porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Impaciência diante dos Grandes Alvos

A Impaciência diante dos Grandes Alvos

Escreveu Max Heindel: “Um dos maiores erros de nossa época é a impaciência contra as restrições”. “Herói verdadeiro não é o que num impulso denodado pratica um ato incomum, senão o que, paciente e perseverantemente vai buscando, dentro de suas possibilidades, dia após dia, alcançar o alvo”.

Isto se aplica a tudo: quer aos assuntos materiais, quer aos espirituais. Mas damos ênfase ao lado espiritual porque muitos estudantes supõem que a meta iniciática seja coisa fácil. E, após um ou vários anos de estudos e esforços comuns, acabam desanimando, porque os resultados não correspondem à sua expectativa. Como esclarece Heindel: “ora, se para chegar a se diplomar médico, leva-se quase vinte anos de estudos, e assim mesmo sem prática, requerendo muito tempo chegar à proficiência, como podemos pretender grandes progressos espirituais após alguns meses ou anos de estudo, se os assuntos da alma são muito mais delicados e complexos”?

Em seu livro “Nossos Conflitos Interiores”, a Dra. Karen Herney salienta que o mais potente fator de frustração e desânimo reside na tentativa de querermos viver a altura de uma imagem irreal visionária de nós mesmos. Cada dia, psiquiatras e conselheiros deparam com milhares de homens e mulheres, cujos problemas emocionais provêm de lacunas intransponíveis, entre sua condição real e a que pretendem ser.

Como disse Shakespeare, o iluminado: “antes de tudo, sejamos honestos conosco mesmos”. Sejamos honestos sim, enfrentando nossa imagem real, com suas virtudes e limitações e buscando alcançar os alvos, dentro das reais possibilidades.

Alguém pode objetar que a insatisfação e a base do progresso humano, e que isto será uma pregação de conformismo. Mas não é o caso. Desejamos fazer entender que, na ascensão do homem velho para o homem novo, todos os dias, devemos escalar os degraus intermediários dos alvos menores, até atingir o alvo maior.
Todos sabem que seria pretensão qualquer novato querer atingir, de início, as marcas de um atleta já treinado: isso requer exercício diário. A mesma regra se aplica a qualquer assunto ou atividade.

Não faz muito tempo, dois médicos de Nova Iorque mencionaram os resultados de seus estudos referentes a jovens empregados de uma indústria, onde constataram futuros distúrbios cardíacos em dois moços que atravessavam tensões emocionais, em razão de trabalhos além de suas possibilidades, para alcançar a curto prazo aspirações muito altas. Há uns quarenta anos, o psicanalista Dr. Alfredo Adler descreveu acuradamente a situação dessas pessoas, dizendo: “esforçar-se para atingir um alvo além dos limites realistas das possibilidades pessoais, resulta em inferioridade e desajustamento”.

Muitos de nós, sem o perceber, vitimamo-nos com idênticos conflitos, olvidando que os alvos da vida se compõem de outros menores. Não nos tornamos virtuosos nem profissionais competentes, de um dia para o outro.

Se alguém nasceu com aptidões invulgares e sobe adiante de nós, não o invejemos: é certo que ele trabalhou em vidas anteriores para conquistar essas capacidades. Sem olhar para os demais, façamos AQUI e AGORA o que nos compete, na medida de nossas forças. O imediatismo e impaciência ante os grandes alvos, prejudicam a segura ascensão pelos degraus que eles conduzem, exaurindo-nos desnecessariamente as energias morais e físicas e produzindo-nos a pior das fadigas: a psicológica, acompanhada de insatisfação, depressão, frustração, desânimo.

A melhor receita é “fazer todas as coisas como se fossem para Deus (dentro de nós), desapegando-nos dos resultados”. Se, nesse espirito, diligenciamos no cumprimento das tarefas ou das etapas de um Ideal QUE PODEM SER REALIZADAS AQUI E AGORA, com o esforço normal, com o equilíbrio e eficiência normais, então obteremos a satisfação que advém de um trabalho DEVIDAMENTE CONCLUÍDO.

“A aceitação de si mesmo – escreveu a psicanalista Antônia Wenkert – abre caminho para o espírito de iniciativa e criatividade”. Pena é que essa aceitação não se verifica facilmente neste século XX de competição e materialismo, no qual, o símbolo peculiar de coragem e. êxito é o anseio de grandes realizações, conquistadas ainda que a expensas da saúde e de princípios cristãos.

Não nos deixemos iludir por falsos conceitos. Um dos segredos da felicidade humana reside na aptidão de dar flexibilidade à imagem que fazemos de nós mesmos, realizando TODOS OS DIAS, DA MELHOR FORMA QUE PUDERMOS, NOSSO TRABALHO DE ADMINISTRAÇÃO DOS TALENTOS DE DEUS, sem olhar para os resultados nem para a apreciação que os outros possam de nós fazer.

Então verificaremos, surpresos, que esse desapego aos resultados e méritos, essa dedicação ao Eu superior, vão nos tornando, gradativamente, em canais de inspiração e direção divinas, capazes de realizar, naturalmente, tarefas que humanamente nos seriam impossíveis. E diremos humildemente: «não sou eu quem faz as obras (a natureza humana, com sua mente, emoções e capacidades físicas), senão o Pai em mim (o Infinito tornado finito em nós, o Cristo interior). E quando menos esperamos, surge o alvorecer.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/1971)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Jardim da Fantasia

O Jardim da Fantasia

A Lua surgiu vagarosamente sobre a montanha e começou a observar um grupo de alegres flores coloridas que cresciam num velho jardim.

Quando a Lua viu a Libélula-Azul, por quem estava procurando, sua face redonda adquiriu mais brilho e disse:
– Libélula-Azul, é hora de levantar-se.

Libélula-Azul estava dormindo no miolo de uma Rosa-cor-de-rosa, mas quando a Lua lhe falou, ela moveu um pouco suas asas e continuou dormindo.

– É desse modo que você se comporta quando eu a chamo? Sorriu zombeteiramente a Lua, enquanto olhava para sua amiguinha delicada, de quem gostava tanto. Eu vou brilhar mais forte para ver se isso acorda você, acrescentou, enquanto enviava a ela um raio mais forte.

Libélula-Azul abriu um olho, fechou-o novamente e continuou a dormir.

