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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Equilíbrio é de Grande Ajuda nos Momentos de Estresse

Setembro de 1918

Nestes tempos em que os nossos costumes, hábitos e negócios estão sendo tão radicalmente afetados pela grande guerra[1], não importa em que lugar da Terra vivamos; quando especialmente os irmãos do sexo masculino estão sendo ceifados aos milhões pelos canhões; quando até mesmo as nossas irmãs do sexo feminino têm que, além de cuidar das atribuições próprias do lar, tomar parte na titânica luta atrás das linhas de fogo; quando os irmãos e as irmãs mais vulneráveis, sejam por serem idosos ou idosas, sejam por serem crianças, sejam por estarem em condições socioeconômicas frágeis, seja por estarem com estado de saúde comprometido, sucumbem à privações; como não se sentir, em maior ou menor grau, perturbado pelo sofrimento alheio ou a proximidade com o mar agitado de ódio, de angústia e de tristeza profunda naquela que outrora foi a  bela França ou nos lugares onde se travam as batalhas dessa guerra?

Permanecer indiferente talvez pareça impossível. Não se pode permanecer insensível de tanto sofrimento. Um Estudante Rosacruz, após descrever a devastação de uma cidade bombardeada, pergunta: “Como não se pode se sentir profundamente abalado a respeito disso?”. Não, Cristo se sentiu profundamente abalado quando chorou pelos pecados de Jerusalém[2], e Ele demonstrou sua justa indignação quando expulsou os mercadores do Templo[3]. Mas, o equilíbrio emocional é, indubitavelmente, uma das grandes lições que podemos aprender com essa guerra.

É fácil ser pacífico se alguém se refugia nas montanhas e vive a vida como um eremita. Mas, que mérito há em manter o equilíbrio sem ninguém para nos contrariar, se opor a nós ou nos aborrecer? É mais difícil, porém, manter uma atitude pacífica numa cidade industrial, onde uma guerra implacável é travada incansavelmente com a espada da competição, e onde a existência está circunscrita por leis e costumes. Mas é possível, e muitos que não pretendem desenvolver a espiritualidade na vida estão conseguindo, no entanto, descobriram que a perda do equilíbrio interfere em suas ambições. Então, eles se dedicam a se treinar na prática do equilíbrio. A experiência indiscutível dessas pessoas tem sido a de que elas se beneficiaram muito. Sua saúde melhorou, assim como a sua felicidade, e até os seus negócios prosperaram.

Se tal autocontrole ou domínio próprio pode ser alcançado por pessoas no mundo que não estão a fim de cultivar e praticar a espiritualidade em suas vidas, e se tantos benefícios podem advir disso no controle das condições normais da vida, então aqueles entre nós que aspiramos as coisas mais nobres e elevadas, os Aspirantes à vida superior, e que têm se esforçado para seguir esse caminho de espiritualidade por anos e anos, deveriam ser exemplos de fé e de esperança nestes momentos críticos, não deveriam? Devemos ser pilares de fortaleza para aqueles que não tiveram o privilégio da grande iluminação que obtivemos. E, acima de tudo, devemos exercer uma influência construtiva e edificante nesta crise mundial.

Portanto, descrevi nesta lição mensal as causas secretas pelas quais, no passado, geraram e fertilizaram as sementes que agora floresceram em nossa atual condição catastrófica, e indiquei, ainda que minimamente, como estamos semeando as sementes do nosso futuro bem-estar ou mal-estar – isso na esperança de que vocês concentrem seus pensamentos construtivamente na direção indicada e defendam, em suas esferas de vida, os pontos de vista aqui apresentados. Assim, muita dor, tristeza e angústia profundas poderá ser evitada no futuro, pois os pensamentos são coisas, e se eles estiverem em harmonia com a finalidade cósmica de fazer com que todas as coisas trabalhem juntas para o bem, certamente prosperarão.

(Do Livro: Carta nº 94 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial.

[2] N.T.: Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha recolhe os seus pintinhos debaixo das suas asas, e não o quiseste! Eis que a vossa casa vos ficará abandonada pois eu vos digo: não me vereis, desde agora, até o dia em que direis: Bendito aquele que vem em nome do Senhor!”. (Mt 23:37-39)

[3] N.T.: Estando próxima a Páscoa dos judeus, Cristo Jesus subiu a Jerusalém. No Templo, encontrou os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados. Tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do Templo, com as ovelhas e com os bois; lançou ao chão o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas e disse aos que vendiam pombas: “Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio”. Recordaram-se seus discípulos do que está escrito: O zelo por tua casa me devorará. (Jo 2:13-17) (Mt 21:12-13), (Mc 11:15-16), e (Lc 19:45-48).

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