Os Ensinamentos Rosacruzes e a Teoria do Renascimento
Desde os mais remotos tempos as almas avançadas vêm demonstrando grande interesse em elucidar o enigma da vida e da morte. Hoje, entretanto, esse ardor ganha maior amplitude. As catástrofes, as guerras, os problemas socioeconômicos se agravando, a autodestruição pelas drogas e neuroses, as questões ecológicas, a violência urbana, formam um delicado painel a desafiar o ser humano. Embora esta seja a época dos ‘QIs’ assombrosos, dos PHDs, da tecnologia ultrassofisticada, nunca houve tamanha sensação de insegurança.
Essa grande provação está induzindo os seres humanos a procurarem respostas satisfatórias, em fontes não convencionais. Muitos já estão se embrenhando no campo do espiritualismo profundo, na esperança de encontrar soluções para os problemas que os afligem. Daí o crescimento das Escolas Esotéricas e a venda em escala crescente de obras ocultistas nas livrarias.
Motivando mais ainda essa busca, notamos os modernos meios de comunicação social apresentando, constantemente, reportagens e artigos sobre a “vida após a morte”, reencarnação, clarividência e outros temas apaixonantes.
Isso é muito significativo, mesmo a despeito de alguns programas de televisão darem um tratamento superficial e sensacionalista a tais questões. Porém, sempre resta um saldo positivo.
Qual dos temas acima referidos cerca-se de maior interesse? Cremos ser o da reencarnação, nos ensinamentos da Sabedoria Ocidental, divulgados pela Fraternidade Rosacruz, conhecida como RENASCIMENTO.
Lemos no Antigo Testamento, Jó queixando-se da natureza efêmera da vida humana e dos dissabores por ela causados: “O homem nascido de mulher vive breve tempo, cheio de inquietações”. E em outro versículo indaga: “Quando o homem morre, tornará a viver?”.
A essa pergunta sumamente importante, os ensinamentos rosacruzes responde com toda segurança: sim. No capítulo IV do Conceito Rosacruz do Cosmos – Renascimento e Lei de Consequência – Max Heindel aborda a questão, alinhavando considerações, ilustrações e argumentos. É um dos pontos básicos do rosacrucianismo, porque faz emergir as causas de muitos fatos e fenômenos intrigantes.
O ocultista aceita o renascimento como um fato indiscutível, não como uma possibilidade ou hipótese. Não afirma “crer”, porquanto “crença” é algo meio vago, subjetivo. Ele conhece, sabe. Os mais avançados, inclusive, têm a oportunidade de acompanhar a trajetória de um Ego, desde que desencarna, passando por algumas etapas “post-mortem”, até o próximo renascimento. Logo, não necessitam crer.
Três teorias principais procuram esclarecer o enigma da vida e da morte: (1) a Materialista, (2) a Teológica e (3) a do Renascimento. Segundo a primeira, delas, nada há que transcenda os limites da matéria física. A Mente é o resultado de certas correlações da matéria, o homem é o ser mais elevado do Universo e sua inteligência perece quando da sua morte. Fora disto, dizem os apologistas dessa teoria, tudo é produto da imaginação, de alucinações ou fruto da ignorância. O mundo material é a única realidade.
Essa teoria, entretanto, a cada dia que passa se torna mais insustentável. As pesquisas efetuadas pelas sociedades parapsicológicas das nações mais desenvolvidas; os estudos realizados por pessoas cultas e séria; os depoimentos de pessoas comprovadamente sãs e idôneas, envolvendo fenômenos suprafísicos, evidenciam a descoberta e confirmação de uma nova realidade.
A Teoria Teológica nega a possibilidade de o espírito renascer aqui no Mundo Físico. Assevera que, em cada nascimento uma alma recém-criada por Deus adentra a arena da vida; que ao fim de certo período deixa essa existência, passando pelo umbral da morte; que as condições “post-mortem”, eternas por sinal, dependerão de seus atos e conduta (segundo algumas seitas cristãs) ou de sua fé em Cristo como seu Salvador (segundo outras) durante a vida terrena. Portanto, aqueles cujo procedimento foi reprovável ou não tiveram fé deverão sofrer eternamente, enquanto os outros serão recompensados.
Ora, é fácil encontrar uma grande, uma flagrante contradição nessa teoria, decorrente da injustiça que ela carrega em seu bojo. Se nos Evangelhos o próprio Cristo nos exorta a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete, isto é, infinitamente, como Deus pode condenar alguém ao sofrimento eterno, sabendo-se que o ambiente ou qualquer circunstância podem induzir facilmente à transgressão?
Que Divindade é essa, responsável pelo nascimento de um indivíduo numa favela, em meio à fome, ignorância e delinquência, e de outro numa mansão, cercado de todos os cuidados e educação esmerada? Se a própria justiça dos seres humanos, falível em si mesma, ainda tem a nobreza de conceder “sursis”, liberdade condicional e oportunidades de recuperação a quem comete delitos, por que Deus – suprema Perfeição – condenaria alguém?
Não, não é possível que seja assim. A Teoria Teológica projeta a imagem de uma Deidade antropomórfica, ou seja, concebida à imagem e semelhança do ser humano. Mas não é a própria Bíblia que afirma termos sido criados, nós, à Sua imagem e semelhança? O bom senso não consegue admitir tamanho absurdo. Conclui-se, portanto, da insustentabilidade dessa teoria.
Por fim, resta-nos analisar a Teoria do Renascimento, chamada pelos espíritas, teosofistas, budistas, etc., de reencarnação.
Se observamos a vida do ponto de vista ético-lógico não há como deixar de aceitar o renascimento. O Universo é regido por leis sábias, e, certamente, uma mente lúcida não poderá atribuir-lhe um sentido injusto. Tudo tem sua razão de ser.
Se os próprios seres humanos de ciência admitem, no campo material, um processo denominado “evolução”, por que não admitir que o mesmo se estenda a todos os campos?
Em todos os lugares contemplamos o esforço da natureza para atingir a perfeição. Não há processos súbitos de criação e destruição. Tudo caminha e se aperfeiçoa, lenta, mas seguramente.
Observemos a organização social, política, econômica, religiosa e familiar dos povos. Confrontemos com o panorama de quinhentos, mil ou dois mil anos atrás. Houve uma transformação radical, uma evolução, um aprimoramento, sem dúvida alguma. Não é lógico supor-se, entretanto, que os subsídios para promover essa evolução tenham sido colhidos apenas e tão somente nos bancos escolares ou nos templos, em um determinado lapso de tempo.
Há um cabedal de experiências, um lastro cultural e psicológico, impossível de ser formado no curto espaço correspondente a uma vida. Não nos esqueçamos, também, de um aspecto importante: todos esses avanços extraordinários tiveram a conduzi-los, a inspirá-los, a traçar-lhes as diretrizes, seres humanos dotados de qualidades incomuns, alguns até gênios na mais pura expressão do termo. Não adquiriram asas faculdades maravilhosas em poucas décadas.
A evolução é a história do progresso do espírito no tempo. São necessárias muitas vidas para que se consolide um atributo excepcional. Não fosse isso verdade, como explicar o fato de um Mozart tocar e compor em tenra idade, sem submeter-se a um aprendizado metódico?
“Por toda parte, observando os variados fenômenos do Universo, vê-se a espiral do caminho evolutivo. Cada volta da espiral compreende um ciclo. As espirais são contínuas. Cada ciclo submerge-se no próximo e é o produto melhorado do precedente, criando estados de maior desenvolvimento”, afirma Max Heindel.
Renascendo alternadamente em corpos masculinos e femininos, os seres humanos adquirem conhecimentos e experiências variados. Alguma imperfeição desta vida poderá ser corrigida numa ou em várias existências futuras. Uma qualidade atual poderá ser aprimorada a níveis nunca dantes imaginados. E, o que é muito importante, novas causas poderão ser deflagradas, novos cursos de ação eleitos, no exercício de uma divina faculdade, alavanca mór de todo progresso: a Epigênese.
Até poucas décadas atrás, o assunto “renascimento” ou “reencarnação”, era tratado com certa reserva fora dos ambientes esotéricos. Bastava que se o mencionassem para, de imediato, alguém, associá-lo com espiritismo. Verdade seja dita: os seguidores de Kardec também são reencamacionistas. Entretanto, essa associação de ideias revela como se desconhece o assunto. Afinal, ele é igualmente familiar a outras denominações filosóficas e religiosas. Nas rodas acadêmicas, todavia, era considerado “tabu”. Ninguém se aventurava a mencioná-lo, por temor ao ridículo.
Hoje, o quadro acima se encontras em franca mudança. A realidade ou não do renascimento vem merecendo debates até nos meios científicos. As pesquisas se intensificam. Casos interessantes estão sendo estudados e catalogados, objetivando-se, mais cedo ou mais tarde, provar-se alguma coisa.
E por que razão alguém se vexaria em admitir, publicamente, sua crença no retomo do espírito à vida terrena? Se é por temor ao ridículo, então…nossos pêsames. Se alguém se envergonha de suas convicções, então por que não as abandona de uma vez? Na realidade não está convencido de coisa alguma.
