Transmutar, Eis a Questão
Qual deve ser nossa atitude diante de uma situação desagradável ou aflitiva? Reagir violentamente? Prostrar-nos desanimada e passivamente deixando as coisas acontecerem?
Não, tal conduta em nada nos dignificaria. A palavra-chave em casos dessa natureza é: TRANSMUTAÇÃO. Podemos e devemos transmutar uma situação desagradável, tornando-a mais harmoniosa e agradável. Não somos obrigados a aceitar o mal como inevitável, muito embora ele exista.
Como seres dotados de incomensuráveis potencialidades divinas não podemos permitir-nos o conformismo diante do sofrimento. A criatividade, o amor, a ação e o sentimento de unidade são atributos capazes de mudar as condições que nos envolvem. Infelizmente as pessoas vivem inconscientes dessa realidade. Vivem perdidas nos labirintos de seus problemas existenciais, tornando-se, dia após dia,
Impotentes para reverter essas situações dolorosas e limitadoras. Decididamente, o sentimento fatalista só pode conduzir à inércia e ao desespero.
Todos têm em comum uma origem, uma herança, um ideal espiritual. Será o suficiente ajudarmo-nos mutuamente a transformar o prejudicial em benéfico. Nada ganhamos sendo interesseiramente indulgentes, fazendo concessões a emoções inferiores, ou prolongando deliberadamente uma situação preocupante ou lamentável.
Ninguém cresce ou promove o crescimento através de lamentações. Nossas desistências nada representam de positivo no ambiente em que vivemos. Mas, pelo contrário, todos se beneficiam quando nos portamos com equilíbrio e inteligência, quando o amor nos incentiva a agir com o propósito de transformar uma situação dolorosa num bem comum.
Cada momento nos traz oportunidades originais de transmutar o mal em bem. Através de pensamentos e sentimentos positivos, de ações decididas, tudo é possível. TUDO! Não há necessidade de aguardar melhores dias ou ocasiões propícias para transformar as coisas. AGORA é o momento e AQUI é o lugar.
É verdade que o Sol nasce todas as manhãs. No entanto, cabe-nos escolher o curso de ação que mais nos convém. Podemos entender cada dia como sendo um desafio às nossas capacidades ou uma nova oportunidade de crescimento. Também nos é dado ignorar o nascer desse Sol, vivendo passiva e desnecessariamente problemas e amarguras passadas.
Por gigantescos que sejam nossos desafios, nosso poder de superá-los é infinito. Sempre há uma luz no fim do túnel. É necessário, entretanto, caminhar até lá.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/84 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Cristo em Formação: a necessidade de alimentação como alimentamos nosso Corpo físico
São Paulo nos alertou, em uma de suas Cartas, que somos Cristos em Gestação. Em gestação entende-se em formação, em constituição. Portanto, não se deve sentir apreensivo o Aspirante à Vida Superior quando lhe ocorrer no mundo, seja no ambiente de trabalho, ou mesmo na família, algo que lhe pareça decepcionante. Igualmente, não se deve se sentir abatido em face de fatos desagradáveis que aconteceram. Não se deve, também, confundir problemas pessoais que eventualmente surjam, em razão de nossas imperfeições, com o Santo Trabalho iniciado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, em benefício da humanidade.
As dificuldades e contrastes, são naturais peripécias do caminho, e bem compreendidas aumentarão a Luz Interna do Ego peregrinante. Lembre-se ainda, que se trata de um preparo Real, com base na evolução regenerativa de cada um, para, um dia, se alcançar também a Iniciação Real, totalmente diferente das chamadas iniciações coletivas e simbólicas.
