Categoria Treinamento Esotérico

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Folheto: A Ciência de Morrer

A CIÊNCIA DE MORRER

O Espírito é imortal

A expressão “morte” refere-se somente à forma. O espírito é imortal. Nascimento e morte são, também, termos relativos; o que chamamos morte é, realmente, um nascimento no mundo espiritual, e o que chamamos nascimento é, temporariamente, uma morte no mundo espiritual.

De que maneira acontece a ruptura da morte? Quando esgotamos as possibilidades de uma vida é necessário passar às esferas superiores pelo processo da morte, tão geralmente temida sem razão. O chamado Átomo-semente do Corpo Denso, o físico, está localizado no coração. Esse Átomo-Semente é chamado, na linguagem Rosacruz, “O Livro de Deus”, porque todas as experiências de nossas vidas passadas estão nele inscritas. Este Átomo especial é permanente e será levado conosco através de todas as existências futuras, formando a base da nossa individualidade por toda a eternidade. A morte é ocasionada pela ruptura da união entre o Átomo-Semente e o coração. Depois da morte as forças inerentes ao Átomo-Semente e aos veículos superiores, como o Corpo Vital, o Corpo de Desejos e a Mente, abandonam o Corpo Denso pelo alto da cabeça. Contudo, o

Espírito e os veículos superiores permanecem em contato com o Corpo Denso, por meio do Cordão Prateado, durante uns três dias e meio, aproximadamente. O Cordão Prateado é tríplice: um segmento é constituído de Éter, outro de matéria de desejos e o outro de matéria mental. Esses segmentos estão ligados aos Átomos-sementes dos respectivos veículos. A ruptura entre o Átomo-semente do Corpo Denso e o coração ocasiona a sua paralisação (morte clínica), mas o corpo ainda não está morto: a morte sobrevirá depois da ruptura do Cordão Prateado.

Como é feita a retrospecção da última existência terrena? Neste lapso de tempo efetua-se um processo importante: a retrospecção do panorama da vida recém finda e a consequente gravação no Corpo de Desejos das imagens contidas nesse panorama. Durante a vida o Éter Refletor do Corpo Vital age como uma placa sensível em que são registrados todos os pensamentos, emoções, incidentes e circunstâncias da vida. O Éter inspirado na respiração leva consigo essas imagens que, por meio do sangue, se imprimem no Corpo Vital. Elas constituirão a base da experiência depois da morte. Durante um período de uns três dias e meio depois da

morte o Ego se concentra neste panorama que se desenrola perante ele, mas em ordem inversa, isto é, os incidentes da última parte da vida são os que aparecem primeiro no panorama. Se a concentração do Ego é profunda e não perturbada por ruídos, ou incômodos de nenhuma espécie, o registro é feito de modo profundo e claro e o Espírito estará em situação de assimilar a totalidade do valor espiritual da vida que acaba de terminar. Porém, se o Espírito é perturbado pelas emoções, prantos ou lamentações de parentes, ou pelo tumulto de um campo de batalha, sua concentração é perturbada e as experiências da vida gravam-se ligeiramente ou deixam mesmo de serem gravadas totalmente no Corpo de Desejos. Nesse caso, essa vida fica praticamente perdida, ou seja, perdem-se as experiências que, normalmente, teriam sido adquiridas. Devemos ter o máximo cuidado de cercar o recém desencarnado de um ambiente de tranquilidade, de maneira que não se perturbe essa retrospecção do panorama de sua vida, uma vez que dela dependerão o desenvolvimento da consciência e o incentivo para uma boa conduta nas vidas futuras.

A separação dos Éteres Superiores e Inferiores Outro processo que ocorre, simultaneamente, é a separação dos Éteres.

Os dois Éteres superiores, o Refletor e o de Luz, que formam o Corpo-Alma, como aprendemos na Fraternidade Rosacruz, separam-se dos inferiores, o Éter Químico e o de Vida. Ligam-se aos veículos superiores e atravessam com esses os Mundos mais elevados, atuando como base da consciência nesses Mundos, enquanto, os Éteres inferiores ficam com o Corpo Denso, desintegrando-se com ele. Quando há perturbação em volta do corpo, durante o período da retrospecção da vida, esta divisão dos Éteres não se efetua convenientemente. Não se deve dar estimulantes aos moribundos porque esses lhe causam sofrimentos. Os estimulantes fazem-no voltar violentamente para dentro do corpo os veículos superiores e mantém a agonia do indivíduo durante horas e dias, quando de outra maneira, podia deixar o corpo sem maior sofrimento. Nunca se deve empregar estimulantes nos casos em que se vê, claramente, que a vida não pode se prolongar mais que algumas horas, ou dias.

Os cuidados com o corpo após a morte Depois da morte, o corpo deveria ser colocado numa câmara frigorífica, durante três dias e meio. Deveria se evitar a embalsamação ou qualquer tipo de autopsia

porque perturba a retrospecção panorâmica. Igualmente, deveria se evitar a cremação nesse período, visto o Espírito estar, ainda, em contato com o corpo, por meio do Cordão Prateado e, assim até certo ponto, qualquer mutilação do corpo provoca dor. A cremação prematura dissipa os Éteres e destrói a recordação panorâmica que esses contêm. Contudo, depois de três dias e meio a cremação é aconselhável porque desintegra o Corpo Denso, e os dois Éteres inferiores, com seu magnetismo residual, deixando o Espírito totalmente liberto, para seguir para os Mundos suprafísicos.

No caso de sepultamento, o magnetismo do corpo e os Éteres inferiores ligam o Espírito à Terra, durante um tempo variável, geralmente até que a decomposição chegue a um estado avançado ou se complete. Isso retarda o progresso do Espírito por alguns anos.

Conhecendo os fatos que se referem à morte, segundo determina a Filosofia Rosacruz, e utilizando devidamente esse conhecimento, podemos prestar grande serviço aos amigos e conhecidos que presenciamos as suas mortes. Igualmente, podemos deixar instruções para que os outros nos prestem este mesmo serviço quando chegar a nossa hora de cortar as amarras que nos prendem à vida física.


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Folheto: Efeitos das Bebidas Alcoólicas, Drogas e do Fumo

Essa Vida é uma de muitas outras Vidas

Através dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, relatados por Max Heindel, é-nos ensinado que essa vida é uma entre muitas outras vidas na qual o ser humano, como Espírito Virginal, se prepara para a parte que assumirá no drama cósmico como um colaborador de Deus.

Muitas experiências foram necessárias para nos preparar para o nível de consciência que agora possuímos, e nosso progresso contínuo depende do uso que fizermos de nossos atuais Corpos Densos (o físico) em seus relacionamentos com o crescimento de nossos veículos espirituais.

Um corpo fraco não pode manter a vibração mais elevada, que acompanha qualquer crescimento espiritual, e é somente por meio do crescimento espiritual que a atual geração pode preparar-se para a próxima Era de Aquário.

Visto que nossos próximos renascimentos podem se realizar durante essa Era, é necessário que façamos essa preparação ou seremos incapazes de competir com seres que renasçam em um nível mais elevado, pois eles estão se preparando para o evento que se aproxima. O fracasso, nessa vida, pode significar que renasceremos na próxima vida como membros de um grupo de um povo inferior.

Muitos fatores estão envolvidos no desenvolvimento espiritual. Essa dissertação, no entanto, será limitada à discussão do que, pelo uso contínuo, é prejudicial ao progresso de uma pessoa, a saber: bebidas alcóolicas, drogas e fumo. Sua importância está no fato de que eles podem impedir ou inverter a evolução do indivíduo. Centenas de livros têm sido escritos sobre os efeitos que essas substâncias têm sobre o Corpo Denso e, diariamente, aparecem artigos na internet, em jornais e revistas alertando sobre os problemas que podem resultar o seu uso prolongado.

Vamos assinalar as implicações espirituais que devem ser consideradas depois que todos os aspectos de ordem física foram estudados. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o Corpo de Desejos e a Mente estão nos primeiros estágios do desenvolvimento evolutivo.

Nosso crescimento depende do trabalho que fizermos para obter controle desses importantes veículos. O uso de qualquer substância que enfraqueça nosso controle sobre esses veículos nos impede de exercer a necessária disciplina para aprender as lições para as quais renascemos agora – lições que devem ser aprendidas, se pretendemos continuar em nosso progresso para cima e para frente. Isso quer dizer que devemos empregar todo esforço para obter controle do Corpo de Desejos e da Mente.

As Bebidas Alcóolicas e Nossa Evolução

Através da descida do Espírito humano na matéria, substâncias foram introduzidas na dieta do ser humano para capacitá-lo a prosseguir nos sucessivos passos de sua evolução, para baixo e para frente. As bebidas alcóolicas foram uma dessas substâncias. Antes da quinta Época ou Época Ária da evolução da Terra, o ser humano conservava alguma visão espiritual, que era sua herança como um Espírito em evolução e, dessa maneira, ele estava ciente de ser um ser espiritual. Até essa Época a água era usada como a principal bebida; então, se tornou necessário que o ser humano perdesse sua visão espiritual para que se tornasse incapaz de ter consciência de sua existência espiritual. Somente dessa maneira ele seria capaz de conquistar o Mundo Físico (esse que vemos) e aprender as lições necessárias, orientadas assim só para a matéria.

Para preencher essa parte do destino do ser humano “Baco”, o Deus do vinho, apareceu e sob sua influência até mesmo as nações mais avançadas esqueceram que as pessoas eram também súditas de uma vida mais elevada.

Mais tarde, Cristo Jesus transformou água em vinho que, nessa época, estava sendo usado pela humanidade em evolução. O próprio Cristo Jesus era um ser altamente evoluído e não precisava aprender as lições que eram tão necessárias para a humanidade. Ele não precisava de vinho, e não há nenhuma passagem na Bíblia que afirme que Jesus bebeu o vinho.

É tempo, agora, do ser humano começar a subir o caminho da evolução e se encaminhar em direção à consciência de Cristo – isto é, de desenvolver sua perdida visão espiritual.

Desde que as bebidas alcóolicas foram usadas para capacitar o ser humano a esquecer seu Eu superior, ninguém que alimente o corpo com elas (produto de fermentação e deteriorização) poderá saber alguma coisa sobre os reinos espirituais. A próxima Era de Aquário exigirá que o ser humano tenha conhecimento do seu Eu superior, e aquele que não se preparar para renascimentos futuros, procurando desenvolver a visão espiritual, será incapaz de competir com o ser humano superior renascido nessa época e terá dado um passo para trás na evolução.

