porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Foi-nos mandado nos preparar para as futuras condições de nossas vidas, mas como tornar-nos privilegiados em saber como são estas condições? Poderei eu como Estudante Rosacruz qualificar-me a aprender tais coisas?

Pergunta: Foi-nos mandado nos preparar para as futuras condições de nossas vidas, mas como tornar-nos privilegiados em saber como são estas condições? Poderei eu como Estudante Rosacruz qualificar-me a aprender tais coisas?

Resposta: Todos nós temos, ou deveríamos ter alguma orientação sobre tendências e situações do futuro de nossas vidas – pelo menos se formos compenetrados e nos dermos ao trabalho de séria autoanálise da retrospecção. Isto nada tem a ver com profecia ou tirar sorte. Intuição, introspecção e o uso apropriado da Astrologia espiritual são úteis sob este aspecto. A intuição e a introspecção podem ser desenvolvidas com a prática. Um conhecimento substancial de Astrologia ajuda-nos a determinar as possibilidades de desenvolvimento do caráter e a força e as fraquezas reveladas em nossos horóscopos. “Conheça a si mesmo” é um dos conselhos mais antigos e importantes dados aos aspirantes espirituais, e quanto mais nos chegamos a conhecer, tanto mais podemos discernir a direção geral que os eventos em nossas vidas são inclinados a tomar.

Isto não significa localizar os mínimos detalhes. Pouco nos beneficia ponderarmos se este ou aquele particular indivíduo irá fazer-nos tal ou qual coisa, ou se, indo nós a tal lugar num certo dia, possamos ter um acidente de carro. Podemos, contudo, beneficiar-nos conhecendo nossas inclinações emocionais ou temperamentais de forma a, se alguém nos hostilizar estarmos preparados a não perder o controle reagindo, isto sim, de maneira construtiva e bondosa. Ajuda-nos saber que certos aspectos, em efeito num determinado dia, tornam imperativo que observemos particularmente nossos hábitos em guiar, naquele dia, para que o que quer que possa acontecer na estrada nos encontre como motoristas seguros.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/83 – Fraternidade Rosacruz –SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Chaves do Desenvolvimento Espiritual

As Chaves do Desenvolvimento Espiritual

Certa vez um estudante enviou uma missiva a Max Heindel criticando as cartas expedidas mensalmente aos membros de THE ROSICRUCIAN FELLOWSHIP, cujo teor, segundo suas palavras, “não passavam de um pequeno agradável sermão”.

Max Heindel, então, abordou o assunto na carta do mês subsequente. Presumindo não ser aquela uma opinião isolada, procurou esclarecer a questão, pois outros estudantes talvez alimentassem idêntico pensamento. Realçou a importância daqueles “pequenos agradáveis sermões” em cujas entrelinhas encontravam-se pérolas do conhecimento oculto. Tornou claro o objetivo daquelas mensagens, cujo valor moral mesclado com os ensinamentos esotéricos indicava um método de desenvolvimento espiritual.

Tal fato ocorreu há uns setenta anos, aproximadamente. Durante todos esses anos a Fraternidade cresceu e cresceu muito. Nossos ensinamentos foram divulgados em grande escala e nessa tarefa se utilizou dos modernos meios de comunicação. No entanto, ainda hoje encontramos estudantes incapazes de perceber o sentido das cartas e lições mensais, pois, as acham por demais repetitivas. Vivem clamando por novos conhecimentos.

Novos conhecimentos? Mas como? Sequer aplica na vida prática aquilo que aprenderam. Não se dão ao trabalho de garimpar as lições, de pesquisar, de meditar. Querem tudo pronto e acabado. Tem a pretensão de evoluir através de esquemas pré estabalecidos ou fórmulas rígidas, como se o desenvolvimento oculto fosse mera equação.

O conhecimento e a experiência são meios de realização espiritual. Mas apenas meios. O conhecimento por si só confere apenas erudição. É apenas verniz, casca. A experiência, por outro lado, sem o conhecimento que a explique, torna-se difícil de ser aproveitada. Embora ambos sejam importantes, se faltar-lhes o calor da devoção não ensejará oportunidade do aspirante realizar-se. A essa tríade cabe o papel de manter equilibrado o desenvolvimento espiritual.

