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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Bebê de Belém

De vez em quando grandes pintores retrataram o nascimento do Menino Jesus em Belém, e muitas dessas representações foram verdadeiramente belas. Tal é o caso da pintura de Burne-Jones (pintor britânico), cuja mãe morreu ao dar à luz. Ele nunca conheceu o amor de uma mãe, mas imprimiu um toque maravilhoso de ternura no rosto do Menino, que se agarra firmemente ao vestido da mãe enquanto está sentado em seu colo e se vira timidamente para ver os três Reis Magos que lhe apresentam seus presentes.

– “Você realmente acha que a história dos Reis Magos é verdadeira?”, perguntei a um amigo enquanto observava Burne-Jones pintar “A Estrela de Belém”.

“É tão belo que parece mentira”, foi a resposta do artista.

Hoje, infelizmente, algumas pessoas questionam a autenticidade de muitas histórias bíblicas, mas o significado esotérico jamais poderá ser outra coisa senão a verdade.

Todos os dias, crianças nascem entre nós; almas jovens e velhas retornam à vida terrena para adquirir mais experiência, quitar dívidas antigas e ajudar seus irmãos e suas irmãs. Cada ano de suas vidas lhes oferece oportunidades de crescimento, físico e espiritual, e às vezes, em sua cadeia de vidas, um novo nascimento, mais profundo e misterioso, se realizará: o nascimento do Cristo Interior. Mas isso só pode ocorrer quando a pureza reina no coração, como reinava no de Maria, quando todos os desejos são para ajudar os outros, e não para ganho próprio. Nesse momento, desejaremos oferecer ao Salvador recém-nascido ouro, mirra e incenso, que esotericamente representam Espírito, Alma e Corpo, respectivamente, todos os quais são dados ao novo Rei, o Cristo.

Espírito é simbolizado como ouro. É assim que se fala no Anel dos Nibelungos, um anel que foi feito com o ouro roubado por Alberico. O Espírito foi assim degradado e tem a sua oitava inferior no Corpo Denso.

Os alquimistas são descritos como aqueles que transmutam metal vil em ouro, e nós devemos, por meio da alquimia espiritual, purificar o Corpo Denso para que ele possa se tornar novamente ouro (Espírito) e assim apresentá-lo ao Cristo recém-nascido.

A mirra é o extrato de uma planta aromática que cresce na Arábia. É rara e representa a Alma, uma essência, extraída por meio de experiências no Corpo.

O incenso foi um presente do terceiro Rei Mago. É uma substância física frequentemente usada em rituais espirituais. Encontramos seu uso no Tabernáculo no Deserto como um meio para criar certas condições e proporcionar um caminho para as forças espirituais. (Mas o incenso só deve ser manuseado por um “Homem Sábio” (Apo 8:3). Só era permitido usá-lo pelo sumo sacerdote e era queimado para ajudar a transmutar os pecados do povo.

O primeiro presente ao Rei recém-nascido, o Cristo Interior, é o controle do Corpo Denso. Pedimos que Ele reine sobre todos os reinos da nossa Terra e nos ajude a colocar todas as partes pagãs, ou errantes, completamente sob o Seu domínio. O segundo presente é a Alma, extraída das ações realizadas em nossos Corpos. A Alma é a essência espiritual do nosso trabalho na Terra, seja ele bom ou mau, mas o mal passará e somente o bem será preservado para ser transmitido de vida em vida.

O terceiro presente é o aroma agradável, o incenso feito por nossas súplicas pelos outros, nossas orações por aqueles em quem o Cristo ainda não nasceu.

É significativo que Jesus tenha nascido na noite mais longa do ano, e geralmente é quando tudo parece mais sombrio ao nosso redor e estamos em desespero que oferecemos nossos corações a Cristo por Seu trono.

Ele vem como um doce bebê e nos acalma com Seu toque amoroso, mas como um bebê, devemos alimentá-Lo; devemos cuidar d’Ele com ternura, ou Ele poderá ser forçado a nos deixar por um tempo. Chegará um tempo em que as circunstâncias ao nosso redor poderão nos levar a “esconder a criança e fugir para o Egito”, mas lembrem-se de que houve um tempo na história bíblica em que todos aqueles que buscavam a vida da criança estavam mortos. Assim é conosco. Se guardarmos fielmente aquilo que nasceu dentro de nós, poderemos defender nossas crenças sem medo; então, rapidamente, a criança crescerá até que um dia desejará “estar envolvido nos negócios do meu Pai” (Lc 2:49) e ouviremos o chamado: “Venham trabalhar hoje na Minha Vinha” (Mt 21:28). Então poderemos ir trabalhar, clamando aos nossos semelhantes: “Levantem as suas cabeças, ó portas, para que o Rei da Glória entre. Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos, o Senhor poderoso na batalha. Ele é o Rei da Glória. Ele é o Rei da Paz.” (Sl 24:7).

