Categoria Esquema, Caminho e Obra da Evolução

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Ansiosa Solicitude pela Vida

A Ansiosa Solicitude pela Vida

“Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber, nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Os mundanos é que procuram todas estas coisas. Contudo, vosso Pai Celeste sabe que necessitais de todas elas. Buscai, pois, e em primeiro lugar Seu reino e Sua justiça e todas as demais coisas vos serão dadas por acréscimo. Não vos inquietais, portanto, com o dia de amanhã”. (Mt 6:25-34).

Preocupação com o imediato, com os anos vindouros ou com as próprias condições no crepúsculo da existência.

Não importa. A maioria de nós experimenta essa ansiedade, essa insegurança, esse medo do futuro, em nossa trajetória pelo mundo.

Muitos impõem-se um sistema de economia ou austeridade que chega às raias da avareza, privando-se a si próprio e aos seus dependentes até das comodidades mais básicas, para não ficarem sujeitos a privações no futuro: este o pensamento, esta a intenção. Jamais nos passa pela cabeça nesses dias de ansiosa solicitude pela vida, que todo ser humano é um importantíssimo filho do zeloso Provedor Universal, que fornece permanentemente de tudo aos “armazéns cósmicos” e a esta “praça consumidora” terráquea com a mais infalível pontualidade. E não percebemos também pouco que se o cuidadoso e indefectível Provedor alimenta, veste e até adorna os quadrúpedes, as aves e flores dos campos, quanto mais a nós, por quem Seu próprio Filho sacrificou-se um dia e continua se sacrificando anualmente!

E foi Ele quem recomendou certa vez que nos mantivéssemos tranquilos quanto ao dia de amanhã. Como elevadíssimo Iniciado, sabia quão prejudiciais são o receio e a ansiedade à nossa saúde e ao nosso progresso; sabia que a cada momento de preocupação uma parcela de nossa saúde se esgota, um pouco do nosso tempo é perdido, parte da alegria de viver se desvanece e muito do nosso progresso espiritual – talvez também o material – estaciona; e sabia, finalmente, o quanto atraímos para nós aquilo que de bom desejamos ou o de que precisamos somente por confiar em Deus – ou em que Deus jamais deixa faltar nada àqueles que aos Seus cuidados se entregam.

“O justo não mendigará o pão”, registrou Salomão.

E o que significa ser justo? Muitos séculos depois do registro dessa Verdade, mas já no Sermão da Montanha, Cristo a esclarece esotericamente na exortação: “Buscai primeiramente o reino de Deus e Sua justiça e todas as demais coisas vos serão dadas por acréscimo”.
Aí está.

Aquele que procura ver além da matéria, que busca as coisas do espírito (“o reino de Deus”), procurando ao mesmo tempo conhecer as leis suprafísicas (“Sua justiça”) que regem a vida evolucionante e vivendo consoante elas, passa a ter – por força dessas mesmas leis tudo a seu favor, como se o Universo inteiro iniciasse uma tácita cooperação efetiva com ele.

O Iniciado de Tarso esclarece mais uma vez e com outras palavras: “Todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seus decretos” (leis). Ora, como amar ao próximo (a quem vemos) é o mesmo que amar a Deus (a quem não vemos); e como em linguagem esotérica “ser chamado” é o mesmo “que ser atraído” (considere-se a Lei de Atração do Semelhante), as palavras de São Paulo na Epístola aos Romanos (8:28) podem ser lidas assim: “Todas as circunstâncias favorecem àquele que ama ao seu semelhante e se harmoniza com as leis universais, de tal modo que nada lhe poderá faltar”. Isso não é uma promessa milagrosa, como se pensa há séculos. Não existe milagre. É muito, e muito mais. É a “mecânica” das leis universais em pleno funcionamento, atuante desde os primórdios dos mundos; leis vibrantes em cada átomo das matérias físicas e suprafísicas; sábias, justas, onipresentes e infalíveis. “Causa e Efeito”, “Dar e Receber”, “Atração do Semelhante”, entre outras. É pois mais que um aval dos céus: é uma CERTEZA!

Percebe aí o amigo leitor quanta confiança esse sopro de Verdade pode infundir no sincero “Siegfried” dos nossos dias – dias de contagiante medo, ansiedade, incertezas e carências materiais e espirituais – ou no ser humano que se volta para as coisas superiores do espírito em qualquer tempo? É de fato impressionante! Maravilhosamente impressionante!

A Sabedoria Ocidental ensina: “É lei da Natureza que nossa atitude confiante favorece os nossos propósitos quando desejamos alcançar alguma coisa”. O admirável porta-voz dessa Sabedoria, valendo-se do exemplo de sua própria vida quando lutava arduamente para fundar e manter a Fraternidade Rosacruz em Oceanside, escreveu algures: “Asseguro-lhe que falo por experiência própria quando advogo o viver pela fé, porque tenho trabalhado duramente e me mantido rigorosamente nesses labores, dia após dia. Apesar disso minha vida é um gozo contínuo nunca interrompido por pensamentos de aflição sobre necessidades materiais ou pela falta de dinheiro para continuar e terminar minha tarefa. E nos anos que transcorreram desde que comecei a viver pela fé, meus recursos se tornaram muito mais amplo do que naqueles dias em que costumava me preocupar”.

Aí está. Isso é FÉ, isso é VIVER. Max Heindel comprovava realmente na prática a Verdade registrada por antigos Iniciados no Livro de Habacuque, Capítulo 2, Versículo 4 e citada pelo Apóstolo na Epístola aos Romanos (1:17): “O justo viverá pela fé”.

Complemento dessa CONFIANÇA EM DEUS, o cultivo do AMOR AO PRÓXIMO ajuda-nos, sobremaneira, a afastar o medo, a ansiedade, ou a ansiosa solicitude pela vida. Em parte, porque a natureza desse Amor é de tal sublimidade que nos eleva a pararmos onde impossível é lembrarmos de nós mesmos. E em parte porque – já que amar o semelhante é o mesmo o que amar a Deus – esse Amor é perfeito e sabemos que “O Amor perfeito lança fora o temor”, como escreveu o evangelista.

