COCADA RÁPIDA E FÁCIL
Ingredientes:
Modo de Preparo:
Qual o Exercício que se segue após o Exercício Esotérico da Concentração?
Pergunta: Sabemos que o primeiro exercício a ser praticado tendo como finalidade a organização dos veículos internos é a Concentração. Qual o exercício que se segue após a Concentração?
Resposta: Praticando o exercício de Concentração o Aspirante à vida superior habituar-se-á a focalizar a Mente em um determinado objeto, construindo uma forma de pensamento vivente por meio de faculdade de imaginação. Aprenderá tudo a respeito do Objeto enfocado, por meio da Meditação.
Pergunta: Qual o objeto mais indicado para a prática da Meditação?
Resposta: Suponhamos que o Aspirante à vida superior tenha por intermédio da Concentração fixado sua Mente na figura de Cristo. Torna-se fácil a Meditação, relembrando os incidentes de Sua vida, Seus sofrimentos, Sua ressurreição etc., porém, a Meditação levará o Aspirante à vida superior a alcançar conhecimentos jamais imaginados, inundando sua alma, com inefável luz. Mesmo algo que não desperte muito interesse ou suscite quadros maravilhosos poderá ser objeto de Meditação. Pode-se escolher, por exemplo, uma mesa comum.
Pergunta: O que poderá alguém imaginar a respeito de uma mesa?
Resposta: Inicialmente devemos formar uma imagem clara de uma mesa. Depois pensemos na espécie de madeira de que é feita e de onde veio. Volvamos até ao tempo em que, como pequena e delicada semente, caiu na terra do bosque, desenvolvendo depois a árvore de cuja madeira a mesa foi construída. Observe-se a arvorezinha, ano após ano, coberta pelas neves do inverno ou acalentada pelo Sol estival, crescendo continuamente, enquanto as raízes constantemente penetram na terra. No princípio era um tenro broto. Depois tornou-se um arbusto, crescendo gradativamente, dirigindo sua copa ao ar e aos raios do Sol. Com o passar dos anos a fronde e o tronco tornam-se cada vez maiores. Por fim chega o lenhador e a derruba com seu machado.
Pergunta: Quais os detalhes a serem evidenciados e desenvolvidos?
Resposta: A nossa árvore encontra-se tombada e despojada de sua ramagem. Tendo sido descarregada de um caminho, foi arrastada até a margem do rio, a fim de aguardar a primavera e o consequente degelo das correntes fluviais. Então nossa árvore, juntamente com outras que se encontram à margem do rio, será transformada em uma grande balsa e a correnteza levá-la-á ao seu destino.
Pergunta: Como reconheceremos a nossa árvore?
Resposta: Conhecedores de todas as suas pequenas particularidades, reconhecê-la-emos imediatamente entre milhares de outras. Temos a observado tão clara e minuciosamente, seguimos o curso da balsa pela corrente, observamos as paisagens e familiarizamo-nos com os homens que cuidam da balsa ou jangada e dormem dentro de pequenas cabanas construída sobre a carga flutuante.
Finalmente chegamos à serraria. Uma a uma as toras são retiradas da água, e encaminhadas à grandes serras circulares.
Pergunta: Devemos apenas observar em tais circunstâncias ou também “ouvir”?
Resposta: Sim, devemos “ouvir” também o chiar da serra sobre a madeira. A imagem deve ser vivente em todos os seus detalhes.
Pergunta: Os detalhes alusivos à fabricação devem ser considerados?
Resposta: Exatamente. Observemos os dentes penetrando na madeira, dividindo-a em tábuas e pranchas. As melhores são enviadas a uma fábrica de móveis onde são cortadas e aplainadas. Pedaços de diversos tamanhos são colados para formar os tabuleiros das mesas, sendo as pernas feitas com os restos mais finos. Todo o móvel é lixado, envernizado e polido. Assim acabada em todos os seus pormenores, a mesa é enviada à loja para ser vendida.
Dessa maneira, por meio da Meditação familiarizamo-nos com os vários ramos da indústria que convertem uma árvore do bosque em uma peça de mobiliário.
Observamos todas as máquinas, os homens e as peculiaridades dos diferentes lugares visitados. Vimos também o processo da vida que fez surgir a árvore da delicada semente, e aprendemos que atrás de toda aparência, por simples que seja, há sempre uma história do mais alto interesse.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/68 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Preparação para o Casamento
Os Essênios, que viviam em suas próprias comunidades privadas no Egito e na Terra Santa, deram ensinamentos superiores como parte do seu trabalho no Templo. Antes de entrarem no casamento, homens e mulheres, igualmente, seguiam certas práticas de purificação e por um ano todos comiam comidas especiais prescritas pelos mais velhos. Outras prescrições eram dadas para as mulheres no estado de gravidez. A abençoada Maria, mãe de Jesus de Nazareth e Elizabeth, a mãe de João Batista, eram duas mulheres que receberam essa educação e elas deram à luz as mais maravilhosas e desenvolvidas crianças que o mundo conheceu. Elas não tinham dúvidas quanto à escolha de se tornarem os instrumentos para as vidas de dois seres que desempenharam um papel tão importante na história do mundo, por causa da pureza de pensamentos e treinamento espiritual delas.
