A Responsabilidade do Conhecimento que você adquire
Nos tempos primitivos, quando começávamos nossas vidas, como seres humanos, tínhamos pouquíssima experiência e, por conseguinte, nossa responsabilidade era mínima, também.
A responsabilidade depende do que se sabe. Os animais não são responsáveis: segundo a Lei de Consequência, desde o ponto de vista moral, ainda que, naturalmente, se um animal salta por uma janela, cairá sob a lei de Consequência física, assim, como quando cai num barranco ou num acidente do terreno, podendo quebrar uma perna ou sofrer algum outro ferimento. Porém, se um indivíduo fizesse o mesmo, cairia de baixo da lei de responsabilidade moral e, além disso, estaria sob a Lei de Causa e Efeito. A pessoa tem esta dupla responsabilidade, porque sabe o que deve fazer e não tem o direito de causar prejuízo ao instrumento que lhe foi dado (Corpo Denso). Assim, pois, vemos que somos moralmente responsáveis, segundo nossos conhecimentos.
Como temos tido já a experiência de muitas vidas, nascemos sempre com os talentos acumulados, que são os resultados de experiência de todas as vidas anteriores. Somos, por conseguinte, responsáveis pelo modo como os usamos. É necessário que ponhamos estes talentos à prática, porque de outro modo se atrofiarão, tal como ocorreria com a mão; também nossas faculdades espirituais se atrofiarão se não tiramos proveito delas, e se não aumentamos nossas capacidades. Não pode haver parada nem descanso neste caminho da evolução pelo qual caminhamos; temos de avançar para diante, ou degeneraremos.
Há evidentemente muita responsabilidade para aquele que sabe, e quanta mais sabemos, tanto maior é nossa responsabilidade; isto está muito claro. Porém, considerando a ciência oculta, desde o ponto de vista ainda mais profundo, há uma responsabilidade para aquele que sabe, e é esta fase especial de responsabilidade que desejamos tratar aqui.
Mabel Collins (N.R.: 1851-1927, mística britânica) afirma que a história relatada em seu livro “A flor e a fruta”, ou a história de Fleta, a Maga Negra, é uma história verídica. Diz ela que o assunto de sua história chegou as suas mãos de um país mui remoto e de uma maneira muito estranha; e desde o ponto de vista daquele que sabe, há nela alguma das mais profundas verdades a respeito da maneira de obter conhecimento e seu emprego. Descreve-se em tal história, como Fleta, ao princípio de suas encarnações e ainda em estado selvagem, assassinou a seu noivo, e que, pela crueldade demonstrada nesse ato, obteve certo poder. Este poder, naturalmente, em consonância com o delito, era característica da magia negra. Por essa razão, na vida da qual trata esta história, ela possuía o poder de um mago negro, e para aumentá-lo mais ainda, obrigou seu noivo a matar outra entidade. Deste modo infernal empregava seu conhecimento.
Há nisto uma profunda verdade. Todo saber não saturado de vida e vazio, sem finalidade, é inútil. A vida que dá poder ao que sabe pode ser obtida de distintas maneiras, e pode ser, também, aproveitada de vários modos. Uma vez obtida, pode ser encenada em um talismã, e então pode ser usada por outros, para bons ou maus fins, conforme o caráter daquele que o usa. Se se encerra dentro da pessoa que desenvolve um poder, então, será usada segundo o caráter dessa pessoa. Segundo o mesmo princípio, podemos acumular eletricidade numa bateria para que possa ser retirada da estação elétrica e empregada para muitos fins, por outras pessoas alheias aquela que a acumulou. Assim, também, o poder dinâmico, obtido pelo sacrifício da vida com o fim de ganhar poderes ocultos, pode ser usado de um modo ou de outro, se encontra acumulado num talismã.
Esta particularidade, vemo-la muito bem ilustrada na lenda de Parsifal (N.R.: uma ópera de três atos do com a música e libreto do compositor alemão Richard Wagner). Ali, o sangue purificador do Salvador, oferecido em nobre sacrifício de si mesmo – não tomado de outrem – foi recebido num vaso, que por isso converteu-se num talismã, dotado de um poder espiritual e capaz de transmiti-lo a todos os que o viam, desde que fossem puros, castos e inofensivos. Também conhecemos o símbolo da lança, que havia causado o ferimento do qual jorrou o sangue de Jesus. Ela estava manchada de sangue purificador, e converteu-se, assim, num talismã, que podia ser empregado de diversos modos. Durante o reinado de Titurel, o mistério do Graal era poderoso; porém, quando o Graal foi entregue a seu filho Amfortas, este saiu armado com sua lança para matar Klingsor, o mago negro. Então, deixou de ser inofensivo, porque quis perverter esse grande poder espiritual para matar um inimigo. Apesar de tratar-se de um inimigo do bem, não era justo empregar-se este poder para tal fim, e por essa razão o poder voltou-se contra ele. Ele teria deixado de ser casto, puro e inofensivo, e então o poder produziu-lhe a ferida.
Lemos, a respeito de David, o sangrento guerreiro, a quem o Senhor proibiu de construir o Templo. Ainda que aquele Senhor fosse um deus da guerra, tendo de castigar várias nações para fazê-las entrar de novo no reto caminho, ele não podia usar o instrumento manchado de sangue de Suas guerras para construir um templo. Isto foi incumbido ao filho de David, Salomão, o homem da paz. É dito que Salomão desejou sabedoria e muito conhecimento, não para vencer seus inimigos, não para alargar seus territórios e fazer de seus súditos uma grande nação, senão para reinar melhor sobre o povo que havia sido confiado aos seus cuidados. E recebeu sabedoria em abundância. Vemos também que Parsifal, o oposto de Amfortas, era filho de um guerreiro, um homem sanguinário, já morto. Por sua mãe Herzleide, que significa “coração aflito”, Parsifal, a criança póstuma, veio ao mundo. Nos primeiros anos, usou o arco, porém, em certo momento, fez-se casto, puro e inofensivo, e pelo poder destas qualidades manteve-se firme no dia da tentação e tomou a lança de Klingsor, que a conservava desde o dia em que Amfortas a havia perdido.
Em suas jornadas, desde o dia em que recebeu a lança, até o momento de seu regresso ao Castelo do Graal, Parsifal teve de enfrentar muitas tentações. Muitas vezes, estando em perigo, reconheceu que podia pôr-se a salvo empregando a sagrada lança se a tivesse tomado contra seus inimigos. Porém, sabia que não devia usar a lança PARA FERIR, mas sim PARA CURAR; ele compreendeu quão sagrado era. O poder que o sangue do sacrifício havia conferido ao talismã, e que este devia empregar-se somente para os fins mais elevados.
Assim, pois, vemos sempre, aqueles que entram na posse de um poder espiritual não o empregam nunca para fins egoístas. Aconteça o que acontecer está firme neste ponto. Por duro que seja o ataque que sofram, nunca, nem por um momento, sentem-se inclinados a prostituir seu poder por vantagens pessoais. Ainda que alguém que tenha esse dom possa, se quiser, dar de comer a cinco mil pessoas famintas não tomará nem mesmo uma pedra para transformá-la em pão para aliviar sua própria fome. Muito embora esteja diante de seus inimigos e os cure, como Cristo restaurou a orelha do soldado romano, negar-se-á a usar seu poder espiritual para fazer voltar o sangue que fluiu do seu próprio peito. Sempre se tem dito de semelhantes seres que “salvaram a outros, porém, não se salvaram a si mesmos”. Poderiam, por certo, tê-lo feito, porque esse poder é grande. Porém, usando-o desse modo, tê-lo-iam perdido, porque não tinham o direito de prostituí-lo.