Também ajuda bastante a afirmação diária (ao acordar de manhã e ao dormir à noite) de verdades como: “Eu e meu Pai somos UM”; “Tudo posso n’AqueIe que me fortalece” (Fp 4:13); “‘Se Deus é por mim, quem será contra mim?” (Rm 8:31) e “O Senhor é meu Pastor, não me faltará” (Sl 23:1), na convicção de que “O homem nada recebe que não venha do céu” (Jo 4:27). Ajuda principalmente nos “dias de nossas fraquezas”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/88 – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Entre a Ilusão e a Realidade

Entre a Ilusão e a Realidade

O progresso humano, desde a aurora da manifestação do espírito, desdobra-se em fases denominadas pela Filosofia Rosacruz de Períodos, Revoluções, Épocas e Idades. São etapas específicas na peregrinação do “ser real” em que determinadas e particulares condições implicam em experiências novas e transformações. Assim, a consciência gradualmente se expande, os veículos (corpos) são formados, desenvolvidos e, em um estágio superior, sensibilizados.

A necessidade de adaptar-se a novas situações, as decorrentes experiências, formam a alma, e conduzem o espírito da inconsciência à divina onisciência. Dessa forma, a vida literalmente é uma escola. Rica. Variada.
Uma nova Idade, embora constituindo uma espiral menor dentro das grandes espirais – os Períodos e as Épocas – traz sempre um novo ciclo de ideias e consequentemente uma gama de transformações. Como a natureza não abriga processos repentinos, as mudanças se operam lentamente e têm seu início ao apagar das luzes da Idade anterior. O estertor de um ciclo e a aurora de outro, marcam uma fase de transição, em que a mescla de ideias e valores, uns decaindo, outros nascendo, cria uma atmosfera conturbada. Isto ocorre atualmente.

Vivemos uma era de transição para a Idade Aquária. Entramos em sua órbita de influência, segundo a precessão dos equinócios, em meados do século passado. A conquista do ar e do éter – rádio, telefone, telégrafo, televisão, avião, viagens espaciais – marcam o desabrochar de novos tempos, sob o raio de originalidade e racionalidade de Urano.

Nem todos, porém, encontram-se preparados para as referidas transformações. A maioria permanece inconsciente do que verdadeiramente se passa ao seu redor. Daí esse clima de incerteza e insegurança.

Em meio a essa aparente confusão, só os mais amadurecidos espiritualmente encontram o seu foco, sentindo pisar em solo firme.

A moderna civilização, arraigadamente materialista e imediatista, já não oferece estabilidade ao ser humano, mormente a estabilidade emocional. A competição egoísta, a incompreensão do verdadeiro significado da vida e das mudanças nela ocorridas, geram neuroses. As pessoas buscam desesperadamente algo em que possam apoiar-se. Nem sempre o “apoio” encontrado é digno desse nome. Constituem, as mais das vezes, fugas. Simplesmente fugas. O “escapismo” acaba por atirar os seres humanos, mais cedo ou mais tarde, em um labirinto, de onde com muita dificuldade conseguem sair. Quando conseguem.

Nota-se, também, nos dias que correm, uma tendência à procura de segurança no “desconhecido”. Hoje, as editoras e livrarias, veem nas obras ocultistas, espíritas e orientalistas uma excelente perspectiva de lucro. Esta faixa de mercado livreiro alarga-se cada vez mais. Vivendo como vivemos, sob a comprometedora sombra do materialismo, é mais do que justo o anseio de cultivar o espiritualismo. Todavia, há espiritualismo e “espiritualismo”.

Muitos, movidos por boa-fé, deixam-se iludir, confundindo espiritualismo com psiquismo. Entregam-se à leitura afoita de toda e qualquer obra, praticam exercícios sem conhecer-lhes os fundamentos, frequentam várias Escolas Filosóficas ao mesmo tempo. Na realidade, deslumbra-os o psiquismo. Por este, entendemos a manifestação ou demonstração de faculdades, muitas vezes negativas, assim como a produção interesseira de fenômenos. Deve-se dizer, a bem da verdade, que esta espécie de “espiritualismo” é tão danosa à saúde física, mental e emocional – quando não à formação moral – de um indivíduo, quanto o materialismo crasso.

Nos tempos agitados em que vivemos é fácil alguém cair na cilada preparada pelos falsos “mestres” e “guias”.

Que ninguém se empolgue com a exibição de fenômenos supostamente sobrenaturais. Eles são parte da própria natureza, e não conferem a quem os produz a dignidade de MESTRE. Para ser um MESTRE ESPIRITUAL é necessário muito mais do que isto.

O espiritualismo divulgado pelas Escolas Filosóficas sérias, tais como a Fraternidade Rosacruz, constitui, antes de mais nada, uma orientação para o aperfeiçoamento do caráter. Não há interesse algum em demonstrações ou exterioridades. Explica-se a causa dos fenômenos psíquicos com intuito exclusivamente elucidativo.

Além disso, outro ponto merece ser enfatizado: toda Escola ou corrente espiritualista verdadeira deve divulgar um conjunto de ensinamentos cuja ação, essencialmente regeneradora, possa ser comprovada na prática.

Max Heindel afirmou que nenhum ensinamento terá valor real como lição de vida, se não promover uma transformação interior no ser humano. E essa mudança pode ser notada através de suas manifestações normais.

Em outras palavras: são os frutos que revelam o caráter do indivíduo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – Fraternidade Rosacruz – fev. /76)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Evangelho de São João: o que mais aclara o ponto central da involução para a evolução

O Evangelho de São João: o que mais aclara o ponto central da involução para a evolução

O Cristianismo desempenha um papel único, incisivo e capital na história da humanidade. É de certa forma, o ponto central de retorno entre a involução e a evolução. Daí que sua luz seja tão resplandecente.

Em nenhuma parte, se encontra esta luz tão viva como no Evangelho de São João. E, em verdade, pode dizer-se que é nele tão somente que aparece com toda sua força.

