçar sua origem nos ensinamentos desta seita, anterior a época de Jesus Cristo pelo menos um século e meio”. Milgrom observou que o divórcio e poligamia não eram proibidos no Antigo Testamento.
Os pergaminhos foram encontrados perto da comunidade de Qunram, que floresceu desde mais ou menos a metade do século segundo antes de Cristo até, a época da Invasão Romana, no ano 67 de nossa era. Essa comunidade era formada “por uma seita marginal dentro do judaísmo”.
Os dissidentes da seita se refugiaram nas cavernas do Mar Morto para escapar a “poluição” que afetava Jerusalém por causa dos líderes fariseus, disse Milgrom.
O pergaminho do templo não apenas traça os planos para a reconstrução do templo de Jerusalém, quando a seita voltasse ao poder, após uma guerra catastrófica, mas “prescreve leis totalmente novas e dá interpretações também novas sobre as leis antigas”.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/79 – fraternidade Rosacruz – SP)
FRATERNIDADE ROSACRUZ
Ritual do Serviço Devocional do Equinócio de Setembro
“Queridos irmãos e irmãs:
Que as rosas floresçam em vossa cruz”
4. Todos respondem: “E na vossa também.”
5. Todos se sentam, menos o Oficiante.
6. Em seguida, o Oficiante começa a leitura do texto do Ritual:
“Deus É Luz”
Todas as vezes que nós nos absorvemos profundamente nessas três palavras, nos banhamos numa fonte espiritual inesgotável; e a cada vez que repetimos ressoa em nós mais completamente a profundidade divina e nos aproximamos mais do nosso Pai, que está nos Céus.
Para entrarmos em contato mais próximo com esse assunto, agora que a Luz de Cristo está começando a permear à Terra, vamos retroceder no tempo, para nos orientar e fornecer a direção da nossa futura linha de progresso.
A primeira vez que a nossa consciência foi dirigida para a Luz foi imediatamente depois de nós nos tornarmos dotados da Mente e entrarmos, definitivamente, na nossa evolução como seres humanos, na Atlântida, a terra da névoa, no fundo das depressões da Terra, onde a névoa quente emitida do resfriamento da Terra pairava como uma densa névoa sobre a sua superfície. Nessa situação as alturas estreladas do universo nunca eram vistas, nem poderia a luz prateada da Lua penetrar na densa e enevoada atmosfera que pairava sobre aquela antiga terra. Mesmo o ígneo esplendor do Sol estava quase totalmente extinto, pois quando vemos na Memória da Natureza os fatos relativos àquele tempo, verificamos que a atmosfera da Terra era excessivamente opaca, tendo uma aura de várias cores, muito semelhante àquela que podemos observar em torno do foco luminoso das lâmpadas incandescentes, quando há neblina.
Mas essa luz tinha um fascínio. Os antigos Atlantes foram ensinados, pelas Hierarquias Divinas que viviam entre eles, a aspirar pela luz e, como a luz espiritual estava, então, em declínio, eles aspiravam ainda mais ardentemente pela nova luz, pois temiam a escuridão da qual se tornaram conscientes quando adquiriram a Mente.
Então, chegou o inevitável dilúvio, quando a névoa se esfriou e se condensou. A atmosfera clareou e o “povo escolhido” foi salvo. Aqueles que trabalharam dentro de si mesmos e aprenderam a construir os órgãos necessários, requeridos para respirar numa atmosfera como a que possuímos hoje, sobreviveram e vieram para a luz. Essa escolha não foi arbitrária; o trabalho do passado consistiu na construção do corpo. Aqueles que apenas possuíam fendas parecidas com brânquias, semelhantes às que o embrião humano ainda utiliza no seu desenvolvimento pré-natal, não estavam fisiologicamente adaptados para entrar na nova Era, como o embrião humano não poderia viver, depois de nascido, se negligenciasse em construir os pulmões; morreria, como aquele antigo povo morreu quando a atmosfera mais rarefeita tornou fendas parecidas com brânquias inúteis.
