Pergunta: Um consulente envia-nos um recorte de jornal no qual alguém pergunta ao editor o que é realmente a Era Aquariana, e a pergunta foi assim respondida: “Não há Era Aquariana; esta INVENÇÃO foi lançada por IMPOSTORES profissionais que ensinam que o Sistema Solar entrou recentemente em Aquário. Nenhum dentre eles diz quando, e eles escrevem-se perguntando a data real. O Sistema Solar esta afastando-se de Aquário numa velocidade, em torno, de 19 quilômetros por segundo. O Sistema Solar nunca esteve e nunca poderá aproximar-se de Aquário. Ainda assim, panfletos e revistas mensais estão constantemente emitindo artigos dizendo a mesma velha história, que o Sistema Solar acaba de entrar em Aquário e que grandes mudanças irão acontecer a raça humana, sendo tudo isso inteiramente falso”.
Resposta: O nosso correspondente quer a nossa opinião sobre o assunto, visto que acreditamos e advogamos o ponto de vista de que a Era Aquariana está próxima. Estamos, portanto, incluídos na classe dos editores denunciados por este redator como “impostores”, mas não hesitamos em atender ao pedido do nosso consulente, ou seja, lançar mais luz sobre o assunto da Era Aquariana. Não nos perturbamos pelo ataque quando consideramos a fonte.
A pergunta depende do ponto de vista pela qual foi formulada em um de seus aspectos. É verdade, como diz o editor, que o Sistema Solar nunca esteve em Aquário e nunca estará. Realmente, ele se afasta da constelação de Aquário. Também é verdade que o Sol nunca “se elevou” e nunca “se elevará”, embora não chamemos de impostor o homem que usar essa expressão. Entendemos que, do ponto de vista de um observador da Terra, parece que o Sol se eleva; e o ocultista tem a mesma intenção ao dizer que estamos entrando em Aquário por Precessão dos Equinócios. Não perderemos tempo dizendo que, devido à rotação da Terra em torno do seu eixo, o Sol torna-se visível às sete horas. Dizemos simplesmente que o Sol se eleva às sete horas. Por razões similares, não dizemos que “devido à Precessão dos Equinócios, parece que o Sol, quando visto da Terra, está se aproximando da constelação de Aquário quando cruza o Equador no Equinócio de Março”. Se o fizéssemos, todos os astrônomos concordariam conosco a respeito do fenômeno observado no firmamento, embora discordassem quanto a nossa alegação de que isto tem uma influência sobre tudo que diz respeito à humanidade. Ao invés de usar esta longa explicação, dizemos simplesmente que o “Sol se aproxima de Aquário”, e as pessoas devem abster-se de emitir críticas até que aprendam o verdadeiro sentido dessa expressão, da mesma forma que entendem o que queremos dizer quando falamos que o Sol se eleva.
Enquanto isso, os estudantes das filosofias ocultas devem familiarizar-se com os fatos relativos à astronomia para poderem comprovar suas crenças de forma inteligente. Não se pode negar que os estudantes, que estudaram a filosofia superior adquirindo com isso um certo conhecimento sobre fatos suprafísicos, revelam uma lacuna em seu conhecimento a respeito dos fatos mais comuns, como aqueles transmitidos pela astronomia e fisiologia que não impressionam muito os ouvintes. Quando somos versados sobre os veículos mais sutis do ser humano, devemos também saber, pelo menos, o essencial a respeito do Corpo Denso que todos veem e, quando falamos sobre a influência dos Astros, devemos também conhecer algo a respeito dos movimentos mecânicos do firmamento e como são entendidos e conhecidos pelos astrônomos. A fim de que os estudantes não familiarizados com esses elementos possam adquirir uma compreensão maior do assunto, daremos uma breve explicação. Para entender ainda melhor, o estudante deve reportar-se a nosso Livro “Astrologia Científica Simplificada”.
O assunto é tratado na Enciclopédia Filosófica sob o título “O Zodíaco Intelectual”. Quando a Terra gira ao redor do Sol em sua orbita anual, o observador tem a impressão que o Sol percorre o céu dentro de uma faixa estreita constituída de doze constelações ou grupos de estrelas que receberam determinados nomes: Áries, Touro, Gêmeos etc.
Se o eixo da Terra fosse estacionário como o eixo de uma roda, o Sol seria sempre visto no mesmo ponto da constelação em que estava no mesmo dia do ano anterior. No entanto, o eixo da Terra tem um movimento de oscilação semelhante a um pião que diminui de velocidade. Isso faz com que a aparente posição do Sol varie quando observado da Terra, de tal forma que o Sol atinge uma determinada posição um pouco mais cedo cada ano. Ele precede, e é essa a razão pela qual os astrônomos falam de “Precessão dos Equinócios”, isso é, anualmente o Sol parece cruzar o Equador por ocasião do Equinócio de Março, uma pequena distância antes do ponto em que o cruzara no ano anterior. Assim, se em um ano ele cruzou o Equador na altura do primeiro grau de Áries, no ano seguinte cruzará ligeiramente dentro dos limites da constelação Peixes. No ano seguinte, ele estará ainda em Peixes, mas mais afastado do primeiro grau de Áries, e assim por diante. Contudo, esse movimento retrógrado é tão lento que o Sol leva quase vinte e seis mil anos para percorrer, em sentido inverso, os doze Signos, ou dois mil e cem anos para atravessar um Signo, ou setenta anos para percorrer um grau.
Os astrônomos falam de “graus de ascensão reta”, pelos quais eles dividem o círculo dos céus no número habitual de trezentos e sessenta graus, começando no ponto em que o Sol cruza o Equador no subsequente Equinócio de Março. Eles chamam de Áries aos primeiros trinta graus a contar daquele ponto. Touro aos trinta graus seguintes etc., da mesma forma que os astrólogos. Assim, há o Zodíaco natural composto das doze constelações ou grupos reais de estrelas no firmamento, que mudam tão pouco que esse movimento é imperceptível durante o período de uma vida humana ou até mesmo em várias centenas de anos; e o Zodíaco intelectual, que começa do ponto do Equinócio de Março para qualquer ano determinado.
Considerando que, pelo movimento de precessão, o Sol caminha para trás através dos Signos do Zodíaco, percebemos que chegará um momento em que o Equinócio de Março ocorrerá no primeiro ponto de Aries, portanto, nesse ano, os Zodíacos intelectual e o natural coincidirão. Na última vez que isso ocorreu, foi aproximadamente no ano 500 D.C., e como o Sol retrocedeu na sua costumeira média de mais ou menos um grau a cada setenta anos, é óbvio que, atualmente, o Equinócio de Março ocorrerá aproximadamente a dez graus de Peixes.
Consequentemente, será por perto do ano 2.600 ou daqui a setecentos anos, que ele entrará realmente na constelação de Aquário. Ou melhor, para concordar com os fatos científicos digamos que parecerá, para quem observar da Terra, que o Sol estará cruzando o Equador na altura da constelação de Aquário. Durante os dois mil e cem anos a partir desse período, o Sol parecerá estar na constelação de Aquário a cada ano sempre que cruzar o Equinócio de Março. Desse modo, podemos dizer que a Era Aquariana compreende os dois mil e cem anos contados, a partir do ano 2.600, durante os quais o Sol, por precessão, parecerá estar na constelação Aquário quando cruzar o Equador no Equinócio de Março.
O leitor certamente já passou pela experiência de estar sentado tranquilamente, absorto na leitura de um livro, talvez escrevendo ou empenhado em qualquer outra tarefa, e sentir, subitamente, a presença de alguém ao seu lado ou atrás, cuja aproximação não detectara devido à concentração no livro ou no trabalho. Essa pessoa não falou nem fez qualquer ruído, e, contudo, sua presença foi sentida cada vez mais intensamente até o leitor ser obrigado a voltar-se. Essa experiência é muito comum e, certamente, todos já passaram por ela, mas qual a sua explicação? É simples: além do Corpo Denso visível a todos, o ser humano possui certos veículos invisíveis à visão comum. Esses invólucros sutis estendem-se além do Corpo Denso, de maneira que quando ficamos perto de outra pessoa, os corpos etéricos interpenetram-se e, às vezes, quando estamos muito tranquilos e passivos, essas influências sutis são sentidas ainda mais facilmente do que em outras ocasiões, embora elas existam sempre e sejam fatores poderosos em nossas vidas em todos os momentos.
“Assim como é em cima, assim é embaixo”, e vice-versa. Essa é a lei da analogia, a chave-mestra para os mistérios. O homem é o microcosmo e as estrelas, o macrocosmo. Logo, podemos concluir que essas grandes estrelas que se deslocam nos céus são corpos de Espíritos, possuem veículos sutis semelhantes à atmosfera áurica da nossa Terra. Por isso, quando o Sol se aproxima da constelação de Aquário por ocasião do Equinócio de Março, ele transmite essas influências a Terra juntamente com os raios solares. Assim, como a primavera é o período específico em que tudo na Terra está impregnado de vida, assim também podemos concluir que o Raio de Aquário ao ser transmitido far-se-á sentir entre as pessoas da Terra, independentemente delas acreditarem nisso ou não. Se percebermos qual a influência de Aquário, seremos capazes de responder à pergunta: “O que é a Era Aquariana?” Partindo de outro ponto de vista, a astrologia fornece-nos essas informações baseadas na experiência e na observação.