Max Heindel divulgou os ensinamentos rosacruzes sob a orientação dos Irmãos Maiores. E o fez valendo-se de princípios didáticos, compatíveis com as tendências naturais do ser humano ocidental. Em seus livros, cartas e lições empregou uma linguagem simples e definições claras. Porém, determinadas “chaves” só podem ser encontradas mediante certo esforço.

Alguns afirmam, equivocadamente, não passar o Conceito Rosacruz do Cosmos de uma coletânea de temas sem uma interligação mais definida. Ledo engano. Ao observador mais atento e sensível os tópicos da obra básica formam um todo harmonioso e coerente. Aliás, estude-se toda a obra de Max Heindel com interesse superior, e verão todos os assuntos se completando maravilhosamente.

Além disso, esses conhecimentos proporcionam uma visão mais ampla da vida e do mundo, projetando uma nova luz sobre todos os fatos do cotidiano. Os Ensinamentos Rosacruzes descem às raízes do sofrimento humano, explicam a razão última de todas as coisas e indicam perspectivas do nosso futuro desenvolvimento. Enfatizam o aprimoramento do caráter como nosso trabalho mais importante, pois sem ele as “chaves” permanecem inacessíveis e qualquer lição parecerá um “pequeno e agradável sermão”.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/83 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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Os Pecados Capitais do Mundo Moderno

Os Pecados Capitais do Mundo Moderno

No livro Ensinamentos de um Iniciado lemos que os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz já concluíram, há tempos atrás, de que o orgulho intelectual, a intolerância e a impaciência com as restrições seriam os pecados do ser humano moderno.

Quando mais criticamente observamos o mundo ao nosso redor e o nosso próprio estado interno, nos admiramos com o prognóstico acurado dos Irmãos Maiores. O intelecto se tornou a ferramenta mais forte para o alcance do poder material. Orgulho intelectual ou amor às próprias conclusões, e próprios ditames é a causa de muita miséria social e muita tristeza e mágoa individual. A intolerância e a impaciência com as restrições também advém do amor ao nosso próprio intelecto, que tomamos como palavra final de sabedoria, equidade e justiça.

A Mente é a nossa mais recente aquisição. Enquanto que o Pai toma conta de nosso Corpo Físico, o Filho de nosso Corpo Vital e o Espírito Santo de nosso Corpo de Desejos nenhum Poder Superior toma conta de nossa Mente. Deverá ser domada e desenvolvida pelo próprio ser humano, sem ajuda exterior.

O intelecto, produto da Mente esplendidamente, fornece condições ao desenvolvimento do egocentrismo, o supremo perigo para o aspirante. Fornece um sentido falso de superioridade que facilmente vira intolerância daquilo de que não aprovamos e que não nos assemelha e que consideramos “abaixo de nossa dignidade”. O intelecto é frio e calculista tentando armazenar mais e mais conhecimento. A Mente avalia as muitas possibilidades de lucro trazidas por um vasto conhecimento ao próprio Ego. Assim o intelecto passa a ser a ferramenta, meta e fonte de motivação do egoísmo poluindo a Mente que se torna egoísta procurando o saber para a glorificação do Ego. A segunda força motivadora, o CORAÇÃO é, por definição, altruísta. Sabemos sobejamente da necessidade de equilibrar essas duas formas de motivação humana, porém, devemos lembrar que um perfeito equilíbrio só será conseguido quando atingido o “status” espiritual de Adepto.

Os que desenvolveram mais o lado do coração não são tão ameaçados pelos “pecados da época” apontados pelos Irmãos Maiores, o orgulho intelectual, a intolerância e a impaciência com as restrições. Servem obediente e eficientemente, sem necessitarem de grandes explicações metafísicas, ou informações científicas super atualizadas; simplesmente seguindo as orientações do Cristo interno, não deixando a sua Mente interferir.

Os que se desenvolvem pelo lado intelectual fazem tudo para servir, para dar vazão ao seu conhecimento, de fato se esforçam ao máximo, porém, enquanto se “esforçam” para servir, ainda não houve progresso de seu lado “coração”. O conhecimento, não cabe dúvida, especialmente hoje, é de grande utilidade. Porém, verifiquemos o uso que as pessoas fazem de seu conhecimento. Pelo uso que a pessoa dá a seu conhecimento que determina se ele está seguindo linhas de desenvolvimento material ou espiritual. Pelo nosso ritual devocional sabemos que a meta do desenvolvimento mental deverá ser a Sabedoria, isso é conhecimento temperado com amor e mesmo o conhecimento oculto de avançada ordem não é Sabedoria, até ser usado em serviço humanitário e num contexto de relacionamento fraternal.
“O conhecimento, a prudência, a discrição e a discriminação são produtos da Mente”. Pois, elas mesmas são armas do mal, e o Cristo nos ensinou a orar ao Pai Nosso para que sejamos guardados. Somente quando essas faculdades nascidas da Mente são temperadas pelo amor é que obteremos a qualidade composta que chamamos de Sabedoria.