Desde o dia em que emigramos da antiga Atlântida, nossos Corpos estão praticamente completo, mas desde aquele tempo e a partir de agora aqueles que quiserem acompanhar a Luz deverão se empenhar pelo crescimento da alma. Os Corpos que nós cristalizamos em nós deverão ser dissolvidos, e a quintessência da experiência extraída, que como “alma” pode ser amalgamada com o espírito para promover o seu crescimento da impotência à omnipotência. Assim, o Tabernáculo no Deserto foi proporcionado aos antigos e a Luz de Deus desceu sobre o Altar dos Sacrifícios. Isso é de grande significância: o Ego desceu e entrou no seu tabernáculo, o Corpo Denso. Todos conhecemos a tendência do instinto primitivo para o egoísmo e se estudamos a ética superior, também sabemos quão subversiva do bem é a indulgência para a tendência egotista; dessa forma, imediatamente Deus colocou, diante da Humanidade, a Luz Divina sobre o Altar dos Sacrifícios.
Sobre esse Altar os seres humanos foram forçados, pela extrema necessidade, a oferecer suas posses mais queridas por cada transgressão, parecendo-lhes Deus um duro Senhor em cujo descontentamento era perigoso incorrer. Mas a Luz ainda os atraía. Eles sabiam, então, que era inútil tentar escapar das mãos de Deus. Eles jamais tinham ouvido as palavras de São João: “Deus é Luz”, mas já haviam aprendidos dos Céus, em certa medida, o significado do infinito, medido pelo reino da luz, pois ouvimos Davi exclamar: “Para onde ir, longe do Teu sopro? Para onde fugir, longe da Tua presença? … Se tomo as asas da alvorada para habitar nos limites do mar, mesmo lá é Tua mão que me conduz, e Tua mão direita me sustenta…. mesmo a treva não é treva para ti, tanto a noite como o dia iluminam.”[1]
O próximo passo no trabalho de Deus para conosco consistiu em tornar permanente essa condição de estar na Luz, que culminou com o nascimento de Cristo que, como a presença corporal do Pai, continuou tendo em Si mesmo aquela Luz, pois a Luz veio ao mundo para todo aquele que cresse em Cristo não perecesse, mas que tivesse a vida eterna[2]. Ele disse: “Eu sou a Luz do Mundo”[3]. O Altar no Tabernáculo ilustrava o princípio do sacrifício como o meio da regeneração e por isso disse Cristo aos Seus Discípulos: “Ninguém tem maior amor do que esse: o de dar sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos”[4]. A partir daí Ele começou um sacrifício, sacrifício esse que não se consumou nas poucas horas de sofrimento físico sobre uma cruz material, mas que é tão perpétuo como o foram os sacrifícios feitos no Altar no Tabernáculo no Deserto, pois impõe uma descida anual às condições na Terra que deve significar muito a esse grande Espírito.
Isso deve continuar até que um número suficiente de seres humanos tenha evoluído o suficiente para carregar o fardo dessa massa informe densa de escuridão, que chamamos de Terra, e que pende como uma pedra de moinho sobre o pescoço da Humanidade constituindo um empecilho para o posterior crescimento espiritual. Essa é a tarefa com que nos defrontamos.
Estamos, agora, na passagem equinocial em que o Sol deixa o hemisfério norte, depois de prover todas as necessidades da vida, para o próximo ano; e a onda espiritual que conduz, em sua crista, a vida que encontrará expressão física no ano que se inicia está, agora, se aproximando da nossa Terra. O meio ano que temos pela frente é a parte santa do ano. Desde a festa da Imaculada Conceição até ao Nascimento Místico do Natal (enquanto essa onda penetra em nossa Terra) e desde o Natal até ao tempo da Páscoa (enquanto a onda está saindo da nossa Terra) uma canção harmoniosa, rítmica e vibrante, tão bem descrita na lenda do Nascimento Místico como uma “Hosana”, cantada por um coro de Anjos, enche a atmosfera planetária e age sobre todos como um impulso para a aspiração espiritual.
Conhecemos a analogia entre o ser humano – que penetra nos seus veículos durante o dia, neles vive e por meio deles trabalha, e que à noite é um Espírito livre, livre dos grilhões do Corpo Denso – e o Espírito de Cristo que habita nossa Terra durante parte do ano. Todos sabemos que esse Corpo é um grilhão, é uma prisão, como somos torturados pelas doenças e pelos sofrimentos, pois não há um de nós que esteja sempre com perfeita saúde, de modo que jamais sinta o látego da dor; pelo menos ninguém que esteja no caminho à vida superior.
