porFraternidade Rosacruz de Campinas

Sexta Bem-Aventurança: “Felizes os limpos de coração, porque eles verão Deus”

Sexta Bem-Aventurança

“Felizes os limpos de coração, porque eles verão Deus” (Mt 5:8).

Outra bem-aventurança omitida por Lucas, cujo método, predominantemente místico, constitui, por si, a limpeza de coração.

Vejamos, inicialmente, o sentido esotérico das palavras-chave desse passo: “puros”; “coração”; e “ver”.

PUROS – Não se trata meramente de pureza no sentido de castidade, de não contato sexual, como querem muitos. O sentido é mais amplo e abrange as manifestações todas do ser. A palavra “Katharós”, do original grego, tem sentido de “puro” por não ter mistura; “puro” porque é limpo ou isento de qualquer agregação.

A expressão “limpos de coração” (Katharoi tèi Kardíai) já aparece no Salmo 24:4. Ali surge a pergunta: “Quem subirá ao monte de YHVW e quem estará no lugar santo?”, ou seja: “Quem obterá a realização do encontro com o Divino interno, ultrapassando o véu da personalidade e permanecendo com Ele na ‘Sancto Sanctorum?”. A resposta diz: “Será aquele que é inocente (sem culpa, limpo) nas mãos (nos atos) e Limpo de Coração”; pureza mental e emocional para não desvirtuar os propósitos do Eu verdadeiro e superior. É o que se sobrepôs aos condicionamentos da personalidade egoísta e a converteu numa serva passiva e fiel do Espírito, tal como Kundry, a serviço dos cavaleiros do Graal, depois que Parsifal dissolveu a ilusão do castelo de Klingsor. Isto só acontecerá quando nos convertermos, de Amfortas em Parsifal, o puro.

CORAÇÃO – Tem o sentido que a psicologia moderna chama de “Mente subconsciente”. Comparando-se o ser humano a um “iceberg”, a Mente consciente é a parte menor, visível sobre as ondas, ao passo que o subconsciente constitui a parte maior, mergulhada no oceano – uns 80% de nossa atividade mental. O Mestre mostra o quão importante é a conscientização e limpeza desses “porões da personalidade”. Ele disse: “Assim como o homem pensa em seu coração, assim ele é”. Chamando a atenção para o mesmo ponto, escreveu Salomão: “Guarda com toda a diligência o teu coração, pois dele procedem às fontes da vida”.

As psicanálises buscam interpretar, nas ações humanas, as poderosas influências do subconsciente. Estão certos os psicólogos ao buscarem “reeducar o subconsciente humano”. No entanto, alcançariam maior êxito se conhecessem e aplicassem os conhecimentos esotéricos do “Sermão da Montanha”. Não basta a mera apreciação intelectual das falhas e o ajustamento da pessoa aos padrões sociais, que estão longe de ser um modelo de vida. Não é suficiente definir as causas subconscientes de nossos erros atuais e indicar soluções. Muito mais do que isso, é preciso VIVER, REALIZAR a “nova criatura em Cristo”; transformar as verdades intelectuais em CARÁTER; iluminar o subconsciente e convergir os hábitos todos na decidida e persistente regeneração do ser.

Sem essa reforma de base não terminarão as angústias, as insatisfações, as neuroses, as frustrações. E o melhor método de reforma é a prática da conscientização da Divina Presença interna, que deve dirigir o exercício retrospectivo noturno, para assegurar-lhe impessoalidade e eficácia.

VERÃO – Futuro do verbo grego “haráô”, que significa “ver”, não no sentido físico, pois, o Espírito é intangível e invisível. O sentido é interno, isto é: sentir; vivenciar, experimentar a Presença do Cristo interno e vislumbrá-lo entre os olhos de cada semelhante.

Não basta crer. Crer é um estágio inicial e insuficiente para liberar o indivíduo de suas limitações e contatá-lo com a divina Presença. Todos os iluminados atingiram essa meta. O testemunho deles é um aval para nosso empenho e persistência no mesmo sentido.

Moisés “viu” o Senhor na montanha – quer dizer, experimentou o influxo da Presença interna, quando se elevava vibracionalmente. Ele foi incumbido de libertar o “povo eleito”. Todos nós, também, quando chegarmos a esse contato, seremos incumbidos de redimir todos os pequenos “eus”, ou hábitos que ainda se encontram sob o jugo da personalidade (Faraó); libertar todos os medos; os apoios nos recursos exteriores; diluir todas as ilusões.

**

Como Parsifal em sua primeira visita ao Castelo do Graal, o ser humano era primitivamente puro e inocente. Nada sabia e, por isso, não podia dirigir o Castelo de seu ser. A esse estado de consciência, no início da Época Atlante, a Bíblia chama de Éden ou Paraíso.

Era amorosamente dirigido, de fora, pelas Hierarquias, principalmente os Anjos. Depois foi induzido a transgredir as leis da natureza e comeu da simbólica “árvore do conhecimento, do bem e do mal”. Sob a ilusão da falsa luz luciférica, a consciência humana foi mergulhada em vibrações cada vez mais baixas, até que perdeu a visão primitiva dos mundos espirituais. Perdemos a visão global do Universo e ficamos limitados à grosseira faixa vibratória deste plano material, que passamos a considerar como a única realidade.

Isolados numa personalidade, desenvolvemos a noção falsa do “eu” separado com seu inerente egoísmo e egolatria. Conhecendo as consequências de nossos desvios como um MAL e os prazeres como um BEM, construímos uma cultura baseada nos “pares de opostos”. Estamos sofrendo essas condições e cultivando o discernimento entre “o joio e o trigo”. Essa capacidade de discernimento será o “grande prêmio” que levaremos em nossa libertação final deste período tenebroso. A formação do “eu” personalístico é relatada na Bíblia, pela construção da “Torre de Babel”: o homem tinha a pretensão de forjar os tijolos e edificar uma torre que chegasse ao céu, isto é, a insinuação de Lúcifer de nos igualarmos a Deus com os recursos meramente humanos. Para castigar-nos (castigar significa “tornar casto”, purificar), fez Deus que falássemos individualmente línguas diferentes: a língua do egoísmo que ergue muralhas entre o eu e o tu, entre o meu e o teu.