No entanto, não é assim que a teologia contemporânea concebe este Evangelho.

Do ponto de vista histórico, ela o considera como inferior aos três Evangelhos sinóticos, e até há quem o suspeite de apócrifo. O mero fato de que sua redação tenha sido atribuída ao segundo século depois de Jesus Cristo, fez com que os teólogos e as escolas de crítica o considerassem uma obra de poesia mística e de filosofia alexandrina. 

Em compensação, o Ocultismo considera o Evangelho de São João de modo muito diferente.

Durante a Idade Média existiu uma série de fraternidades que viram no Evangelho de São João o seu ideal e a fonte principal da verdade cristã. Essas fraternidades chamavam-se, os Irmãos de São João, os Albigenses, os Cátaros, osTemplários, os Rosacruzes. Todos eram ocultistas práticos e faziam deste Evangelho sua Bíblia. Pode admitir-se que as lendas do Santo Graal, de Parsifal e de Lohengrin tenham saído dessas fraternidades, como sendo a expressão das suas doutrinas secretas.

Todos esses irmãos de diversas Ordens consideravam-se os precursores de um cristianismo individual, do qual possuíam o segredo, e cujo pleno desenvolvimento e florescimento estavam reservados ao futuro. E este segredo só era encontrado no Evangelho de São João.

Encontravam ali uma verdade eterna, aplicável a todo os tempos, uma verdade que regenerava a Alma totalmente, desde que fosse vivida nas profundidades do próprio ser. Não se lia, então, o Evangelho de São João como se fosse um escrito literário, mas como servindo de instrumento místico. A fim de compreendermos aquela verdade eterna, teremos que nos abstrair momentaneamente do seu valor histórico.

Os primeiros quatorze versículos deste Evangelho, representavam para os Rosacruzes, objeto de uma meditação quotidiana e de um exercício espiritual.

Atribuía-lhes um poder mágico que realmente tem, para os ocultistas. Eis aqui o efeito que produzem, pela repetição constante, sem se cansar: feita sempre à mesma hora e todos os dias, se obtém a visão de todos os acontecimentos que conta o Evangelho podendo serem vividos interiormente.

É assim que, para os Rosacruzes, a Vida de Cristo significava o Cristo ressuscitando do fundo de cada Alma. Ademais, criam, naturalmente na existência real e histórica de Cristo, porque, conhecer o Cristo interior, significa reconhecer igualmente, o Cristo exterior.

Um espírito materialista poderia dizer atualmente: O fato de que os Rosacruzes tenham tido essas visões, prova porventura, a existência real de Cristo? A isso responderia o ocultista: – Se não existisse o olho para ver o Sol este não existiria, mas se não houvesse o Sol no céu, tão pouco poderia existir o olho para vê-lo, posto que foi o Sol que construiu o olho no decurso dos tempos para que pudesse perceber a luz. Similarmente, o Rosacruz diria: – o Evangelho de São João desperta os sentidos internos, porém, se não existisse um Cristo vivente, seria impossível fazê-lo viver dentro de si mesmo.

A Obra de Jesus Cristo não pode ser compreendida em sua imensa profundidade, a não ser estabelecendo as diferenças entre os antigos mistérios e O Mistério Cristão.

Os mistérios antigos celebravam-se em Templos-escolas. Os Iniciados, pessoas que haviam despertado, tinham aprendido, igualmente, a obrar sobre o seu corpo elétrico e, portanto, eram “duas vezes nascidos”, porque sabiam ver a verdade de dois modos: diretamente pelo sono e pela visão astral, e indiretamente, pela visão sensível e lógica. A Iniciação pela qual tinham que passar se chamava: Vida, Morte e Ressureição. O Discípulo passava três dias no túmulo, em um sarcófago, dentro do Templo; seu espírito ficava liberto do corpo, porém, ao terceiro dia, respondendo à voz do Hierofante, seu espírito voltava para o corpo, retornando dos confins do Cosmos donde conhecera a Vida Universal.

E assim, transformado, era “duas vezes nascido”.

Os maiores autores gregos falaram com entusiasmo e sagrado respeito destes mistérios.

Platão chegara a afirmar que somente o Iniciado merecia o qualificativo de “homem”. Mas, esta Iniciação encontrou em Cristo, o seu verdadeiro coroamento. O Cristo é a Iniciação condensada na vida suprassensível, assim como o gelo é água solidificada. O que se via nos mistérios antigos se realizava historicamente, em Cristo, no mundo físico. A morte dos Iniciados não era mais que uma morte parcial no Mundo Etérico. A morte de Cristo foi uma morte completa no Mundo Físico.

Pode considerar-se a ressurreição de Lázaro como um momento de transição, com um passo da Iniciação antiga para a Iniciação Cristã.

No Evangelho de São João, o próprio João só aparece depois de se mencionar a morte de Lázaro.

“O Discípulo que Jesus amava”, era, também, o maior dentre todos os Iniciados. Foi aquele que passou pela morte e a ressurreição, e que ressuscitou ante a voz do próprio Cristo.

João é o Lázaro “saído” do túmulo depois de sua Iniciação. Já São João vivera a morte de Cristo”. Tal é a mística via que se oculta nas profundidades do Cristianismo.

As Bodas de Canaã, cuja descrição se lê igualmente neste Evangelho, encerram um dos mais profundos mistérios da história espiritual da humanidade. Referem-se às seguintes palavras de Hermes: “Oque está acima é igual ao que está abaixo”. Nas Bodas de Canaã, a água se transformava em vinho. A este fato dá-se um sentido simbólico e universal, que é o seguinte: no culto religioso o sacrifício da água era substituído, por algum tempo, pelo sacrifício do vinho.

Houve um tempo, na história da humanidade, em que não se conhecia o vinho.

Só nos tempos “védicos” conheciam-no. Pois bem, enquanto o homem não bebera líquido alcóolicos, a ideia das existências precedentes e da pluralidade das vidas, era uma crença universal, da qual ninguém duvidava.