Mergulhamos no passado. Veremos a doutrina do renascimento constituindo um dogma fundamental dos sistemas religiosos dos antigos egípcios, dos Druidas e de outros povos. Quase todas as religiões orientais são reencarnacionistas.
Nos países ocidentais, vários seres humanos célebres confessaram publicamente sua crença nessa verdade. Pitágoras, insigne filósofo e matemático grego do quinto século antes de Cristo dizia, lembrar-se de ter sido Hermotino e de ter lutado na guerra de Tróia.
Ovídio, poeta latino (43 A.C. a 17 D.C.) afirmava ter assistido, numa encarnação anterior, ao cerco de Tróia, chegando a relatar em seus versos, acontecimentos de diferentes existências pelas quais teria passado.
Empédocles, filósofo e médico (quinto século A.C.) ensinava que os “seres se separavam pela repugnância, e pelo amor atingiam a união; que a alma para alcançar os conhecimentos necessários, reencarnava até chegar à perfeição”. Afirmava lembrar-se de duas encarnações, uma delas como homem e a outra como mulher.
O célebre escritor e político francês Lamartine, cria nas vidas sucessivas. No seu livro “Viagem ao Oriente” diz ter reconhecido o vale do Terevento e o túmulo dos macabeus.
Guerra Junqueiro meditando sobre os males que afligem o gênero humano, inclinava-se a crer que sejamos réprobos expiando faltas de outras existências.
Theophile Gautier, Alexandre Dumas (pai), Ponson de Terrail, Pierre Loti e outros escritores externam, por diversas vezes sua crença no renascimento.
Encontramos no Novo Testamento vários pontos alusivos ao renascimento, se bem Cristo não o tenha revelado abertamente. Mas fê-lo aos Discípulos, reservadamente. Por razões de ordem evolutiva, o conhecimento dessa verdade permaneceu oculto das massas durante vários séculos. Para os esoteristas cristãos e alquimistas, contudo, essa doutrina nunca foi novidade.
Cresce, dia a dia, o número de pessoas que, não só aceitam essa teoria, como se dispõem a estudá-la com profundidade. E, na Idade de Aquário, a iniciar-se dentro de uns 600 anos, aproximadamente, sua aceitação deverá ser total.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/79 – Fraternidade Rosacruz)
Rumo à Nova Jerusalém
O estudo e aceitação dos Ensinamentos Rosacruzes constituem um passo consideravelmente importante na vida de uma pessoa. Não fazemos essa afirmação por mero ufanismo ou amor exagerado aos sagrados Arcanjos transmitidos ao mundo por Max Heindel. Longe disso. Reconhecemos que a verdade não tem “donos nem fronteiras”, assumindo uma abrangência infinita.
Não obstante, é lícito destacar certos aspectos de originalidade do movimento Rosacruz, onde sua natureza de não ser uma seita e não dogmática contribui sobremaneira para alargar o raio de visão do aspirante, abrindo-lhe, dessa forma, perspectivas inusitadas.
Ainda mais: o estudante rosacruz é um privilegiado, pois tem a oportunidade de aprofundar-se dia a dia, em conhecimentos de tal maneira transcendentais, que só serão de domínio público na Idade de Aquário. Ele, pois, se antecipa ao futuro.
Vocês querem um exemplo? Então vamos lá:
No capítulo XV do Conceito Rosacruz do Cosmos há um tema desenvolvido com notável lógica, embora, talvez considerado polêmico ou quiçá fantasioso para aqueles não familiarizados com ocultismo. Trata-se de “O Coração é uma anomalia”.
Segundo afirmações do autor, os cientistas daquela época (primeira década do gênio) já admitiam o fato de certas áreas cerebrais serem o centro de determinadas atividades mentais. E, o sr. Heindel se enraíza no assunto, esclarecendo que certas regiões do cérebro constituem a base de atividades mentais egoístas, ao passo que outras sediam atividades altruístas, nobres e refinadas. Não é difícil deduzir: as primeiras predominam. As outras são ativas apenas numa minoria, justamente a elite espiritual da humanidade.
Encontramos, também, na literatura rosacruz, que as áreas destinadas a atividades de ordem inferior, encontram-se, em sua maior parte, localizadas no hemisfério cerebral esquerdo, denominado pela filosofia oculta de “Babilônia”. O hemisfério oposto, aquele capaz de abrigar a sede de atividades ligadas à verdadeira natureza do espírito, recebe o nome de “Nova Jerusalém”. E agora, um ponto interessante para meditação: Babilônia (de Babel) significa “confusão”, e Jerusalém (Jer-u-salém) quer dizer “ali haverá paz”.
Lemos recentemente num dos órgãos mais sérios e tradicionais da imprensa brasileira, um artigo de natureza eminentemente cientifica, abordando o assunto.
Sob o título “Ciência Estuda o Cérebro Dividido”, o articulista principia afirmando que nos últimos anos a ciência médica tem obtido notáveis progressos na investigação do cérebro humano, estabelecendo as diferentes e complexas funções de suas duas partes. A Neurologia sempre se preocupou mais com o lado esquerdo do cérebro chamado hemisfério dominante, que controla o pensamento, a linguagem e a mão direita. Agora, parece que o lado direito, considerado mudo, carente de expressão é essencial para que a pessoa reconheça indícios emocionais e perceba em três dimensões.
Entre várias descobertas científicas, capazes de corroborar as afirmações da ciência oculta, podemos destacar as seguintes extraídas do artigo mencionado:
1. O hemisfério direito parece ser o responsável pelas emoções, manipular formas geométricas abstratas, cantar canções líricas, distinguir ritmo, etc.
2. Foram aplicados testes em quatro pacientes que perderam o lado direito. Intelectualmente mostraram-se normais, mas apresentaram problemas de ordem emocional, pois pareciam, segundo o médico George Austin, da Universidade de Loma Linda, na Califórnia, não ter sentimentos de piedade para consigo mesmos.
3. Segundo o médico Michael Gazzaniga, da Universidade de Cornel, o hemisfério esquerdo nos dá a capacidade de raciocinar e ainda de enganar a nós mesmos.
4. Anos de investigações do cérebro tem confirmado que o lado esquerdo contém o centro da fala e da linguagem que proporciona ao ser humano a capacidade de expressar seus sentimentos com palavras. O lado direito contém mecanismos neurológicos que interpretam a música e nos permitem compreender conceitos tridimensionais e distinguir emoções.
5. A hemisferotomia, isto é, operações do cérebro, é um dos meios de investigação cerebral. Os cientistas do instituto de Tecnologia da Califórnia chegaram à conclusão que podiam controlar os perigosos ataques de epilepsia aguda se o cérebro fosse dividido em dois, ligados pelo corpus callosum, uma parte de Fibras nervosas que une os dois hemisférios. Uma vez cortada essa ponte, cada hemisfério se converte em um campo mental separado dentro do mesmo indivíduo, controlando os lados opostos do corpo.
6. Alguns psicólogos creem firmemente numa dupla consciência e tem até colocado nomes no cérebro direito, como Gestalt e Intuitivo. Quando falam dele, usam qualificativos como “criativo”, “estético”, e o consideram como possuidor de conceitos globais das coisas, o que não tem o esquerdo.
7. Julian Jayner, no seu livro intitulado “As origens da Consciência no Detalhe da Mente Bicameral”, afirma que as partes esquerda e direita do cérebro refletem uma dicotomia Oriente-Ocidente, no que o hemisfério verbal representa o pensamento científico, analítico, digital do Ocidente, enquanto o direito representa os pensamentos intuitivos, artísticos e meditativos que tem de ser sacrificados na máquina científica do Ocidente.
Vemos, portanto,como os cientistas já admitem a diferença de função entre os dois hemisférios. E, no futuro, quando o coração se converter em um músculo voluntário e a circulação permanecer sobre o domínio do Espírito de Vida, este impedirá o fluxo de sangue aos centros cerebrais destinados a propósitos inferiores. O ser humano, dessa forma, expressará unicamente as qualidades nobres do espírito. Será dado, talvez, o passo maior para a concretização da Fraternidade Universal, e o primeiro para vivermos na Nova Jerusalém. Ali, somente ali haverá paz.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/79 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Valorizar a Vida
Trabalho dos mais complexos é o que o Ego executa nos planos internos no intervalo entre duas existências objetivas.
Na Região do Pensamento Concreto, também denominada Segundo Céu, a vida é extremamente dinâmica. O Ego, além de assimilar o valor educativo das experiências de sua última manifestação no plano físico, prepara o arcabouço dos veículos a serem utilizados no próximo renascimento. E mais: prepara o ambiente de sua nova manifestação. É lógico, não realiza seu trabalho sozinho, nem a seu bel prazer. Outros Egos também participam desse processo, pois de uma forma ou de outra os destinos dos seres humanos se interligam. O clima, a flora, a fauna, as variadas condições da Terra são alteradas pelo ser humano sob a direção de elevados Seres. O mundo é um reflexo do nosso trabalho individual e coletivo.