A Lua ficou perplexa e disse:

– Meu Deus, será que aconteceu alguma coisa? Ela geralmente se levanta assim que a chamo!

– Não, está tudo bem, respondeu a Rosa-cor-de-rosa, em cujo miolo ela dormia. Eu quis que ela ficasse aqui, por isso dei-lhe uma grande dose de perfume para fazê-la dormir por mais tempo; quando eu a acordar, terá esquecido tudo sobre seu trabalho e ficará comigo. Por favor, vá embora e deixe-nos sozinhas.

A Rosa-cor-de-rosa se fechou de tal forma, que a Lua percebeu que não adiantaria mais argumentar com ela, pois a pequena Rosa dobrou suas pétalas em torno da Libélula-Azul como uma cortina, que a escondeu completamente da vista.

– Bem, bem, murmurou a Lua para si mesma, naturalmente não culpo a Rosa por amar a pequena companheira, pois todas nós a amamos, porém não há motivo para mantê-la só para si mesma. Eu não pensei que a Rosa-cor-de-rosa fosse tão egoísta. De qualquer forma já que a Libélula-Azul me pediu para acordá-la, devo fazer isso e ver se ela vai trabalhar; mas como posso fazê-lo?

A Lua permaneceu quieta por alguns minutos, desejando saber quem poderia ajudá-la. Então, seus olhos se dirigiram para uma pequena vila, não muito distante.

– Alô, Brisa, ela disse, dirigindo-se a um pequeno sopro de vento, vejo que você está fazendo suas travessuras como sempre.

– Sim, respondeu Brisa sorrindo, estou tentando tirar o chapéu daquele velhinho. Veja! E deu um forte sopro quase conseguindo derrubar o chapéu. Entretanto, o velhinho era bem rápido e pegou seu chapéu a tempo.

Brisa era persistente e gostava de fazer as coisas a seu modo. Riu e disse:

– Desta vez você conseguiu, companheiro, mas ainda vou pegar o seu chapéu.

Assim, depois de esperar alguns segundos, Brisa deu outro sopro inesperado; mas ainda desta vez o velhinho foi mais rápido e o vento não levou o seu chapéu.

Após observá-la por algum tempo, a Lua sussurrou misteriosamente:

– Brisa, conheço alguém com quem você poderá se divertir muito mais.

Verdade? replicou Brisa, virando-se para a Lua.Penso que vai ser bem difícil, pois estou me divertindo muito aqui.

Então, a Lua brilhou mais intensamente, pois ela viu algo que Brisa não tinha visto. Nesse momento, o velhinho subiu as escadas que conduziam a uma grande casa, abriu a porta e entrou.

A Lua, que gostava de uma brincadeira, deu uma piscada de olhos e maliciosamente disse:

– Talvez seja melhor você permanecer aqui, pois certamente está se divertindo muito. Vou procurar o seu primo.

Brisa deu um salto e respondeu:

– Sim, penso que é melhor, mas obrigado pela oferta. Até logo, disse soprando ao redor para continuar suas travessuras.Quando percebeu que o velhinho não estava mais lá, tornou-se muito brava e gritou.

– Por Deus, onde ele foi?

– Atrás daquela porta verde, no alto daquela escada, disse a Lua, com um doce sorriso. Agora você pode vir comigo.

Brisa contorceu-se com muito mau humor, mas vendo que nada podia ser feito explodiu numa gostosa gargalhada e respondeu:

Tudo bem comigo. Agora estou pronta para arreliar alguém de maneira nunca vista, e deu muitas piruetas.

– Isso é bom, disse a Lua, eu quero que você acorde a Libélula-Azul, porque a Rosa-cor-de-rosa deu a ela uma dose extra de perfume. Você deve soprar em torno dela para fazê-la tremer. Assim, talvez, seu leito macio não lhe pareça tão confortável. Ela mora perto daqui no jardim da Senhora Brown; tenho certeza de que você já esteve lá muitas vezes.

Brisa deu uma nova gargalhada e disse:

– Sim, já estive. Eu me diverti muito a semana passada provocando aquela simpática e gorda senhora. Estou muito feliz por ter uma desculpa para voltar lá e renovar nosso relacionamento. Estarei lá em poucos minutos.

– Muito bem, disse a Lua, dirigindo-se para o Jardim.

Poucos minutos depois, Brisa soprou, toda brincalhona e indo de flor em flor, chamava:

– Libélula-Azul, onde está você?

A Lua olhou as piruetas de Brisa por alguns minutos e disse:

– É possível que eu possa dizer-lhe onde está a Libélula-Azul.

– Naturalmenteque pode, replicou Brisa, enquanto dançava suavemente em volta de uma rosa, mas eu não quero que você me diga nada, pois estou me divertindo muito com esse jogo de esconde-esconde.

Depois, ela se agarrou a outra rosa que sacudiu com força, dizendo:

– O leito perfumado da Libélula-Azul está escondido no seu miolo, Rosa-Real?

– Não, a Libélula-Azul não me deu o prazer de sua companhia. Siga seu caminho, você está perturbando minhas pétalas, respondeu a Rosa-Real num tom irritado.

– Minha querida, Brisa sussurrou provocante, você parece muito mais atraente quando está irritada. Na verdade, eu preciso afrouxar suas pétalas um pouco mais, e deu-lhe uma outra sacudidela brincalhona.

– Vá embora, mal-educada, ou vou picar você, disse a Rosa-Real toda agitada.

– Minha querida, seu temperamento espinhento não pode me machucar. De fato, quanto mais você me provoca, mais eu me divirto e mais gosto de perturbar você, e Brisa sacudiu-a tanto, que sua tola dignidade desapareceu.

Brisa dançou alegremente em volta da Rosa-Real dizendo:

– Agora você parece mais uma Rosa-Real. Mas, devo ir porque se ficar com você, vou gostar muito de você e não será bom para Brisa apaixonar-se por alguém. Adeus, querida, disse Brisa airosamente, enquanto continuava suas travessuras em outro lugar.

– Que companheirona gozada ela é, pensou a Lua.Talvez demore muito até ela encontrar a Libélula-Azul; acho que não foi a melhor coisa trazê-la aqui. E nem é preciso falar nos estragos que ela pode fazer. Gostaria de saber como devo agir agora.