Todas as formas de bebidas alcoólicas devem, portanto, ser eliminadas da dieta daqueles que desejam continuar na espiral ascendente. Qualquer pessoa afortunada, que hoje possua visões ocasionais dos Mundos espirituais, pode arriscar o nível que alcançou por seu trabalho em vidas anteriores pelo contínuo uso desse tipo de bebida e chegará à Era de Aquário incapaz de ocupar esse lugar conquistado.

O Uso das Drogas Lícitas e Ilícitas

O uso de drogas ocupa seu lugar como um companheiro das bebidas alcoólicas, quando o desenvolvimento espiritual do ser humano é levado em consideração. Ao explorar o difundido uso de drogas na sociedade de hoje, vemos que a necessidade para seu uso gira em torno de três fatores: 1) alívio de dor; 2) tédio: 3) a esperança de experimentar revelação espiritual.

No Conceito Rosacruz do Cosmos, Max Heindel nos diz que o objetivo da vida não é a felicidade, mas a experiência. Em nossa luta por aquilo que achamos ser o melhor do lado material da vida, deixamos que nossos desejos nos levem pelos caminhos do prazer, do bem-estar e no conforto. Então, muitas vezes, falhamos em cumprir o objetivo de nossa existência, a saber, ganhar experiência.

Quando abusamos de nossos corpos, ficamos sujeitos à dor, que é a maneira da Natureza nos dizer que o mau uso que fizemos deles foi longe demais e que é tempo de inverter as condições que resultaram em nosso desconforto. Muitos ignoram esse aviso da Natureza e, preferindo uma saída mais confortável, recorrem ao uso de drogas. A tragédia é que, estando sem vontade de fazer uma tentativa honesta para procurar corrigir a causa, não param aqui. Aceitam o alívio temporário que é proporcionado e permitem que seus corpos acumulem uma quantidade cada vez maior de toxinas.

Assim, criam uma condição que requer o uso cada vez mais frequente de drogas, até que são forçados a agir somente através desse meio altamente tóxico; e uma pessoa dominada assim pela droga tem pouca oportunidade de realizar crescimento espiritual nessa vida.

Esse crescimento exige que o Corpo Denso e a Mente estejam puros e saudáveis para que deem ao veículo espiritual a disciplina necessária, como uma preparação para o trabalho que têm a realizar. Somente o próprio indivíduo pode efetuar as condições que assegurarão a ele um crescimento contínuo. Ele deve, portanto, evitar o uso de drogas ou qualquer outra substância que irá interferir no trabalho do cérebro. Nossa sociedade é afligida hoje por uma condição auto-imposta chamada tédio que se tornou um dos maiores problemas do ser humano enquanto ele tenta realizar o destino de sua presente vida.

O consumo de calmantes, soníferos e pílulas estimulantes aumentou muito e atinge um grande grupo da família humana. Esse uso poderia ser eliminado se o indivíduo envolvido procurasse viver como um membro cooperante da sociedade. Ao invés de chafurdar-se em sentimentos de

autopiedade, ele deveria procurar abrir seu coração para seus semelhantes e tentar encontrar a paz que ele almeja por seu serviço à humanidade. Em nível mais alto, os barbitúricos (sedativos) e as anfetaminas (estimulantes) produzem um efeito mais potente. Está confirmado que essas drogas afetam o sistema nervoso central. De forma diferente dos animais, que são governados pelos Espíritos Grupos e, portanto, reagem todos da mesma maneira às drogas, o ser humano é individualizado e não há nenhuma forma de determinar, com certeza, os efeitos colaterais sobre o corpo.

Esses podem ser mínimos ou sérios, dependendo do nível de desenvolvimento espiritual de cada um. Podemos, no entanto, ter a certeza de que, em todos os estágios, o efeito será o de diminuir ou retardar o crescimento espiritual presente e futuro. Drogas como maconha, cocaína, heroína, LSD e outras similares, usadas especialmente pela geração mais jovem para produzir uma assim chamada “alta” ou “viagem”, são, realmente, as mais perigosas. Para compreender porque o jovem é suscetível ao uso dessas drogas que deixam a Mente confusa, é necessário compreender que ele pode estar na idade onde nasce o seu Corpo de Desejos (mais ou menos aos 14 anos) ou a sua Mente (mais ou menos aos 21 anos). Essa é a época em que ele determina os limites de sua capacidade e vê o quanto pode desafiar o “status quo”. Muitos jovens estão desejosos de testar os limites de sua capacidade de adaptação.

Outros desejam revelação espiritual, que acreditam poder ser induzida pelo uso de drogas. Nesse período crítico na vida do indivíduo, frequentemente falta-lhe a confiança e o carinho de um companheiro mais velho que poderia orientá-lo nesse momento difícil. Para muitos jovens de hoje, essa é uma época de sofrimento e de erro, um período de crescimento cego. As drogas oferecem uma saída, mas, com o tempo, revelarão ser uma saída errada.

Sendo alucinatórias, não trazem os resultados desejados; ao contrário, colocam o Aspirante em perigo de ser controlado por espíritos indesejáveis, de destruir o Corpo Denso e de se expor a efeitos extremamente prejudiciais sobre seus corpos espirituais.

Qualquer dano a esses veículos pode exigir mais existências para restaurá-los à adaptabilidade que eles originalmente tinham. Isso significa um recuo certo na evolução.

Portanto, uma pessoa que tenha feito muito progresso em renascimentos anteriores poderá perder o valor do árduo trabalho precedente ao afetar seriamente os atuais instrumentos da vida.

O Fumo e o dano ao Corpo-Alma

O terceiro membro do trio é o fumo, uma mistura complexa de gases, líquidos e partículas sólidas. Não só encontramos muitos componentes químicos no fumo, como também muitos mais são criados à medida que as substâncias se queimam. Qualquer componente pode produzir efeitos prejudiciais sobre o corpo; juntos, podem significar um desastre. Em comentários anteriores, ressaltamos que nosso interesse não é somente com os efeitos sobre o Corpo Denso, mas também sobre os corpos espirituais.

Nossa evolução como seres espirituais depende da aquisição do Corpo-Alma, o Dourado Manto Nupcial, que é tecido a partir do desenvolvimento dos Éteres superiores. Nenhum progresso pode ser feito nestes Éteres a menos que elevemos as vibrações de nossos Corpos Densos, e isto só pode ser conseguido ao mantermos um corpo tão puro quanto nosso atual desenvolvimento o permita.

Nenhum atleta ou qualquer outra pessoa que precise de um veículo apto por excelência para seu trabalho faria qualquer coisa que fosse sabidamente nocivo para o corpo e para a Mente. Para a pessoa que escolhe seguir o caminho espiritual, a necessidade de abstinência é muito maior, uma vez que toda faculdade do cérebro é necessária para aprender a controlar a Mente.

Ninguém com um cérebro confuso pode esperar alcançar algum sucesso duradouro, apesar do esforço que empregue para elevar seu nível de consciência.

O Aspirante não só deve abster-se do uso do fumo, como também precisa tentar evitar, se possível, lugares frequentados por fumantes, uma vez que estão expostos aos vários compostos que são produzidos ao se queimar a substância, assim como ao material exalado pelo fumante. Em resumo, repetimos que, como seres renascidos, deveríamos estar preocupados com o desenvolvimento dos instrumentos do Ego, a saber: o Corpo Denso físico, o Corpo Vital, o Corpo de Desejos e a Mente. A qualidade e a condição desses instrumentos determinarão quanto o Ego poderá realizar em seu trabalho de acumular experiências na escola da vida.

As bebidas alcoólicas, as drogas e o fumo têm um efeito nocivo sobre esses veículos, a ponto de o crescimento espiritual do indivíduo e seu progresso no caminho da evolução poderem ficar seriamente retardados por esses vícios.

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Panfleto: Aura Protetora

Os instrutores da Ordem Rosacruz instruem seus alunos com respeito a criarem e manterem a “Aura Protetiva”, que é um abrigo para a Alma, a Mente e o Corpo contra as influências malignas dirigidas para eles, consciente ou inconscientemente. Essa Aura proporciona um simples, mas muito poderoso meio de proteção contra todas as influências psíquicas adversas, todos os tipos de magnetismo mental mal-intencionado, toda magia negra, etc., e é, também, uma armadura eficaz contra o vampirismo psíquico ou a drenagem da força magnética.

A formação da “Aura Protetora” é muito simples. Consiste somente da formação de uma imagem mental (acompanhada por uma força de vontade) de si mesmo sendo rodeado por uma Aura pura e clara de LUZ branca – o símbolo e a evidência do Espírito. Com um pouco de prática você se capacitará, efetivamente, a sentir a presença e o poder dessa “Aura Protetora”. A LUZ branca é a irradiação do ESPÍRITO, e o ESPÍRITO é o mestre de todas as coisas.

A LUZ branca nunca deve ser utilizada para atacar alguém e, muito menos, para obter alguma vantagem pessoal, mas somente para se proteger contra influências psíquicas adversas, não importando de onde, nem de quem sobrevenham. É a armadura do ESPÍRITO, e pode ser empregada sempre que ocorra a necessidade para tal.

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Folheto: A Morte Não Existe

Teorias Antiquadas

Libertemo-nos das teorias antiquadas. O morto não salta subitamente para dentro de um céu impossível, nem cai num inferno mais impossível ainda. De fato, não existe inferno naquele sentido tradicional, no sentido impróprio da palavra.

Não há inferno

Decididamente, não há inferno em parte alguma e em nenhum sentido, a não ser aquele que o ser humano prepara para si próprio.

Convém compreender que a morte não produz qualquer diferença no ser humano; que esse não se transforma repentinamente em um santo ou Anjo; e que nem é dotado de um momento para outro de toda a sabedoria dos tempos; que no dia seguinte a sua morte é justamente o mesmo ser humano anterior a ela, isto é, com as mesmas emoções, a mesma disposição de espírito, o mesmo desenvolvimento intelectual, etc. A única diferença é que deixou de ter um corpo físico, um Corpo Denso.