Aquário possui uma influência intelectual, original, engenhosa, mística, cientifica, altruísta e religiosa. Se aplicarmos a norma bíblica: “Pelos seus frutos conhecê-los-eis”, supomos que a Era Aquariana será precedida por empreendimentos originais em todas as áreas ligadas à ciência, à religião, ao misticismo e ao altruísmo, e podemos agora olhar para trás, para os setenta anos anteriores em que o Sol, por precessão, percorreu um grau em sua órbita em direção a Aquário. Durante esse tempo, verificamos que houve uma mudança muito marcante em todas as linhas de pensamento e de esforço, bem superior ao que a história registrou ao longo dos dois milênios passados. Quase todas as invenções que fazem da nossa vida o que ela é atualmente, foram feitas durante esse tempo. O telégrafo, o telefone, o uso da eletricidade, a conquista do ar e do vapor, o motor a gás que está superando o vapor, e outras invenções muito numerosas para serem mencionadas, estão marcando o progresso Aquariano do Mundo Físico.
Notamos, também, o ritmo intenso no qual todos os movimentos de pensamentos liberais em religião estão substituindo as condições restritivas do credo antigo, e o número crescente dos que desenvolveram a visão espiritual e que estão pesquisando as tendências da evolução nos planos superiores. Notemos a rapidez com que a ciência da astrologia está ganhando terreno e, em relação a isso, comunicamos que uma empresa, que trabalha com efemérides astrológicas para uso exclusivo em cálculos astrológicos, anunciou estar vendendo cerca de meio milhão de exemplares por ano.
Tudo isso demonstra ou dá uma indicação do que podemos esperar durante a Era Aquariana. Se progressos tão grandes já foram realizados nesses setenta anos em que o Sol está apenas começando a transmitir as influências das cercanias de Aquário, como imaginar o que acontecerá quando ele entrar realmente nesse Signo? Tanto as possibilidades como as probabilidades estão muito além do alcance da mais arrojada imaginação, e isso se aplica a ambos os aspectos físicos e psíquicos da vida. É nossa opinião que a visão etérica será desenvolvida pela maior parte da humanidade, senão por toda, de forma a remover, pelo menos parcialmente, o aguilhão da morte por meio do companheirismo que passará a existir com nossos amigos e parentes que deixaram o corpo físico.
Continuaremos a vê-los durante um certo tempo, e por isso saberemos e aceitaremos a ideia de que eles foram para reinos superiores. Não lamentaremos pelas criancinhas que morrem e retém seus corpos vitais, pois elas, provavelmente, permanecerão com seus pais até que tenham de reencarnar; isso ocorre, frequentemente, na mesma família. Nesses casos, não haveria nenhuma sensação de perda.
Quando esse ponto evolutivo for alcançado, a humanidade estará também muito mais iluminada de maneira a evitar muitas das armadilhas que a atormentam hoje. Isso favorecerá uma existência muito mais feliz do que o tem sido até o presente estágio. O intelecto mais desenvolvido ajudar-nos-á a resolver os problemas sociais de uma forma equitativa a todos, e o uso de instrumentos e aparelhos constantemente aperfeiçoados emancipará o género humano de grande parte de seu trabalho físico, oferecendo mais oportunidades e espaço para o aprimoramento intelectual e espiritual.
(Perg. 111 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Organização da Fraternidade Rosacruz
A Comunidade Mundial Rosacruz não tem líderes. Todos são estudantes, que se esclarecem uns aos outros segundo o poder de seu entendimento.
O “Conceito Rosacruz do Cosmos” é explícito quando frisa que o Estudante deve tornar-se árbitro de seu próprio destino e realizar o aperfeiçoamento por si mesmo, à luz do método Rosacruz de desenvolvimento. O próprio Max Heindel foi um exemplo de desinteresse por qualquer espécie de liderança: nunca se furtou a qualquer gênero de labor dentro da Fraternidade; nunca se alteou ou se sobrepôs a ninguém em suas relações com os estudantes e companheiros; jamais concentrou nas mãos poderes mundanos relativos à obra. Enfim, sempre disposto a ocupar o último lugar à mesa do Senhor, foi o primeiro na prestação do serviço. Ele deixou as normas de funcionamento dos núcleos sem nenhuma espécie de vinculação material a quem quer que seja e nem cargos vitalícios.
Sua finalidade foi a de iluminar aqueles que não encontrando Cristo pela fé procuram-no pela razão. Esses sentem o “chamado” interno da tônica Rosacruz, que os levam a algo além das suas limitadas faculdades sensoriais, revelando os mistérios de nossa origem, a finalidade de nossa estada presente na Terra e desenvolvimento futuro, mas tudo isso para que, satisfeita a parte mental, possa falar o coração numa vivência superior de serviço amoroso ao próximo.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 01/79 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Superar a Lei
“Ouvistes que foi dito: ‘Olho por olho, e dente por dente’. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes. Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: ‘amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus'” (Mt 5:38-48).
Nessa passagem da Bíblia está indicada claramente a diferença essencial entre religião Cristã e religião de Raça que a precedeu.
Somente poucos eram capazes de aceitar uma conduta tão sublime, inegoísta do tempo da vinda de Cristo e agora, quase 2.000 anos depois, ainda são poucos os que chegaram a tão alta consciência. Tem havido progresso, e haverá progresso nos anos vindouros porque Sua radiação benevolente interpenetrará a terra e seus habitantes.
Somente aquele que alcançou uma elevada espiritualidade pode “não resistir ao mau” e somente aquele que pode virar a “outra face”, em amor e humildade, é capaz de emanar de si mesmo o alto valor da força espiritual, que será sentida pelo seu antagonista. Essa sutil, mas extremamente poderosa força atinge e, muitas vezes, transforma o “pecador”, dando reforço ao seu Ser Superior, o Espírito que habita nele, capacitando-o a se afirmar e agir de acordo com seu ideal.
Aqui está o magnífico potencial de capacidade que temos de abençoar, sem reservas, aquele que nos amaldiçoou, amar aquele que nos odiou e rezar pelos que nos prejudicaram.
Estudantes espirituais percebem e sentem a eficiência desse procedimento sabendo que é, na realidade, uma fórmula exata baseada em lei imutável. O elevado ideal de “sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celestial” não é fácil de atingir. Sem dúvida, desde que digamos que somos capazes de alcançar a altura dos nossos ideais, convém abraçar o ideal mais alto. Atualmente somos deuses em formação e os ensinamentos de Cristo para a humanidade, neste período de evolução, são a fórmula científica para desenvolver nossos poderes divinos que nos conduzem, pela senda elevada, à divindade.
Quando alcançamos o estado de consciência pura, quando pudermos espontaneamente seguir os mandamentos de Cristo, não estaremos mais sujeitos à lei. Teremos a lei escrita nos nossos corações e teremos a força de estar acima dos mandamentos.
(Traduzido da “Rays from the Rose Cross” e publicado na revista Rosacruz de 07/85)
Pergunta: Muitas pessoas acham que estamos entrando ou prestes a entrar em uma nova era. Alguns acreditam ser a Era Aquariana, e sabem, até certo ponto, o que ela representa. Contudo, ainda não tive uma explicação precisa que explicasse quando a nossa Terra ou nosso Sistema Solar entrarão nessa Era, e se a Era Aquariana coincide com a passagem do Sol pela constelação de Aquário ou pela divisão zodiacal que tem esse nome.
Resposta: No parágrafo acima, o nosso correspondente trata de vários pontos e, baseados no princípio de que “os últimos serão os primeiros”, consideraremos em primeiro lugar a última parte da pergunta, onde é feita uma distinção entre a constelação de Aquário e a divisão zodiacal do mesmo nome. Isto, em si, representa uma grande dificuldade para muitas pessoas, que não sabem como diferenciar as constelações zodiacais do chamado Zodíaco intelectual. A explicação é a seguinte:
Um determinado grupo de estrelas nos céus é chamado Áries; outro grupo localizado nas proximidades é chamado Touro; um terceiro grupo de estrelas fixas é Chamado Gêmeos; e assim por diante. Essas doze constelações, ou grupos de estrelas, são vistas nos céus sempre na mesma posição relativa, e são, portanto, imutáveis.
Através dos séculos dos quais temos registro, essas estrelas permaneceram sempre no mesmo grupo e quase na mesma posição relativa, uma em relação a outra. O Sol circula, anualmente, por essas constelações com precisão invariável, mas devido ao fato de que o eixo da Terra se inclina em direção ao Sol e que o seu movimento é oscilante, semelhante ao de um pião rodopiante cujo impulso enfraqueceu quase totalmente, o movimento do Sol parece ser desigual. A cada ano ele entra na constelação de Áries cruzando o Equador da Terra um pouco mais cedo que no ano anterior. Ele precede. Desse modo, o ponto em que o Sol cruza o Equador no Equinócio de Março retrocede a cada ano na proporção de um grau a cada setenta e dois anos, uma constelação em dois mil e cem anos, e todos os doze Signos em vinte e cinco mil oitocentos e cinquenta e seis anos. Esse último período é chamado Grande Ano Sideral.