Desde que a humanidade começou a beber vinho, a ideia da reencarnação foi-se obscurecendo rapidamente, acabando por desaparecer de todo da consciência popular. E tão somente os Iniciados conservaram-na, porque se abstinham de beber vinho.

O álcool exerce sobre o organismo uma ação particular, especialmente sobre o Corpo Etérico, onde se elabora a memória, O álcool veda esta memória, obscurecendo-a em suas profundidades íntimas. O vinho faz procurar o esquecimento segundo se diz, porém, não é somente um esquecimento superficial e momentâneo, senão um esquecimento profundo, duradouro; um obscurecimento verdadeiro da forçada memória no Corpo Etérico. Por este motivo, quando os homens começaram a beber vinho, foram perdendo pouco a pouco, o sentimento espontâneo da reencarnação ou renascimento.

A crença no renascimento e na lei do Destino Maduro, tinha uma influência poderosa, não só sobre os indivíduos, como sobre o seu sentimento social. Esta crença fazia-lhes aceitar a desigualdade das condições humanas e sociais. Quando o infeliz obreiro trabalhava nas Pirâmides do Egito, quando o hindu da última casta esculpia os templos gigantescos no coração das montanhas, dizia-se que outra existência o recompensaria pelo trabalho suportado.

Que seu amo já havia passado por provas similares, se era bom, ou que passaria mais tarde por outras mais penosas, se era injusto e mau.

Ao aproximar-se o Cristianismo, a humanidade tinha que atravessar uma época de concentração sobre a obra terrestre. Era-lhe necessário trabalhar para o melhoramento da vida, pelo desenvolvimento do intelecto, do conhecimento racional e científico da Natureza. A consciência da reencarnação devia, pois, perder-se durante dois mil anos, e o que se empregou para obter um tal objetivo foi o vinho.

Tal é a origem do culto de Baco, deus do Vinho e da embriaguez (forma popular do Dionísio dos Antigos Mistérios que, entretanto, possui outro sentido). Tal é, também, o sentido simbólico das Bodas de Canaã. A água servia para os antigos sacrifícios, e o vinho para os novos.

As palavras de Cristo: “Felizes aqueles que não viram e que, entretanto, acreditaram”, se aplicam à nova era em que o homem entregue por completo à sua obra terrestre, não tinha a lembrança das suas vidas anteriores, nem a visão direta do Mundo Divino.

O Cristo nos deixou um testamento na cena do Monte Tabor, naTransfiguração que teve lugar diante de Pedro, Tiago e João. Os discípulos viram-no entre Elias e Moisés. Elias representava o CAMINHO DA VERDADE; Moisés a VERDADE mesma, e o Cristo a VIDA que resume ambas. Por isto só ELE podia dizer: “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA”.

Assim, tudo se resume e se concentra, tudo se aclara e se intensifica, tudo se transfigura em Cristo, o Evangelho de São João remonta o passado da Alma Humana, até sua mesma fonte, e prevê seu futuro até sua confluência com Deus, porque o Cristianismo não é somente uma força do passado, mas também, uma força do futuro.
Com os Rosacruzes, o novo ocultismo ensina a buscar o Cristo Interior em cada homem, e o Cristo futuro em toda a Humanidade.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/73 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Críticas ao Cristianismo Popular, como se já estivessem acima dos seus ensinamentos Cristãos

Críticas ao Cristianismo Popular, como se já estivessem acima dos seus ensinamentos Cristãos

Em uma de suas cartas aos estudantes, Max Heindel lamenta profundamente o fato de muitas pessoas criticarem o cristianismo popular, alegando lhe faltar uma concepção mais racional do universo. Hoje em dia o panorama não deixa de ser outro. Até mesmo alguns estudantes de ocultismo referem-se desdenhosamente às seitas cristãs. Revelam, dessa forma, uma ignorância sem tamanho, evidenciando desconhecer os princípios mais elementares que regem a evolução.

Os Períodos de Saturno, Solar, Lunar e Terrestre se constituíram em degraus no progresso do espírito. As Idades, Épocas e Revoluções, com suas características, são, por assim dizer, degraus menores ou sub-degraus.
Cada uma dessas fases encerra condições específicas, diferentes, às quais o ser evoluinte deve adaptar-se, haurindo as experiências necessárias ao seu desenvolvimento global. Contudo, nem todos os espíritos adaptam-se facilmente às novas condições. Alguns atrasam-se em relação aos demais.

Outros chegam quase a perder contato com sua própria onda de vida. Nem todos se encontram no mesmo estágio evolutivo. Até meados da Época Atlante, o ser humano ainda não se encontrava individualizado, isto é, não tinha consciência de si mesmo como um indivíduo, um ser diferente dos outros.

No entanto, já se tornava patente um desnível evolutivo. A onda de vida humana dividia-se em pioneiros, comuns e atrasados.

Face a tudo isso, é lógico supor-se que em nossos dias, com a individualização maciça dos seres humanos, surgiria uma multivariedade de caracteres; maneiras de sentir, agir e pensar diferentes; tipos físicos distintos, etc.
Para os educadores e pedagogos, constitui árdua tarefa, cercada de imensa responsabilidade, orientar e transmitir conhecimentos a um grupo heterogêneo de crianças. Atualmente, em nossas escolas, elas são classificadas e recebem ensinamentos conforme o seu Q. l. (Quociente de lnteligência). Porém, não é somente este fator o único a ser considerado na formação de homogêneas classes escolares. Há os fatores etários, idiossincrásicos, etc. Cada aluno deve receber o conhecimento que é capaz de assimilar. Nada mais.

As religiões também são escolas. Orientam. Propõem normas de vida.

Prescrevem hábitos. Preservam padrões éticos. Visam a manter o equilíbrio na sociedade e na família.

E como exercem sua influência sobre os indivíduos? Algumas atemorizando-os com a ideia de céu ou inferno.

Outras, mais racionais, pregam a existência de Deus em espírito e verdade. O Cristianismo Esotérico, a religião do futuro, procura despertar a consciência da divindade interna, do Cristo em formação no âmago de cada um.

