Pergunta: Um ser humano bom terá que passar pelo Purgatório e aí tornar-se consciente de todo o mal antes de poder entrar no Primeiro, Segundo e Terceiro Céus? Se for assim, não será isso um castigo imerecido para ele?
Resposta: A ideia de castigo deveria ser afastada. Não existe castigo. O que acontece a uma pessoa é consequência de leis imutáveis, invariáveis. Não existe nenhum Deus pessoal que distribua prêmios ou castigos a seu bel-prazer, de acordo com uma vontade inescrutável ou qualquer método semelhante. Quando o Ego se reveste com Corpos, ou quando se despoja de seus veículos, esse processo realiza-se com base no mesmo princípio e pelas mesmíssimas leis que regem, por exemplo, um Planeta. Quando um Planeta começa a se formar a partir de uma nebulosa ígnea central, uma cristalização ocorre nos polos onde o movimento é mais lento. A matéria cristalizada é lançada para fora pela força centrífuga e atravessa o espaço por ser mais pesada que o resto da nebulosa ígnea. Por razões similares, quando o Corpo do espírito, que é o mais denso, se torna tão cristalizado e pesado que o espírito não pode mais usá-lo para adquirir experiência, o processo de despojamento é realizado pela força centrífuga que, naturalmente, elimina primeiro o Corpo Denso. Isso é o que chamamos morte. Então, o espírito é livre por um certo período, mas a substância de desejos mais grosseira usada para a incorporação das mais baixas paixões e emoções deve ser também eliminada, e é a expulsão violenta dos desejos inferiores que causa o sofrimento no Purgatório, onde a força centrífuga da repulsão é a mais forte. Se o ser humano tem qualquer partícula dessa substância grosseira no seu Corpo de Desejos, terá naturalmente que permanecer no Purgatório e passar pelo processo da purgação antes de poder entrar no Primeiro Céu. Lá, a força centrípeta de atração lança todo o bem praticado durante a vida para dentro do centro espiritual, onde é assimilado como poder da alma para ser usado pelo espírito na sua próxima vida terrena como consciência. Deste modo, a nossa permanência no Purgatório dependerá da quantidade de substância inferior de desejos que tivermos. Naturalmente, um ser humano bom terá pouquíssima dessa substância ou até nenhuma. Não terá nada para contar no Purgatório, portanto, passará diretamente por essas regiões em direção ao Mundo Celeste.
(Perg. 59 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
O Nosso Templo Divino: como você está cuidando do seu?
A autoridade, a firmeza suave, é indispensável na condução dos veículos humanos pelo espírito.
As antigas tendências muitas vezes buscam levar a falsos caminhos, à fraude; procuram habilmente justificar certos atos errôneos. Mas o Eu superior atento, vigilante, cheio de discernimento, imparcial, não pode consentir que a personalidade transforme o templo do corpo num “covil de salteadores” (“Não sabeis que sois templos do Altíssimo que habita em vós? O Reino de Deus está dentro de vós”).
Não devemos permitir que em nosso íntimo se aceitem vícios e enganos, hipocrisia e “venda” de coisas que devem servir para o sacrifício ao Cristo interno; não podemos vender nosso Cristo por favores, prestígios e confortos.
Há muitas formas de cobrar… E quantas vezes permitimos que nossos veículos se tornem vendilhões e exploradores de coisas sagradas, comprando prazeres, vendendo emoções animalescas, em detrimento de nossas potencialidades sacrossantas? Por isso não devemos permitir que a personalidade nos atravesse o templo de leste a oeste (percorra a coluna de baixo para a cabeça) conduzindo os animais dos instintos à cabeça, como imaginações eróticas ou egoístas. Só os sacerdotes devem entrar (sublimação de forças que se elevam para servir a Deus).
Em certas ordens religiosas usavam chicotes de cordéis para martirizar o Corpo Denso quando apareciam os impulsos instintivos.
Mas o Corpo Denso não tem culpa.
Ao contrário, ele deve ser preservado como instrumento útil, sadio, a serviço do espírito. O azorrague deve descer sobre os instintos do corpo de desejos. Não sugerimos violência geradora de recalques, ainda mais prejudiciais que os atos cometidos. Repetimos: firmeza suave, autoridade, disciplinando a pouco e pouco os maus hábitos passados e construindo, paciente e firmemente, novos e melhores hábitos. Daí a importância que o Cristo dá à intenção, à ideia inicial. Nessa causa primeira é que deve estar nossa vigilância, nosso azorrague.
Reconhecer o que é errado é o primeiro passo. Desejar corrigir é o segundo; decidir expulsar os “vendilhões” é o terceiro e grande passo para a realização interna.