A Lua olhou em torno do jardim para ver se encontrava alguma solução para o seu problema. De repente, viu a advogada do jardim, a Coruja Marrom, parada na porta de sua casa, no tronco oco de um velho carvalho.

– Certamente ela poderá me dar um conselho, pensou a Lua. Assim, ela disse:

– Coruja Marrom, gostaria de saber se você pode me conceder um pouco de seu precioso tempo num caso de grande importância.

Coruja Marrom apresentou-se com muita dignidade piscando seus olhos muitas vezes, com uma inclinação de cabeça, respondeu vagarosamente:

– Fico sempre, contente em servi-la, Madame Lua.

Qual é o problema?

– Obrigada, disse a Lua, tinha certeza que poderia ajudar-me. Aconteceu uma coisa terrível. A Libélula-Azul foi sugada pela Rosa-cor-de-rosa, que se tornou muito egoísta e quer mantê-la consigo. Trancou-a no seu miolo e a mantém dormindo com seu perfume.

A Coruja acomodou-se confortavelmente e fixando seus grandes olhos redondos na Lua, disse, pausadamente:

– Você fez bem em me procurar; este é um assunto muito sério, e é necessário que se pense com muita cautela.

Sou realmente a figura mais indicada para lidar com um caso tão melindroso. Por favor, retire-se; preciso ficar sozinha para deliberar sobre esse acontecimento de uma forma calma e cuidadosa.

Sabendo que Coruja Marrom orgulhava-se do seu método “vagaroso, mas seguro” de pensar, a Lua agradeceu e acrescentou enfaticamente:

– Libélula-Azul tem um trabalho muito importante a fazer, e deve ser acordada na próxima meia-hora.

Aprumando-se mais, a Coruja disse:

– Por favor, não tente apressar-me, pois é contra minha natureza pensar num assunto com pressa. Estou certa de que Libélula-Azul não parou para pensar antes e entrar no miolo da Rosa-cor-de-rosa. Eu sempre disse que ela é muito precipitada, e eu…

Uma vez iniciado esse assunto, a Coruja continuaria por horas se encontrasse alguém para ouvi-la, mas, sabendo que o tempo era precioso, a Lua apressou-se em interrompê-la:

– Sim, eu sei como você se sente sobre tal assunto, Coruja Marrom, mas eu repito que se você não encontrar uma solução em 30 minutos, seu pensamento de nada adiantará, e foi embora bem aborrecida.

Com uma expressão triste em seus grandes olhos amarelos, a Coruja vagarosamente abanou sua cabeça e tranquilamente entrou em sua casa para ponderar sobre o assunto, de seu próprio modo.

Nesse momento, a Lua viu a Abelha-Mel e surpreendeu-se de vê-la a tal hora.

– Pelo amor de Deus, o que você está fazendo fora de sua colmeia? perguntou a Lua. Todas as boas abelhas devem estar em casa a essa hora da noite.

– Quieta, sussurrou a abelha. Por favor, não fale tão alto. Sei que o que você diz é verdade, mas estava tão cansada de fazer mel que resolvi brincar um pouco.

Muito séria, a Lua disse:

– O que aconteceria se a Mãe-Natureza a visse?

– Oh, por favor, não conte nada a ela, implorou a Abelha-Mel, olhando a sua volta nervosamente.

A Lua sorriu, dizendo:

– Eu nunca fui delatora, a menos que seja obrigada a isso. Mas, talvez tenha sido uma boa ideia você deixar a colmeia, pois necessito de alguém para ajudar-me e acho que você poderá fazê-lo.

– Sim, se eu puder ajudá-la ficarei feliz em fazê-lo, replicou a Abelha-Mel muito aliviada.

Então, a Lua falou-lhe sobre Libélula-Azul, acrescentando:

– Se você puder entrar nas pétalas da Rosa-cor-de-rosa e zumbir bem alto, acho que poderá acordá-la.

– Meu Deus, a abelhinha respondeu vivamente. Que criaturas estranhas são as rosas; você nunca sabe qual será sua atitude. Certamente devemos fazer algo com rapidez. A situação necessita ações e raciocínios ágeis, e eu sou a indicada para isso. Voarei já para lá e exigirei que a Rosa-cor-de-rosa solte Libélula-Azul imediatamente. Se ela recusar, eu direi a ela que nenhuma abelha irá visitá-la mais e que isso será uma grande desgraça.

E assim, ela se foi voando.

A Lua, com um olhar de desespero, a viu partir.

– Estou certa que ela não terá êxito, murmurou a Lua com tristeza. A Abelha-Mel age muito rapidamente e a Coruja muito vagarosamente; que pena que não possam ser colocadas num saco e sacudidas juntas. Só há uma coisa a

fazer: devo tentar encontrar alguém para ajudar-me.

Após pensar um momento, sua face redonda brilhou com prazer.

– Que estupidez a minha, perder todo esse precioso tempo, ela exclamou. Por que não pensei no Pássaro-Amor?

Ele é o único que me pode ajudar. É sempre tão charmoso e tem maneiras tão cativantes! Faz mais por manter o jardim em ordem do que qualquer outro ser.

Virando seus raios luminosos para os galhos delgados de um lindo chorão no canto do jardim, a Lua chamou suavemente:

– Pássaro-Amor, sinto muito perturbá-lo, mas há um assunto sério que necessita solução; você sempre nos ajuda tanto quando as coisas estão erradas, que achei melhor recorrer a você para ajudar-me.

O Pássaro-Amor olhou para a Lua e respondeu numa voz suave e feliz:

– Você sabe, Madame Lua, não há nada que eu aprecie mais do que desfazer uma complicação; diga-me o que aconteceu.

À medida que o Pássaro-Amor ouvia a história, um olhar tristonho surgiu em seus olhos e inclinando sua cabecinha para o lado, disse:

– Pobre Rosa-cor-de-rosa, será que ela não percebe que nunca será feliz aprisionando e guardando só para si Libélula-Azul? Eu irei lá imediatamente, conversarei com ela e vou mostrar-lhe um caminho melhor.

Então, beijando sua pequena companheira ao seu lado, e dizendo a ela onde ia, o Pássaro-Amor voou em direção à Rosa.