Tudo isso tem lógica. Não se pode ministrar ensinamentos espirituais muito elevados a quem não está suficientemente amadurecido para compreendê-los e aplicá-los em sua vida prática. Seria o mesmo que atirar pérolas aos porcos. Quem não tem maturidade interna deve ser orientado de outra maneira. Para conter-lhe os excessos, às vezes só mesmo o temor.

É um recurso válido para que se abstenha de praticar o mal. Gradativamente evoluirá, até compreender sua responsabilidade.

São muitas as seitas cristãs populares. Cada uma com sua denominação própria e certas peculiaridades, representa um degrau apropriado a alguns seres que, não poderiam, pelo menos por enquanto, receber outra orientação mais eficiente e adequada ao seu adiantamento. A medida que despertam para mais amplas verdades, vão procurando escolas mais avançadas.

Expressar-se, portanto, com desdém em relação a toda e qualquer religião, constitui não só uma falha de caráter, mas uma prova de ignorância.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/73 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Por que sofremos? A dor é o estímulo para a perfeição?

Por que sofremos? A dor é o estímulo para a perfeição?

“Por toda parte em que arrastei meu manto, deixei um traço fundo de agonia” – Fagundes Varela.

“Meus Deus, Senhor meu Deus, o que há no mundo que não seja sofrer? O homem cresce e vive um instante, mas sofre até morrer” – Gonçalves Dias.

Nunca o mundo padeceu tanto sofrimento como agora. Seja dor física ou moral, coração algum jamais deixou de, pelo menos uma vez, sentir sua opressão. A humanidade compõe-se de legiões de angustiados, desesperados, desiludidos.

Qual a razão de tanta desdita? O que causa a humana dor?

Consultemos o livro do Gênesis, no Antigo Testamento. Verificaremos no Capítulo 1, versículo 3, que “Viu Deus tudo quanto fizera e eis que era muito bom”.

Portanto, Deus infundiu em tudo quanto criou Sua Divina Perfeição. A palavra perfeição nesse caso pode ser substituída por harmonia. Logo, a obra da criação, regida por leis sábias, caracterizava-se, no início, pela harmonia existente entre todos seus componentes. Na quebra dessa harmonia encontramos a origem do sofrimento. Esse rompimento é uma transgressão às leis naturais. Quer se manifeste como pobreza, enfermidade ou outra infelicidade qualquer, a gênese do padecimento é sempre um desvio.

Porém, que é realmente a dor, a não ser o impacto causado pela retomada do caminho da harmonia? É um brado de alerta sobre a existência de alguma coisa errada. Se a queimadura não produzisse um incomodo físico, por exemplo, nossas mãos poderiam ser consumidas pelas chamas de um fogão. Uma cólica hepática indica, via de regra, uma alimentação inadequada.

A miséria em que vivem milhões de pessoas, denota negligência em relação as oportunidades ou, então, criminosa ganância em vidas passadas. Hoje, tudo se lhes falta como meio de aprenderem a lei do equilíbrio: não devem descurar suas necessidades materiais, porém, que o sentimento de posse não os induza a oprimir ou lesar o semelhante.

O sofrimento, dessa maneira, representa a lição a ser aprendida. Não deve ser encarado como passivo e letárgico conformismo, nem com desesperada revolta. Não interpretemos a dor como sendo uma derrota. Vislumbremo-la como a elevação a um bem que está em nós mesmos, um remédio oportuno, adequado à cura das doenças da alma.

A mensagem Rosacruz é um manancial de esperança. Através do conhecimento dos mistérios da natureza revela-nos o imenso potencial de que fomos dotados. Revelamos, também, nossa origem divina, dando-nos conta das promessas das quais somos herdeiros.

Falta-nos apenas entrar em sintonia com a grande realidade divina. Nada há de real fora dela. A ignorância dessa verdade conduz o ser humano aos tortuosos caminhos do sofrimento.

A dor é o estímulo para a perfeição. Ela faz brotar a bondade e a ventura. A bondade é uma flor que se alimenta dos resíduos deixados pela dor em nossos corações.

Pelo sofrimento podemos avaliar e compreender o padecimento alheio. É uma forma de despertamento da solidariedade no íntimo de cada um. O coração humano é como a terra árida: necessita de ser revolvido e adubado para dar bons frutos.

O espírito é essencialmente divino, mas não pode expressar essa divindade se não compreender o mundo que o cerca e os instrumentos que usa para sua manifestação. A divindade em cada ser humano revela-se na medida em que o caráter é lapidado. Somos a pedra bruta ocultando um diamante de raro brilho. Muitas vezes somente a força do esmeril pode desbastar a pedra. É quando o indivíduo sofre.

Consola-nos, porém, saber que tudo caminha para um bem final, porque “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 05/79 – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Porque o Método Rosacruz de Desenvolvimento é Ocidental

Porque o Método Rosacruz de Desenvolvimento é Ocidental

Dizer que a Fraternidade Rosacruz é uma escola preparatória aos mistérios do ocidente não contradiz o sentido de universalização para que tende o Cristianismo Esotérico. Tal como o Sol vem de leste para oeste, a luz da espiritualidade seguiu a mesma direção ao longo da evolução humana.

Confúcio na China; Buda na Índia, Pitágoras na Grécia, foram progressivos marcos da trajetória brilhante do Sol da espiritualidade, dirigindo a evolução religiosa cada vez mais para o oeste. Depois surgiu Cristo. Sua influência predomina, por enquanto, no ocidente até que por todo o mundo os demais Egos se universalizem e se libertem dos laços restritivos da raça e da tradição. No ocidente estão os seres mais evoluídos da Terra, em sentido geral, seres que em outras vidas já tiveram encarnações no oriente.