Condescendência própria é ignorância, quando não sabemos discernir; é fraqueza, quando desejamos permanecer no vício. Mas para assumirmos a direção de nossa vida, como Melquisedeque (rei e sacerdote de nosso templo corporal) em Jerusalém (paz interna), é indispensável o DISCERNIMENTO, a DECISÃO e a FIRMEZA.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
Conhecimento do Processo Alquímico
De uns tempos para cá, observa-se, já em maior número, obras tratando sobre “alquimia” à venda nas livrarias. A procura parece estar crescendo. É sinal de interesse, obviamente. Mas, o público, de um modo geral, não faz uma ideia precisa de quem eram os alquimistas, a que se dedicavam, qual sua filosofia e seus objetivos verdadeiros. Não há, diga-se, a bem da verdade, muitas informações a respeito. E o que certas revistas de caráter puramente comercial divulgam por aí reveste-se de confiabilidade duvidosa.
Perseguidos por reis e clérigos, em sua ânsia de glória, os alquimistas da Idade Média foram alvos do fogo da Inquisição, da prisão e da tortura. Quando suas descobertas contrariavam ideias muito arraigadas na época, e sabendo que o conhecimento é uma arma perigosa nas mãos daqueles cujos Corações e Mentes não são temperados com a pureza, sabedoria e compaixão, os alquimistas enterravam seus segredos em lendas e mistérios.
Eis aí, de uma certa forma, uma das causas da inexistência de informações mais amplas. Além disso, cremos que só mesmo na intimidade das escolas filosóficas sérias, tais como a Rosacruz, pode-se haurir conhecimentos profundos sobre o “processo alquímico”. O grande público prefere as publicações superficiais, tais como as encontradas nas bancas, à rígida disciplina das Escolas Ocultistas.
Porém, algumas vezes deparamos com a publicação de trabalhos de nível muito bom abordando o assunto. Na edição de 23/05/77 do JORNAL DA TARDE, Luiz Carlos Lisboa, por sinal um excelente crítico literário, escreveu um artigo interessante sob o título “A GRANDE TAREFA”. Desse artigo transcrevemos alguns trechos contendo informações muito elucidativas:
“Grande quantidade de mitos e relatos fúteis dissimulam, na história da alquimia, sua finalidade maior que é a transformação do ser humano. É o próprio alquimista o operador e a matéria trabalhada.
“A fabricação do ouro, a procura da pedra filosofal, são lendas que reforçaram a incompreensão a respeito do assunto. A alquimia, de fato, esteve sempre voltada para a mesma busca que motivou as grandes religiões do mundo, em todas as épocas, divergindo delas no fato de não possuir um corpo de doutrina ou regulamentação de ordem moral. Com a mesma proposta fundamental de transformar basicamente o ser humano, a alquimia propunha um caminho individual, embora ascético e também contemplativo, como o das organizações religiosas. A compreensão do fenômeno é difícil, considerando que fomos condicionados para ver na alquimia qualquer coisa como um conjunto de operações complicadas e inúteis levadas a efeito por ignorantes precursores da moderna química, tendo em vista um fim prático jamais alcançado, aliás”.
“A alquimia tradicional, de fato, repousou sempre sobre um conhecimento preciso de todos os ritmos, ciclos e gamas vibratórias daquilo que confusamente ainda alguns chamam de “energia cósmica”, ou alma do mundo. Nas retortas e cadinhos do passado, os alquimistas “procuravam” – quando não se tratava de meros sopradores, assim chamados os formalistas que usavam mecanicamente o fole nos seus laboratórios – a essência e o princípio de todo o conhecimento, isto é, o conhecimento de si mesmo. Houve sempre uma noção bastante clara disso no passado. Isaac Newton, por exemplo, escreveu em 1676: “Existem outros segredos ao lado das transmutações dos metais, e somente os corações grandes têm acesso a eles. Esses segredos são os mais importantes de todos”.
Mais adiante o articulista desvela com admirável lucidez, mesmo que sucintamente, o significado da alquimia:
“Basile Valentin, no seu clássico Practica (1618), dizia que “a alquimia tem uma única finalidade: a regeneração espiritual do ser humano, que conduz à iluminação”.
“Jung ressuscitou o Ouroboros, simbolizado pela serpente que engole a própria cauda, e que representa a limitação natural do pensamento, só resolvida através da obra alquímica, isto é, do autoconhecimento. Para o psicólogo suíço, que estudou profundamente a literatura alquimista, a verdadeira “transmutação dos metais” era de ordem psicológica e o ouro era o símbolo do ser humano integral.
“No Oriente, a tradição alquímica desenvolveu-se no seio do Taoísmo e Tsu-Ien (século IV a.C) foi seu primeiro representante. Esse alquimista chinês gostava de repetir uma mesma frase: “Descobri em mim mesmo a divindade do forno”.