Sabemos, também, que geração é sinônimo de gestação. Esta, fisicamente falando, conforme nos ensina Max Heindel na obra “Conceito Rosacruz do Cosmos”, realiza-se por meio do segundo Éter do Corpo Vital. E a Geração, no sentido que São Paulo nos falou, processa-se também pelo Corpo Vital, porém através dos Éteres Superiores – Luminoso e Refletor. Mas assim como o Corpo Denso, embora transitório, necessita alimentos para se formar e subsistir, maiormente ocorre a necessidade de se alimentar o Menino-Deus que é eterno, existente dentro de cada um de nós. Quanto mais e melhor Ele for alimentado pelo Aspirante à vida superior, por meio de atos amorosos e de serviço desinteressado aos demais, este percorrerá, com segurança, a via evolutiva, sem que algum desvio o arrebate, como ocorre com certas crianças, criancinhas evolutivamente falando, não passíveis de quedas, entretanto, mais do que isto, pois esta acontecida, podemos dizer, em sentido figurado permanecem deitadas, muitas vezes na poeira dos prazeres do mundo. Enquanto isso, sua alma angustiada e faminta geme ao peso da dor, que se apresenta sob várias modalidades.
Olhemos reverentemente para o Símbolo Rosacruz, no qual está perfeitamente consubstanciada a redenção da humanidade, e, caminhemos sem desfalecimentos, pois não nos faltarão forças e meios.
(Hélio de Paula Coimbra; publicado pela Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1966)
Qualidades: é o que somente devemos enxergar no próximo
Quando, passeando Cristo-Jesus e seus discípulos passaram por um cão morto, em estado de putrefação, houve quem se preocupasse com o mau cheiro, e, não se contendo, comentou-o. Prontamente Cristo Jesus chamou a atenção dos discípulos para a alvura dos dentes daquele animalzinho, fazendo com que vissem apenas o que nele havia de bom.
No fato que acabamos de descrever percebe-se com clareza, a profunda lição que o Mestre dera aos discípulos de todos os tempos e à humanidade.
Feliz, portanto, de quem procura se compenetrar da sublime lição dada por Cristo-Jesus. Vai gradativamente enxergando em seu próximo tão somente as qualidades. Com isto, a sua felicidade avulta, tendo em vista a possibilidade que alcança de fazer, em maior proporção, a felicidade dos outros. Esta realização é, sem dúvida, o que há de mais importante, não apenas no Mundo Físico.
Max Heindel, nosso Amigo e Mestre, em perfeita consonância com Cristo-Jesus, ensina-nos no “Conceito Rosacruz”, que devemos ver o BEM em TUDO. Aliás, entre os Estudantes da Fraternidade Rosacruz, felizmente, alguns só se compenetraram bem da lição conscientemente. Outros, atingiram certo ponto e continuam se esforçando. E, há ainda aqueles que estão iniciando a maravilhosa jornada.
Caminhando, pois, como ensinara o Mestre, verificaremos, no correr dos dias, que Ele tinha e tem toda razão desaparecendo por completo, o “mau cheiro” que antes sentia, por ventura nos fatos e pessoas.
Lembremo-nos, finalmente, de que a Bíblia Sagrada diz o seguinte: “Deus criou tudo e viu que tudo era bom”. É conveniente, portanto, meditar diariamente sobre isto.
(Hélio de Paula Coimbra; publicado pela Revista Serviço Rosacruz de julho de 1966)
Fraternidade: ajudar o seu irmão, e quem falta dita qualidade
Entre os ensinamentos de Cristo Jesus está em posição de relevo o que diz respeito à Fraternidade. Como é belo vermos, por exemplo, o Sol nascer para todos, indistintamente. Iluminar permanentemente sem fazer distinção alguma. Semelhantemente atuam os seres que trabalham na Vinha de Cristo. São bons e irradiam, constantemente, em todos as direções, simpatia o amor. Fazem-no de maneira espontânea e simples, jamais pensam em estardalhaço, igualmente não se preocupam com glória, e, menos ainda, com palavreado empolado.
Suas palavras tem o colorido da sinceridade, estão revestidas da pureza de sentimentos e da naturalidade. Onde caem, é indiscutível a sua fecundação, pois têm algo do Verbo.
