Resposta: No mundo que nos rodeia, vemos o “Reino dos Homens”, onde todos estão se esforçando em manter sua própria posição e, dependendo de suas próprias ideias e de sua autoafirmação, manter essa posição contra todos os que se aproximam. Quando se depara com algo novo, sua atitude mental, geralmente, é impregnada de ceticismo. Pois, ele teme ser enganado.
A atitude de uma criança em relação ao que vê ou ouve é exatamente o oposto da posição dos adultos. A criança pequena não tem um sentimento avassalador de seu próprio conhecimento superior, pois é francamente ignorante e, portanto, perfeitamente ensinável, e foi a essa característica que o Salvador se referiu na passagem citada.
Quando entramos na vida superior, primeiro devemos esquecer tudo aquilo que sabíamos no mundo. Devemos começar a ver as coisas de uma maneira totalmente diferente e quando um novo ensinamento nos é apresentado, devemos nos esforçar para recebê-lo, independentemente de outros fatos previamente observados. Isso para que possamos ser perfeitamente imparciais. É evidente que não devemos acreditar imediatamente que “preto é branco”, mas se alguém afirmar categoricamente que um objeto que julgamos preto é realmente branco, nossa Mente deve estar suficientemente aberta para nos impedir de fazer um julgamento de imediato e dizer: “Ora, eu sei que esse objeto é preto”. Devemos estar dispostos a reexaminar o objeto para verificar se não pode haver um ponto de vista do qual aquilo que pensamos ser preto parece ser branco. Somente quando fizermos um exame minucioso e concluirmos que o objeto é realmente preto, sob qualquer ponto de vista, poderemos retornar à nossa opinião anterior.
Não há nada mais notável numa criança do que a atitude flexível de sua Mente, que a torna tão ensinável, e o Aspirante que se esforça por viver a vida superior deve sempre manter como objetivo a sua Mente nesse estado fluídico, pois, quando as nossas ideias se tornam cristalizadas e incapazes de qualquer mudança, o nosso progresso cessa. Essa era a grande verdade que Cristo estava se esforçando para apresentar aos ouvintes quando fez a observação que gerou a pergunta.
(Pergunta nº 105 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas” – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Julho de 1917
Recentemente, recebemos uma carta de Seattle contendo uma ótima sugestão, que vocês poderão gostar de utilizar. Nosso amigo escreveu: “Outro dia, enquanto estava em Ballard[1], entrei na biblioteca e pedi o livro Conceito Rosacruz do Cosmos. Quando estava já para sair da biblioteca folheando o livro, me deparei com a tabela de valores alimentares e levei o livro aberto nessa página à mesa da bibliotecária. Mostrei-lhe essa tabela e lhe disse: ‘Essa é uma tabela valiosa’. Depois de examiná-la, ela me disse: ‘Oras, por várias vezes me pediram uma tabela como essa’. Então me ocorreu que, quando outros Estudantes Rosacruzes ao se dirigirem a uma biblioteca e pedirem o Conceito Rosacruz do Cosmos, eles podem fazer o mesmo que eu fiz. Dessa forma, o bibliotecário ou a bibliotecária pode catalogar esse livro como contendo dicas sobre saúde e alimentação e, assim, chegaria às mãos daqueles que buscam justamente a luz que ele contém”.
Isso é muito mais assertivo do que normalmente imaginamos. Maravilhosos são os caminhos, os meios e os lugares em que a Luz nos impressiona, não só quando não a procuramos conscientemente, mas mesmo quando afirmamos que não existe luz no sentido espiritual e censuramos como fraudulentos aqueles que a seguem. Para mim, muitas vezes tem sido uma inspiração e uma fonte de grande encorajamento pensar na viagem de São Paulo a Damasco[2]. Ele foi um homem que se gloriava no zelo com que perseguia os santos. Ninguém foi mais diligente do que ele em esmagar o que acreditava ser uma heresia condenável. Mas, as almas fortes são as preferidas dos deuses, quer trabalhem para o bem ou para o mal, porque aquela energia indomável e irresistível que os impulsionava à ação, mesmo que temporariamente usada para os maus propósitos, também será do mesmo modo tão forte quando dirigida para os canais do bem. Assim, São Paulo se tornou um favorito especial dos deuses e, portanto, recebeu uma luz tão poderosa que o cegou, mesmo não procurando por tal coisa, ou seja, enquanto estava na estrada para Damasco. Naquele momento, a ele foi fornecida uma compreensão e um conhecimento muito superior ao de qualquer outro Apóstolo. Ele foi escolhido para uma missão especial e lhe foi fornecido um dom particular em forma de visão espiritual e a capacidade de ser tudo para todas as pessoas.