Aqui vemos quão importante é desenvolver o amor a Deus e ao semelhante, na mesma proporção que aumentamos o nosso conhecimento. Então, o orgulho intelectual, a intolerância e a impaciência com as restrições não constituirão mais um problema, já que a dádiva espontânea de si mesmo sem reservas, sem amor ao seu pequeno eu, em completa obediência ao poder Superior que nos dirige, destroem o egoísmo. Alguma vez fomos culpados de não aceitar pontos de vista alternativos expressos e que achamos contrários à nossa opinião? Ficamos impacientes com as opiniões manifestadas, estimulados por aquele egoísmo intelectual que não permite questionamento de nossa absoluta competência? Impomos ao nosso grupo que façam as coisas só de nossa maneira?

Usando o nosso lado devocional interno, que está em ligação com Deus através do Cristo Interno, não seremos vencidos pelos perigos apontados pelos Irmãos Maiores e submeteremos a atividade de nossos intelectos ao Ego Superior que a usará no serviço altruísta. A humildade intelectual representará a nossa vitória maior e seremos uma ajuda e não um empecilho à raça humana, exemplos vivos de tolerância que os nossos semelhantes poderão seguir proveitosamente em sua evolução.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 09/82 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Três Graus do Discipulado – Parte I – Grau Mestre – São Tiago, São João e São Pedro

OS TRÊS GRAUS DO DISCIPULADO

Parte 1

Grau Mestre

São Tiago, São João e São Pedro

 

Os 12 Discípulos foram divididos em 3 agrupamentos, de acordo com sua preparação e desenvolvimento no Discipulado. Estas 3 divisões podem ser listadas como segue:
• Grau Mestre: os 3 pilares: São Tiago Maior, São Pedro (Simão) e São João.
• Grau Fraternidade: Santo André, São Tomé, São Mateus, São Filipe e São Natanael (São Bartolomeu)
• Grau Aprendiz: São Tiago Menor (o Justo), São Judas Tadeu, São Simão e Judas Iscariotes.

Maria Salomé1, irmã da Virgem Maria, casou com Zebedeu de Cafarnaum, um homem abençoado com abundância material e espiritual. Salomé e Zebedeu, junto com seus dois filhos: São Tiago e São João, eram muito queridos no coração de Cristo Jesus. Esta família estava entre os seguidores mais devotos. Zebedeu dispendeu tempo e dinheiro para a causa do novo Cristianismo, enquanto Salomé cuidava das necessidades físicas dos Discípulos. A lenda relata que Salomé acompanhou Maria e José em sua fuga arriscada para o Egito. Ela é também proeminente entre as mulheres Discípulas ao longo da narrativa do Evangelho.

São Tiago, São Pedro e São João compunham o círculo mais interno dos Discípulos, chamado de “pilares”, porque eram avançados o suficiente para receber os ensinamentos esotéricos mais profundos dados por Cristo.
Contundência, poder e força eram as palavras chaves do caráter de São Tiago. Antes de suas transformações em graças espirituais, estes muitos atributos produziram muitas reações não-Cristãs. Por exemplo, ordenou que fogo viesse do Céu para destruir um vilarejo que não queria receber o Mestre; também solicitou seu lugar mais proeminente no Reino.

Tiago

São Tiago aprendeu rapidamente, contudo, a seguir o caminho onde a vingança é suplantada pelo Amor, percebendo que ninguém pode receber qualquer benefício permanente que não seja ganho pelos esforços pessoais. Após sua iluminação ele disse que “seus pensamentos respiraram e suas palavras queimaram”.

O destemor absoluto de São Tiago, conjugado com a dedicação sincera para com as causas do Mestre antecipou o seu Discipulado. Ele ganhou o profundo e permanente amor de Maria, Mãe de Jesus. Por causa de seu fervoroso zelo, São Tiago foi o primeiro Discípulo a viajar por terras estrangeiras levando a gloriosa mensagem de Cristo, e foi o primeiro a seguir o seu Senhor no martírio. Desdenhando todos os perigos físicos ele se estabeleceu na Espanha: a primeira terra estrangeira a receber a mensagem de Cristo.

