Que Posso Eu Fazer para Ajudar Eficazmente?

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Que Posso Eu Fazer para Ajudar Eficazmente?

Qualquer Religião ou Filosofia é benéfica unicamente na medida em que a praticamos em nossas vidas diárias, e a capacidade de nossa compreensão é o grau em que traduzimos seus preceitos em ações. Não podemos todos ser reis, presidentes ou guias em nosso país ou esferas de atividades. Se, portanto, nossas circunstâncias são tais que não podemos ver nenhuma possibilidade, próxima ou distante de executar coisas de “importância”, então, que podemos fazer para colocar em prática nossas ideias dentro da nossa própria família, sociedade e da vida diária de trabalho?

Para nós, no mundo ocidental, podemos atribuir que a Religião ou Filosofia cujos ensinamentos estamos desejosos de aplicar, estão baseados ou conectados de  alguma forma com Cristo, de maneira que, antes de tentar responder nossa pergunta, seria bom que tratássemos de entender, tão brevemente como nos seja possível, exatamente porque veio Cristo e o que foi que Ele procurou fazer e logo, tendo-O como nosso ideal, podemos, como seus auxiliares, reajustar nossa pergunta inquirindo o que é que podemos fazer para continuar Sua obra.

A Filosofia Rosacruz nos ensina que Cristo veio preparar o caminho para a emancipação da Humanidade da diferenciação de Raça e Espírito de Família e reunir as Raças separadas em um vínculo de paz e boa vontade, unindo toda a família humana em uma Irmandade Universal ou Fraternidade, na qual todos voluntários e conscientemente sigam a Lei do Amor.

Cristo veio, portanto, preparar-nos para a liberdade do governo externo, para fortalecer nossa Individualidade e o desenvolvimento da confiança própria pelo exercício do livre arbítrio.

À primeira vista, parece que ao fazê-lo, Ele frustraria Seu próprio objetivo de unirmo-nos a uma Fraternidade Universal de Amor, uma vez que, quanto mais duramente nos convertamos em indivíduos, mais nos inclinamos a ver unicamente nossos próprios direitos e ignorar os dos outros. Tornamo-nos imbuídos com um sentido de separatividade onde nos sentimos distintos dos demais seres, vivendo todos em um mundo onde as condições são tais que devemos lutar por nossas próprias finalidades materiais, sem dar muita importância a se prejudicamos ou não aos demais neste processo. É este esforço para executar nossas próprias finalidades sem considerar os outros, o que nos traz todas as lutas em nossas famílias e sociedade, negócios e vida nacional.

Porém, com o desenvolvimento de nosso livre arbítrio, a ação e a reciprocidade de cada um no desenvolvimento, proporciona um sentimento de responsabilidade pelo qual aprendemos a reconhecer os direitos dos outros e confessar que, quando reclamamos direitos, queremos na realidade privilégios, porque não estamos preparados para assumir as responsabilidades que acompanham os direitos.

À medida que aprendamos a reconhecer os nossos semelhantes como indivíduos em estado de desenvolvimento, chegaremos à conclusão de que deve haver tolerância entre uns e outros e assim, gradualmente, obteremos a realização do ideal de Cristo representado onde todos felizes e conscientes seguem a Lei do Amor. É então, que começamos a perguntar a nós mesmos: onde posso adaptar-me, dentro do esquema das coisas? Que posso fazer para cooperar com a obra de Cristo e ajudar para que Seu ideal se realize? Uma vez que a forma ideal é que todos satisfeitos e conscientes sigam a Lei do Amor é evidente que qualquer coisa que façamos deve ser algo que ajudará a realizar o almejado e elevado estado de coisas.

Quando felizes e conscientes seguimos a Lei do Amor, como poderemos encontrar expressão em nossas vidas diárias? Seguramente no afeto e a ajuda imbuído com a simpatia que nasce da inteligência. Então, não é a prática diária destas coisas a resposta de nossa pergunta? Parece muito simples, porém quando tratamos de colocar em prática estas coisas, não são nem simples e nem fáceis.

Na vida em família, quando as pessoas não vivem em harmonia, é sempre tão simples e fácil reconhecer o ponto de vista do outro com objetivo de ter paciência e ajustar-se a si mesmo em vez de esperar sempre que o outro faça o ajuste necessário? Na vida de nossos negócios, é fácil permanecer paciente e atento contra as injustiças dos superiores, os zelos dos colegas, as desonestidades dos concorrentes e os transtornos gerais da vida diária? E em nossa vida nacional se o partido que está no poder não representa nossa classe particular de político, podemos refrear um pouco a crítica maldosa e dar, aos mesmos, um pouco de crédito aos ideais que fielmente se seguem?