– Finalmente, achei quem tem todas as condições para resolver este caso, pensou a Lua, dando um grande suspiro de alívio.

Quando Pássaro-Amor chegou à Rosa-cor-de-rosa, ele pôde ouvir a Abelha-Mel que falava, zumbia e ameaçava. Mas, quanto mais barulho ela fazia, mais a Rosa-cor-de-rosa fechava suas pétalas e se recusava a ouvir.

Finalmente, Abelha-Mel virou-se para a Lua dizendo numa voz desgostosa:

– Fiz tudo o que me foi possível para que a Rosa-cor-de-rosa me ouvisse. Se eu não puder fazer nada com ela, ninguém mais pode, assim penso que você é tola em perder mais tempo tentando salvar Libélula-Azul. De qualquer forma, tenho mais a fazer. Até logo, e foi embora.

– Até logo, disse a Lua. Espero que a Mãe-Natureza não a veja, acrescentou pensativamente.

Pássaro-Amor pousou num galho perto da Rosa-cor-de-rosa e começou a arrulhar suavemente. Depois de alguns minutos, a Rosa-cor-de-rosa afrouxou um pouco suas pétalas, e enviou-lhe um sopro de perfume, como saudação amiga. Pássaro-Amor não deu atenção a isso, mas continuou com seu arrulhar. Ele parecia ter um poder mágico, pois a Rosa-cor-de-rosa gentilmente abriu suas pétalas dizendo:

– Como você é charmoso, passarinho; seu canto é tão acariciante. Não entendo o que você está dizendo, mas tenho certeza de que é algo maravilhoso.

– Sim, o amor é sempre maravilhoso, respondeu gentilmente Pássaro-Amor.

Amor! O que você sabe sobre isso? Perguntou a Rosa-cor-de-rosa numa voz desanimada.

– Muito, e isso me faz muito feliz, respondeu o Pássaro-Amor, chegando um pouco mais perto.

A Rosa-cor-de-rosa deu um profundo suspiro e sussurrou tristemente:

– Eu também era muito feliz antes de amar Libélula-Azul. Eu a prendi em meu miolo com medo de que alguém a tire de mim e, desde então, tenho sido muito infeliz.

A Rosa-cor-de-rosa deu um outro suspiro e duas gotas de orvalho caíram de seus olhos.

– Minha querida, disse o passarinho, a razão da sua infelicidade é que você tentou manter Libélula-Azul só para você mesma. Isso é algo muito egoísta e você sabe que o egoísmo roubará sua beleza, fará com que fique mal-humorada, murcha e não mais terá esse perfume delicioso para enviar a seus admiradores. Então, Libélula-Azul a abandonará. Se você aceitar o meu conselho, querida, envie Libélula-Azul de volta para o seu trabalho, pois todos devemos contribuir para manter nosso jardim bonito. Enquanto ela estiver longe, envie seu perfume mais doce e você será mais admirada, pois isso foi o que a Mãe-Natureza planejou para você. Garanto que Libélula-Azul voltará. 

Quando descobrir o quanto você esteve ocupada, como fez bem o seu trabalho, amará você mais do que nunca.

– É verdade? A Rosa-cor-de-rosa suspirou cheia de esperança.

– Sim, é a pura verdade, sorriu o Pássaro-Amor.

– E agora que você conhece o segredo da felicidade e como manter sua beleza, eu devo partir.

Suavemente foi embora.

Assim que a Rosa-cor-de-rosa viu Pássaro-Amor desaparecer sobre o topo das árvores, uma luz radiante brilhou em sua face. Então, desdobrando suas pétalas muito gentilmente, deixou o ar frio da noite tocar ligeiramente o seu pequeno amor. Depois de um momento sussurrou ternamente:

– Libélula-Azul, é hora de ir para seu trabalho.

– Meu Deus, disse Libélula-Azul, sonolenta, penso que sim. Sabe, Rosa-cor-de-rosa, eu realmente acredito que você deve ter algum poder mágico, pois nunca tive um sono tão repousante.

Com um olhar de admiração, acrescentou:

– Gostaria que você soubesse como você fica linda à luz do luar e como é doce o seu perfume! Quando terminar o meu trabalho voltarei para vê-la, se você me permitir.

A Rosa-cor-de-rosa estava tão feliz que nem percebeu Brisa que, soprando em sua face, disse:

– Talvez você seja a Rosa, minha belezinha, que trancou a Libélula-Azul no seu miolo e não a deixou ir para seu trabalho. Você viu como é errado fazer isso? Continuou Brisa, dando na Rosa-cor-de-rosa uma sacudidela gentil.

– Eu não percebi o erro até que alguém me mostrou um caminho melhor, respondeu a Rosa-cor-de-rosa calmamente. Daí eu a soltei.

Brisa girou e volteou, entrando em fúria, enquanto gritava:

-Ora, fui enganada outra vez. Agora vou aprontar alguma travessura! – e esvoaçou para longe.

Quando a Rosa-cor-de-rosa viu Brisa sair em tal estado, enviou a ela seu mais doce perfume e com um olhar vivo, sorriu para si mesma, dizendo:

– Espero que o Pássaro-Amor lhe faça uma visita muito em breve, Brisa. Tenho certeza de que isso lhe fará muito bem.

Antes mesmo que Brisa desaparecesse, surgiu a Coruja Marrom e se colocou numa árvore próxima. Dirigindo seus olhos melancólicos para a Rosa-cor-de-rosa, anunciou solenemente:

Rosa-cor-de-rosa, ouvi dizer que você quebrou a lei do jardim tirando de seu trabalho Libélula-Azul e depois de pensar bastante, eu…

– Sei que o que você vai dizer é muito sábio, Advogada do Jardim, interrompeu Rosa-cor-de-rosa docemente, mas você está muito atrasada. O Pássaro-Amor esteve aqui antes de você. Ele me disse o que era certo fazer, de uma maneira tão bela e gentil, que eu soltei Libélula-Azul para que ela pudesse realizar o seu trabalho.

Coruja Marrom piscou seus olhos amarelos de uma forma confusa e após levar um tempo para pensar no que a Rosa-cor-de-rosa lhe dissera, respondeu numa voz desanimada:

– Todo o meu raciocínio cuidadoso foi perdido.Too… Voo para você.

