A Melancia de Michel
Foi sempre a melhor melancia de todo o pomar. Mesmo quando estava pequenina, era tão redondinha e rechonchuda que Michel notou isso e comentou com sua mãe e com seu pai:
– Parece um bebe gordinho, pronto para sorrir.
– Se você gosta dela tanto assim respondeu seu pai, nós a daremos para você. Estará madura pela época de seu aniversário e você poderá comê-la em sua festa.
– Oh, obrigado, papai – exclamou o garotinho satisfeito.
Depois disso, Michel cuidou da melancia de maneira especial e os Espíritos da Natureza e os animaizinhos que eram seus amigos, também dispensaram a ela um cuidado especial. Com tamanha atenção amorosa, a pequena melancia redonda cresceu mais do que todas as outras no pomar até que, alguns dias antes do aniversário de Michel, parecia estar em maravilhosas condições.
Enquanto isso, no lado oposto do jardim, na estrada que cortava a casa de Michel, os animaizinhos continuavam muito ocupados. Shirley, o esquilo, podia ser visto caçando castanhas aqui e ali; Gobi, o ratinho, aparecia de vez em quando na porta de sua casa, a Senhora Pluma, com seus dois gatinhos listados, foi procurar umas guloseimas e os coelhinhos de rabos de algodão estavam saltitando em todo o pomar.
À tarde, dois dias antes do aniversário de Michel, Peralta, o coelhinho e seu avô Pés-Ligeiros, junto com outros parentes, reuniram-se no pomar discutindo um problema de grande importância para eles. Durante muitos dias eles estavam preocupados com umas visitas noturnas que um de seus novos vizinhos, o Senhor Gambá estava fazendo fora do pomar.
– Três noites eu o vi sair, disse Sra. Pés-Ligeiros, e a coruja Oliver disse que o viu também voltando para casa de madrugada.
– Certamente não parece muito respeitável permanecer fora a noite toda, disse a Sra. Pés-Ligeiros.
O vovô Pés-Ligeiros ajeitou seus óculos e disse:
– Bem, minha querida, não devemos julgar tão severamente. Ele pode estar tomando conta de um amigo doente.
– Oh, vovô, você está sempre tentando ver o bem em todo mundo, e naturalmente isto está certo. Mas eu acho que devemos saber para ter certeza, respondeu a Senhora Sra. Pés-Ligeiros.
– Então, um de nós deve segui-lo esta noite e descobrir exatamente aonde ele vai, sugeriu seu prático marido.
Sim, podemos fazer isso, concordou vovô, vocês dois, Sra. Pés-Ligeiros e Robusto, encontrem-me aqui esta noite quando surgir a Lua sobre o topo dos eucaliptos, e verificaremos se ele sai para alguma travessura.
Todos concordaram com isso e, nessa noite, quando a Lua bem redonda iluminou o pomar por cima dos altos eucaliptos, vovô Pés-Ligeiros e seus dois netos encontraram-se debaixo de alguns arbustos perto da árvore onde o Senhor Gambá fizera sua casa. Depois de algum tempo, o Senhor Gambá pôs o nariz fora da porta, olhou cuidadosamente e, então, deu uma corrida para a cerca, em direção ao portão. Os coelhos seguiram-no no maior silêncio possível. No portão, o Senhor Gambá parou para olhar a sua volta e rapidamente dirigiu-se para a estrada e atravessou-a. Lá, parou outra vez por um momento, à vista de um automóvel que surgia com seus faróis altos. Então, correu pela estrada, em direção a casa de Michel.
Enquanto isso, os coelhos saltitavam atrás dele, a uma certa distância, desejando saber para onde ele estava indo. Quando o viram parar na cerca do pomar de melancia, entreolharam-se, sem entender.
– Venham, disse vovô, logo saberemos o que ele vai fazer.
Quietos, eles se esconderam atrás dos arbustos e viram o Gambá muito ocupado cavando a terra perto da cerca.
– Por que ele está fazendo isso, vovô? – perguntou Robusto, filho do Pés-Ligeiros.
– Bem, ele está fazendo um buraco perto da cerca para entrar no pomar, respondeu vovô.
– Mas não entendo como ele pode comer uma melancia, sussurrou Robusto.