A morte não muda você

Convém compreender que a morte não produz qualquer diferença no ser humano; que esse não se transforma repentinamente em um santo ou Anjo; e que nem é dotado de um momento para outro de toda a sabedoria dos tempos; que no dia seguinte a sua morte é justamente o mesmo ser humano anterior a ela, isto é, com as mesmas emoções, a mesma disposição de espírito, o mesmo desenvolvimento intelectual, etc. A única diferença é que deixou de ter um corpo físico, um Corpo Denso. Procure refletir cuidadosamente sobre o que isso significa. A ideia decorrente é que a morte equivale à libertação absoluta da dor e da fadiga, como também de deveres enfadonhos; que a morte liberta integralmente o indivíduo (provavelmente pela primeira vez), de maneira a permitir-lhe fazer exatamente o que bem lhe aprouver. Na vida física, em geral, a humanidade acha-se constantemente constrangida. A não ser que pertença a uma pequena minoria privilegiada em recursos materiais, vive sempre sob a constante pressão do trabalho a fim de conseguir dinheiro necessário à compra de seus alimentos, roupas e abrigo para si próprio e sua família.

Raros são os casos – como os dos artistas e músicos – em que o trabalho do ser humano se constitui em algo aprazível. Regra geral é uma forma de atividade a que o ser humano certamente não se dedicaria se a tal não fosse forçado.

Nos Mundos espirituais o dinheiro é desnecessário. Nem comida e abrigo são necessários também, porque a glória, o conforto e a beleza desse mundo são franqueados a todos, independentemente de qualquer retribuição. Na matéria rarefeita desse mundo, o ser humano se transporta em seu corpo espiritual para cá e para lá, consoante a sua vontade. Aquele que ama as belas paisagens, as florestas, os regatos, o mar, pode apreciá-los a seu bel-prazer nos pontos mais pitorescos da Terra; o que ama a arte pode dedicar todo o seu tempo à contemplação das obras-mestras dos maiores artistas; o músico pode ouvir as melhores e principais orquestras do mundo, como pode ainda empregar todo o seu tempo ouvindo os mais célebres virtuoses.

obras-mestras dos maiores artistas; o músico pode ouvir as melhores e principais orquestras do mundo, como pode ainda empregar todo o seu tempo ouvindo os mais célebres virtuoses. Nesse plano o ser humano tem plena liberdade de devotar-se inteiramente àquilo que houver sido a sua predileção particular no Mundo Físico e desfrutá-la ao máximo, desde que o gozo seja mental ou pertença ao plano das emoções superiores, e que para ser satisfeito não exija a posse de um Corpo Denso, o físico.

Disso resulta, por conseguinte, que todos os seres humanos corretos, sensatos e bons serão infinitamente mais felizes depois da morte do que o foram antes dela, pois dispõe de muito tempo não só para recriarem nobremente o espirito, como também para progredirem real e satisfatoriamente nos conhecimentos que mais lhe interessem.

Contudo, nesses Mundos espirituais não há infelizes? Há, sim, porque a vida no Além é naturalmente uma continuação dessa, sendo o ser humano, em todos os sentidos, o mesmo ser humano que fora antes de deixar seu corpo físico, o seu Corpo Denso. Assim, se os seus prazeres nesse Mundo Físico eram inferiores, ele não achará naqueles Mundos meios de satisfazer seus desejos. Um alcoólatra, por exemplo, sofrerá horrores porque já não possuí um corpo por meio do qual possa mitigar sua ardente sede. O glutão sofrerá pela falta dos prazeres da mesa. O avarento não mais poderá juntar ouro material. O ser humano que durante sua vida terrena cedia às paixões indignas, sentirá as mesmas lhe minando a vitalidade; o sensual continuará a fremir, acicatado por desejos que não mais poderão ser saciados; o ciumento ainda será atormentado por seus ciúmes, e tanto mais quanto se acha incapacitado para interferir nas pessoas e objetos de seus desejos.

Não há dúvida que os seres humanos sofrem muito nessas condições, mas também é certo que sofrem só aqueles cujas inclinações e paixões foram más e de natureza material. E até estes têm sua sorte totalmente dependente da própria vontade, de modo que basta eliminarem tais inclinações inferiores, que poderão se libertar imediatamente do sofrimento decorrente.

Isso não é uma punição, mas o resultado natural de uma causa definida. De modo que, muito embora, não de imediato, mas tão depressa quanto se tenha esgotado a energia do motivo gerador, basta remover a causa para cessar o efeito.

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Oração pela Cura

Nosso Pai Celestial

Nosso Médico Eterno,

Se está de acordo com Tua vontade,

Deixa que Tua Divina Força Curadora

Penetre cada átomo de nosso Templo,

Para ser usada pelos Irmãos Maiores e os Auxiliares Invisíveis

Na cura da Humanidade.

Nosso Pai Celestial,

Nosso Médico Eterno,

Se está de acordo com Tua vontade,

Que todos aqueles entre nós, que tenham

Suas Mentes claras e seus corações humildes,

Possam se converter em canais da Tua Divina Força,

Na cura do doente e do enfermo.

Nosso Pai Celestial,

Nosso Médico Eterno,

Se está de acordo com Tua vontade,

Deixa que a Panaceia Curadora seja elaborada aqui

Para ser administrada por aqueles

Que sejam espiritualmente dignos,

Para servir nesse trabalho,

Numa dádiva à Humanidade sofredora.

Nosso Pai Celestial,

Nosso Médico Eterno,

Se está de acordo com Tua vontade,

Que Tua Luz e Teu Amor nos guiem e

Nos orientem sempre,

Fortalecendo-nos para seguir

Os mandamentos de Cristo

Na cura do doente e do enfermo.

Nosso Pai Celestial,

Nosso Médico Eterno,

Se está de acordo com Tua vontade,

Deixa que o vínculo que une nosso Templo

Com Teu Divino Plano Curador,

Seja fortalecido ainda mais

Com as Orações de Amor e de Cura

Dos Irmãos e das irmãs de todo o mundo.

Nosso Pai Celestial,

Nosso Médico Eterno,

Agradecemos-Te o privilégio de seguir

Os mandamentos de Cristo que nos colocaram

Nesse caminho de serviço humilde e não egoísta

Que levará a cura e a iluminação a todos os Nossos irmãos, e apressará

O dia da libertação do Nosso Redentor,

E a Fraternidade de todos os nossos irmãos na Terra.

Assim seja

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Folheto: Como os Rosacruzes curam os Enfermos

O Trabalho Rosacruciano de Cura

O trabalho Rosacruciano de curar1 é realizado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz por meio de um grupo de Auxiliares Invisíveis, que trabalham sob a instrução deles. O trabalho é executado de acordo com os mandamentos de Cristo aos seus Discípulos: Pregai o Evangelho e curai os doentes.

Os Irmãos Maiores

São seres de um nível muito elevado de espiritualidade, por meio dos quais o Espírito de Cristo está trabalhando para o bem da humanidade.

Os Auxiliares Invisíveis

Os Auxiliares Invisíveis são aqueles que levam, durante o dia em seu corpo físico, uma vida consagrada ao serviço amoroso e desinteressado à humanidade e que chegaram a um grau de desenvolvimento tal que, ao mesmo tempo, merecem o privilégio de serem, durante a noite enquanto funcionam em seus Corpos-Almas, colaboradores por meio da instrumentalidade dos Irmãos Maiores. Isso está indicado nas seguintes palavras do Serviço Noturno da Fraternidade Rosacruz: “Essa noite, enquanto nossos corpos físicos descansam serenamente em seu sono, possamos nós, como Auxiliares Invisíveis, continuar trabalhando fielmente na ‘vinha do Cristo’”. Esses Auxiliares Invisíveis são organizados em grupos, de acordo com seu temperamento e suas habilidades. Eles estão sob a instrução de outros Auxiliares Invisíveis que são médicos, e todos eles trabalham sob a direção dos Irmãos Maiores que, naturalmente, são os espíritos responsáveis por todo o trabalho. É muito frequente os pacientes sentirem a presença dos Auxiliares Invisíveis.

 Viver uma Vida Pura é Necessário para a Cura Os Auxiliares Invisíveis nunca recusam responder um pedido de auxílio; mas, para corresponder à Força Curadora Divina os pacientes devem adotar o evangelho de uma vida reta. Eles devem observar uma dieta alimentar sem carne animal (vermelha, ave, peixes, répteis, anfíbios), na medida em que isso for possível. Entretanto, a carne animal deve ser retirada da dieta alimentar gradualmente, a fim de eu o corpo possa ir se ajustando com a mudança alimentar. Os pacientes devem manter os lugares onde vivem e dormem com ar puro, ou seja,

arejados; devem nutrir suas Mentes apenas com pensamentos puros e levar uma vida dedicada a ações puras. A Força Curadora divina é pura. Se alguém pede por ela, com o objetivo de amenizar as suas doenças, ele ou ela deve estar disposto a viver de acordo com as Leis da pureza: ar puro, alimentação pura, pensamentos puros e uma vida pura! Se o paciente ignora esses grandes fatores que promovem a saúde, ele pode ter apelado inutilmente para a Força Curadora divina.

A Força Curadora

Toda a Força Curadora provém de Deus, nosso Pai Celestial, o Grande Médico do Universo; ela está latente em toda parte; ela é liberada e dirigida para o sofredor por meio da oração e concentração; ela se manifestava por meio do Mestre, Cristo Jesus; ela emana nos Rituais dos Serviços de Cura que são oficiados todas as semanas em todos os Centros da Fraternidade Rosacruz no mundo. Por meio das atividades dessa suprema Força, os Auxiliares Invisíveis elevam o ritmo vibratório do paciente até um grau conveniente, habilitando-o, assim em primeiro lugar, a expelir de seu organismo os venenos da enfermidade e, em segundo lugar, a reconstruir cada corpúsculo de sangue, fibra e órgão, até que todo o corpo esteja renovado. Isso é feito, não de uma maneira miraculosa, mas de acordo com as Leis da Natureza. Se o paciente continua violando essas Leis e, por meio de uma vida incorreta, acumula substâncias venenosas em seu organismo, ele frustra o trabalho de cura.

A Causa da Doença

O maravilhoso organismo que chamamos corpo humano é regido por Leis naturais imutáveis. Todas as enfermidades resultam da violação das Leis da Natureza, seja conscientemente ou por ignorância.  