O exemplo é sempre muito mais eficaz, que o predicar e qualquer movimento nessa direção o faz um pouco mais fácil para que outros façam o mesmo e, ao fazê-lo, o círculo só amplia; e estamos de fato ajudando ativamente na grande obra de Cristo, unindo as nações separadas em vínculo de paz e amor. Ao falar algumas palavras de simpatia para aliviar uma alma oprimida, ou dando um sorriso para infundir alegria a outra pessoa estamos cooperando na obra de Cristo!

Assim estaremos cumprindo um dos preceitos Rosacrucianos que diz que devemos nos esforçar cada dia para servir nossos semelhantes com amor, modéstia e humildade em qualquer oportunidade que se nos ofereça, e ao fazê-lo estamos cumprindo uma das advertências de Cristo quando disse: “O que for o maior entre vós, seja o servo de todos”. Se for a grandeza da alma que desejamos, ali está a promessa e o caminho.

Outro preceito nos diz que o silêncio é uma das maiores ajudas no crescimento anímico, portanto devemos procurar o ambiente de paz, equilíbrio e quietude. Ao praticar a benevolência, a reflexão, a simpatia e a inteligência estamos, de fato, criando tal ambiente, que levaremos conosco para onde quer que formos. Se nossa atitude habitual para com os demais é de uma inteligência simpática expressada em bondade de pensamento e ação, devemos levar paz em nosso íntimo e devemos adquirir equilíbrio, porque só assim não ficaremos facilmente transtornados pelo que os outros dizem ou fazem. Assim nos encontraremos em todas as situações com uma tranquilidade e paz internas que são mais efetivas que todos os ruídos do mundo.

Estaremos cumprindo ainda um terceiro preceito, no qual, enquanto desenvolvemos inteligência, simpatia e afeto, devemos necessariamente aprender a ser indulgentes e isto conduz ao controle de si mesmo que é um dos maiores passes para a própria segurança, que é virtude capital do aspirante espiritual.

Já nos foi dito em repetidas ocasiões, por meio da literatura Rosacruz e em nosso ritual, que “O serviço amoroso e desinteressado, que oferecemos a outros, é o caminho mais curto, mais seguro e mais alegre que conduz a Deus”. Como podemos oferecer serviço desinteressado a outros, a não ser que desenvolvamos a qualidade inestimável da inteligência? É estranho, porém certo, que se fazemos todos os dias as coisas ordinárias e simples, de uma maneira simpática, bondosa e inteligente, estamos fazendo a obra do Mestre e ajudando a cumprir nossa oração diária “Venha a nós o Vosso Reino”. Na realidade o Reino de Deus não pode vir a nós de outra maneira.

Volumes se têm escrito oferecendo soluções a todas as deficiências dos seres humanos quando temos a solução na simples sentença: “Amai-vos uns aos outros”. É tão simples, que em nossa perversidade, procuramos todas as classes de coisas complexas que, sendo muito humanas e materialistas, levam internamente a semente da sua própria destruição, enquanto o simples mandamentode Cristo leva dentro de si mesmo a semente de seu próprio êxito.

Poderia existir a horrível consequência de uma depressão econômica se o ser humano enfrentasse seu semelhante com inteligência e afeto? Poderia existir a fome, a miséria, a pobreza, a escravidão e todas estas coisas horríveis que resultam da manipulação do sistema do dinheiro para o benefício de alguns, se nos amássemos uns aos outros? Seguramente o remédio depende da nossa educação para usar o dinheiro e nosso poder para o bem-estar dos nossos semelhantes usando-o inteligentemente com boa vontade e simpatia.

Poderia existir a contenda política internacional e guerras, se os diretores das nações fossem um pouco mais compreensivos dos pontos de vista das outras nações e com desejo sincero de obter o bem-estar comum? Se todos nós que somos as unidades de nossas nações agíssemos com inteligência e amor, não somente para com o nosso povo, mas, também com todos os de outras nações, seguramente que seria uma arma de paz muito mais poderosa que todas as armas de guerra. É indiscutível que Cristo precisa de nossa ajuda para vencer Seu propósito, de unir todos nós, os seres humanos, e as nações que estão separados e os povos e diretores de nações devem colaborar nessa tarefa.

Então, por que não cooperarmos hoje, agora, expressando a todos os seres, onde quer que se encontre, a bondosa e simpática inteligência que com o tempo guiará a Fraternidade Universal, na qual todos, felizes e alegremente, seguirão a Lei do Amor?

(Traduzido da Revista “Rays From The Rose Cross” e publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1971-Fraternidade Rosacruz-SP) 

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