Pergunta: Na quarta parte de Tannhauser lemos: “O homem deve encontrar a mulher dentro de si”. Lemos também que devemos enfrentar o Guardião do Umbral. Poderiam esclarecer esses dois pontos?

PorFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Na quarta parte de Tannhauser lemos: “O homem deve encontrar a mulher dentro de si”. Lemos também que devemos enfrentar o Guardião do Umbral. Poderiam esclarecer esses dois pontos?

Pergunta: Na quarta parte de Tannhauser[1] lemos: “O homem deve encontrar a mulher dentro de si”. Lemos também que devemos enfrentar o Guardião do Umbral. Poderiam esclarecer esses dois pontos?

Resposta: De fato, o Espírito não é nem masculino nem feminino, mas, no decorrer do presente estado de manifestação, tornou-se necessário dedicar uma metade da força criadora ao desenvolvimento do cérebro, por meio do qual podemos criar imagens mentais que reproduzimos, em seguida, na matéria concreta do mundo físico. Para isso foi necessário desenvolver um organismo físico com dois sexos – um para expressar uma das qualidades do Espírito, a VONTADE, portanto masculino; outro expressando a IMAGINAÇÃO, que é feminina.

Como cada Espírito nasce alternadamente em corpos masculino e feminino, ele expressa também alternadamente as faculdades gêmeas do Espírito – vontade e imaginação. Uma dessas qualidades predomina a cada vida, e proporciona, respectivamente, a manifestação do masculino ou do feminino. Mas, à medida que o Espírito volta, dia após dia, ou vida após vida, para a Grande Escola, ele se torna cada vez mais elevado e, consequentemente, mais capaz de expressar as duas qualidades do Espírito simultaneamente e em proporções iguais. Assim, aos poucos, o homem encontra em si as qualidades femininas mais sutis e a mulher descobre as características mais nobres do homem. Quando esse traço característico chega a um perfeito equilíbrio, o casamento místico é consumado.

Sabemos que no céu não há casamento, porque lá o Espírito está livre dos grilhões da carne. Lá, o sexo nada representa, as qualidades duais da alma são utilizadas e, consequentemente, o casamento é desnecessário.

Cada um cria o arquétipo do seu corpo sem o auxílio de ninguém, exceto das Divinas Hierarquias, providenciando assim o futuro renascimento. É somente quando deixamos o reino da alma e penetramos no reino do sexo, que é necessário a cooperação de mais alguém para a formação de um veículo concreto que se adapte ao arquétipo inicialmente formado pelo próprio Espírito no céu. Quanto mais cedo aprendermos a ver em nós uma unidade criadora completa, tanto mais preservaremos nossa própria força criadora, enviando-a para cima com propósitos espirituais, assim, mais cedo encontraremos o homem ou a mulher dentro de nós mesmos. O casamento místico ter-se-á, então, realizado, e isto unirá os dois polos, dando-nos uma consciência que se revela criadora em todos os reinos da natureza.

Ao mesmo tempo devemos compreender que, enquanto estivermos aqui neste mundo físico e tivermos lições a absorver, precisamos ter instrumentos com os quais possamos aprender. Nós próprios alcançamos esse privilégio graças ao sacrifício de outros. Eles nos ajudaram na obtenção de um corpo, e não devemos jamais esquivar-nos da responsabilidade de oferecer a outrem a oportunidade de obter um corpo por meio dos nossos serviços, contanto que tenhamos uma boa saúde e que as outras circunstâncias sejam adequadas. Devemos também sentir que podemos oferecer ao Espírito que vier a nós, um ambiente favorável onde poderá crescer.

A respeito do Guardião do Umbral: É voz corrente que ele sempre se manifesta como sendo do sexo oposto ao nosso, porque todas as nossas tentações, assim como o mal que tenhamos praticado, tudo que é censurável, provém do nosso lado oculto e, a cada vida, esse lado oculto toma a forma do sexo oposto. Por causa do sexo oposto, somos tentados a cometer o pecado que expulsou a humanidade do estado de pureza chamado simbolicamente de Jardim do Éden. Ele habita no limiar dos reinos superiores, e cada um que tentar procurar a entrada, deve primeiro vencer esse demônio.

(Pergunta 144 do Livro Filosofia Rosacruz por Perguntas e Respostas vol. II, de Max Heindel)

[1] N.T.: Ou Tannhäuser foi um Minnesänger e poeta alemão medieval. Sua existência não foi atestada historicamente fora de sua poesia, datada entre 1245 e 1265, e sua biografia é, por consequência, obscura. Assume-se que tenha alguma ligação com a antiga família nobre dos Senhores de Thannhausen, que ainda residem em Neumarkt in der Oberpfalz. Foi ativo na corte de Frederico II da Áustria, e o Codex Manesse o mostra com as vestes da Ordem Teutônica, o que sugere que teria participado da Quinta Cruzada. Os poemas de Tannhäuser são paródias do gênero tradicional. Tannhäuser und der Sängerkrieg aus Wartburg (Tannhäuser e o torneio de trovadores de Wartburg, em alemão) é uma ópera em três atos com a música de Richard Wagner, e com o libreto do próprio compositor. É objeto de estudo no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.

Sobre o autor

Fraternidade Rosacruz de Campinas administrator

Deixe uma resposta

Idiomas