Agora renascem nessa parte do globo para receberem ensinamentos equivalentes ao seu estado evolutivo. Pode parecer, ao menos avisado, que o oriente, em questão espiritual esteja na vanguarda. Engano. Aqueles Egos se encontram na curva descendente da evolução, prestes a atingir o nadir da materialidade, pelo qual já passaram os ocidentais. Em futuro não muito distante viverão os mesmos problemas que nós, para adquirirem a experiência da vida material. Já se afastam, pouco a pouco, das vivências predominantemente subjetivas para mergulharem na conquista do mundo material, requisito indispensável à evolução, no presente estágio de desenvolvimento da humanidade. Entretanto, os ocidentais, subindo o arco ascendente da escala evolutiva, estão alcançando condições cada vez mais espiritualizadas, Corpos físicos mais refinados e Mentes mais dinâmicas.

Os métodos de realização oriental e ocidental são bem distintos, conquanto tenham em comum alguns princípios doutrinários como a Lei do Renascimento, a Lei de Causa e Efeito, etc. No método oriental, o neófito se subordina ao guru (Mestre) e condiciona seu desenvolvimento à completa aceitação do que lhe é ensinado. No método ocidental, fundamentalmente individualista, se busca, desde o princípio, libertar o neófito de todas as influências externas que lhe dificultam a livre manifestação do Ser.

O método ocidental respeita em cada aspirante o acervo individual de experiências passadas que lhe formaram a natureza, a índole, o temperamento, o caráter, enfim, sua particular e total estrutura Egóica, diferente da de qualquer orientador externo. O método ocidental lhe dá, ao mesmo tempo, meios de realização e deixa o desenvolvimento na dependência exclusiva de sua iniciativa, esforço e perseverança.

A questão Iniciática não é simples, como podem fazer crer os ignorantes e os charlatães. A Escola Rosacruz exorta seus membros a não pensar em voos de alma e a se dedicar de todo coração e vontade ao aprimoramento do caráter, mediante o serviço amoroso e altruísta aos demais, pelos meios de iluminação que põe dadivosamente à disposição de todos. Isso concorda com os Evangelhos: “procure primeiramente o Reino dos Céus e Sua justiça e o demais virá por acréscimo”.

É importante que saibamos distinguir, para nossa orientação e dos demais, o método ocidental de desenvolvimento. 

Como diz Max Heindel: “Buda pode ter sido a luz da Ásia, mas Cristo é a luz do mundo”. Assim como a luz do Sol

ofusca o brilho das mais radiantes estrelas, tempo chegará em que o verdadeiro cristianismo ofuscará todos os demais sistemas doutrinários para inteiro benefício da própria humanidade

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 12/73 – fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Mundos Visível e Invisíveis

Os Mundos Visível e Invisíveis

O universo é a grande escola de treinamento de Deus. Como parte particular desta vasta escola, estamos agora presenciando acontecimentos e mudanças de vulto que provocam uma crescente necessidade de obtermos melhor conhecimento da razão de ser da existência. “Que significa tudo isso?”, perguntamos, e “Que significa isso para mim?”.

A chave do progresso pode ser resumida no aforismo antigo: “Homem, conhece-te a ti mesmo”. O primeiro passo no conhecimento de nós mesmos e das nossas relações com as forças cósmicas é compreender alguma coisa dos mundos em que vivemos, desde que as leis que agem no Cosmos inevitavelmente afetam nossa vida pessoal, individual.

Para a maioria das pessoas existe apenas um Mundo: o globo físico, denso, em que vivemos. Os Mundos suprafísicos não são visíveis para o indivíduo comum, porque este ainda não desenvolveu os sentidos mais elevados e sutis, necessários para entrar em contato com aqueles. Estes Mundos superiores são os mundos da causa, e o estudo das lições da Fraternidade Rosacruz habilitarão o estudante a avaliar satisfatoriamente as manifestações visíveis no Mundo Físico, bem como a regular sua vida de tal modo que passará a exprimir mais harmonia e mais plenitude em todos os planos.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/73 – fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Pergaminhos do Mar Morto

Os Pergaminhos do Mar Morto

O Cristianismo, tal qual todas as religiões, tem dupla natureza interna, oculta, esotérica, verdadeiro repositório de ensinamentos profundos, e uma exterior, exotérica, superficial, formal, contendo princípios cuja finalidade é manter a união do agrupamento e coibir, as mais das vezes, coercitivamente, os arroubos da natureza inferior.

Ao arcabouço esotérico de uma religião só tem acesso seus membros mais avançados, aqueles já iluminados pela pureza e desinteresse. Os menos evoluídos se satisfazem em gravitar em torno de cerimoniais – que raramente entendem – e aspectos exteriores de culto. Assim, permanecem atados a letra que mata e não ao espírito que vivifica, até capacitarem-se a dar um passo maior. São Paulo, Apóstolo, dava “leite as criancinhas” e “alimento sólido” aos fortes na fé.

Cristo se dirigiu as multidões por meio de parábolas, mas aos Discípulos revelava o conteúdo transcendental de Sua Doutrina.

Por suposto, o Cristianismo Esotérico contém a essência dos ensinamentos do Mestre, princípios esses encontráveis nas entrelinhas dos Evangelhos, por quem possui a “chave” para tal.

Tanto as traduções do Antigo como do Novo Testamento, sofreram interpolações e modificações, involuntária ou propositadamente, por parte de copistas e tradutores. Encontramos referências a isso no Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel, e na Patrologia Grega, de Orígenes . Não é difícil imaginar como houve confusões e distorções.

Os Rosacruzes, porém, mercê de suas investigações na Memória da Natureza, oferecem o sentido real dos ensinamentos bíblicos.

Em 1947, ocorreu um fato muito auspicioso: foram descobertos oito rolos de pergaminhos numa gruta localizada nas proximidades do mosteiro de Qunram, as margens do Mar Morto. Sete desses documentos foram decifrados e estudados, revelando importantes informes a respeito do Cristianismo, confirmando muita coisa ensinada pela Fraternidade Rosacruz.

Sabe-se que foram elaborados pelos Essênios. Estes, constituíam uma terceira seita entre os judeus. As outras duas eram os saduceus e os fariseus.

A comunidade essênia, todavia, era bem diferente. Formada de pessoas mais devotas e espiritualizadas, vivia uma vida de pureza e serviço, em contraste com as outras. Sabe-se, também, que vários apóstolos e alguns personagens destacados dos Evangelhos, pertenceram a essa seita.