O espiritual é a compreensão do amor onipotente e onipresente, que está dentro de cada Espírito vivente. Quanto mais a mãe envolver o Ego que está para vir com amor, mais a criança será capaz de vibrar em uníssono com o mais Alto.
Assim, através da mãe, os mais elevados tipos da humanidade podem ser incorporados e ela deve estar absolutamente consciente disso. Honestidade e bondade devem começar em casa, onde toda a verdadeira reforma começa. Deve começar com a própria pessoa, nesse caso a mãe, e seu desejo deve ser o de trazer para o mundo físico O mais elevado ser humano.
Os pais não estão isentos de responsabilidade. A condição mental da mãe depende muito do tratamento que seu marido der a ela durante o período de gestação. É dever do ser humano, nessa fase especial, provir a mulher de todas as necessidades e conforto da vida que estão ao seu alcance e demonstrar-lhe a maior ternura e carinho. Ele deve procurar desenvolver suas mais nobres qualidades da Mente e do coração, pois a impressão que ele marca na mãe durante esse período será, em última análise, o que ele imprimirá sobre a criança, através da mãe.
A vida e a obra de Maria, José e Jesus são proféticas da Nova Era, quando todo Ego será bem nascido, concebido em Amor pelos pais que são puros e castos. Somente então haverá uma raça de novos seres unidos em amizade e amorosa fraternidade que farão manifestar um mundo novo, onde habitarão a paz, a alegria, a saúde e a abundância. Será verdadeiramente mostrado no futuro “santidade perante o Senhor”.
Nós reconhecemos que somos de natureza Tríplice – física, mental e espiritual – e que essas 3 partes de nosso ser devem ser desenvolvidas juntas e equilibradas. Devemos considerar isto também quando pensamos nas influências pré-natais, devemos tentar equilibrar o desenvolvimento espiritual com o mental. Quando pensamos sobre tais manifestações da vida, como nós as vemos no fenômeno do nascimento de uma criança e nas influências pré-natais, devemos considerar isto ao lado dos fatores físicos e materiais que a ciência descobriu por meio de longos e pacientes estudos. Há também verdades espirituais e mentais que têm igual importância e que devem ser consideradas. Se cada um pudesse saber sob que condições pré-natais ele nasceria, estaria mais habilitado a explicar muitas coisas a seu próprio respeito.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 06/85 – Fraternidade Rosacruz –SP)
O Ciclo: o fim não existe, somente um contínuo eterno, uma existência eterna
Deus emite o Som! Harmonia total que atrai do absoluto todos os componentes pertencentes a Ele. Os diferentes sons agrupam-se em formas diferentes. Não existe matéria morta, todos são carregados com a vida do Absoluto.
O Som mantém sua vibração ritmada e sua duração é o tempo da vida do Universo.
O Som potente desperta a vida no ser inconsciente. Responde, mas a sua consciência não é plena, sua resposta não é o som absoluto. Desafina. Assim a vibração muda e diferencia. As formas já não são perfeitas, a dissonância cria defeitos e na luz absoluta aparecem as sombras. Criam oposições. Positivo-negativo, luz e sombras, bem e o mal, harmonia-dissonância. A luta começa. Respira-expira, recolhe o erro e devolve restaurado.
A harmonia ressoa e a criação com mais consciência tenta vibrar em uníssono, mas seu tom é lento e pesado. Submerge pelo peso e cria novas camadas na sua involução. Cria dor e sofrimento, erros, doenças que aguilhoam para despertar e descobrir sua origem divina.
Uns aumentam sua vibração atinando o som. A luz deles aumenta. Não está tudo feito nem aprendido, mas o ciclo termina. O som extingue, o arquétipo tem seu colapso. O Absoluto absorve o bem, o mal, as lutas, os fracassos e os êxitos. Para preparar o próximo dia da criação, uma nova luta, uma nova oportunidade.
O fim não existe, somente um contínuo eterno, uma existência eterna. A consciência humana não atinge a razão da criação. Ainda não. Agora somente podem existir confiança e fé na Vida Eterna, onde nós vivemos, movemos e temos o nosso ser.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/84 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O Correto Uso do Conceito Poder
A riqueza, o amor, o poder e a fama são quatro fatores determinantes de toda ação humana. Em si mesmos não são bons nem maus. Apenas não podem ser considerados como fins, mas como meios.
Infelizmente essa ordem foi subvertida: a humanidade luta para adquirir fortuna, poder, prestígio e apreciação como se fossem a razão de ser da própria vida ou a sua finalidade. Poucos, pouquíssimos mesmo utilizam esses talentos para espargir bem-estar, oportunidades.
Tomemos como exemplo a ideia de poder. No “Conceito Rosacruz do Cosmo”, Max Heindel afirma tratar-se de uma força cujo uso legítimo deve dirigir-se à elevação da humanidade. Quantas vezes encontramo-nos em situações em que o poder está em nossas mãos? De que maneira o usamos? Essa pergunta devemos nos fazer com frequência. Independentemente de nossa formação cultural ou de nossa posição socioeconômica sempre temos algum poder em nossas mãos, sempre exercemos autoridade sobre alguém, sobre nossos filhos, colegas, empregados e até animais.