O mesmo acontece com o Cristo Cósmico, que dirige Sua atenção para a nossa pequena Terra, focalizando Sua consciência nesse Planeta a fim de que possa ter vida. Ele tem que vivificar essa massa morta (que nós cristalizamos fora do Sol) anualmente; e isso constitui um grilhão, uma obstrução e uma prisão para Ele; assim os nossos corações deveriam ficar voltados para Ele, nesse tempo, em gratidão pelo sacrifício que Ele faz por nossa causa, desde meados de dezembro até meados de março, permeando esse Planeta com a Sua vida para despertá-lo do seu sono, no qual permaneceria se Ele não nascesse no seu interior para vivificá-lo.
Sem essa infusão anual de Vida e Energia Divinas todas as coisas vivas sobre a nossa Terra pereceriam imediatamente e todo o progresso ordenado seria frustrado, pelo menos no que diz respeito à nossa linha atual de desenvolvimento. É a “queda” do Raio Espiritual do Sol, desde 23 de setembro até 21 de dezembro, que causam a retomada das atividades mentais e espirituais desde 21 de dezembro até 21 de março. A mesma força germinadora que ativa a semente na Terra e a prepara para produzir sua espécie em quantidade, também agita a Mente humana e promove as atividades altruístas que tornam o mundo melhor.
Assim é que as poderosas vibrações espirituais da onda Crística, doadora de vida, estão na atmosfera terrestre durante os meses que temos pela frente e podem ser usadas por nós com muito maior proveito se soubermos disso e se redobrarmos nossos esforços, o que não faríamos se desconhecêssemos esse fato. O Cristo ainda está gemendo e sofrendo as dores de parto[5], esperando pelo dia da libertação, pela “manifestação dos Filhos de Deus”[6]; e realmente apressamos esse dia cada vez que comemos e bebemos como alimentos para os nossos veículos superiores simbolizados pelo pão e vinho místicos.
Todas as vezes que nos damos a nós mesmos no serviço aos outros, contribuímos para o brilho de luz interna dos nossos Corpos-Almas que são constituídos dos Éteres superiores. Atualmente, é o Éter Crístico que faz flutuar essa nossa esfera, porém, vamos nos lembrar que se desejamos apressar o dia de Sua libertação, devemos desenvolver em número suficiente nossos próprios Corpos-Almas até ao ponto em que eles possam manter a Terra flutuando. Dessa forma, nós poderemos assumir a Sua carga e poupá-Lo da dor da existência física. Que cada um de nós aproveite as vibrações espirituais, com as quais seremos banhados durante os próximos meses, para que o próximo Equinócio de Setembro nos encontre mais próximos do Dia da Libertação.
Agora nos concentremos sobre o Amor Divino e o Serviço.
7. O período de concentração deve se prolongar por uns 5 minutos
8. Terminada a Concentração, o Oficiante cobre o Símbolo Rosacruz e acende as luzes
9. O Oficiante convida todos a se levantarem e a cantarem o Hino Rosacruz de Encerramento
10. O Oficiante profere a seguinte exortação de despedida:
“E agora, queridos irmãos e irmãs, que vamos partir de volta ao mundo material levemos a firme resolução de expressar, em nossas vidas diárias, os elevados ideais de espiritualidade que aqui recebemos, para que dia a dia nos tornemos melhores homens e mulheres, e mais dignos de sermos utilizados como colaboradores conscientes na obra benfeitora dos Irmãos Maiores, à serviço da Humanidade”.
“QUE AS ROSAS FLORESÇAM EM VOSSA CRUZ”
11. Apaga-se a luz do Templo
(todos devem se retirar do Templo em silêncio)
[1] N.T.: Sl 139:7-12
[2] N.T.: Jo 3:15
[3] N.T.: Jo 8:12
[4] N.T.: Jo 15:13
[5] N.T.: Rm 8:22
[6] N.T.: Rm 8:19
Logo que entramos nesse Reino da Natureza, estamos num Mundo invisível e intangível, onde os nossos sentidos comuns são inoperantes. Daí ser essa parte do Mundo Físico praticamente inexplorável pela ciência material.
O ar é invisível, mas a ciência moderna sabe que existe. Por meio de instrumentos pode medir sua velocidade como vento, e pela compressão pode torná-lo visível como ar líquido. Com o Éter, porém, isto não é tão fácil. A ciência material admite-o como necessário de algum modo para a transmissão da energia elétrica com ou sem fios. Por isso viu-se obrigada a enunciar como postulado a existência de uma substância mais sutil do que as conhecidas, à qual chamou “Éter”. Não sabe realmente que o Éter existe porque, até o momento, a engenhosidade dos cientistas não pôde ainda inventar um recipiente capaz de confinar essa substância, que é no seu todo demasiado esquivo aos “magos de laboratório” da atualidade. Com efeito, eles não podem medi-la, pesá-la ou analisá-la com os aparelhos de que dispõem atualmente.