Notou-se que sempre que o Sol cruza o Equador, não importa em que ponto do Zodíaco, produz um certo efeito físico. As flores começam a germinar da terra, os pássaros acasalam-se, e a terra silenciosa desperta para uma nova vida, uma nova esperança e uma nova canção. Observou-se também que os efeitos espirituais que resultam da entrada do Sol no Hemisfério Norte no Equinócio de Março, permanecem imutáveis. Por essa razão, os primeiros trinta graus a partir do ponto em que o Sol cruza o Equador são chamados de Áries, os trinta graus seguintes de Touro, os trinta graus que vêm em terceiro de Gêmeos, e assim por diante para todos os doze Signos.
Essa divisão intelectual do círculo zodiacal coincide com as constelações existentes nos céus apenas uma vez a cada vinte e cinco mil oitocentos e cinquenta e seis anos. Durante todo o resto de tempo, o Zodíaco intelectual tem movimento retrógrado, como já foi explicado, devido a Precessão dos Equinócios. A última vez que o ponto inicial do Zodíaco intelectual coincidiu com a constelação zodiacal, foi aproximadamente há 500 D.C. Um ano após essa coincidência, o Sol cruzou o Equador, aproximadamente, a cinquenta segundos de espaço na constelação de Peixes. No ano seguinte, ele estava um minuto e quarenta segundos em Peixes e, desde então, foi deslocando-se para trás, até que atualmente1 o Sol cruza o Equador a cerca de dez graus da constelação de Peixes. Decorrerão cerca de 700 anos antes que ele cruze realmente o equador celeste na constelação de Aquário.
Pode-se dizer que a Era Aquariana começará no momento em que o Sol entrar, por precessão, no 30° da constelação de Aquário, e durará 2.100 anos enquanto o Sol retrocede através dos trinta graus até chegar ao primeiro grau de Aquário. Não há, contudo, uma interrupção definida e abrupta, tal como ocorre quando dizemos que entramos no ano de 1915, que começa à meia-noite de 31 de dezembro de 1914 e dura até à meia-noite de 31 de dezembro de 1915. Essa é uma divisão matemática do tempo. As várias épocas da existência humana dependem de influências vitais na vida, e são antes condições mentais do que divisões de tempo, embora ambas estejam ligadas.
Em consequência disso, os astrólogos reconhecem o que é chamado de “órbita de influência”. Para entender melhor, devemos conscientizar-nos que todo ser humano representa algo mais do que aquilo que vemos; ele tem uma aura que o rodeia, uma atmosfera invisível, algo que irradia de si e que faz parte de sua natureza distinta e pessoal. Frequentemente sentimos o efeito dessa aura, embora não entendamos o porquê disso. Suponhamos que alguém esteja profundamente concentrado em seu trabalho de forma a não ouvir nem perceber o que está acontecendo ao seu redor. Gradativamente, ele se torna ciente de que alguém entrou na sala — que está, de fato, em pé atrás dele — ele se volta e depara com um amigo.
Ele não ouviu o amigo entrar devido a sua concentração no trabalho, mas o sentiu, porque a aura do amigo misturou-se com a própria atmosfera áurica dele, embora não tenha havido nenhum contato físico, ele soube que havia alguém próximo.
As constelações são grupos de grandes Espíritos que se prenderam a esses corpos cintilantes, para que inteligências menos evoluídas possam adquirir as experiências que as façam progredir. Cada uma das estrelas fixas de uma constelação possui também seus corpos invisíveis, que se estendem de uma constelação a outra, misturam-se e sobrepõem-se. Portanto, quando o Sol atingiu o décimo grau de Peixes, ele chegou à orla de influência exercida pela constelação de Aquário, embora estejamos ainda na Era Pisciana.
Uma observação retrospectiva mostrará que esta influência já se faz sentir. Reconhecemos imediatamente a influência Pisciana exercida durante os últimos dois mil anos. A Idade Média, a superstição e a dependência intelectual, então prevalecentes, não foram inteiramente eliminadas, mas desde os meados do século passado, quando a influência Aquariana começou a se fazer sentir, um impulso intelectual irresistível foi instilado em nossa vida diária. A ciência fez progressos notáveis. A invenção trouxe a eletricidade ao mundo e está agora conquistando o espaço etc. Essa influência intelectual cientifica tornar-se-á cada vez mais acentuada nos séculos vindouros, até que entremos definitivamente na constelação de Aquário por Precessão dos Equinócios. À medida que a influência limitada e conservadora de Peixes esteja diminuindo, aumenta a influência ampla e pesquisadora de Aquário.
Quanto o que representa espiritualmente a Era Aquariana, verificamos que Aquário é a única figura do Zodíaco que retrata a estatura completa de um homem.
Todos os personagens principais do Antigo Testamento foram pastores, uma alusão a “Áries”, o carneiro ou cordeiro; no Novo Testamento encontramos os pescadores, referindo-se a Peixes, o Signo dos peixes, mas o Filho do Homem é o objeto da profecia: algo que ainda virá.
Ele anunciou uma era gloriosa, portanto, podemos esperar que ocorram desenvolvimentos de natureza surpreendente nos próximos séculos.
Além do mais, cada uma das eras anteriores teve seus mestres. Osíris e Mitras foram adorados no Egito e na Pérsia enquanto o Sol passava por Touro, o Signo do touro. Com a criação do mundo cristão, o Cordeiro foi sacrificado por Moisés enquanto o Sol passava pelo Signo de Áries. Realmente, houve uma grande controvérsia a respeito do símbolo de Cristo e, devido a isso, a mitra do Bispo conserva ainda a forma de um peixe para simbolizar o fato de que a Religião Cristã, então inaugurada, devia dominar durante a Era Pisciana ou de Peixes, na qual estamos agora. Mais tarde, o ideal do Filho do Homem, ou Super-Homem, inspirará a Era Aquariana que já se anuncia.
Não devemos confundir a Era Aquariana com o Reino de Cristo o qual deverá voltar. Tampouco devemos confundir a Era Aquariana com a Sexta Época (Galileia), pois, para citar as palavras de Cristo: “aquele dia e àquela hora, porém (quando Ele vier) ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai” (Mt 24:36).
Predizer que a vinda de Cristo ocorrerá numa data determinada será absurdo e um sinal de ignorância. Pode até ser presunçoso conjecturar a época aproximada em que ocorrerá o Segundo Advento, mas, segundo o autor, já que os ciclos precessionais, na medida em que estão ligados à evolução do ser humano, parecem começar com a entrada do Sol em Capricórnio, poderá haver uma manifestação nessa época. Se isso for correto, o Advento só poderá ocorrer daqui a três mil anos, pelo menos.
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[1] N.T.: em torno de 1910
(Perg. 110 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
Pergunta: Como podemos orar ou se dirigir a Saturno quando ele é o Astro Regente, causando problemas e tristezas?
Resposta: Para entender o que é a oração, use a ilustração de uma casa de energia elétrica com fios para as diferentes casas da cidade. Em cada casa há um interruptor e, quando a gente o aperta, a potência que estava até lá fora nos fios e subestação de energia elétrica entra na nossa casa, ilumina-a ou põe motores para funcionar, de acordo com as leis de sua manifestação. Podemos dizer que Deus, principalmente, e os Sete Espíritos Planetários correspondem secundariamente à subestação de energia elétrica que está conectada a todos, e a oração pode ser dita como o interruptor pelo qual nos colocamos em contato com a luz e a vida divina, permitindo que ela flua para nós e nos ilumine para a nossa elevação espiritual.
É uma lei que a eletricidade fluirá facilmente ao longo do cobre ou outros metais, mas é bloqueada pelo vidro, e antes que possamos obter a eletricidade em nossas casas, devemos ter um interruptor feito em conformidade com essa lei, um interruptor de cobre. Se usássemos um interruptor de vidro, não obteríamos eletricidade; o interruptor de vidro seria uma maneira mais eficaz de excluir o fluido elétrico da nossa habitação. De forma semelhante, se nossas orações (que correspondem ao interruptor) estão em conformidade com as leis de Deus, o propósito divino pode se manifestar através de nós, e nossas orações podem ser respondidas; mas se rezamos ao contrário da vontade de Deus, então uma oração funcionará de maneira semelhante a um interruptor de vidro em um circuito elétrico.
Como uma grande nação envia seus embaixadores e plenipotenciários a outras nações, então também há embaixadores de cada um dos grandes Anjos e Arcanjos Astrais, presentes em nossa Terra. Seus nomes são os seguintes:
A Lua é o nosso satélite e não está na mesma posição que os outros Astros. Os embaixadores desses Astros são Arcanjos, enquanto Gabriel é um Anjo.