A essa altura, o Senhor Gambá acabara de cavar o buraco e estava entrando no pomar. Não muito atrás dele, cuidadosos e curiosos, seguiram os coelhinhos, escondendo-se facilmente entre as folhas da melancia.
O Senhor Gambá olhou fixamente para as melancias e de repente fixou-se na melancia gorda e redonda de Michel. Puxando-a de um lado com seu nariz, começou a arranhá-la do outro lado. Logo havia um buraco na melancia doce e vermelha e o Gambá faminto colocou-a entre suas patas e começou a devorá-la com imenso prazer.
Os olhos dos coelhos quase saltaram de suas faces.
– Não posso acreditar, sussurrou vovô.
Os três sentaram-se quietos sem saber bem o que fazer, enquanto o Senhor Gambá continuava comendo avidamente. Vovô achava que nenhum dos animais do jardim poderia fazer qualquer mal à família de Michel, pois eles amavam os animais e os tratavam quase como seres humanos.
De repente, ele disse em voz alta:
– Aquela é a melancia do aniversário de Michel. Este assalto deve parar imediatamente.
Nesse momento, ouviu-se o latido de um cão. O sr. Gambá saiu correndo de volta para a cerca e atravessou o buraco para o outro lado da estrada. Os coelhos o seguiram o mais rápido possível.
Na manhã seguinte, bem cedinho, Michel, lembrando-se de seu aniversário, correu para acariciar sua melancia antes de ir para a escola. Quando chegou ao pomar, mal pôde acreditar no que via. Lá estava o buracão aberto pelas patas do faminto Senhor Gambá e as sementes estavam jogadas pelo chão.
– Mamãe! Papai! chamou Michel, vendo-os surgir a porta. Venham aqui. A melancia de meu aniversário está estragada. Há um buraco nela e as sementes estão por todos os lados.
– Há pegadas? perguntou seu pai, aproximando-se da cerca.
– Sim, há, respondeu Michael, inclinando-se para ver mais de perto.
Quando o pai de Michel examinou a melancia e viu as pegadas, disse:
– É muito triste, filhinho, mas um gambá fez uma festa com a sua melancia.
– Mas, como ele pôde descascá-la?
– Bem, disse seu pai, as patas dianteiras do gambá são bem parecidas com a mão humana e suas unhas são bem afiadas. Já os vi fazer isso antes, mas há algum tempo não via gambás por aqui.
– Mas, é melhor você ir para a escola agora, querido, disse sua mãe, ou irá atrasar-se. Vamos levar a melancia para dentro e aproveitar o que ainda há de bom para o jantar, acrescentou, enquanto Michel obedientemente ia embora.
Enquanto isso, os coelhos se reuniram no pomar e decidiram chamar a atenção do Senhor Gambá e explicar-lhe que coisa terrível ele tinha feito. Vovô Pés-Ligeiros e toda a família dirigiram-se à casa do Senhor Gambá. Bateram à porta, mas ninguém respondeu. Bateram novamente, dessa vez mais alto.
Finalmente, o Senhor Gambá, piscando seus olhos com sono, atendeu a porta.
– Senhor Gambá, disse vovô, nós precisamos ter uma conversa séria com você e explicar-lhe algumas coisas que você parece não entender.
O Senhor Gambá pareceu surpreso, mas disse educadamente:
– Muito bem. Entre e sentem-se.
Vovô limpou sua garganta um tanto nervosamente, deu uma olhada no círculo de seus parentes e aí disse:
– Sabemos que você é recém-chegado a estas bandas e desconhece nossos costumes, por isso achamos melhor esclarecê-lo. Veja, há certas pessoas que são tão boas para os animais, que nós nunca molestamos suas terras.
O Senhor Gambá piscou seus olhos e pareceu constrangido.
– E aquele pomar de melancias que você entrou a noite passada pertence a um de nossos melhores amigos, disse Sra. Pés-Ligeiros excitadamente.
– Sim, Sra. Pés-Ligeiros está certa, senhor Gambá, continuou vovô. Não queremos ferir seus sentimentos e por isso viemos ver você. Gostamos muito de Michel e aquela era a melancia que ele iria servir em sua festa de aniversário.
O Senhor Gambá olhou nervoso para o seu pé. Começou a sentir-se envergonhado.