Estamos empenhados em elevar os que se encontram em situação inferior ou, pelo contrário, procuramos usá-los com o objetivo de mantê-los escravizados aos nossos desejos pessoais? No ambiente de trabalho, aceitamos sugestões dos nossos subordinados ou negamos-lhes qualquer oportunidade de expressarem sua criatividade? É comum pessoas em posição de mando fazerem uso de ideias ou até apropriarem-se de criações de seus subalternos como se fossem de sua autoria. O pior é que nem sequer lhes reconhecem o mérito.
Não entendemos o poder se não como uma forma de distribuir justiça e oportunidades de crescimento a todos os seres humanos. A simples leitura de um jornal de grande empresa nos dá a ideia de como o poder é exercido no mundo. Nem sequer precisamos aprofundarmo-nos no texto. As manchetes, as chamadas sugerem como o poder é exercido de forma pessoal, egoísta e cruel. A afirmação, muito comum em nossos dias, principalmente na esfera política, de que o “poder corrompe” é absolutamente incorreta. Os seres humanos é que são corruptos antes de se guindarem ao poder. Apenas fazem mal uso dele. O poder em si mesmo não tem força para corromper ou redimir ninguém.
O aspirante à vida superior não pode deixar de meditar sobre esse assunto, pois alguma autoridade ele deve estar exercendo. Na pior das hipóteses ele a exerce em sua casa, sobre seus filhos. Se não agir com amor e equanimidade, causará infindáveis sofrimentos. Muitos adultos desajustados e infelizes foram crianças reprimidas, maltratadas e humilhadas. Sua criatividade inibida por uma educação ortodoxa e conservadora; sua liberdade violentada; seu direito de expressão amplamente negado. O resultado não poderia ser outro: um indivíduo amargurado, revoltado, tímido, preconceituoso, cuja tendência é descarregar todos esses sentimentos negativos em cima do cônjuge e dos filhos. Desse encadeamento formam-se legiões de infelizes.
Se isso ocorre no âmbito familiar, imagine-se nas consequências de um poder equivocadamente exercido em nível de governo. O desastre assume proporções aterradoras, infelicitando todo um povo.
Surge, então, um ponto interessante para meditação: quem não é justo e magnânimo nas pequenas coisas poderá sê-lo nas grandes? Vê-se, pois, como o uso distorcido do poder nos pequenos episódios do cotidiano já faz antever as futuras desgraças. O correto exercício do poder, portanto, deve principiar no seio da família. Ali se forja o mundo do futuro.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/85 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Influências Fisionômicas e de Personalidade dos Astros
(*) Advertência: a descrição aqui apresentada é mais exata quando o Astro é o Regente do horóscopo e bem-aspectado.
(Veja mais no Livro: Mensagem das Estrelas – Capítulo XIX – Max Heindel e Augusta Foss Heindel)

O Planeta Vênus leva, aproximadamente, 1 ano terrestre para percorrer todos os Signos do Zodíaco pertencendo, dessa forma, ao conjunto dos Planetas rápidos.
Atualmente Vênus rege 2 Signos: Touro e Libra.
Vênus proporciona um corpo bonito e fofinho.
Os cabelos tendem a ser loiros e cacheados.
O corpo tem muitas covinhas e com tendência à corpulência. Vênus rege o amor ao nível pessoal, limitando-se à família e amigos.
Vênus tende a fazer as pessoas graciosas e civilizadas, às vezes vacilantes e, no horóscopo de um homem, produz o tipo amável e com gostos refinados; proporciona a tendência a se preferir a bijuteria e ao uso destas; gosta de artes e moda. Vênus rege: os rins, a garganta, a circulação venosa e a glândula Timo.
Tradução feita pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil, do original: ASTROLOGISCHE TYPELOGIE – Hans Stein – Fishe-tekst – Fraternidade Rosacruz – Alemanha
Os Gêmeos
Palavra-Chave: Razão
Bento e Bernardo eram irmãozinhos gêmeos. Moravam no bonito estado da Califórnia, onde o Sol brilha quase todos os dias e as crianças podem sair de casa para brincar ao sol.
Eles tinham feito cinco anos na véspera e tinham ido pela primeira vez à escola. Todas as noites, mamãe permitia que brincassem meia hora com seus brinquedos, antes de irem para a cama. Esta noite eles estavam brincando de escola, contando os pequenos blocos de madeira com figuras de animais e com letras de A, B, C, etc. Talvez vocês também tenham alguns brinquedos iguais a esses.
De repente, mamãe, que conversava na cozinha com Jane, sua filha mais velha, de dez anos, ouviu as vozes alteradas dos dois meninos.
– Está certo, dizia Bernardo.
– Não está, dizia Bento.
– Está.
– Não está.
– Pelo amor de Deus, disse a mãe a Jane, ouça esses meninos!
Querendo saber o que estava acontecendo, foi à sala de jantar, onde eles brincavam. Viu dois rostinhos perturbados e Bernardo segurando um bloco em cada mão.