Normalmente, a humanidade ora a Deus. Essas orações são, no momento, principalmente egoístas e ignorantes. As orações de tais pessoas não podem receber atenção dos embaixadores que têm a cargo os diferentes departamentos da vida, mas geralmente são atendidas, na medida do possível, pelos Auxiliares Invisíveis, que trabalham para a elevação de seus irmãos. O astrólogo ocultista, no entanto, que sabe o que quer e pode trabalhar em harmonia com as forças astrais, aborda diretamente os embaixadores desses Astros e obtém seu objetivo mais facilmente dessa maneira. Ele estuda as horas astrais, quando aqueles Astros governam e, na época apropriada, profere seu pedido, que é, geralmente, para outra pessoa ou para a iluminação espiritual sobre certos assuntos a serem usados para o bem-comum.
(do Livro: “A Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. I – pergunta 162 – Max Heindel)
“Como o Ser humano Pensa…”
“O uso da palavra para expressar pensamentos é o mais alto privilégio que só uma entidade racional, pensante, como o ser humano, pode possuir”. Com estas palavras os Ensinamentos Rosacruzes expressam o grande valor que o ser humano deve atribuir ao pensamento e a palavra.
Tudo que o ser humano já fez com suas mãos é pensamento cristalizado. Qualquer coisa que tenha feito até aqui, primeiro foi um pensamento em sua Mente antes de surgir no plano físico. Com nossa consciência objetiva, e por meio dos sentidos, adquirimos conhecimento do mundo externo, e a este conhecimento chamamos “real”. Através de nossa consciência interna surgem as ideias e pensamentos, os quais nos parecem vagos, indistintos e irreais. Contudo, na medida em que avançarmos e nos desenvolvermos, estes poderão se tornam tão claros e reais como quaisquer objetos do mundo físico contemplados à luz do dia.
Na introdução do “O Conceito Rosacruz do Cosmos” lemos: “Tão seguramente como o pensamento existia antes do cérebro, construiu este e continua construindo-o para expressar-se através dele; tão seguramente como agora a Mente abre o seu caminho e extrai segredos da Natureza pela própria força de sua audácia, assim também o coração achará um meio de superar suas limitações e satisfazer seus anseios. Por enquanto ele está impedido, dominado pelo cérebro. Algum dia, porém, reunirá forças para romper seus grilhões e tornar-se um poder maior que a Mente”.
Nosso atual plano de ação é o Mundo Físico, e é aqui, por meio dele, que aprendemos a pensar certo. Vamos ilustrar: ao inventor surge uma ideia. Algo ainda não muito bem definido, mas que ele reconhece como uma boa ideia, de modo que enquanto pondera sobre a mesma vai revestindo-a de matéria mental. É da Região do Pensamento Concreto que atraímos a matéria mental com que revestimos as nossas ideias. O inventor tem em mente construir uma máquina, e esta já aparece em sua Mente criativa como se estivesse concretizada na matéria física e funcionando. Mas continua traçando planos, modificando-os e tornando a traçá-los. Finalmente constrói a máquina. Mas, quando termina e vai testá-la descobre que muitas modificações precisam ser feitas e que talvez tenha até de refazê-la por completo, só que desta vez apoiado na experiência da primeira tentativa, antes que ela seja capaz de funcionar conforme planejado. Assim, a ideia do inventor precisou ser experimentada na matéria física concreta antes que seu funcionamento pudesse ser comprovado.
O pensamento sozinho, vindo da Região do Pensamento Concreto, nada pode testar nem verificar. Por isso, “o Mundo Físico é absolutamente necessário para ensinar-nos a lidar com as forças do pensamento e do desejo”.
Pensamentos-forma oriundos de dentro e de fora de nós são projetados no Corpo de Desejos para despertar sentimentos que conduzam à ação. De modo geral o pensamento tem o poder de modelar e modificar a matéria física, mas seu maior poder consiste na capacidade que tem para modelar os veículos mais sutis que possuímos.
Pensamentos de preocupação e temor inibem o Corpo de Desejos, enquanto que, uma disposição otimista no encarar a vida possa afiná-lo a qualquer tom desejado. Isto consegue repetindo o pensamento tantas vezes que ele se torne um hábito.
A realidade do Mundo do Pensamento torna-se mais evidente quando o ser humano consegue fazer com que seus pensamentos apareçam como forma física tangível e útil para solucionar problemas terrenos. Deste modo fica claro que a Região do Pensamento Concreto não é absolutamente algo vago ou apenas imaginário, mas sim algo muitíssimo real. O que percebemos com a visão dos olhos físicos pertence ao mundo da forma inerte. Quando olhamos para um ônibus elétrico que se move pelas ruas, o veículo que podemos ver é só matéria inerte. A força que o movimenta, porém, não pode ser vista. Podemos apenas notar seu efeito ao ver com nossos olhos o deslocamento do coletivo, porque a força (ou poder) verdadeira, real, pertence aos reinos invisíveis. O pensamento que criou a forma física provém de um reino mais elevado ainda. Provém do Mundo do Pensamento, que é a pátria do Espírito Humano.
Tudo que vemos aqui no plano físico é de fato pensamento cristalizado. Nossas casas, aparelhos, usinas de força e automóveis; nossos rádios, televisores, etc., tudo é resultado final do pensamento; tudo provém da intangível matéria mental. As ideias e pensamentos de Watt e Edison, de Morse e Marconi, aperfeiçoaram-se e possibilitaram a nossa moderna maneira de viver. Mesmo que alguma calamidade – um terremoto, um incêndio – destruísse os resultados físicos de seus inventos (as máquinas e aparelhos), ainda assim outras pessoas poderiam construir com base nas plantas ou esquemas idealizados por seus autores. Só isso demonstra que os pensamentos são mais permanentes que as coisas.
Considerando nossa vida diária, quer nos parecer que seu aspecto mais importante é aquele que reflete nossos atos. Todavia, se nos detivermos no assunto e procurarmos descobrir o que nos faz agir da maneira que agimos, concluiremos que nossos pensamentos são potencialmente muito mais poderosos. Porque se pensamos errado agimos errado e se pensamos certo agimos certo, uma vez que o pensamento precede a ação.
No Capítulo III – o ser humano e o método de evolução – do “Conceito Rosacruz do Cosmos” encontra-se uma explicação bem detalhada de como funcionam os pensamentos-forma e das diferentes maneiras pelas quais eles alcançam os seus objetivos. Todos os veículos do ser humano são envolvidos nesse processo. Antes da humanidade ser dotada de Mente, era relativamente fácil conduzir o ser humano pelos caminhos que devia trilhar, garantindo-se assim a execução daquilo que Deus havia planejado para ele. Foi somente na primeira parte da Época Atlante, quando recebeu a Mente, que ele começou a resistir. Naquele período de nossa evolução a Mente era ainda extremamente fraca, enquanto a natureza de desejos era muitíssimo forte. Por tal razão a Mente bandeou-se facilmente para o Corpo de Desejos. Dessa aliança resultou uma qualidade inexistente até então: a astúcia, que predominou entre os humanos até a Época Ária, quando o pensamento e o raciocínio, já mais evoluído, capacitou-se na formação de ideias.
A força do pensamento é o mais poderoso meio de obter-se conhecimento, e de tal maneira que, se concentrado sobre determinado objetivo, será capaz de vencer quaisquer obstáculos para alcançá-lo. Geralmente, porém, propendemos a desperdiçar nossa força mental, pelo que, do que resta, pouco podemos aproveitar. Por conseguinte, precisamos aplicá-la com esforço persistente, se quisermos conseguir todo o conhecimento possível de determinado assunto ou matéria.
Como Egos, funcionamos diretamente na substância da Região do Pensamento Abstrato e, a que é mais importante, atuamos dentro da parte que especializamos na periferia de nossa própria aura individual. Portanto, tudo que vemos e contemplamos é colorido pela nossa própria atmosfera, pela aura que criamos com nossos sentimentos, emoções e atitudes resultantes. Assim, se não temos dentro de nós qualquer qualidade indesejável não podemos atrair pensamentos sórdidos ou menos sadios dos outros, ao passo que uma Mente serena, francamente honesta, pura e prestativa, só pode despertar-nos outros o melhor que existe neles. Deste modo, e de muitas outras maneiras, somos guardas de nossos irmãos, sendo, pois, responsáveis pelos pensamentos que semeamos pelo mundo.
Certos pensamentos que julgamos nossos, originários de nossas Mentes, às vezes, provém de outras pessoas. Mas para que nos afetem eles precisam harmonizar-se conosco. Quase todos sabem como funciona a diapasão. Quando um deles é vibrado, outro próximo vibra harmonicamente, se ambos estiverem afinados no mesmo tom. Algo semelhante acontece à nossa Mente: os pensamentos-forma que nós próprios geramos juntam-se a outros de idêntica natureza gerados por outras pessoas, e fortalecem-se mutuamente – para o bem ou para a mal, consoante suas naturezas. É claro, pois, que devemos ter cuidado ao emitir pensamentos-forma que não poderíamos jamais ser tentados a seguir. Pode ser que eles estejam precisando só de uma pequena parcela de força para inclinar a balança na direção de algo que o receptor haja apenas pensado, mas nunca tencionado cometer.