“Hoje ele seria desprezado como louco, ou acusado de alienação pelos pragmáticos que brincam com jogos que consideram sérios e gratificantes”.
Em seguida, Lisboa aponta as dificuldades encontradas pela alquimia no mundo atual, onde o ser humano moderno afivelou em seu rosto a máscara do pragmatismo:
“De fato, nosso século escolheu atividades que considera dignas de sua atenção, e a elas dedica seus esforços e energia. Ninguém se questiona quanto à prioridade verdadeira das coisas. As religiões dogmáticas, as ideologias salvacionistas, as fórmulas prontas em geral, são todas tentadoras do ponto de vista da Mente humana.
“Confortáveis porque dispensam a atenção total, oferecem respostas para qualquer questão e parecem providencialmente sábias. Ao espírito preguiçoso do nosso tempo esse prato servido é apetitoso. Tudo aquilo que pareça distante das normas habituais, longe do nosso condicionamento, diverso das nossas certezas enraizadas, merece repulsa imediata. Só a ideia de autoconhecimento já parece suspeita, contraditória, confusa, indigna da mente “objetiva”, cartesiana, científica, dos tempos correntes”.
E conclui:
“Nos baixos-relevos do grande portal da Notre Dame de Paris são representados alquimistas diante de seu forno, entre cadinhos e alguidares, os olhos postos no alto, à espera da “graça alquímica”. A decantação do espírito no forno do autoconhecimento conduziria a um estado no qual “o autor e a obra são uma só coisa”. Jacques Coeur, tesoureiro de Charles VII, falava de outra maneira a respeito do resultado da ópera alchimica: “Só se realiza o fim da Grande Tarefa quando já não há mais o alquimista, mas simplesmente a mistura e o forno. Aí não há mais nada a fazer”. Linguagem e interesses estranhos num tesoureiro.
O fato é que também aqui há indícios de que a tarefa principal de uma Vida é a descoberta do que se passa no próprio descobridor. Sem isso, que parece obscuro e supersticioso aos fanáticos de todas as seitas e aos escravos do pragmatismo – Jacques Coeur conseguiu ser financista e poeta – a vida carece de beleza e as pessoas vivem de empréstimo, esse empréstimo que se toma às doutrinas que prometem a felicidade amanhã, quando o mundo exterior estiver devidamente consertado”.
(de Gilberto Silos, Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
O Cinema Afasta-se da sua Verdadeira Finalidade
A recreação para o espiritualista sincero vai se tornando cada vez mais escassa.
As peças de teatro apelam tanto para os palavrões, a um realismo contundente – esquecendo que isso é apenas uma parte da realidade total de nossos dias – que as pessoas de boa formação não suportam: saem no meio da encenação da peça como sinal de protesto.
Os cinemas, basta ler os programas anunciados pelos jornais: sexo, nudismo, violência, malícia.
Realmente, qual uma nesga de sol que aproveita uma brecha das nuvens para dizer-nos que lá atrás encontra-se uma luz real, aparece um filme bom. E os cinemas recebem um público numeroso, superlotando suas dependências! Por que? É a essência humana esfomeada!
É verdade que certos filmes, mais profundos e, simbólicos, como a “Flauta Mágica”, não tiveram êxito esperado, embora atingissem sutilmente o íntimo das pessoas.
E se uma boa película dá bilheteria, por que não as produzir em maior número? O “marketing”, revela que a massa reclama violência, sexo, nudismo, malícia. Mas, o cinema não tem finalidade educativa? Ingenuidade! É comércio.
Houve um grande produtor que acreditou na função educativa do cinema e soube conciliar a finalidade econômica com a sociológica.
Foi Walt Disney.
Agora vem à baila a história da famosa atriz Doris Day, sempre julgada esquisita porque jamais consentiu representar papéis que suscitassem maus exemplos ao público. Por coincidência é cristã convicta, não fuma, não bebe, não se envolveu em triângulos amorosos, nem em qualquer outro tipo de escândalo. Foi, além disso, presidenta da Sociedade Protetora dos Animais da Califórnia, após ter realizado uma viagem à Europa, onde pregou o amor aos animais, numa campanha contra o uso de peles e plumas por mulheres vaidosas.
Doris Day teve a coragem de deixar o cinema, em pleno apogeu da fama, e mesmo diante de ofertas tentadoras, preferindo um programa de televisão com seu filho.