Essa é a condição ainda prevalecente na grande maioria da humanidade, em graus diversos. A personalidade se tornou ativa e assumiu o comando da ação. Na ilusão de um “eu” separado, julgamos não precisar de Deus, ignorando que somos sustentados nesse “trono” pela ação do Espírito a quem traímos. Assemelhamo-nos a um cego cercado de luz e cores por todos os lados (a ilha da psicologia). E como não vemos a luz nem a cor, negamo-las. O Cristo referiu a essa limitada relação do ser humano comum com o Universo, dizendo: “Tendes olhos e não vedes; tendes ouvidos e não ouvis”. Realmente assim é, embora Deus seja Onipresente, patente em tudo: “mais próximo de nós do que nossos pés e mãos; mais perto do que nossa respiração”. Não o percebemos em nós. Por isso mesmo não o vislumbramos nos demais, nem na Natureza. Ora, para percebê-lo em nós e nos outros, é preciso que tiremos o véu dos olhos, para ver “face a face”. É preciso que sejamos PUROS DE CORAÇÃO, isto é, que nos despojemos de todas as escórias acumuladas em nosso íntimo, através das idades, a fim de revelarmos o brilhante oculto no diamante bruto. Paulo acena a esse renascer, quando diz: “Desperta tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e o Cristo te alumiará”.

Nos primórdios do teatro grego, havia um relator a representar todos os personagens, num púlpito aberto, no meio do salão. Para facilitar a identificação de cada personagem, quando representava um deles, usava a máscara adequada, a entonação de voz indicada, o porte, os trejeitos próprios etc. Se era a rainha a falar, o intérprete punha a máscara da rainha, falava como rainha, assumia porte e atitude de rainha. Se era um vilão, punha a máscara do vilão, falava como vilão, assumia atitudes de vilão etc. E, dentre as máscaras diversas, havia uma espécie de “coringa”, que o relator podia usar para representar qualquer personagem numa dificuldade. Essa máscara era lisa (sem feições) e se chamava HIPÓCRITA.

Atualmente acontece o mesmo. A maioria entra no palco do mundo para representar seu papel e acaba se identificando tanto com ele que esquece sua origem e identidade própria, de Centelha Divina que é. Torna-se uma personalidade (persona significa “máscara”). Muitas vezes assumimos uma máscara especial: a do hipócrita. Etimologicamente, a palavra “hipócrita” quer dizer: “o que está oculto sob”, o que desvirtua os propósitos do Espírito.
Todos estão representando um papel, um estado de consciência, uns níveis evolutivos. Todos têm qualidades boas e más; hábitos nobres e inferiores; impulsos elevados e vis. A tudo isso a psicologia chama de “máscaras”. Cada indivíduo tem muitas máscaras ou “eus” e as usa segundo as circunstâncias e conveniências. Ignoramos ou fingimos ignorar que somos um SER divino, um “Cristo em formação”, que transita por essas aparências ou máscaras. Somos maus artistas porque nos identificamos com o papel; julgamos ser o papel. E cada vez que deixamos o palco (pela chamada morte) e voltamos aos bastidores, tiramos o “traje” e, livres de sua vibração rebaixada percebemos que somos o ARTISTA, bem distinto dos papéis. Infelizmente, quando renascemos e mergulhamos no corpo físico ainda embrutecido, de baixa vibração, esquecemos nossa identidade celestial, como bem exprime Fernando Pessoa, de alguém que pôs a máscara e ela se ajustou tão bem a face que grudou e não mais pode tirá-la.

É mais fácil nos desligarmos do “meu” do que do “eu”. O “meu” a gente vê, administra e, sem muita dificuldade pode renunciar a ele. Mais difícil é deixar o “eu”, renunciar à personalidade, porque nosso sentido humano é muito forte e tal despojamento se nos afigura um aniquilamento, por falta de conhecimento espiritual. Quando vivenciamos a verdade do Ser sabemos que não existem dois (o Espírito e a persona) senão Um – o Espírito atuando por dois polos, como vida (pura) e matéria (vida cristalizada); como Ser e não ser, como Consciência atuando numa personalidade. Religar-se pela renúncia ao humano é, simplesmente, submeter a persona ao Espírito; e mudar a polaridade da persona, tornando-a, de ativa que é atualmente, em passiva serva do Eu verdadeiro e Superior.

Não desanimemos, pensando que essa libertação é superior às nossas forças. Não é o humano quem vai realizá-la, senão o Divino em nós, como bem disse Cristo: “Não eu quem faz as obras, mas o Pai, que habita em mim, Ele é quem faz as obras”. “Eu, de mim mesmo (como humano) nada posso, mas tudo posso n’Aquele que me fortalece”.

Toda grande dificuldade pode e deve ser decomposta, subdividida em pequenas dificuldades, facilmente vencíveis. Essa cristificação do Ser deve basear-se, em primeiro lugar, na confiante e esclarecida ENTREGA ao Divino interno.

“A batalha não é nossa” (do interprete), mas de Deus (o Diretor da peça). Só Ele pode pôr fim à trágica comédia humana, quando não mais prescindirmos dos aplausos do mundo. Em segundo lugar, a espiritualização se realiza através do Corpo Vital, nosso veículo de hábitos, por meio da repetição sistemática de meios adequados (os exercícios diários de retrospecção noturna, a concentração e meditação matinais, os exercícios de conscientização da Divina Presença em nós, o estudo constante das verdades espirituais, as preces, as músicas elevadas etc.).

Devemos aprender a humilhar-nos, a assumir nossa real pequenez humana, MENDIGANDO o Espírito, despojando-nos do sentido de posse e do senso personalístico, até compreendermos e aceitarmos que “Eu e o Pai somos UM” e não dois. Purifiquemo-nos para nos elevarmos vibratoriamente e atingir verdades mais profundas. Se realizamos as “bem-aventuranças”, o Divino, em nós, seguramente faz o resto. O Cristo interno está sempre à porta de nossa consciência e bate. Ele respeita nosso livre arbítrio. A relutância é nossa e não d’Ele. Segundo seja a colaboração, será o resultado. Como a maioria não faz um décimo do que poderia fazer, a realização se protela para outras vidas. Nem os mais esforçados se empenham como deveriam. É pena que negligenciemos tão raras oportunidades!

Todavia, o que fizermos será contado e conservado, para renascermos em melhores condições e reencetarmos a cristificação iniciada.