– Oh, compreendo, ele disse. Bem, Senhor Coelho, eu gosto mais destas paragens do que aquelas em que vivia antes e ficarei feliz de submeter-me aos seus costumes. E também gostaria de ser um dos amigos de Michel. Conheci garotos que não são tão bons para os animais.
Vovô terminou sua conversa com Senhor Gambá e cumprimentaram-se cordialmente.
– Bem, está tudo certo. Ficaremos felizes de tê-lo por aqui se você agir bem e se sentir bem entre nós.
– Mas o que faremos com a melancia de Michel? Sra. Pés-Ligeiros quis saber.
Nesse momento, veio uma voz alegre de um ramo de uma figueira que estava por perto.
– Penso que nós, os Espíritos da Natureza, poderíamos ajudá-lo, disse a voz. Também gostamos de Michel.
Todos os animaizinhos olharam para a pequena criatura acima deles com indisfarçável reconhecimento.
– Sabemos que você pode, Gnomo, respondeu Sra. Pés-Ligeiros, mas terá que apressar-se. Amanhã é o dia do seu aniversário e não há outra melancia suficientemente madura para ser comida.
– Oh, podemos acertar isso, disse o Espírito da Natureza. Todos nós iremos para o trabalho e faremos com que uma das outras melancias amadureça antes do amanhecer e vocês, pessoal, ficam encarregados de mudá-la até onde estava a melancia de Michel.
E foi isso exatamente o que fizeram!
Na manhã seguinte, Michel levantou-se cedinho, preparou-se e dirigiu-se para o pomar das melancias pensando tristemente como seus amigos gostariam de comê-la! Olhou para o lugar onde ela deveria estar e lá, para sua surpresa, estava outra melancia rechonchuda! Chamou todo excitado:
– Oh, mamãe, papai! Venham aqui rapidamente. Há uma outra melancia igualzinha à minha, no mesmo lugar.
– Isso eu tenho que ver, respondeu seu pai.
Mas, lá estava ela e quando o pai de Michel a examinou, ela estava no ponto certo.
– Como é que ela veio parar aqui? perguntou Michel, com um largo sorriso em seu rosto.
– Oh, suponho que alguns de seus amiguinhos a colocou aí, disse seu pai bem-humorado. De qualquer forma, aí está ela e agora você poderá tê-la para a festa de seu aniversário.
O pai de Michael não sabia que os ‘amiguinhos’ estavam escondidos entre as folhas, olhando. Mas, era isso mesmo que estavam fazendo e todos sorriam ao verem a felicidade no rosto de Michel.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. III – Compiladas por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: Por favor digam-me alguma coisa a respeito dos Espíritos da Natureza. Já foram eles vistos por alguém?
Resposta: Existem diferentes classes de Espíritos da Natureza com estados de consciência correspondentes. Aqueles que nos são mais familiares são os Gnomos, as Ondinas, os Silfos e as Salamandras. Os Gnomos são espíritos da terra, chamados folcloricamente de duendes, anões, fadas, etc.
Seus corpos são compostos principalmente de Éter Químico combinado com pequena quantidade de Éter de Vida.
Não voam, são terrestres. Podem ser queimados. Envelhecem como acontece com os seres humanos, vivendo somente umas poucas centenas de anos. Os Gnomos trabalham com o Reino Vegetal, dando-lhe o verdor e as estonteantes variedades e coloridos das flores. Talham os cristais e fazem as pedras preciosas, ordenando ainda as partículas minerais na formação do ferro, prata, ouro etc. Seus próprios alimentos etéricos, eles os assam e cozinham.
As Ondinas são espíritos da água. Habitam os córregos, os rios e todo corpo aquoso. Seus corpos compõem-se dos Éteres de Vida e Luminoso.
Sua longevidade é maior do que a dos Gnomos, chegando a viver milhares de anos.
Os Silfos são os espíritos do ar. Seus corpos compõem-se também dos Éteres de Vida e Luminoso, estando sujeitos também a mortalidade. Sua vida têm a duração de milhares de anos.
As Ondinas separam as águas na superfície do mar nas pequeníssimas partículas de vapor que os Silfos levam para o ar, tão alto quanto seja necessário para a condensação em nuvens. Os Silfos mantêm as nuvens reunidas, até que forçados pelas Ondinas, libertem-nas. As batalhas travadas no ar entre essas duas classes de Espíritos da Natureza chamamos de tempestades.