Depois há outra classe de mistério mui distinta da do Graal. Por exemplo, a cabeça de João Batista foi colocada numa bandeja depois de sua execução, e alguns atraíram certo poder pela contemplação deste espetáculo. O mito grego nos fala de Argos, que sendo dotado de muitos olhos, via por todos os lados ao mesmo tempo – era um clarividente. Porém, empregou esse poder com um propósito ilícito, e Mercúrio, o deus da sabedoria, cortou-lhe a cabeça, privando-o assim do seu poder. Sempre que alguém procura empregar a sabedoria e o poder espiritual ilicitamente, perdê-lo-á infalivelmente.
Cada célula tem sua vida própria, individual, e esta vida é destruída pela atividade do pensamento, ou melhor dito, a forma é destruída de modo que a vida não pode continuar a manifestar-se nela. Sempre existe destruição da vida, em qualquer direção que seguimos em busca do conhecimento. Alguns há que destroem a vida em experiências científicas, por pura curiosidade. Outros o fazem até com crueldade, como na vivisseção, e neste caso, quando a busca do conhecimento se procura apenas por motivos de curiosidade, existe dívida terrível a ser resgatada em algum dia futuro, porque o equilíbrio deve restabelecer-se sem dúvida nem remissão alguma.
Assim vemos o que ocorre no caso de Fleta, em que o sacrifício de uma vida em certo momento no mundo físico foi seguido de outro sacrifício no outro mundo; porém, por sua mediação ela ganhou um poder que a elevou até a porta do templo, onde bateu em busca da Iniciação. Seus motivos, entretanto, como os de Klingsor, não eram puros. Ela não era casta, não estava preparada para adquirir o poder espiritual de um modo completo, nem para ser considerada como uma auxiliar da humanidade; por essa razão foi repelida da porta do templo e sofreu a morte do mago negro. Há um véu diante de sua morte, e não se diz o que há por detrás dele. Talvez convenha mais que essas coisas não sejam publicadas. Porém, isto não diminui o valor da lição de que não podemos destruir vidas, nem acumular saber, de uma maneira ilícita; sem incorrer, por isso, numa terrível responsabilidade. A única razão que é satisfatória e própria da busca do saber é que com isso podemos servir de um modo mais eficaz a raça humana.
Atualmente, o sacrifício da vida para obter conhecimentos é inevitável, não podemos remediá-lo. Porém, deveríamos buscar estes conhecimentos com os melhores e mais puros motivos, porque são infinitas as vidas que destruímos por essa razão, com propósitos que não são justos. Portanto, repetimos que ninguém tem o direito de procurar conhecimentos se não é pelos mais puros motivos.
Se por outro lado, cumprimos com nossos deveres, se tratamos de fazer todas as coisas que chegam as nossas mãos, bem e completamente, e se temos aspirações espirituais, sem forçar nosso crescimento espiritual, então estaremos bem preparados para alcançar poderes mais elevados. É uma das características mais notáveis dos exercícios rosacruzes que eles não só nos proporcionam crescimento espiritual, mas nos preparam também para a posse desse conhecimento. Temos de aprender a andar pelo caminho do dever, e viver a reta vida. Não devemos pensar numa longa vida. Há muitos, como diz Tomás de Kempis (N.R.: Monge e escritor alemão, 1379-1471 – o seu livro mais célebre, Imitação de Cristo, composto por quatro volumes, no qual apela a uma vida seguida no exemplo de Cristo, valorizando a comunhão como forma de reforçar a fé)., que têm desejos de uma longa vida, porém nós não devemos nos preocupar com isso. É MELHOR QUE TRATEMOS DE FAZER CADA DIA O NOSSO DEVER; então estaremos, seguramente, preparados para obter maior saber e mais elevados poderes.
Em qualquer esfera em que nos movamos, há um lugar onde podemos aplicar nosso saber, não na forma de fazer sermões para que nossos conhecimentos sejam admirados, mas sim para vivermos a vida espiritual, e para sermos EXEMPLOS VIVENTES dos nossos ensinamentos. Todos temos esta oportunidade, e não é preciso buscá-la longe; está ao redor de nós, ao nosso alcance.
Tomás de Kempis expressou isto de um modo como só um místico pode fazê-lo; envolveu a ideia naquelas formosas palavras em sua “Imitação de Cristo”:
“Todo homem tem o desejo natural de saber, porém, que valem conhecimentos sem o temor de Deus? Seguramente um humilde lavrador que serve a Deus é melhor do que um orgulhoso filósofo que estuda o movimento celeste e não se ocupa de si mesmo… Quanto mais saibas, tanto mais severo será o teu juízo, a menos que tua vida também seja mais santa. Por esta razão, não sejas orgulhoso, senão antes tem temor pelo saber que recebeste. Se pensas que sabes muito, lembra-te que há muitas coisas que ignoras. Não sabes quanto tempo poderás prosperar fazendo o bem!”.
Por este motivo convém recordar que não devemos buscar conhecimentos simplesmente para possuirmos, senão somente como um meio para chegar a viver uma vida mais pura, porque esta é a única coisa que pode justifica-los.
(Revista Serviço Rosacruz – 07/67 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Qualidades: o Exercício Esotérico de ver o bem em tudo
Quando Cristo-Jesus e seus Discípulos passaram por um cão morto, em estado de putrefação, houve quem preocupasse com o mau cheiro, e, não se contendo, comentou-o. Prontamente Cristo-Jesus chamou a atenção dos Discípulos para a alvura dos dentes daquele animalzinho fazendo com que vissem apenas o que nele havia de bom.
No fato que acabamos de descrever percebe-se, com clareza, a profunda lição que o Mestre dera aos Discípulos de todos os tempos e à humanidade.
Feliz, portanto, de quem procura se compenetrar da sublime lição dada por Cristo-Jesus. Vão, gradativamente, enxergando em seu próximo tão somente as qualidades. Com isto, a sua felicidade avulta, tendo em vista a possibilidade que alcança de fazer, em maior proporção, a felicidade dos outros. Esta realidade é, sem dúvida, o que há de mais importante, não apenas no Mundo Físico.
Max Heindel, nosso Amigo, em perfeita consonância com Cristo-Jesus, ensina-nos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” que devemos ver o BEM em TUDO. Aliás, entre os Estudantes da Fraternidade Rosacruz, felizmente, alguns já se compenetraram bem da lição conscientemente. Outros atingiram certo ponto e continuam se esforçando. E, há, ainda, aqueles que estão iniciando a maravilhosa jornada.
Caminhando, pois, como ensinara o Mestre verificaremos, no correr dos dias, que EIe tinha e tem toda razão desaparecendo por completo, o “mau cheiro” que antes sentia, por ventura, nos fatos e pessoas.