As pessoas ficam doentes porque, na vida presente ou nas anteriores não considerou os princípios fundamentais dos quais dependem a saúde do corpo. Se as pessoas desejam recobrar e conservar a saúde, devem aprender a compreender esses princípios e harmonizar nossos hábitos diários em conformidade com eles. Essa é a mensagem do Mestre Curador, Cristo Jesus, quando disse ao homem paralítico curado: “Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior!” (Jo 5:14). Nem mesmo Cristo

podia conceder uma saúde perfeita permanente se aquele que a recebia, por meio da Força Curadora, não renunciasse aos maus hábitos causadores da enfermidade. O paciente tinha que viver em obediência às Leis estabelecidas por Deus, que governam o corpo do ser humano e os seus relacionamentos com os seus semelhantes.

O Direito à Saúde

Algumas pessoas “exigem” uma saúde perfeita e acreditam ter direito a ela. Esquecem que nessa existência ou em outra anterior perderam esse direito que lhes foi dado por Deus, por terem desobedecido às Leis da Natureza, que são as Leis de Deus. Por meio do sofrimento elas têm que aprender a obediência. Quando tenham aprendido essas lições e estiverem dispostas a “não mais pecar”, então seus direitos à saúde serão restituídos.

As Violações das Leis da Saúde

A Força Curadora Divina é construtiva; os métodos errados de viver que negligenciam as Leis da Natureza são destrutivos.

As omissões e transgressões, responsáveis por uma vida errada e, consequentemente, pelas doenças são muitos. Aqui citaremos as principais: alimentação não natural; excesso de alimentação; alimentação que favorece a doença; falta de ar puro e de sol; falta de higiene; falta de exercícios físicos; falta de descanso e de bom sono; falta de domínio sobre si mesmo; dormir em quartos não ventilados; guardar e manter pensamentos de medo, raiva, ódio e ressentimento; ceder à tentação de ficar com raiva de repente e facilmente; gratificar desejos inferiores; maltratar outros seres vivos, sejam eles humanos ou animais; abuso da sagrada função geradora.

 Desde que todos os órgãos do corpo, com suas funções respectivas, são interdependentes, o abuso e a consequente aflição de uma das partes prejudica todas as outras partes, contribuindo para acumular os venenos da enfermidade em todo o sistema, diminuindo a vitalidade de todo corpo. Os sintomas locais são, na verdade, a evidência de que todo o corpo está enfermo. Por isso, toda a cura verdadeira, para ser duradoura, não é dirigida para eliminar os sintomas, mas para a remoção da causa que fez os sintomas aparecerem.

A Cura Espiritual

A cura espiritual opera nos planos superiores do nosso ser e é efetuada em uma estrita aderência às Leis naturais, que imperam “tanto em cima como embaixo”; consequentemente, todos os métodos de cura naturais que se aplicam no plano físico estão em harmonia com o trabalho dos Auxiliares Invisíveis, nos planos superiores.

A Boa Alimentação é a Medicina Natural

Assim como o corpo é construído por meio das substâncias físicas introduzidas no sangue por nossa alimentação diária, assim uma boa alimentação é a medicina natural que o paciente deve seguir para cooperar com os Auxiliares Invisíveis em suas atividades para reconstruir o organismo.

Os Eflúvios transmitidos nas Assinaturas Semanais

Antes que os Auxiliares Invisíveis possam trabalhar com o paciente, eles devem ter os eflúvios do Corpo Vital dele, que é a contraparte etérica de seu Corpo Denso, o físico, e do campo de ação das forças vitais. Esses eflúvios são obtidos por meio da escrita do paciente, uma vez por semana, onde ele assina e data, no formulário de assinaturas que lhe é enviado, nos dias assinalados, com caneta tinteiro2.

Isso é importante, porque uma pena carregada de líquido é melhor condutor do magnetismo que um lápis ou outro tipo de caneta. O Éter que impregna o papel com a assinatura semanal fornece uma indicação sobre o seu estado de saúde, no momento, e possibilita o acesso ao seu organismo. É algo que ele deu voluntariamente e com o propósito de fornecer o acesso aos Auxiliares Invisíveis. Porém, se o paciente não fizer a sua parte, os Auxiliares Invisíveis são incapazes de trabalhar nele; portanto, veja como é sumamente importante fazer e enviar o formulário com as assinaturas semanais para o Departamento de Cura do Centro Rosacruz que você se inscreveu.

O Tempo Necessário para a Cura

As curas instantâneas são frequentes, quando se recorre aos Auxiliares Invisíveis para ajudar nos casos de doenças agudas. Nos casos de enfermidades crônicas, que demoram muitos anos para se manifestarem, pode se sentir uma certa sensação de alívio imediato; entretanto, um restabelecimento completo, que equivale a uma renovação total do organismo, só é conseguido de uma maneira lenta e gradual. Como dissemos, o trabalho de cura que

realizam os Auxiliares Invisíveis não consiste em suprimir os sintomas da enfermidade, e sim em exercer uma efetiva reconstrução de todo o organismo, e para consegui-lo há necessidade de algum tempo, assim como o fiel empenho e cooperação constante do paciente, das formas que foram indicadas acima.

Reuniões de Cura no Centro Rosacruz

As reuniões de Cura ocorrem nos Centros Rosacruzes quando a Lua transita por um Signo Cardeal no Zodíaco (Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio). A hora fixada para esse serviço devocional é às 18 horas e 30 minutos. A característica dos Signos Cardeais é irradiar energia dinâmica e tornar ativas as obras que se iniciam sob a sua influência e, portanto, os pensamentos de cura emitidos em todo o mundo, por aqueles que querem transmitir sua ajuda, estão dotados de um maior poder, quando produzem seu pensamento misericordioso sob esse impulso cardeal.

Se você gostaria de se juntar a esse serviço devocional de ajuda aos demais, sente-se tranquilamente, quando seu relógio, no lugar onde você estiver, marcar 18 horas e 30 minutos; medite sobre a saúde; feche seus olhos e ore para o Grande Médico, nosso Pai Celestial, focando na restauração da saúde a todos os que sofrem, muito em particular àqueles que hajam solicitado ajuda a um Departamento de Cura de um Centro Rosacruz.

Ao mesmo tempo, visualize o Templo Rosacruz, onde os pensamentos de todos os Aspirantes são, finalmente, recolhidos pelos Irmãos Maiores e usados para o propósito da cura.

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1 N.T.: “healing”, em inglês, que é diferente de “curing”. O problema é que em português traduzimos ambas as palavras por “curar”. Entretanto, o conceito delas é bem diferente. “Curing” significa “eliminar todas as evidências da doença”, “eliminar todos os sintomas” – está mais para remediar; enquanto que “healing” significa curar totalmente: o Espírito, a Alma – aqui restaurar, eliminar a causa suprafísica, pois o Espírito e a Alma nunca ficam doentes (!) – e o Corpo – aqui sim: restabelecer o funcionamento normal da parte afetada, pois essa parte está doente.

2 N.T.: As canetas tinteiros são compostas de uma pena de metal, um sistema de escoamento da tinta e um recipiente que serve de tinteiro, normalmente em forma de cartucho. Qualquer outra que não tenha esse sistema, por exemplo as hidrográficas ou esferográficas, não servem. Isso é muito importante, pois uma caneta carregada de fluído, como é o nanquim da caneta tinteiro, é um condutor de magnetismo muito maior do que um lápis seco ou uma caneta esferográfica ou hidrográfica ou, ainda, qualquer outro tipo de meio de escrita. O Éter, que impregna o papel sobre o qual o paciente escreve, semana a semana, fornece uma indicação de sua condição no momento da escrita, e é uma chave de entrada para acesso à parte (ou -partes) doentes do seu Corpo. Conforme mude o estado do paciente, muda-se o registro.

Se quiser baixar para imprimir:

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Comer Carne de Animais: algumas considerações esotéricas

Comer Carne de Animais: algumas considerações esotéricas

Durante o curso do desenvolvimento esotérico, a resposta do Corpo Denso e dos nossos outros Corpos e veículos a certos alimentos muda. As próprias respostas, sem uma razão abstrata como motivo ou justificativa, podem fazer com que os indivíduos modifiquem sua alimentação, eliminando certos artigos e enfatizando outros.

Essas mudanças dietéticas, muitas vezes, são provocadas pelos próprios efeitos de um estudo esotérico que seja sério, porque na verdade começa a transformar os invólucros humanos. O Corpo Denso, que é inerte e se cristaliza com o tempo, torna-se internamente mais móvel e ativo. Os órgãos individuais tornam-se mais independentes uns dos outros, especialmente o coração, a medula espinhal e o cérebro.

Este ligeiro aumento na autonomia dos órgãos cria um equilíbrio instável que pode ser atribuído a uma indisposição ou doença, quando na verdade é apenas a consciência dessa mobilidade que aumentou, causando a independência dos órgãos (partes do sistema nervoso simpático ou involuntário), que anteriormente não eram sentidos, exceto quando estavam funcionando de forma anormal.

A relação dos humanos com sua alimentação só é devidamente compreendida quando consideramos a sua relação com os outros reinos da natureza. As plantas, como Reino de Vida, “desenvolvem” as substâncias minerais, dando a elas uma organização superior, e as enchem de vida. O inorgânico torna-se orgânico e é impregnado de Éter de Vida.

Embora os humanos não consigam assimilar os minerais com eficiência, em sua forma elementar, eles são organizados fisicamente o bastante para continuar o processo de desenvolvimento no ponto em que as plantas param. Podemos arrancar uma folha ou colher uma maçã, os órgãos de uma planta, e desenvolvê-las ainda mais usando a nossa própria organização fisiológica.

Os animais também continuam esse processo de organizar ainda mais as formas das plantas. No entanto, quando os humanos comem alimentos à base de carne animal (mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios e qualquer outra forma de vida animal), eles deixam sem uso as forças necessárias para processar os alimentos vegetais. Visto que o bem-estar de qualquer órgão consiste em ativar e usar todas as suas forças, comer carne animal é equivalente a dizer: “Vou fazer isso sem usar o braço direito. Vou amarrá-lo de forma que não possa ser usado”.