Assistimos, há alguns dias, a uma palestra de um irmão realizada na Fraternidade Rosacruz, que muito nos alegrou, pois sentimos, nitidamente, todos as características que aludimos acima. Igualmente, temos assistido com imenso prazer excelentes preleções de outros companheiros.
E, como cada Ego é um pequeno Sol que se destacou do sol Central, vai, à medida que com este se afina, crescendo automaticamente seu brilho, e, em maior proporção passa a fazer o bem aos demais, imbuído de desprendimento mais elevado. Nesta altura dos acontecimentos poderíamos dizer que a nobreza de sentimentos, aliada à Pureza da Mente, consubstanciados na ação, fizeram com que se confundisse Fraternidade e Amor.
Viver fraternalmente é ser bom, saber perdoar as faltas alheias, ser rigoroso quando for o caso, mas também saber ser brando quando necessário, pois tudo na vida é faca de dois gumes.
Quem tem uma qualidade boa, quiser viver fraternalmente, e, portanto, dentro do amor, não pode deixar de ajudar o seu irmão, e quem falta dita qualidade. Assim, o forte ajuda o fraco, e, juntos, todos seremos fortes, ou pelo menos possibilitará a extração de uma média. Procedendo assim estará dando prova segura, por meio de seu viver, de estar integrado nos Ensinamentos de Cristo e seus Apóstolos.
(Hélio de Paula Coimbra; publicado pela Revista Serviço Rosacruz de maio de 1966)
Espiritualidade: tudo que façamos seja indício dos ideais que professamos
“Todo aquele que trata de cultivar esta reta virtude da espiritualidade, deve sempre começar por fazer tudo para a glória do Senhor, porque fazemos todas as coisas como para o Senhor, não importa que tipo de trabalho façamos”. (do Livro: Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel)
Perguntamo-nos: Quantos de nós lutamos conscientemente em fazer tudo para a glória do Senhor? Quantos de nós consagrarmos todo pensamento, toda palavra, toda ação, todo momento de trabalho pago, serviço voluntário, e ainda atividade ociosa para Ele? Duvidamos que muitas pessoas possam responder afirmativamente.
E, no entanto, que benção será quando finalmente tenhamos aprendido a fazer assim. Quando nossa atitude se faça de tal maneira que automaticamente lutaremos por fazer tudo com o melhor de nossa capacidade, porque deste modo estaremos servindo a Ele e a seus filhos, já não poderemos abusar de nossos talentos, desperdiçá-los e nem os usar para o mal.
Há um refrão que diz: “Se algo é digno de fazer-se, é digno que seja feito”. E igualmente é certo que “se algo é digno de fazer-se, é digno que seja bem feito para a glória de Deus”, e ao contrário, se algo não é digno de fazer-se para a glória do Senhor, não é digno que seja feito de nenhuma maneira.
Quando falamos da glória do Senhor, nos referimos ao que lhe honra em qualquer forma. Somente lhe honra o melhor do que somos capazes. Uma tarefa servil feita com espírito de amor e de serviço inegoísta só pode falar em honrar-Lhe; um sermão, brilhante e muito bem pronunciado, é uma desgraça para Ele, ainda mais se o orador for motivado em sua eloquência por um desejo de autoglorificação.
Fazer tudo para a glória do Senhor significa não somente obras, mas também todos os pensamentos, emoções e palavras que expressamos. Somos ou deveríamos ser conscientes do poder latente nas formas de pensamentos que criamos. Assim como o poder de nossos bons pensamentos aumentará a glória do Senhor, assim também o maligno poder dos pensamentos condenáveis atua como um obstáculo para o Plano Divino, um obstáculo que deverá ser superado com a ajuda de Seres Superiores e, finalmente, eliminado pelo próprio pensador.
Portanto, devemos ser demasiadamente cuidadosos em conservar nossas atitudes e ideias constantemente puras e elevadas. Um aparente e breve deslize, como resposta ao impulso da natureza inferior, nunca vem só, geralmente principia uma reação em cadeia com outros erros e continua até que o Ego possa de novo se corrigir suficientemente para obedecer aos impulsos do Eu Superior e trabalhar uma vez mais para a glória do Senhor. Isto é igualmente válido para o estorvo inofensivo e impensado, e também para as ações sujas, efetuadas com intenção.