Na Região do Pensamento Concreto desenvolve-se todo esse maravilhoso processo que nos desperta a mais profunda reverência. Tudo se desenrola sob a égide da Inteligência Cósmica Criadora.
O ser humano, como microcosmos, é parte integrante dessa Inteligência Cósmica Criadora. Seu destino é converter-se também em Inteligência Criadora. Sendo assim, na Região do Pensamento Concreto ele se ocupa ativamente em aprender a construir um corpo que seja o melhor meio para expressar-se. Ninguém pode habitar um corpo mais eficiente do que aquele que é capaz de construir. Aprende-se primeiramente a construir o corpo, e, depois, aprende-se a viver nele.
Todos os seres humanos durante a vida ante natal trabalham inconscientemente na construção de seus corpos, até chegar o momento em que retida quintessência dos veículos anteriores seja neles amalgamada. Além disso, realiza, também, um pequeno trabalho original, isto é, sempre se acrescenta algo novo.
É importante lembrar que na Região do Pensamento Concreto encontram-se os arquétipos de todas as formas existentes no Mundo Físico. Os arquétipos não são simples modelos ou desenhos das formas que vemos ao nosso redor. São modelos viventes, vibrantes. Preexistem às formas e quaisquer modificações que estas sofram ocorrem primeiramente nos arquétipos.
O Ego, logicamente, antes de renascer forma o arquétipo de seu futuro Corpo Denso. Toda e qualquer deficiência no corpo indica um arquétipo igualmente deficiente. Isto nos traz à Mente um importante ensinamento oculto: é possível prolongar a vida acrescentando vitalidade ao arquétipo.
Todas as nossas ações produzem um efeito direto no arquétipo do nosso corpo. Se pensamos, sentimos e agimos em harmonia com as leis cósmicas; se entendemos os verdadeiros objetivos da vida e procuramos contribuir conscientemente para o avanço da raça humana, os Seres Exaltados que dirigem nossa evolução se interessarão em prolongar nossa vida. Assim, o arquétipo será vitalizado com o consequente prolongamento da nossa existência. Isso é sumamente importante, pois aprenderemos mais e adquiriremos valiosas experiências.
Como estudantes da ciência esotérica cabe-nos viver de acordo com esse ensinamento oculto, valorizando ao máximo nossa vida aqui na Terra.
(Publicado na Revista – Serviço Rosacruz – Set/88)
Alguns Rosacruzes e sua Admirável Genialidade
É um fato notável a influência da Ordem Rosacruz no progresso da humanidade. Homens célebres, que revolucionaram vários campos da atividade humana, receberam a inspiração dos elevados ideais da Ordem.
Alguns, inclusive, foram Rosacruzes.
Max Heindel assim se refere a essa influência:
“Uma religião espiritual não pode unir-se a uma ciência materialista, assim como o azeite não pode misturar-se com a água. Portanto, oportunamente serão tomadas medidas para espiritualizar a ciência e tornar científica a religião”.
“No século XIII um grande instrutor espiritual, cujo nome simbólico era Christian Rosenkreuz – Cristão Rosacruz – apareceu na Europa para começar esse trabalho. Fundou a misteriosa Ordem dos Rosacruzes, com o objetivo de lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida religião cristã e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto-de-vista científico, em harmonia com a religião”.
“Muitos séculos se passaram desde o seu nascimento como Christian Rosenkreuz e muitos têm considerado um mito a existência do fundador da Escola de Mistérios Rosacruz. Todavia, seu nascimento como Christian Rosenkreuz marcou o princípio de uma nova era na vida espiritual do mundo ocidental”.
“Esse excepcional Ego tem estado em continuas existências físicas desde aquele tempo, num e noutro dos países europeus. Tomava um corpo cada vez que os sucessivos veículos perdiam sua utilidade, ou que as circunstâncias tornavam necessárias uma mudança no campo de atividade. É um lniciado de grau superior, potente e ativo fator nos assuntos do Ocidente, se bem que desconhecido para o mundo”.
“Trabalhou com os alquimistas durante séculos, antes do advento da ciência moderna. Foi ele que, por um intermediário inspirou as agora mutiladas obras de Bacon. Jacob Boehme e outros receberam dele a inspiração que tão espiritualmente iluminou seus livros. Nas obras do imortal Goethe, nas obras mestres de Wagner, encontramos a mesma influência”.
“Só os Rosacruzes conhecem o irmão Rosacruz. Nem ainda os mais íntimos amigos, ou a própria família, conhecem as relações de um homem com a Ordem. Os lniciados, e só eles, conhecem os escritores do passado que foram Rosacruzes por que através de suas obras brilham as inconfundíveis palavras, frases e sinais indicativos de significação profunda, oculta para os não-iniciados. A Fraternidade Rosacruz é composta de estudantes dos ensinamentos da Ordem. Esses ensinamentos estão agora sendo dados publicamente porque a inteligência do mundo está em desenvolvimento e a nível para compreendê-los. Esta obra é um dos primeiros fragmentos públicos dos conhecimentos rosacruzes. Tudo o que tem sido publicado como tal nos últimos anos é obra de charlatães ou traidores. Os Rosacruzes, tais como Paracelso, Comenius, Bacon, Helmont e outros, deram vislumbres em suas obras e influenciaram a outros”.
Vamos conhecer, então, a vida, obra e pensamento de alguns desses luminares, ligados direta ou indiretamente à Ordem Rosacruz, cujo trabalho em muito beneficiou a humanidade.
João Amos Comenius (1592-1671) nascido em Niwnitz, na Morávia, foi um dos mais ilustres educadores de todos os tempos. Após estudos demorados e profundos na Alemanha e na Holanda, foi nomeado reitor da escola de Prerau e, em seguida, pastor dos Irmãos Morávios de Fuineck. Tendo sido expulso juntamente com seus companheiros, por decreto oficial, retirou-se para Lissa, na Polônia, onde publicou “Janua Linguarum” que foi traduzida em 15 idiomas. Convidado pela Suécia e pela Inglaterra para reorganizar suas escolas, Comenius optou pela última, mas dificuldades políticas impediram a realização de seus planos. Foi então que publicou a famosa “Didactica Magna”. De volta à Polônia, com grandes honrarias, foi encarregado de redigir livros didáticos. Mas preferiu voltar para Lissa, onde foi feito bispo pelos Irmãos Morávios. A educação, para ele, possuía encantos irresistíveis. Em 1650 organizou a escola de Patak, na Hungria, e publicou “Orbis Pictus”.
Comenius considerava a escola como uma grande dádiva. Na sua opinião ela “é a oficina da humanidade” pois prepara o homem para o seu destino temporal e espiritual, por meio da religião, da virtude, do caráter, da instrução e da educação.
Comenius foi, sem dúvida, o maior pedagogo realista e um dos vultos grandiosos da história da educação e, no seu entendimento, o fim absoluto da educação é a felicidade eterna na contemplação de Deus. Os meios para a consecução desse ideal supremo obtêm-se por meio do conhecimento que o homem pode adquirir de si mesmo e de todas as coisas. É o que Comenius chamava de “pansofia” ou sabedoria universal.
Philippus Aureolus Theopharastus Bombastus Von Hohenhein, conhecido como Paracelso (1493-1541), nascido na Suíça, foi alquimista e médico. É considerado o “pai da medicina hermética”. Sua doutrina fundamenta-se na correspondência entre o mundo exterior e as diferentes partes do organismo humano.
A despeito da benéfica influência trazida pelos árabes, a farmacologia tradicional estava por demais estratificada para se deixar abalar. Sobreviveu intocada até o século XVI, quando Paracelso rompeu com a tradição e iniciou a observação cientifica na medicina.
As aulas de Paracelso na Universidade de Basiléia, em 1527, tiveram o significado de uma ruptura com a tradição acadêmica. Paracelso entendia que o princípio alquimista da transformação e depuração das substâncias era aplicável tanto à natureza como ao homem. Toda enfermidade tem seu remédio: basta saber encontrá-lo no mundo natural e aplicá-lo convenientemente. Com esse objetivo, Paracelso viajou muito, adquirindo novos conhecimentos médicos. Seu grande mérito foi ter posto a química a serviço da terapêutica. Desenvolvendo uma alquimia prática, Paracelso procurava instruir-se não só nas universidades, mas também em seus passeios pelo campo entre lavradores, pastores, parteiras, etc.
Mas, a genialidade de Paracelso não se fazia presente apenas no campo da medicina. Trabalhando em seu laboratório, descobriu que certo metal, atacado por ácido, desprendia um gás inflamável ainda desconhecido. Não poderia imaginar, que havia, pela primeira vez, separado um elemento que se transformaria em formidável fonte de energia séculos depois. Muitos cientistas continuaram a estudar o gás descoberto por Paracelso. Somente em 1766, Henry Cavendish conseguiu isolá-lo dentro de outros gases e recolhê-lo, conservando a denominação simplista de “gás inflamável”.
