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PorFraternidade Rosacruz de Campinas

A Aventura da Vida

Parte Um

Ah, o meu coração é jovem e o mundo é feliz. Os portais da vida são amplos.

A juventude eleva-se grandiosa, pensativa. As asas são brilhantes e todas estão aquecidas com sonhos brancos que não são mais do que sombras perfumadas que se afastaram do seu lar eterno.

As flores florescem de saudades e os ventos carregam-se de carícias.

Há uma nova luz no céu e uma profundidade nas estrelas. Porque o Romance é o rei do Mundo.

Tremendo de beleza mística, como um sonho de prata que se perdeu em infinitos céus, a jovem Lua paira baixa; um crescente sombrio, patenteada com mistérios que ainda não foram totalmente expostos.

Ah, o meu coração é jovem e o mundo está feliz. Mas a alma é velha e por baixo da música e do charme soam vozes estranhas do passado que contam significados escondidos nas maravilhas do dia.

Ah, o coração é jovem e o mundo está feliz.

Mas a alma é velha e, no reino dos tons pronunciados, ouve vozes que não têm som. Conhece uma luz que é escuridão para o mundo das coisas finitas.

Parte Dois

A Lua está Cheia e a vida está transbordando. Envolvo o meu coração na regra de ouro do serviço, apaixonado por sua plenitude.

A minha casa parece cheia até transbordar. Quando, de repente, uma nova luz a inunda. Uma luz tão maravilhosa que as cascas das coisas se desfazem. E, no Coração, tudo é divino. Os dias cinzentos vibram com uma estranha beleza.

O sacrifício é glorificado. Com perguntas ansiosas: — Eu encontro sobre uma colina distante o Deus do Amor, que está passando. Enquanto a glória da Sua presença inunda o meu limiar.

Com saudade, sobre o Altar da minha casa, eu junto os seus tesouros. O nascimento da alegria e o mistério da vida.

A profunda alegria de servir. A maravilha de dar.

Os segredos mais íntimos do coração e a beleza do momento em que a alma encontra o que é seu.

Ele parou por um instante e não se demorou: no entanto, a glória da sua vinda não desapareceu da minha casa.

A Lua está Cheia e a vida transborda.

Envolvo o meu coração na regra de ouro do serviço, enamorado da sua plenitude.

E, no entanto, eu me pergunto o que teria acontecido, se o Amor tivesse entrado pela minha porta.

Parte Três

Meio a contragosto, todos os meus barcos de fantasia soltaram as amarras e, silenciosa e ternamente, como a passagem de uma alma, foram engolidos pelo vasto mar do Ser.

Os sinos de vésperas da vida estão tocando suavemente.

Com o cabelo como o hálito prateado das amendoeiras em flor, estou sobre a ponte do Tempo. As lágrimas das dores antigas repousam sobre o meu coração como nuvens roxas no céu da noite.

Enquanto os fios das coisas estão desfeitos — muitos fios ansiosos estão rasgados. Eles devem se fundir no Eterno — sem forma, infinito, ininterrupto.

As ilusões do mundo dispersam-se como brumas azuis perante o limiar branco da Esperança.

Uma voz de silêncio chama enquanto uma quietude mais profunda responde.

Estendo as minhas mãos para erguer as formas dos mundos e encontro por baixo o coração pulsante do som.

Ao longo do céu escuro da meia-noite, o disco branco da Lua está minguando. Inúmeras palavras, em sinais de chama, invocam os Reinos celestiais.

Pelas minhas próprias mãos cansadas, os elos seculares do destino são cortados.

Finalmente, a minha alma está livre para quebrar as suas amarras e se fundir no sem forma, não tendo vontade alguma a não ser a orientação Infinita.

O amor pode abranger.

Nunca mais a dor do desejo ou as agonias da separação.

Absolvendo toda mudança no santuário do Imutável.

Na música das harmonias eternas, eu me entrego ao Vasto para sempre da Vida.

Sob a Sua sombra encontra-se o Coração da Paz.

(de Corinne S. Dunklee – Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro de 1919 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

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