– Mamãe, disse Bento. Bernardo quer fazer três blocos de dois; escute o que ele está dizendo.
Segurando os blocos no alto, um em cada mão, Billie exclamou:
– Olhe mamãe, este bloco é um, não é?
– Sim, respondeu a mãe.
– E este outro bloco é dois, não é? – Sim, Bernardo, é claro, concordou.
– Então, disse Bernardo, um e dois fazem três, não é, mamãe?
– Mas você só tem um bloco em cada mão, Bernardo, argumentou a mãe, e um mais um são dois; porém, se você tivesse dois blocos em uma das mãos e um na outra, aí então seriam três.
– Mas, mamãe, insistiu Bernardo, um e dois fazem três, não é?
– Bento, Bernardo, vejamos, disse Mamãe. Suponha que você dá um bloco para Bento, um para a mamãe e você fica com o terceiro.
Bernardo deu um bloco para Bento e um para a mãe e, como era de se esperar, não restou nenhum para ele, o que o deixou muito embaraçado. Essa foi a maneira como aprendeu a pensar por si mesmo e usar a sua mente.
Mamãe ficou contente porque mostrou que os gêmeos tinham começado a usar os olhos, os ouvidos e a mente, e isto eles estavam começando a aprender na escola.
– Agora, crianças, disse Mamãe, como estamos novamente felizes, guardem os brinquedos direitinhos e vamos para a nossa história de hoje.
Todos os dias, a mãe contava uma história sobre alguém que havia feito alguma coisa de valor para ajudar o mundo. Antes já falara sobre um homem chamado Bell, que havia inventado o telefone, e sobre Edison, que havia feito coisas maravilhosas com a eletricidade. Nesta noite, contou-lhes a história de Henry Ford, que fabricara muitos automóveis e tornara muitas pessoas felizes, porque os preços dos carros não eram muito altos, e assim elas podiam chegar mais rápido e facilmente ao trabalho durante a semana. Aos domingos, após a Escola Dominical, elas podiam passear e mostrar às suas respectivas famílias as belas paisagens do campo.
Essa história fez com que os gêmeos desejassem crescer e se tornarem homens, para que também pudessem fazer coisas úteis neste belo mundo de Deus. A mãe disse-lhes que para isso deveriam ir à escola, onde poderiam aprender muitas coisas úteis. Recomendou-lhes também que não deveriam brigar mais um com o outro; quando discordassem sobre alguma coisa, pedissem ajuda de alguém mais velho para resolver o problema. Desse modo, estariam usando a razão e crescendo tanto em bondade como em sabedoria.
(Do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. V – Compilado por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)
O Sentido Metafísico da Expressão Corporal
A dança, como arte, ainda não foi entendida nos seus aspectos mais profundos. Seu aprendizado conquistou grande popularidade nos dias atuais, devido principalmente a razões de ordem estética. Pela cabeça de ninguém passa a ideia de que essa arte maravilhosa tenha conotações metafísicas.
Na expressão corporal encontramos a primeira forma de comunicação do ser humano. E como as primeiras sociedades humanas eram teocráticas, encontramos a dança inserida nos rituais religiosos, como meio de comunicação com a divindade. Mediante o do movimento o ser primitivo exprimia seus sentimentos e aspirações.
Platão, na Grécia, vislumbrava na dança a possibilidade de se erigir uma nova ordem social. Mas, à sua visão, essa arte só poderia atingir seus elevados objetivos se considerasse o ser humano em todos os seus aspectos: físico, emocional, mental e espiritual.
Com o passar do tempo a expressão corporal perdeu o sentido místico. Por ser considerada uma política pagã e mundana, acabou sendo abolida da ritualística nos templos, até permanecer como simples arte ligada apenas à beleza plástica.
No final do século passado surge nos Estados Unidos a figura de Isadora Duncan1, revolucionando a dança na tentativa de dar-lhe um alcance social.
A natureza foi a principal fonte de inspiração de Isadora, tendo ela, por ter vivido muitos anos no litoral, atribuído ao ritmo das águas a sua primeira ideia de movimento.
Essa mulher extraordinária foi uma autodidata, procurando inspiração artística e filosófica em luminares como Platão, Shakespeare e o grande poeta americano Walt Whitman. Ela imaginava, tal como Platão, que o filósofo e o dirigente político ideal, pois sua ação enseja a formação de valores em cada indivíduo. E esse objetivo, pensava, só se atinge por meio de um sistema educacional integrado em que o ser humano fosse tratado também como um ser integral. Chegou até a adotar quarenta crianças para ministrar-lhes uma educação especial, onde se destacava o uso de vestimentas adequadas (túnicas leves e sandálias) e alimentação vegetariana.