Da mesma maneira, os comedores de carne animal condenam à inatividade uma certa soma de forças dentro do seu organismo. Os aparelhos não utilizados permanecem inativos, são paralisados, tornam-se endurecidos e são carregados durante a sua vida como um corpo estranho. No entanto, eles permanecem não detectados como tal até que a pessoa embarque no treinamento esotérico, após o que a mobilidade aumentada e a independência dos órgãos internos revelam este “corpo estranho” como uma fonte adicional de inquietação.

Como resultado dessa experiência perturbadora, ao sentir a presença do corpo estranho, as pessoas que iniciaram o treinamento esotérico podem simplesmente parar de comer carne não apenas porque sua sensibilidade é ofendida, mas também porque isso enfraquece uma força viva dentro delas e lhes dá a sensação de que carregam um peso morto em seu interior.

Razões adicionais para a eliminação do alimento à base de carne animal foram totalmente articuladas na literatura da Fraternidade Rosacruz. Elas incluem o seguinte.

  1. Maiores demandas impostas ao corpo, para processar os animais que são altamente organizados e estruturados, exigindo mais energia etérica e bioquímica para a digestão.
  2. Retenção mais curta da força vital e dos nutrientes, devido à desintegração mais rápida do produto animal, resultando a necessidade de refeições mais frequentes ou maiores.
  3. Substâncias insalubres, até mesmo venenosas ou cancerígenas, são introduzidas na ecologia do corpo, produzidas como bioprodutos do metabolismo animal, os catabólicos (os “restos” da digestão: ureia, ácido úrico e amônia), ou resíduos que são transportados no sangue animal e retidos nos fluidos dos tecidos.
  4. A existência de resíduo mais sutil, mas não menos impactante, do Corpo de Desejos do animal nas seguintes formas. (a) Produtos químicos que são nocivos e gerados pelo tratamento antinatural dado ao animal enquanto estava vivo ou pela apreensão da sua morte forçada. (b) A tendência de sentir e agir de maneira mais “animal”, o que entorpece os sentimentos humanos que são mais sutis e estimula a natureza marcial, violenta, até mesmo cruel. Ou, expresso de forma mais esotérica: os alimentos baseados em carne estimulam a vida instintiva da vontade, que atua principalmente nas emoções e paixões.
  5. Considerações de economia e praticidade. A dieta vegetariana é mais barata. Os alimentos vegetais estão universalmente mais disponíveis e são renováveis, tendo a “vida útil” muito mais longa do que os alimentos à base de carne; além disso, são muito menos propensos a ser fonte de contaminação e doença.
  6. A proteinização exagerada na dieta ocidental é a mentira de que a dieta vegetariana seja deficiente em proteínas.
  7. O argumento convincente da conservação da terra, que afirma que determinada área de plantações cultivadas para consumo humano e direto deva ser aumentada dezessete vezes para alimentar animais que fornecerão um valor alimentar equivalente.
  8. A crescente dívida de destino que recai sobre toda a humanidade, como onda de vida, exigirá equilíbrio em algum momento para corrigir as muitas formas de abuso contra os animais e compensar a dependência maciça da onda de vida animal como fonte primária de alimento.

Em última análise, podemos muito bem considerar algo mais pessoal, e até egoísta, que faz com que muitos humanos parem de usar alimentos à base de carne animal em sua dieta. A princípio, pode-se deduzir que a carne animal lute contra o desenvolvimento esotérico. Consequentemente, embora com relutância, fazemos o “sacrifício”.

No entanto, tendo uma vez interrompido esse hábito, agora atávico ou hereditário, descobriremos que, em todos os sentidos, nós e todas as formas de vida somos os favorecidos. Descobrimos também que a veemente resistência à descontinuidade do consumo de carne animal pela população em geral se baseia no medo de perder certos instintos básicos que são valorizados: paixões agressivas e emoções. Erroneamente, é dito que os homens, quando não as mulheres, vão se tornar menos “másculos” e fortes, menos capazes de enfrentar um mundo ameaçador. Quando a realidade e as bênçãos da vida espiritual forem reconhecidas de maneira mais geral, a humanidade perceberá que aquilo que se perde nos instintos mais grosseiros, nas luxúrias de sangue e inclinações egoístas será incomensuravelmente compensado com melhorias na vida interior da alma, com a paz e liberdade conquistadas por vivermos menos adversamente e mais em harmonia com nosso ambiente planetário.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de nov-dez/1995 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Regime Ovo-lacto-vegetariano

O Regime Ovo-lacto-vegetariano

“O vegetarianismo deve ser louvado por todos aqueles que perseguem o ideal da formação e da educação das raças não-belicosas, inteligentes, amantes das artes e, ao mesmo tempo, prolíficas, vigorosas e ativas” — Armand Galtier.

As palavras “regime” e “dieta” vêm do grego e significam disciplina, governo, moderação. Ambas são sinônimas e têm o sentido de governar o apetite, disciplinar os métodos alimentares. Regime alimentar, portanto, é o método usado para programar um sistema capaz de levar ao organismo todas as substâncias necessárias à manutenção, à regeneração e ao desenvolvimento das células orgânicas, visando ao funcionamento perfeito de todos os aparelhos e sistemas cuja euritmia (ritmo harmonioso) funcional consequentemente conduza à saúde. Essas substâncias podem provir do reino vegetal ou do animal. Se, entre os produtos de origem animal, conta-se a carne, diz-se que o regime é cárneo, denominando-se vegetariano ao regime em que, não se consumindo carne, predominam os produtos vegetais.

Chama-se “vegetalismo” o sistema em que se usam somente vegetais e “vegetarismo” o que utiliza também leite, seus derivados e ovo. A este se denomina, também, “ovo-lacto-vegetariano”. Quando a alimentação é constituída exclusivamente de frutas, diz-se que o regime é frugívoro, podendo-se admitir a denominação de “frugivorismo” como um neologismo.

Em nossa explanação usaremos as palavras “vegetariano” e “vegetarismo”, significando regimes isentos de carne de mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios e qualquer outro ser da onda de vida animal, nossos irmãos menores.

No Ocidente predomina o regime cárneo, entendendo-se por isso aquele que, além do uso de verduras, frutas, leite e ovo, inclui a carne no cardápio.

No Oriente predomina o regime vegetariano. Admitamos, em tese, que se pode viver exclusivamente de frutas, se houver uma variedade muito grande desses produtos da Natureza, os quais possam fornecer proteínas suficientes à manutenção e reconstituição das células. Nas condições atuais do mundo, porém, difícil seria preconizar um regime exclusivo de frutas, podendo-se chegar a prejudicar os usuários, se a isso se propusesse o dietólogo.

A observação dos estudiosos deste assunto nos leva a considerar como recomendável o regime vegetariano, porque é capaz de propiciar à comunidade um estado de saúde compatível com o trabalho, especialmente nas condições que a vida artificial destes tempos agitados impõe ao ser humano uma luta de grandes proporções para sobreviver.

De fato, grandes aglomerações humanas desenvolvem atividades dignas de apreciação, embora a carne não faça parte do seu regime alimentar, como na maior parte dos países do Oriente.

A meta suprema da vida humana é vive-la em sua plenitude, com um conceito de felicidade que seja entendido como “estou vivendo intensamente o que eu mesmo escolhi no Terceiro Céu – quando da escolha do panorama dessa vida que agora vivo”. E, logicamente a ela está ligada de modo inseparável a ideia de saúde. Mesmo a pessoa que não quer viver exatamente o que escolheu lá inclui a coexistência de saúde para a concretização dos anseios da excitação dos instintos na satisfação das concupiscências carnais.

Sendo a saúde a expressão máxima de um funcionamento ideal de todos os órgãos e sistemas do nosso Corpo Denso, não se pode desligar da ação dos alimentos sobre esses órgãos e sistemas. Toda substância alimentar que possa perturbar a harmonia funcional acarretará fatalmente um desvio do curso normal da fisiologia, ocasionando perturbação da saúde e, consequentemente, da felicidade.

O regime vegetariano oferece todas as condições para propiciar saúde compatível com a felicidade.

De acordo com o conceito de regime expresso no começo deste artigo, vejamos quais são as substâncias necessárias à manutenção, regeneração e desenvolvimento das células orgânicas. Ainda que pretendamos escrever uma série de artigos sobre este assunto, nós nos esforçaremos por dar em cada um deles a ideia de conjunto, com o fim de propiciar conhecimentos práticos em vista a capacitar o leitor a tirar proveito imediato da leitura.

Para qualquer regime os princípios nutritivos indispensáveis são as proteínas, ou albuminas; os carboidratos, ou farináceos; os açúcares, gorduras, sais e vitaminas. Poderá o regime vegetarista prover ao organismo essas substâncias?

As proteínas são as substâncias que promovem a recomposição e a estruturação das células. A pele, os músculos, os ossos, os vasos, os órgãos, os sistemas em geral são constituídos de formações microscópicas de forma e constituição variadas, adaptadas às funções que exercem no organismo, chamadas células. A estrutura dessas células depende das proteínas. Da fórmula química das proteínas fazem parte substâncias menos complexas que, combinando-se, integram a molécula proteica. Dentre elas se destacam os ácidos aminados. Para que uma proteína seja considerada ótima ela deve conter os ácidos aminados ditos essenciais, dos quais falaremos em um dos próximos artigos.

O regime ovo-lacto-vegetariano pode oferecer proteínas dessa qualidade, tais como as que se encontram no leite e no ovo. Dentre as de origem puramente vegetal podemos citar as da soja e algumas amêndoas.

Teor de proteína dos alimentos mais comuns:

Soja                             33%

Queijo                         30%-35%

Leite (1 litro)              35 g

Amendoim                  27%

Feijão                          22%-25%

Castanha                     16%

Nozes                          14%-16%

Ovo                             12%

Farinha de milho         11%

Cereais                        10-12%

Pão                              8-10%

Carboidratos. Os carboidratos, amiláceos ou amidos, farináceos e açúcares, encontram-se em abundância no reino vegetal. Daí se conclui que o vegetarismo proporciona esses princípios nutritivos de modo a fornecê-los ao organismo em quantidade suficiente. São as substâncias chamadas energéticas; isto é, que produzem energias. O Prof. Júlio Lefèvre, da Sociedade de Biologia de Paris, referindo-se ao vegetarismo, assim se expressa: “… é, em verdade, o regime de força e saúde que permite ao ser humano utilizar, no decurso de sua existência, todas as manifestações de uma possante atividade”.