Como estudante dos Ensinos Superiores, temos uma responsabilidade especial de conduzirmo-nos, de modo que tudo que façamos seja indício dos ideais que professamos.
Que todos possamos viver de maneira a que todos os momentos de nossas vidas sejam um reflexo desses ideais.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/81 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O Trabalho de Equipe e o Prazer de Servir
Entre os sistemas de se organizar para um trabalho, parece-nos o mais recomendável aquele que se constitui de uma EQUIPE. Esta começa por congregar, através de sua constituição, seres humanos que estejam acima do personalismo. Já superaram em apreciável nível, a vaidade pessoal.
Assim, colocam o bem da coletividade muito além do pessoal. Reúnem-se para que o conjunto produza melhor do que qualquer um deles, isoladamente.
Nos debates e demais atividades, entendem-se perfeitamente, pois todos compreendem que deve, sempre, prevalecer o que for melhor. Jamais, portanto, perdem tempo em pensar qual deles, seria mais ou menos importante. Sabem que todos são valorosos e que, cada um, espontaneamente, dá, de coração, o que estiver ao seu alcance. Não pensam, de maneira alguma, nessa ou naquela recompensa, por mais tentadora que pareça. Trabalham, harmoniosamente, tendo em vista um único objetivo.
É oportuno recordarmos aqui a extraordinária EQUIPE constituída por Cristo-Jesus e os Apóstolos.
Nada mais justo e acertado do que tomarmos essa EQUIPE como MODELO.
O “Trabalho de Equipe” nos faz lembrar, também, de algo fraterno, concretamente falando. Encerra, por isso mesmo, vivência Aquariana. E, dita vivência representa, seguramente, união, à qual, como se diz correntemente FAZ A FORÇA. Por fim, diríamos, assim procedendo, estaremos vivendo o maior mandamento de Cristo: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos”.
(Hélio de Paula Coimbra; publicado pela Revista Serviço Rosacruz de abril de 1966)
Os Conceitos do Direito onde Estamos Inseridos
Grande é o número de significações do vocábulo Direito, tanto no sentido etimológico, quanto no figurado. Em ambos, de maneira sintética, podemos dizer que Direito significa o que é certo.
Na concepção dos romanos, mesmo antes da era atual, o Direito representava “a arte das coisas divinas e humanas”. Aliás, tinham as razões suficientes para tanto, pois, numa primeira grande divisão, temos o Direito Divino, o Direito Natural e o Direito Positivo. Adotamos aqui, na discriminação dos grandes ramos da árvore do Direito, a ordem descendente.
O Direito Divino, criado por Deus, tomado o vocábulo Deus em seu sentido absoluto, consiste nas Leis Cósmicas que regem o Universo, não apenas o planeta Terra, o qual habitamos, ou o sistema Solar, a que pertencemos.
Como exemplo típico desse Direito, temos o livre arbítrio que recebemos de Deus. Por intermédio do germe mental. Antes de recebermos esse germe, éramos guiados em tudo, portanto, não havia o que falar em livre arbítrio.
Consistindo este, na liberdade de praticar atos, e, ao mesmo tempo, de se responder por eles, surgiu então, na mesma ocasião, o que se chama destino, que pode ser bom ou mau, segundo nossas obras. Por isso mesmo, todo cuidado que se tiver, ainda é pouco.
Ora, seja que pessoa ou grupo for, não importa se filosófico, religioso ou não, que deixar de respeitar o livre arbítrio, usando espírito autoritário ou quaisquer outros meios, está violando lei, cuja matéria é de Direito Divino. Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz têm, por exemplo, um profundo respeito ao referido livre arbítrio de cada um. Mostram os caminhos e a escolha fica a cargo dos Estudantes. Assim, a boa vontade e a espontaneidade que cada Estudante dispensar, ao agir, é que tem importância maior. Como dissera Cristo-Jesus: “O maior no Reino dos Céus é o que for o servo de todos”.