E, batendo pesadamente as asas, voou para casa querendo saber por que alguém sempre se adiantava a ela.

A Rosa-cor-de-rosa não pôde deixar de sentir-se um pouco triste pela Coruja Marrom:

-É triste pensar que todo o raciocínio da Advogada Coruja não serve para nada, acrescentou com um olhar travesso.

Então, olhou para a Lua e enviou-lhe seu mais doce perfume, enquanto sussurrava:

– Eu dei trabalho para você, Madame Lua, mas não me sinto mal por isso. Eu sei que você adora tornar os namorados felizes, portanto, você também teve prazer em tentar nos ajudar.

Com um alegre piscar de olhos, a Lua respondeu. Você está certa, minha querida, mas lembre-se: mantenha-se ocupada, e manterá sua beleza. Boa noite, minha pequenina Rosa-cor-de-rosa.

Com um largo sorriso na sua face calma e redonda, a Lua desapareceu atrás da árvore mais alta do jardim.

(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. II – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por favor digam-me alguma coisa a respeito dos Espíritos da Natureza. Já foram eles vistos por alguém?

Pergunta: Por favor digam-me alguma coisa a respeito dos Espíritos da Natureza. Já foram eles vistos por alguém?

Resposta: Existem diferentes classes de Espíritos da Natureza com estados de consciência correspondentes. Aqueles que nos são mais familiares são os Gnomos, as Ondinas, os Silfos e as Salamandras. Os Gnomos são espíritos da terra, chamados folcloricamente de duendes, anões, fadas, etc.

Seus corpos são compostos principalmente de Éter Químico combinado com pequena quantidade de Éter de Vida.

Não voam, são terrestres. Podem ser queimados. Envelhecem como acontece com os seres humanos, vivendo somente umas poucas centenas de anos. Os Gnomos trabalham com o Reino Vegetal, dando-lhe o verdor e as estonteantes variedades e coloridos das flores. Talham os cristais e fazem as pedras preciosas, ordenando ainda as partículas minerais na formação do ferro, prata, ouro etc. Seus próprios alimentos etéricos, eles os assam e cozinham.

As Ondinas são espíritos da água. Habitam os córregos, os rios e todo corpo aquoso. Seus corpos compõem-se dos Éteres de Vida e Luminoso.

Sua longevidade é maior do que a dos Gnomos, chegando a viver milhares de anos.

Os Silfos são os espíritos do ar. Seus corpos compõem-se também dos Éteres de Vida e Luminoso, estando sujeitos também a mortalidade. Sua vida têm a duração de milhares de anos.

As Ondinas separam as águas na superfície do mar nas pequeníssimas partículas de vapor que os Silfos levam para o ar, tão alto quanto seja necessário para a condensação em nuvens. Os Silfos mantêm as nuvens reunidas, até que forçados pelas Ondinas, libertem-nas. As batalhas travadas no ar entre essas duas classes de Espíritos da Natureza chamamos de tempestades.

Os espíritos do fogo ou Salamandras, também participam dessas batalhas aéreas. Suas atividades produzem o fogo, estando assim presentes nas descargas elétricas as quais chamamos relâmpagos. O contato desse vapor d’água com o frio do ar, dá origem às partículas que as Ondinas juntam com outras e arrojam triunfalmente sobre a terra na forma de chuva.

Os corpos das Salamandras também duram milhares de anos e são compostos de Éter Refletor.

Esses Espíritos da Natureza são sub-humanos, entretanto em circunstâncias diferentes, atingirão o estágio evolutivo correspondente ao humano.

As quatro classes trabalham com nossa própria onda de Vida, prestando serviço inestimável.

Os Espíritos da Natureza já tem sido visto por muitas pessoas dotadas de visão etérica. Câmaras fotográficas munidas de filmes sensíveis estão em condições de fotografá-los.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/1971)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Da Utopia a Realidade: por que algumas pessoas acham que a atualidade é o próprio Apocalipse

Da Utopia a Realidade: por que algumas pessoas acham que a atualidade é o próprio Apocalipse

Mesmo contrariando a expectativa da maior parte das pessoas, para quem a atualidade é o próprio Apocalipse, conservamos inabalável nossa fé no futuro da humanidade.

Não é fácil, concordamos, manter o otimismo em meio a tantas crises, violências e temores. São de tal monta as mazelas que, à visão do ser humano comum, qualquer saída se tornou uma impossibilidade.

Nós, entretanto, não compartilhamos desse pessimismo generalizado. Analisando os fatos e, procurando seu significado à luz dos ensinamentos esotéricos percebe-se a existência de um caminho. A humanidade já arrastou crises no passado e sempre encontrou a luz no fim do túnel.

Temos a plena convicção de que justamente sobre os escombros das mazelas atuais erigir-se-á uma nova sociedade mundial: mais justa, fraterna e espiritual. As experiências dolorosas do presente servirão de base para a formação de um ser humano mais elevado, em todos os aspectos.

Uma coisa é certa: o momento que atravessamos é o mais grave de todos aqueles vividos em nossa caminhada evolutiva. Encontramo-nos estertores da Idade de Peixes, já sentindo as vibrações de Aquário. É uma fase de transição. E, como foi acontecer nas transições, tudo parece despencar para um caos absoluto. O Planeta Plutão iniciou, em 1984, seu trânsito pelo signo de Escorpião, devendo percorrê-lo por vários anos. Sua influência será notada em nossa atitude em relação à riqueza, poder, sexo e aos talentos individuais e coletivos. Representa a necessidade de transformar, regenerar, reencetar. Seu propósito é trazer a superfície, destruir, eliminar, transmutar, intensificar, adicionar nova dimensão, purgar, renovar.

Ação desse Planeta far-se-á sentir através de mudanças na consciência das pessoas. E só por meio de mudanças drásticas as estruturas piscianas, já em franco processo de deterioração, darão lugar a outras mais arejadas e capazes de conduzir-nos com segurança à idade de Aquário.