Lembremo-nos, finalmente, de que a Bíblia Sagrada diz o seguinte: “Deus Criou tudo e viu que tudo era bom”. É conveniente, portanto, meditar diariamente sobre isto.
(Revista Serviço Rosacruz – 07/66 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Os Dois Polos do Amor: uma força ativa e uma atividade?
O amor é uma força ativa no ser humano; uma força que irrompe pelas paredes que separam o ser humano de seus semelhantes, que o une aos outros; o amor leva-o a superar o sentimento de isolamento e de separação permitindo-lhe, porém, ser ele mesmo e reter sua integridade. No amor, ocorre o paradoxo de que dois seres sejam um e, contudo, permaneçam dois.
Ao dizermos que o amor é uma atividade, enfrentamos uma dificuldade que reside na significação ambígua desta palavra. Por “atividade”, no emprego moderno do termo, queremos, normalmente, referir-nos a uma ação que produz mudança numa situação existente, por meio de gasto de energia. Assim, um ser humano é considerado ativo quando faz negócios, estuda, trabalha ou dedica-se a esportes. Todas estas atividades têm isto em comum; dirigem-se para um alvo exterior a ser alcançado. O que não se leva em conta é a motivação da atividade. Veja-se, por exemplo, um individuo impelido a incessante trabalho por um sentimento de profunda insegurança e solidão; ou por outra, impulsionado pela ambição ou pela avidez por dinheiro. Em todos esses casos a pessoa é escrava de uma paixão, e sua atividade é de fato uma “passividade” porque ela é impelida; é o paciente e não o “ator”. De outro lado, alguém que se assente calmo e contemplativo sem outro alvo que não o de experimentar-se e a sua unidade com o mundo, é considerado como “passivo”, porque não está “fazendo” coisa alguma. E, na verdade, esta atitude de meditação concentrada é a mais alta atividade que existe, uma atividade da alma, só possível sob condições de independência e liberdade interiores. Um conceito de atividade moderno refere-se ao uso de energia para consecução de metas externas, o outro conceito de atividade refere-se ao uso dos poderes inerentes ao ser humano, sem que importe a produção de qualquer mudança exterior. Este último conceito de atividade foi formulado com muita clareza por Spinoza (N.R.: Baruch de Espinoza foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz).
Diferencia ele os afetos entre ativos e passivos, “ações” e “paixões”. No exercício de um afeto ativo, o ser humano é livre, é o senhor de seu afeto; no exercício de um afeto passivo, o ser humano é impelido, e objeto de motivações de que ele próprio não tem consciência. Assim Spinoza chega à afirmação de que virtude e poder são uma só e a mesma coisa. A inveja, o ciúme, a ambição, qualquer espécie de cobiça são paixões; amor é uma ação, a prática de um poder humano, que pode ser exercido com liberdade e nunca como resultado de uma compulsão.
O amor é uma atividade, e não um afeto passivo; é um “erguimento” e não uma “queda”. De modo mais geral o caráter ativo do amor pode ser descrito afirmando-se que o amor, antes de tudo, consiste em dar, e não em receber.
Que é dar? Embora pareça simples a resposta a esta pergunta, ela, em verdade, é cheia de ambiguidades e complexidades. O equívoco mais vastamente espalhado é o que entende que dar é “abandonar” alguma coisa, ser privado de algo, sacrificar. A pessoa cujo caráter não se desenvolveu além da etapa da orientação receptiva, explorativa ou amealhadora, experimenta o ato de dar dessa maneira. O caráter mercantil deseja dar, mas, só em troca de receber; dar sem receber, para ele, é ser defraudado. Aqueles cuja principal orientação é não produtiva sentem que dar é um empobrecimento. A maioria dos indivíduos desse tipo, portanto, recusa dar. Alguns fazem do ato de dar uma virtude, para eles, reside no próprio ato de aceitação do sacrifício.
Para eles, a norma de que é melhor dar do que receber significa que é melhor sofrer privação do que experimentar alegria.
Para o caráter produtivo dar tem um sentido inteiramente diverso. Dar é a mais alta expressão da potência. No próprio ato de dar, ponho a prova minha força, minha riqueza, meu poder. Essa experiência de elevada vitalidade e potência enche-me de alegria. Provo-me com superabundante pródigo, cheio de vida e, portanto, como alegre.
Não é difícil reconhecer a validez desse princípio aplicando-o a vários fenômenos específicos. Na esfera das coisas materiais, dar significa ser rico. Não é rico quem muito tem, mas quem muito dá. O avaro que ansiosamente receia perder alguma coisa é, psicologicamente falando, o indivíduo pobre, o empobrecido, não importa quanto possua. Quem é capaz de dar de si, este sim é rico. Põe-se à prova como quem pode conceder de si aos outros. Só quem for privado de tudo quanto vá além das mais simples necessidades da existência será incapaz de gozar o ato de dar coisas materiais. Mas a experiência diária mostra que aquilo que alguém considera como necessidade mínima depende tanto de seu caráter quanto de suas posses efetivas. É bem sabido que os pobres são mais inclinados a dar do que os ricos. Não obstante a pobreza além de certo ponto pode tornar impossível dar, e assim é degradante, não só pelo sofrimento que causa diretamente, mas pelo fato de privar o pobre da alegria de dar.
A mais importante esfera de dar, entretanto, não é das coisas materiais, mas está no reino especificamente humano. Que dá uma pessoa à outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá se sua vida. Isto não quer necessariamente dizer que sacrifique sue vida por outrem, mas, que lhe dê aquilo que em si tem vivo: dê-lhe de sua alegria, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de sua tristeza – de todas as expressões e manifestações daquilo que vive em si. Dando assim de sua vida, enriquece a outra pessoa; valoriza-lhe o sentimento da vitalidade ao valorizar o seu próprio sentimento de vitalidade. Não dá a fim de receber; dar é, em si mesmo, requintada alegria. Mas, ao dar, não pode deixar de levar alguma coisa à vida da outra pessoa, e isso que é levado a vida reflete-se de volta ao doador; ao dar verdadeiramente não pode deixar de receber o que lhe é dado de retorno. Dar implica fazer da outra pessoa também um doador e ambos compartilham da alegria de haver trazido algo à vida. No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são gratas pela vida que para ambas nasceu. Com relação especificamente ao amor, isso significa: o amor é uma força que produz amor. Só se pode trocar amor por amor, confiança por confiança. Se queremos gozar a arte, devemos ser uma pessoa de sensibilidade e preparo artístico; se queremos ter influência sobre outras pessoas, deveremos ser uma pessoa que tenha sobre outras pessoas influência realmente estimuladora e promotora. Cada uma de nossas relações com o semelhante e com a natureza deve ser uma expressão definida de nossa vida real, individual, correspondente ao objeto de nossa vontade. Se amamos sem atrair amor, isto é, se nosso amor é tal que não produz amor, se através de uma expressão de vida como pessoa amante não fazemos de nós mesmos uma pessoa amada, então nosso amor é impotente, é um infortúnio.
Mas não é só no amor que dar significa receber. O mestre é ensinado por seus alunos; o ator é estimulado por sua audiência; o psicanalista é curado por seu cliente – contando que não se tratem uns aos outros como objetos, mas se relacionam uns com os outros produtiva e genuinamente.