Disse ela: – “Não me encaixo mais no cinema. Os roteiros que me oferecem são crus demais para o meu temperamento. Dão muita ênfase ao sexo, a Violência, ao nudismo. Não sou puritana, mas acredito em mostrar mais o lado belo das coisas para animar a humanidade a continuar lutando neste mundo, não a desanimar”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)
Tiroide – ou Tireoide (as duas formas estão corretas) consiste de duas massas de cor marrom, situada na parte superior da traqueia e junto à laringe, ligada logo abaixo ao pomo de Adão por um estreito istmo do mesmo tecido. A Tireoide surge do mesmo tecido e quase do mesmo ponto que o lóbulo anterior do Corpo Pituitário, pesando aproximadamente 28,4 g. Cada lóbulo da Tireoide tem em torno de 5 cm de comprimento, 2,5 cm a 3,75 cm de largura e 1,9 cm de espessura. Essa glândula é um dos primeiros órgãos a distinguir-se no embrião humano, começando primeiramente como um sulco no fundo da boca por volta da terceira semana de vida do feto. Ao alcançar 0,62 cm no embrião, o tecido da Tireoide se separa e o sulco fecha-se.
A importância da Tireoide é acentuada pela riqueza de sua circulação. Essa glândula recebe aproximadamente quatro vezes mais sangue, em proporção ao seu tamanho, do que os rins, os quais se destacam pelo seu alto grau de atividade funcional. É mais pesada na mulher do que no homem, tornando-se maior durante a excitação sexual, na menstruação e na gravidez.
A glândula Tireoide é regida pelo Espírito Planetário de Mercúrio.
Ao ser despertada, o indivíduo entra em contato com o Mundo do Pensamento, em harmonia com a música das esferas. Vê, conscientemente, os arquétipos de tudo que existe no mundo físico, e aprende como a sua vida futura é traçada pelos Anjos Arquivistas.
O centro espiritual na glândula Tireoide vibra em violeta.
Timo – a Glândula Timo está situada no peito, entre os dois pulmões, e por trás do esterno. Projeta-se para baixo, cobrindo a parte superior do coração, envolvendo os grandes vasos na parte de cima. É uma massa pardacenta que, ocasionalmente, quando é cortada, tem a aparência de uma moela.
Situa-se sobre a traqueia, aparecendo como um crescimento da terceira bolsa da faringe (uma cavidade tubular no canal alimentício que começa na parte anterior da boca). Alcança seu maior tamanho no início da puberdade, pesando na ocasião do nascimento 14 g. Sua largura é de 3,75 cm e o comprimento é de 5 cm. Atinge o ponto de dissecação aos vinte e um anos. Seu desaparecimento gradual, subsequentemente, é assinalado pela perda da estrutura glandular que é substituída por um tecido fibroso e adiposo. Vestígios do tecido característico Timo, entretanto, persiste bem como certas células segregado sãs que assim permanecem durante toda a vida.
No passado, acreditava-se que a glândula Timo se atrofiava na puberdade, porém atualmente sabe-se que suas células secretoras continuam em manifestação durante toda a vida. Quando tais células são muito numerosas a glândula se torna de cinco a dez vezes maior do que a normal e um número de outros aspectos faz-se proeminente, dotando o indivíduo com características extraordinárias, fazendo-a vítima do “estado tímico”. É exato que o Timo é a glândula que faz as crianças pueris e, por vezes, os adultos infantis. Entre as artérias que nutrem a glândula Timo há ramos das artérias mamárias, o que indica a estreita relação existente entre a mãe e o filho. Os minúsculos nervos vêm do sistema nervoso simpático e do 10º nervo craniano ou nervo pneumogástrico.
Vênus controla a glândula Timo. As emoções são desenvolvidas pelo raio amoroso de Vênus. A sede das emoções é o Corpo de Desejos e esse Corpo liga o indivíduo com o Mundo do Desejo. Quando a nota‑chave de Vênus põe em atividade a nota‑chave da glândula Timo, o indivíduo desenvolve a mais alta forma de amor, habilidade artística, alegria, atração, cooperação e união.
O centro espiritual na glândula Timo vibra em amarelo.
Marcos e o Anjo
Marcos sentou-se na varanda e olhou para o jardim. Suspirou profundamente. Estava ficando escuro e as flores estavam se balançando delicadamente na brisa da tarde. Era como se elas educadamente inclinassem suas cabeças e dissessem: “Boa tarde, Marcos”. Algumas vezes, ele se sentia como se elas realmente pudessem dizer-lhe algo semelhante, se pudessem falar. Algumas delas pareciam ter lábios pintados em suas faces, mas nunca diziam nada; isto é, não em voz alta. Mas, Marcos tinha certeza que elas pensavam coisas que poderíamos ouvir se escutássemos com nosso coração, e não com nossos ouvidos.