Insere-se nessa preparação para a nova era um verdadeiro tratamento de choque para os menos desenvolvidos. Mesmo para os espiritualistas o processo é doloroso, pois a ele cabe a tarefa de autorregenerar conscientemente, tornando-se apto para ajudar seus irmãos mais atrasados. Amor e paciência, coragem e espírito de sacrifício são algumas das qualidades indispensáveis à realização desse grande trabalho. A esse respeito Max Heindel assim se manifestou no Conceito Rosacruz do Cosmos: “O coração sente e reconhece a verdade de que somos irmãos, e de que a desgraça de um é realmente sentida por todos, embora nos esqueçamos disso em meio às lutas do cotidiano. Tais incidentes são indicadores da direção evolutiva. Depois da razão o ser humano será dominado pelo amor que, atualmente, age independentemente e, às vezes até contrariando os ditames daquela. Essa anomalia ocorre porque atualmente o amor é raras vezes altruísta e nem sempre nossa razão é certa. Na Nova Galileia o amor far-se-á altruísta e a razão aprovará seus ditames. A Fraternidade Universal, realizar-se-á plenamente e cada um trabalhará pelo bem de todos. O egoísmo será coisa do passado”.

Para os mais céticos isso tudo não passa de uma tola utopia, um sonho de visionários. Esquecem-se, porém, que as maiores conquistas do ser humano nasceram de sonhos aparentemente irrealizáveis. A saga da família humana também foi assim: de “homens das cavernas” passamos a “homo sapiens” e daí chegaremos a “homens cósmicos”.
As utopias acalentadas desde Licurgo, na Antiguidade, tornaram-se quase todas uma realidade. O ser humano cresceu a despeito de si mesmo. Os escravos da Antiguidade converteram-se nos servos da Idade Média e estes agora são os operários da Idade Contemporânea.

Das trevas medievais partimos para o esplendor renascentista. Do feudalismo caminhamos para o Absolutismo e deste para as monarquias constitucionais e modernas democracias. Os ideais das Revoluções Francesa e Americana alastraram-se irresistivelmente, inspirando novas formas de governo. Foi aprovada a Declaração dos Direitos Humanos. Surgiu a ONU. Os povos asiáticos e africanos ganharam liberdade política, faltando apenas conquistarem a econômica. O Papa João XXIII, desencarnado em 1963, afirmou profeticamente que no final deste século três realidades seriam bem evidentes: a descolonização total, a ascensão da mulher e a das classes trabalhadoras. E não é o que está acontecendo?

Por mais evidente que seja tudo isso, a humanidade vive momentos de apreensão e sofrimento, dividida como se encontra entre duas forças: o Capitalismo e o Comunismo. Não podemos falar em Capitalismo sem reportar-nos à Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII. Foi um dos fatos que marcaram a conquista do mundo físico pelo ser humano, caminho esse já previsto pelas Hierarquias Divinas. A Revolução Industrial gerou uma economia industrializada e a ocupação do espaço urbano em escala crescente, promovendo transformações sociais de grande profundidade. O crescimento industrial é a parte essencial e o eixo ideológico principalmente do moderno Capitalismo.

Infelizmente esse processo de transformação da sociedade sofreu os efeitos do egoísmo humano. Logo nos seus primórdios surgiram Grandes distorções como, por exemplo a jornada de trabalho de 14 horas, os camponeses expulsos de suas terras, os salários de fome, exploração de mulheres e crianças.

(Publicado na revista ‘Serviço Rosacruz’ – 01/86)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Cristo dos Místicos

O Cristo dos Místicos

“Levantai, ó príncipes, as vossas portas; levantai-vos, ó portas eternas e entrará o Rei da Glória” (Sl 23:9).

Esta passagem do Hino para Sião, tomada dos Salmos — o livro de louvores — considerado o mais proeminente das Escrituras do Antigo Testamento, pode ser utilizada com relação ao mistério de Cristo.

Os judeus, da mesma forma que outras nações com suas crenças religiosas, esperam a vinda do Salvador, também chamado Ungido, Cristo ou Messias. Naquela época era reverenciado Jeová, Senhor das Batalhas e o Criador da Forma.

Assim, devido ao domínio da forma, Cristo precisou ocupar uma forma humana, principalmente porque a mente encontrava-se em seu estado mineral. A humanidade não podia ter uma ideia diferente de Deus, fato que ainda prevalece, embora atualmente esteja sendo aberto o caminho para uma ideia mais realista por meio da evolução mental. Isto foi exposto por São Paulo, o pregador místico, revelando o segredo básico do Cristianismo: Cristo pode ser em verdade formado em nós, e só assim alcançaremos o dia em que o Ungido esteja conosco.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, no que concerne à evolução do ser humano, explicam o nascimento, crescimento e desenvolvimento dos diferentes corpos e seus Átomos-semente, cujas distintas forças operam através desses corpos, tudo numa ordem natural e consecutiva.

Estamos procurando, conscientemente ou não, construir um novo corpo, o corpo etérico, no qual seu Átomo-semente torne-se ativo. Como funcionamento deste veículo, o poder do Cristo pode penetrar-nos fazendo nascer em nós o Menino-Cristo, o segundo aspecto de Deus; deste modo Cristo toma o comando.

O místico Angelus Silesius exclama: “ainda que o Cristo nasça mil vezes em Belém, se não nascer dentro de ti mesmo, tua alma segue extraviada”.

Antes que possamos agir como verdadeiros cristãos, expressando o Espírito de Vida consciente interno, temos que construir esse corpo, o Dourado Manto Nupcial, formado pelos dois Éteres superiores (Luminoso e Refletor) através do qual o Espírito deve funcionar. Este Corpo, chamado de Corpo-Alma, converte-se no ponto de maior importância para nós, desenvolvendo-se, evoluindo e sendo alimentado pelo Poder do Amor, que busca sua manifestação por meio do Serviço (pois quando amamos, buscamos servir). Todas as coisas criadas, quer nos apercebemos ou não, servem de algum modo, o que constitui seu propósito de existência.

Quando o Sol passa pelo Signo de Câncer, que tem por Regente a Lua, estudamos a atividade do espírito em favor da alma. Por outro lado, quando o Sol está em Leão, e domina a influência lunar, a alma serve ao espírito. Esta é a época propícia para a construção do corpo, ou seja, da forma, pois graças à poderosa força solar, o espírito age sobre o corpo visando o futuro desenvolvimento da alma.