Por certo são maravilhosas as conquistas da ciência moderna. Contudo, a melhor forma de conhecer os segredos da natureza não é inventar instrumentos, mas sim o investigador aperfeiçoar-se a si mesmo. O ser humano tem em si faculdades que eliminam a distância, e em grau muito maior do que os mais potentes telescópios e microscópios podem consegui-lo em comparação com o olho nu. Esses sentidos ou faculdades são os meios de investigação usados pelos ocultistas, sendo também por assim dizer, o “abre-te Sésamo” na procura da verdade.
Para o Clarividente exercitado o Éter é tão tangível como os sólidos, os líquidos e os gases da Região Química o são para o ser humano comum. Ele vê as forças vitais – que dão vida às formas minerais, vegetais, animais e humanas – fluindo nestas formas por meio de quatro estados de Éter. Os nomes e funções específicas desses quatro Éteres são os seguintes:
Como o Éter Químico, esse Éter tem também seus polos positivo e negativo. As forças que trabalham pelo polo positivo são aquelas que atuam na fêmea durante o período de gestação, capacitando-a para o trabalho ativo e positivo de formação de um novo ser. Por outro lado, as forças que trabalham pelo polo negativo do Éter de Vida dão ao macho a capacidade de produzir o sêmen.
No trabalho de impregnação dos óvulos animal e humano, bem como no da semente da planta, as forças que atuam pelo polo positivo do Éter de Vida produzem plantas, animais e seres humanos do sexo masculino, enquanto as forças que se expressam pelo polo negativo geram fêmeas.
Nos animais de sangue frio, o polo positivo do Éter de Luz é o veículo das forças que fazem circular o sangue. Quanto às forças negativas, estas atuam do mesmo modo que nos animais superiores ou no ser humano com relação aos olhos. Onde estes não existem, as forças que trabalham pelo polo negativo do Éter de Luz, possivelmente, constroem e nutrem outros órgãos sensoriais, conforme o faz em tudo o que possui tais órgãos.
Nas plantas, as forças que atuam pelo polo positivo desse Éter de Luz produzem a circulação da seiva. Portanto no inverno, quando o Éter de Luz carece de Luz solar, a seiva deixa de fluir, até que o Sol do verão volte a recarregá-lo com sua força. As forças que atuam pelo polo negativo do Éter de Luz formam a clorofila – a substância verde das plantas – e, também, cobrem as flores. Numa palavra, todas as cores de qualquer Reino da Natureza são criadas mediante a ação do polo negativo do Éter de Luz. Por esse motivo os animais têm as cores mais acentuadas no dorso, e as flores as têm no lado mais exposto à luz solar. Nas regiões polares da terra, onde os raios do Sol são mais fracos, todas as cores são atenuadas. No caso de alguns animais elas se acham tão parcamente formadas que no inverno chegam a desaparecer, ficando brancos esses animais.
Por mais de uma razão o Éter Refletor é assim denominado, pois as imagens nele encontradas são apenas reflexos da Memória da Natureza. A verdadeira Memória da Natureza encontra-se em Reino muito mais elevado. Nenhum Clarividente muito desenvolvido preocupa-se em ler esse Éter, que apresenta imagens nebulosas e vagas comparadas com as do Reino superior. Nesse Éter Refletor leem os que não têm escolha, os que na realidade não sabem em que estão lendo. Como de regra, os psicômetras e os médiuns obtêm suas informações nesse Éter. Até certo ponto o Estudante das escolas ocultistas, nos primeiros estágios do seu desenvolvimento, também investiga nesse Éter Refletor, mas é prevenido pelo instrutor da insuficiência do mesmo como meio de adquirir informações corretas, o que evita que ele venha a tirar conclusões erradas.
Esse Éter é também o meio pelo qual o pensamento impressiona o cérebro humano. Está intimamente relacionado com a quarta subdivisão do Mundo do Pensamento, a mais elevada das quatro subdivisões contidas na Região do Pensamento Concreto – a pátria da Mente humana. Ali se encontra uma versão muito mais clara da Memória da Natureza do que no Éter Refletor.