Vemos assim que aquilo que pensamos colorido pelos sentimentos que alimentamos sobre qualquer coisa, pode importar em grandes consequências. Se “amamos a pureza e buscamos a bem” nutrimos e mantemos, quais Anjos da Guarda, tudo o que é bom em volta de nós. “Pensamentos são coisas”, de modo que, se nosso propósito é bom, sua intensidade pode fortalecer o bem que desejamos para toda a humanidade. “Como o ser humano pensa em seu coração, assim ele é”.
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece; não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre; tudo crê; tudo espera; tudo suporta. O amor jamais acaba” (I Cor. 13:4-8).
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 12/85 – Fraternidade Rosacruz – SP)
PERGUNTA: O que aconteceu com cada Corpo de Jesus nos 30 anos e depois até os 33 anos?
RESPOSTA: O Corpo Denso e Átomo-semente do Corpo Denso de Jesus foi cedido a Cristo, dos 30 aos 33 anos da encarnação do Irmão Maior Jesus. O Átomo-semente do Corpo Denso de Jesus foi devolvido a ele após a morte física de Cristo Jesus.
O Corpo Vital e Átomo-semente do Corpo Vital de Jesus foi cedido a Cristo dos 30 aos 33 anos da encarnação do Irmão Maior Jesus. O Átomo-semente do Corpo Vital de Jesus foi devolvido a ele após a morte física de Cristo Jesus.
O Corpo Vital de Jesus está sendo guardado por Irmãos Maiores em algum lugar na Terra, entre a crosta e o núcleo do Planeta, para ser utilizado na segunda vinda de Cristo.
Com o Átomo-semente do Corpo Vital o Irmão Maior Jesus construiu outro Corpo Vital.
O Corpo de Desejos do Irmão Maior Jesus sempre ficou com ele. Aliás foi nele que Jesus funcionou durante os 30 a 33 anos da sua encarnação na época de Cristo Jesus.
Portanto, depois da morte do Corpo Denso de Cristo Jesus, os Átomos-sementes foram devolvidos a seu primitivo dono, Jesus de Nazaré que, algum tempo depois, funcionando temporariamente em um Corpo Vital que construíra, instruiu o núcleo da nova fé formado por Cristo.
O Irmão Maior Jesus de Nazaré, desde aquele tempo, tem conservado a direção dos ramos esotéricos.
Aproveitemos para entender a diferença entre Cristo e Jesus, como nos fornece o Conceito Rosacruz do Cosmos, em Jesus e Cristo Jesus:
O veículo inferior de um Arcanjo, a onda de vida que Cristo pertence, é o Corpo de Desejos. Cristo, o mais alto Iniciado do Período Solar, emprega geralmente o Espírito de Vida como veículo inferior. Funciona tão conscientemente no Mundo do Espírito de Vida como nós no Mundo Físico. Rogamos ao estudante que note de modo particular este ponto, porque o Mundo do Espírito de Vida é o primeiro Mundo Universal. Nesse Mundo cessa a diferenciação e começa a manifestar-se a unidade, pelo menos quanto ao nosso Sistema Solar.
Cristo tem o poder de construir e funcionar num veículo tão inferior como o Corpo de Desejos, o veículo usado pelos Arcanjos, mas não pode descer mais.
Jesus pertence à nossa humanidade. Estudando o ser humano Jesus na Memória da Natureza, podemos segui-lo em suas vidas anteriores. Nelas viveu sob diversas circunstâncias, sob vários nomes, em diferentes encarnações, do mesmo modo que qualquer outro ser humano. Isto não sucede com o Ser Cristo. No Seu caso só pode encontrar-se uma única encarnação.
Todavia, não se imagine que Jesus tenha sido um indivíduo comum. Era de Mente singularmente pura, muito superior à grande maioria da nossa presente humanidade. Esteve percorrendo o Caminho da Santidade através de muitas vidas, preparando-se para a maior honra que poderia ter recebido um ser humano.
Sua mãe, a Virgem Maria, possuía, também, a mais elevada pureza humana, por isso foi escolhida para ser a mãe de Jesus. O pai, José, era um elevado Iniciado, capaz de realizar o ato de fecundação como um sacramento, sem nenhum desejo ou paixão pessoal.
Em consequência, o formoso, puro e amoroso espírito conhecido pelo nome de Jesus de Nazaré veio ao mundo num Corpo puro e sem paixões. Este Corpo era o melhor e o mais perfeito que se podia produzir na Terra. A tarefa de Jesus, nesta encarnação, era cuidar e desenvolver o seu Corpo até o maior grau de eficiência possível para o grande propósito a que devia servir.
Jesus de Nazaré nasceu mais ou menos no tempo indicado pela História, e não no ano 105 antes de Cristo, conforme indicam algumas obras ocultistas. O nome Jesus era comum no Oriente. Um iniciado chamado Jesus viveu no ano 105 A.C. e obteve a Iniciação egípcia. Não foi Jesus de Nazaré, com quem estamos a relacionar-nos.
Cristo usou todos esses veículos próprios e só tomou de Jesus os Corpos Vital e Denso. Quando Jesus atingiu trinta anos de idade, Cristo penetrou nesses Corpos e empregou-os até o final de Sua Missão, no Gólgota. Depois da destruição do Corpo Denso, Cristo apareceu entre os Discípulos em Corpo Vital, no qual funcionou ainda durante algum tempo. O Corpo Vital é o veículo que Ele empregará quando aparecer novamente. Nunca tomará outro Corpo Denso.
Com isto se relaciona o objetivo de todo treinamento esotérico, de que falaremos mais tarde, que é trabalhar sobre o Corpo Vital, para construir o Espírito de Vida e acelerar seu desenvolvimento.
Jesus, quando Cristo tomou o seu Corpo, era um Discípulo de grau elevado e, por conseguinte, seu Espírito de Vida estava bem organizado. Vemos, portanto, que o veículo inferior em que funcionou Cristo e o melhor organizado dos veículos superiores de Jesus eram idênticos. Cristo, ao tomar os Corpo Vital e Denso de Jesus, encontrou-se com uma série completa de veículos, desde o Mundo do Espírito de Vida até o Mundo Físico.
Jesus já alcançara as mais elevadas vibrações do Espírito de Vida, e passou por várias Iniciações para obter o necessário efeito sobre o Corpo Vital. O Corpo Vital de um ser humano comum ter-se-ia paralisado instantaneamente sob as intensíssimas vibrações do Grande Espírito que entrou no Corpo de Jesus. Até este Corpo, puríssimo e ultrassensível como era, não podia suportar durante muitos anos os tremendos impactos vibratórios d’Aquele. Quando lemos que, em certa ocasião, Cristo se afastava dos seus Discípulos, ou caminhava sobre o mar em sua procura, o esoterista sabe que Cristo tinha abandonado momentaneamente os veículos de Jesus para dar-lhes descanso, deixando-os ao cuidado dos Irmãos Essênios que, melhor que Cristo, sabia como deviam cuidar de tais veículos.
Esta cessão foi consumada com pleno e livre consentimento de Jesus. Ele soube que, durante a encarnação inteira, estava preparando um veículo para Cristo. Submeteu-se alegremente, para que o desenvolvimento da humanidade pudesse receber o gigantesco impulso que lhe foi dado pelo misterioso sacrifício do Gólgota.
Cristo Jesus possuía os doze veículos que formam uma ininterrupta cadeia, desde o Mundo Físico até o próprio Trono de Deus. Portanto, Ele é o único Ser do Universo que está em contato, ao mesmo tempo, com Deus e com o ser humano. É capaz desta mediação porque experimentou, pessoal e individualmente, todas as condições e conhece todas as limitações incidentais à existência física.
Cristo é único entre todos os Seres dos sete Mundos. Unicamente Ele possui os doze veículos. Ninguém, a não ser Ele, é capaz de sentir tão elevada compaixão e compreender tão amplamente a situação e as carências da humanidade. Ninguém, a não ser Ele, está qualificado para trazer o remédio que satisfaça todas as nossas necessidades.
Assim, ficamos conhecendo a natureza de Cristo, o Iniciado mais elevado do Período Solar, que tomou os Corpo Vital e Denso de Jesus para poder funcionar diretamente no Mundo Físico, e aparecer como um ser humano entre os seres humanos. Se o seu aparecimento se desse de maneira milagrosa, estaria em desacordo com o plano evolutivo porque, ao final da Época Atlante, a humanidade obteve a liberdade de agir bem ou mal. Para aprender a dominar-se não podia ser empregada sobre ela nenhuma coação. Devia conhecer o bem e o mal por meio da experiência. Antes desse tempo, os seres humanos tinham sido conduzidos, voluntariamente ou não, mas, depois se deu a eles liberdade, sob diferentes Religiões de Raça, cada uma delas adaptada às necessidades de cada Tribo ou Nação.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
O poder interno que está destinado a abrir-lhe um lugar de relevo no mundo
“Os Ensinamentos da Fraternidade têm um poder interno que está destinado a abrir-lhes um lugar de relevo no mundo, mas devemos fazer por merecê-lo, de acordo com a maneira pela qual ajudamos a trazer esses Ensinamentos dos Irmãos Maiores à atenção da humanidade em geral” (Cartas aos Estudantes).