Sobre Walt Whitman, um de seus inspiradores, ela assim se expressou: “Descobri a dança. Descobri a arte que estava perdida há dois mil anos. O senhor conseguiu criar um magnífico e artístico teatro. Entretanto, nele falta algo que fez a grandeza do antigo teatro grego. É a arte da dança – o trágico “chorus grego”. Sem isto, ele tem apenas o tronco e cabeça, faltando-lhe pernas para ir adiante. Trago-lhe a dança. Trago-lhe a ideia que há de revolucionar totalmente a nossa época. Onde foi que a descobri? A beira do Pacífico, junto das ondulantes florestas de pinheiros da Serra Nevada. Eu vi a figura ideal da mocidade americana dançando no alto das Montanhas Rochosas. O poeta supremo da nossa terra é Walt Whitman. Em verdade, sou filha espiritual de Walt Whitman. Para as crianças da América quero criar a dança que seja a expressão da América. Trago para o seu teatro o sopro vital que lhe falta, a alma da dança. O teatro nasceu da dança. O primitivo ator foi um dançarino. Foi assim que nasceu a tragédia. E, enquanto o bailado, na espontaneidade de sua grandeza não voltar ao teatro, este não poderá viver a sua verdadeira expressão”.
Para Isadora Duncan a dança é um meio do ser humano descobrir seu corpo e conhecer-se a si mesmo. É importante o ser humano conhecer-se primeiro para melhor conhecer seus semelhantes. Isadora desencarnou em 1927.
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[1] N.R.: Isadora Duncan era o nome artístico de Dora Angela Duncanon. Precursora da dança moderna, ela propôs uma dança livre de espartilhos, meias e sapatilhas de ponta, apresentando-se com trajes esvoaçantes, cabelos soltos e pés descalços.
(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 03/85 – Fraternidade Rosacruz)
Pergunta: Por que é necessária a nossa passagem por esta existência física? Não poderíamos aprender as mesmas lições sem estarmos aprisionados e limitados pelas densas condições do mundo material?
Resposta: O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego, e a palavra Logos significa tanto o verbo quanto o pensamento que precede o verbo, de maneira que quando São João nos diz, no primeiro capítulo do seu Evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”, podemos também traduzir aquele versículo como: No princípio era o pensamento, e o verbo estava com Deus, e Deus era o verbo. Tudo existe em virtude daquele fato (o verbo). Naquilo está a “vida”.
Tudo que existe no universo foi primeiro um pensamento. Então, aquele pensamento manifestou-se através de uma palavra, um som, que construiu todas as formas, sendo ele próprio a manifestação da vida dentro daquelas formas. Esse é o processo da criação, e o ser humano, que foi feito à imagem de Deus, cria, até certo ponto, da mesma forma. Ele tem a capacidade de pensar; ele pode exprimir seus pensamentos e, assim, quando não for capaz de executar sozinho suas ideias, pode conseguir o auxílio de outros para realizá-las. Mas, aproxima-se o tempo em que criará diretamente através da palavra emitida pela sua própria boca. Atualmente, ele está aprendendo a criar por outros meios, mas quando estiver capacitado a usar sua palavra para criar diretamente, ele saberá como fazê-lo. Esse treino é absolutamente necessário. No momento presente ele cometeria muitos erros. Além disso, ainda não é suficientemente bom – poderia dar forma às criações demoníacas.
Nos primórdios, quando o ser humano esboçava os seus primeiros esforços, ele usou os sólidos; a força muscular era o único meio do qual dispunha para executar seu trabalho. Com ossos e pedras colhidos no solo, produziu os primeiros instrumentos grosseiros com os quais manipulou objetos. Em seguida, numa rude canoa feita de um tronco de árvore, aventurou-se às águas, um líquido, e a roda d’água foi o seu primeiro maquinário. O líquido é bem mais poderoso que o sólido. Uma onda destruirá completamente o convés de um navio, arrancará os mastros e torcerá as mais sólidas barras de ferro como se fossem um fino arame; mas a potência da água é uma força estacionária, portanto, restrita a trabalhar em sua adjacência imediata. Quando o ser humano aprendeu a usar a força ainda mais sutil que chamamos ar, conseguiu erigir moinhos de vento para trabalhar por ele em qualquer lugar, e embarcações à vela estabeleceram a comunicação pelo mundo afora. Portanto, o passo seguinte do ser humano em seu desenvolvimento foi realizado pelo uso de uma força ainda mais sutil que a água e mais universalmente aplicável do que aquele elemento. O vento era inconstante e não se podia depender unicamente dele. Em consequência, o avanço realizado, até então, pela civilização humana tornou-se insignificante quando o ser humano descobriu como utilizar um gás ainda mais sutil chamado vapor; o qual pode ser produzido em qualquer e em todos os lugares, e o progresso do mundo tem sido considerável desde esse advento. O seu emprego, no entanto, requer um maquinário de transmissão de força, o que representa uma desvantagem. Mas essa foi praticamente eliminada pelo uso de uma força ainda mais sutil, mais facilmente transmissível, a eletricidade, que é, ao mesmo tempo, invisível e intangível.
Vemos que o progresso do ser humano no passado dependeu da utilização de forças de sutileza crescente, cada força conseguindo maior capacidade de transmissão que as outras antes disponíveis. Assim, podemos perceber facilmente que um progresso futuro dependerá da descoberta de forças ainda mais refinadas e mais facilmente transmissíveis. Sabemos que a telegrafia sem fio é realizada até sem o uso de fios. Mas, mesmo esse sistema não é o ideal, pois depende da energia gerada numa usina central, que é estacionária. Envolve o emprego de um maquinário de custo elevado e está, portanto, fora do alcance da maioria. A força ideal seria uma força gerada vinda do próprio ser humano no momento que desejasse e sem maquinário.