Quase não é necessário acentuar fato de que a capacidade de dar depende do desenvolvimento do caráter da pessoa. Pressupõe o alcançamento de uma orientação predominantemente produtiva; nessa orientação a pessoa superou a dependência, a onipotência narcisista, o desejo de explorar os outros, ou de amealhar, e adquiriu fé em seus próprios poderes humanos; coragem de confiar em suas forças para atingir seus alvos.
No mesmo grau em que faltem essas qualidades é ela temerosa de dar-se e, portanto, de amar. (Extraído de “A Arte de Amar” – Erich Fromm).
(Revista Serviço Rosacruz – 08/67 – Fraternidade Rosacruz – SP)
As manifestações da Luz de Cristo, toda vibrante, linda e cheia de mistério, são tão numerosas que seria impossível apresentar mais que um resumo deste vasto assunto em um simples artigo.
À medida que oramos em nossa Sede Central, dia após dia, a Luz de Cristo, vibrando em cada um de nós, juntam-se e irradiam um raio luminoso que forma uma deslumbrante luz dentro e em volta de todo o edifício da Sede. Pela mesma razão, a Luz de Cristo emana do nosso Templo de Cura, mas num grau muito maior.
Se analisarmos um pouco o assunto, verificaremos que a maioria das coisas verdadeiramente belas da vida são criadas por intermédio da Luz de Cristo. Por outro lado, a Luz de Cristo é acionada pelo amor que manifestamos – amor a toda a Criação, que é uma manifestação de Deus.
A Luz de Cristo pertence a todo indivíduo, tanto os seres humanos livres como os escravos. É difícil para nós que somos livres, conceber que há neste mundo homens e mulheres que são escravos. Estes seres não são donos de seus corpos físicos, mas possuem a centelha da Luz de Cristo dentro de seus corações. É essa centelha que, eventualmente, os libertará de toda escravidão.
Os Raios de Cristo constituem o princípio ativo da nutrição e do crescimento em todas as obras da Natureza. O lavrador experiente leva em consideração estes Raios quando são refletidos pela Lua, na ocasião do plantio. O ser humano que faz curas leva em conta os Raios de Cristo que vêm diretamente do Sol. Cristo é a concretização do Princípio da Sabedoria, e à medida que Cristo se forma dentro de nós, alcançamos o estado de saúde. A cura espiritual deriva do emprego das diversas categorias de vibrações dos Raios de Cristo. A Força curativa empregada por Cristo sempre esteve ao alcance da humanidade, de acordo com o preparo do indivíduo para tornar-se um canal receptor e transmissor da força curativa.
À medida que damos, assim também recebemos. Por isso se quisermos receber esta grande força curativa precisamos por nossa vez, distribuí-la à humanidade sofredora; tornando-nos assim um canal adequado para a passagem desta força.
Antigamente o caminho da Iniciação não estava aberto a todos. Mas somente aos poucos escolhidos. Os Discípulos que estivessem preparados para a Iniciação, antes do nascimento de Cristo, elevavam-se a um estado de exaltação no qual eles transcendiam as condições físicas. Para a sua visão espiritual, a Terra sólida tornava-se transparente e eles viam o Sol à meia-noite: “a Estrela”. Esta é a Estrela que brilhou para o místico na escuridão da noite. A Estrela Fulgurante está sempre presente para guiá-lo, e sua alma ouve o cântico profético: “Paz e Boa Vontade a todos”. Isto se aplica a todos, sem exceção. Não há lugar para um único inimigo ou rejeitado! É de admirar que seja difícil educar a humanidade para conceber um nível tão elevado? Existe melhor caminho para demonstrar a beleza, a necessidade da paz, da boa vontade e do amor do que se contrastando com o estado atual de guerras, egoísmo e ódio?
Diz-se que a Estrela de Belém surgiu na ocasião do nascimento de Jesus e guiou os três Reis Magos (que representam o povo da Terra) até o Salvador. A natureza da Estrela tem sido motivo de muita especulação. A maioria dos cientistas materialistas consideram-na um mito, mas todo místico conhece a Estrela bem como a Cruz – não somente como símbolos ligados a vida de Jesus e de Cristo-Jesus como nas suas próprias experiências devida.
No momento em que o Grande Espírito do Cristo Solar livrou-Se do veículo físico de Jesus na Crucificação, uma enorme onda de luz espiritual inundou a Terra. Naquele momento o caminho da Iniciação foi aberto a todos que o buscassem. Esta onda de luz espiritual tinha um brilho tão ofuscante que as massas disseram que o Sol se tinha obscurecido. O Sol não se obscureceu. Foram as fortíssimas vibrações causadas pela luz excessiva que cegaram o povo. Este foi o espetáculo mais vibrante dos Raios de Cristo até hoje registrado.
Os raios do Sol Espiritual e invisível possibilitam o crescimento anímico sobre diferentes partes da Terra sucessivamente, assim como os raios do Sol físico possibilitam o crescimento da forma. Este impulso espiritual também se dirige na mesma direção que o Sol físico – do Leste para o Oeste. Isto explica a onda de espiritualidade que se disseminou sobre a Terra, dirigindo-se do Oriente para o Ocidente, compreendendo numerosas religiões até que finalmente vem atingir o Mundo Ocidental, onde assume a forma elevada da Religião Cristã. E assim como o brilho do Sol ultrapassa a estrela mais brilhante dos céus, assim também num futuro muito remoto a verdadeira Religião de Cristo substituirá e obscurecerá todas as outras religiões. Todas as religiões foram dadas à humanidade pelos Anjos do Destino, os quais conhecem as necessidades espirituais de cada classe, nação e raça, mas agora essas religiões já serviram o fim a que se destinava, qual seja, servir de ponto de partida para a compreensão do Cristianismo Esotérico que ainda não foi ensinado publicamente, nem o será enquanto a humanidade não atravessar a fase materialista e estiver preparada para recebê-la. No decorrer da Sexta Época vindoura, ou Nova Galileia, a Luz de Cristo unificadora, sob a forma de Religião Cristã, abrirá os corações da humanidade, assim como seu entendimento espiritual está aumentando agora.
O Cristianismo como conhecemos teve início há mais de 2.000 anos, mas o verdadeiro Cristianismo sempre existiu e sempre existirá, simplesmente porque há um só Filho de Deus, o Cristo Cósmico. Todas as outras religiões, encerrando somente uma parte daquilo que o Cristianismo possui em proporções maiores, têm apenas conduzido a humanidade para a religião Cristã. Quando Cristo apareceu em estado físico e uniu-Se a esta Terra, a verdadeira religião em existência recebeu o nome de Cristã. Somente por intermédio da percepção consciente do Cristo interior pode a verdadeira compreensão espiritual do Cristianismo raiar sobre o mundo.