“Bem-Aventurados sãos os mansos, porque herdarão a terra” (Mt 5:4).
As Bem-aventuranças têm sido objeto de muitas e variadas interpretações. Alguns dizem que elas não devem ser encaradas como uma norma de vida, mas antes como uma cápsula de tempo, contendo leis espirituais, e que só será operativa num futuro muito distante. Outros argumentam que Cristo Jesus estava mostrando um padrão de vida que não podemos seguir, a menos que nos retiremos do mundo – que os afazeres do mundo, negócios, comércio e especialmente política, são atividades competitivas, nas quais, certamente, os mansos não conseguirão singrar. A página 321 do Conceito (edição em Inglês) ajuda a compreender as passagens confusas das Escrituras por meio de um ponto de vista mais amplo e claro: “A verdade é múltipla e com diferentes facetas. Cada verdade oculta requer um exame de diferentes pontos de vista; cada ponto apresenta uma certa fase da verdade e todos eles são necessários para adquirir uma concepção definitiva e completa do que quer que seja que esteja sendo estudado”. Assim se passa também com as Bem-aventuranças, especialmente “Bem-aventurados são os mansos, porque eles herdarão a terra”. Por vezes, encontramos pessoas que se deixam espezinhar pelos outros. São, habitualmente, ridicularizadas e muitas vezes alvo de pena e críticas. Há algum tempo, eram publicados quadrinhos na sessão cômica dum jornal sobre Casper Milquetoast, um homenzinho amável, manso, insosso e patético. Uma vez, Casper era mostrado em pé, numa esquina, durante um aguaceiro torrencial. A água transbordava das abas de seu chapéu e ele tiritava miseravelmente, enquanto dizia: “Se aquele moço não aparecer dentro de mais 45 minutos, ele pode ir embora e pedir a outra pessoa que lhe empreste o dinheiro”. Essa caricatura parece exagerada e ridícula – mas será realmente? Manso é definido como “sofredor, paciente, de maneiras suaves, suportando injúrias”. A definição desfavorável é “mole”, “sem fibra”, “fraco”. Todos nós gostaríamos de expressar as qualidades positivas e verdadeiras identificadas com a palavra “manso” e fazemos esforços nesse sentido; mas todos, frequentemente, usamos a expressão desfavorável “fraco”, quando o nosso semelhante não se mostra à altura de nossas expectativas. A definição negativa de mansidão parece estar frequentemente associada com o Cristianismo e com o nosso Salvador em particular. Ouvimos muitas vezes a frase: “o manso e suave Jesus”. O poeta Swinburne chamava-o de “o Galileu pálido, mortiço”.
Inofensivo, fraco, invertebrado, de maneiras suaves, gentil – era isso que Ele queria dizer, quando dizia a Seus Discípulos: “Vós herdareis a terra se fordes mansos – inofensivos”?
Pois se esse era o sentido de suas palavras, elas certamente caíram em ouvidos surdos. Provavelmente, nunca houve outro grupo de homens que tenha de tal maneira desafiado a proverbial definição de manso. Eles argumentaram e combateram, enfrentando, corajosamente aqueles que desafiavam os Ensinamentos de Cristo; um deles apoderou-se duma espada e decepou a orelha de Malchus. Eles desafiaram a autoridade de Roma, “nós devemos obedecer a Deus e não aos homens” bramavam. Foram atirados na prisão, não porque eram mansos e suaves, mas porque eram homens de caráter e convicção.
Se nós rejeitamos os conceitos correntes e uso da palavra manso, o que, então, está a Bem-Aventurança nos dizendo?
A palavra-chave para essa Bem-Aventurança é: “Mansidão ou impessoalidade; a renúncia completa do eu”. A correlação astral é a Lua. A Lua atrai e aumenta à medida que toca cada ponto sensível na sua viagem de 30 dias em torno do círculo mágico, o horóscopo. A correlação bíblica é: “Aquele que perde a sua vida por amor de Mim, salvá-la-á”. Isso dá uma conotação completamente nova a essa Bem-Aventurança, no que concerne à versão popular. “Mansidão” aqui equipara-se com “impessoalidade”. A palavra “manso ” não é usada muito frequentemente na Bíblia, e é usada para descrever só duas pessoas: Moisés e Jesus.
No Livro dos Números, diz-se de Moisés: “Agora o ser humano Moisés era muito manso, mais do que todos os homens que havia na face da terra”. Suave? Sofredor? Essas denominações não se enquadram na personalidade dinâmica do herói do Velho Testamento. Duas imagens de Moisés acodem-nos à lembrança. A primeira, é de Moisés como um jovem, criado na corte do Faraó. Um dia, viu um egípcio bater num escravo. Era demais para esse jovem judeu, que matou o egípcio. Chamem-lhe um acesso de cólera ou um raro momento de paixão, mas não pode ser chamado um ato de mansidão, no sentido popular da palavra. A segunda imagem é o episódio dos 10 mandamentos. Quando Moisés vinha descendo a montanha com as Tábuas de Pedra, viu seu povo dançando em torno dum vitelo dourado: “E Moisés, muito irado, atirou de suas mãos as tábuas e quebrou-as ao pé do monte. E, pegando no bezerro que tinham feito, queimou-o e esmagou-o até o reduzir a pó, que espalhou na água, e deu a beber dele aos filhos de Israel” (Ex 32:19-20). Isso novamente, não pode ser chamado um ato de mansidão. É necessário falar da ira de Nosso Senhor Jesus Cristo? Pode ser necessário para alguns que nunca podem imaginar Nosso Senhor ficando encolerizado. Mas ficou. O que precisamos dizer, e isto ajuda-nos a atingir a compreensão do significado esotérico da palavra “manso”, é que Sua ira foi dirigida contra os erros e as injustiças cometidos contra os outros. Nunca foi uma reação defensiva de sua parte àquilo que estava acontecendo com Ele. Foi espancado, escarnecido, ameaçado, mas nunca respondeu uma palavra, nem retribuiu. Sua cólera era dirigida contra os líderes religiosos e o pesado fardo que colocavam sobre o povo, e contra aqueles que enganavam no troco os frequentadores do Templo. Mesas viradas, pombas soltas de suas gaiolas, os vendilhões correndo apressadamente para fugir à dor aguda do chicote: (Mt 21 :13) “Minha casa deve ser chamada a casa da oração; mas vocês transformaram-na num antro de ladrões”. Uma vez mais, isso não foi um ato de mansidão.
Esses dramáticos incidentes coincidem com a vida na Terra tal como se nos apresenta hoje.
Estamos deixando a Idade de Peixes e entrando na Idade de Aquário. Somos como os filhos de Israel, mantendo-nos fiéis e adorando os dias dourados da indecisão, em vez de olhar para o futuro, onde o vitelo dourado desta dispensação está sendo moído e derramado sobre as águas da espiritualidade? Estamos abrigando dentro de nós os vendilhões, os desejos materialistas, que tem poluído o Templo de Deus, a nossa personalidade? Sim, na verdade, há uma interpretação interna e uma externa de todas essas Escrituras.
Na Bíblia, encontramos alegorias, simbolismos e mitos que foram usados para velar verdades sagradas e que só podem ser interpretadas pelos Espíritos avançados a quem foi dada a chave. Max Heindel era um deles e por seu intermédio os Irmãos Maiores puderam revelar muitas das verdadeiras interpretações dos Ensinamentos Sagrados.
Um mito é um estojo que contém, às vezes, as mais profundas e preciosas joias da verdade espiritual, pérolas de beleza tão raras e etéreas que não podem ficar expostas ao intelecto material. Com a intenção de as proteger e ao mesmo tempo permitir-lhes trabalhar pela humanidade, no sentido da ascensão espiritual dela, os Grandes Mestres que guiam nossa evolução, invisíveis, mas poderosos, deram essas verdades espirituais para o ser humano nascente, encerradas no simbolismo pitoresco dos mitos, para que assim possam trabalhar sobre os seus sentimentos, até chegar o tempo em que o seu nascente intelecto tenha se tornado suficientemente desenvolvido e espiritualizado para que possam senti-las e conhecê-las (do Livro: Cristianismo Rosacruz).
Os poderes espirituais existem adormecidos dentro de cada ser humano, mas só são desenvolvidos por assiduidade paciente e continuidade no fazer o bem, através dos anos. Somente uns poucos têm fé para iniciar na senda até a sua consecução, ou perseverança para prosseguir nessa prova difícil. Se nossas vidas não são impulsionadas pelos motivos mais puros e altruístas, poderemos ser um tormento para a humanidade, pois qualquer poder usado fora da direção dos princípios Crísticos, é destrutivo e suas reações trazem sofrimento.
Portanto, o exercício de qualquer poder implica em responsabilidade perante a Lei Divina.