Em “Parsifal”, Amfortas sofre porque não soube confiar em Deus; porque não soube manter a mansidão da não resistência; porque usou a lança do poder espiritual para vencer uma ilusão. Lembremos que Hércules (o homem realizado) não pôde exterminar a Hidra de Lerna enquanto não lhe atingiu a cabeça verdadeira: a personalidade egoísta. As outras inúmeras cabeças eram falsas, eram as manifestações sem-conta das “máscaras”, das dissimulações.

É mister encarar honestamente nosso íntimo e repetidamente perguntar: “quem sou eu?” Das profundezas do Ser nos chegarão as respostas para libertar-nos da “caverna de Platão” e mostrar-nos as realidades que interpretamos atualmente de modo errado, porque são projeções, reflexos distorcidos, de nossa real natureza. Agora “vemos como por espelhos, em enigmas – mas depois veremos face a face” (I Cor 13).

A magia dos sentidos deve ser quebrada. Estamos como num “vestíbulo de espelhos”, cercados de imagens ilusórias, porque não sabemos ver objetivamente, senão que enxergamos as projeções de nosso íntimo condicionado. É uma hipnose de que nós devemos despertar. Se não dedicamos o devido interesse a essa libertação, continuaremos dormindo, como a “Branca de Neve” em seu caixão de Cristal (o corpo) sob o efeito anestésico da “maça” (materialismo) até que o Cristo interno nos possa despertar com seu contato.

Quando fomos expulsos do “Paraíso” ficou um Querubim guardando a entrada com uma espada flamígera. Agora, para regressarmos conscientemente ao Paraíso (em nosso íntimo), devemos levar a senha da PUREZA, como indica o Templo de Salomão, a cuja entrada de novo aparece o Querubim, não mais com a espada flamígera: agora segura uma FLOR, formoso símbolo da pureza. Tal é o requisito para nossa RE-ligação; para atingirmos conscientemente o “lugar secreto do Altíssimo”, subindo com a força criadora, pela coluna, ao MONTE de nossa cabeça, o “lugar das caveiras”, o “sancto sanctorum” de nosso tabernáculo corporal. Despertaremos a visão espiritual pela união vibratória dos centros espirituais da pineal e pituitária.

Essa iluminação era muito difícil antes de Cristo. Só depois que Ele purificou a Terra, liberando-a para mais alta vibração e permitiu a formação de veículos mais refinados (aos mais adiantados) é que a iniciação foi aberta a todos, indistintamente (rasgou-se o véu do Templo).

Saímos da escravidão da Lei (ouvistes o que foi dito aos antigos) e entramos no reino da Graça e do Amor (porém, eu vos digo…). A Lei se torna colaboradora e poder, que o Amor utilizará no SERVIÇO amoroso e altruísta.
***

Salmo do Bom Pastor
O Senhor é meu pastor: nada me faltará!
Deitar-me faz em verdes pastos;
guia-me mansamente a águas tranquilas;
refrigera a minha alma;
orienta-me pelas veredas da justiça,
por amor de Seu Nome.
Ainda que eu andasse
pelo vale da sombra da morte,
não temeria mal algum,
porque Tu estás comigo!
Tua vara e teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim,
na presença de meus inimigos;
unges a minha cabeça com óleo;
o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia
me seguirão todos os dias da minha vida:
e habitarei na casa do Senhor
por longos dias!

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Seja verdadeiro Consigo Mesmo

Seja verdadeiro Consigo Mesmo

Em “Hamlet”, no primeiro Ato, quadro 3, encontramos a seguinte frase: “Acima de tudo, seja fiel a si mesmo, e como o dia segue a noite, tão seguramente, não poderás ser falso a outrem”. Esse conselho, dado por Polonius a seu filho, é, talvez, o mais precioso instrumento para o desenvolvimento próprio, do imenso cabedal de sabedoria, que é a obra de Shakespeare.

Somos pressionados diariamente a fim de que ajamos, falemos, compremos, elogiemos ou condenemos, aceitemos ou rejeitemos, ou até pensemos isso ou aquilo, que pode ser tanto uma crença, um produto, uma causa, ou uma pessoa, promovidos por um indivíduo, ou um grupo de pessoas. A família, os amigos, pessoas que encontramos e pessoas que nem conhecemos, todos procuram, de uma ou outra maneira, influenciar a nossa posição quanto a fatores sociais, econômicos, pessoais, cívicos e, virtualmente, a todos os aspectos de nossas vidas.

 

Em face de tanta pressão, poderemos sucumbir facilmente, adotando a posição cômoda de “dizer que sim”, presa fácil para os interessados em promover os seus objetivos. Lamentavelmente, muitos são vacilantes em seus conceitos. Rejeitar os apelos de alguém que estimamos, nos arriscando a receber reprovações ou críticas, ou até abandono, requer coragem e firmeza tenaz. Pesquisar, estudar e discriminar sobre os fatos de toda a problemática, qualquer que ela seja, demanda tempo, persistência e robusteza mental, até, às vezes, robustez emocional. Formar a “nossa cabeça” e defender o princípio que para nós representa uma verdade, sem fazer caso se tal atitude é “conveniente”, se agradará aos amigos, se nos fará perder aliados com os quais contamos, ou se perdermos a sensação de paz interior, de enorme fragilidade que criamos, requer uma vigilância ininterrupta e a disposição permanente de ficar na linha de defesa daquilo que pensamos que é CERTO. Isso não é fácil, nem para as pessoas as mais seguras e autoconfiantes, e manter tal atitude é, todavia, a única que em longo prazo, nos trará a realização em nossa evolução individual.

 

Do ponto de vista mais amplo, espiritual, nada pode ser mais simples do que permanecermos verdadeiros a nós mesmos. A nossa “voz interna” – nomeamo-la de consciência, intuição, “chamado de coração” ou qualquer outro nome, está a postos para nos guiar em todas as coisas, tanto quanto o permitirmos. Aprendemos que o primeiro impulso da intuição pura, que ainda não foi contaminada pelas elaborações da razão ou pelas distorções da emoção, vem diretamente do Mundo do Espírito de Vida e é verdadeiro sob todos os aspectos. Seguindo esse aviso, antes que fique poluído pelos imperativos da natureza inferior, ou por arrazoados de nossa inteligência pessoal, não haverá engano.