Agora, outra informação: o oitavo e último rolo de pergaminho foi, finalmente, decifrado e estudado, conforme notícia abaixo transcrita, publicada no jornal Folha de São Paulo, edição de 25 de fevereiro de 1979.

“BERKELEY, CALIFORNIA, (UPI)”
– Os últimos e mais completos pergaminhos do Mar Morto foram finalmente publicados e fizeram revelações novas e importantes a respeito da origem da doutrina cristã sobre o sexo, o casamento e o divórcio, disse o professor Jacob Milgrom, da Universidade da Califórnia.

Denominado “Pergaminho do Templo” por se referir em grande parte à reconstrução do templo de Jerusalém, o documento recentemente publicado, contém um código de comportamento ético que proíbe o divórcio e a poligamia. É também a favor do celibato, pais proíbe o uso do sexo dentro dos muros de Jerusalém.

O novo rolo de pergaminhos e o último dos oito documentos muito bem preservados encontrados por um jovem beduíno em uma caverna perto do Mar Morto, em 1947. Sete outros rolos de pergaminhos já foram decifrados e estudados durante a década de 50, mas o “Pergaminho do Templo” só foi descoberto quando Israel ocupou os territórios árabes, na guerra dos seis dias, em 1967.

O pergaminho foi encontrado em uma caixa de sapato escondida debaixo do assoalho de uma loja árabe, cujo proprietário tinha sido envolvido na compra de documentos antigos.

Nos últimos dez anos o pergaminho foi cuidadosamente desenrolado e decifrado por Yigael Yadin, professor universitário e atualmente vice primeiro ministro de Israel.

Trata-se do mais longo rolo de pergaminho até hoje encontrado, com 19 páginas e 8,53 metros de extensão. O professor Milgrom foi o assistente de Yadin na obra de restauração do documento.

“Em minha opinião, este é provavelmente o pergaminho mais importante”, disse Milgrom numa entrevista. “Antes de mais nada, neste pergaminho Deus fala na primeira pessoa. Isso quer dizer que se trata de revelação. É sua palavra autorizada”.

Milgrom disse que o “Pergaminho do Templo” “vem lançar nova luz sobre as origens de muitas doutrinas cristãs”.
O documento diz, por exemplo, que todos os que “aspirarem viver à sombra do templo, em permanente estado de santidade, devem viver uma vida de solteiro”. Proíbe também a prática de relações sexuais em qualquer parte dentro da cidade de Jerusalém.

Os rigorosos mandamentos de pureza em torno do templo e dos sacrifícios excluem a satisfação de necessidades higiênicas dentro de Jerusalém e até mesmo a defecação em qualquer lugar durante sábado judaico. Proíbe, também “ao rei mais de uma mulher e diz que ele não se deve casar novamente, enquanto sua mulher estiver viva”, disse Milgrom. “As implicações são evidentes. O divórcio é proibido”.

Pela primeira vez, vemos que as opiniões sobre o matrimônio e o divórcio expressas dentro de certas tendências nos Evangelhos do Novo Testamento, podem traçar sua origem nos ensinamentos desta seita, anterior a época de Jesus Cristo pelo menos um século e meio”. Milgrom observou que o divórcio e poligamia não eram proibidos no Antigo Testamento.

Os pergaminhos foram encontrados perto da comunidade de Qunram, que floresceu desde mais ou menos a metade do século segundo antes de Cristo até, a época da Invasão Romana, no ano 67 de nossa era. Essa comunidade era formada “por uma seita marginal dentro do judaísmo”.

Os dissidentes da seita se refugiaram nas cavernas do Mar Morto para escapar a “poluição” que afetava Jerusalém por causa dos líderes fariseus, disse Milgrom.

O pergaminho do templo não apenas traça os planos para a reconstrução do templo de Jerusalém, quando a seita voltasse ao poder, após uma guerra catastrófica, mas “prescreve leis totalmente novas e dá interpretações também novas sobre as leis antigas”.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/79 – fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Ciclo: o fim não existe, somente um contínuo eterno, uma existência eterna

O Ciclo: o fim não existe, somente um contínuo eterno, uma existência eterna

Deus emite o Som! Harmonia total que atrai do absoluto todos os componentes pertencentes a Ele. Os diferentes sons agrupam-se em formas diferentes. Não existe matéria morta, todos são carregados com a vida do Absoluto.
O Som mantém sua vibração ritmada e sua duração é o tempo da vida do Universo.

O Som potente desperta a vida no ser inconsciente. Responde, mas a sua consciência não é plena, sua resposta não é o som absoluto. Desafina. Assim a vibração muda e diferencia. As formas já não são perfeitas, a dissonância cria defeitos e na luz absoluta aparecem as sombras. Criam oposições. Positivo-negativo, luz e sombras, bem e o mal, harmonia-dissonância. A luta começa. Respira-expira, recolhe o erro e devolve restaurado.

A harmonia ressoa e a criação com mais consciência tenta vibrar em uníssono, mas seu tom é lento e pesado. Submerge pelo peso e cria novas camadas na sua involução. Cria dor e sofrimento, erros, doenças que aguilhoam para despertar e descobrir sua origem divina.

Uns aumentam sua vibração atinando o som. A luz deles aumenta. Não está tudo feito nem aprendido, mas o ciclo termina. O som extingue, o arquétipo tem seu colapso. O Absoluto absorve o bem, o mal, as lutas, os fracassos e os êxitos. Para preparar o próximo dia da criação, uma nova luta, uma nova oportunidade.