Algumas décadas atrás, Júlio Verne fez-nos vibrar ao fazer aparecer magicamente o submarino, a viagem ao redor da Terra em oitenta dias etc., estimulando, assim, a nossa imaginação. Hoje, todas as ideias concebidas por ele concretizaram-se, superando até a sua imaginação. Chegará o dia em que teremos à nossa disposição uma fonte de força igual àquela sobre a qual falamos acima. Bulwer Lytton, no seu “Raça do Futuro” (Coming Race), descreveu-nos uma força chamada “Vril”, que certos seres imaginários possuem e podem usar para locomover-se sobre a terra, através do ar e de outras várias maneiras. Tal força está latente em cada um de nós e, por vezes, referimo-nos a ela como emoção. Sentimos seu poder de longo alcance como temperamento quando desencadeado, e dizemos: “aquele ser humano perdeu o autocontrole”. Nenhum trabalho, por mais cansativo que seja, pode esgotar o corpo físico e prejudicá-lo tão seriamente quanto a enorme energia do Corpo de Desejos quando está solta num acesso de raiva. Atualmente, essa força enorme está, em geral, adormecida, e é bom que continue assim até que tenhamos aprendido a usá-la por meio do pensamento, que é uma força ainda mais sutil. Este mundo é uma escola que nos ensina a pensar e sentir corretamente, e assim tornar-nos aptos a usar estas duas forças sutis – o poder do pensamento e o poder da emoção.
Uma ilustração tornará claro como este mundo serve àquele propósito. Um inventor tem uma ideia. A ideia não é ainda um pensamento. É quase como um lampejo que ainda não tomou forma. Mas, gradualmente, ele a visualiza dentro da sua mente. Ele concebe em seu pensamento uma máquina, e diante da sua visão mental aparece aquela máquina com as rodas girando, conforme a necessidade requerida para a realização do trabalho. Em seguida, começa a esboçar o projeto da máquina, e mesmo no estágio de concretização surgirá certamente a necessidade de fazer modificações. Desse modo, vemos que as condições físicas mostrarão ao inventor em que ponto o seu pensamento não estava correto. Ao construir a máquina com material apropriado para a realização do trabalho, geralmente mais modificações serão necessárias. Ele poderá ver-se obrigado a inutilizar a primeira máquina, reformular inteiramente seu conceito e construir uma nova máquina. Desse modo, as condições físicas concretas permitirão detectar a falha do seu raciocínio; elas o forçarão a fazer primeiramente as modificações necessárias em seu pensamento original para concluir a máquina requerida. Se existisse apenas o Mundo do Pensamento, ele não chegaria a saber que havia cometido um engano, mas as condições físicas concretas mostram-lhe onde o seu pensamento estava errado.
O Mundo Físico ensina o inventor a pensar corretamente, e suas bem-sucedidas máquinas são a corporificação do pensamento correto. Nos empreendimentos comerciais, sociais ou filantrópicos, confirma-se o mesmo princípio. Se as nossas ideias concernentes aos vários assuntos da vida são errôneas, elas são corrigidas quando aplicadas nas chamadas experiências empíricas. Consequentemente, este mundo é uma necessidade absoluta para ensinar-nos como manipular o poder do pensamento e do desejo, sendo atualmente estas forças controladas, em grande parte, pelas nossas condições materiais. Mas, com o passar do tempo, e à medida que aprendermos a pensar corretamente, iremos adquirindo um tal poder mental que seremos capazes de emitir o pensamento correto imediatamente, em todos os casos, sem ter que passar pela experiência, e seremos também capazes de expressar o nosso pensamento através de uma manifestação real, como uma ação. Houve um tempo, num passado bem longínquo, em que o ser humano era ainda um ser espiritual e as condições da Terra mais moldáveis. Então, ele foi ensinado diretamente pelos Deuses a usar a palavra como meio de criação, e assim trabalhava formativamente sobre os animais e as plantas. A Bíblia diz-nos que Deus trouxe os animais para o ser humano e este os nomeou. Essa designação não se limitava simplesmente a chamar um leão de leão, mas era um processo formativo que conferia ao ser humano um poder sobre aquilo que ele nomeava, e foi só quando o egoísmo, a crueldade e o ódio desenfreado tornaram-no incapaz de exercer o domínio correto, que a palavra do poder, sobre a qual falam os maçons, perdeu-se. Quando a santidade tomar novamente o lugar da profanação, a palavra será reencontrada e tornar-se-á o poder criativo do ser humano divino numa era futura.
(Perg. 3 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
As Aventuras de Rex e Zendah no Zodíaco
A Terra do Touro
Uma muralha de pedra, sólida e preta apareceu aos olhos de Rex e Zendah quando se aproximaram da terra do touro. Levantava-se reta e lisa; não se via uma falha. Mais ou menos a seis pés de altura do chão havia muitas esculturas; rostos pequenos, pássaros e animais semelhantes aos que fossem descobertos nas escavações feitas nos desertos do Egito. Os rostos eram esculpidos, sobressaindo ligeiramente da superfície da muralha e o conjunto escultural tinha por fundo linda pedra azul para fazer com que as esculturas sobressaíssem.