Uma das supremas dádivas do Discipulado é saber, verdadeiramente, que não existe tempo ou distância para o espírito. São Tiago teve o privilégio de se aconselhar com a amada Maria, de quem recebeu orientação e direcionamento. Muitas vezes ele teve sua proteção em ocasiões de cansaço extremo e de crise.

Após o seu retorno da Espanha, uma feliz reunião em Éfeso com seu irmão, São João, e a Divina Dama foi abençoada e santificada. Eles estavam cientes de que os dias de companheirismo nesse mundo exterior estavam chegando ao fim, e que o retorno de São Tiago para Jerusalém significava a preparação para o seu martírio.

Maria foi transportada em espírito para a cena de seu martírio. Com uma série de Ministério de Anjos, Maria assistiu e apoiou São Tiago na hora de sua transição. A morte pode não aterrorizar a consciência de um Iniciado, já que este aprende a participar, conscientemente, das águas da Vida Eterna.

Alegremente este nobre espírito colocou de lado seu vestuário de carne. Cercado da glória transcendente dos Anjos, envolto no brilho e na bênção da Virgem, ele também pode entoar o mesmo grito triunfante, de quem tem o conhecimento direto, como assim fez o outro ungido de Deus um pouco mais tarde. “Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão?”2.

Segundo o Pentecostes, São Tiago tornou-se líder da igreja em Jerusalém. Sua contundência, força e poder, agora transmutadas em qualidades espirituais, floresceram em tal beleza de vida e ação que quando Herodes, irmão de Herodias, que causou a decapitação de São João Batista, desejou suprimir a heresia do Novo Cristianismo, a figura imponente de São Tiago tornou-se o principal alvo de suas hostilidades. Apenas catorze anos após a Crucificação, São Tiago seguiu seu Senhor para libertação da cruz do martírio.

De acordo com os escritos de Clemente de Alexandria, citado por Eusébio, São Tiago transmutou de tal forma seu espírito de vingança em compaixão, que o homem que o entregou para Herodes ficou tão inspirado, pela nobre atitude de São Tiago, que se tornou seguidor e foi recebido pela fraternidade da pequena igreja Cristã. O último ato terreno de São Tiago foi outorgar uma benção sobre este homem; e suas últimas palavras endereçadas para Herodes foi “que a paz esteja em ti”.

 

João

João foi o idealista entre os Discípulos. Ele foi o mais espiritualmente desenvolvido entre os 12, e seu Evangelho é o mais esotericamente profundo de todos que sobreviveram. Os Capítulos 14 a 17 contém os ensinamentos referentes a mais elevada religião a suceder o Cristianismo – conhecido pelos esoteristas como a “Religião do Pai” – que chamará seus Discípulos para o reino do Espírito Divino. Maria, mãe de Jesus, e João, seu melhor Discípulo amado, foram os únicos avançados suficientemente para entrar em contato com estas elevadas verdades. Um exemplo deste fato aparece na cena aos pés da cruz, quando Jesus apela a Maria para cuidar de João como se fosse seu filho (em Seu lugar), e diz a João para cuidar de Maria como se fosse sua própria mãe; assim, claramente, nomeou João Seu sucessor na Terra.

Pedro foi designado como Apóstolo ou emissário para o Ocidente bárbaro, onde seu caráter rude e simples, sua inteligência assertiva fez dele um líder e professor ideal. João, culto e erudito, falando a língua dos filósofos Helênicos, foi enviado para estabelecer sua escola em Éfeso, com seu conhecimento de civilizações antigas. É dito que Maria peregrinou com ele por um tempo. João é um grande Apóstolo da Gnose. Na Nova Era ele terá seu lugar no Mundo da Cristandade, que Pedro tem ocupado durante a Era de Peixes na Cristandade da Europa.

De “Filho do Trovão”, João se transformou em o mais perfeito exemplo no mundo da encarnação do amor. Sua humanidade foi purgada e saneada em toda chama consumidora do amor. Seu trabalho mais notável, fora de seus escritos, foi fundar a igreja em Éfeso – que foi depois liderada por João Presbítero e que trouxe à cena Policarpo e Inácio, dois dos mais ilustres cristãos primitivos.