Um parágrafo no livro “O Desejo das Idades”, de Ellen G. White, explicou isto lindamente: “o Governo sob o qual Jesus viveu era corrupto e opressivo; com todas as pessoas ocorriam abusos gritantes – extorsão, intolerância e dolorosa crueldade. Entretanto, o Salvador não intentava reformas civis. Ele não atacava os abusos nacionais, nem condenava os inimigos da nação. Ele não interferia com a autoridade ou com a Administração dos que estavam no poder. Ele foi o nosso exemplo, mantendo-se afastado dos governos terrenos. Não porque fosse indiferente aos infortúnios dos seres humanos, mas porque o remédio não repousava em medidas meramente humanas e externas. Para ser eficiente, a cura deve atingir o ser humano individualmente e deve regenerar o seu coração.
Atentem bem – Cristo Jesus preocupava-se com as pessoas. Curava suas doenças, alimentava-os quando estavam famintos. Ninguém poderia dizer que era indiferente aos anseios das pessoas.
Ele foi o exemplo personificado do Manso Bem-Aventurado. Há grandes esperanças para aqueles que desejam segui-lo. A história completa da humanidade pode ser resumida nas palavras: “profundo conhecimento” ou “mestria”; ser capaz de submeter aqueles desejos, paixões e instintos que fazem a pessoa censurar, eliminar ou tentar destruir os outros. Os mansos abençoados são os seres humanos de Deus que usam aquela índole e disposição para atingir um propósito e um objetivo. Manso abençoado foi um Gandhi, que conseguiu levar o ex-poderoso Império Britânico a ajustar um acordo, não pela força ou “choques ruidosos da espada”, mas mediante seu próprio poder disciplinado e energia moral. Manso abençoado é um Lincoln, anunciando durante uma eleição: “Sei que existe um Deus a quem repugna a injustiça e a escravidão. Eu vejo a tempestade se aproximando e sei que Sua mão está nela. Se Ele tem um lugar e um trabalho para mim e acredito que tem, eu estou pronto. Não sou nada, mas a Verdade é tudo”. Mansa abençoada é uma Florence Nightingale, lutando como um tigre para a cura de seus doentes. Todos eles eram mansos no sentido cristão da palavra, pois sua cólera era voltada contra as injustiças e maus tratos causados a outros e não a eles próprios.
O ser humano desenvolveu o seu poder sobre o seu meio ambiente. Transformou em desertos, jardins florescentes. Recuperou os desertos, dirigindo as águas para a fertilidade. Usou o fogo e os metais para criar segundo suas necessidades. Usa o ar como via expressa de transportes. O ser humano é um criador. Desenvolveu muitos poderes, mas ainda não é senhor de si próprio. Nos dias de auto maestria, o ser humano dirigirá todos os seus poderes com sabedoria e amor e o reino dos céus manifestar-se-á na terra. É a lei de sua condição divina. O tempo destrói as criações de suas mãos, mas a alma do ser humano progride sempre com as riquezas de suas experiências. Novamente repetimos: “Bem-Aventurados sejam os mansos”. É impossível domá-los, desalojá-los ou destruí-los. Eles herdarão a terra.
(Pulicado na Revista Serviço Rosacruz de mai/78, traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross”).
Não há efeito sem causa, nada procede do nada. Em cada um de nós existem forças e potências que não podem ser consideradas materiais, e devem ter suas causas explicadas retomando outra origem que não seja matéria.
A esse princípio chamamos Espírito.
Quando nos interrogamos querendo conhecer e analisar nossas faculdades, quando afastamos da superfície da nossa alma a espuma que a vida nela acumula; quando atravessamos o espesso envoltório com que é revestida nossa inteligência; quando, libertos das preocupações, dos sofismas e da má educação penetramos no mais íntimo do nosso ser é que nos encontramos, frente a frente, com os augustos princípios sem os quais não há grandeza para a humanidade, isto é, o amor ao bem, o sentimento de justiça e o progresso. Esses princípios que encontramos em diversos graus, tanto no ignorante como no gênio, não podem ser originados na matéria que está desprovida de tais atributos. E, se a matéria carece dessas qualidades, como pode ser formada nos seres que as possuem? Nossa memória, nossa ciência, o sentimento do belo e verdadeiro, a admiração que experimentamos pelas obras grandes e generosas não podem ter a mesma origem que a carne dos nossos membros e o sangue das nossas veias. São como reflexos de uma luz pura e elevada, que brilha em cada um de nós, assim como o Sol se reflete nas águas, não importando que sejam turvas ou cristalinas.
Em vão pretendem os cépticos dizer que tudo é matéria. Como sentimos arrebatamentos de amor e bondade, como a virtude nos encanta, como a abnegação, o heroísmo e a beleza moral, então gravadas em nós, como a harmonia das coisas nos enfeitiça. Sendo assim, nada disso nos distinguiria da matéria?
Sentimos, amamos, temos consciência, vontade e razão; será que tudo isso procede de uma causa que nada sente, ama ou conhece uma causa surda e muda?
Tal pensar não resiste ao mais ligeiro exame. O ser humano tem duas naturezas. Seu corpo e seus órgãos derivam da matéria, suas faculdades intelectuais e morais procedem do Espírito.
Podemos ainda dizer qual o propósito do corpo humano, pois os órgãos que compõem tão admirável máquina são as rodas que, incapazes de funcionar sem um motor, possuem uma vontade que as põe em ação. Esse motor é o Espírito.
O Espírito está encerrado na matéria como um prisioneiro em sua cela e os sentidos são as aberturas pelas quais pode comunicar-se com o mundo exterior. Mas a matéria, mais cedo ou mais tarde, decai e se desagrega, enquanto o Ego aumenta em poder, fortificando-se com a educação e a experiência. Suas esperanças crescem e se estendem para além da tumba, suas necessidades de saber, conhecer e viver não têm limites. Tudo demonstra que o ser humano só, temporariamente, pertence à matéria. O corpo não é mais do que uma vestimenta emprestada, uma forma passageira, um instrumento com cujo auxílio o ser humano prossegue neste mundo em uma obra de purificação e progresso.
A vida Espiritual é a vida normal, verdadeira e imortal.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 12/85 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Chaves do Reto Pensar
O que, na ausência de melhor título, é chamado “Chaves do Reto Pensar” é baseado na antiga verdade de que existe uma harmonia e ordem interiores, que sempre estão presentes, constituindo uma eterna e imutável Realidade. Daí se conclui que as inarmonias da vida se devem ao distanciamento, por parte dos seres humanos, dessa harmonia e ordem inerentes. A vida é governada por certas leis que, se obedecidas, resultam em saúde, integralidade, júbilo e toda suficiência.
É natural que a vida seja harmoniosa, ordeira e bela. A criação desses estados não nos exige imensos esforços, porque eles são a ordem natural das coisas que se manifestarão, tão logo deixemos de deformar a vida, por assim dizer. Podemos deformar uma bola de tênis quando a apertamos, mas se deixamos de pressioná-la, retoma sua forma redonda original, simplesmente porque essa é sua forma natural. Não precisamos de tornar a bola redonda: simplesmente devemos deixar de comprimi-la. O mesmo se dá com a vida: logo deixemos de deformá-la, ela manifesta sua ordem natural de beleza e perfeição inerentes.
A ideia original de perfeição, ordem, beleza e harmonia, sublinham nossa vida. As discórdias da vida, por exemplo: a doença, a nostalgia, a pobreza e outros males, decorrem da dissociação da ordem e da harmonia inerentes e fundamentais, sempre atuantes. No mundo exterior dos sentidos vemos muitas imperfeições, mas há uma ordem e harmonia ocultas, sempiternas e onipresentes. Quando uma tempestade ruge sobre o oceano, imensas vagas se debatem em fúria. Todavia, alguns metros abaixo o oceano permanece perfeitamente calmo e imperturbado. O mesmo se dá com a vida. Se vamos além da superfície, encontramos uma tranquilidade interior e uma perfeita ordem e harmonia.
Os sábios sempre falaram de um Mundo de Realidade interior. De forma nenhuma é uma ideia nova, embora o possa parecer a quem nos lê. A elucidação desse assunto não nos vem enquanto não estejamos preparados para recebê-la. Contudo, uma coisa é ter conhecimento a respeito do Centro Interior de Harmonia e Ordem, e inteiramente outra é estabelecer contato e pôr a nossa vida em correspondência com ela. Mas os sábios nem sempre informaram que o Centro de Harmonia está em nosso íntimo. Nem sempre disseram que em nosso íntimo existe esse reino de harmonia e de perfeição. Mas veio Alguém, há quase dois mil anos que o declarou: o reino da ordem e da harmonia está em nosso íntimo. Quando contatamos o “Centro mais íntimo em todos nós, onde a Verdade habita em plenitude”, descobrimos também estar ligados a uma harmonia e ordem universais interiores, que sublinham o mundo da aparência.
