Aquário: Amizade

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Aquário: Amizade

Aquário: Amizade

– Como é que você aguenta passar tanto tempo com aquele sujeito? Perguntou Gary.

– Porque eu gosto de ficar com ele. Estou aprendendo muito com ele e estou interessado nas coisas em que ele trabalha. Acho que é principalmente porque somos amigos, respondeu Kevin, que já estava acostumado aos comentários desdenhosos de seu colega sobre seu relacionamento amigável com o Dr. Patterson.

– Mas não é chato passar todo o tempo com um homem tão velho? continuou Gary.

– Em primeiro lugar, ele não e tão velho assim, replicou Kevin. Quarenta e dois anos não é exatamente senilidade. E eu não me enturmo com ele o tempo todo. Eu também faço muitas coisas com vocês, passo meus dias na escola, como você bem sabe. Acontece que eu gosto de estar com ele e ele gosta de estar comigo – talvez porque ele não tenha filhos – e eu faço coisas com ele que eu faria com qualquer outro amigo.

– Quer dizer que você realmente gostou de ir a essa convenção científica com ele na semana passada, e ouvir aqueles “cabeleiras”, ler papéis, ou o que quer que eles tenham feito?

– Sim, e você ficaria surpreso com o que aprendi com aqueles “cabeleiras”. Dr. Patterson apresentou-me a alguns cientistas famosos, e ouvi-los conversar durante o jantar abriu meus horizontes. Acho que por eu me interessar por física nuclear é uma forte razão para que Dr. Patterson e eu sejamos amigos. Amizade habitualmente significa que você tem qualquer coisa em comum com a outra pessoa, não e?

– É claro, concordou Gary, mas eu ainda não entendo como você pode ter tanto em comum com alguém tão velho quanto seu pai.

– E eu não entendo por que você continua a arrastar idade na conversa, disse Kevin. Você tem dezesseis anos, e você não se liga muito com garotos com apenas dois anos mais novos. Mas há algumas pessoas com mais de dez anos que você, e você olha para eles como ídolos, certo?

– Ah, isso é diferente, resmungou Gary. Eu não acharia ninguém com 42 anos um Ídolo, e com certeza eu não teria um amigo tão velho!

Gary saiu pisando duro e Kevin sacudiu os ombros, resignadamente.

– Você está muito calado hoje, Kevin, disse Dr. Patterson, alguns dias mais tarde, quando Kevin estava encarapitado em um banco no laboratório do doutor, observando sua última pesquisa. Alguma coisa aborrece você?

– Bem – você acha que há algo de errado em ser amigo de alguém muitos anos mais velho, acha?

Kevin levantou os olhos, embaraçado.

– Bem, sorriu gentilmente Dr. Patterson, você conheceu o Dr. Benjamin na convenção. Quantos anos você pensa que ele tem?

– Sessenta anos, eu acho, arriscou Kevin.

– Ele tem quase oitenta e, embora ele tenha praticamente o dobro da minha idade, ele tem sido um dos meus melhores amigos já há muitos anos. E por falar nisso, também não vejo nada de errado em ser amigo de alguém mais jovem do que eu. Dr. Patterson deu uma piscadela e Kevin riu baixinho. E o doutor continuou:

– Acho que alguém andou caçoando de você por causa de seu amigo, o velho esquisito e enrugado que passa todo seu tempo no laboratório e tem um pé na cova.

– Não exatamente caçoando, eu creio, riu Kevin, mas os caras não entendem como eu possa ter algo em comum com uma pessoa da sua geração. Eu continuo tentando fazê-los entender que a idade nada tem haver com isso, mas eles não estão convencidos. Acho que eles consideram-me maluco.

Dr. Patterson sorriu, depois ficou pensativo.

– Kevin, se você acha a nossa amizade embaraçosa, eu entenderei perfeitamente se você decidir não voltar ao laboratório ou deixar de viajar comigo, ele disse.

– Oh, não, exclamou Kevin, realmente alarmado. Eu não me sinto envergonhado. Ser seu amigo é muito importante para mim, e não me importo com o que esses caras pensem. Eu só tenho pena de que nenhum deles tenha uma amizade como a minha com o senhor. Da maneira como eles pensam, mesmo que tivessem oportunidade de fazer alguma coisa com uma pessoa mais velha ou poder conhecê-la melhor, eles não o fariam. Gostaria de conseguir convencê-los de que a verdadeira amizade é apoiada em algo muito mais importante do que a idade.

– Em que você acha que ela se baseia? Perguntou o doutor.

– Oh, em interesses comuns, e suponho que também em respeito e admiração, e em se gostar realmente tanto de uma pessoa que você se sente bem quando essa pessoa está por perto, e quando você pode fazer coisas com ela.

Kevin, que nunca tinha posto isso em palavras, embora sentisse tudo isso com relação ao Dr. Patterson, falou devagar e pensativamente.

– Mas o senhor sabe, falou depois de algum tempo, eu acho que talvez não se possa dizer aos outros o que é uma verdadeira amizade e esperar que eles entendam só por palavras. Amizade é alguma coisa que você sente bem no fundo e se você não experimentou isso, você não pode realmente saber como é.

– E isso mais ou menos o que eu sinto também, disse Dr. Patterson. A amizade é uma das maiores bênçãos que a vida pode oferecer, e se você tiver sorte bastante para encontrar alguém com quem partilhar uma amizade, como a nossa, com certeza a idade ou qualquer outra consideração desse tipo não pode fazer muita diferença. Bem, nós temos muito que fazer. Que tal usar alguns de seus conhecimentos de matemática e tentar resolver esta equação?

(do Livro Histórias da Era Aquariana para Adolescentes – Vol. VI – Compilado por um Estudante – Fraternidade Rosacruz)

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