Certamente, a questão em pauta deverá merecer o nosso exame quando conheceremos todos os aspectos a favor e contra a situação, bem como a real motivação daqueles que encorajam, ou, pelo contrário, criticam um ponto de vista específico, sendo o nosso papel o de discriminar inteligentemente as opiniões emitidas, tentando nos pressionar, e as opções que devemos adotar. Naturalmente, os nossos sentimentos continuarão tendo um papel preponderante; a atração, a repulsão e a indiferença são fatores de alta potência, porém são de caráter, geralmente, pessoal. Teremos, certamente, que nos confrontar com as cobranças pouco oportunas dos outros, discordando diplomaticamente, se formos capazes, estando preparados sempre, para a mágoa que sentimos quando a nossa pessoa é rejeitada por causa de nossas convicções. Todavia, no esconderijo de nossas almas, conhecemos perfeitamente bem as nossas reais convicções e também o que nos será necessário fazer para sustentá-las honradamente. Em casos de dúvida, poderemos nos perguntar: “o que teria feito Cristo-Jesus em situação similar?” e se o nosso questionamento foi sincero, saberemos a resposta exata.

Ser verdadeiro consigo mesmo e não se tornar uma varinha mágica que erradicará todos os nossos erros repentinamente. Há muito que aprender ainda, antes de sermos liberados da escola de experiência que é a nossa vida na Terra, e o próprio processo de aprendizado subentende a existência de erros. Porém, se somos verdadeiros conosco mesmos, os erros que cometeremos serão os nossos próprios e manteremos a dignidade da integridade pessoal, mesmo se o nosso currículo escolar apresentar algumas realizações de indiscutível mediocridade ou rudeza.

Nesse momento de um novo começo, examinemos nossas metas não permitindo com tanta facilidade uma linha de esforço mínimo como “máximo” de nossa firmeza. O mundo não cessará as tentativas de nos influenciar para que ajamos dessa ou daquela maneira, sob pena de rejeição, caso ousemos porventura discordar. Diremos como São Paulo, em nosso coração: “Todas essas coisas não me atingem”. Ele seguia os ditames do seu Cristo Interno, sem se comover com as inconveniências do ambiente externo, as desonras e o sofrimento suportados e ficou inabalavelmente verdadeiro consigo mesmo e, consequentemente, também com o Seu Deus e toda a Humanidade.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/84 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Suicídio: ato de destruir o seu próprio corpo físico antes do arquétipo parar de vibrar

Suicídio – ato de destruir o seu próprio corpo físico antes do arquétipo parar de vibrar

Antes do nascimento, a duração da vida terrestre é infundida no arquétipo do corpo físico. Aqueles que cometem suicídio destrói o corpo físico, mas o arquétipo continua a vibrar até o tempo normalmente previsto para o final da vida terrestre e na ausência do corpo físico resulta em grande sofrimento. O suicida aprende que não podemos fugir impunemente da escola da vida. Na sua próxima encarnação, ele enfrentará corajosamente os testes necessários para o crescimento de sua alma.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Sexo: separação ocorreu para metade da força criadora pudesse ser utilizada para formação do Cérebro e da Laringe

Sexo – separação ocorreu para metade da força criadora pudesse ser utilizada para formação do Cérebro e da Laringe

O Ego tem em si os dois pólos do poder criador, o masculino e o feminino, que ele expressa pelas faculdades de vontade e imaginação, respectivamente. Antes do nascimento, ele criou, com a ajuda de vários seres nos Mundos suprafísicos, mas sem a cooperação do outro ser, o arquétipo do seu corpo físico.

Aqui, os sexos foram divididos, e o Átomo-semente do corpo físico foi colocado no sêmen de um pai antes de serem transferidos para o útero de uma mãe, onde ela vai atrair a substância que vai formar um corpo, em conformidade com o arquétipo criado pelo Ego.

Na Época Lemúrica Jeová fez a separação dos sexos. Ele separou, no corpo da humanidade nascente, ambos os lados da força sexual (a história da costela de Adão), de modo que metade dessa força foi usada para construir um cérebro e uma laringe para permitir que o Ego de expressar seus pensamentos.

Atualmente, a metade da força criadora (masculino ou feminino), que ficou nos órgãos genitais, também sobe para a parte superior do corpo, quando não utilizada para reprodução ou desperdiçada perigosamente para satisfazer os sentidos. No futuro, os dois pólos da força criativa serão reunidos no cérebro e o ser humano vai pronunciar a palavra criadora. Os órgãos sexuais atuais desaparecerão.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ajudando uma mulher doente, uma árvore e uma cobra

Ajudando uma mulher doente, uma árvore e uma cobra

Aqui está uma história de como alguns Auxiliares Invisíveis ajudaram uma mulher doente, uma árvore e uma cobra.

Uma noite, três Auxiliares Invisíveis foram enviados a uma fazenda na Dakota do Sul para responder às orações, que solicitavam ajuda de uma mulher doente. Ela estava um pouco melhor quando eles a encontraram, e, depois de terem trabalhado com ela, ela conseguiu se levantar. Ela estava preocupada com suas plantas porque ela estava muito doente e não tinha sido capaz de cuidar delas, embora o tempo estivesse muito seco.

A Auxiliar Invisível foi regar as plantas da janela e encontrou uma cobra ali. A mulher viu e ficou muito agitada e nervosa. Ela disse ao Auxiliar Invisível para se afastar dela, pois era uma cobra venenosa.

“Pegue-a, coloque-a ao ar livre e diga para ir embora”, disse o Auxiliar Invisível para seu companheiro.

O Auxiliar Invisível fez isto, e a cobra se foi.

“Foi maldade você fazer isso com ele, e se a cobra o tivesse picado!” – disse a mulher doente.

Veja, ela não sabia que os Auxiliares Invisíveis estavam em seus Corpos de Desejos e não podiam ser feridos.

Quando a Auxiliar Invisível foi à cozinha buscar mais água para as plantas, um rato sedento apareceu e queria beber água. A princípio, a Auxiliar Invisível pensou que o rato ia atacá-la; então ela pensou em jogar água nele, mas ele estava apenas com muita sede. A Auxiliar Invisível colocou o prato com água, e o rato bebeu tão rápido que quase perdeu a respiração. A Auxiliar Invisível olhou para seu rosto e viu seus olhos muito brilhantes e suas orelhas quase eretas.

Como a mulher pediu para regar uma grande árvore, o terceiro Auxiliar Invisível pegou um balde, encheu-o de água, levou-o até a árvore e despejou a água sobre ela. Antes, então, cavou uma trincheira ao redor da árvore para manter a água no chão. A mulher tinha uma grande bomba de moinho de vento e muita água, bem como um grande tanque na casa para uso no inverno.