Defronte da muralha o chão era arenoso; tão seco que a cada passo que se dava erguia-se uma nuvem de poeira. Os meninos sabiam que era difícil encontrar o Portão do touro, pois estava escondido, e por isso eles começaram a examinar cuidadosamente toda muralha. De súbito, Zendah tropeçou em alguma coisa no chão. Afastou a areia com as mãos e encontrou um alçapão de pedra, quadrado, tendo no meio uma argola de cobre que repousava num cavado feito de pedra. Rex pegou a argola e deu-lhe um puxão, mas a argola não se moveu. Zendah também tentou, mas nada conseguiu.
Súbito, lembraram-se: ‘temos de botar no cavado em que está a argola, o pó azul que Hermes nos deu, e colocar as joais que ganhamos na Terra do Escorpião-Águia e na do Homem do Jarro, uma de cada lado, e a joia do Leão por baixo. Depois disso vamos esperar para ver o que sucede”.
Olharam para as instruções que Hermes lhes dera para se certificarem se era isso que deveriam fazer. Era isso mesmo. Zendah ajoelhou-se e pôs o pó no cavado e arrumou as joais da maneira ordenada. Um minuto depois, subiu uma espiral de fumaça do pó e a terra tremeu tão forte que Rex e Zendah caíram um de cada lado do alçapão.
Ao se levantarem constataram estar ao lado de uma abertura feita no chão. O alçapão estava suspenso de um lado como uma tampa de caixa. As joias enfileiradas adiante, prontas para eles apanharem-nas de novo. A abertura do alçapão era o princípio de uma escada de pedra. Os meninos pensaram que ali estava a entrada da Terra do Touro. Desceram a escada até o fundo onde viram uma arcada com uma porta de pedra na qual havia uma aldrava para bater, em forma de cabeça de touro. Rex deu duas pancadas e ouviu-se uma voz:
– “Quem é?”
– “Rex e Zendah”.
– “A senha?” perguntou de novo a voz.
– “Força”.
A porta caiu para trás e eles tiveram de subir por ela para poderem entrar. O Guardião do portão era uma pessoa alta e estava com um capacete semelhante a cabeça de um touro. Que figura esquisita!
À entrada estava parada uma robusta mulher usando vestido branco com cinto azul. Seus ombros estavam encobertos completamente por um colar chato, de pedras azuis. Uma cinta de cobre mantinha seus cabelos castanhos-escuros em ordem. Na frente da cinta havia um ornamento feito de chifre.
– “Sejam bem-vindos à Terra do Touro”, disse ela. “Possa nossa amizade durar tanto quanto são fortes e duradouros os nossos alicerces”. Afastando-se para um lado, conduziu os meninos para dentro onde estava parado um carro puxado por dois bois brancos com uma coroa de flores nos chifres. Depois dos meninos subirem para o carro, ela subiu na frente e dirigiu a carruagem.
As estradas eram largas e lisas, muito bem conservadas. Não viajaram muito, mas assim mesmo tiveram tempo para olhar os arredores. A primeira parte da terra por que passaram era campo; por toda parte viram homens e mulheres atarefados em arar e plantar. Todos pareciam saudáveis e vigorosos. A maioria possuía esplêndida cabeleira castanho escuros e grandes olhos também dessa cor. Todos cantavam enquanto trabalhavam. Onde havia muitos juntos, podia-se ouvir quase que um concerto. Em alguns lugares as sementes já germinavam.
Parecia não haver lugar que não fosse cultivado.
Pouco adiante viram homens abrindo novas estradas e fazendo as fundações de edifícios. Os edifícios eram fortes e bem feitos. As paredes muito grossas e feitas de pesados blocos de pedra. Parecia que durariam para sempre depois de prontos.
Nas casas já habitadas, os meninos verificaram que cada uma tinha um pequeno campo onde um touro ou uma vaca pastava ou estava deitado, aquecendo-se ao sol. De fato, havia, tanto gado nessa terra quanto cavalos na Terra do Arqueiro.
Logo chegaram à Cidade do Touro. Era um quadrado perfeito, tendo aos lados altas e maciças paredes nas quais havia entradas frente ao norte, ao sul, a leste e a oeste. A carruagem parou no portão norte e eles seguiram seu guia a pé pela cidade. As ruas estavam cheias de pessoas; e como trabalhavam. Parecia que tinham tudo que você possa imaginar para vender. Havia mercadores de todas as parte do mundo tentando vender suas mercadorias dos donos de lojas.
Em algumas lojas havia nas vitrines toda a sorte de coisas boas para comer. Só de olhá-las, ficava-se com fome.
Os meninos pararam a entrada de uma joalheria pois nunca viram, em parte alguma, tanta joia de ouro, nem pedras tão bonitas. Zendah quis comprar algumas para levar para casa, mas… não encontrou dinheiro nos bolsos de sua “roupa estelar”.