Toda a humanidade está se tornando sensível a mais uma oitava de visão, porque o Éter que circunda a Terra está ficando mais denso e o ar mais rarefeito. Isto é verdade especialmente em certas partes do mundo, no Sul da Califórnia entre outras, e a nossa Sede é particularmente favorecida neste ponto. A este respeito, é digno de nota o fato de que a magnificência da Aurora Boreal do Norte congelado, está se tornando mais frequente e mais potente nos seus efeitos sobre a Terra. Nos dias primordiais da Era Cristã este fenômeno era desconhecido, mas com o correr do tempo, à medida que a Onda de Cristo, que penetra na Terra durante parte do ano, transmite uma quantidade cada vez maior de sua própria vida, a massa terrestre inerte, os Raios Etéricos Vitais, tornam-se visíveis de intervalos a intervalos. Depois se tornam cada vez mais numerosos, e agora estão começando a perturbar as nossas atividades elétricas, cujas funções são, às vezes, completamente alteradas pela irradiação destes raios.
As correntes relativamente fracas e invisíveis produzidas pelos Espíritos-Grupo das plantas e os fortíssimos raios de força produzidos pelo Espírito de Cristo, ora visíveis sob a forma da Aurora Boreal, tiveram até agora mais ou menos a mesma natureza que a eletricidade estática, ao passo que as correntes produzidas pelos Espíritos-Grupo dos animais e que circundam a Terra podem ser comparadas a eletricidade dinâmica, a qual deu a Terra a sua força de movimento em eras passadas. Agora, porém, as correntes de Cristo estão se tornando cada vez mais poderosas e sua eletricidade estática vai sendo libertada, transformando-se, assim, em dinâmica. O impulso etérico que elas produzem iniciará uma nova Era e os órgãos sensoriais que a humanidade possui atualmente, precisam acomodar-se a esta transformação.
Com o correr do tempo, e à medida que Cristo, através de Sua intervenção benéfica, atrai uma quantidade cada vez maior do éter interplanetário para a Terra, tornará o globo mais luminoso e estaremos caminhando num mar de luz, devido ao constante contato com estas vibrações benéficas de Cristo. E também nos tornaremos luminosos. Então a vista humana, tal como ela se constitui, não teria utilidade para nós; por isso ela está começando a modificar-se e nós estamos passando pelo incômodo que acompanha qualquer reconstrução. Ainda com referência a Aurora Boreal (os poderosos raios de força produzidos pelo Espírito de Cristo), e seus efeitos sobre nós, , irradia através de todas as partes da Terra, que é o Corpo de Cristo, partindo do centro para a periferia, mas não são visíveis nas regiões habitadas do mundo, porque estes raios são absorvidos pela humanidade, assim como os raios do Espírito-Grupo das plantas são absorvidos pela flor. Estes raios constituem o “impulso interior” que lenta, mas seguramente, vai impelindo a humanidade a adotar uma atitude de altruísmo.
Quando olhamos para os dias anteriores ao nascimento do Salvador verificamos que o altruísmo, em qualquer sentido da palavra, era desconhecido. Cada criatura humana pensava em si mesma, gananciosa, indiferente e licenciosa. Mas com a presença do Salvador na Terra, os raios benéficos foram atraídos e lentamente, muito lentamente, mas com segurança, todas as vibrações começaram a manifestar-se, e no decorrer dos milênios que se passaram o amor e a generosidade para com nossos semelhantes positivaram-se.
À medida que o ser humano progride espiritualmente, ele absorve uma quantidade cada vez maior da Luz de Cristo e, consequentemente, aumenta cada vez mais a presença dessa Luz na Terra. Isto explica todas as nossas grandes instituições de ensino e de caridade, bem como a enorme generosidade que existe em toda parte.
Certamente é grande o mérito da humanidade pela prática de tanto altruísmo e de sua constante intensificação. Tudo isto é a manifestação da inesgotável Luz de Cristo; a Luz que impregna e que torna a alma produtiva, eventualmente, realizará a Imaculada Concepção e o Cristo nascerá dentro de cada um de nós. Então, caminharemos na luz, porque Ele está sempre na luz, e nós amaremos uns aos outros.
(Revista Serviço Rosacruz – 09/65 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Pergunta: Se nós éramos puro espírito e uma parte de um Deus Onisciente, por que foi necessário que empreendêssemos esta longa peregrinação, marcada pelo pecado e pela dor através da matéria?
Resposta: No início da manifestação, Deus diferenciou dentro de Si mesmo uma multidão de inteligências espirituais em potencial, como as chispas são emitidas pelo fogo. Essas inteligências espirituais eram, portanto, chamas ou fogos em potencial, mas não eram fogos ainda, pois embora dotadas com a plena consciência de Deus, faltava- lhes a consciência de si mesmas. Sendo potencialmente onipotentes como Deus, faltava-lhes poder dinâmico disponível para ser usado a qualquer momento, de acordo com a sua vontade e, para que estas qualidades pudessem ser desenvolvidas era imprescindível que elas passassem pela matéria. Portanto, durante a involução, cada Centelha Divina foi encerrada em vários veículos de densidade suficiente para excluir o mundo exterior de sua consciência. Então, o espírito confinado, não mais capaz de entrar em contato com o exterior, retorna ao encontro de si mesmo. Ao despertar a consciência de si mesmo começa a luta para libertar-se de sua prisão. E, durante a evolução, os vários veículos possuídos pelo espírito irão espiritualizar-se em Alma, de modo que, ao término da manifestação, o espírito não só terá adquirido consciência de si mesmo, mas também poder anímico.
Há uma tendência, por parte da maioria das pessoas, em acreditar que tudo que existe é o resultado de fatos anteriores, não deixando lugar para qualquer construção nova e original. Aqueles que estudam a vida, geralmente falam apenas de involução e evolução. Os que estudam a forma, ou seja, os cientistas modernos preocupam-se tão somente com a evolução, mas, os mais adiantados estão descobrindo outro fator que chama Epigênese. Em 1757, Gaspar Wolf emitiu sua Theorea Generationis, na qual demonstrou que, no desenvolvimento do óvulo, há uma série de novas formações não prenunciadas anteriormente, e Haeckel, endossando esse trabalho, diz que hoje em dia não se justifica mais denominar-se a Epigênese de teoria. É um fato que podemos demonstrar, no caso das formas inferiores onde as mudanças são rápidas, em um microscópio. Desde que o ser humano foi dotado da Mente, a Epigênese, que é o impulso criador original, foi a causa de todo o nosso desenvolvimento. É verdade que construímos sobre o que já foi criado, mas há também algo novo devido à atividade do espírito. E é dessa maneira que nos tornamos criadores, pois se nos limitássemos apenas a imitar aquilo que foi disposto para nós por Deus ou pelo Anjo, nunca poderíamos tornar-nos inteligências criativas: seríamos apenas imitadores. E, embora cometamos erros, reconhecemos que, muitas vezes, aprendemos mais com os nossos erros do que com os nossos acertos. O pecado e o sofrimento são meramente o resultado dos nossos erros, e sua impressão sobre nossa consciência leva-nos a adotar outras linhas de comportamento que julgamos boas, isto é, que estão em harmonia com a natureza.
Portanto, este mundo é uma escola de aprendizagem e não um vale de lágrimas onde fomos colocados por um Deus caprichoso. (Ver Pergunta n.º 9).
(Livro: Perguntas e Respostas – Vol. I – pergunta 1 – Fraternidade Rosacruz – Max Heindel)
Caminho da Iniciação: O Batismo
“Da Galileia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. João recusava-se: Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!
Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa. Então João cedeu. Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água.
Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus.
E do céu baixou uma voz: Eis meu Filho muito amado, em quem me comprazo”.(Mt 3; 13-17)
Note: João Batista,”entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior que João”(Lc 7: 28); ou seja: os sujeitos a roda de nascimentos/mortes; como essênio, praticava o Batismo da Água; é o Arauto da nova era.
Nesse momento, mais uma vez, como na noite santa, os céus estavam cheios com os ecos de hosanas e voz angelical de Deus é ouvida proclamando: “Este é meu filho amado em quem me comprazo.”
Notem a presença marcante da Santíssima Trindade:
Os 3 atributos de Deus presentes: Vontade, Sabedoria e Movimento
No Batismo, atingimos o maior grau de equilíbrio entre:
E quando alcançamos essa fase na nossa evolução:
O coração crê naquilo que o intelecto (o ocultismo) sancionou e o intelecto (o ocultismo) descobre com o coração, o conhecimento aplicado: a sabedoria.
Esse é o único meio que se consegue ter uma vida consagrada inteiramente ao Serviço do Reino de Deus na Terra.
Portanto, no Batismo a força espiritualizada da Mente e o Amor radiante do Coração se junta em uma identificação divina.
O nascimento do Cristo Interno foi completado e o Aspirante é um indivíduo Crístico.
O Batismo anuncia o início de uma nova vida, uma vida em que a personalidade é secundária porque a consciência Crística reina suprema.
A cabeça do agora iluminado se coroa por um halo de luz quando a “pomba branca” do Espírito Santo pousa sobre ele, bendizendo-o, enquanto a voz de Deus Pai declara: “Este é meu Filho muito amado, no qual me comprazo”.
São Paulo, que trilhou esse caminho, disse que: “Deus mitiga o vento para a ovelha tosquiada”. Quem analisa essas etapas, comprovará que isso é correto!
É aqui que Max Heindel sugeria: “mantenham suas cabeças nas estrelas e seus pés no chão”
(veja mais em El Misterio de los Cristos – Cap. XXXVIII; Cap. VII- O Maravilhoso Livro das Eras – Corinne Heline; Treinamento Esotérico – Conceito Rosacruz do Cosmos; Visão e Compreensão Espirituais – Cristianismo Rosacruz – Max Heindel)
O Magno Mistério da Rosacruz: os ensinamentos são somente “a casca que tem de ser removida, a fim de ser saboreado o fruto”
Costumamos receber cartas de estudantes, nas quais se queixam de que se encontram desamparados nos estudos que fazem da Filosofia Rosacruz; que suas esposas ou esposos, filhos ou demais parentes não só antipatizam, como são antagônicos aos ensinamentos dessa filosofia, apesar dos esforços que dispendem para interessá-los, e, ao mesmo tempo, para obterem cooperação e liberdade para levarem a cabo as suas inclinações. Esse atrito é causa de certa infelicidade, proporcional aos distintos temperamentos e, por isso, nos rogam que lhes aconselhemos sobre o modo de converter tais pessoas e vencer esse antagonismo.
Por meio de correspondência particular tivemos o prazer de ajudar a mudar as condições de não poucos lares, quando nossas sugestões foram seguidas devidamente. Entretanto, sabemos que aqueles que por esse motivo mais profundamente sofrem, são aqueles que se calam e, portanto, resolvemos dedicar-lhes curto espaço de tempo para discutir o assunto.
Foi dito, em verdade, mas muito verdadeiramente, que “um ligeiro conhecimento é perigoso”, e isso se aplica ao significado dos ensinamentos Rosacruzes; portanto, o principal é sabermos se temos um conhecimento suficiente para sustentarmos uma atitude apropriada e, então, eu vos faço uma pergunta: O que são esses ensinamentos Rosacruzes que com tanto afã procura inculcar-nos outros, e qual o seu objetivo? Será tornar conhecidas as leis gêmeas da Causalidade e do Renascimento? Elas por si só explicam muitos dos problemas da vida e é um grande consolo quando a temível segadora apareça em vossa casa e arrebate a algum ser querido, porém, não esqueça de que existem muitas pessoas que não tem necessidade de nenhuma explicação, pois são de uma constituição tal que não se acham preparadas para receber o que lhes queiramos transmitir. É natural que agimos com maior vantagem quando temos consciência das leis e seus propósitos, mas atentemos ao fato de que essas leis trabalham para o bem geral, embora a humanidade tenha ou não conhecimento disso; portanto, esse conhecimento não é essencial. As pessoas não sofrerão grandes penas por não adotarem a nossa doutrina, e poderão, talvez, escapar da desvantagem de possuírem um “conhecimento muito limitado”.
Na Índia, onde essas verdades são conhecidas e cridas por milhões de pessoas, o povo faz muito pouco esforço para adquirir o progresso material, por saberem que tem tempo ilimitado para obterem o que quiserem e porque sabem que os que não fizerem nesta vida terão que fazer na futura; assim é que muitos ocidentais, ao abraçarem a doutrina do renascimento, caíram na indolência, deixando de ser úteis à comunidade e deturpando, assim, os chamados ensinamentos elevados. Se seus amigos ou parentes não se interessam por esses ensinamentos, deixai-os tranquilos; converter a outrem não é essencial sob o ponto de vista Rosacruz, pois o Guardião do Umbral não leva em consideração o conhecimento de ninguém, admitirá a alguns que desconheçam completamente o assunto e baterá à porta no rosto de outros que passaram suas vidas lendo, estudando e ensinando os ensinamentos das leis.
De maneira que, se as doutrinas da Casualidade e do Renascimento não são essenciais, o que diremos do conhecimento da complexa constituição do ser humano? Seria essencial saber que nós não somos meramente um corpo visível, senão que temos um Corpo Vital que o carrega de energias, um Corpo de Desejos que consome essas energias, uma Mente para guiar os nossos esforços por canais razoáveis e que somos Espíritos Virginais envoltos como Ego em um véu tríplice? Seria também essencial saber que o Corpo Denso é a contraparte material do Espirito Divino; que o Corpo Vital é a contraparte do Espirito de Vida; e que o Corpo de Desejos é a contraparte do Espirito Humano, e que a Mente é o elo entre o Tríplice Espírito e o Tríplice Corpo?
Não, esse conhecimento não é essencial. Tais conhecimentos, quando usados de modo apropriado, são uma vantagem, mas poderão se tornar em desvantagem para aqueles que tenham “um conhecimento muito limitado”.
Muitos vivem meditando sobre as “coisas superiores”, enquanto os “seres inferiores” gemem na miséria diante de suas portas; muitos sonham, dia e noite, na hora em que tenham de sair de seus corpos em voos da alma, como “Auxiliares Invisíveis” para remediarem os sofrimentos, as enfermidades e tristezas alheias, não sendo, porém, capazes de gastar cinco minutos para consolar um pobre abandonado em um hospital ou para levar uma flor, uma palavra de consolo a alguém que dela necessite. Novamente declaro que o Guardião do Umbral admitirá aquele que fez o que pode e não ao que muito sonhou e nada fez para aliviar os sofrimentos de seus semelhantes.