Os Auxiliares Invisíveis aconselharam a mulher a manter sua porta bem fechada para manter as cobras fora da casa, pois havia muitas cobras, por causa da água e das condições de seca. Eles disseram à mulher o que comer e aconselhou-a sempre a manter alguém, na casa com ela, e ela disse que faria. Os Auxiliares Invisíveis contaram-lhe sobre o seu trabalho, e ela estava muito interessada.

“Como é bom ir para lugares e ajudar as pessoas”, disse ela.

(IH – de Amber M. Tuttle)

 

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Quinta Bem-Aventurança: “Felizes os misericordiosos, porque eles obterão misericórdia”

Quinta Bem-Aventurança

“Felizes os misericordiosos, porque eles obterão misericórdia” – Mt 5:7

Também esta bem-aventurança não foi incluída por Lucas, pela mesma razão que seu evangelho, como método iniciático e místico, já a subentende.

Aqui fala Cristo dos misericordiosos, isto é, daqueles que, segundo Paulo “se revestem das entranhas da misericórdia” – (Col 3:12). É o amar, pelo amar espontâneo; é o SERVIÇO altruísta em seu mais amplo sentido. Esta bem-aventurança constitui um sumário da Lei da Vida, que o Cristo apresentou no próprio Sermão do Monte (Mt 5:1-5).

A semelhança das anteriores bem-aventurança, o essencial desta, é a causa, a intenção, o íntimo. Importa que sejamos misericordiosos em PENSAMENTO, em SENTIMENTO, já que o pensar e o sentir precede o agir amoroso: uma Mente Pura e um Coração amoroso, unidos no propósito de SERVIR. Infelizmente, muitas vezes o coração pede misericórdia e compreensão, mas a Mente discorda e impõe pela fria e egoística argumentação, o “olho por olho e dente por dente”. O coração vai à frente, com o novo mandamento do Cristo: “amai os vossos inimigos”!

A Mente fica atrás, no Velho Testamento, na “lei de Talião”. É preciso conciliá-los, estabelecendo uma ponte que os ligue, no abismo que se criou. E essa ponte é a misericórdia, que compreende e aceita cada um, como ele é, fazendo o que pode para edificá-lo.

Cristo deixou bem claro a transição da Lei à Graça: “Ouvistes o que foi dito aos antigos” (Lei mosaica); porém, eu vos digo…” (Cristo). Se ficamos na Lei, recebemos o efeito doloroso da Lei; se vamos para o Amor, para a Graça, então, recebemos a Graça.Não há como fugir: “SÓ OBTÉM MISERICÓRDIA O QUE DÁ MISERICÓRDIA”.
As ações e as atitudes podem ser delicadas e jeitosas; mas, se estiverem ligadas a pensamentos maldosos, hipócritas, ditados pelo medo ou o desejo de ser “bem visto pelos homens”, são falsas e não abençoam ninguém: nem ao que dá, nem ao que recebe. O amar não são palavras, nem atitudes, nem gestos vazios. “Deus é Amor”. Portanto, o amor é divino, é nossa própria Essência. A personalidade não pode ser misericordiosa, senão como canal consciente do Cristo interno.

Sabemos que a personalidade é falha. Humanamente falando, quem é bom? Quem é perfeito? Como disse Cristo: “Por que me chamas bom? Bom é só um, a saber: o Pai celestial”. Ele queria significar justamente isso: só o divino expressa amor.

Estamos todos na escola do mundo, num processo evolutivo, num desdobramento de faculdades latentes e aprendizagem de seu justo uso. Ora, a espiritualização do ser é o atingimento gradativo do amor; a vivência cada vez mais autêntica desse amor, que é o Eu verdadeiro e superior.

Quem julga se julga, porque será fatalmente julgado segundo o julgamento que faz. Devemos manter, vigilantemente, nosso pensamento na verdade do ser: o VERDADEIRO ser é espiritual, é divino, é eterno, imagem e semelhança de Deus e, portanto, é AMOR. Já a personalidade,como explicamos, está presa na ignorância; ofuscada pela falsa luz; condicionada pela ilusão de separatividade – apesar de mantida pela Centelha que a criou: o Espírito interno. A personalidade constitui a Mente concreta, o Corpo de Desejos, o Corpo Físico (Denso e Vital). Ela está se debatendo entre os pares de opostos de bem e de mal, até que se situe no convicto SER que ele é em unidade com o Eu verdadeiro e superior, nem bem nem mal, senão simplesmente a expressão da justiça e do amor.
Todos, sem exceção, podemos e devemos dar e receber misericórdia, na mútua edificação. Para receber é preciso, primeiramente, dar; a causa gera o efeito. Se a misericórdia está na origem, na causa, no pensamento, se continuar nos sentimentos e terminar coerentemente, fielmente, nas palavras e ações, então, é autêntica; não foi desvirtuada pela personalidade. Tal como a recebeu do Espírito, assim a revelou.

Observem o próprio comportamento. Notem quantas vezes somos faltos de misericórdia, sobrecarregando, com a influência de nosso pensar, de nosso sentir, de nossos comentários desamorosos, um pobre semelhante curvado ao peso da tentação, da aflição. Ao contrário, se pelo menos, buscarmos ver o Cristo dentro dele – que o torna nosso irmão – já estaremos contribuindo para que nele se desperte a vontade espiritual de erguimento; ficaremos livres de atrair sobre nós a falta de misericórdia de outras pessoas.

Quando exercemos misericórdia autentica, profunda, nascida de um pensamento de compreensão e de bondade, por certo, colheremos os frutos de misericórdia que plantamos, segundo a lei infalível que diz: “Aquilo que o homem semear, isso mesmo colherá”. Não que exerçamos a misericórdia interesseira, premeditada; fazer PARA receber; PARA parecer bom. Não! Em tal caso ela já está viciada. A personalidade nada tem a reclamar, porque a misericórdia nasce do Espírito. O entregador não tem méritos. Deixemos de lado a motivação interesseira.

Exerçamos espontaneamente a misericórdia como uma fonte que jorra, como incontida manifestação do Divino interno. Que mérito tem o cano por conduzir a água? Foi o cano que a produziu? Deve receber gratidão por isso? Tomemos nítida consciência disto para não cairmos no auto-endeusamento e nem nos revoltarmos “quando o ingrato não soube nos retribuir”. Só a ilusão de separatividade nos pode presumir autores das manifestações do Espírito. À medida que nós vamos RE-ligando ao Divino interno, esse sentido humano vai desaparecendo. Sentimo-nos felizes por agir em unidade com Ele, como canais conscientes de serviço. Nessa atitude somos abençoados. Então, a água viva que conduzimos aos outros,molha-nos PRIMEIRAMENTE, purificando-nos para servirmos cada vez mais fielmente.