Os pirilampos cintilavam pelo jardim e, por um momento, Marcos desejou que pudesse voar como eles e brilhar dessa forma tão bonita. Suspirou novamente, dessa vez com bastante tristeza. Atrás dele, ouviu sua mãe perguntar:
– O que é isso Marcos, qual é o problema? Um suspiro tão profundo para um garoto tão pequeno.
Marcos olhou para sua mãe. Sabia que podia sempre confiar os problemas à mamãe. Ela não riria como rira Salete, que morava do outro lado da rua, quando ele lhe falara esta tarde sobre seu problema. Ele desabafou:
– Mamãe, você já viu um Anjo – um Anjo honesto e verdadeiro?
Mamãe sorriu.
– É isso que o perturba?
Marcos concordou e mamãe sentou-se ao lado dele nos degraus da varanda.
– Bem, eu vou contar, Marcos. Eles não se encontram tão facilmente e talvez você não os procure no lugar certo.
– É preciso ter uma visão muito boa e acurada para ver os Anjos, mamãe? Talvez meus olhos não sejam suficientemente fortes. Será que preciso de óculos para ver um? perguntou Marcos excitadamente.
Mamãe colocou as mãos de Marcos entre as suas.
– Não é exatamente isso, Marcos. Os Anjos são diferentes das fadas e dos gnomos e dos pequenos elementais, cujas histórias nós lemos. Os anjos são – bem, são para nós como nossas irmãs e irmãos mais velhos.
Marcos abanou sua cabeça com surpresa.
– Como?
– Bem, eles entraram num estágio de evolução similar ao nosso, há muitos anos atrás. É como o seu irmão maior, Tomás. Ele já se formou e você ainda está na escola. Assim, ele sabe muitas coisas que você não sabe e pode ajudá-lo de muitas maneiras que você não aprendeu ainda.
– Mas, protestou Marcos, eu crescerei rápido e o alcançarei.
– Naturalmente que sim, replicou mamãe, da mesma maneira que todos nós, um dia, seremos como os Anjos.
Marcos sorriu com alegria, diante disso.
– Fale-me mais sobre os Anjos.
Mamãe continuou:
– Bem, os Anjos têm seu trabalho a fazer, tal como nós. Em todo o Universo de Deus, cada ser tem sua tarefa a fazer e os Anjos também têm seu trabalho, especialmente para conosco. Nós somos seus irmãos mais novos e, algumas vezes, eu receio, nós somos muito difíceis de ser ajudados.
– Como? perguntou Marcos.
– Oh, respondeu mamãe, houve uma época em que os Anjos estavam mais próximos dos humanos e muitas pessoas eram capazes de vê-los e receber ajuda diretamente deles. Você sabe que há histórias sobre eles na Bíblia.
– Por que não é assim, agora? Marcos perguntou, com os olhos ansiosos.
Mamãe explicou:
– Porque os seres humanos tornaram-se maus e, assim seus olhos não podem mais ver os Anjos. Eles sentem-se tão importantes que não têm mais a alma suficientemente pura para comungar com seus irmãos Anjos. Eles estão mais interessados em procurar emoções e divertimentos. Eles se machucam mutuamente nessa espécie de divertimento e os Anjos não podem se aproximar de tantas coisas ruins. Eles permanecem longe do egoísmo, da avareza e da maldade, pois onde existem essas coisas, o coração não pode ser suficientemente puro para comungar com os Anjos.
Marcos suspirou.
– Que trabalho eles fazem?
Mamãe respondeu:
– Eles têm diversos tipos de trabalho. Alguns dirigem o reino das fadas e dos elementais, de maneira que essas criaturinhas sejam capazes de desenvolver-se e aprender. Outros Anjos são os construtores do Universo. Eles ajudam a natureza a formar as montanhas e os rios. Eles ajudam as mães a construir o corpo de seus filhinhos quando as crianças estão para nascer. Eles trabalham como pensamento dos seres humanos e tecem os melhores pensamentos que pairam sobre uma comunidade, de maneira que os maus pensamentos não possam fazer mal às pessoas. Algumas vezes, os pensamentos são tão terríveis que se tornam difíceis para eles.
Marcos acenou compreensivamente.
– É por isso que você quer que eu não fique zangado e tenha bons pensamentos, não é? As minhas preces podem ajudá-los?
Mamãe concordou:
– Oh, sim, cada um de nós ajuda dessa forma, para que o mundo possa tornar-se um lugar mais feliz. Veja, muitos pensamentos maus trazem secas, fome e inundações. A natureza devolve ao ser humano exatamente aquilo que o ele emite. Os Anjos, pairando ao nosso redor, tentam inspirar o ser humano para que ele possa ter uma vida melhor. Eles abençoam e expandem todas as boas ações, de maneira que todos os humanos possam tirar proveito dos benefícios.