Há uma lenda apócrifa que relata que durante o reinado Domiciano3, João foi preso e trazido ante ao imperador que o ordenou tomar o veneno mortal. Domiciano queria aprender se este Mestre, sobre quem João ensinou, protegeria ou não o seu Discípulo. João pegou o copo e disse: “Em teu nome, Oh! Cristo, eu tomo esta poção. O veneno se misturará com o Espírito Santo e se tornará um cálice de vida eterna”. Ele então o bebeu e permaneceu calmo e ileso. Quando um prisioneiro foi trazido e deram-lhe a mesma poção, ele morreu em convulsão, quase que instantaneamente. Por causa desta lenda uma arte sacra foi retratada de João abençoando um pequeno dragão alado, que ergueu sua cabeça de um cálice. Esotericamente, isto nos lembra que o Evangelho de João é correlato à Hierarquia Zodiacal de Escorpião e do mistério da regeneração, por meio do qual o veneno letal no sangue é transmutado em elixir da vida.

A lenda continua ao dizer que o temor supersticioso do Imperador alterou a sentença de morte de João para banimento em Patmos4, ilha onde ocorreu sua grande Iniciação, como descrito no Livro da Revelação5. Em consequência da morte de Domiciano, Trajano, seu sucessor, permitiu que o reverenciado exilado retornasse para Éfeso. A história relata que João, em sua última reunião com seus seguidores, os homens mais jovens carregaram o venerável Apóstolo em seus ombros até o local do encontro, onde todos poderiam reverenciá-lo uma vez mais. Em sua chegada ele estendeu sua mão em benção sobre o grupo reunido, e deu a todos uma ordem de despedida: “Pequenas Crianças amem-se uns aos outros”.

Quando João soube que chegou a hora de seu passamento, ele indicou Policarpo para sucedê-lo, como líder de sua igreja. Então ele ficou olhando o céu e glorificando a Deus. Como os Discípulos falecidos “eles viram-no encerrando-se junto aos demais”.

Essa é uma frase iniciatória que descreve o processo pelo qual o profeta eleva o ritmo vibratório de ambos: consciência e corpo; então ele fica imune à fome, ao frio, à doença e qualquer outro aspecto negativo da existência física. Esta técnica de espiritualização pode continuar até que a substancia física se desintegre ou fique invisível. O “encerramento completo de si para com todos” pertence apenas aos Mistérios Maiores.

Quando os Discípulos retornaram no dia seguinte, João não estava mais lá. Foi encontrado apenas seu manto e suas sandálias. Porém onde ele tinha erguido uma última fonte de água que jorrava, eles recordaram das palavras do Mestre para Pedro: “Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?” (Jo 21:22)
Este é, talvez, a mais bela descrição de todas as traduções da Terra em espírito puro. O Discípulo aprendeu a superar a morte. Num inquebrantável estado de consciência passou da Terra para o Céu.

João, o mais amado do Senhor Cristo, o mais espiritual de Seus Discípulos, fez esta gloriosa demonstração como supremo ideal a ser realizado eventualmente pela raça humana inteira. Ele foi o primeiro, após Cristo, a manifestar a vida eterna daquelas Águas que o Mestre lhe deu para beber. Ele deixou esta Fonte original com seus próprios Discípulos em Éfeso.

Pedro

É dito que Pedro era alto e robusto, com penetrantes olhos cinzas. Seu pesado cabelo negro circundava sua larga testa em cachos triplos como uma tiara. Ele foi um dos mais importantes e, talvez, o mais pitoresco dos Doze imortais.

O nome Simão significa “ouvinte compassivo”. O novo nome, outorgado sobre ele por Cristo, foi proporcionado com sua espiritualidade em evolução: Cephas ou Pedro, que significa “rocha”.

Maior, impulsivo, inconstante e temeroso são as palavras chaves que descrevem o humano Simão. Valente, destemido, leal, e determinado até a morte: estes são os principais traços do caráter do espiritual Pedro. Entre estes dois extremos estabelece-se um caminho sombreado pela dor, humilhação e fracasso, como poucos têm experimentado. Mas foi o Caminho da Iniciação, onde as deficiências humanas de um homem foram transformadas em atributos espirituais de um super-homem.

As marés inquietas e mutáveis do mar, pelas quais Pedro passou a vida, pareciam pulsar em seu sangue. Simão, o Discípulo prévio, foi verdadeiramente o “homem-água”. Foram pesadas as tempestades e ferozes as marés necessárias para efetuar a metamorfose do “homem-onda” para o “homem-rocha”.