Porém, foi Lavoisier que lhe deu o nome de hidrogênio, quando descobriu que juntamente com outro gás, o oxigênio, aquele gás inflamável formava a água. Atualmente, além se ser empregado na fusão nuclear, o hidrogênio também é usado para outros importantes fins.
E tudo começou com Paracelso, no século XVI.
Francis Bacon (1561 – 1626), nascido na Inglaterra, foi filósofo, pedagogo, político, ensaísta e Lord Chanceler de seu país. Ingressou no Parlamento aos 23 anos de idade. Durante o inverno de 1584/1585 escreveu a “Carta de Conselhos a Rainha Elizabeth”, revelando grande maturidade e imparcialidade na análise política.
Bacon conferiu grande valor ao estudo da natureza, fazendo dos fenômenos físicos e naturais o fundamento de toda a realidade. Seu ponto-de-vista básico era que as ciências físicas e naturais deviam reger todas as manifestações da atividade e do pensamento humano. Até a moral e a política deviam ser modeladas pelas ciências da natureza.
Em seu “Novum Organum” defendeu intransigentemente a ciência experimental e descreveu em “A Nova Atlântida” uma sociedade dirigida por sábios experimentalistas. No “Novum Organum”, propõe ainda o verdadeiro método científico ou indutivo, pois na sua opinião a realidade só pode ser conhecida e a ciência só pode desenvolver-se mediante o modelo experimental.
Sua obra filosófica mais importante é a “Instauratio Magna”, incompleta e reduzida apenas às suas primeiras partes.
O edifício pedagógico de Bacon foi construído sobre o princípio que ele considerava certo, de que “a ciência humana e o poder humano coincidem”. Sobre a natureza da educação afirmou o seguinte: “Para formar o caráter humano não podemos proceder como o escultor que faz uma estátua, e que esculpe ora o rosto, ora os membros, ora as dobras da roupagem; devemos agir, e isso é possível, como a natureza na formação de uma flor ou de outra de suas criações; ela produz ao mesmo tempo o conjunto do ser e os germes de todas as suas partes”.
Além de filósofo e pedagogo, Bacon foi um pioneiro no campo científico, um marco entre homem da Idade Média, teórico, alheado do mundo, e o homem moderno.
(Publicado na Revista – Serviço Rosacruz – Set/88 – Gilberto Silos)
Salvando um idoso de morrer queimado
Certa noite, alguns Auxiliares Invisíveis foram orientados a ajudar um idoso que corria o risco de morrer queimado. Esse homem era dono de uma fazenda a poucos quilômetros da cidade. Ele sofria de reumatismo e estava muito apreensivo, porque o homem que vivia na fazenda vizinha desejava comprá-la. Este vizinho, porém, havia feito uma oferta para comprá-la por um valor bem abaixo do real valor. O fazendeiro idoso se recusou a vender sua fazenda. E o fazendeiro vizinho pretendia queimá-la, pois sabia que o fazendeiro idoso não teria condições de reconstruir e, assim, conseguiria comprar suas terras por um preço menor.
Os Auxiliares Invisíveis foram até a fazenda e encontraram o fazendeiro idoso assustado, dizendo-lhes que havia sido ameaçado por alguém que lhe dissera que queimaria sua fazenda. O velho fazendeiro não conseguia se locomover e não sabia o que fazer. O Auxiliar Invisível disse a esse homem que não precisaria se preocupar com o fogo.
Ninguém poderia incendiar sua casa além de si mesmo.
“Como você pode impedi-los de fazer isso?”, o fazendeiro perguntou
“Levante-se e coloque algumas roupas”, ordenou o Auxiliar Invisível.
O fazendeiro idoso sorriu e balançou a cabeça negativamente. “Eu não ando há seis meses”, disse ele.
“Isso é porque você não tentou”, o Auxiliar Invisível respondeu.
O fazendeiro se virou e seus olhos se arregalaram quando viu que conseguiu se levantar da cama, aí ele se vestiu e pegou o rifle.
“Aquele que vive pela espada morre com isso”, observou o Auxiliar Invisível.
“Você não vai precisar disso”.
Neste momento ouviram uma voz vindo de fora. “Eles vão incendiar minha casa”, disse o homem.
“Deixe-os tentar fazê-lo, porque não vão queimar”, disse o Auxiliar Invisível.
O homem e os Auxiliares Invisíveis olharam pela janela e viram uma luz. Então, o Auxiliar Invisível pediu que os homens não se movessem, e os Auxiliares Invisíveis e o fazendeiro saíram e identificaram quem eram as pessoas. Era o mesmo homem que morava na fazenda vizinha e alguns de seus amigos. As pessoas também observaram que os vizinhos deixaram um carro esperando na estrada.
O Auxiliar Invisível disse a esses homens que, se não assinassem a confissão contando o que tentaram fazer, eles permaneceriam onde estavam para que todos pudessem vê-los.
O homem escreveu sua confissão, e todos os demais assinaram, incluindo o menino que estava no carro. A marca do carro, a placa e número de licença também foram anotados. O Auxiliar Invisível pegou o papel e disse ao fazendeiro que ele guardaria, pois tinha receio que alguém pudesse roubá-lo. Depois ele disse “Bom dia” e, os Auxiliares Invisíveis desapareceram da visão de todos, mas eles não foram embora.
Assim que os homens deixaram o local, os Auxiliares Invisíveis entregaram ao velho fazendeiro o papel da confissão e pediram que mostrasse a alguém ou mesmo que informasse a alguém que estava de posse do documento, pois do contrário, alguém poderia matá-lo para conseguir o papel da confissão.
Em seguida, os Auxiliares Invisíveis deixaram o velho fazendeiro e alcançaram os homens que haviam tentado incendiar a casa. Como eles não estavam materializados, os homens não puderam vê-los, quando conversavam entre eles dentro do carro. O homem que tinha planejado queimar a casa do velho fazendeiro disse: “Eles não eram humanos, e o velho homem tinha Deus ou o diabo com ele, e eu que vou vender as terras antes que alguém veja essa confissão”.
O Auxiliar Invisível havia dito às Salamandras que ficassem quietas, e foi por isso que o vizinho não podia acender o fogo. As Salamandras são Espíritos da Natureza que causam todos os tipos de incêndios.
(IH – de Amber M. Tuttle)
Pergunta: Por que a aversão da humanidade em relação às serpentes? O Espírito-Grupo da serpente é inimigo do ser humano?
Resposta: Enganamo-nos ao supor que toda a humanidade tem aversão às serpentes. Muitas espécies de serpentes são totalmente inofensivas, e são animais muito úteis. Colocadas nos porões de uma casa, os conservarão perfeitamente livres de insetos e ratos. No jardim, eliminam animais nocivos tais como os ratos do campo e arganazes que causam tantos prejuízos. Por essa razão, o fazendeiro experiente olha-as com bons olhos.
Quanto à aversão, esta não se limita somente às serpentes. Milhões de pessoas ficam assustadas diante de um rato, besouros, aranha e outros animais inofensivos. Trata-se simplesmente de uma questão de temperamento, e nenhum Espírito-Grupo é inimigo da humanidade ou de qualquer outra classe animal. Tudo que parecer indicar tal coisa, é uma visão errônea de examinar o assunto.
(Perg. 158 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
A Força do Seu Pensamento
O Pensamento é uma força ARQUIPOTENTE.
LIVRA-TE, LIBERTA-TE de sentimentos sombrios.
DEUS, o Supremo Bem, está presente em cada partícula do teu sentimento-pensamento.
Ora sempre com o pensamento aberto, fluindo indistintamente, atingindo o Universo e a todas as criaturas do PAI.
O pensamento é vibração super-etérica, e que pode atingir distâncias sem fim, dependendo tudo, unicamente de ti.
Em ti, está a Força, o Poder e a razão de todas as coisas. Consubstanciado, o PENSAMENTO-FORÇA dirige teus passos, ora certos, ora incertos, de acordo com o que sejas: firme ou tíbio.
“PENSA GRANDE e teus pensamentos levar-te-ão às ALTURAS. PENSA PEQUENO e teus pensamentos levar-te-ão retumbantemente ao chão”.
Necessário se torna que aprendas a pensar: com firmeza, na direção certa, tendo sempre presente o bem, só o bem, o eterno bem.
A DIREÇÃO É INTERNA. A ordem é interna. Do INTERIOR de cada TEMPLO-VIVO, a voz sutil dá a direção, indica a senda. Não penses que é fácil! Três são as exigências: CAPACIDADE, FIRMEZA E CORAGEM. Capacidade adquirida na vivência, no estudo, na meditação e no discernimento. Capacidade adquirida em vidas vividas e na honestidade de propósito na procura.
Viver a verdade, proceder na verdade, desejar acima de tudo a verdade.
“Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”! Eu Sou!!! Retumba vibrantemente no Universo!