Enquanto estivermos agindo como se fôssemos uma persona à parte e separada do Espírito, expressaremos, inevitavelmente, os vícios a ela inerentes.Estaremos de olho nos frutos da colheita, reclamando sempre o que não nos pertence. Mas quando começamos a nos situar como Seres espirituais em evolução, compreendemos o que disse Cristo: “Quando tiverdes feito tudo o que devíeis fazer, dizei: somos servos inúteis, cumprimos apenas nossa obrigação e nenhuma recompensa merecemos por isso”. De fato, estamos dinamizando as faculdades potenciais do Espírito.Disso depende nossa evolução. Assim, quando expressamos misericórdia, estamos dinamizando nosso Amor, para alcançarmos a vivência e a realização do Amor – o Amor que devemos ser como Deus é. Logo, o Amor é a própria recompensa.

Aquele que está buscando compreender as Leis divinas e agir em harmonia com elas, tem responsabilidade maior que as pessoas comuns, que ainda vivem na ignorância delas, sofrendo-lhes as reações. Se nossa personalidade, por seus “eus” viciosos, vê um erro ou nota uma falha em alguém, que isto nos sirva de alerta: é um chamado do Cristo interno, apelando para nossa misericórdia e dizendo mudamente em nós: “aquele que estiver isento de falha que atire a primeira pedra”. Se não exercemos a misericórdia quando ela se faz necessária, quando vamos pô-la em ação? Com nossos amigos e entes queridos? Que mérito há em tolerar, em compreender e aceitar os que agem da mesma forma conosco? “.

Cristo não veio trazer normas de conduta. Sua mensagem é de AJUSTAMENTO ao Divino interno, pelo caminho das BEM-AVENTURANÇAS. Nesta sequência maravilhosa, vemos que não é possível sermos MISERICORDIOSOS se, PRIMEIRAMENTE, não formos MENDIGOS DE ESPÍRITO; FAMINTOS E SEDENTOS DE DEUS; MANSOS, etc. As bem-aventurança constitui uma escada de realização e um degrau pressupõe, necessariamente, o outro. Um se completa com o outro. Não é possível sermos misericordiosos sem que Deus se expresse em e pela personalidade. Deus, na medida em que se expressa COMO ou SENDO nós, é que nos torna bons. E se somos realmente bons, não podemos evitar expressarmo-nos em bem.Relembremos a ética do DAR: se Deus age no que dá e no que recebe, sua unidade de amor se refrata na Trindade da ação; um só Deus é o que dá e oque recebe.

Todos teremos algo para dar, porque, como seres espirituais possuímos uma riqueza conquistada pela evolução.Basta expressá-lo, trazê-lo a atividade.Os talentos de Deus abrangem tudo, não apenas os bens materiais, não só o prestígio, a fama, a inteligência como, principalmente, o AMOR, com seu corolário de bênçãos. A personalidade se restringe às coisas de seu imediato interesse; enquanto não se sente um CANAL desvirtua fatalmente as coisas, com seu egoísmo. Mas quando Deus dá em nós, também recebe através da personalidade tudo o que pode torná-la um meio mais eficaz do Espírito; tal é a razão do ser humano na Terra; tal o sentido de fraternidade.

É uma benção ser um canal divino. No mito musicado por Wagner (A “Tetralogia”), as Valquírias, filhas da verdade, iam buscar com seus corcéis brancos, os heróis que haviam sustentado até o fim o “bom combate da vida”, no propósito de auto-superação constante. Era desonra morrer na cama, isto é, desistir ou fugir desse objetivo essencial. Esses heróis eram levados ao Valhala, a terra da BEM-AVENTURANÇA, onde eram alimentados com a carne do javali SCRIMNER (símbolo da Sabedoria). A cada naco que tiravam do javali, nascia imediatamente outro no lugar, de sorte que ele se mantinha sempre inteiro.

Assim é a misericórdia. Ao expressá-la, em seus inumeráveis matizes, jamais ficamos diminuídos do que saiu. Os dons espirituais se alimentam de si mesmos. Se dermos corretamente, recebemos os juros de uma consciência aumentada. Aqui estamos para crescermos (animicamente). Cada vez que o Espírito desce ao renascimento, deve voltar com uma consciência maior, através da qual possa expressar mais dons divinos. Em espiral menor, cada vez que o Espírito desce à personalidade (em cada dia, em cada ato), é para subir a um nível de consciência um pouco mais alto. Como um carro que aproveita a descida para tomar impulso e alcançar um pico mais alto, assim o Espírito nas atividades cíclicas de inspirar e expirar; de plantar e colher. Ora, não é possível que o Espírito se manifeste sem que, naturalmente, SIRVA, a si mesmo e aos outros, na edificação evolutiva. A vida é um SERVIR, uma expressão de MISERICÓRDIA, quando o Espírito, que é Amor, Se exprime puramente.
Fixemos, pois, este ponto: esta bem-aventurança (como as demais) abrange a totalidade de nosso ser, como ESPÍRITO e como PERSONA, desde que haja a unidade e coerência entre esses dois polos do Espirito encarnado. Como Espíritos, somos necessariamente bons; sendo bons, somos decorrentemente misericordiosos. Como diz São João evangelista: “Quem vive em amor vive em Deus e Deus nele; quem ama Deus, ama também o seu irmão”. E nisto não há mérito; é simplesmente e naturalmente, ser o que somos: Espíritos.