Marcos perguntou:
– E há Anjos que trabalham na música e nas florestas?
– Sim, respondeu mamãe. Eles trabalham nos éteres, nas substâncias aquosas do Universo. Eles tecem todas as formas que vemos, porque são mais sábios e sabem como obedecer a todas as leis. Nós, humanos, não aprendemos ainda a obedecer. Pense no prejuízo que acarretaríamos pela nossa ignorância, sem a ajuda deles.
Marcos sorriu.
– Você acha que serei capaz de ver um Anjo algum dia, Mamãe – ver um Anjo de verdade?
– Talvez você seja um dos abençoados com tal visão, respondeu mamãe.
Marcos pensou um momento. Era o mais terno desejo de seu coração, conhecer mais sobre esses maravilhosos Seres chamados Anjos.
No dia seguinte, falou a seu pai sobre as coisas que sua mãe lhe havia dito e seu pai, concordando, disse:
– Sua mãe está certa. Há apenas uma coisa que posso acrescentar ao que ela lhe disse. Talvez isso o ajude a ver um Anjo, um dia.
A face de Marcos brilhou e seus olhos cintilaram.
– O que me ajudará a ver um Anjo, papai?
Seu pai respondeu:
– Bem, Marcos, sua mãe já lhe contou como precisamos ser bons; tentando ser como os Anjos, de maneira que seus desejos possam ser como os desejos deles e assim seus olhos estarão mais em sintonia com a luz. A outra parte é querer. Quando você deseja uma coisa com intensidade, muitas vezes esse desejo é alcançado e ainda mais se você fizer sinceramente toda a sua parte.
Marcos bateu palmas.
– Mas eu realmente quero. Todo o tempo fico tentando. Quando trabalho no jardim, penso nas pequenas fadas e duendes que também trabalham lá, e depois nos maravilhosos Anjos que dirigem as pequenas fadas.
Na sala, mamãe sorriu para os dois. Ela havia chegado do jardim e seus braços estavam cheios de flores.
– Ainda falando sobre os Anjos, Marcos? ela perguntou.
Papai e Marcos retribuíram o sorriso de mamãe e papai disse:
– Sim, e você sabe que tenho ouvido as pessoas dizerem que; muitas vezes, é mais fácil vê-los em grandes e belas florestas onde o encanto da natureza está mais em harmonia com eles; do que na desarmonia que existe onde as pessoas não se amam.
Mamãe indagou:
– Marcos, papai disse a você onde vamos passar as férias?
Papai respondeu, antecipando-se:
– Não, eu queria dizer a Marcos quando você estivesse conosco. Veja, Marcos, sua mãe e eu pensamos que talvez nestas férias pudéssemos acampar em uma das florestas perto daqui.
Marcos pronunciou suavemente:
– E lá eu poderei realmente procurar um Anjo, não é?
Mamãe e papai concordaram e beijaram Marcos ternamente e depois ele se dirigiu para a cama, talvez para sonhar com as férias na floresta onde lhe seria possível ver um Anjo.
E o sonho de Marcos se tornou realidade. Ele estava na floresta onde a família estava acampando. Divertia-se muito. Um dia estava sentado silenciosamente sob um olmo, quando um veadinho se aproximou dele. Seu coração estava cheio de amor pela linda criaturinha e ele lhe ofereceu pedacinhos de pão que tirava de seus bolsos.
Seu coração transbordava de paz e felicidade e, enquanto esteve lá sentado, aconteceu uma coisa maravilhosa.
Quando ele olhou para a árvore, viu brilhar uma luz na forma de um Anjo. A floresta estava quieta, mas mesmo assim parecia haver o som de uma música perto do o lugar, som que parecia estar à volta dele. Sentiu ondas de amor banhá-lo e um lindo rosto sorriu para ele.
Marcos sentiu como se todo o amor, luz e bondade do mundo estivessem jorrando sobre ele. Viu a doce face olhando-o ternamente das alturas e a luz tornou-se tão intensa que ele teve que fechar seus olhos. Mesmo assim, com seus olhos fechados, ele sentiu a música, o brilho e o amor à sua volta.
Quando abriu seus olhos, papai e mamãe estavam ao seu lado, observando-o. Suas mãos pousavam suavemente nos seus ombros. Ele olhou para os dois com um olhar indagador. Seus pais sorriram e Marcos percebeu pelo brilho dos olhos deles, que também tinham visto o Anjo.
Marcos perguntou suavemente:
– Algum dia serei assim?