É uma Canção de Força, Poder Arquipotente, Pensamento concentrado em tudo o que há de Bom, Belo, Nobre, Altruístico, Realização do SUBLIME! O pensamento, unicamente, torna-nos capazes, pois é nossa única arma, que devemos aprender a manejar com sabedoria e capacidade. O sofrimento é a Grande Chave. Ele vai nos conscientizando e quando isto acontecer, ele deixa de ser sofrimento e se transforma em EXPERIÊNCIA-GUIA. Não desesperes no sofrimento: faze dele uma Dádiva Sagrada e vai capacitando tua vida para os grandes embates. Eis o Canto do poeta:
“Sonha, mocidade, forte e viril;
Sonha, que teus sonhos são profetas”.
O Pensador não sonha! Pensa! Mas, necessário se torna, que vigies teus pensamentos, porque eles poderão causar grandes males. No meio ambiente, no seio da família, no local de trabalho, no Universo, enfim. Tudo se resume em capacidade. Capacidade de bem pensar. Capacidade de bem vigiar, capacidade de bem concentrar e conscientizar. Firme, encara o Céu e a Terra, e, com limpidez no olhar, observa todas as coisas. A luz que vem de dentro desvenda todos os mistérios, e a prática te exercita a tal ponto que não há matéria densa que teus pensamentos não penetrem. Pensar retamente, orientado pelo PENSADOR INTERNO, transforma rapidamente as condições de qualquer que assim o tente. Tuas vistas tornar-se-ão mais límpidas, penetrantes e firmes. O Sol brilhará com mais fulgor, teus sentimentos para com as criaturas do Pai serão mais harmoniosos, confiantes, amáveis; o trato será mais sincero, e, num átimo, desaparecerão todas as canseiras físicas. O repouso do teu Corpo Denso será mais perfeito, sem necessidade de muitas horas de sono para a reparação. Serão outros os sentimentos para com os teus familiares e o mundo que te rodeia. Tudo é muito sutil! O Espírito da Música perpassa num átimo de segundo, e se estiveres capacitado, sua melodia permanecerá e abençoará tua existência com o glorioso bálsamo da vida, tornando-te capaz de transmitir alegria e bem-estar ao teu redor.
Oh! Quão bela, nobre, digna, venturosa e divina será tua existência. Compartilhando, servindo, dando de ti mesmo, quanta felicidade espalharás, como dádivas dos Céus! Não é fácil viver nesse estado de eterna bem-aventurança.
É uma experiência suprema! É um estado de serenidade superior, que inspira todas as atividades da vida.
O outro atributo é a firmeza. Delinear a direção e dela não se afastar em momento algum. Firmeza e Coragem.
Enfrentar todas as coisas que a vida te impõe, com atitude equânime, confiança plena, só próprio das almas de escol. Não há nisto nenhuma Proteção Divina, nem escolha arbitrária. É um mérito hierárquico, é prática dos conhecimentos adquiridos, é a filosofia aplicada num crescendo infindo, de acordo com a Luz que se vai descortinando. Não esqueças, porém, que a quem muito é dado, muito será exigido. Não podemos esconder nossa agulha no palheiro. Nossa vida precisa ser de ações claras, exemplos edificantes. O que importa tudo o mais se nada te falta? Viver assim, é viver no Eterno Agora, fruindo da Eterna Fonte de todas as coisas e não das migalhas atiradas da “MESA DOS FESTINS”. Senhor e não escravo, não importa a posição que ocupes aos olhos dos demais. Quando compreenderes claramente a Parábola do Cristo: “Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”, saberás que as coisas Divinas não se podem confundir com as coisas mundanas. É necessário que tenhas bem presente esta distinção. Não podes fugir do mundo, mas precisas te desfazer em definitivo das coisas pegajosas. Toma cuidado: o orgulho e a vaidade acompanham o santo, bem como ao ser humano comum. Estes dois impostores transmutam, quando estiveres nas alturas, aparentando virtudes e purezas. É necessário o coração puro de uma criança. “Deixai vir a mim os pequeninos…” O Modelo é o Cristo. Ele, tão e só, no seu Sublime Amor e edificante sacrifício, te serve de modelo. Não podes fugir! Não podes recuar ou estagnar. É preciso caminhar sempre, confiante no destino superior, certo de que, “Na Casa do Pai há muitas moradas” e a todas devemos ir conhecendo paulatinamente. É uma dinâmica, é uma constante, é uma batalha sem quartel. O Poder Criador deve ser exercido com a consciência clara, o conhecimento pleno, a majestade do sereno vencedor!!! No silêncio extraordinário da tua alma, Ele está Ali, no lugar recôndito, Silente, Certo, Inconfundível, Único e Absoluto.
É necessário que haja plena, completa, absoluta firmeza, porque a responsabilidade é só tua, e responderás por todo e qualquer deslize.
Que extraordinário, que estupendo! A ninguém devemos dar contas a não ser ao SILENTE INTERNO e OBSERVADOR! Ao Poder Crístico, ao Pai, enfim.
Caminha, passos firmes, cabeça ereta, despido do mesquinho, cônscio da tua única responsabilidade ante a LUZ INTERNA!
Que a areia do tempo não detenha teus passos, deixando apenas em ti, a consciência, a certeza, da grande escola que é a vida.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – Fraternidade Rosacruz – jan. /76)
Entre a Ilusão e a Realidade
O progresso humano, desde a aurora da manifestação do espírito, desdobra-se em fases denominadas pela Filosofia Rosacruz de Períodos, Revoluções, Épocas e Idades. São etapas específicas na peregrinação do “ser real” em que determinadas e particulares condições implicam em experiências novas e transformações. Assim, a consciência gradualmente se expande, os veículos (corpos) são formados, desenvolvidos e, em um estágio superior, sensibilizados.
A necessidade de adaptar-se a novas situações, as decorrentes experiências, formam a alma, e conduzem o espírito da inconsciência à divina onisciência. Dessa forma, a vida literalmente é uma escola. Rica. Variada.
Uma nova Idade, embora constituindo uma espiral menor dentro das grandes espirais – os Períodos e as Épocas – traz sempre um novo ciclo de ideias e consequentemente uma gama de transformações. Como a natureza não abriga processos repentinos, as mudanças se operam lentamente e têm seu início ao apagar das luzes da Idade anterior. O estertor de um ciclo e a aurora de outro, marcam uma fase de transição, em que a mescla de ideias e valores, uns decaindo, outros nascendo, cria uma atmosfera conturbada. Isto ocorre atualmente.
Vivemos uma era de transição para a Idade Aquária. Entramos em sua órbita de influência, segundo a precessão dos equinócios, em meados do século passado. A conquista do ar e do éter – rádio, telefone, telégrafo, televisão, avião, viagens espaciais – marcam o desabrochar de novos tempos, sob o raio de originalidade e racionalidade de Urano.
Nem todos, porém, encontram-se preparados para as referidas transformações. A maioria permanece inconsciente do que verdadeiramente se passa ao seu redor. Daí esse clima de incerteza e insegurança.
Em meio a essa aparente confusão, só os mais amadurecidos espiritualmente encontram o seu foco, sentindo pisar em solo firme.
A moderna civilização, arraigadamente materialista e imediatista, já não oferece estabilidade ao ser humano, mormente a estabilidade emocional. A competição egoísta, a incompreensão do verdadeiro significado da vida e das mudanças nela ocorridas, geram neuroses. As pessoas buscam desesperadamente algo em que possam apoiar-se. Nem sempre o “apoio” encontrado é digno desse nome. Constituem, as mais das vezes, fugas. Simplesmente fugas. O “escapismo” acaba por atirar os seres humanos, mais cedo ou mais tarde, em um labirinto, de onde com muita dificuldade conseguem sair. Quando conseguem.
Nota-se, também, nos dias que correm, uma tendência à procura de segurança no “desconhecido”. Hoje, as editoras e livrarias, veem nas obras ocultistas, espíritas e orientalistas uma excelente perspectiva de lucro. Esta faixa de mercado livreiro alarga-se cada vez mais. Vivendo como vivemos, sob a comprometedora sombra do materialismo, é mais do que justo o anseio de cultivar o espiritualismo. Todavia, há espiritualismo e “espiritualismo”.
Muitos, movidos por boa-fé, deixam-se iludir, confundindo espiritualismo com psiquismo. Entregam-se à leitura afoita de toda e qualquer obra, praticam exercícios sem conhecer-lhes os fundamentos, frequentam várias Escolas Filosóficas ao mesmo tempo. Na realidade, deslumbra-os o psiquismo. Por este, entendemos a manifestação ou demonstração de faculdades, muitas vezes negativas, assim como a produção interesseira de fenômenos. Deve-se dizer, a bem da verdade, que esta espécie de “espiritualismo” é tão danosa à saúde física, mental e emocional – quando não à formação moral – de um indivíduo, quanto o materialismo crasso.
Nos tempos agitados em que vivemos é fácil alguém cair na cilada preparada pelos falsos “mestres” e “guias”.
Que ninguém se empolgue com a exibição de fenômenos supostamente sobrenaturais. Eles são parte da própria natureza, e não conferem a quem os produz a dignidade de MESTRE. Para ser um MESTRE ESPIRITUAL é necessário muito mais do que isto.