Se conseguir que alguém estude os nossos ensinamentos sobre a morte e a vida que há depois dela, concluirá que também seria muito importante saber algo sobre o Cordão Prateado que permanece sem se partir, aproximadamente durante três dias, e meio depois que o espírito abandona o Corpo Denso, e que o Corpo Denso deve permanecer em ambiente de tranquilidade, enquanto o panorama de sua vida passada está sendo gravado no Corpo de Desejos, a fim de servir de árbitro na sua passagem pelos Mundos Invisíveis; achará, também, razoável que soubessem tudo o que se relaciona com a vida do Espírito no Purgatório e que como os maus atos da vida reagem sobre o ser humano, como dor, a fim de criar consciência e mantê-lo afastado de ditos atos, nas vidas futuras; igualmente, desejará fazê-lo aprender como os bons atos se transmutam em virtudes nas vidas futuras, conforme a nossa filosofia ensina; entretanto, se você se surpreende com a asserção de que o conhecimento das grandes leis gêmeas não é essencial, muito você se escandalizará, porque eu lhe digo que também não é essencial que conheça a constituição do ser humano, tal como a nossa filosofia ensina e muito lhe poderá entristecer ao lhe afirmar que os ensinamentos Rosacruzes, em relação à morte e a passagem do Espírito pelos Mundos Invisíveis não são, também, necessários para o propósito que pretendemos levar avante. Realmente, não importa que seus parentes ou amigos compreendam, creiam ou não em tais coisas; porém, pelo que diz respeito a sua morte, pode escrever aos vossos familiares que deixem o seu Corpo Denso em paz e que não permitam ruídos durante o período apropriado; todos, naturalmente, assim farão, mormente levando em conta certa superstição em respeitar a “última vontade dos moribundos”; e se ocorrer o falecimento de um seu parente ou amigo estará presente, a fim de que com o seu conhecimento possa ajudá-lo, convenientemente. Portanto, não se preocupe por se recusarem a receber os ensinamentos Rosacruzes.
Mas, dirá o estudante: “Se o conhecimento dessas coisas que parecem ter um tão grande valor prático não é necessário, é de se supor que o estudo dos Períodos, Revoluções, Mundos, Globos, etc. se encontram nas mesmas condições, e isso destrói tudo o que foi ensinado no ‘Conceito’, e nada restará daquilo que aprendemos e aceitamos com toda fé! “.
Que nada reste dos ensinamentos? … pois a verdade é que tais ensinamentos são somente a casca que tem de ser removida, a fim de ser saboreado o fruto. Com certeza você leu o Conceito muitas vezes e se sente orgulhoso em conhecer o mistério do mundo, porém leu o mistério que se oculta em cada uma de suas linhas? Esse é o grande e essencial ensinamento, aquele que interessará aos seus amigos e parentes, o qual quando aprendido deverá ser dado a eles. O Conceito predica em cada uma de suas linhas O EVANGELHO DO SERVIÇO!
Por nossa causa a Deidade manifestou o universo; as grandes Hierarquias Criadoras foram – e algumas delas continuam – sendo nossos servidores, os Luminosos Anjos astrais, cujos ígneos corpos vemos girando através do espaço, trabalharam conosco por muito tempo e, por sua vez, Cristo veio trazer-nos os impulsos espirituais de que carecíamos, sendo significativa a parábola: “Muito bem, bom e fiel servo, entra no gozo do teu Senhor; pois tive fome e me alimentaste, tive sede e me deste de beber” (Mt 25; 21). Não há nessa parábola nem uma só palavra sobre o conhecimento. Todo o seu significado gira em torno da fé e do serviço.
Nisso existe uma profunda e oculta razão: o serviço constrói o Corpo-Alma, o glorioso Traje Nupcial, sem o qual nenhum ser humano poderá entrar no Reino dos Céus, designado ocultamente por a “Nova Galileia”. De modo que se levarmos a cabo o nosso trabalho, não importa que saibamos ou não como se processam as coisas, pois o luminoso Corpo-Alma cresce ao redor da pessoa e a sua luz lhe ensinará tudo quanto concerne aos Mistérios sem que seja preciso recorrer a livros – por esse meio, o indivíduo aprende os ensinamentos de Deus de tal maneira que ultrapassa aquilo que os livros lhe poderiam oferecer. No devido tempo a sua visão interna se despertará e lhe mostrará o caminho para o templo.
Se quer ensinar aos seus amigos, por muito céticos que sejam, eles crerão em você se você pregar o “evangelho do serviço”. Mas a sua prédica deve ser prática; deve se converter em um servidor de todos se quiser que creiam em você; se quer que o sigam, deve guiá-los, pois de outro modo, terão o direito de duvidar da sua sinceridade. Lembra-se que “sois uma cidade sobre uma montanha” (Mt 5: 14-15) e que quando declarar qualquer coisa terão o direito de julgá-la pelos seus frutos; portanto, fale pouco e faça muito.
Muitos gostam de discutir tais coisas à mesa, esquecendo que a carne sangrenta que se acha ante seus olhos e o fumo dos charutos ofusca os sentidos; há muitos que fazem do seu estômago um deus e preferem estudar gastronomia, em vez da Bíblia, estando sempre dispostos a discorrer com seus amigos sobre o último prato em moda.
Conheci um indivíduo que dirigia um centro esotérico, cuja esposa tinha aversão pelo estudo do ocultismo e pela dieta vegetariana. Tal indivíduo advertiu sua esposa que se alguma vez cozinhasse carne ou contaminasse as panelas e prato com alimentos carnívoros seria posta na rua com todo o vasilhame, acrescentando que se ela pensava em torná-lo um porco, que fosse tomar as suas refeições em um restaurante. É de se admirar que tal senhora tivesse aversão pela religião de seu marido e nada quisesse saber dela? Desse caso pode se tirar uma boa lição, embora seja um caso extremo.
Muito digno de louvores foi o procedimento de Maomé, pois a sua primeira discípula foi a sua esposa, e muitos volumes se escreveriam sobre a bondade e consideração que o profeta dispensava em seu lar. Tal exemplo faria muito bem em seguir se quisermos adquirir amigos que nos sigam na vida superior, pois embora os sistemas religiosos difiram em sua parte externa o centro deles todos é AMOR.
(Revista Rosacruz – 12/64 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Caminho da Iniciação: O Ensinamento no Templo
“E o menino crescia, tornava-se robusto, enchia-se de sabedoria;
e a graça de Deus estava com ele.
Seus pais iam todos os anos a Jerusalém à festa da Páscoa.
Quando o menino completou doze anos, segundo o costume,
subiram para a festa. Terminado os dias, eles voltaram, mas o
menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem.
Pensando que estivesse na caravana, andaram o caminho de um dia, e
puseram-se a procura-lo entre parentes e conhecidos.
Três dias depois, eles o encontraram no Templo, sentado em meio aos doutores, ouvindo-os e interrogando-os; e todos os que o ouviam ficavam extasiados com sua inteligência e com suas respostas. Ao vê-lo ficaram surpresos, e sua mãe lhe disse:
‘Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos’.
Ele respondeu: ‘Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?’