Ora, o que se faz com amor leva o caráter de gratuidade atendendo ao princípio espiritual: “Dai de graça o que de graça recebestes”. Este princípio identifica a verdadeira escola e o verdadeiro instrutor. Não nos referimos à profissão como um médico ou uma enfermeira, podem exercer a sua profissão com ou sem amor. Mas é o amor que valoriza o seu trabalho. Melhor ainda; é o amor que justifica uma atividade qualquer. E toda profissão deve reservar tempo e energia ao SERVIR gratuito, misericordioso que constitui o DÍZIMO, depositado no Banco Divino, a nosso crédito e da humanidade.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Dez Mandamentos são Indicações Conducentes à Consciência Crística – Décimo Mandamento e Conclusão

10º Mandamento
“Não cobiçarás”

Notem as sutis diferenças e correlações; observem a ligação deste com o 8º Mandamento: “Não furtarás”. Desejar, cobiçar, já é um roubo, porque há um movimento interno, emocional e mental, que nos põe numa injusta relação com a pessoa ou coisa. É uma incompreensão de nossa relação com o único suprimento, da Única Fonte e de nossa inevitável ligação com o Todo. Cristo esclarece: “Se alguém olhar uma mulher e em pensamento a cobiçar, já cometeu adultério”. Notem bem: adulterou uma verdade e roubou. E quem faz isso? A personalidade viciosa.

 

Conclusão

Esses dez mandamentos constituem a Lei de Moisés, “a letra da verdade”. Em seu sentido literal, adequado ao povo daquela época, era o primeiro estágio da verdade, a “pedra”. Tal como apresentamos aqui, em seu aspecto mais profundo, é o segundo estágio, a “água viva” – que cada um há de transformar em vinho – o terceiro estágio – pela vivência e assimilação conscientizada. Tal é o convite e desafio que apresentamos ao leitor.

Em essência, esses Dez Mandamentos devem ser amalgamados pela consciência e sintetizados, como nos ensinou o Mestre: “Ama o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de todo o teu entendimento e com toda a tua alma” (coração e Mente fundidos na Sabedoria que se expressa como Alma). E como isso se cumpre?
“Amai o próximo como a vós mesmos”!

Para chegar à síntese consciente, é preciso vivenciar a análise. Desejamos que esses pontos lhes suscitem outros, conducentes a uma profunda compreensão deste magno assunto.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Pião Cantante – Palavra-chave: Energia

O Pião Cantante
Palavra-chave: Energia

Era um lindo dia – daqueles em que todos deveriam estar alegres e felizes. Nosso amiguinho Dino tinha começado assim o seu dia, quando uma pequena nuvem apareceu no céu dele. Ele não podia imaginar como aquilo tinha acontecido e estava realmente perplexo. Ele tinha intenção de ajudar Rosália – sim, ele queria realmente ajudá-la – mas, em vez disso, tinha quebrado o pião cantante dela. Isso é, tirou todo som dele, pois dando corda, esticando demais, a mola se rompeu. O pião rodaria, mas nunca mais cantaria.

Claro que Rosália estava muito triste vendo pião cantante dela inutilizado. Nenhum dos dois sabia o que fazer. Então Rosália começou a brincar com suas bonecas e tentou esquecer o pião. Dino andou sem rumo certo e foi para bem longe. Finalmente, cansou e jogou-se no chão sobre a grama verde. Ouviu um zumbido e olhou ao redor para ver de onde vinha. Adivinhem o que ele viu?

Mexendo-se de um lado para outro, lenta e atarefadamente entre os talos da grama, estavam minúsculos e verdes Espíritos da Natureza – as menores criaturas que ele já vira. Estavam muito ocupados, trançando-se de um lado para outro no meio da grama. Eram tão verdes quanto a grama – e minúsculos, do tamanho do polegar dele. Eles tinham pequenas asas, por isso se quisessem podiam voar até o topo da grama mais alta. Ao se movimentarem, tagarelavam alegremente e foi isso que Dino ouviu. Ele estava fascinado e observou aqueles minúsculos duendes verdes por um longo tempo, até que finalmente teve que voltar para casa.

No caminho, em volta dele, os pássaros, as flores, as árvores e toda a Natureza pareciam estar felizes e contentes. Ele sentiu que devia estar alegre também, então começou a assobiar enquanto ia pela estrada. Alguma coisa dentro dele parecia estar empurrando-o, mas não sabia o que era. Em pouco tempo, estava de novo em casa e, então, lembrou-se do pião. O que ele deveria fazer? O que ele poderia fazer? Bem, decidiu perguntar a sua mãe, ela certamente saberia. Procurou-a por toda parte e finalmente encontrou-a no jardim.

Primeiro, contou-lhe sobre os minúsculos duendes, verdes como a grama e muito ocupados. Depois, falou sobre o pião cantante. Sua mãe sorriu e ouviu-o em silêncio. Quando ele terminou, ela disse:

– Dino, qual o seu verdadeiro nome?

Isso realmente surpreendeu Dino. Ele sorriu e respondeu:

– Ricardo, mas todos me chamam de Dino.

Então, sua mãe o surpreendeu novamente ao dizer que Ricardo significava coração rico, um bonito nome, mas muito difícil de estar à altura dele. E ela contou-lhe o que fez seu coração ser rico. Querem que eu conte?

– Bem, disse a mãe de Dino, do Grande Espírito de Vida que vive no Sol emana constantemente uma profunda força que nunca termina e que nos dá vontade de fazer coisas. Foi isso que fez os verdinhos Espíritos da Natureza trabalharem tanto na grama alta e era um pouquinho dessa força vital no seu coração, Dino, que o estava sempre incentivando a fazer as coisas. Essa força vital deu-lhe um coração rico, rico no amor que induz as boas ações. É exatamente como se uma vozinha dissesse: “Faça isso, faça isso!” E essa grande força vital está em todos os lugares – nas pedras, plantas, pássaros, animais, no vento e na eletricidade, em todas as coisas que vivem e se movimentam. Às vezes, continuou sua mãe, estamos tão cheios de energia, que exageramos. Foi o que aconteceu quando você deu corda no pião cantante. Seu coração rico o incentivou a fazer uma boa ação, mas você usou muita energia e seus dedos ficaram tão fortes que você deu muita corda e a delicada mola se quebrou. Quando a vozinha disser: “Faça isso, faça isso!” devemos esperar um pouquinho e provavelmente ouviremos outra voz dizer: “Seja gentil, faça com amor”. Então, seremos sempre cuidadosos para não exagerarmos.

Sua mãe também lhe disse que tinha certeza de que se ele se lembrasse do seu coração rico, seria sempre guiado por esse amor que vem do seu interior.

Bem, vocês sabem, o rico coração de Dino estava cheio de vontade de fazer algo imediatamente e, naquela hora, essa vontade era de comprar um novo pião cantante para Rosália. O amor em seu rico coração sussurrou:

– Deixe Rosália dar corda sozinha. E ele deixou.

Agora, o novo pião canta sem parar. Não foi bonito da parte de Dino?