O Direito Natural vem a ser as mencionadas Leis Cósmicas, inscritas na Natureza, seja qual for seu aspecto. Em consonância, o apóstolo São Paulo dissera bem, quando afirmara que a Lei Divina está inscrita no coração do ser humano. Por sinal qualquer pessoa do povo tem uma noção interna do que seja o Direito. Percebe o que não está certo, e, embora, não saiba explicar o que ocorre, sente o problema.
O Direito Positivo, inspirado no Direito Natural, é constituído pelos Códigos Civil, Comercial, Penal, etc., existentes nos diversos países do globo terrestre. Esse Direito regula as relações jurídicas que se estabelecem entre os homens, não só, no campo privado, como também no público, bem ainda no cível e no militar. Regula, finalmente, as relações jurídicas entre as nações, no âmbito internacional, através de um Direito chamado Internacional Público.
Desse ligeiro bosquejo, percebe-se que estamos, em quaisquer mundos ou regiões, sempre sujeitos a Leis regulando todas as nossas atividades. Portanto, quando sofremos alguma coisa, embora não saibamos, a maioria das vezes, somos, indiscutivelmente, os únicos culpados. Por outro lado, há um grande conforto, tudo depende de nos engendrarmos bom ou mau destino. E, agora que conhecemos as coisas, é, claro, tomaremos os necessários cuidados.
(Hélio de Paula Coimbra; publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/66 – Fraternidade Rosacruz – SP)
As Eras Cristãs
Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos ensinam que a “Mensagem Mística da evolução do ser humano está marcada com caracteres de fogo nos céus, onde todos àqueles que podem lê-la os terão”.
Para nos familiarizarmos com o tópico que diz respeito à religião cristã, essa mensagem nos informa que a religião cristã assinala o seu desenvolvimento em três Eras.
A primeira abarca o tempo em que o Sol, em seu Movimento de Precessão, transitou através do Signo de Áries, o Cordeiro. Jesus nasceu quando o Equinócio de Março estava ao redor dos sete graus de Áries. Os 24 graus precedentes são dos períodos relatados no Antigo Testamento, tempo em que o povo escolhido estava no cativeiro e perdido no deserto da materialidade, e a nova religião ainda não tinha sido revelada.
Então, o Cristo emprestou os Corpos Denso e Vital de Jesus quando esse estava com cerca dos 30 anos de idade.
No Gólgota, através do sangue derramado, inaugurou definitivamente um novo ensinamento, dando à humanidade algo mais elevado, já que as antigas profecias e a lei tinham sido cumpridas.
Considerando que o Signo oposto a Áries é Libra, a Balança da Justiça, a nova religião fala de um futuro dia do juízo, quando Cristo recompensará a todo ser humano de acordo com os atos praticados com o corpo.
A segunda Era abrange o tempo em que o Sol em precessão transitou pelo Signo de Peixes. Como o Sol é mais forte no signo seguinte, por estar na cúspide, tal como estava naquele tempo, Cristo chamou a Seus Discípulos de “pescadores de homens”, como está relatado no Novo Testamento, onde se lê que Ele alimentou a multidão com pescado (Peixes) e com pão (Virgem), daí então a religião do Cordeiro continuou tendo proeminência através dessa Era, de Peixes, cujos ideais ensinados e fundamentos são os seguintes: um sacerdote celibatário que adora uma Virgem Imaculada (Virgem), e a abstenção da carne em certos dias. Ambos os ideais são proveitosos para o crescimento anímico da atualidade. Entretanto, o altruísmo vem sendo fomentado.
A terceira Era nos deparará no futuro. Diz respeito ao período precessional, em que o Sol transitará através de Aquário. Teremos então uma nova fase da religião Cristã, exotericamente. O ideal então que deverá ser alcançado está simbolizado pelo Signo oposto a Aquário, Leão.