Gorduras, sais e vitaminas são os nutrimentos mais encontrados neste tipo de regime alimentar, o que faz dele o ideal no sentido da regeneração das células, criando no ser humano grande soma de vitalidade, resistência e espírito de iniciativa, junto de um caráter manso, quieto e firme, apanágios da sonhada felicidade.

Incorporar ao regime os farináceos, açúcares, gorduras, frutas, hortaliças, castanhas, amendoim, cereais, leite, seus derivados e ovo, em proporções equilibradas, é usar um regime suficiente, atóxico e de fácil adequação, rico em todos os nutrimentos essenciais a uma boa saúde e uma vida fecunda, tranquila e feliz.

* * *

“Cereais, frutas, nozes e verduras constituem o regime dietético escolhido por nosso Criador. Esses alimentos, preparados da maneira mais simples e natural possível, são os mais saudáveis e nutritivos”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1965 – Fraternidade Rosacruz – São Paulo – SP

porFraternidade Rosacruz de Campinas

História Aquariana para Crianças e Adolescentes: O Presente Celestial

História Aquariana para Crianças e Adolescentes: O Presente Celestial

Era uma vez, há muito tempo, um rei muito bom e uma rainha muito amorosa. Governavam várias províncias, que visitavam uma vez por ano. Antes da visita, enviavam um mensageiro para avisar sobre a visita. Quem oferecesse à rainha o melhor presente era premiado pela soberana.

Preparava-se o povo de certa localidade para receber o nobre casal. Cada pessoa procurava superar a outra, na preparação do presente a ser oferecido. O povo todo encontrava-se nesse estado de excitação, quando afinal o dia chegou.

Nesta província vivia Celeste com sua vovozinha. A mãe de Celeste tinha ido para o mundo invisível quando ela nasceu. A vovó chamou então aquela menininha para os seus cuidados, como uma estrelinha do céu a brilhar em sua velhice. Elas eram bem pobres e a vovó sacudiu a cabeça, já um tanto branca, preocupada com o que iriam oferecer à rainha. Celeste, com seus nove anos de idade, lutava contra o desejo de ver pessoas tão ilustres, que nunca havia visto. Por isso, queria também oferecer-lhes um presente bem valioso.

Um dia, antes do importante acontecimento, veio correndo a menina até sua avó e disse:

— Vovó, já arranjei! Meu pombo; darei à rainha meu lindo pombo branco!

— Não, minha querida, o pombo não ficaria com a rainha. Voaria de volta para você. Precisamos pensar em outra coisa.

Celeste ficou desapontada. Triste, sentou-se num banquinho perto da janela, encostou a cabeça no batente, pensando e adormeceu. Seus cabelos encaracolados brilhavam à luz do sol como se fossem de ouro. A vovó dormiu também, embalada pela cadeira de balanço onde se encontrava sentada.

Metade da tarde já havia passado, hora em que a vovó sempre tinha seu repouso diário, quando foi despertada pela neta, que puxava seu avental e lhe dava palmadinhas no rosto.

— Vovozinha, tive um sonho muito bonito. Vi um lindo anjo, todo branco e brilhante, com o rosto igual ao do retrato da Mamãe. Ele veio devagar, pousou à minha frente e disse: “Dê o seu amor à rainha, minha filha”. Fechei os olhos e quando os abri de novo aquela figura havia desaparecido. Então acordei. Não foi um sonho lindo, vovozinha?

A vovó, radiante de alegria, afagou a menina com um abraço amoroso, antes de responder:

— Sim, minha criança, ofereça o seu amor à rainha, pois a dádiva sem o doador é vazia; mas, economize um pouquinho dele para sua velha vovozinha, ouviu?

— Eu lhe amo, vovozinha, mais do que tudo. Mas devo escrever à rainha e contar-lhe que a amo muito, porque isso é tudo o que tenho para dar. Ela é linda, não é, vovó?

Celeste logo foi pegar a caixa onde guardava algumas folhas de papel, que eram poucas e por isso guardava como se fossem um tesouro. Com uma pena de pato ela escreveu, em forma de rima, o amor que sentia pela formosa rainha. Depois de escrever várias folhas, prendeu-as com uma fita azul que lhe dera a vovó junto do seu primeiro vestidinho de bebê. Em seguida, disse à avó que no dia seguinte iriam ver a rainha, enquanto lhe mostrava as folhas que escrevera.

Quando o sol nasceu, no dia seguinte, encontrou-as prontas para partir. Celeste vestia um vestido escarlate, com aplicações pretas, e usava sapatos pesados feitos de madeira. As faces estavam rosadas e seus olhinhos, brilhantes de felicidade. Seus cabelos cacheados estavam muito bem penteados. A vovó jogou um chale sobre os ombros, já curvos, pegou a bengala e partiram.

Próximo à província havia uma aldeia onde o povo tinha construído um grande celeiro. Ele servia também como um recinto da comunidade, onde os fazendeiros às vezes se reuniam para festas. Os habitantes da localidade haviam escolhido este lugar para receber o rei e a rainha; o dia começou com a vinda da população de todas as partes da província, trazendo presentes.

O sol estava alto, lá nos céus, quando foi ouvida uma clarinada de trombetas e dois cavaleiros já estavam à vista, seguidos por um coche dourado puxado pôr seis cavalos brancos. Os cavalos estavam com as cabeças decoradas com plumas pretas e frisos dourados.

O rei e a rainha desceram do coche, seguidos por dois pequenos pajens, jovens empregados, que seguravam a cauda do manto real. O par real sentou-se em um estrado em forma de trono, onde as pessoas depunham os presentes ofertados, expostos de modo a serem inspecionados.

— Certamente — pensou o homem mais rico da província — eu ganharei a recompensa, pois quem pode dar um presente tão bom quanto o meu? — E ele caminhava todo empolado de orgulho para colocar um lindo tapete oriental aos pés da rainha. O valor do tapete era imenso e suas cores, soberbas. A rainha considerou o presente com um sorriso e uma bênção.

— “Com certeza” — pensou a esposa de um feliz fazendeiro — “eu ganharei a recompensa. Quem pode fazer pães tão finos iguais a estes?” — E eram mesmo tão bem feitos que pareciam de ouro, redondos, em formas perfeitas. A rainha recebeu-a com um sorriso e a abençoou.

— “Certamente eu obterei a recompensa” — pensou um fazendeiro muito rico — “pois não há milho mais abastado do que este aqui” — E levava uma braçada de espigas amarelinhas que colocou junto aos pães. A rainha recebeu a dádiva e abençoou.

E assim, cada um por sua vez dava a melhor mercadoria que possuía. Uns traziam a melhor agulha de trabalho; um homem trouxe uma grande quantidade de grãos dourados, maiores que a cabeça de um homem; outro trouxe um leitão bem gordo; um fazendeiro deu o seu galo premiado; uma mulher presenteou com uma flor rara da qual cuidara; um artista trouxe a melhor pintura… Todas as artes e desenhos eram largamente expostos. Cada doador estava certo de que o seu prêmio seria o maior. A cada um a rainha dirigia um sorriso e uma bênção.

Celeste, cheia de respeito e medo, tremia quando as pessoas se adiantavam com as suas oferendas. Tinha nas mãos o seu pombo de estimação e o caderno de versos. Olhava com excitação a fila de presentes e as vestes dos que os davam. Todos estavam trajados da melhor maneira, com seus adornos de festa, assim como ela estava. Entretanto, sabia que era a mais pobremente vestida de todos. E o seu presente? “Que insignificância, comparado aos demais” — pensou ela.

À vista de tantos presentes caros, Celeste permanecia à entrada, indecisa, tímida, ante seu presente tão pequeno. Mas como desejava dizer à rainha o quanto a adorava! Fechou os olhos e tentou ganhar coragem. Naquele momento viu o anjo e lembrou-se do sonho que tivera. O pombinho fez um movimento em suas mãos. Celeste olhou bem dentro dos olhinhos rosados dele e cochichou-lhe nos ouvidos. Colocou o caderninho no bico do pombo e abriu as mãos.

O pombo voou diretamente na direção da rainha e pousou tão suavemente em suas mãos que ela não se assustou. A rainha pegou o caderninho e leu os versos. Depois, olhou o pombinho, que regressava em direção à sua dona, e disse:

— Quer vir aqui, menina? — Sua voz era tão delicada e seu sorriso, tão convidativo, que Celeste perdeu todo o medo e caminhou, pondo-se de pê, à sua frente. A rainha tocou seus cabelos cacheados e disse ao ministro:

— Que seja anunciado pelo arauto do rei que o maior presente, que é o Amor, acaba de ser dado, e que a rainha vai recompensar o doador. Que se aproxime o povo para testemunhar o prêmio.

Quando o povo se juntou, a rainha levantou-se e, colocando sua mão sobre a cabeça de Celeste, declarou em voz bem clara:

— Levarei esta criança para o palácio do rei, onde ela se tornará uma princesa.

Celeste ouviu estas palavras como se fosse um sonho. Lembrando-se, porém, da sua vovozinha, apressou-se em explicar à rainha:

— Não posso ir, querida rainha, porque minha vovó ficaria sozinha e ela precisa de mim.

— Minha criança, você tem um belo coração. Não receie coisa alguma. Sua vovó também irá — respondeu a rainha.

Após a festa, Celeste e sua vovó se acomodaram na carruagem dourada puxada pelos cavalos brancos. A rainha estava entre as duas. Quando chegaram ao palácio real, Celeste foi levada para um quarto magnífico e ali vestiram-na com cetim; sapatos dourados foram colocados em seus pezinhos. Tornou-se uma moça virtuosa e culta, foi um Anjo inspirador para muitas decisões sábias dos Soberanos, em favor do povo.

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de setembro de 1965 – Fraternidade Rosacruz – São Paulo – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

História Aquariana para Crianças e Adolescentes: O Desejo

História Aquariana para Crianças e Adolescentes: O Desejo

Era uma vez uma princesa que não queria ser princesa. Vocês acham isso impossível? Vocês não acham que todas as moças ficariam felizes com à oportunidade de serem princesas?

Bem, não essa princesa. Todas as noites quando ia para a cama pensava, “Espero que amanhã quando acordar, eu seja uma cozinheira. Ou, “Espero que amanhã quando acordar, eu seja uma costureira. Ou, “Espero que amanhã quando acordar, eu seja uma florista”. Mas todas as manhãs quando acordava, ainda era princesa.