O espiritualismo divulgado pelas Escolas Filosóficas sérias, tais como a Fraternidade Rosacruz, constitui, antes de mais nada, uma orientação para o aperfeiçoamento do caráter. Não há interesse algum em demonstrações ou exterioridades. Explica-se a causa dos fenômenos psíquicos com intuito exclusivamente elucidativo.
Além disso, outro ponto merece ser enfatizado: toda Escola ou corrente espiritualista verdadeira deve divulgar um conjunto de ensinamentos cuja ação, essencialmente regeneradora, possa ser comprovada na prática.
Max Heindel afirmou que nenhum ensinamento terá valor real como lição de vida, se não promover uma transformação interior no ser humano. E essa mudança pode ser notada através de suas manifestações normais.
Em outras palavras: são os frutos que revelam o caráter do indivíduo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – Fraternidade Rosacruz – fev. /76)
A Pequena Árvore Perturbada
A pequena árvore estava assustada. Bem, talvez não exatamente assustada, mas terrivelmente perturbada.
No entanto, não era a primeira vez que ela se sentia assim. Houve aquela vez quando ela estava dormindo de forma tão confortável. Be-e-em, não era propriamente dormindo, mas dormitando no solo gostoso, escuro e muito bem aquecido. Tinha sido tão delicioso permanecer lá, no solo amigo, espreguiçando-se de vez em quando para se desenferrujar. Mas, um dia, uma esticada ambiciosa tirou sua cabeça do solo e um exuberante bocejo transformou-se em um grito assustado. A situação foi efetivamente muito difícil. Por mais que ela tentasse, não podia retirar sua cabeça debaixo do solo amigo.
O solo tinha sido um tanto desalmado, também. Antes, tinha sido sempre muito amigo, aconselhando a arvorezinha a espalhar suas raízes para fora, a fim de colher alimento com mais facilidade. Esse mesmo solo tinha sido tão prestativo em armazenar alimentos e umidade no local adequado – como se estivesse colocando uma mesa de banquete bem em frente dela, apesar da arvorezinha nada entender sobre mesas. Mas, agora, o solo tinha apenas rido de sua terrível situação.
– O que posso fazer? lastimou a arvorezinha. É tão estranho ter minha cabeça descoberta.
– Estranho, realmente, zombou o insensível solo. Meu Deus, será que terei de suportá-la durante toda sua vida?
Pare de se lastimar e absorva tudo o que você puder dessa maravilhosa luz do Sol.
– O que é a luz do Sol? perguntou a arvorezinha.
– Boba, disse o solo, olhe para cima e você verá o Sol. Não há engano!
Naturalmente, a arvorezinha não o conhecia, como tudo isso aconteceu logo pela manhã, o Sol estava apenas iniciando sua jornada através do céu, assim, quando a arvorezinha olhou para cima, lá estava o Sol. Ele sorriu da maneira mais gentil possível, de forma que a arvorezinha retribuiu o seu sorriso sentindo-se muito bem. Esta situação era excelente e ela parou para pensar sobre isso.
– Por que você não me falou antes sobre este adorável lugar? Disse a árvore, repreendendo o solo, olhando-o fixamente. Você sabia disso o tempo todo, ela acusou.
O solo não lhe deu qualquer resposta, mas sorriu de maneira cordial. A arvorezinha suspirou aliviada. Mais uma vez ela virou sua face para o Sol. Ela olhou tão fixamente para esse Astro amigo que quase ficou cega. Então, transferiu seu olhar para o solo, piscou e piscou até que sua visão se tornou normal outra vez. Aí começou a olhar para todos os lados. Ela estava cercada por uma verdadeira floresta ou qualquer outra coisa, porque não sabia como chamá-la. E algumas de suas companheiras eram bem maiores que ela.
– Olá, ela saudou a árvore mais próxima, que era muito maior que ela.
– Você está se dirigindo a mim? perguntou friamente a árvore alta, com grande dignidade. A arvorezinha nada sabia sobre dignidade, e espantou-se, e isto fez com que ela se sentisse encabulada.
– Sim, senhora, a arvorezinha rapidamente respondeu, recuperando-se. Que lugar é este?
– Este é um viveiro, explicou a árvore grande.
– O que é um viveiro? quis saber a arvorezinha.
– É um lugar, disse a árvore grande, onde as arvorezinhas como você são cuidadas até que chegue a hora de partir.
-Partir? A arvorezinha estava se tornando cada vez mais perplexa. O que significa partir?
– Bem, é – partir.
A árvore grande estava evidentemente em dificuldades – talvez nem mesmo soubesse a resposta.
– Você não sabe o que significa partir? a arvorezinha persistiu.
Mas, antes que a grande árvore pudesse responder, as companheiras que estavam ao seu redor puseram-se a rir, agitando-se em contentamento, enquanto a árvore alta parecia agitar-se de desgosto. Só que toda essa agitação devia ser por causa de uma brisa brincalhona que veio dançando e balançava as árvores para lá e para cá.
As demais árvores não deram opinião, e até mesmo o solo não a ajudou, pois ele tinha aconselhado:
– Não faça tantas perguntas. Somente espere, que no devido tempo você saberá.
– O que é o tempo? a arvorezinha quis saber.
Porém, o solo não deu resposta. Depois disso, a pequena árvore passou o dia entretida olhando para o Sol e para suas companheiras.
Depois, ficou novamente perturbada, mais ainda do que quando retirou sua cabeça do solo. Notou que o Sol estava fazendo uma espécie de jogo. Parecia estar perseguindo ou correndo atrás de alguma coisa no céu, mas a arvorezinha não foi capaz de saber o que era. E, de repente, o Sol sumiu de vista. Isto a surpreendeu tanto, que perguntou novamente, e desta vez em um tom mais digno de uma árvore.
– O que aconteceu? a arvorezinha indagou timidamente, para ninguém em particular.
– É noite, bobinha, as outras árvores responderam em coro.
– O que é noite? desejava saber a arvorezinha.
– Hora de dormir, disse a árvore maior, que tinha respondido durante o dia, às suas perguntas.
Então, como que sentindo um pouco de vergonha de si mesma pela impaciência anterior, acrescentou:
– O Sol foi dormir para estar revigorado de manhã e seria melhor você fazer o mesmo.
A arvorezinha queria saber o que era manhã, mas achou melhor não perguntar. Estava ainda perturbada e em nenhum momento sentiu sono e sequer sonhou durante toda a noite.
Na manhã seguinte estava muito surpresa. Naturalmente lá estava o Sol e todas as outras árvores e o solo. Mas, o surpreendente era que, embora não se lembrasse de ter se esticado – isto devia ter ocorrido pois sua cabeça estava muito mais alta – estava mais próxima do Sol do que quando fora dormir. Todas essas coisas surpreendentes aconteceram e tudo muito de repente.
A arvorezinha estava feliz – mesmo com todos os seus sobressaltos – e, à medida que os dias passavam, ela notava com satisfação que, mesmo durante o dia, sua cabeça tornava-se mais alta, cada vez mais próxima do Sol.
Ela aceitou o conselho do solo e raramente fazia qualquer pergunta agora. O ambiente que a cercava já não a incomodava – acostumara-se a ele. Sabia, sem que lhe dissessem, que o seu corpo se chamava tronco, e ficou orgulhosa o dia em que uma folhinha tinha aparecido no seu próprio tronco! Lá ela permaneceu fazendo uma bela decoração, pensou a arvorezinha. Ela nada mencionou, pois notou que algumas de suas companheiras estavam enfeitadas com duas e até com três folhinhas. Ela não as invejou. Absolutamente. Parecia a ela que muitos enfeites não significavam bom gosto. De qualquer forma, ela decidira esperar e ver como as coisas se desenrolariam. E assim o tempo passou meses naturalmente, apenas a arvorezinha não sabia disso porque não sabia ler um calendário.
Um dia, algo que se movia caminhou por entre seu grupo e amarrou alguma coisa no seu tronco. A princípio ela se sentiu desconfortável, mas logo habituou-se com aquela coisa. Como decoração deveria ter o seu valor, exceto que todas as suas amigas tinham as mesmas coisas amarradas em seus troncos, assim ela não levava nisso qualquer vantagem. Essas coisas que se moviam entre o seu grupo eram muito estranhas. Não pareciam árvores, isto é, não muito. E emitiam sons esquisitos enquanto falavam. A arvorezinha desejou saber como seria movimentar-se como elas, embora jamais pudesse se mover dessa maneira, pois elas tinham dois troncos. Ela tentou arrancar suas raízes do solo, de maneira que pudesse tentar a experiência, mas teve que desistir porque o solo estava tão aderido a elas, que não conseguiu movê-las. E a única resposta que recebeu ao questionar o solo foi de censura: “Não seja boba”. Ela gostaria de saber, um tanto ansiosa, o que significava ser boba, mas decidiu não perguntar.