Todas as Religiões de Raça exigem uma vítima sacrificial pela transgressão da Lei, porém, ao vir, Cristo revogou o sacrifício de OUTROS, oferecendo-se a SI MESMO COMO UM SACRIFÍCIO PERPÉTUO para remissão dos pecados.
Contemplando o Ideal materno da Virgem durante a Era de Peixes, e o exemplo de Cristo através da ação de sacrificar-se para servir, a Imaculada Concepção converte-se em uma experiência real para cada um propiciando que o Cristo, Filho do Homem (Aquário), nasça dentro de nós.
Dessa forma, gradualmente, a terceira fase da religião Ariana será manifestada – o novo ideal está simbolizado pelo Leão de Judá. A coragem oriunda da convicção, a força do caráter e das virtudes afins, tornarão o ser humano digno da confiança das ordens inferiores de vida, bem como do amor dos Hierarcas Divinos que estão acima de nós.
Os precursores da raça já estão sentindo o impulso a esses ideais. Meditemos sobre a Fortaleza de Caráter.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 05/83 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Idealismo: corajosa e sincera disposição para trilhar o caminho do Serviço
Vez por outra dirigimos, através desta revista, apelos aos estudantes, exortando-os a cooperar com o Movimento Rosacruz. Não o fazemos unicamente pela necessidade de ajudar em nossa tarefa de disseminar os ensinamentos da Fraternidade. Não. É verdade que a Obra carece de um número maior de trabalhadores. Muita coisa ainda deve ser feita. Há um imenso campo de ação pela frente exigindo maiores recursos materiais e humanos. Não podemos, contudo, deixar de enfatizar com a mais elevada motivação, o inigualável privilégio de servir à humanidade.
Não importa o grau de cultura: toda pessoa de boa vontade encontra, dentro da Fraternidade Rosacruz, setores onde pode empregar suas aptidões. Todos podem dar alguma coisa ou um pouco de si.
No transcurso de diversos renascimentos vimos aumentando nosso cabedal de conhecimentos, a par do desenvolvimento de qualidades. Temos acumulado, por meio de experiências, as mais variadas, uma dose considerável de energia. Cabe-nos, agindo de conformidade com as leis cósmicas, canalizá-la em finalidades construtivas, por meio do uso adequado de nossos talentos.
Somos inerentemente seres ativos, face ao princípio divino de MOÇÃO-ATIVIDADE – característica do Espírito Santo – palpitando em cada espírito. A inércia e inutilidade não existem na Natureza. Ao órgão que não se emprega só resta o caminho da atrofia. Diariamente nossa capacidade de ação é testada pelos mais variados desafios. São estímulos necessários. Quanto a isso, não pode haver omissão: ou agimos construtivamente e progredimos ou paramos e retrocedemos. Eis aí o verdadeiro conceito de mocidade e velhice; no sentido interno, quem desiste e para, morre para a existência, cuja finalidade é o desenvolvimento, a graus ainda inconcebíveis para o entendimento humano, das faculdades que herdamos do Criador.
O indivíduo consciente e sincero esforça-se ao máximo para harmonizar e aperfeiçoar tudo o que esteja ao seu alcance; no lar, na sociedade, em sua lida diária, etc. Sabe muito bem que ao retardar o cumprimento de seu dever ou negligenciar suas tarefas, a si mesmo negligencia. Isto é válido para os indivíduos, para as empresas e para os agrupamentos sociais. Quanto mais produzem, construtiva e legitimamente, tanto mais crescem em todos os sentidos.
Sempre é tempo de edificar alguma coisa. E a Fraternidade Rosacruz constitui uma excelente oportunidade de formar um mundo melhor. Se crescermos em harmonia, o nosso cresce conosco.
A tônica do Movimento Rosacruz é SERVIR. Mas, é preciso uma corajosa e sincera disposição para trilhar o caminho do Serviço. Os desafios surgem em momentos inesperados, caso o estudante não esteja atento, poderá sentir abalado seu idealismo. É uma vereda árdua, às vezes espinhosa, mas espiritualmente gratificante. Alguém pode perguntar se vale a pena lutar por um ideal como este. Encontramos a resposta nas palavras do grande poeta luso, Fernando Pessoa:
“Valeu a pena?