Com frequência, nossos Estudantes Rosacruzes se queixam que não conseguem fazer com que as pessoas com quem se relacionam ou até familiares compreendam os Ensinamentos Rosacruzes. Como ilustração, lembrei de que outro dia quando eu estava olhando para a caixa de ferramentas em Mt. Ecclesia. Havia muitos chaves inglesas, algumas maiores e outras menores, porém, cada uma apropriada para trabalhar apenas num determinado tamanho de parafuso; também havia algumas que eram ajustáveis dentro de certos limites. Neste momento, me ocorreu que às vezes uma chave inglesa muito pequena pode ser muito mais valiosa do que uma de maiores dimensões; tudo depende do tamanho do parafuso. Para um parafuso pequeno, você precisa da chave inglesa pequena e, para um parafuso grande, da chave inglesa maior. O mesmo acontece ao nos encontramos no mundo com outras pessoas, devemos avaliar e ver o que precisam. Muitos de nós, estudamos profundamente os Ensinamentos Rosacruzes e adquirimos um conhecimento profundo desses assuntos. Somos como grandes chaves inglesas, mas absolutamente inúteis para apertar os pequenos parafusos que não foram tocados com todo esse conhecimento. Em tais casos, não devemos tentar transmitir nosso profundo conhecimento e falar sobre coisas que tal pessoa não consegue seguir, entender ou compreender, mas devemos nos esforçar em descer ao nível delas e explicar as coisas exatamente da mesma maneira elementar que nos foram explicadas quando principiamos.
Em outras palavras, devemos ser ajustáveis como algumas das chaves inglesas da caixa de ferramentas. Ao encontramos um público desconhecido, procuremos falar diretamente no nível dele e usar uma linguagem o mais simples possível. Então, novamente, quando encontrarmos Estudantes Rosacruzes com mais tempo dedicado aos Ensinamentos Rosacruzes e estivermos em uma classe em que eles sejam capazes de compreender os problemas mais profundos, podemos expandir ao máximo nossa capacidade, com considerável proveito e benefício para nós mesmos e para todos os outros interessados. Mas, acima de tudo, devemos aprender com São Paulo, a “se tornar tudo para todos”[3], ou perderemos o objetivo que temos em vista de trazer luz às almas que estão buscando.
(Carta nº 80 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: trata-se de um bairro na cidade de Seattle, Washington, EUA
[2] N.T.: De acordo com as escrituras, Saulo segue a caminho da cidade e, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu, a ponto de fazê-lo cair com o rosto em terra e ouvir uma voz que vinha do alto dizendo “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9:4).
[3] N.T.: ICor 9:22
Preço nas Lições e nas Curas
Pergunta: Entendemos que a Fraternidade Rosacruz considera um pecado pôr preço em suas lições ou em suas curas; mas não é “o trabalhador digno de seu salário“?
Resposta: No capítulo 10 do Evangelho Segundo São Mateus, Cristo disse aos seus Discípulos que fossem atrás das ovelhas perdidas de Israel e que pregassem o Evangelho e curassem aos enfermos. Porém, Ele também lhes ordenou “não levar ouro, nem prata, nem cobre em suas bolsas“, “nem alforje para o caminho“. No décimo capítulo da 1ª Epístola aos Coríntios, São Paulo também sustenta essa ideia: pregar o Evangelho gratuitamente. Conforme orientados pelos Rosacruzes, que seguem essa prática desde o princípio e nunca cobram nada por seus Ensinamentos, a Fraternidade Rosacruz não cobra nenhum valor financeiro, nem direta nem indiretamente.
Pergunta: Pode um Estudante Rosacruz cobrar por ensinar algo ou para curar?
Resposta: Nenhum verdadeiro Estudante Rosacruz, seguidor dos elevados Ensinamentos Rosacruzes, cobrará pelas lições ou pela cura nem solicitará quotas mensais, financeiras ou não. Isto o denunciará no ato como um impostor. Se tivermos fé e trabalhamos altruisticamente, Deus terá sempre cuidado com os seus e as manifestações de amor serão suficientes para satisfazer ao Aspirante à Vida Espiritual em suas necessidades.
Pergunta: Porém, isto não animaria a alguns a tomar tudo e não dar nada? Não estimularia o egoísmo em alguns?
Resposta: Sim, muitos frequentam as igrejas, conferências e aulas sem nunca deixar cair um único centavo na sacola de coleta, crendo que isto é desnecessário, a menos que se lhes acerquem e peçam, e naturalmente assim estes tomarão tudo e não darão nada.
Pergunta: Existe uma lei da natureza de que não podemos obter nada em vão?
Resposta: Sim, eles não raciocinam sobre o assunto desde o ponto de vista das Leis de Deus, as quais operam silenciosamente por meio da Lei de Causa e Efeito; alguma vez e em algum lugar estas dívidas serão cobradas da alma que pensa que está correndo através da vida, defraudando, tomando tudo e não dando nada em troca. “Eu darei o pagamento, diz o Senhor“.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz – abril/1981 – Fraternidade Rosacruz)