Depois de desfrutar de uma vida sem problemas por alguns meses, durante os quais sua cabeça continuou cada vez mais próxima do Sol, ela estava novamente pen…. Não, desta vez ela estava realmente assustada. Aquelas coisas que frequentemente se moviam entre seu grupo tinham vindo novamente e olhado, com atenção, a coisa amarrada em seu tronco e uma delas disse:
– Aqui está exatamente o que você procura, um vigoroso pessegueiro dourado.
Isto lhe soou tão engraçado que a arvorezinha quase entrou em convulsão de tanto rir. Uma daquelas coisas que se movia a chamara de vigoroso pessegueiro dourado, quando ela e todas as suas amigas sabiam, com toda certeza, que ela era uma árvore. Mas, seu sorriso foi sufocado quando algo duro passou através do solo muito rudemente e quase cortou uma parte de suas raízes. De repente, suas raízes estavam fora do solo e ela estava se movendo diretamente através das fileiras de suas companheiras, sem mesmo tocar no chão. Ela tentou gritar, mas estava obstruída em sua seiva e mal conseguiu respirar. Ela ouviu debilmente a voz da árvore mais alta,que tinha respondido a tantas de suas perguntas, dizer:
– Agora, você sabe o que significar partir.
Se isso significava partir, a arvorezinha decidiu que não gostava disso, nem um pouco. De fato, quando se recuperou de seu susto, ela ressentiu-se enormemente. O fato de ter perguntado o significado de partir, não queria dizer que ela realmente quisesse saber. Não podia entender porque mostravam a ela as coisas, quando simplesmente se interessava em saber como eram e aí nem sempre recebia resposta. A vida realmente estava se tornando muito complexa.
O partir não tinha sido tão mal, como descobriu depois, pois suas raízes encontraram um novo solo amigo que imediatamente as abrigou de maneira mais reconfortante. Assim, a pequena árvore voltou ao seu estado normal de fazer perguntas enquanto olhava ansiosamente o seu novo lar, o Sol ainda apostava corrida no céu, o que era reconfortante, e o solo era tão amigo como tinha sido o outro. Aí, deu um olhar mais atento para as redondezas.
Suas companheiras estavam bem mais distantes umas das outras do que estavam antes, e aparentemente ela era a única árvore pequenina neste estranho novo lugar.
Uma grande e velha árvore estava por perto e a arvorezinha pediu a ela uma informação.
– Isto é um viveiro? ela queria saber.
A velha árvore respondeu, de maneira cordial, dizendo:
– Não, isto é um pomar.
– O que é um pomar? perguntou a arvorezinha.
– Um lugar onde as árvores vivem, foi a resposta.
– Mas pensei que este lugar onde as árvores vivem fosse um viveiro, pelo menos foi o que me disseram as outras arvorezinhas.
– Bem, explicou a velha árvore, há lugares e lugares. As árvores moram em ambos; no viveiro quando são pequenas e no pomar quando são mais velhas.
– Oh, murmurou a arvorezinha excitadamente e, em seguida agitou os seis galhos que lhe tinham crescido, enquanto permaneceu no viveiro. Entendi, um viveiro é um viveiro, mas um pomar é um partir.
– Um partir?
A velha árvore ficou muito surpresa até que a arvorezinha explicou sobre como a árvore mais alta, no viveiro tinha lhe dito que haveria uma época de partir.
– Sei, a velha árvore riu. Não, um pomar não é um partir. Um viveiro é um viveiro, um pomar é um pomar, e o que acontece entre dois é que é partir.
Essa explicação não ajudou muito a arvorezinha, mas ela decidiu nada mais perguntar sobre o assunto.
– Você é quase uma árvore grande, disse-lhe a velha árvore.
Isso deu à arvorezinha um sentimento de importância que era muito agradável – algo como o agradável sentimento que tinha quando se esticava.
– O ano que vem, disse-lhe a velha árvore, você dará frutos.
– O que é fruto? perguntou a arvorezinha.
– Espere e verá, respondeu a velha árvore e, então, como o solo lhe havia dito uma vez, acrescentou: espere e no tempo certo você saberá.
Respostas estranhas, pensou a arvorezinha com irritação. Por que não respondiam suas perguntas? Parecia-lhe que era tão fácil responder suas perguntas quanto dizer que ela esperasse. Logo esqueceu disso, pois estava interessada em descobrir e conhecer o que estava à sua volta. Ela tinha muitas folhas agora, mas em vez de estarem no seu tronco, estavam nos seus galhos. Davam-lhe um bom efeito, ela pensou.
E assim, muitos meses se passaram. Mais galhos brotaram e os mais velhos tornaram-se maiores e mais folhas surgiram. A arvorezinha realmente estava emocionada até às raízes. Aí, começou a acontecer uma coisa. Ela não ficou assustada nem perturbada, mas desejava saber por que sua seiva se dirigia as suas raízes, em vez de ir para seu tronco e seus galhos.
– Não pense nada sobre isso, a velha árvore aconselhou. Você está se preparando para o sono do inverno.
– Mas eu durmo todas as noites, protestou a arvorezinha. E se eu devo dormir durante esse inverno o que é isso? O inverno vem entre o dia e a noite ou entre a noite e o dia?
– Nem uma coisa nem outra, respondeu a velha árvore. Você já passou por isso no viveiro, mas era muito jovem para se lembrar. Apenas espere e, no tempo devido, você saberá.
Mas a arvorezinha estava experimentando uma sonolência tão grande que nem se ressentiu da resposta que tantas vezes já ouvira. E ela estava cada vez mais sonolenta, de maneira que nem percebeu que suas folhas caíram. E logo se esqueceu de tudo e entrou num sono profundo.
Mais tarde acordou – a velha árvore lhe disse que era primavera. Naturalmente a arvorezinha agora mais do que quando dormira – queria saber o que era a primavera, mas estava muito ocupada para perguntar. Sua seiva, ela percebia, estava fluindo fortemente através de seu tronco e de seus galhos. O Sol brilhava alegremente, e suas folhas estavam brotando de uma forma maravilhosa. A vida, parecia a ela, era algo que valia a pena. Este sentimento, ela pensou, devia ter alguma relação com a coisa chamada primavera, mas ela percebeu que não adiantava querer saber como a primavera tinha chegado, pois tanto ela como as suas amigas tinham dormido, e assim não havia ninguém para lhe responder sobre tais assuntos.
Então, um dia, ela ficou terrivelmente surpresa, pois pequenas coisas brancas e rosadas estavam em todos os seus galhos. Nada de assustar naturalmente e eram bem decorativas, mais ainda do que as folhas. Ela estava bastante orgulhosa dessa nova contribuição ao seu guarda roupa. Notou que a árvore velha também tinha as mesmas coisas em seus galhos, só que em maior número; assim sendo, pediu a ela explicações.
– São botões, explicou a árvore velha. Primeiro os botões, depois os frutos.
A arvorezinha decidiu nada perguntar sobre os frutos – ela já havia perguntado uma vez, sem resultado. De qualquer forma, ela estava muito ocupada com os acontecimentos. Passarinhos e abelhas ficavam em volta dela o tempo todo. Soube de seus nomes pela velha árvore. Eles eram ótimos companheiros e divertidos. Os passarinhos sentavam-se em seus galhos e faziam um barulho agradável – eles eram efetivamente bem alegres e simpáticos. Naturalmente que a linguagem deles era muito mais forte do que a do suave suspiro das árvores. E as abelhas pareciam se deliciar com os botões, pois ficavam à sua volta e dentro deles a maior parte do dia.
Mas, aí chegou um dia de consternação, seus botões estavam caindo. Ela apelou para o conselho da árvore velha.
Meus botões estão caindo, ela disse excitadamente. Será que eu também vou cair?
– Absolutamente, assegurou-lhe a árvore velha. Você está se preparando para os frutos. Você é um pessegueiro e os seus frutos serão pêssegos.
– Oh! a arvorezinha recebeu a informação dolorosamente. É uma pena eu perder os botões quando eles são tão atraentes.
Ela tinha certeza que se sentiria nua, ou como alguém se sentiria com um mínimo de adornos.
Porém, sobreviveu à tragédia e permaneceu bem atenta observando o crescimento de seu primeiro fruto. De início, sentiu-se um tanto desapontada. As pequenas coisas verdes, nodosas, não eram tão bonitas como seus botões e, de qualquer forma, ela tinha esperado algo diferente. Não podia explicar bem o que esperava – a única coisa que sabia é que não estava satisfeita. Mas, pouco a pouco, dia após dia, refez sua opinião. Não se podia negar o fato de que se tornavam mais bonitos cada dia – todos os seus seis frutos. Ela tinha ficado muito entusiasmada e tinha até mesmo se vangloriado um pouco de sua proeza para a árvore velha. Esta tinha sorrido, afavelmente.
Entretanto, tinha chegado o dia da grande tragédia o dia em que outros tomaram conhecimento da arvorezinha. Ela tinha notado que aquelas mesmas coisas que se moviam sobre o solo, no viveiro, também se moviam e do mesmo modo, no pomar. De início, suspeitou muito delas, pois teve medo que ela fosse partir novamente. Porém, como nada aconteceu, ela gradualmente deixou de suspeitar deles e até mesmo lhes deu boas vindas, especialmente quando admiravam suas vestes de folhas e botões. Mas, ultimamente, elas estavam admirando seus frutos – até mesmo os tocavam. Ela não se importava muito. Coitados, eles não possuíam os frutos dourados que ela possuía.