Tudo em nossa vida é resultado do pensamento, seja ele consciente ou inconsciente. “A Mente é criativa – o pensamento governa o mundo”. Se o todo de nossa vida-pensamento correspondesse à Ordem Interior – ou Verdade como a chamamos – então nossa vida exterior, por consequência, seria ordeira, harmoniosa e perfeita. Assim, o que chamamos de “Chaves do Reto Pensar” ensina como pensar retamente, ou seja, em sintonia com a Verdade. É desígnio da vida que sejamos felizes, jubilosos, sadios, verdadeiramente prósperos e bem-sucedidos. Não nos referimos ao êxito mundano, que pressupõe a impiedosa desconsideração aos demais. Queremos significar uma vida cheia de bênçãos, de harmonia, de ordem e do mais alto bem. Aludimo-nos as coisas preciosas que nenhuma riqueza pode adquirir: a felicidade, a paz, a harmonia, o jubilo, a beleza, a ordem, o amor, enfim, tudo o que legitimamente podemos aspirar e possuir, para termos uma saúde integral. Basta vivermos e pensarmos em harmonia com as leis de nosso ser.
Uma das verdades mais difíceis para um principiante aceitar é esta: “a vida é amistosa para conosco”. Eles estão inclinados a supor que seja realmente muito bom fazermos essa afirmação, porque a vida que levamos é de fato harmoniosa, ordenada e cheia de todo o bem possível! Podem pensar que nos seja fácil falar dessa maneira, porque desfrutamos harmonia: mas se tivéssemos de viver a vida deles, haveríamos de cantar uma canção diferente. Poderão pensar e mesmo dizer que se fossemos arrastados do pelourinho ao tronco, como eles o são, ou se nossas vidas estivessem cheias de discórdias, desapontamentos, inimizades, fracassos, doenças e outros males, como eles, então seríamos forçados a confessar que a vida está mui longe de ser amistosa. Pelo contrário. Contudo, o que afirmamos é verdadeiro. A Vida deseja que sua vida seja harmoniosa e abençoada, como a daqueles que atingiram isso. É da intenção divina que sua vida seja repleta de harmonia, de ordem, de bênçãos e de todo o bem possível. Não queremos significar que a vida se torne insipidamente fácil, sem qualquer colorido, experiência ou desafio, senão que você deve triunfar sobre qualquer situação quando as dificuldades se apresentem. O objetivo dessas explanações não é prometer coisas fáceis, mas tornar as pessoas fortes. Para citar Phillips Brooks: “Não oramos por uma vida fácil, mas para sermos indivíduos fortes; não oramos por tarefas a altura de nossas forças, mas por forças a altura de nossas tarefas”. Ensinamos a viver uma vida de poder e de superação.
Coisas, tais como: complexo de inferioridade, só podem existir quando alimentadas. Em vez de olharmos para trás, caminhemos para a frente e para cima. Em vez de evitar a disciplina da vida, cooperamos com ela! Tudo isto poderá parecer impossível a muitas pessoas. Poderão alegar que sabem muito bem o que devem fazer, mas que acham impossível consegui-lo. “As Chaves do Reto Pensar” mostram que, por meio da aplicação do pensamento (poder do pensamento criativo), podemos atingir o que parece impossível. Issoporque passamos a controlar as emoções e nos fortificamos, mercê do Poder Infinito que mantém o Universo. Não divulgamos domínio egoístico de uns sobre os outros, senão uma amorosa cooperação com a vida e com o próximo. Pela mesma forma como superamos a natureza, pela obediência as suas leis, assim também podemos triunfar na vida mediante a cooperarão com suas experiências e pela aceitação de seus desafios.
As pessoas criam suas próprias dificuldades na vida porque ignoram as leis que governam seu Ser; porque usam erroneamente sua imaginação; porque não sabem pensar retamente; porque suas emoções e desejos são desordenados e mal dirigidos; porque focalizam seus poderes e atenção sobre assuntos inadequados. A harmonia passará a substituir a discórdia quando aprendermos a viver de acordo com as leis que regem nosso Ser e quando os nossos pensamentos e emoções sejam controlados e dirigidas a objetivos dignos. Isso poderá parecer excessivamente difícil à maioria das pessoas, mas em realidade não o é. E não o é porque podemos sempre apelar a um Infinito Poder e Infinita Inteligência, a vontade. Não somos nós (a personalidade) que produzimos essas coisas extraordinárias, mas o Infinito Poder (o Espírito) é uma Infinita inteligência operando em e através de nós e de nossas circunstâncias.
A média das pessoas isola-se de sua Fonte e torna-se qual uma bateria descarregada. Em decorrência, executam dificultosamente seu trabalho e ao fim do dia encontram-se fatigadas. Também não veem diante de si nenhum horizonte, além da monótona repetição dos afazeres e das circunstâncias. Aquele que conhece a Verdade e a vive, é como uma bateria diariamente recarregada. Executa seu trabalho sem esforço e no fim do dia não está cansado.
Também recebe ideias em seu consciente, as quais, quando seguidas, podem melhorar grandemente suas perspectivas. Além disso tudo, ele vai se tornando, a pouco e pouco, mais harmonioso e seguro. Em vez de assolado pela vida, do pelourinho ao tronco, permanece em estado de calma. Em lugar da desordem, sua vida passará a exprimir harmonia e plenitude.
“Pelo pensamento errado, o homem transforma as forças boas da vida em enfermidades, carências, ansiedades e todas as demais manifestações de desarmonias. Contrariamente, quando o ser humano pensa em Deus em vez de contra Ele (ou no Bem, em vez de contra Ele), seguramente manifestará a saúde, abundância, harmonia e as mais altas realizações. Pode, então, conhecer a paz; pode viver em superação e indescritível júbilo”.
Nossa vida precisa de ser transformada a semelhança e beleza do Divino. É necessário retornarmos ao nosso Centro, a unida Fonte de toda a vida, em nosso Ser. Em vez de procurarmos remendar os efeitos, devemos nos voltar para as causas. Se nossa vida está errada, é mister procurar a causa de nossa desarmonia, ou melhor, buscar a Fonte da vida em si mesma. Até agora, com poucas exceções, a humanidade concentra seus esforços no combate aos efeitos – com resultados desastrosos. Assim que um mal é aparentemente superado e suprimido, outro maior surge, em desafio. Realmente, quanto mais combatemos os males, mais difíceis eles se vão tornando, porque lhes acrescentamos poderes que, em si mesmos, não possuem. Vemos, então, que o combate aos chamados males, em nossa vida, jamais, poderá removê-los, senão apenas aumentá-los. Os principais “males” em nossa vida são: a penúria, as preocupações financeiras, os cuidados relativos a “suprimento”, as enfermidades físicas, morais e mentais, a fraqueza, as inarmonias, os vazios internos, as insatisfações, os recalques, etc. Todos eles provem da mesma causa: a falta de sintonia com nossa Fonte Divina e com as Leis da Vida e do Ser. Inútil, pois, remediar os problemas, combatendo-lhes os efeitos. Os males aparentes são meros efeitos. É necessário remover-lhes as causas. Então a harmonia interior retornará e a natureza divina brilhará novamente em nossos horizontes, tal como naturalmente é: saudável, alegre, otimista, inteligente, equilibrada, farta, amorosa, dadivosa, pois Deus é felicidade.
Desejamos ser mui claros: a causa de todos os fenômenos é o pensamento. Tudo o que nos sucede de bom ou de mau é resultado dos nossos pensamentos e das emoções e atos deles decorrentes. O pensamento é um poder espiritual muito mais poderoso que a forma material. O Universo Real e Perfeito, invisível aos nossos sentidos, é a expressão de uma ideia Divina, um pensamento feito forma, o Verbo feito carne, pela Mente de Deus. O universo que conhecemos através dos sentidos é apenas um reflexo material do universo espiritual; é apenas um aspecto vibratório inferior e diminuto de Algo muito mais amplo e elevado. Nosso Universo físico pode também ser descrito como a criação da Mente carnal, mencionada em “o Novo Testamento”. Nenhuma dessas descrições é inteiramente satisfatória, mas cada uma delas é parcialmente verdadeira e satisfaz o propósito destas explanações. As palavras limitam as profundas verdades espirituais, mesmo os termos metafísicos e as explicações cientificas. Além do mais, desejamos ser objetivos e simples. É suficiente reconhecermos este fato essencial: todo o pensamento que esteja em harmonia com a Eterna e Absoluta Verdade, atrai para nossas vidas as naturais condições de felicidade, pois somos filhos e herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo. Mas, se, ao contrário, nossos pensamentos estiverem em desacordo com as Leis de Harmonia mantenedoras do Universo, passaremos a expressar em nossa vida, ambiente e circunstâncias, os efeitos correspondentes do chamado “Mal”.
Nosso mundo mental é como um “iceberg”: uma pequena parte acima da superfície das águas e enorme proporção mergulhada no oceano. A parte visível se pode comparar à Mente consciente. A Mente subconsciente é uma vasta área, abaixo do consciente. Aí é que a maioria de nosso pensamento é levado a efeito para nós. Se na Mente subconsciente existe uma ideia dominante de fracasso, de medo ou de fraqueza, ela afastará as decisões do indivíduo, levando-o ao fracasso. Se essa ideia dominante na Mente subconsciente é de enfermidade, começará a manifestar-se como condição mórbida, baixando o teor do corpo e esgotando o sistema nervoso. É uma triste condição na vida dessa pessoa.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 02/73 – Fraternidade Rosacruz – SP)