E por que a princesa não queria ser princesa? Por que em vez disso, ela queria ser uma cozinheira, uma costureira ou uma florista? Porque era duro ser princesa. Pelo menos, ela achava que era duro ser uma princesa. Ela achava que era duro ser sua qualidade de princesa.

Bem, é verdade que algumas princesas são mimadas e conseguem tudo que desejam em bandeja de prata, e despedem seus servidores se não forem servidas suficientemente bem ou suficientemente depressa ou com suficientes saudações e salamaleques, para satisfazê-las. Algumas princesas são soberbas e andam com o nariz para o ar, recusando-se a dar atenção às pessoas que elas acham que estão muito abaixo delas. Algumas princesas são muito preguiçosas, nunca pegando nada se alguém puder pegar para elas, e se enchendo de sorvetes e doces. Essas princesas não são muito queridas, porque são egoístas, só pensam nelas e nada fazem.

Mas, esta princesa não era mimada, não era soberba e não era preguiçosa. Não que ela não quisesse as vezes ser assim. Simplesmente não lhe permitiam e principalmente seu pai, o Rei.

O Rei amava muito sua filha. Na verdade, a amava tanto que não queria que ela crescesse mimada, soberba ou preguiçosa. Ele queria que ela crescesse carinhosa, gentil, dócil, compreensiva, e sabia que ela deveria se esforçar muito para ser assim. Então, ele insistia para que ela se esforçasse muito para ser todas essas coisas.

E é por isso que a princesa, que se chamava Andrea, não queria ser princesa. Ela achava que era muito difícil ser todas as coisas que seu pai queria que ela fosse.

Outras princesas, pensava Andrea, podiam dormir quanto quisessem e tomar café na cama. Outras princesas, pensava, podiam dizer, “Deixem-me em paz”, se não queriam falar com as pessoas. E outras princesas, pensava, com certeza não precisavam sorrir se não tivessem vontade.

Contudo, o Rei insistia que Andrea levantasse alegre e cedo todas as manhãs, e que arrumasse sua cama e fosse tomar o café da manhã na sala de jantar, com o resto da família. Ele insistia que ela fizesse tudo que pudesse para si própria. Ela tinha até que engraxar seus sapatos, dar banho no seu cachorro, ajudar a tirar o pó dos móveis do palácio, preparar seu lanche para a escola. Quando tinha que pedir alguma coisa para algum criado, tinha que ter muito cuidado e dizer “por favor” e “muito obrigada”, porque se não dissesse seu pai ia ficar muito descontente. E não era uma boa ideia, ela sabia, desagradar ao Rei.

O Rei insistia que Andrea ouvisse todas as pessoas que quisessem falar com ela porque, ele dizia:

— Uma princesa é responsável por seus súditos.

Ela nunca se atrevia a dizer, “Deixe-me em paz”, porque se o fizesse seu pai ia ficar muito zangado. E não era uma boa ideia, ela sabia, deixar o Rei ficar zangado.

O Rei insistia que Andrea fosse cortês com todos que encontrasse e sorrisse para as pessoas sempre que pudesse. É claro que não devia fechar a cara para eles. Algumas vezes sua boca doía de tanto sorrir, mas, de qualquer modo, ela continuava sorrindo. Se ela não o fizesse, seu pai ia ficar muito decepcionado. E não era uma boa ideia, ela sabia, deixar o Rei ficar decepcionado.

Um dia, Andrea teve uma ideia.

— Se eu me esconder no bosque o dia inteiro, eu não verei ninguém e ninguém me verá, pensou. Assim, eu não terei que falar com ninguém ou sorrir e não terei problemas por não dizer “por favor” e “muito obrigada”, e eu posso me deitar à sombra de uma árvore e não pensar em nada, a não ser em mim.

Assim, Andrea pegou um tapete macio para deitar-se, pôs num saquinho uma maçã, uma banana, dois sanduiches, um de manteiga de amendoim e outro de geleia, e desceu as escadas de serviço do palácio na ponta dos pés. Quase esbarrou no mordomo que estava levando para cima uma jarra de suco de maçã, mas ela conseguiu se esconder num armário de vassoura até que ele passasse. Quase caiu em cima da faxineira que estava esfregando o último degrau, mas conseguiu se esconder num canto escuro até que a faxineira acabasse.

Andrea atravessou correndo o jardim do palácio e subiu numa trepadeira que crescia pelo muro alto. Pulou de cima do muro e correu pela estrada que levava ao bosque.

Ninguém a viu sair do palácio, e ninguém sabia que ela tinha ido se esconder no bosque.

Andrea entrou bem para dentro do bosque, antes de parar.

— É embaixo desta árvore que eu vou me deitar, disse por fim, olhando para um grande castanheiro, bem mais alto que as outras árvores vizinhas. Estendeu o tapete e espreguiçou-se.

— Ahhh! suspirou. Assim é que é bom.

Em poucos minutos estava profundamente adormecida.

— Então, esta é a princesa que não quer ser princesa, disse uma voz esganiçada e aguda, perto de seu ouvido.

— Vamos fazer-lhe um favor e conceder-lhe o desejo? – Perguntou outra voz esganiçada e aguda.

— Claro, disse a primeira. Vai ser divertido!

Piscando os olhos, Andrea viu dois homens pequeninos com roupas lilás, sapatos vermelhos e chapéus verdes sorrindo para ela. Primeiro ela pensou: “Como são pequenos!” Depois pensou: “Quantos dentes eles têm!”. Depois pensou: “Quem são?”

— Quem são vocês? perguntou.

— Nós somos Realizadores de Desejos, disse o primeiro homenzinho. Temos o poder de conceder qualquer desejo que você deseje, mas você precisa estar certa de que você totalmente, positivamente o deseje. Quando concedemos um desejo, nunca mais o retiramos.

— Você totalmente, positivamente, deseja não ser uma princesa? perguntou o segundo homenzinho.

— Oh! sim, respondeu Andrea. Eu totalmente, positivamente, desejo não ser uma princesa.

— Muito bem, disse o primeiro homenzinho. Feche bem os olhos e não abra.

Andrea apertou os olhos e ouviu:

“Abracadabra, abracadabra,

Dê à princesa, sua maior ambição,

Ela que uma loura princesa era,

Agora é feia, sem comparação”.

Então, Andrea sentiu que coisas esquisitas estavam acontecendo com ela. Seus ossos estalavam quando se mexia. Seus músculos se esticavam e encolhiam até ela se sentir como uma tira de borracha. Era como se suas roupas estivessem sendo rasgadas e seu vestido macio começou a ficar grosso e picava. Seus cabelos, com suas tranças bem penteadas, caiam lisos sobre seu rosto.

— Há, há, há! Riu com maldade o primeiro homenzinho com sua voz esganiçada. Agora ninguém vai confundir você com uma princesa. Você não pode dizer que não atendemos seu desejo. Abra os olhos — e felicidades.

Andrea abriu logo os olhos – mas os homenzinhos tinham desaparecidos. Olhou-se com crescente horror. Seu lindo vestido cor de rosa tinha se transformado em uma roupa rasgada, feia, deformada, suja e que parecia não ter sido lavada há meses. Suas mãos estavam calosas e suas unhas quebradas e sujas. Seus cabelos estavam brancos e emaranhados.

Começou a andar e percebeu que um pé se arrastava e ela só podia levantá-lo com muito esforço. Tentou falar e sua voz soou horrivelmente. Mancando, Andrea conseguiu chegar até um regato no bosque ali perto, e viu seu reflexo na água clara. O que ela viu assustou-a tanto, que ela gritou e desmaiou.

Quando voltou a si, olhou-se de novo cautelosamente. O reflexo ainda parecia um pesadelo. A linda princesa de cabelos dourados tinha se transformado numa horrível megera, tão feia que poderia assustar até o mais valente cavaleiro quando ia para a guerra lutar por seu pai, o Rei.

— O que eu vou fazer? choramingou Andrea. Eu não queria ser princesa, mas também não queria ser assim.

Andrea começou a chorar. Chorou, chorou, chorou e quando se olhou outra vez na água, seu rosto estava vermelho, inchado e ainda mais feio.

— Realizadores de Desejos: Por favor, voltem! Prefiro ser princesa do que ser assim. Por favor, transformem-me outra vez em princesa.

Mas, sua única resposta foi o canto longe de um canário-da-terra no bosque.

Por sete dias, Andrea ficou no bosque, lavou a velha roupa preta no regato e penteou seus cabelos como pôde, mas nada mais conseguiu fazer para melhorar sua aparência. Depois de comer a maçã e a banana e os dois sanduiches de manteiga de amendoim e geleia, comia nozes que encontrava pelo chão. Mas, os esquilos tinham trabalhado bastante e não haviam deixado muitas nozes.

Começou a fazer frio, e, uma noite, caiu uma chuva gelada que a deixou encharcada da cabeça aos pés.

Então, Andrea achou que não podia mais ficar no bosque. Ela não tinha teto, nem comida, nem agasalhos.

— Vou voltar para o palácio de meu pai, disse. Talvez ele tenha pena de mim e me deixe morar lá.

Então, Andrea saiu do bosque sempre mancando e foi pela estrada que dava para os portões do palácio.

Embora ela não soubesse, havia grande tristeza no palácio porque ela não tinha voltado depois do seu primeiro dia no bosque. O Rei, a Rainha e todos os cavalheiros e damas da corte, todos os guardas e criados estavam tristes.

— O que terá acontecido com a Princesa Andrea? perguntavam uns aos outros. Onde estará? Por que não volta para casa?

O Rei e seus cavaleiros tinham cavalgado por todo o reino procurando por ela, e o Rei mandou mensagens para os reinos vizinhos, perguntando se alguém tinha visto a Princesa Andrea. Mas, é lógico, todos procuravam uma princesa de cabelos dourados e ninguém procurava uma bruxa feia e velha. Assim, ninguém viu a Princesa Andrea.

Andrea manquejou até os portões. Um guarda alto, que a tinha carregado nos ombros quando ela era uma menininha, barrou seu caminho. Tinha os braços cruzados no peito e suas pernas bem separadas.

— O que é que você quer aqui, velha bruxa? perguntou desconfiado.

