Resposta: Para que isso fique claro para o leitor comum é necessário dizer que, além do Corpo Denso, que é visível a todos nós, existem veículos mais sutis que interpenetram esse nosso organismo, e que são as molas propulsoras das atividades desse organismo. Um desses veículos é o Corpo Vital, composto de Éter e responsável pela construção do Corpo Denso, por meio do alimento que ingerimos. Ele controla todas as funções vitais, tais como a respiração, digestão, assimilação, etc., e atua por meio do Sistema Nervoso simpático[1]. Outro veículo, mais sutil ainda, é chamado de Corpo de Desejos. Esse é o veículo das nossas emoções, dos nossos sentimentos e desejos, que consomem as energias armazenadas no Corpo Denso pelos processos vitais, controlando o Sistema Nervoso cérebro-espinhal ou voluntário[2]. Em suas atividades, esse Corpo de Desejos está constantemente destruindo e degradando o tecido construído pelo Corpo Vital, e é a guerra entre esses dois veículos que causa o que chamamos Consciência no Mundo Físico. As forças etéricas no Corpo Vital atuam de maneira a converter o máximo possível de alimento em sangue, e esse é a expressão mais elevada do Corpo Vital.
Nos animais inferiores, desde as aves até os animais mais simples, que estão inteiramente sob a orientação de um guardião invisível chamado Espírito-Grupo, o sangue é nucleado[3], mas nos mamíferos superiores, que estão no limiar da individualização e, particularmente, no ser humano, que se tornou um Espírito interno (residente nos Corpos e veículos) e individual, não há núcleos[4] nos glóbulos sanguíneos. Mesmo no embrião[5] humano, que é formado exclusivamente sob a orientação da mãe durante as três primeiras semanas e, portanto, possui corpúsculos sanguíneos nucleados nesse período, eles deixam de ser formadas assim que o Ego entra no Corpo Denso que vai habitar. Isso ocorre cerca de vinte e um dias após a concepção e, à medida que os movimentos fetais são percebidos, o Ego interno residente no Corpo já destruiu todos os corpúsculos sanguíneos nucleados. Daí em diante, não mais se formarão, pois, o Ego deve ser o senhor do seu veículo. Não é esse o caso quando há um núcleo ou centro nos glóbulos sanguíneos, os quais proporcionam uma base para outro Espírito. É fácil demonstrar que a vida está no sangue, pois, embora possamos, às vezes, amputar impunemente um braço ou membros, não podemos privar o Corpo Denso do sangue sem, com isso, matá-lo.
Assim, o sangue é o veículo particular do Ego e, como nos éons passados de desenvolvimento cristalizamos a matéria para formar nosso Corpo Denso, também está destinado que agora devemos eterizar nossos veículos para que possamos elevar a nós mesmos e ao mundo do reino da materialidade para o reino espiritual. Naturalmente, o Ego visa primeiro tornar o sangue gasoso e, para a visão espiritual, esse sangue vermelho anucleado não é um fluido, mas um gás. Não é argumento contra essa afirmação o fato de que, quando furamos a pele, o sangue sair sob forma líquida. No momento em que abrimos a válvula de uma caldeira de vapor, o gás também se condensa em líquido, mas se criarmos um modelo de caldeira em vidro e observarmos a forma como o vapor funciona dentro dela, veremos apenas o pistão se movendo para frente e para trás, impulsionado por um agente invisível, o vapor ativo. Assim como o vapor ativo que sai diretamente da caldeira é invisível e gasoso, também o sangue ativo no Corpo Denso é um gás, e quanto mais elevado for o estado de desenvolvimento de um determinado Ego renascente, mais etérico ele consegue tornar o sangue.
Quando, pelos processos vitais, o alimento atinge esse elevadíssimo estado alquímico, se inicia o processo de condensação e o gás-sanguíneo se transforma em tecido nos vários órgãos para repor o que foi desperdiçado ou destruído pelas atividades do Corpo Denso. O baço é a porta de entrada do Corpo Vital. Ali, a força solar que abunda na atmosfera circundante entra em fluxo contínuo, para nos ajudar nos processos vitais, e ali também se trava com maior ferocidade a guerra entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital.
Pensamentos de preocupação, medo e raiva, por exemplo, interferem nos processos de evaporação no baço. Em consequência, uma partícula de plasma, que é imediatamente capturada por um pensamento elemental forma um núcleo e se incorpora ali dentro. Então, começa a viver uma vida de destruição, coalescendo e amalgamando (juntando para forma uma massa) com outras resíduos e elementos de decomposição sempre que se forme, transformando o Corpo Denso em um ossuário em vez do Templo de um Espírito interno que ali habita. Portanto, podemos dizer que cada glóbulo branco do qual se apossou uma entidade externa, representa para o Ego uma oportunidade perdida. Quanto mais essas oportunidades perdidas acontecerem no Corpo Denso, menor será o controle do Ego sobre tal Corpo. Consequentemente, encontramos um número maior de glóbulos brancos perdidos em pessoas doentes do que em pessoas saudáveis. Pode-se também afirmar que uma pessoa de natureza jovial ou bondosa, ou alguém profundamente religioso com fé e confiança absolutas na providência divina e no amor, apresentará muito menos oportunidades perdidas, ou glóbulos brancos de sangue perdidos, do que aqueles que sempre estão preocupados e aflitos.
(Pergunta nº 50 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: É uma parte do Sistema Nervoso autônomo responsável pela resposta de “luta ou fuga” em situações de estresse, perigo ou excitação. Ele regula funções involuntárias para preparar o Corpo Denso para ação rápida, aumentando a frequência cardíaca, dilatando pupilas, relaxando vias aéreas e inibindo a digestão.
[2] N.T.: Ou Sistema Nervoso somático (voluntário), compõe-se do encéfalo e medula espinhal, sendo responsável por controlar ações conscientes, como movimentos dos músculos esqueléticos e sensações. Ele transmite impulsos do sistema nervoso central para os músculos, permitindo andar, falar e interagir com o ambiente de forma voluntária.
[3] N.T.: Exemplos: aves, répteis, anfíbios e peixes possuem hemácias nucleadas, que são maiores e funcionam com núcleo ativo. O núcleo nas hemácias desses animais permite que as células se regenerem, mas reduz a quantidade total de hemoglobina transportada por célula, tornando-as menos eficientes no transporte de oxigênio em comparação às hemácias anucleadas.
[4] N.T.: As hemácias (glóbulos vermelhos) e as plaquetas são os elementos anucleados (sem núcleo) no sangue humano. As hemácias perdem o núcleo durante a maturação para maximizar o transporte de oxigênio e gás carbônico, vivendo cerca de 120 dias. Plaquetas, fragmentos celulares da medula, auxiliam na coagulação. Em resumo: a falta de núcleo maximiza a eficiência funcional, garantindo que o transporte de oxigênio seja otimizado.
[5] N.T.: Nas três primeiras semanas de gravidez, o conceito é classificado como embrião (especificamente na fase de blastocisto, que se implanta no útero). A fase embrionária vai da fecundação até a oitava semana, quando os órgãos começam a se formar; o termo feto só é utilizado a partir da nona ou décima semana, quando o bebê já possui características humanas definidas.
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