Foi mamãe que respondeu:
– Algum dia, todos nós seremos assim, Marcos; e o mundo será um lugar maravilhoso quando todos formos bons e amorosos.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. II – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Uma História para Crianças: Sou eu o teu Cristo, tu és Eu e Eu sou tu, sou Cristo do teu Eu e teu Eu sou Eu mesmo
Era uma vez um aluno que ouvia dizer de seu professor que existia um homem que se chamava CRISTO. Este Cristo tinha um Pai nos céus e uma Mãe na Terra. Estes dois criaram o seu filho Cristo. O professor contou que o Pai criou seu filho de perfeita luz e a Mãe deu à luz a sua preciosa carne. Aconteceu, disse o professor, que este filho se chamava mais tarde Filho de Deus por causa de sua perfeição. Porém, não acreditaram nele, pois ninguém via a luz. Acharam que ele era um mentiroso. Naquela época crucificavam os mentirosos e assim foi crucificado e posto o seu corpo numa tumba. No dia seguinte procuraram o seu corpo que, por um milagre, tinha desaparecido.
Houve muita discussão sobre o desaparecimento e acharam que o corpo tinha sido roubado e não podia ser outro senão o seu próprio pai. Chegaram a esta conclusão porque o guarda do cemitério não sabia nada do seu desaparecimento, não viu ninguém, não sentiu nada, pois então, somente a LUZ do Pai entrou na tumba e levou o seu Filho e o guarda não viu essa luz. Foi uma grande calamidade.
Chegaram, enfim, a seguinte conclusão: como ninguém se apoderou de seu corpo e somente as vestes mortuárias estavam na tumba, ele não tinha morrido e anda sem corpo para ninguém o achar.
O aluno não se satisfez com o desaparecimento e começava uma jornada dura para achar o Cristo. Ele disse a si mesmo:
– O Cristo estava na Terra, então não podia desaparecer; é preciso procurá-lo.
Começou a andar pelo mundo, andava pelos mares e montanhas, rios e vales, andava em baixo do mar e em cima dos ventos, perguntava às árvores e aos pássaros e não recebia resposta, tudo parecia em vão.
O aluno ficou mais velho e mais maduro em seus dias. Continuou procurando o Cristo nos sentimentos dos seres humanos, ia procurar na inteligência, procurava no colorido do Sol poente, na estrela da noite e da madrugada, na Lua, no crepúsculo do nascimento do dia, tudo em vão, não achava o Cristo, o seu querido Filho de Deus.
O aluno ficou ainda mais velho e já se estendia a cor de prata sobre os seus cabelos, andava já bem cansado com as costas arqueadas, pelas ruas, mas nunca se cansou a sua alma à procura do seu bem-amado.
Um dia, quando quase lhe faltaram as forças pelas duras caminhadas, aconteceu algo bastante esquisito. Parecia que a morte lhe tocava as costas, quando alguém lhe tocou levemente nos ombros dizendo:
– Aqui sou EU a quem tu procuras!
Virou-se rapidamente para ver quem lhe falava, mas, ninguém se achava presente.
Logo mais, aconteceu a mesma coisa, a mesma voz falava, porém mais forte.
– “Aqui sou EU”. Virou-se novamente e não achava ninguém.
Recomeçava de novo a caminhar pensando em seu Cristo. De repente,ouvia de novo a mesma voz, mas não falava, cantava, cantava cada vez mais forte, cantava assim como canta o mar:
– Aqui sou Eu, sou Eu aqui, o teu Cristo junto a ti.
O aluno perdeu-se em si mesmo ouvindo dentro de si a voz tão forte como o mar:
– Sou eu o teu Cristo, tu és Eu e Eu sou tu, sou Cristo do teu Eu e teu Eu sou Eu mesmo.
O aluno perdeu o mundo. Cristo reinava em seu Espírito.
(de Francisco PH. Preuss; publicado na Revista Serviço Rosacruz – 10/81- Fraternidade Rosacruz-SP)
Para você se desenvolver espiritualmente há um “Preço a Pagar”: você está pronto?
É comum observarmos como as pessoas se mostram eufóricas quando dão os primeiros passos no Caminho Rosacruz. E não é para menos. Os primeiros contatos com a filosofia divulgada ao mundo por Max Heindel, logo no início já ensejam um raro sentimento de segurança, pelos simples devassar de questões até então ignotas. Causas são penetradas com assombrosa lógica.
Fatos que, aparentemente, nunca guardaram relação alguma entre si são interligados, formando um todo capaz de explicar a razão de ser de muitos fenômenos. De repente, o estudante descobre um sistema, onde esoterismo, religião, astrologia, naturismo e muitos campos do conhecimento humano formam uma unidade coerente nas linhas que a compõem.
Para o pesquisador descortina-se um horizonte amplo, maravilhoso, inusitado até. Sobrevém um ímpeto irresistível de nele mergulhar. É o impulso inicial. Justifica-se, como natural, tamanho entusiasmo. Assume-se (consigo mesmo) o compromisso de fazer os cursos. Lição após lição delineiam-se novas e surpreendentes perspectivas.