O crescimento e força da manifestação física são necessários para conter um maior influxo das mais sutis e maiores atividades do poder do Cristo quando retorna em setembro de todo ano. O Sol estando em seu apogeu fisicamente objetivado e espiritualmente subjetivado, prepara a alma para o seu futuro desenvolvimento.
Portanto, é por meio da compreensão intelectual das coisas místicas que levantamos nossas cabeças e abrimos nossos corações, às portas eternas permitindo que o Rei da Glória, Cristo, penetre em nós para converter-nos em cristãos, no verdadeiro sentido da palavra.

O Signo Leão, regente do coração – a sede do amor – simboliza o Rei, sendo, por isso, nesta época de nossa evolução, o grande poder emocional do Amor o verdadeiro Rei, um Supremo Governador. O Amor como causa produz como efeito o Serviço, e essa causa e efeito em atividade constante constituem o mistério do precioso traje de Cristo, (o “Soma Psuchicon”) citado por São Paulo como um veículo independente utilizado para voos anímicos, numa vida melhor e mais útil. Este Corpo-Alma não deve ser confundido com a alma que o interpenetra, pois, essa alma possui uma sutileza tal que somente pelo espírito de introspecção poderemos senti-la. É através dela que percebemos o atraente poder do Pai que está nos Céus, o impulso interno que todo aspirante conhece tão bem e que faz com que o Corpo-Alma resplandeça.

Recordemos, entretanto, que é o Sol, o espírito que representa o poder, força ou energia trabalhando sobre o corpo, o responsável pela alma, e que na época em que está em sua plenitude é que precisamos aprender com suas atividades. O Livro “Conceito Rosacruz do Cosmos” informa-nos que no Período Solar os Senhores da Sabedoria irradiaram de si mesmos o germe do Corpo Vital, capaz de fomentar crescimento e faculdades, as quais estão se desenvolvendo no presente.

Iniciaram este trabalho na segunda revolução daquele período e o continuaram até a sexta revolução. Nessa revolução os Querubins despertarem o germe do segundo aspecto do Tríplice Espírito no ser humano, o Espírito de Vida, ou seja, o princípio Crístico.

No Período Lunar os Senhores da Individualidade irradiaram de si mesmos o germe do Corpo de Desejos, incorporando-o com o Corpo Vital, e mais tarde os Serafim despertaram o germe do Espírito Humano no ser humano.

No Período Terrestre; o qual estamos agora, permanecemos sob a proteção dos Anjos, mestres apropriados ao ser humano e exímios na construção do Corpo Vital, pois eram a humanidade quando o éter era a condição mais densa da matéria. Já passamos o arco descendente da involução e agora estamos ascendendo pela evolução com a faculdade da Epigênese.

Estamos atravessando as camadas mais densas para chegar às mais sutis, ou seja, iremos do reino puramente físico para o etérico, especializando o Corpo Vital (cujo extrato é a Alma Intelectual) e o Espírito de Vida, que é o Ser Crístico. Esta é a nossa primeira e mais importante meta como seguidores de Cristo.

O Corpo Vital está radicado no baço e não possui poder em si mesmo, funciona como canal por meio do qual se introduzem as forças solares no corpo físico. Também determina a direção na qual certa força é utilizada, sendo que esta força deve vir de fora. Pelo poder do Amor, erguemos pontes e abrimos “portas eternas”, fazendo com que o Cristo venha e habita em nós, permitindo assim que brilhe nossa luz ante os seres humanos, afim de que sejam vistas as boas obras e seja o Pai glorificado nos céus.

No passado, os Corpos de Desejos da humanidade mais avançada se dividiram em superior e inferior, ficando mais apropriado para hospedar o Ego. Hoje estamos dividindo o Corpo Vital em superior e inferior, sendo a parte superior chamada de Dourado Manto Nupcial, o qual permite ao Rei da Glória, Cristo, com o poder do Amor, funcionar dentro de nós mesmos.

Desta semente é que brotará a verdadeira vida e crescerá em força e beleza no decorrer do tempo, desde que seja alimentada pelo Amor em seu mais elevado aspecto: com o sacrifício da carne pelo espírito, pois que está dito que “não podemos servir a Deus e a Mamon”.

A Lei de Conservação deve dar lugar ao respeito pela vida dos demais. A construção do Corpo solar dourado do Espírito de Vida se adquire mais facilmente através da experiência purgatorial do Exercício de Retrospecção, pelo qual se diz que “tomaremos o reino dos céus por assalto”.

Somente através dos atos de amor e bondade, de forma desinteressada é que construiremos o Vestido Crístico de Vida – o Dourado Manto Nupcial. Somente este serviço amoroso e desinteressado traz as mais ricas recompensas, pois os Exercícios não constroem alma, enquanto que o Serviço faz com que o processo de assimilação de experiências da vida, seja transmutado em poder anímico.

“Senhor, ajuda-me a viver dia a dia
De tal maneira desinteressada,
Que quando ajoelhado para orar,
Para o próximo minha oração seja ofertada”.

“E a cidade não necessita de Sal nem de Lua, para que nela resplandeçam, porque a Glória de Deus já a tem iluminado; e o Cordeiro é sua lâmpada” (Apo 21:23).

(Publicado na revista “Serviço Rosacruz” – 01/86 – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual o propósito da divisão dos sexos?

Pergunta: Qual o propósito da divisão dos sexos?

Resposta: A divisão dos sexos foi efetuada num estágio bem antigo da evolução humana, quando o ser humano ainda não tinha cérebro ou laringe. Metade da força criadora foi, então, dirigida para cima, para que estes dois órgãos pudessem ser construídos.

O cérebro foi criado com o intuito de permitir a evolução do pensamento, que torna o o ser humano capaz de criar no Mundo Físico. Casas, cidades, navios, ferrovias, tudo quanto é realizado pela mão do ser humano, é pensamento humano cristalizado.

A laringe foi também formada pela força criadora do sexo, para que o ser humano pudesse expressar seus pensamentos. A conexão entre estes órgãos e a força expressa através do órgão criador inferior, torna-se evidente ao lembrar-mo-nos que a voz do menino, que possui a força criadora positiva, muda na época da puberdade, quando ele se torna capaz de perpetuar a sua espécie.

Recordamos também que o ser humano que abusa da energia sexual torna-se um idiota, enquanto o pensador profundo, que concentra quase toda a sua força criadora no pensamento, terá pouca ou nenhuma inclinação para as práticas amorosas.