Mas, que horror! Aquelas coisas que se moviam no pomar tinham arrancado seus belos frutos – todos os seis, covardemente! Como ela poderia sobreviver a isso? Seus belos frutos – seus únicos frutos!
Com sofrimento, ela contou para a árvore velha o terrível golpe. Contou-lhe todo o cuidado que tomara com seus frutos, do orgulho que tinha deles – tudo reduzido a nada.
E a árvore velha com carinho a consolava:
– Arvorezinha, você completou um ciclo de sua Vida. Você veio aqui para cumprir uma missão.
– Quem fez isso? perguntou a arvorezinha. Nunca ninguém me contou sobre uma missão. Houve partidas, tempos, invernos e primaveras, mas nunca ninguém me falou sobre missão.
Diante disso, a árvore velha sorriu com ternura, através de seus muitos troncos.
– Ouça, ela disse, as coisas que pegaram os seus frutos chamam-se homens. Eles pensam que colocaram você aqui, mas não é bem assim. Deus, que criou você, é que o fez. E Deus lhe deu uma missão a cumprir. Ele quis que você tivesse folhas, após lhe dar galhos vigorosos. Assim, os passarinhos puderam descansar e gozar de sua sombra.
– Quem fez os passarinhos? perguntou a arvorezinha. Eles têm uma missão? E por que não criam sua própria sombra?
– Bem, bem, reprovou a árvore velha, não faça muitas perguntas. Estou falando sobre você, apesar de falar sobre os passarinhos, Deus os criou, como criou as outras coisas.
– Deus é uma árvore como nós? a arvorezinha quis saber.
– Não, respondeu a velha árvore. Agora deixe-me terminar sua história. Depois que suas folhas cresceram, vieram os botões. Isto foi a primeira tarefa para, em seguida, crescerem os frutos. Mas você também foi feita para enfeitar o mundo – e isso é tão importante quanto frutificar – pois você estava muito bela com suas folhas verdes e botões cor-de-rosa.
A arvorezinha aprumou-se. Era bom ser apreciada, pensou.
– Também, continuou a velha árvore, os botões continham alimento para as abelhas que você tanto admirou. Aí vieram os frutos que os homens comerão, pois eles não podem comer a luz solar, como faz você.
– Eu não gosto que eles comam os meus frutos, disse a arvorezinha. Meus pêssegos são tão belos!
– Esse é o motivo de você ser uma árvore, continuou a velha árvore, como se não tivesse sido interrompida. Olhe o que você fez: abrigou os pássaros, alimentou as abelhas, foi uma coisa de grande beleza e agora alimenta os homens. Esta é sua missão. Deus lhe deu uma grande participação no trabalho da vida. No próximo ano, você fará tudo novamente.
– Bem, murmurou a arvorezinha, espero que Deus esteja satisfeito. Quanto ao próximo ano – esperarei e saberei, no devido tempo – talvez.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. II – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Salvando da morte dois missionários de uma tribo árabe
Esta história conta como alguns missionários foram salvos da morte na Arábia.
Aconteceu numa sexta-feira à noite, quando alguns Auxiliares Invisíveis se dirigiram a uma aldeia árabe, num lugar onde haviam dois missionários brancos amarrados a uma parede. Eles pretendiam matar o homem e sua esposa, porque ousaram ir à sua aldeia falando a respeito de sua própria religião, e assim, desestabilizando a religião muçulmana e Alá.
O Auxiliar Invisível perguntou a sua companheira se ela poderia cuidar deles.
“Eu não sei”, respondeu ela.
“Siga-me e não fuja “, disse o Auxiliar Invisível.
Tinha uns cinco ou seis homens, com as mãos cheias de punhais, prontos para atirar no homem e na mulher para matá-los. O primeiro árabe já estava pronto para atirar a sua faca. E assim que apareceu, o Auxiliar Invisível disse: “Pare”.
O homem soltou um grito, e o demais homens rodearam os Auxiliares Invisíveis como um enxame de abelhas.
“Por que matá-los?”, perguntou o Auxiliar Invisível. “Eles não prejudicaram nem feriram ninguém”.
“Alá não quer estrangeiros aqui, e todos os que vierem devem morrer, e você também”, declarou o chefe do grupo, enquanto acenava com a mão. “Mate a todos e me traga os seus anéis”, ele ordenou, mas ninguém se mexeu.
Ele ordenou novamente, mas ninguém se mexeu. O chefe se voltou e chamou o profeta, que prontamente veio com todos os seus trabalhos de mágicas para servi-lo, se dirigiu aos Auxiliares Invisíveis e iniciou seu trabalho.
“Faça essas coisas desaparecerem”, disse o Auxiliar Invisível, e elas desapareceram. O então chamado profeta ficou parado com grande surpresa e desgostoso devido a esse acontecimento incomum.
“Eu não vim ferir ou prejudicar você ou o seu Alá, mas você não fará mal aos filhos de Deus”, disse o Auxiliar Invisível ao povo.
Ele chamou os missionários e disse: “Venha adiante, meus amigos”, e eles foram até os Auxiliares Invisíveis. Então os Auxiliares Invisíveis disseram ao chefe: “Alimente-os, dê-lhes um lugar para descansar e deixe-os continuar seu caminho, caso você não deseje ouvir o que eles têm a dizer”.
“Onde está nosso Alá?”, o chefe perguntou ao profeta.
“Ele não nos deixou antes!”
“Talvez ele tenha expulsado Alá”, disse o profeta. “Ninguém pode se mover. Ele fez os objetos desaparecerem. Eu não faço nada. Agora, Alá não é mais bom. Seu Deus é o melhor. Adote esse Deus. Ele faz grandes coisas”.
“Seu Alá está aqui, mas ele não quer que você mate pessoas” disse o Auxiliar Invisível. “Ele nunca vai deixa-lo”.
“Outros cães vieram aqui e todos morrem; Alá seja louvado”, disse o chefe intrigado.
“Todos os verdadeiros Cristãos são protegidos pelo seu Deus, e os falsos morrem”, disse o Auxiliar Invisível.
“Sim, eles morrem e você morrerá”, declarou o chefe. Mais uma vez ele ordenou que seus seguidores matassem os estranhos, mas ninguém se mexeu.
“Sr. Chefe, você precisa de uma boa lição e eu vou lhe ensinar uma que você e os demais nunca esquecerão”, disse o Auxiliar Invisível.
Ele se aproximou do chefe, pegou sua faca e a quebrou.
Depois pegou sua túnica, retirou sua coroa, a colocou sobre os joelhos e a entortou com suas mãos. “Rasteje até aprender a poupar vidas humanas”, disse ele.
Depois disso, o Auxiliar Invisível olhou para a multidão e encontrou uma garota com um belo Corpo-Alma, e a chamou. “Senhorita, farei de você rainha, e você deve governar justa e gentilmente, e ninguém ou qualquer coisa poderá prejudicá-la”, disse ele. “Você vai fazer isso?”
“Sim, eu vou”, disse a moça.
O Auxiliar Invisível colocou a túnica sobre ela, depois colocou a coroa e disse ao povo: “Salve a rainha”.
Todas as pessoas caíram de joelhos e se deitaram de bruços. A moça caminhou sobre eles, como o ex-chefe fazia.
Esse era o sinal de submissão e obediência daquele povo. Os homens baixaram suas cabeças em direção as suas barbas e as mulheres esconderam seus olhos.
O Auxiliar Invisível disse à rainha para cuidar do homem e da mulher e mandá-los de volta, e ela disse que faria isso. O Auxiliar Invisível perguntou onde estavam seus pais e ela disse: “Alá os levou”, o que significa que eles estavam mortos.
“O ex-chefe não será morto pelas cobras e pelos animais selvagens?”, a Auxiliar Invisível perguntou.
“Nada vai prejudicá-lo, e quando ele decidir parar de matar, ele vai andar novamente”, disse a sua companheira.
Ele se virou e falou com os missionários. “De onde vocês vieram?”, ele perguntou.
“Dos Estados Unidos”, disse um deles.
Ambos os missionários tinham belos Corpos-Alma, mas não tinham visão espiritual. Nem a nova rainha, mas ela estará protegida. Essa tribo de árabes vivi longe no deserto e era feroz e guerreira, mas os Auxiliares Invisíveis acreditavam que a moça iria subjugá-los.
“Vocês são Anjos?”, um dos missionários perguntou aos Auxiliares Invisíveis.
“Não”, ela disse, “somos pessoas dos Estados Unidos e ajudamos a todos aqueles que precisam”.
Enquanto isso acontecia, o ex-chefe estava rastejando, mas ninguém prestou atenção nele. Os Auxiliares Invisíveis se despediram do povo, liberaram suas auras, desaparecendo fisicamente e seguiram seu caminho.
(IH – de Amber M. Tuttle)