Carta de Max Heindel: O Sacrifício e o Progresso Espiritual

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Sacrifício e o Progresso Espiritual

Junho de 1917

De tempos em tempos, recebemos cartas aqui perguntando, embora formulem a pergunta de maneiras diferentes, sobre o mesmo assunto: “Como posso conseguir maior progresso espiritual?”. Por isso, pensei em dedicar essa carta a esse assunto.

É uma Lei da Natureza que “do nada, nada vem”. Mas muitas pessoas acreditam sob a falácia de que a verdade e o progresso espiritual podem ser adquiridos sem ônus e sem o respectivo preço. Em certo sentido, isso é verdade, porque é absolutamente vil e errado barganhar com os poderes espirituais para se obter um lucro desonesto e imundo, como foi vigorosa e firmemente demonstrado por S. Pedro na sua conversa com Simão, o feiticeiro, que queria comprar os poderes espirituais de que S. Pedro dispunha, oferecendo-lhe dinheiro em troca[1]. Ao mesmo tempo, há um preço determinado para o crescimento espiritual que deve ser pago por todo aquele que o queira conseguir. Em primeiro lugar, os antigos interesses devem ser sacrificados. Todos nos lembramos da Parábola sobre aqueles que tinham sido convidados para a festa do rei, mas que se abstiveram de comparecer por várias razões. Um acabava de se casar e queria gozar a lua de mel; outro tinha comprado uns bois e, também, queria inspecionar suas novas propriedades; e assim por diante, todos negligenciaram a oportunidade e perderam a chance de progredir[2].

O mesmo acontece em nossos dias, embora de uma forma diferente. Podemos estar dispostos a ficar em casa lendo um livro sobre assuntos espirituais nos nossos momentos de lazer, quando nada de maior interesse tenhamos pela frente, mas, quando a Grande Obra exige mais do nosso tempo, podemos apresentar várias desculpas. “Tenho uma filha que quero enviar para a Faculdade”, diz um. “Quando tudo for feito e eu tiver cumprido minhas obrigações me ocuparei disso”. Outro diz: “Os meus negócios requerem a minha presença todos os dias e, à noite, estou exausto. Não posso trabalhar a noite para a Fraternidade, nem comparecer as suas reuniões porque, no dia seguinte, não poderia dedicar todas as minhas energias ao trabalho. Mas me ocuparei disso assim que me aposentar”. Um terceiro dirá: “Tenho muitos filhos que exigem a minha atenção e meu cuidado em diversos eventos sociais. Não posso ir às reuniões da Fraternidade e negligenciá-los. Mas assim que eles se casarem trabalharei para a causa Rosacruz”.

É perfeitamente certo que, quando assumimos obrigações devemos cumpri-las da melhor forma possível. Ao mesmo tempo, há uma grande possibilidade de que, se refletimos profundamente sobre o assunto, descobriremos que ainda temos algum tempo depois de cumprir com as nossas obrigações que pode ser dedicado à Grande Obra. Nesse contexto, talvez seja bom lembrar o incidente ocorrido quando alguns se dirigiram a Cristo e lhe disseram: “Tua mãe e Teus irmãos estão lá fora e desejam falar contigo”. Ele respondeu: “‘Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?’. E apontando para os discípulos com a mão, disse: ‘Aqui estão a minha mãe e os meus irmãos, porque aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, irmã e mãe’[3]. E acrescentou: ‘Se alguém vem a mim e não aborrece seu próprio pai e mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo.’”[4] E todo aquele que tiver deixado casas ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por causa do Meu nome, receberá muito mais e herdará a vida eterna.”[5].

No processo de uma vida regenerada há e deve haver um sacrifício envolvido. Tanto pela minha experiência pessoal como pelo que tenho observado em milhares de outras pessoas, os benefícios espirituais que alguém colherá está na proporção direta da forma como cada um emprega os seus pensamentos, o seu tempo e os seus recursos financeiros para a causa que tenha abraçado. Quando alguém se consagra totalmente à vida regenerada e segue o ditame do seu interior espiritual, logo verá que a mesma intensidade de propósito na nova direção exclui as coisas velhas e antigas. Não terá mais tempo para elas. Elas desaparecem de seus pensamentos e se desvanecem. De uma forma ou outra, a filha irá para a Faculdade ou encontrará um emprego adequado. Os negócios prosperarão até melhor do que quando o proprietário devotava todo o seu tempo e suas energias a preocupações e à ganância. Os filhos encontrarão outra acompanhante tão capaz como sua mãe, nas ocasiões em que ela estiver trabalhando para a causa espiritual. Em todos os casos, aquilo que abrimos mão em prol da obra, o tempo que empregamos na causa de Cristo e os recursos financeiros que gastamos em caridade criteriosa são todos providos e compensados pela Lei que opera para o bem.