Antes desta divisão, o ser humano era, a exemplo de certas plantas, uma unidade criadora completa capaz de perpetuar a sua espécie sem o auxílio de outrem.

As faculdades de pensamento e da fala foram adquiridas em detrimento desta força criadora; mas hoje, esta metade da força criadora, que é expressa através do cérebro e da laringe, pode ser empregada na criação dos elementos terrenos – casas, navios etc.

(Livro: Perguntas e Respostas – Vol. I – pergunta 07 – Max Heindel)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Adaptabilidade segundo os Ensinamentos Rosacruzes

Adaptabilidade segundo os Ensinamentos Rosacruzes

Adaptabilidade não quer dizer estagnação; significa, isto sim, acomodação à novas condições e o encontro do fio da meada para agir, descortinando, sempre, novos horizontes. Quem é facilmente ADAPTÁVEL, é também FLEXÍVEL, portanto, EMINENTEMENTE ENSINÁVEL e funciona no campo da inteligência, por meio da qual assimila, sábia e amorosamente, os ensinamentos que lhe chegam de toda a criação, obra de nosso Pai Comum – DEUS.

Para melhor elucidar o presente tema, ouçamos a palavra de Max Heindel que, em seu laborioso trabalho e ajudado pelos Irmãos Maiores, adquiriu a capacidade de investigar os mundos internos e ler na Memória da Natureza, nos esclarecendo em “O Conceito Rosacruz do Cosmos” da seguinte maneira: “Nas escolas, todos os anos, alguns alunos não se adiantam o necessário para passar a um grau superior. Analogamente, em cada Período de Evolução, alguns ficam atrás por não poderem alcançar o desenvolvimento necessário e passar ao próximo grau superior; foi o que aconteceu já no Período de Saturno. Naquele estado, a vida, com a qual trabalharam os Seres Superiores, era inconsciente de si, mas essa inconsciência não era obstáculo para o retardamento de alguns dos espíritos virginais MENOS FLEXÍVEIS, MENOS ADAPTÁVEIS que os demais.

Nessa palavra, ADAPTABILIDADE, temos O GRANDE SEGREDO do atraso ou do progresso. Todo adiantamento depende de FLEXIBILIDADE E ADAPTABILIDADE do seu ser evolucionante, de ser capaz de acomodar-se, por si, à novas condições ou estacionar e cristalizar-se incapaz de toda transformação. A ADAPTAÇÃO É QUALIDADE QUE FAZ PROGREDIR, ESTEJA A ENTIDADE NUM GRAU SUPERIOR OU INFERIOR DE EVOLUÇÃO. A falta de adaptação é causa de atraso para o espírito e de retrocesso para a forma. Isso se aplica ao passado, ao presente e ao futuro”.

Dispensa qualquer comentário a lapidar orientação de Max Heindel, apontando a adaptabilidade como a palavra CHAVE em nossa evolução. Trata-se de orientação que ele extraiu da Memória da Natureza, auxiliado pelo Mestre, e, ela resiste à lógica mais apurada. Portanto, merece nossa particular atenção.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 01/1975)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Caminho para a Idade de Aquário

O Caminho para a Idade de Aquário

A Fraternidade Rosacruz publicou tempos atrás o folheto intitulado “A Libertação Através do Trabalho de Grupo”, traduzido do inglês.

Esse trabalho, também publicado na revista Serviço Rosacruz, vem ajudando muitas pessoas a compreender o verdadeiro sentido da ação conjunta, inspirando-as, inclusive, a melhor usar suas potencialidades.

A medida que nos aproximamos da Idade Aquária uma nova mentalidade vai tomando conta dos negócios humanos. Os seres humanos já estão começando a deixar de lado aquele Individualismo egocêntrico, alimentador da personalidade, para assumirem uma postura mais altruísta diante dos problemas que afligem a sociedade.

Nunca as expressões “comunidade” e “comunitário” foram tão empregadas como agora. Há tendência em se estabelecer consenso em torno da ideia expressa nesta frase: “numa sociedade, o que não beneficia a todos, efetivamente não beneficia a ninguém”. Por essa razão os seres humanos estão se congregando para equacionar seus problemas, dispondo-se, com essa atitude, até a sacrificar interesses pessoais.

A expressão sacrifício está muito ligada ao Cristianismo. Etimologicamente provém de “sacro faccio” (fazer as coisas sagradas). Aliás, a doutrina cristã é bem clara a respeito. Fazer um sacrifício é um ato de consagração à Deus. Para o Cristo, mais importante que adorar nas sinagogas era amar e servir ao próximo. Isso tem uma explicação: o hábito de frequentar o templo ou as sinagogas, ocupando seus melhores lugares, dava prestígio na sociedade judaica. Era motivo de apreciação. Por outro lado, a renúncia aos bens materiais, prestígio, autoridade, etc., em benefício de outrem, constituía um penoso sacrifício. Entre os antigos era até sinal de fraqueza.

Voltando aos nossos dias, verificamos como muitos fatores tendem a impedir o ser humano de fazer as coisas sagradas. Uma pessoa por mais sensível que seja ao sofrimento alheio, ver-se-á sempre tentada a não sacrificar seus interesses pessoais, sua comodidade, para prestar ajuda a alguém. A renúncia é um fardo pesado para muita gente.

Contudo, cresce gradativamente o número daqueles capazes de vencer a tentação do egoísmo, dispondo-se a trabalhar em grupo pelo bem comum.

Mas, se existem diversos graus de tentação, o mesmo se pode afirmar da renúncia. Não basta ao indivíduo apenas superar o obstáculo representado pelos interesses pessoais e comodismo. Dentro do labor grupal outras tentações normalmente fustigam a boa vontade do obreiro. Ele terá, muitas vezes, de renunciar pontos-de-vista que talvez lhe sejam muito caros. Ou, então, suportar as idiossincrasias de seus companheiros. Ou, ainda, observar com humildade e compreensão alguém assumir os méritos de alguma realização sua.

Enfim, em nenhuma circunstância o caráter de um ser humano é tão provado como no trabalho de equipe. E, à medida que o indivíduo cresce, essas provas tornam-se mais sutis. Contudo, esse é o caminho. Não há outro capaz de melhor preparar a humanidade para a Idade de Aquário.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 01/86 – SP)

Idiomas