Os espíritos do fogo ou Salamandras, também participam dessas batalhas aéreas. Suas atividades produzem o fogo, estando assim presentes nas descargas elétricas as quais chamamos relâmpagos. O contato desse vapor d’água com o frio do ar, dá origem às partículas que as Ondinas juntam com outras e arrojam triunfalmente sobre a terra na forma de chuva.
Os corpos das Salamandras também duram milhares de anos e são compostos de Éter Refletor.
Esses Espíritos da Natureza são sub-humanos, entretanto em circunstâncias diferentes, atingirão o estágio evolutivo correspondente ao humano.
As quatro classes trabalham com nossa própria onda de Vida, prestando serviço inestimável.
Os Espíritos da Natureza já tem sido visto por muitas pessoas dotadas de visão etérica. Câmaras fotográficas munidas de filmes sensíveis estão em condições de fotografá-los.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de 11/1971)
A Beleza Dourada
Palavra-chave: Misticismo
Era uma vez, ao lado de uma estrada, uma planta que crescia e que ninguém notava. Escondida debaixo de uma de suas folhas havia uma dúzia de minúsculos ovos, tão pequeninos que se você não soubesse que estavam lá, você nunca os veria. Depois de algum tempo, um desses ovinhos saiu rastejando – imaginem o que! Bem – uma minúscula lagarta verde. Ela estava tão feliz por ter saído e espreguiçou-se e espreguiçou-se. Olhou ao redor e depois começou a rastejar. Rastejou e rastejou para mais longe. Cada dia comia tanto que logo precisou ter um novo casaco. Vivia muito feliz em uma planta à beira da estrada. Era uma lagartinha inteligente também: se o vento soprasse forte demais e balançasse muito as folhas, ela caía no chão; então, quando tudo se acalmava novamente, ela rastejava, subindo pelo caule e se instalava em uma nova folha bonita e verdinha.
Assim, a lagartinha rastejava e comia tanto, que logo estava usando seu quarto casaco verde. Um dia, sendo muito orgulhosa, esqueceu de se esconder. Em vez disso, rastejou impetuosamente a céu aberto e um homem vendo-a, disse:
– Realmente uma bela lagarta, a mais bonita dessa espécie que já vi.
Então, os Espíritos da Natureza, que trabalhavam com as lagartas, contaram o acontecido para o Espírito-Grupo. Depois disso, a lagarta verde foi vigiada e protegida muito cuidadosamente.
Um dia, depois de rastejar mais adiante, mais adiante, e de ficar muito cansada, arrastou-se para baixo da maior folha que encontrou. E ali, para ficar bem mais confortável, teceu uma esteira ou berço com os fios de uma seda bem macios, na parte de baixo da folha. Depois, instalou-se contente e feliz e adormeceu. Vocês sabem por quanto tempo? Ela dormiu por quase duas semanas! Enquanto estava profundamente adormecida, os Espíritos da Natureza ajudaram-na a crescer mais um pouquinho, até que não coube mais no seu berço. Crisálida era o nome do seu berço. Então, em um belo dia quente e luminoso, rompeu-se o casulo, dele saindo a mais bonita borboleta dourada! A lagarta foi libertada de sua concha.
Feliz com a beleza das florzinhas silvestres que cresciam perto da folha que tinha sido seu lar e desfrutando os doces odores trazidos pela leve brisa, a borboleta descansou um pouco. De repente, descobriu que tinha asas que pareciam de ouro puro e com um grito de alegria voou direto para o sol brilhante. Depois de voar por algum tempo, flutuou sobre um lindo jardim e pousou numa flor de trevo. Sentindo sede, desenrolou sua língua comprida que estava enrolada embaixo do queixo, e bebericou um pouco de mel. Como estava feliz! Ela também fez as plantas felizes, pois era como o brilho do sol voando de flor em flor.
– Que linda beleza dourada! Vamos apanhá-la – gritou um jovem que a tinha visto voando entre as flores. Ele amava as borboletas, mas não conseguiu pegá-la.
Oh! Não! Os Espíritos da Natureza a conduziram para uma grande folha verde, onde se escondeu. E ali a borboleta botou ovos minúsculos. Em seguida, desdobrou as belas asas douradas e voou para longe, bem longe mesmo, e nunca mais foi vista.
(do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. V – Compilado por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)