(De Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1921 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

(*) Pintura The Star of Bethlehem por Edward Burne-Jones c.1885-1890

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Os Três Reis Magos

Por que este número três?

Seria por causa de S. Mateus que só menciona três presentes: ouro, incenso e mirra – atribuindo-se, assim, simplesmente um presente para cada Rei?

O texto evangélico não diz mais, além do que os “Magos vieram do Oriente à Jerusalém” (Mt 2:1) onde perguntaram a todos pelo recém-nascido – “Onde está o rei dos judeus recém-nascido? Com efeito, vimos a sua estrela no seu surgir e viemos homenageá-lo” (Mt 2:2).

Segundo S. Mateus, os Magos encontraram o Menino Jesus e Maria em “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes” (Mt 2:1). Quem seriam esses Magos? Max Heindel dá-nos uma resposta rica em detalhes de conhecimento oculto: “Nos tempos antigos antes da vinda de Cristo, somente uns poucos escolhidos podiam seguir o caminho da Iniciação” (do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz). Era um privilégio ao alcance de uma minoria, tais como os Levitas, Druidas, Trotes. Estes eram levados aos Templos, onde lá permaneciam. Casavam-se em condições determinadas. Alguns se preparavam para fins definidos, como por exemplo, desenvolver um apropriado afrouxamento entre os Corpos Vital e Corpo Denso, cuja separação é necessária para a Iniciação. Tem de haver esta separação para que se possam desprender os dois Éteres Superiores e deixar os outros dois Éteres Inferiores. Isso não se podia fazer com a Humanidade comum daquele momento evolutivo. A maioria das pessoas estava, ainda, muito aferrada ao Corpo de Desejos, e por isso, devia aguardar até mais tarde, quando as condições evolutivas dessa maioria fossem melhores.

Até àqueles que se encontravam reunidos nos Templos era perigoso o trabalho de libertá-los fora de certas épocas; e a mais longa noite do ano, a noite de Natal, era uma das mais apropriadas para a Iniciação.

Quando o maior impulso espiritual estava presente, havia melhor oportunidade para estabelecer contato com Ele, do que em qualquer outra parte do ano. Na Noite Santa do Natal era costume dos Seres Sábios – os Magos – que estavam, evolutivamente, acima da Humanidade comum, levar ao Templo aqueles que se estavam tornando sábios e, portanto, com direito a serem Iniciados. Realizavam-se determinadas cerimônias e os candidatos eram mergulhados numa espécie de transe. Naquele tempo não se lhes podia conceder a Iniciação em estado de completa vigília, como hoje. Quando despertada a sua percepção espiritual, podiam ver através da Terra que para a sua visão espiritual tornava-se transparente, por assim dizer, e viam a Estrela da Meia-Noite, o Sol espiritual do outro lado do globo terrestre.

Porém, essa estrela não brilhava somente nessa época. É mais fácil vê-la agora, porque Cristo alterou as vibrações da Terra e desde então o seu aperfeiçoamento se efetiva. Ele rasgou o véu do templo, e fez o Santo dos Santos – o lugar da Iniciação – accessível a todo aquele que, de coração devoto, queira alcançar a Iniciação. Desde então não mais foi necessário o transe ou estados subjetivos. Há uma chamada consciente dentro do Templo para todo aquele que deseja entrar.

Temos de considerar outra coisa: as oferendas dos Magos, postas aos pés do Salvador recém-nascido. Segundo a lenda um trouxe ouro, outro mirra e o terceiro incenso.

Sempre temos ouvido falar do ouro, como símbolo do Espírito. O Espírito é simbolizado deste modo no Anel dos Nibelungos[1]. Na primeira cena vemos o ouro do Reno. O rio é tomado como emblema da água e ali se vê o ouro brilhando sobre a rocha, simbolizando o Espírito Universal em perfeita pureza. Mais tarde roubam-no e o convertem em anel. Isto o fez Alberico, simbolizando a Humanidade na parte média da Atlântida em cuja época o Espírito penetrou nos veículos humanos. Depois o ouro foi adulterado, perdeu-se e foi à causa de toda a tristeza sobre a Terra. Os Alquimistas dizem ser possível transmutar os metais baixos ou vis em ouro puro; este é o modo espiritual de dizer que eles queriam purificar o Corpo Denso, refiná-lo e extrair dele a essência espiritual, pela sublimação dos instintos, e não pela sua supressão ou pelo recalcamento.

Portanto, o presente de um dos reis Magos, o ouro, simboliza o Espírito puro.