Vale sempre a pena,
Se a alma não for pequena”.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 07/83 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Como Transmitir os Ensinamentos Rosacruzes
Todo estudante responsável e dedicado aceita, espontaneamente, a missão de transmissor dos ensinamentos dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. Não se exige o brilho da retórica ou quaisquer outros atributos de um orador. O importante é que a pessoa conheça os Ensinamentos Rosacruzes e se disponha a transmiti-los a quem realmente esteja interessado em ouvir. Isso poderá ser feito numa tribuna, se o estudante frequentar algum Centro ou Grupo de Estudos, como também em diálogos informais com pequenos grupos ou mesmo com apenas um ouvinte interessado. O que importa é a comunicação inteligível, com sincera intenção de ajudar.
Max Heindel, porém, adverte: cuidado com o conhecimento superficial, pois é muito perigoso em termos de religião e filosofia. Pode levar a confusões e até a verdadeira desgraça.
A bibliografia Rosacruz é bem ampla. A exposição de seu conteúdo, ilustrada com a narração de fatos do cotidiano e outros conhecimentos, torna-se muito atraente.
Quem transmite não necessita de ser um erudito, uma “enciclopédia ambulante”. É lógico que a cultura geral ajuda, porquanto enseja valiosos subsídios. Oferece, principalmente, a quem de uma tribuna se dirige a uma plateia numerosa, recursos ilustrativos, tornando a exposição mais didática e dinâmica.
Temos visto, entretanto, estudantes sem grande cabedal de cultura, discorrerem com grande propriedade sobre os ensinamentos rosacruzes, principalmente em conversas informais. Alguns, na sua simplicidade, intuem admiravelmente muitas verdades ocultas. Isto lhes facilita a comunicação.
Muitos se empolgam com a lógica e o racionalismo que embasam os Ensinamentos Rosacruzes. Esses fatores, contudo, não são suficientemente poderosos para tornar tais ideias aceitáveis por todos. Em não se ressaltando sua natureza moral, a exposição ficará incompleta. Nessas ocasiões pode-se avaliar em que medida o estudante se esforça por realizar em si mesmo o equilíbrio entre a Mente e o Coração.
Como afirmou Max Heindel, o valor de qualquer ensinamento religioso ou filosófico reside em seu poder detransformar interiormente as pessoas. Se isso não ocorrer, tal ensinamento não passará de mero conhecimento intelectual, apenas um “sino que tine”.
Convém lembrarmos sempre, em nossas conversas e exposições, a harmonia existente entre os princípios rosacruzes e os ensinamentos de Cristo. Indo um pouco mais longe podemos afirmar que os ensinamentos rosacruzes explicam esotericamente a Bíblia, dentro de uma linha de absoluta coerência.
O estudante deve estar sempre preparado, pois a qualquer momento poderá surgir uma oportunidade de expor ou conversar sobre o cristianismo esotérico. Essa oportunidade poderá se desdobrar de várias maneiras como: exposição a uma plateia relativamente numerosa, colóquio informal em pequeno grupo ou ainda troca de ideias com alguém interessado ou angustiado com a pressão de algum problema.
É um sagrado privilégio transmitir os mistérios da Sabedoria Ocidental. Sendo assim, não nos parece justo desperdiçar uma ocasião dessas por uma razão menos relevante. Alegar inibição, nervosismo ou coisa parecida para não cumprir essa missão não é uma atitude dignificante.
Em contrapartida, quem for bem-dotado em termos de comunicabilidade se imunize contra a vaidade. Os ensinamentos rosacruzes devem ser transmitidos com humildade, devoção e entusiasmo. Evite-se fazê-lo com ar professoral ou afetação. A simpatia ajuda muito. E não olvidemos: a quem muito é dado muito será exigido.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 04/83 – Fraternidade Rosacruz – SP)