Eles porém não compreenderam as palavras que ele dizia. Então desceu com eles e foi para Nazaré e estava-lhes sujeito.
Mas sua mãe guardava todas estas coisas em seu coração.
E Jesus progredia em sabedoria, em maturidade e em benevolência (amor) diante de
Deus e dos homens.” (Lc 2; 40-42 – 46-52)
A passagem da vida de Jesus que melhor nos ensina e que mais nos indica como devemos proceder para alcançar esse equilíbrio (pois nos fornece a dica do que devemos consagrar a nossa vida inteira) é a que descreve o Ensinamento no Templo, quando o menino Jesus aos 12 anos foi reencontrado pela sua mãe e seu pai “sentado em meio aos doutores, ouvindo-os e interrogando-os; e todos os que o ouviam ficavam extasiados com sua inteligência e com suas respostas”.
Nessa passagem, onde contém as primeiras palavras publicadas na Bíblia saídas da boca do menino Jesus, encontramos várias chaves sobre esse assunto.
A atitude do menino Jesus evidencia um ser humano que alcançou o equilíbrio perfeito “cabeça” e “coração”.
Essa faculdade está sob completo domínio da sua vontade. Não é necessário pôr-se em transe, ou fazer algo anormal para elevar sua consciência !
A educação ou exercitamento esotérico abriu a sua visão interna!
Aqui também vemos a atitude de seres humanos que procuram se desenvolver somente pelo lado do intelecto (os ocultistas). Ficam perplexos com a sabedoria do menino Jesus e mais ainda porque ele os fala pelo coração (Jerusalém) e os “doutores” compreendem de um modo muito mais profundo do que estudaram utilizando os meios intelectuais!
Também vemos o exemplo da atitude de um ser humano que procura se desenvolver somente pelo lado místico: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos”. Notem a semelhança com momentos como: “estou proibido de comer qualquer coisa com amido…minha diabete está nas alturas…vou a casa de uma tia que muitos anos não a via…ela faz um bolo especialmente para mim…digo que não posso comer…eis que minha mãe diz: “meu filho, que desfeita…come só um pedacinho que não vai lhe fazer mal”.
E, ainda, o exemplo de como um ser humano com equilíbrio perfeito “cabeça” e “coração” se posiciona: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?”. E onde estava o menino Jesus quando falou isso? No Templo (“não sabeis que sois o Templo de Deus?”).
Portanto, podemos ver que a passagem “O Ensinamento no Templo” nos ensina a combinar os nossos maravilhosos e um tanto latentes poderes:
Cabeça e Coração
Masculino e Feminino
…no nosso próprio interior.
E quando alcançamos essa fase na nossa evolução:
O coração crê naquilo que o intelecto (o ocultismo) sancionou E
O intelecto (o ocultismo) descobre com o coração, o conhecimento aplicado: a sabedoria
Esse é o único meio que se consegue ter uma vida consagrada inteiramente ao Serviço do Reino de Deus na Terra.
E, a partir daí, qualquer outro interesse que apareça, temporalmente, receberá a mesma resposta que o menino Jesus deu quando seus pais o encontraram no Templo, ensinando aos doutores: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?”
(veja mais em: Fuga para o Egito – O Maravilhoso Livro das Épocas; El Misterio de los Cristos – Corinne Heline; Treinamento Esotérico – Conceito Rosacruz do Cosmos– Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Caminho da Iniciação: A Fuga para o Egito
“Depois de sua partida, um Anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar”. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: ‘Eu chamei do Egito meu filho’ (Os 11,1)”. (Mt 2; 13-15)
Esse acontecimento simboliza a ascensão temporária do ser humano sobre a divina natureza.
Esses nossos deslizes está muito bem simbolizados na Fuga para o Egito (Mt 2; 13-15), um evento que simboliza a ascensão temporária do ser humano sobre a natureza divina.
Há dificuldade em se entender essa passagem. Mas se lembrarmos que ainda se trata do ser humano Jesus; que ainda havia necessidade dele experimentar essa subjugação dos sentidos e da escuridão da Mente mortal (simbolizado pelo lugar Egito – não o país atual!), até para mostrar para cada um de nós que, não é porque “caímos” que não podemos retomar de onde paramos, então, o entendimento será mais clarificado.
Veja: a inciativa partiu de José, que simboliza a força masculina, a Vontade, a Razão em se afastar do caminho espiritual (não foi da força feminina, da Imaginação, o Coração).
E veja a simbologia de Herodes como o Mundo material, que encanta, ilude e se justifica por si só!
E é lá no Egito que sentimos: a solidão e o abandono; o obscurecimento da nossa Vida interior e o embaraçamento por viver na ilusão material, que separa, que divide e que engana (sentimos “as coisas que vão montadas e cavalgam sobre nós”). Aqui é difícil sentir que somos escravos de tudo aquilo que, por inconsciente ironia, chamamos de “minhas posses” quando, em realidade, são elas que nos possuem!
Assim, a Fuga para o Egito representa a terra da escuridão e materialismo, reflete na nossa vida a luta, em nossos primeiros passos, no desenvolvimento para a iniciação Cristã.
(veja mais em El Misterio de los Cristos; A Fuga para o Egito – O Maravilhoso Livro das Eras – Corinne Heline; Não a Paz, mas a Espada – Conceito Rosacruz do Cosmos; Sacrifício, um fator de Progresso Espiritual – Carta aos Estudantes – Max Heindel)
Caminho da Iniciação: Apresentação no Templo
“Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no ao Templo em Jerusalém para o apresentar ao Senhor, conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2)
No tempo em que Jesus ainda era um menino havia, em Jerusalém, um homem chamado Simeão e uma mulher chamada Ana.
Esse homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.
Fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao Templo.
E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, Simeão tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos:
‘Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel’.
Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam.
Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe:
‘Eis que esse menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos seres humanos em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma’.
Ana era uma profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.
Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação (Lc 2; 1-38)
Vamos a interpretação oculta, como nos é fornecido pelos Ensinamentos Rosacruzes:
Templo aqui significa: Lugar de dedicação; lugar onde aquele que quer percorrer o Caminho da Iniciação vai meditar e orar.
Enquanto estamos na “senda da preparação” e não conseguimos “fazer do nosso corpo um Templo total”, frequentemos Templos Solares Cristãso com egrégora estabelecida.
A Benção Sacerdotal Masculina (força masculina) é simbolizada por Simeão.
A Benção Sacerdotal Feminina (força feminina) é simbolizada por Ana.
Essa passagem da vida de Cristo-Jesus (e que todo Aspirante Cristão no Caminho da Iniciação também passará) é a nossa Consagração a uma vida de Servir.
Ou seja: processo de dedicação constante e cotidiana: em sempre servir aos outros, amorosa e desinteressadamente.
Como consequência temos a força do nosso Cristo Interno: vivificada, fortalecida e aumentada.
(Leia mais sobre esse assunto nos livros: Ao longo do Ano com Maria; Capítulo V – A Bíblia: O Maravilhoso Livro das Épocas- Corinne Heline; Ritual do Serviço de Natal; Iniciação Antiga e Moderna – A Anunciação e a Imaculada Concepção – Fraternidade Rosacruz)