O fim não existe, somente um contínuo eterno, uma existência eterna. A consciência humana não atinge a razão da criação. Ainda não. Agora somente podem existir confiança e fé na Vida Eterna, onde nós vivemos, movemos e temos o nosso ser.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/84 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Extensão de Consciência

Extensão de Consciência

No capítulo do Conceito Rosacruz do Cosmos, que trata do Esquema da Evolução lemos: “Os três e meio Períodos que faltam serão dedicados ao aperfeiçoamento destes veículos, e a expansão de nossa consciência em algo semelhante à onisciência”. Esta lição trata desta importante fase da evolução. Já caminhamos um grande percurso desde a consciência do sono profundo, do Período de Saturno ao estado de consciência de vigília atual, e estamos nos preparando para a elevada consciência espiritual que obteremos no Período de Vulcano. Este é o grande plano que nosso Criador traçou para nós, os Espíritos Virginais.

Através das diferentes fases da Involução fomos guiados por Seres Elevados, de variados graus de poder, porém, hoje, no tempo atual, nos encontramos no caminho evolutivo de desenvolvimento, e ampliando a Consciência de Vigília, cujo desenvolvimento está em nossas próprias mãos, dependendo de nossa iniciativa e diligência, a fim de que cresça ou permaneça estacionado.

Como Estudantes, sinceros e humildes, temos plena consciência de nossos muitos defeitos. Como crescer em graça e alcançar o crescimento anímico é o objetivo de nossos esforços diários, porque o crescimento anímico aumentará a nossa consciência. Frequentemente sentimos que não podemos nos concentrar e meditar à vontade, ou tão profundamente como desejaríamos, porque influências externas nos perturbam e, com facilidade, nos dizemos a nós mesmos: “O mundo é demasiado para nós”. É, então, que somos tentados a excluir-nos, e permitir-nos o desejo de fugir para a nossa individual torre de marfim; sabemos que, sem importar quão sedutor possa nos parecer este projeto, não é o caminho certo para nós. Experiências anteriores nos têm demonstrado que o crescimento anímico não se acumula fugindo da vida e das nossas obrigações para com a sociedade no mundo. A consciência se produz pela guerra entre o Corpo de Desejos, que destrói, e o Corpo Vital, que constrói. O Espírito renasce para obter experiências, e esta só se pode alcançar pelo contato com nossos semelhantes, no Mundo Físico de ação e reação.

A razão para a edificação de nosso intrincado sistema de veículos eficientes, durante a involução, foi para obter consciência própria. Pelo uso destes, conscientemente, durante nossa jornada evolucionária, conseguimos poder anímico que é o alimento que o Espírito requer. Desde o mero princípio, este nosso espírito foi uma parte de Deus, e agora, como sempre, “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” em Deus, porém, tem que se converter em um espírito humano individualizado, consciente. Como tal, no devido tempo, deve dar-se conta de sua própria história passada, suas possibilidades atuais, e suas futuras potencialidades.

Cristo advertiu a Seus ouvintes: “Sê tu, portanto, perfeito como teu Pai é perfeito nos Céus”. EIe compreendia que nenhum de Seus ouvintes possuía a perfeição de Deus no tempo em que Ele lhes falou, porém, sabia o que é possível ao ser humano conseguir. Por Suas palavras desejava impressionar e recordar a humanidade que, pelo esforço constante e exercício incansável da vontade, o ser humano poderá, ao final, alcançar a perfeição. Ele quis elevar os não sensitivos, porque Ele sabia que nosso adormecido Espírito tem que ser despertado, frequentemente por dolorosas experiências.

Reunimos material para o crescimento de nossa alma por meio de nossas experiências diárias; como tratamos estes acontecimentos que enfrentamos em nossa existência diária, será nossa contribuição individual para com a vida. Cada um de nós experimentou um meio ambiente distinto e se equipou com um Átomo-semente mais ou menos poderoso no começo da vida, e, por conseguinte, a reação de cada um é diferente, individualizada, e assim enriquecerá a obra da vida. Carecemos de poder suficiente apreciável sobre os sucessos com que temos de nos defrontar em nossa jornada desde o berço até o túmulo, porém, podemos determinar COMO reacionar ante eles. Temos liberdade em demonstrar, face aos problemas da vida, debilidade ou valor ao enfrentá-los. Nesta luta divina, a alma é enriquecida, e a quinta essência deste crescimento anímico é extraído vida após vida, armazenando-se como poder vibratório. Este poder reunido pelo Espírito durante muitas vidas, é o que sentimos quando nos colocamos em contato com nossos semelhantes, é o poder vibratório que com frequência cria imediatos gostos e aversões. O poder anímico obtido se imprime em nossa própria alma e sentimos o seu efeito. Ricardo Wagner, em sua Ópera Parsifal, teve um esplêndido êxito ao dar-nos um quadro novo, revitalizado da velha lenda que fala da jornada do ser humano através da vida, conforme enfrenta os perigos e domina as tentações. Finalmente, chega à conclusão de sua pesquisa com a alma enriquecida e a consciência expandida. Quando, pela primeira vez, Parsifal aparece em cena, é puro e sem malícia, e surpreendentemente inocente. Deseja ser de alguma utilidade no Castelo de Graal, porém, antes de fazer isto, tem que enfrentar as realidades da vida e do mundo com seus perigos, porque tem que aprender a discernir. Este é o único meio de demonstrar-nos onde somos débeis. Parsifal, em sua inocência, passa através de seus encontros com as donzelas astutas e a tentadora Kundry sem prejudicar-se. Em seu doloroso encontro com ela, obtém novo conhecimento que resulta em uma maior consciência. Ele viaja através de todo o mundo, encontra sofrimentos e fadigas e, agora, quando chega de novo ao Castelo do Graal, está em condições de ajudar e seus esforços são aceitos prazerosamente, porque conseguiu dominar-se. Ele diz a seus amigos: “Vim através do erro e do sofrimento, através de muitos fracassos e incontáveis angústias”. Isto deveria dar a todos aqueles que procuram conseguir fazer o trabalho do mundo, e a todos aqueles desejosos de aprender, novo alento e a segurança de que nada se perde, e se ganha com o esforço sincero.

A essência de nossas experiências, vida após vida, se acumula e não se perde. O amor e o entendimento adquiridos farão nossa jornada, para o alto, mais feliz e mais proveitosa a todo aquele que tentar.

(Mensagem de Mount Ecclesia – publicada na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 08/82 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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