Na Negação é para ser encontrado o primeiro grande incentivo da gradação da envergadura espiritual. Quanto mais escuro a sombra, mais brilhante a luz. Como mencionado antes, Pedro nunca escutou o galo cantar sem verter lágrimas e novamente implorar por perdão. Do começo ao fim de sua vida ele avidamente acolheu toda forma de perseguição como penitência pela traição ao seu Senhor. Após a negação, Pedro retornou ao Getsemani, cena de provação recente de seu Mestre, e o Jardim se tornou, novamente, Local de Agonia. Foi aqui que o verdadeiro Pedro nasceu. Ele veio diante de digna promessa: “tu és Pedro e sobre esta rocha construirei minha igreja”.

Tão prodigiosos eram os poderes do novo Pedro que o doente foi curado, quando sua sombra passou sobre ele e onde a sua presença era respeitada, produzia múltiplas bênçãos. Sua humildade cresceu, ainda mais, com sua grandeza. O Mestre reprovou sua arrogância no Ritual do Lavapés, mas pelo seu profundo arrependimento pela Negação, ele aprendeu bem sua lição de humildade. Em sua Primeira Epístola ele adverte seus Discípulos para se vestirem com humildade. O espírito da humildade predominou até o fim de sua vida. Ele mesmo pediu para ser pregado na cruz do martírio de ponta-cabeça, pois ele era indigno de morrer da mesma forma que o seu Senhor.

Pedro adentrou num grande acontecimento na sua transferência ao circo de Calígula de Roma, onde muitos Cristãos valentes sacrificaram suas vidas em nome da .

[1] N.R.: Salomé foi uma seguidora de Jesus citada brevemente nos evangelhos canônicos e que aparece nos apócrifos do Novo Testamento. Ela é por vezes identificada como sendo a esposa de Zebedeu e mãe de Tiago e João, dois dos apóstolos de Jesus. Em outras tradições, ela é a irmã de Maria e tia de Jesus. É conhecida na tradição católica como Maria Salomé, uma das “Três Marias”. Não confundir com a filha de Herodias, que exigiu a cabeça de João Batista.

[2] N.R. ICor 15:55

[3]N.T.: Tito Flávio Domiciano, habitualmente conhecido como Domiciano, foi imperador romano de 14 de setembro de 81 até a sua morte a 18 de setembro de 96.

[4]N.T.: é uma pequena ilha da Grécia a 55 km da costa SO da Turquia, no mar Egeu.

[5] N.T.: O Apocalipse na Bíblia

(do Livro: New Age Bible Interpretation, Vol VI, Corinne Heline – Traduzido da Revista Rays from the Rose Cross – 11-12-2002)

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Ego: Chama-se de Ego o Espírito Individual o qual possui três aspectos: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano

Ego – Chama-se de Ego o Espírito Individual o qual possui três aspectos:
– O Espírito Divino cuja contrapartida material é o Corpo Físico;
– O Espírito de Vida cuja contrapartida material é o Corpo Vital;
– O Espírito Humano cuja contrapartida material é o Corpo de Desejos;

O Espírito Tríplice (Ego) dirige o corpo tríplice por meio do Intelecto, traço de união entre o Espírito e seus corpos.

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Escola de Mistérios: há sobre à Terra 7 Escolas de Mistérios Menores e 5 Escolas de Mistérios Maiores

Escola de Mistérios – há sobre à Terra 7 Escolas de Mistérios Menores e 5 Escolas de Mistérios Maiores. Os Mistérios Menores são compostos por 9 graus e se referem à evolução da humanidade ao longo do atual Período Terrestre (o quarto Período). Os Mistérios Maiores são compostos por 4 graus. Eles conduzem ao desenvolvimento que será atingido pela humanidade ao final dos 7 Períodos deste Grande Dia da Manifestação.Os Irmãos Maiores da Rosacruz são todos iniciados nos Mistérios Maiores e sua Escola é a Escola Ocidental dos Mistérios Menores.

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Deus: O nome de Deus designa o Criador do nosso Sistema de Evolução: o Sistema Solar e os 7 Mundos que o compõe

Deus – O nome de Deus designa o Criador do nosso Sistema de Evolução: o Sistema Solar e os 7 Mundos que o compõe. Deus é um “reflexo” do Grande Ser Supremo, criador do Universo.