Como disse o Salmista: “Fui jovem e já estou velho, mas nunca vi um justo abandonado, nem sua descendência mendigando pão[6]. A Lei enunciada por Cristo: “Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça, e todas as outras coisas vos virão por acréscimo.”[7] é tão verdadeira atualmente como o foi quando proferida. Posso assegurar isto por experiência própria e todos os outros que vivem a vida e cumprem os seus trabalhos descobrirão, por si mesmos, que essa Lei é verdadeira. Somente o serviço desinteressado proporciona crescimento.

(Carta nº 79 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: At 8:9-24: — Ora, vivia há tempo, na cidade, um homem chamado Simão, o qual, praticando a magia, excitava a admiração do povo de Samaria e pretendia ser alguém importante. Todos, do menor ao maior, lhe davam atenção, dizendo: “Este é o Poder de Deus, que se chama Grande”. Davam-lhe atenção porque ele, por muito tempo, os fascinara com suas artes mágicas. Quando, porém, acreditaram em Filipe, que lhes anunciara a Boa Nova do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, homens e mulheres faziam-se batizar. O próprio Simão, ele, também, acreditou. E, tendo recebido o batismo, estava constantemente com Filipe, admirando-se ao observar os sinais e grandes atos de poder que se realizavam. Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria acolhera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Estes, descendo até lá, oraram por eles, a fim de que recebessem o Espírito Santo. Pois não tinha caído ainda sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então começaram a impor-lhes as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo. Quando Simão viu que o Espírito era dado pela imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: “Dai-me, também, a mim este poder, para que receba o Espírito Santo todo aquele a quem eu impuser as mãos”. Pedro, porém, replicou: “Pereça o teu dinheiro, e tu com ele, porque julgaste poder comprar com dinheiro o dom de Deus!”. Não terás parte nem herança neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, desta maldade tua e ora ao Senhor, para que te possa ser perdoado este pensamento do teu coração; pois eu te vejo na amargura do fel e nos laços da iniquidade”. Simão respondeu: “Rogai vós por mim ao Senhor, para que não me sobrevenha nada do que acabais de dizer”. Então, tendo dado testemunho e anunciado a palavra do Senhor, eles voltaram a Jerusalém, evangelizando muitos povoados dos samaritanos.

[2] N.T.: Cristo-Jesus voltou a falar-lhes em parábolas e disse: “O Reino dos Céus é semelhante a um rei que celebrou as núpcias do seu filho. Enviou seus servos para chamar os convidados para as núpcias, mas estes não quiseram vir. Tornou a enviar outros servos, recomendando: ‘Dizei aos convidados: eis que preparei meu banquete, meus touros e cevados já foram degolados e tudo está pronto. Vinde às núpcias’. Eles, porém, sem darem a menor atenção, foram-se, um para o seu campo, outro para o seu negócio, e os restantes, agarrando os servos, os maltrataram e os mataram. Diante disso, o rei ficou com muita raiva e, mandando as suas tropas, destruiu aqueles homicidas e incendiou-lhes a cidade. Em seguida, disse aos servos: ‘As núpcias estão prontas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às encruzilhadas e convidai para as núpcias todos os que encontrardes’. E esses servos, saindo pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons, de modo que a sala nupcial ficou cheia de convivas. Quando o rei entrou para examinar os convivas, viu ali um homem sem a veste nupcial e disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial?’ Ele, porém, ficou calado. Então disse o rei aos que serviam: ‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o fora, nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes’. Com efeito, muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. (Mt 22:1-14)

[3] N.T.: Mt 12:46-50 e Mc 3:31-35

[4] N.T.: Lc 14:26

[5] N.T.: Mt 19:29

[6] N.T.: Sl 37:25

[7] N.T.: Mt 6:33

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