Estava difícil afastá-los dali porque havia muitas coisas bonitas para se ver; mas afinal, foram para a parte central do mercado, onde se erguia o edifício principal da terra. Havia uma fonte em cada canto, surgindo das costas de quatro touros de mármore, pois este grande edifício, como toda a cidade, era um quadrado perfeito. O portão de entrada estava guardado por homens com capacetes semelhantes ao que usava o Guardião da entrada da Terra.
Suas túnicas curtas eram azuis e seus escudos brancos, com um touro preto como ornamento.
Rex e Zendah estavam certos de que esse palácio não poderia sair dali; era tão sólido e tão estável quanto era móvel e aéreo o palácio de Hermes. Já no seu interior, os meninos ficaram embasbacados; estavam na parte mais bonita do edifício; cada parede, soalho ou corredor era de desenho diferente feito de pedra de várias cores e feitios.
Para poderem entrar na sala principal tiveram de afastar as cortinas de cor azul celeste. O teto da sala estava pintando de forma a parecer o céu estrelado. Ao redor havia grandes pilares com figuras pintadas semelhantes àquelas da entrada da terra.
O trono tinha por braços touros entalhados e em cima, na parede que ficava por trás, havia grande janela em forma de crescente lunar.
Uma mulher que estava sentada no trono sorriu para os meninos e pouco depois viram que ela era a Rainha Vênus, embora parecesse algo diferente, o que fez com que não a reconhecessem imediatamente. Seu vestido estava todo dobrado ao seu redor, em tantas dobras que ela estava quase escondida, mas seu pescoço e seus braços estavam nus. Usava magnífico colar de esmalte azul com correntes de esmeraldas pendentes e em sua cabeça tinha uma coroa feita de estreita tira de cobre os quais brilhava com círculo de prata.
Já era tarde porque a noite começara a cair enquanto eles iam para o palácio. A lua cheia apareceu brilhando através da janela bem por cima da cabeça da Rainha. Nesse preciso instante um órgão, no fundo do salão, começou a tocar suavemente e vozes em coro cantaram uma canção de agradecimento que, em constante crescente, terminou fortíssimo.
No momento de silêncio que se seguiu, Rex e Zendah viram a figura do quarto grande Anjo, com uma estrela na fronte, muito semelhante aos outros Anjos que haviam visto, com a única diferença que este possuía asas azuis.
Abriram-se as cortinas e uma procissão de pagens apareceu conduzindo bandejas de cobre. Era o festival das Ofertas da Terra. Essas ofertas consistiam em sedas, sementes, buquês de violetas, ornamentos de ouro e de prata, tudo tão bonito! No fim de tudo apareciam vasilhas cheias de moedas de ouro e de prata.
Mercadores de todas as cores e raças davam suas graças. Arquitetos trouxeram seus planos. Durante todo o tempo que durou a procissão de dádivas, o coro entoou a canção da Abundância da Terra.
Cada pagem, à medida que entrava, ocupava determinado lugar a direita ou à esquerda do trono. Depois de terem entrado todos os pagens, Rex e Zendah viram que estavam esperando por eles, para se apresentarem diante do trono.
Ficaram muito encabulados pois nada tinham para oferecer.
A Rainha Vênus sorriu e disse:
– “Não esperamos que nossas visitas nos façam ofertas; ao contrário, somos nós que lhes damos algo, para levarem consigo. Por certo já perceberam que nesta terra há abundância de tudo o que proporciona conforto e bem estar. Eis aqui a bolsa mágica que nunca se esvazia desde que você dê um pouco do seu conteúdo a outro que dele precise ou toda vez que você gastar algum dinheiro com você. Ela lhe dará riqueza, Rex, mas use-a com sabedoria. A você Zendah, concedo o Dom da voz, Dom mais precioso do que o ouro”.
Tendo tocado a garganta da menina com sua varinha ornada com violetas, Vênus colocou-lhe em torno do pescoço um colar de esmeraldas. Zendah sentiu vontade de cantar.
Vênus acenou com a cabeça, dando sinal aos músicos, e antes que pudesse perceber o que fazia, Zendah estava cantando sozinha.
Rex ficou admirado, pois nunca ouvira a irmã cantar, antes. Quando Zendah terminou a canção, a Rainha Vênus acenou aos meninos e ambos subiram os degraus do trono. Vênus abraçou-os e beijou-os.
– “Agora, sentem-se aí defronte, nessas almofadas, para vocês serem transportados ao portão da próxima Terra”.
O órgão tocou um acorde lento e de novo as vozes do coro entoaram algumas palavras que os meninos não compreenderam. Ao final, a própria Rainha Vênus juntou-se ao coro.
As luzes como que se apagaram e eles foram descendo, descendo, como se estivessem penetrando na terra e, de repente… um súbito barulho como se fechasse uma porta… e mais uma vez, com o quarto terremoto, estavam do lado de fora do Portão do Touro.
(The Adventures of Rex and Zendah In The Zodiac – por Esme Swainson – publicado pela The Rosicrucian Fellowship – publicado na revista Rays from the Rose Cross nos anos 1960-61; As Aventuras de Rex e Zenda no Zodíaco (as Ilustrações são originais da publicação) –Fraternidade Rosacruz – SP – publicado na revista Serviço Rosacruz de 1980-81)