Passado algum tempo, porém, essa, às vezes, até exacerbada euforia pode arrefecer-se. Não que o encanto se dissipe. Não que a beleza inerente à Filosofia Rosacruz venha a fenecer. É que os resultados tão ansiosamente esperados tardam a surgir, ou aparentemente nem surgem.
Pode, em tais circunstâncias, o estudante deixar-se abater pelo desânimo. Afinal, ele contava progredir, evoluir espiritualmente, e isto parece não estar acontecendo. Empenha-se nas lições, procura ler as obras rosacruzes, investiga, perscruta. No entanto, sente ter caminhado muito pouco, ou quase nada. Que estará acontecendo?
Sempre há uma ou várias causas entravando o tão almejado progresso.
Alguma coisa, evidente ou sutil, pode estar retardando os passos do aspirante.
Cumpre-lhe constatar o que está ocorrendo.
A Filosofia Rosacruz aponta vários fatores como capazes de impedir a evolução do aspirante. E ele pode verificar em qual ou quais se enquadra, tendo “a tocha da razão por guia”.
Um fator merecedor de toda ênfase é a negligência em praticar o exercício noturno de Retrospecção. O termo “negligência” assume aqui um caráter muito abrangente. Significa: a – praticar o aludido exercício com irregularidade; b – com indiferença; c – automaticamente (por mera obrigação); de não o praticar.
O exercício de Retrospecção proporciona inúmeros benefícios ao aspirante. Em primeiro lugar, oferece-lhe acesso a um invulgar privilégio denominado autoconhecimento. O preceito gravado no tempo de Apolo, em Delfos, “HOMEM, CONHECE-TE A TI MESMO” – indica, subjacentemente, que o conhecimento de tudo é posterior ao conhecimento de si mesmo. O ser humano não pode prescindir dessa verdade. Ela projeta, em grande parte, luz sobre as razões dos conflitos humanos.
O exercício de Retrospecção, tão bem explicado por Max Heindel, sobretudo no “CONCEITO ROSACRUZ DO COSMOS”, constitui uma forma de disciplina que, juntamente com outros exercícios preconizados pela Escola dos Irmãos Maiores, sensibiliza-nos para os vários aspectos da vida. Desperta-nos o sentimento de empatia, base da solidariedade humana. Produz a liberação de cargas emocionais acumuladas pelos impactos e lutas do cotidiano.
Funciona, de um certo modo, como o divã do psicanalista ou como o confessionário católico. Resulta num alivio e nova disposição para enfrentar a vida.
Evita o sofrimento purgatorial. Isto é notavelmente benéfico, todos hão de convir.
Ainda sobre a retrospecção, ela forma a consciência moral do aspirante, estimulando-o a promover uma reforma interior, sem a qual torna-se impossível, repetimos, IMPOSSÍVEL, qualquer avanço no Caminho Rosacruz.
Max Heindel afirmou certa vez que o exercício em exame constitui o mais importante ensinamento da Filosofia Rosacruz. É necessário dizer mais alguma coisa a respeito?
Amigo estudante, se você pondera não estar evoluindo na senda que abraçou, procure analisar atentamente o acima exposto.
E mais ainda: veja como estão seus hábitos.
Você ainda fuma? Ingere bebidas alcoólicas? Alimenta-se de carne?
Irrita-se com facilidade? Angustia-se ao mais insignificante problema? Eis aí alguns seríssimos entraves à sua caminhada.
O fumo e o álcool embrutecem a natureza espiritual do ser humano. A carne consiste-lhe em alimento inadequado, carregado de toxinas, além de exigir a matança cruel de animais. A irritabilidade e a angústia tolhem-lhe a capacidade de pensar com clareza, induzindo-o, não raro, a cometer desatinos.
Você ama seus semelhantes? É capaz de servi-los desinteressadamente?
Você não alimenta preconceitos? Há muitos fatores dignos de uma severa análise. Alguns tão eivados de sutilezas que só podem ser detectados pelo próprio aspirante.
É natural todos desejarem progredir espiritualmente. É admissível aspirarem a, um dia, receberem a iluminação por vias Iniciáticas. Mas isso não se consegue apenas estudando, debruçando-se exaustivamente sobre livros e cursos. É mister sacrificar as más tendências, os hábitos degradantes, o comodismo, a inércia, em favor do Cristo Interno.
O dinheiro, o prestígio e o poder não compram o desenvolvimento espiritual. Somente o sacrifício de si mesmo, em benefício da humanidade, conduz alguém aos portais da Iniciação. Esse é o preço a ser pago.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)