(do Livro Histórias da Era Aquariana para Crianças – Vol. V – Compilado por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Comece a Tecer…Deus provê o fio

Comece a Tecer…Deus provê o fio

Quão sensível o tato de uma aranha; sente em cada fio e vive ao longo da linha…
Já observou uma aranha, habilmente, tecendo a teia dela? Extraindo magistralmente de si mesma a sedosa substância que logo endurece ao se por em contato com o ar. E com esse material milagroso – como um arquiteto consumado – constrói seu tecido, destinado a emaranhar qualquer visitante inesperado que lhe sirva de alimento ao seu apetite.

Na mente infinitesimal da aranha, está sendo concebido um plano singular; calcula o vento, o deslocamento do ar e se mantém firme no seu objetivo, utilizando o seu próprio ímpeto de oscilação, para poder lançar seu fio a grandes distâncias; de árvore a árvore, de um poste a outro e assim completa seu ordenado trabalho. Do êxito disso depende sua vida e a vida de gerações por vir.

A aranha é uma auxiliar valiosa para o jardineiro, pois nunca se alimenta de vida vegetal, como também um exemplo ímpar para humanidade, mostrando dedicação e persistência.

Não somos nós muito diferentes da aranha! Utilizamos a substância dos nossos pensamentos e esforçamo-nos por construir um tecido de vida que atrai para nós qualidades físicas e espirituais que, ao mesmo tempo, alimentam física e espiritualmente o ser humano interno e externo, permitindo assim a livre expressão da sua energia criadora.
Da mesma forma como para a aranha, existem somente dois requisitos. Um plano bem pensado e uma determinação firme de levar adiante esse plano. Podemos ter com frequência um plano bem estruturado, mas qualquer obstáculo abala nossa decisão. O plano fica esquecido, restando somente um sentimento de fracasso e de derrota, duvidamos de nós e perguntamos onde foi que erramos. Também se dependermos dos outros e eles falharem, a derrota nos abaterá igualmente.

Pouco se importa se os planos anteriormente mencionados correspondam um dia de diversão ou promoção de negócios ou mesmo trabalhos para o bem-estar dos outros; a derrota é igualmente real.

Se procurarmos uma resposta para êxito em qualquer campo, só serve um formulário para todos eles: planejamento e fé interna de que seremos capazes de realizar um esforço construtivo.

Com o pensamento daremos forma à substância mental desde o Mundo do Pensamento Concreto que interpenetra o Mundo Físico. Se arquitetarmos um plano de ajudar alguém, cada vez que nele concentramos ou dele falamos – tendo pensamentos construtivos com o ideal básico – o pensamento forma crescerá em concordância.

Se pelo contrário nós duvidamos, o plano sai confuso, enfraquecido pelos temores e dúvidas, o fracasso é certo.

Os pensamentos são coisas e a Mente é criadora. Pelos impulsos dos pensamentos podemos realizar tijolo por tijolo aquele que já tomou forma em nossa Mente. Os pensamentos criadores, firmes, amorosos e não egoístas serão construídos dessa maneira. Os pensamentos de dúvida vacilantes sobre o projeto arruínam a estrutura mental.

Podemos dizer, o que é uma lei da Mente e da vida, que antes que qualquer coisa possa se manifestar na existência, primeiro deve ser feita nos Mundos internos. Pode-se dizer que os sucessos futuros projetam as suas sombras.

Conscientes desse fato espiritual devemos sentir uma grande responsabilidade de ver claramente todas as coisas, pessoas e situações.

Do anterior podemos deduzir porque nós fracassamos em tantas ocasiões. Estamos menos sujeitos aos fracassos se planejamos e executamos um objetivo particular. Se a pessoa se mantém fiel a seu ideal, surpreender-se-á com outros prestando-lhe valoroso auxílio.

Se desejar ter uma relação harmoniosa no lar, determine primeiro o que quer e depois se resolva a viver o seu ideal o melhor que lhe for possível, sem se importar com as ações dos demais e terá compensação. Esse mesmo princípio pode ser utilizado em qualquer campo que valha a pena e terá a vantagem incalculável de poder ajudar pessoas a se tornarem melhores em todos os sentidos devido aos seus pensamentos construtivos amorosos e persistentes.

A maior fraqueza que quase todos nós temos é a de supormos que os outros vão agir desta ou daquela maneira. Esperando desarmonia, já de antemão a derrota é certa.

Sim; a humilde aranha tem muitas lições a nos ensinar. Podemos romper seu tecido, mas ela na primeira oportunidade repará-lo-á não se importando com quantas vezes tenha de fazer isso. Sempre com fé, de que terá material suficiente para completar sua obra.

Já imaginou o que a aranha faria se pudesse pensar em todos os danos potenciais a que viria sofrer o seu tecido, ou o número de vezes em que este pudesse ser destruído? Ou pode imaginar quanto tecido poderia produzir se duvidasse continuamente da sua habilidade de poder fazer ligações entre distâncias quase inalcançáveis?

Nestes dias em que escutamos conversas relativas a guerra e destruição é imperativo que nós possamos viver dia a dia da melhor maneira possível e trabalhar com fé sem nos preocupar com as circunstâncias adversas. Isso nos dará a vantagem inestimável de utilizar todas nossas energias e talentos numa só direção, o que dará liberdade de ação à Mente e à alma, cheias de recompensas das realizações e crescimento moral.

A vida vem duma fonte invisível que brota dentro de nós e nos leva a ter experiências para o nosso bem. Por que então permitir que as coisas temporais (por si mesmo mutáveis) nos desencorajem de alcançar qualquer meta justa? Sabemos em nosso íntimo que só as coisas tangíveis estão sujeitas à morte.

Da Eterna Fonte Espiritual vem a vida e com esse sentimento temos de crescer e expandir. Aprendendo a depender cada vez mais desse conhecimento, desse poder interno e, cada vez menos das condições do mundo externo.

Nesta Estação Sagrada, faremos uma pausa, para dar graças a Deus pela dádiva da Sua Vida, que existe dentro de nós. E cada um se resolve expressar mais e mais Seu Poder que trabalha tanto interno quanto externamente em nós de conformidade com o esforço que nós faremos com a Mente aberta e coração anelante para atrair mais e mais Seu Mundo para a Manifestação.

Em todos nossos planos recordemos este ditado: “Comece seu tecido, Deus provê o fio”.

(Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 11/84 – Fraternidade Rosacruz – SP)

Idiomas