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Destino: O destino possui as principais lições que nós devemos aprender em uma vida

Destino – O destino possui as principais lições que nós devemos aprender em uma vida. Ele é, por conseguinte, determinado antes do nascimento. Ele nos coloca em um ambiente que nos proverá todas as experiências necessárias ao nosso progresso espiritual. Ele não nos priva jamais do nosso livre arbítrio, e são nossas ações que executamos nas vidas passadas que compõem a base do nosso destino atual.

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Ensino do Mestre

Ensino do Mestre

O Mestre, pela boca da solidão, fala muitas vezes à alma cansada da fatuidade do mundo e ansiosa por nova vida. E diz-lhe: “Não escutes as vozes enganosas que vem de fora. Vem para mim no retiro do teu coração e terás o verdadeiro conhecimento. Não penses deste modo: se eu tivesse num ermo, num vale profundo, numa paragem solitária, poderia realmente encontrar-me, poderia conhecer minha verdadeira vocação”.

“Não é preciso que te afaste para me encontrar. Também habito na tua consciência tranquila, na tua mente sossegada, na tua alma desprendida, nos teus sentidos sabiamente dominados. Eu, a perfeita solidão. Se me buscas, podes encontrar-me em tua casa, no teu lugar de trabalho, entre o ruído da cidade, entre a confusão dos indivíduos. E, então, quando recolhida em ti, atingires tua íntima cela ouvirá a Voz Divina. Saberás que teu primeiro dever é transformar-te e esquecer o passado, bom ou mau, deleitoso ou amargurado, seus triunfos e fracassos”.
A alma, ao receber as sugestões destes belos pensamentos, acende-se em entusiasmo. Faz promessas fáceis e precipitadas. A doçura desses momentos já lhe parece o fim do Caminho, quando não é mais que mínima prenda da promessa divina. No seu encanto, clama, suspira, geme e canta. E diz: “Conduze-me, Senhor, por este brilhante caminho de luz. Abre meus olhos para que veja a Tua beleza. Não te ocultes jamais da minha vista. Transforma a minha vida para que me concentre na única vida, a Tua, Senhor. Que se queime este corpo antigo, para vestir um traje de glória. Tenho trocado tantas vezes de bandeira! Quero, agora, esta nova bandeira, a que é feita de castidade, de renúncias e de sacrifícios. Senhor, por Ti desejaria sofrer todas as provas, todas as dores, padecer mil mortes, passar por mil suplícios, conhecer o martírio por que passaram os Teus servidores mais fieis, só para ser digno do Teu amor! Que se acenda já a chama da minha alma e, quando estiver em flama, que abarque todo o meu ser. Senhor não me deixe agora. Não posso estar só e nem a minha vida é vida sem Ti. Não vês, Sumo Bem, que tenho fome e sede de Ti, cada vez mais ardentes? Já comecei a buscar-Te e não posso mais deter-me, como a flecha que foi arremessada. Fala Senhor. Que queres que eu faça? Que queres de mim? Dize-me, para cumprir somente a Tua vontade”.

Pobre alma! Quanto pede e quanto promete! Não sabe como são duros os espinhos e cortantes as pedras que há de encontrar no Caminho! O Divino Mestre, que a observa com suma ternura, cobre os olhos com as santas mãos, compadecidamente, ao ver, no porvir, todas as suas quedas. Quantas vezes terá que levantá-la; quantas vezes terão de curar-lhe as feridas e afastar de sua mente as nuvens de desencanto e do desespero! Então, o Mestre lhe fala: “Não te levantes, ainda, oh alma, em grandes voos. Não prometas maravilhas nem aspires aos altos cumes da santidade. Contenta-te em viver bem o teu dia e em santificar as pequenas obras diárias. Segue-Me com submissão e simplicidade. Modifica a tua vida sem que nada ou ninguém o note e mantém-te exatamente como antes ainda que teu íntimo esteja completamente transformado. Comece a procurar-Me por toda a parte, todo o dia e sempre. Que teus olhos Me vejam no rosto de todos os seres humanos e, como um véu, suspenso ante todas as coisas. Vê-Me no rico e no pobre, na criança e no ancião, no santo e no pecador, na flor e no céu, no dia e na noite, no trabalho que te desgosta e na festa que te alegra. Todas as coisas têm alguma formosura quando são miradas com olhos serenos, desapaixonados, vistas lá do fundo da solidão interior, da secreta morada. Depois, oh alma, quando a compaixão vibrar em ti e te faça doce e mansa, sossegada e discreta, compreensiva e prudente; quando a dor alheia arder em tua própria carne – então, Me verás. Une-te com a dor, une-te ao Amor, une-te ao saber e à ação – e Me encontrarás. Porém, mais uma vez te recomendo: enquanto esperas, simplifica a tua existência, dia a dia, hora a hora; torna-a cada vez mais suave e mais humilde. Nunca digas: ‘dai-me!’. Que a tua palavra de ordem seja sempre: ‘Tome!’. Compreendes meu filho?”.

