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porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Quatro Marias

“Junto à cruz de Cristo-Jesus estavam Sua Mãe, a irmã de Sua Mãe, Maria, esposa de Cléofas, e Maria Madalena”.

Uma grande cruz estava ali; uma cruz de luz crescente, e nela o Sonhador viu o Grande Pastor, o Senhor do Amor. Com mitra e coroa, Sua cabeça estava adornada, Seu Corpo usava as joias e as vestes do Sumo Sacerdote. Os cravos, os espinhos, a amargura do Calvário haviam desaparecido; o rosto do Redentor irradiava alegria e glória.

Ao pé da cruz estavam as quatro Marias. Estranhas e extremamente belas; de quatro eras elas eram. A mais venerável das quatro, aquela que estava à direita da cruz, estava envolta da cabeça aos pés em um manto de vermelho veneziano brilhante; seus olhos abrigavam a sabedoria de eras passadas, e embora para ela a esfinge do deserto fosse apenas um brinquedo de ontem, o tempo não soube curvá-la ou enrugá-la.

Mais perto da cruz, perto do Sagrado Coração, estava a Virgem Maria; seu manto azul brilhava com todas as estrelas do céu, seu rosto com alegria, e todo o seu aspecto era tão puro e maternal que parecia que todo coração partido do mundo poderia encontrar conforto em seu seio. Tão bela, tão generosa, tão infinitamente maternal ela era.

E ao lado de Madalena estava a quarta Maria; mas não! Ela não estava de pé: sua figura infantil pulsava com uma juventude tão celestial que ela parecia uma chama branca e penetrante, saltando de alegria. Branca, oh, o mais branco era seu traje; flores coroavam sua cabeça e brotavam em seus pés. Dela era a alegria do céu e a dança das estrelas.

E o Sonhador compreendeu que as Marias tinham vindo dos quatro cantos do mundo e viu que cada uma delas carregava um cajado de pastor.

E então um leve balido ecoou no ar, e eis que de todos os cantos da Terra os rebanhos retornavam ao redil.

Mas, à medida que se aproximavam, ele viu que não eram ovelhas, mas homens, mulheres e crianças, apressando-se para Aquele que fora erguido, e entoaram o novo cântico dos redimidos.

Então, com grande alegria, o Sonhador despertou e retornou a este pobre Mundo onde o Filho do Homem é diariamente crucificado em lágrimas e angústias, e onde as Marias ainda vigiam junto à Cruz. Não lhes compete desfalecer nem cair: pois seu ouvido apurado captou o eco de harmonias completas, as primeiras notas tênues do Grande Cântico dos Redimidos (Ex 15, a Canção de Moisés).

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

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