A Mirra é extraída duma planta aromática, cultivada na Arábia. Por esse motivo simboliza aquilo que extraímos de nós mesmos quando nos purificamos, libertando o nosso sangue da paixão que nos consome. Deste modo, nos convertemos em algo semelhante às plantas, na nossa castidade e pureza. Então, o nosso Corpo Denso se torna uma essência aromática. É certo que existem homens e mulheres tão santos que emitem de si um aroma agradável, e daí dizer-se que morreram em odor de santidade. A mirra representa a essência da alma, extraída da experiência realizada enquanto se vive em Corpos Densos. Por isso ela simboliza a Alma.

O incenso é uma substância física de um caráter muito sutil e usada muito amiúde, nos serviços religiosos, onde serve de veículo físico para as forças invisíveis, simbolizando assim o Corpo Denso.

Esta é a chave dos três presentes oferecidos pelos Magos, ou seja: o Espírito, a Alma e o Corpo.

Cristo afirmou: ” Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens” (Mt 19:21). Não deve ficar com coisa alguma. Tem que dar o Corpo, a Alma e o Espírito, tudo, pela Vida Superior para Cristo, não para um Cristo exterior, mas para o Cristo Interno, o Cristo que está dentro de cada um de nós. Os três Magos, segundo diz a lenda, eram: um amarelo, outro negro e outro branco. Representavam as três Raças existentes sobre a Terra: a Mongólia – amarela; da África – a negra; e do Cáucaso – a branca. A lenda demonstra que seu tempo todas as Raças se unirão na benéfica Religião do Cristo, porque “diante d’Ele todo o joelho se dobra” (Rm 14:11). E cada um, a seu tempo, será guiado pela Estrela de Belém.

(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – dezembro/1968 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: O Anel de Nibelungo é, na mitologia nórdica, um anel mágico que daria ao seu portador um grande poder. Na Fraternidade Rosacruz, essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.

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Pergunta: Quais foram os presentes dos Reis Magos?

Resposta: A Bíblia nos diz que eram ouro, mirra e incenso. O ouro sempre foi considerado o símbolo do Espírito nas antigas lendas e na simbologia. Na história do Anel dos Niebelungos, dramatizada por Wagner, nós observamos como as donzelas do Reno brincavam com o elemento aquoso no fundo do rio Reno. A água era iluminada pela chama do ouro. Essa lenda nos reporta ao tempo em que esses filhos da névoa viviam nas maravilhosas condições da primitiva Atlântida, onde formavam uma vasta fraternidade, inocentes e infantis, e o Espírito Universal ainda não havia interpenetrado nos corpos separados.

O ouro que jazia sobre a rocha, no fundo da água, era o símbolo do Espírito Universal iluminando toda a Humanidade. Mais tarde, ele é roubado e fundido num anel por Alberico, o Niebelungo, que renega o amor para possuir esse ouro. Então, se torna o símbolo do Ego separado na presente Era sem amor e de egoísmo. O ser humano que se tornou sábio e percebe os males do egoísmo oferece ouro ao Cristo, como um símbolo de seu desejo de retornar ao Espírito Universal do Amor.

O segundo presente, a mirra, é uma planta aromática muito rara e escassa que cresce na Arábia. É o símbolo da Alma. Dizem as lendas dos santos que ao se santificarem eles exalavam um aroma. Isso é considerada uma fábula piedosa, mas é um fato real que um indivíduo pode se tornar tão santo que passe a exalar um aroma delicioso.

O terceiro presente, o incenso, é um símbolo do Corpo Denso, que foi eterizado por uma vida santa, pois o incenso é um vapor físico. O ministro do interior da Sérvia, um dos conspiradores que planejou o regicídio nesse país há menos de uma década, escreveu suas memórias. Parecia, segundo ele, que quando queimavam incenso no momento em que convidavam as pessoas para se juntar em sua conspiração, invariavelmente conseguiam convencê-los. Ele não sabia o porquê, simplesmente mencionou isso como uma curiosa coincidência. Mas, para o ocultista o assunto está claro.

Nenhum espírito pode trabalhar num determinado Mundo sem um veículo feito do material desse Mundo. Para funcionar no Mundo Físico, para ir e vir, necessitamos ter um Corpo Denso e um Corpo Vital; ambos feitos dos vários graus de matéria física – sólidos, líquidos, gás e Éter. Podemos obter tais veículos pelo método comum, passando pelo útero até o nascimento, ou podemos extrair o Éter do Corpo Vital de um médium e usá-lo temporariamente para se materializar, ou ainda usar a fumaça do incenso.

Assim, constatamos que os presentes dos Reis Magos são o Espírito, a Alma e o Corpo, dedicados ao serviço da Humanidade. Dar-se é imitar Cristo, e seguir Seus passos.

(Pergunta nº 95 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

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