A alma ficou serena e tranquila. Aos arranques do entusiasmo, sucederam, em seu coração, a serenidade e a paz profunda. Tendo atingido o umbral da solidão e ouvido a voz do Mestre, começa o seu Caminho. Reina o silêncio em volta. Esta é a hora eterna.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 08/82 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Importância da Oração

A Importância da Oração

Seria importante que o ser humano, nas suas inúmeras atividades e ocupações, reservassem um lugar de destaque à oração, ao impulso interior que o anima a invocar a ajuda e o olhar luminoso de Deus. Um esforço sincero por caminharmos com retidão e confiança, por nos tornarmos melhores, pode considerar-se uma forma de oração – uma prática espiritual constante. No entanto, quando penetramos profundamente no conceito espiritual por detrás da oração e das palavras expressas, iluminamos o nosso ser de um significado mais pleno e mais vasto. A oração transporta o ser humano aos mais altos pináculos de harmonia divina; o consciencializa para a presença Divina que o habita, e torna-o capaz de responder profundamente a esse Amor que em nós vibra e nos dá vida. Torna-nos sensíveis à necessidade de “orar constantemente”, com um reconhecimento imenso pela luz com que a Sua Presença e proteção nos envolve.

Os Discípulos de Cristo sentiram também a necessidade desta vivência espiritual, e pediram-Lhe que lhes ensinassem a orar, ávidos por uma forma de expressão que manifestasse o seu sentir. O Pai Nosso, a Prece do Senhor a Deus, liga-nos à Obra do Espírito; o ser humano é invadido por uma corrente de poder Divino que o renova. Cada uma das sete partes em que se divide esta oração tem a sua função, e deverá um dia manifestar-se através do nosso ser. Quando a oração “é ditada por uma devoção pura e não egoísta, contendo em si ideais elevados, é muito mais sublime que a Concentração. A oração nunca pode ser fria; ela transporta o místico à Divindade, nas asas do Amor”.

A obra purificadora e regeneradora do Ego, começa quando o AMOR penetra o coração, e o ser se torna consciente do seu desejo de servir a presença interna de Deus, em si, em todos os seres humanos e em todas as coisas. O poder deste amor Divino nos traz arrependimento, e o nosso coração lança, então, os alicerces para uma vida purificada. A oração é o poder, a energia que afasta os obstáculos que se interpõem à espiritualização da vida.

O pecado e a desarmonia que existe nas nossas vidas, não é mais do que a cadeia de pensamentos e atos em que persistimos, e que nos afastam da harmônia e equilíbrio natural do Universo, obstruindo a presença e o amor de Deus nos nossos corações. Este flui livremente quando o invocamos numa prece sentida, pois encontramo-nos, então, libertos dos problemas não resolvidos, que constantemente dificultam a passagem desse amor purificador que se derrama sobre nós. A oração que emana de um espírito e de uma atitude de perfeito amor, atrai para si uma perfeita saúde física, mental e espiritual; vivemos segundo a maneira como oramos e vice-versa. Nem toda a oração surge do arrependimento que nos consciencializa do pecado e da vida desarmoniosa. Existe a prece que brota da alegria, da inspiração e do bem-estar que atrai e conserva a vida moldada no amor Divino. Neste construímos os templos da nossa alma, e encontramos o impulso que nos encaminha para a perfeição “à Sua semelhança”. O fogo do amor que tudo consome em si, a beleza e a Verdade inspiradas por Deus estão eternamente presentes na oração e fluem através dos nossos atos e das nossas realizações, engrandecendo e tornando presente e pleno o Seu Divino Plano no mundo.

(THE ROSICRUCIAN FELLOWSHIP – Departamento Cura – publicado na Revista “Serviço Rosacruz” – 06/82 – Fraternidade Rosacruz)

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