Arquivo de tag Divindade

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Deus e o Ser Humano: em que nível de relação você está?

Tudo que fazemos ou pensamos se associa à satisfação das nossas necessidades primárias: saciar a fome, abrigar-se, vestir-se, defender-se, constituir família, etc. O sentimento e o desejo são as molas propulsoras de todas essas realizações.

Mas, por óbvio que isso pareça, surge ainda uma questão: quais os sentimentos e as necessidades que nos levaram ao pensamento religioso (de “ligar novamente” ou “religar”) e a fé em Deus?

Os Ensinamentos Rosacruzes indicam os seguintes graus: o temor, o interesse, o amor e o dever como sendo quatro formas básicas do nosso relacionamento com Deus, de nossa volta à Deus, da nossa re-ligação com Deus.

O primeiro grau, a do temor, ocorreu quando compúnhamos os povos primitivos (ou seja: estávamos renascidos em um conjunto de Corpos incipientes), o fator que despertava em nós as ideias religiosas era o medo: medo da fome, medo de animais bravios, medo das enfermidades, medo da morte. Como o nosso nível de Consciência de Vigília aqui nesse Mundo Físico naquele tempo era incipientíssimo, forjávamos um Ser que a nós se assemelhava, um Ser mais poderoso, capaz de nos submeter e nos destruir. Adorávamos a Deus a Quem começávamos a pressentir, fazendo sacrifícios para agradá-Lo, como fazem os fetichistas.

O segundo grau desse relacionamento, a do interesse, está muito ligado ao atendimento das necessidades coletivas. Foi típico quando compúnhamos os povos onde se notava uma certa organização social. O desejo de orientação diante das dificuldades, as satisfações das necessidades do grupo estimulam uma concepção social de Deus. A Divindade regia os nossos passos naquele povo em particular, protegendo-o, decidindo seus problemas, recompensando-o ou punindo-o. Para conquistar as boas graças desse “Deus”, oferecíamos a Ele sacrifícios ou agíamos conforme os princípios ou tradições do povo. Aspirávamos em troca, ver as nossas colheitas mais abundantes, os nossos rebanhos mais numerosos, a nossa prole sadia, os nossos inimigos prostrados a nossos pés. Era uma relação de barganha. Ou seja: aprendemos a olhar a Deus como um Doador de todas as coisas e a esperar d’Ele benefícios materiais, agora e sempre. Sacrificávamos por avareza, esperando que o Senhor nos desse cem por um, ou para nos livrar do castigo imediato, como pragas, guerras, etc. Essa forma de Religião se consolida pelo surgimento de uma casta sacerdotal, mediadora entre o povo e a Divindade. Essa casta, obviamente privilegiada, logra uma posição de poder, muitas vezes superior ao poder temporal. Trata-se de uma Religião do medo, porém, é possível dialogar com Deus e obter d’Ele compensações. Como exemplo, temos a Raça dos Semitas Originais, a quinta Raça da Época Atlante.

O terceiro grau desse relacionamento se evidencia quando a Religião do medo se transforma na Religião moral. A Divindade conforta a tristeza, o desejo insatisfeito, protege as almas dos mortos. A moral e o apreço para com o semelhante constituem a tônica desse pensamento religioso. O Cristianismo Popular (ou Cristianismo exotérico) e outros credos são um exemplo típico dessa fase do nosso relacionamento com Deus. Ou seja, aprendemos a adorar a Deus com orações e a viver a vida em bondade; a cultivar a fé num Céu onde obteremos recompensas no futuro, e a nos abster do mal, para que possamos nos livrar do castigo futuro do Inferno (ou de nomes similares). Não se deve, entretanto, considerar as formas religiosas primitivas como exclusivamente Religiões do medo, nem as dos povos civilizados como estritamente morais. Há pontos comuns a ambas, principalmente o caráter antropomórfico da ideia de Deus.

O quarto grau é composto por um comportamento onde podemos agir bem sem pensar na recompensa ou no castigo, simplesmente porque “é justo agir retamente”. Amamos o bem por ser o bem e procuramos ordenar a nossa conduta de acordo com esse princípio, sem ter em conta nosso benefício ou nossa desgraça presente, ou os resultados dolorosos em algum tempo futuro. Pouquíssimos indivíduos encontram-se nesse quarto grau de experiência religiosa. Não é fácil conceituá-la de uma forma clara, por não estar associado a uma ideia antropomórfica de Deus, nem a um dogma. Daí, a pessoa experimenta a totalidade da existência como uma unidade, guiada pelo conhecimento Esotérico, pela Arte, pela Ciência e pela Intuição. Para ela a Religião tem, ao mesmo tempo, um sentido cósmico e interior. O Universo é o templo onde se cultua o Ser Absoluto, como também o nosso íntimo. Esse sentido cósmico da Religião é percebido por uns poucos iluminados, cujas vidas servem de estímulo a que outros, por seus próprios meios, busquem a Senda da Luz. O Cristianismo Esotérico e os Estudantes de todas as Escolas de ocultismo estão procurando alcançar esse grau superior. De modo geral, esse será alcançado na Sexta Época, a Nova Galileia, quando a Religião Cristã unificadora abra os corações dos seres humanos, assim como o entendimento está agora sendo aberto.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – fevereiro/1985 – Fraternidade Rosacruz – SP)

Idiomas