— Eu sou a Princesa Andrea, disse tristemente com sua voz de taquara rachada. Por favor, deixe-me entrar.

— Princesa Andrea! gritou o guarda zangado. Como você se atreve a dizer que é a nossa princesa desaparecida? A Rainha está doente de tristeza e o Rei está fora de si de tanta preocupação e você tem coragem de dizer que você é a linda Princesa Andrea! Você deve saber alguma coisa sobre seu desaparecimento. Agarrem-na!

E, antes que Andrea pudesse dizer outra palavra, foi rudemente agarrada por dois guardas que também tinham sido muito seus amigos.

— Levem-na para o Rei! ordenou o primeiro guarda, e Andrea foi meio empurrada, meio carregada para dentro do palácio, pelos longos corredores de mármore. O mordomo, a faxineira, o Grande Camareiro Chefe, a Governanta da Rouparia, o Excelentíssimo Ministro de Estado e muitas outras pessoas que Andrea conhecia bem, pararam o que estavam fazendo e ficaram olhando o grupo passar.

— Quem é essa feia bruxa velha? murmurou a faxineira.

— Eu nunca a vi antes, fungou o mordomo desdenhosamente.

— Não imagino o que Sua Majestade possa querer com ela, disse o Grande Camareiro Chefe para o Excelentíssimo Ministro de Estado, que ajeitou seu monóculo e olhou mais fixamente.

Finalmente, chegaram à ala do trono onde o Rei estava muito triste sentado no trono. Parecia não ter dormido há dias — o que realmente não tinha.

Os guardas empurraram Andrea para dentro.

— Majestade, começou um deles, perdoe a intrusão, mas o Capitão achou que Vossa Majestade quereria falar com esta velha bruxa. Ela…

O guarda parou de falar quando o Rei, com expressão misto de espanto, horror, incredulidade, desceu do trono e foi até Andrea.

— Andrea, murmurou, minha filha, o que aconteceu com você?

Todos que estavam ali olhando murmuraram:

— Andrea? será que essa feia bruxa velha é a Princesa Andrea?

— Como é que o Rei sabe que é a Princesa Andrea? sussurrou a Terceira Dama de Companhia.

Um pai conhece seus filhos, respondeu sabiamente a Governanta da Rouparia.

Andrea, com lágrimas escorrendo em seu rosto olhou para seu pai.

— Você me reconhece? perguntou sem acreditar.

— É claro que reconheço você, minha filha. Mas o que aconteceu? Quem fez isto com você? perguntou o Rei abraçando-a.

Por algum tempo, Andrea só pôde soluçar amargamente. Estava aliviada por seu pai tê-la reconhecido, e terrivelmente envergonhada por sua feiura e pela coisa horrível que havia feito a si mesma. Por fim, aos poucos, começou a contar sua história. Todos na Sala do trono ouviam com piedade e horror quando ela contou que, porque pensava que não queria ser princesa, os Realizadores de Desejos tinham-na transformado na coisa mais oposta a uma princesa que se possa imaginar.

— É tudo culpa minha, meu pai, soluçou Andrea.

Se eu não tivesse tido aquele estúpido desejo, eu ainda seria uma princesa e ainda seria bonita.

O Rei suspirou e acariciou seus grossos cabelos brancos.

— Você ainda é uma Princesa, Andrea, murmurou para que só ela pudesse ouvir. Você ainda é a filha de um Rei. Mesmo os Realizadores de Desejos não podem mudar isso.

Então, severamente, dispensou todos os cortesãos, todos os criados, todos os guardas da Sala do trono e ele e Andrea conversaram sozinhos por três horas. Mas o que disseram um ao outro, só eles podem dizer.

No dia seguinte, e por dias, semanas e meses depois disso, Andrea se levantava como de costume, arrumava sua cama como de costume, e ia tomar o café da manhã na sala de jantar com toda a família, como de costume. Engraxava seus sapatos, dava banho no seu cachorro, ajudava a tirar o pó dos móveis do palácio e preparava seu lanche para ir à escola, como de costume. Quando pedia a algum criado para fazer alguma coisa, sempre dizia “por favor” e “muito obrigada”, como de costume. Era cortês com todos que encontrava e sorria para as pessoas sempre que podia, como de costume.

Na verdade, tudo continuava igual, menos o fato de que, em vez de ser a bonita Princesa Andrea dos cabelos dourados, era agora a feia bruxa velha Princesa Andrea. Usava a velha roupa preta e, embora sempre tivesse as unhas limpas, elas estavam sempre quebradas e suas mãos encarquilhadas. Seus cabelos grossos, brancos e a voz soava horrivelmente.

Por uns tempos, as pessoas evitavam Andrea. Ela era tão feia que, embora ainda fosse princesa, não queriam saber dela. Mas, porque seu pai queria, e ela sabia que era o que devia fazer, ela continuou sendo carinhosa, gentil, dócil e compreensiva tanto quanto podia.

Depois de algum tempo, as pessoas começaram a pensar mais e mais sobre como ela era carinhosa, gentil, dócil e compreensiva e menos e menos como ela era feia. Então, esqueceram de vez que ela era feia e muita gente queria vê-la e falar com ela. Com todos Andrea era cortês, como seu pai desejava.

Uma noite, exatamente um ano e três dias depois que os Realizadores de Desejos tinham feito aquilo, Andrea estava sentada junto da janela, olhando tristemente as estrelas e imaginando pela milésima vez como seria ser bonita de novo.

— Ora, ora, ora, assustou-a uma voz esganiçada muito alta. Então, esta é a princesa que não queria ser uma princesa, heim?

Lá estavam dois homens pequeninos com suas roupas lilás, sapatos vermelhos, chapéus verdes e muitos dentes, sorrindo para ela.

— Oh, Realizadores de Desejos, gritou Andrea. Estou tão contente em ver vocês! Por favor, façam com que eu fique bonita outra vez. É horrível ser tão feia. Eu nunca quis isso. Por favor, por favor, transformem-me outra vez.

— Nós lhe dissemos antes, nós nunca desfazemos um desejo depois de concedê-lo. E você estava totalmente, positivamente certa sobre seu desejo. Lembra-se? Perguntou o primeiro homenzinho de jeito desagradável.

— Sim, sim, eu me lembro, respondeu Andrea em lágrimas. Eu fui muito tola, estou arrependida, estou tão arrependida. Por favor, por favor, façam-me como eu era.

— Isso é impossível, disse o segundo homenzinho, sorrindo maldosamente. Nós avisamos você e você disse que estava certa. Agora tem que aguentar as consequências.

— Nós só demos uma chegadinha para ver como você está indo. Credo, você é feia mesmo! Nosso trabalho foi muito bom! Ha, ha, ha! O primeiro homenzinho estava quase dobrado de tanto rir. Bem, nós temos que ir andando. Levante a cabeça! Ha, ha, ha! Adeus.

— Parem! veio da porta uma voz de comando severa. Os homenzinhos se viraram, deixaram de sorrir e se curvaram tanto que suas cabeças tocaram o chão.

— Majestade! eles disseram respeitosamente.

— Sim, disse o Rei. Então, vocês acham que fizeram uma grande coisa realizando o desejo da Princesa!

Os homenzinhos ficaram calados.

— Então, intimou o Rei, não foi isso que vocês disseram?

— Sim, Majestade, murmuraram.

— Digam-me, perguntou o Rei, qual era exatamente o desejo da Princesa? Exatamente.

— Bem, Majestade… o primeiro homenzinho hesitou.

— Continue, ordenou o Rei.

— Bem, Majestade, o homenzinho disse relutante, suas exatas palavras foram: Eu desejaria totalmente, positivamente não ser princesa.

— E vocês concederam-lhe esse desejo? perguntou o Rei.

— Sim, Majestade, responderam os homenzinhos tentando parecer orgulhosos de si mesmos.

— Sei, disse o Rei. Nesse caso, por que é que Andrea ainda é princesa? Por que é que ela ainda é minha filha? Por que é que ela ainda é chamada de Sua Alteza? Por que é que ela ainda mora no quarto da princesa no palácio? E por que é que as pessoas ainda gostam tanto dela quanto antes”?

— Ahn — ah — hum — o primeiro homenzinho gaguejou, enquanto o segundo homenzinho mexia os pés.

— A verdade deste caso é que vocês não fizeram um bom trabalho ao conceder-lhe o desejo. Vocês não o realizaram de jeito nenhum. Vocês não o realizaram porque vocês não têm poder para conceder esse desejo. Não é verdade? perguntou o Rei.

— Sim, Majestade, tiveram que admitir os homenzinhos.

— Então, vocês concederam à Princesa um desejo que ela absolutamente não desejava. Vocês a tornaram feia, e ela nunca manifestou o desejo de ser feia. Certo?

— Certo, Majestade, tiveram que admitir os homenzinhos.

— Portanto, já que vocês não concederam desejo a que foi desejado, agora eu ordeno que vocês desconcedam o que concederam, eu ordeno que vocês restituam a beleza de Andrea. IMEDIATAMENTE!

A voz do Rei era fria, poderosa e implacável, e os homenzinhos não tinham força para argumentar. Desviando os olhos do Rei, eles cantaram:

“Abracadabra, Abracadabra,

Dê à Sua Majestade, sua maior ambição,

Aquela que é feia, sem comparação

Volte a ser a beleza de então”.

De novo. Andrea sentiu coisas esquisitas acontecendo. De novo, seus ossos estalavam quando se moviam. De novo, seus músculos esticavam e encolhiam. Suas roupas ásperas ficaram macias e suas mãos já não estavam retorcidas. Andrea, que estava com os olhos fechados, tinha medo de abri-los.

— Os homenzinhos já se foram, Andrea, disse por fim o Rei, muito carinhosamente. Abra os olhos. Olhe para você.

Andrea abriu os olhos devagar e quase sem poder respirar, olhou no espelho. Quase não podia acreditar no que viu. Estava usando um vestido cor de rosa, um pouco mais comprido e elegante do que o último. Seus cabelos dourados caiam em ondas suaves por suas costas. Estava mais bonita do que nunca.

Andrea suspirou baixinho, sorriu, e virou-se para seu pai.

O Rei abriu os braços e ela correu para ele.

— Paizinho, disse simplesmente. Obrigada.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. VIII – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

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